História Amputado - Capítulo 9


Escrita por: ~

Visualizações 506
Palavras 5.603
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


​Hello, hello!
Passando para avisar que teremos notas iniciais gigantes, sim.
Antes de tudo eu queria dizer que ultrapassamos os trezentos favoritos!! ESTOU URRANDO! Pensei que não chegaria a um número tão alto com essa história, então eu preciso agradecer (e muito) a cada um que se preocupou em deixar um coração na fanfic e, mais ainda, a quem leu o que escrevi. Meu carinho por este enredo é sem tamanho, sendo assim, poder dividi-lo com vocês é um presente. Obrigada mil vezes por cada incentivo! Eu não poderia estar mais feliz!
► O capítulo ficou um pouco maior que os demais, mas, em minha defesa, é o último; digo, a "história do Shawn" termina aqui, contudo, daqui a duas semanas, postarei o epílogo;
► Esta não é a nossa despedida, tenho planos para dois spin offs da fanfic: um da tia Alice e outro dois anos antes, quando o Shawn era "o rei" das corridas ilegais;
► Ao longo desta semana, postarei uma drabble que é um "teaser" da fanfic que sucederá Amputado, Ruídos de Saturno;
► Quanto a este capítulo em si, peço que leiam em um canto, pois, se eu conseguir alcançar meus objetivos, ele os causará algumas reações intensas;
► Vale lembrar: o capítulo não está revisado;
► Um agradecimento em especial à Jessica (@jeleninhaz) e à Andressa (@srtaherrera) por terem me ajudado muito na finalização deste capítulo;
► Por último, quero dedicá-lo a cada um que lê Amputado e faz parte desta história.
Ps. Gritos histéricos para o banner de capítulo maravilhoso que a Lidi (@storan) me deu!!!
Boa leitura, meus amores!

Capítulo 9 - Avesso


Fanfic / Fanfiction Amputado - Capítulo 9 - Avesso

"Quando você menos espera, a vida te vira do avesso,

e você descobre que o avesso é o seu lado certo."

Caio Fernando Abreu.

Silêncio. Pausa. Dor. O mundo está quieto, como se tivessem apertado a tecla "mute" em um controle remoto. O silêncio me perturba e quero gritar, mas nenhum som sai de minha garganta. As imagens diante dos meus olhos são vagarosas, estáticas, como se cada movimento estivesse em câmera lenta.

Preciso piscar várias vezes para que não me perca, mesmo que eu não dê um passo a mais. Sob meu peito, a dança desesperada de meu coração é torturante e cruel, ela me rasga e dilacera, como cacos de vidro. Dói a ponto de não o sentir mais.

Enxergar a avó de Stewart ajoelhada no chão, enquanto minha mãe a consola inutilmente, fere-me. Meus pés estão fixos no segundo andar da escada do hospital. Não consigo entrar. É como se eu estivesse preso. O chão de concreto se tornou uma voraz e faminta areia movediça, impedindo qualquer mínimo movimento.

Repentinamente, o mundo ao meu redor para. Nem ao menos a lentidão se faz presente diante da minha visão embaçada. Tudo estacionou, como eu. Estou congelado.

— Shawn, quer que eu entre com você? — a mão de Heather encosta em meu abraço, envolvendo-o com carinho.

— E-eu não consigo. — gaguejo, com timbre embargado de dor.

Sem aviso prévio, ela me abraça. Parece que a ruiva escutava o meu grito silencioso e interno por aconchego. Afundo o meu rosto na curva do seu pescoço e esmagando os dedos contra o tecido delicado de seu vestido, a transferir toda minha dor para a veste, permitindo-me chorar.

— Ele arrancou meu braço, e-eu estava puto. — balbucio, com os fios acobreados a grudar em meu rosto. — Mas eu não queria que nada de ruim acontecesse com ele. Nunca quis. Heather, eu... — as lágrimas em meus olhos queimam, enquanto os soluços me alcançam.

— Shawn, pelo amor de Deus! Isso não tem nada a ver com você. — tenta me consolar.

As palavras interrompidas pelo ar descompensado são cessadas. Desisto de formular uma frase, tendo em vista que nada sairá de mim com coerência. Apenas insisto em me afundar mais e mais no cheiro adocicado de seus cabelos, acreditando fielmente que este abraço seja meu único refúgio.

— Não se culpe, por favor. — sussurra.

De todas as notícias do mundo, a que eu menos queria ouvir, apesar de todos os pesares, é a de que o amigo está morto. O relato, no entanto, é direto e frio, bem como o corpo estirado em alguma maca do lado de dentro. Não há nada que eu possa fazer.

O pedido de desculpas pela forma como o tratei na cafeteria nunca será respondido, nem, muito menos, um abraço sincero para avisá-lo de que tudo ficará bem. Os socos certeiros dos homens desconhecidos foram mais fortes que a vontade dele de fugir. Não posso mais informar a Stew que está a entrar em um labirinto do qual a saída é desconhecida. É tarde demais.

As escolhas erradas o arrastaram para um caminho sem volta; um rumo o qual eu o aconselhei a fugir, inúmeras vezes. Stew não me ouviu. Sempre fez o que quisera, agora o monstro da realidade o devorou. Mastigou seus sonhos, engoliu sua alma e excretou-o do mundo.

Ele nunca mais poderá correr de moto; fazer um comentário pejorativo sobre alguém, por idiota que isso seja; ou, simplesmente, vangloriar-se por conquistar uma garota. A lista longa de países nos quais gostaria de conhecer será abandonada e incompleta, assim como ele. Morto sem orgulhar a avó ou viver um romance digno de filme. Stewart morreu sozinho, vazio.

Afasto brevemente o meu rosto de seu colo e encaro os olhos verdes preocupados.

— Heather... por favor, vamos embora?

Sem dizer nada, a garçonete afirma com a cabeça.

As pegadas cambaleantes me guiam pelas ruas do centro. Se não soasse tão tolo, diria até que a ruiva me carrega pelo caminho. A herdeira de fios acobreados solta umas palavras vez ou outra, mas o destaque é a conversa do silêncio com o pulsar perdido do meu coração. O mundo persiste na quietude, como meu interior.

Assim que chegamos à frente do apartamento onde a moça dos lábios exagerados mora, deparamo-nos com a única coisa capaz de me fazer sorrir: imóvel é visivelmente entorpecida, tia Alice envolve os braços ao redor do pescoço do professor, enquanto, respeitosamente, ele a segura pela cintura. A mão de Heather aperta a minha, em uma comemoração muda.

Em meio às infinitas tristezas, uma notícia feliz. Este é o instante em que meu coração bate como de costume: livre.

Como se os céus acompanhassem meu estado de espírito, eles choram uma chuva rala e constante. Minha mãe está com um vestido preto, demonstrando o luto explícito. Coloco um terno do qual nem me lembrava de ter e espero o pai se aprontar. O silêncio pelos corredores de casa é ensurdecedor.

"Avise-me, quando chegar. Aguente firme, Shawn.", diz a mensagem na tela do celular.

— Obrigado. — respondo minimamente, com o polegar a pressionar a região sensível para gravar minha voz.

Ergo meu rosto, fugindo da tecnologia e assisto o pai convocar para ida. Levanto-me, sem muitas forças, e sigo em família ao táxi que nos levará ao cemitério. O rádio está desligado, os únicos ruídos no carro é o toque certeiro das gotas contra a lataria. A cada segundo, sinto-me mais afundado no mar de dor. A risada sacana de Stewart me invade em meio ao silêncio, como uma espécie de assombração.

Chegamos, após um pequeno engarrafamento. Há poucas pessoas aqui. A multidão de garotas que costumavam gritar o nome do falecido não se faz presente, o que comprova o interesse unânime. Entre os rostos desconhecidos, reconheço os cachos volumosos e bonitos da ex-namorada, ao lado de John, quem não via desde o dia em que me chutou para fora da motocicleta. Tento os cumprimentar com um sorriso, mas até mesmo respirar está difícil.

Em forma de respeito, abraço a avó de Stew e permito que chore contra meu colo. A mãe, no entanto, a devorar os cigarros do maço, fala pouco conosco e demonstra tamanha ansiedade pelo início da cerimônia. Os elogios fúnebres são breves. Poucas palavras me servem como um cobertor de dor, agravando ainda mais o frio dentro de mim. Quando os soluços impedem que a avó termine a frase, sou surpreendido.

— Shawn, você que é amigo do Stew há anos, quer dizer umas palavras?

O gelo interior transpira, congelando toda extensão de minha pele. Perplexo, pisco algumas vezes para ter a certeza de que não é uma alucinação. O conjunto de olhos ansiosos direcionado a mim afirma que não.

Andando, receoso, para a frente do caixão, em meio ao gramado verde e ironicamente vívido, tropeço em um pequeno graveto. Inclino-me para pegá-lo. Um sorriso contido nasce no canto de meus lábios.

Este é o tênue fio de esperança que eu precisava. Brincando com o galho entre os dedos, encaro, de um em um, os olhares inundados. Um bolo de saliva se embrulha na minha garganta, engulo-o em seco, ao respirar fundo; um fragmento súbito de coragem me atinge.

— Escolhas. — começo um tanto em rumo, prendendo os meus olhos nos negros de Bridget. — A vida é feita de escolhas. Algumas boas, outras ruins. — migro-os a John, quem está repleto de marcas roxas no rosto. — Independentemente de quais sejam as nossas, todas elas carregam consigo as consequências. Quem vos fala isso é o garoto de um braço só.

Uma risada coletiva me preenche com a quantidade de confiança que faltava.

— Dói ver um rapaz morto violentamente assim. Stewart não chegou aos vinte anos, nem realizou seus sonhos. — solto uma risada, ao me recordar do desejo infantil de ser jogador de futebol. — Hoje ele não está brilhando no Barcelona, nem tem um feito lendário para ser eternamente lembrado. Mas, sei que, para cada um de nós aqui, ele sempre será memorado. Malditas escolhas. — suspiro, na tentativa inútil de conter as lágrimas. — As escolhas erradas o levaram aonde está. As mesmas que tiraram o antebraço de mim.

Os olhos marejados transbordam. Observo o tampo de madeira maciço e fungo, rumando ao ramo seco que tenho na mão. Perdão.

— Acho errado que o crucifiquemos pelas escolhas tomadas. Afinal, ele quem as fez, completamente consciente do que estava por vir. Faremos o inverso, aprenderemos com os erros dele. — ergo o olhar mais uma vez, parando, agora, no envelhecido da avó. — Poderia ser eu dentro deste caixão, ou o John, qualquer um de nós, mas estamos aqui, vivos, com uma marca ou outra de alguma decisão errada. Gratidão. Precisamos agradecer por ainda estarmos aqui. Perdoem quem os magoou, perdoem a si mesmos; somos e seremos errantes... como ele.

Elevo a mão ainda a abrigar o galho e enxugo a bochecha banhada com seu dorso. Ajeito brevemente do paletó e molho os lábios com a língua.

— Abrace o seu pai aí em cima, cara. Ele deve ter sentido a sua falta, assim como nós sentiremos. — murmuro. — Descanse em paz, Stewart.

Assim que as minhas palavras chegam ao fim, todos se aproximam para despejar flores, enquanto o padre diz algumas palavras e versículos. A melodia assustadora dos choros se mistura a uma harpa fria a ressoar no fundo. Num ato ágil de bravura, uno meu graveto completo sobre o caixão fechado e fito, sob os borrões dos olhos inundados, a descida lenta e pesada buraco adentro.

Conforme as pessoas se retiram, meus pés tomam coragem para me carregarem ao amontoado de terra diante da lápide. Encaro o nome cravado, a distância pequena entre o ano de nascimento e o de partida. Fecho os olhos, preenchendo os pulmões sofridos de ar e esvaziando-os. Alguns momentos bons passam pela minha cabeça.

— Gostei do seu discurso... — o emaranho de palavras me desperta do devaneio, e viro brevemente o rosto para a autora.

— Obrigado. — prenso meus lábios. — Fiquei mais leve depois, foi... libertador.

— Você falou sobre perdão. — afirmo com a cabeça. — Sei que não estou no melhor momento para lhe pedir nada, mas você me desculpa por toda dor que lhe causei?

Solto uma risada curta, incrédulo.

— Bridget, não se preocupe. Já passou. — conforto-a.

— A sua moto ficou comigo, desde o acidente. — murmura, ao confessar. — Agora são duas escondidas na garagem. — sua voz embarga. — Tudo o que eu toco estraga.

— Jamais diga isso.

Dou um passo a me aproximar da ex-namorada, envolvendo-a em meus braços. Ela afunda o rosto tomado por lágrimas na curva de meu pescoço, fazendo com que eu consiga sentir sua respiração descompensada. Nossos corações, embora apertados, pulsam em ritmos dessincronizados.

Neste instante, tento a certeza de que não há mais um resquício de mágoa a percorrer minhas veias; não há ódio, ou desgosto, apenas dor. Estou liberto do rancor de uma traição dupla, enquanto ela se afunda numa inédita poça de perdão. Momentos diferentes em um só abraço.

Sei que, onde quer que Stewart esteja, ele sorri.

Três semanas depois.

Um livro pode ser lido dos dois lados.

Por mais desconexo que cada acontecimento apareça,

a história persiste ali. De trás para frente, de frente para trás.

Não há certo ou errado, talvez mesclar os avessos seja a resposta.

Independentemente do lado escolhido, deve ser lido.

Através das vidraças enormes, consigo assistir os aviões patinando no asfalto antes de decolarem. Inúmeras pessoas estão no Seattle-Tacoma International Airport. O vem e vai das bagagens em meio às vozes macias das aeromoças é responsável pelo estômago a revirar com frequência.

Minha mão sua. Pensar que, ao menos, viajarei com meus pais me conforta. Uma qualidade em ser menor de idade é ter a permissão de viajar acompanhado, no entanto, a presença de Heather é um presente para mim, enquanto à tia Alice significa duas semanas sem a sobrinha e namorado.

A pele pálida da moça especial está vermelha sob o banho de lágrimas. Parece que estamos morrendo, despedindo-nos rumo à morte. É só o Rio de Janeiro. Estaremos de volta em poucos dias. Isto, todavia, não impede que a tia se debulhe em choro. Abraço-a fortemente, com o cachorro entre nossos corpos. Em seguida, ela envolve a ruiva nos braços.

— Sen-sentirei tanto a falta de vocês... — o soluço interrompe a fala costumeiramente falha.

— Também sentiremos a sua. — a garçonete aperta os braços gordinhos de Alice e sorri em sofreguidão. — Lembre-se de que eu lhe amo, ok? — agarra a pequena cabeça peluda e beija a franjinha. — Você também, Dallas. Torça pelo Shawn. Ligarei todos os dias.

— Amo. Amo você. — gagueja. — Estaremos lhes esperando.

— Agora, tia Alice, vá, antes que vejam que está com um cachorro no terminal de embarque. — advirto-a, soltando uma risada doce.

A delegação esportiva começa a se mover adianta na fila. Abraço-a mais uma vez e afasto-me, achegando aos demais da equipe. A família e eu acabamos à tia, parada a nos assistir entrar; Ralf sela os lábios nos dela às pressas, transbordando a saudade iminente e acelera os passos a nos encontrar.

A cada passo, mais distante ficamos da tia e maior se torna meu nervosismo. As horas à espera são ligeiras, bem como o tempo de voo para a escala. Pousamos em Toronto para trocar de até avião e, sem mais tardar, embarcamos ao Brasil. Última parada, de São Paulo à cidade maravilhosa. Ao menos o trajeto longo me permitiu fazer maratona de The 100 com Heather e assistirmos, mais uma vez, Diário de Uma Paixão.

A paisagem do mar através da janela me faz sorrir. O calor é evidente e torturante, entretanto, estranhamente, convidativo e delicioso. É inverno, mas o sol é forte e as pessoas utilizam poucas roupas. Pela pequena vigília, espio a alegria nos rostos do lado de fora da nave; minha primeira impressão é de que as pessoas são mais felizes por aqui. Posso afirmar que também estou.

Como o bater suave de uma borboleta, os dias evaporam sem que eu perceba. A delegação e eu treinamos instintivamente todos os dias, restando-nos a aproveitar as noites sem pressa. O pouco tempo disponível me é gasto ao lado de Heather e família.

A cidade do Rio de Janeiro parece um mundo novo, tudo é leve; uma experiência única. Percebo um hábito estranho ao ir ao shopping de chinelo ou ir com os cabelos molhados a qualquer lugar. É como se não existisse regras a não ser relaxar.

Acompanhado pela equipe, passeei pelo Pão de açúcar e o Cristo Redentor. Adorei experimentar as comidas e bebidas típicas do Brasil, como aqui sou maior de idade, adorei uma mistura de limão com cachaça chamada caipirinha. Não obstante, a melhor experiência até então foi assistir à abertura das Paralimpíadas.

A emoção de entrar no Maracanã lotado, com milhares de pessoas orgulhosas em me ver, independentemente do país que eu represente me levou à frenesi. Por um ínfimo instante, senti-me um cantor famoso sobre o palco enquanto os fãs gritam constantemente o nome e choram embalados pelas canções. Dia após dia tenho mais certeza de que estou onde deveria estar.

Hoje é a noite que antecede o grande final de natação, meus nervos estão à flor da pele, e os pensamentos focam apenas na prova de manhã. Exausta de me assistir sob a pilha de tensão, Heather me arrastou à Copacabana e aqui estamos nós: no famoso calçadão.

O vento sopra de modo sútil. A noite aqui é quente, mas não o bastante para ser abafado. O céu aparenta ser brevemente maior visto deste ângulo. Há um infinito acima do mar. As luzes dos postes alcançam só metade da areia, o restante se ilumina com a ajuda da cândida lua.

Sem avisar, sigo o clarão, afundando os pés nos farelos macios da praia. Confusa, Heather me segue, chamando meu nome inquietamente. Irredutível, persisto nos passos profundos, rumo à beira mar. O barulho das ondas quebrando me hipnotiza junto ao brilho do luar.

Parado em frente ao horizonte negro, um sorriso nasce em meus lábios. Quando em minha vida eu poderia imaginar que estaria no Rio de Janeiro, ou melhor, como um paratleta no Rio? Nunca. É provável que se alguém me dissesse isso, eu debochasse da ideia tola, e, hoje, percebo que nada foi mais coerente que o acidente.

Estou exatamente onde, como e com quem deveria estar. Jamais ousaria mudar. Por mais que antes eu me perguntasse por quê minha vida estava às vessas, retruco maduramente agora que outrora estava do lado errado.

De supetão, as mãos delicadas de Heather aquecem meu braço, mostrando-me de que ela está ali. Como desde o início. Viro-me ligeiramente para ela e mantenho o sorriso no rosto.

— O que faz aí? Pretende se atirar no mar? — a preocupação está explicita em seu timbre, mesmo que não exista um porquê.

— Você também está com a sensação de que o céu no Brasil é maior?

Posso ouvir uma risada doce em meio aos ruídos das ondas.

— O céu não é maior, você quem está desprendido. Esta é a sensação de ser livre... — ela se senta na areia fofa e chacoalha meus dedos, fazendo menção para que me sente.

— Como chegou a essa conclusão? — meio sem jeito, abanco-me ao seu lado no chão. — Está triste?

— Exatamente o contrário, estou feliz. Quando descemos do avião, percebi o tamanho do céu e a imensidão de sonhos que é estar aqui. Meus pais estariam orgulhosos. — a voz embarga.

Envolvo minha mão esquerda pelos seus ombros, ato que faz com que a ruiva se acomode na curva de meu pescoço. Os olhos verdes miram a espuma deixada pelo mar, como se desenhasse um sorriso na areia molhada.

— Eu tenho certeza de que você é o maior orgulho deles, onde quer que estejam.

Os tons esverdeados são banhados por um sentimento puro. Uma lágrima filha única escorre pela bochecha sardenta, sob a cor do luar posso jurar que a gota é branca. Antes que eu possa secá-la, a garçonete o faz.

Para a mina surpresa, ela se desvencilha de mim e tomba para trás, afundando o corpo esbelto n’areia. Uma de suas mãos busca a minha e entrelaça nossos dedos. Imitando seus movimentos, deito-me a acompanhá-la. Nossos olhares vagam pelos céus salpicados de estrelas.

— Você conhece as constelações? — tento quebrar o clima tenso.

— Nunca vi o céu do hemisfério sul antes, mas, ao julgar pela organização, acredito que aquelas três ali formem Órion. — para quem desconhece, demonstra-se bem perceptiva. — Olhe aquilo! — grita, apontando para o quarteto de estrelas reluzentes em formato de cruz. — Sem dúvidas, aquele é o Cruzeiro do Sul, já o vi num documentário.

— Ok, não precisamos brincar mais de constelações. — encerro o assunto, prendendo a gargalhada nos dentes.

As órbitas esverdeadas descem para mim, no instante em que o deboche estampa a pele alva, a qual, devido ao clarão da lua, está ainda mais pálida. Os lábios exagerados sorriem e, consequentemente, roubam um sorriso dos meus.

— Eu só sei encontrar as Ursa Maior e Menor. — dou-me por vencido.

Heather gargalha, remexendo as pernas na areia. Em um confuso paradoxo, ela encerra a risada com um silencio longo. Percebo seus dedos tornarem a se embrenhar nos meus. Meus olhos castanhos observam o encaixo perfeito de nossas mãos e voltam ao céu.

— Podemos ficar aqui, assim, por alguns instantes? — seu tom é de súplica.

— O tempo que quiser.

Então, sem dizer uma palavra sequer, nós ficamos. As estrelas e o luar nos analisam, posso julgar que até sorriem para nós dois, deitados sob a pouca luz, de mãos dadas em plena areia da praia de Copacabana. O único barulho a interromper o silencio é oriundo do ar escapando das narinas se misturando aos ruídos da maré.

Em meio ao breu, avisto um risco desenhar o seu. Abruptamente, remexo no chão fofo e murmuro algumas palavras as quais nem mesmo eu consigo decifrar.

— Uma estrela... Ah! Uma estrela cadente, Heather! Rápido, faça um pedido.

Fecho os meus olhos de modo ágil e penso em uma coisa da qual gostaria muito de conseguir. Contudo, um murro suave alcança minha costela.

— Você avisou tarde demais, não consegui desejar nada. — o lábio exagerado debaixo se estende, formando um beicinho infantil. — Só acho errado porque tinha um pedido em mente e não se realizará.

— Por que não? — ergo uma das sobrancelhas.

— Porque você com certeza pediu para ser um dos medalhistas.

Ledo engano. Sua ideia me seria bem útil, na verdade, entretanto, de todas coisas, a competição nem sequer passou pela minha cabeça. Eu estava encantado em demasiado para pensar em algo que não fosse a ruiva.

— Errou. Meu pedido não tem nada a ver com as Paralimpíadas. — disparo, confiante.

Ela demonstra... surpresa? Não consigo entender os olhares incertos.

— Sendo assim, o quê pediu? — rebate.

— Se eu lhe contar, não se realizará.

Heather revira os olhos.

— São as regras, mas, se lhe conforta, meu desejo foi sobre... isso aqui... nós. — um sorriso estica o canto de seus lábios exagerados. — Mendiguei que perdurássemos.

De forma delicada, ela rola pelo espaço curto entre nossos corpos e cola os lábios macios nos meus. Sem ousar desgrudar nossas bocas, ela sussurra:

— Você é diferente, Shawn. — meu lábio inferior se faz refém dos dentes brancos. — Adoro cada detalhe único em você.

Ela liberta o meu lábio, e eu sorrio.

— Fico feliz, porque você é um deles.

Sem mais perder tempo, entrego-me ao momento e beijo-a com afinco. Talvez, tamanha vontade ao ponto de julgar ser maior que mera paixão. É especial, distinto, único. Exatamente como nós. O nosso encaixe perfeito.

Neste instante, percebo que meu coração não mais pulsa, mas se debate entre os pulmões, bombeando desesperadamente o sangue a ferver para todo o corpo. Eu não imaginava que um simples beijo sob o luar fosse aprofundar assim, porém, não sei como evitar a sensação indescritível, quando, num avançar brusco, ela aniquila a mínima distância entre nós. ​

Assustado, com a ruiva sobre mim, afasto nossos lábios. Meu olhar cola no dela; a pupila dilatada comprova a luxúria habitante. Não há nada no mundo capaz de quebrar esta ligação. Ela começa a revezar entre meus lábios e olhos, pedindo silenciosamente para que me entregue.

Receoso, seguro em sua nuca, tendo liberdade para tocar seus fios acobreados. Em seguida, escorrego a mão para cintura fina, apreciando as curvas no trajeto. Colo nossas testas. A respiração ofegante de Heather encontra com a minha, e ela, movida pelo impulso, gruda nossas bocas, arrancando minha sanidade de vez.

Antes que eu possa notar, o beijo fica veloz e, para minha surpresa, ele provoca um estímulo estranho em meu cérebro: sede. Sede de seu gosto. A falta de ar alcança os pulmões, e o ritmo do beijo diminui para que o recuperemos. De supetão, a ruiva nos separa, deixando uma leve mordida em meu lábio inferior.

Ainda próximos, deixo meu olhar encontrar os esverdeados novamente. Sem dizer mais nada, o beijo recomeça. Eu não sei aonde isto chegará. Contudo, por mais estranho que possa parecer, quero ir até o fim.

Minha mão insiste a passear pelo seu corpo repleto de curvas. No momento em que a elevo, rumo aos seios arredondados, ela estremece. O barulho da onda quebrando n'areia me faz lembrar de onde estamos. Praia de Copacabana. Precisamos nos conter.

Ao nos interromper, Heather arregala os olhos, expondo toda a sua confusão. Tomo uma inspiração profunda. Sem coragem para negá-la e, principalmente, a mim mesmo, disparo sem jeito:

— Acho melhor pararmos por aqui...

— Fiz alguma coisa de errado? — indaga com os lábios próximos dos meus. — O que houve?

— Não, está fazendo tudo certo demais... — solto uma risada maliciosa. — esse é o problema.

— Qual será a sua próxima oportunidade de transar na praia? — dispara, com uma confiança capaz de arrepiar.

Penso brevemente sobre o assunto. O fervor de volúpia me deixa sem saber o que responder ou como voltamos a nos beijar. Todavia, os lábios exagerados preenchem os meus, matando o estímulo involuntário. Meu coração dispara. Os dedos fincam n’areia branquinha, na tentativa de transferir o desejo que percorre as minhas veias, contudo, a esta altura, nada é capaz de cessá-lo.

Uma das mãos delicadas e pequeninas atravessa meus fios de cabelos, tomando uma mecha para si, enquanto a outra se preocupa em cravar as unhas na minha nuca. Trazendo seu rosto para ainda mais perto de mim, ela rompe o beijo. Sem tardar, migra os lábios exagerados para a minha orelha, onde roça a ponta de seu nariz no lóbulo e mordisca a região de forma lenta e torturante. Despede-se do último instante de sanidade, o qual eu acreditava ser inexistente, quando sussurra:

 — Por favor, Shawn. 

Não mais conseguindo resistir, nossos corpos tremem em desejo. A ruiva retorna o rosto para o meu, grudando os lábios de forma desesperada. A minha mão desliza para uma das coxas, desenhando o formato de cada músculo destacado. Continuo a subi-la, enfim, arrastando o vestido para cima e segurando firmemente no quadril; retribuo mais intensamente às carícias furiosas de minha língua com a dela. Neste ínfimo segundo de permissão, os lábios exagerados de Heather sorriem vitoriosamente durante o beijo.

Sem tempo a perder, encaixo-me entre as pernas pálidas. Deixo nítido que não pretendo me afastar da dona do sorriso mais lindo. Invado a região macia e quente da barriga magra, assim como ela explora meu abdômen sob a camisa. Meus dedos ágeis sobem e começam a passar mais tempo brincando com a alça do vestido, fazendo a respiração da ruiva falhar com ainda mais frequência.

Não capaz de conter o pudor, ela leva a minha mão em um de seus seios sobre o tecido, à espera de que eu sinta a arritmia no coração desesperado entre os pulmões, e termine logo com a agonia urrando em seu interior. Visivelmente surpreso com sua atitude, farto-me no formato arredondado e volumoso, demonstrando total satisfação. É impressionante como, mesmo depois de tanto tempo, ainda me encante e fascine com suas formas.

Antes que eu me dê conta, o vestido branco não mais cobre o busto. Com a respiração arfante, separo apressadamente os lábios dos de Heather. Admiro cada centímetro da pele polvilhada de sardinhas. O sorriso maravilhado em meu resto não tarda a se fazer presente.

Retorno meu olhar para a imensidão negra a esconder a íris esverdeadas. As mãos delicadas se desfazem da minha calça antes que eu perceba. Heather se move rápido, tem o ataque sorrateiro e sábio de uma leoa. Ela me doma, sei que, na verdade, sou o leão na jaula e a ruiva a dona do circo.

Preparado para tomar uma iniciativa, minha mão arrasta vagarosamente a parte debaixo de Heather. As ondas quebram em nossos pés, umedecendo ainda mais os nossos corpos febris. Sem me dar tempo de assimilar o que está a acontecer, ela abaixa a única peça presa a mim. Por conta própria, a ruiva se preenche rapidamente, fazendo-me pensar por um momento que ela não teme se rasgar ao meio. 

Os olhos se reviram, sob os efeitos daquela sensação. De modo gentil e discreto, o jeito com o qual ela se movimenta é torturante e voraz. Perambulo meu olhar para a praia vazia, para ter a certeza de que não estamos sendo vistos.

É impressionante como um lugar tão público, em questão de segundos, torna-se tão particular.

De súbito, Heather se debruça contra meu abdômen, aproximando minimamente nossos rostos. A maneira como a ruiva se remexe, enquanto solta ruidosamente o ar na altura de meu ouvido, faz-me retorcer os dedinhos dos pés sobre a areia fria e agarrar seu traseiro, como se eu dependesse daquela força para viver. 

Os corpos simulam vulcões inativos a entrar em pequenas erupções depois de anos: capazes de devastar e alastrar. É nítido que estamos sobrecarregados de prazer, entretanto, ainda assim, ansiamos por mais.

Perduramos na mesma posição e intensidade, no entanto, ambos os lábios indecisos variam entre o pescoço, ombros e orelha sem decidirem de qual região gostam mais. Aos poucos, começamos a perder o controle sobre nossos corpos. Completamente entorpecidos, derretemos em suor sob o céu estrelado e enorme.

O cansaço nos domina, como Heather, esta noite, fez do início ao fim. Lutando inutilmente contra a exaustão que teima em querer nos interromper, a garçonete segura em meus ombros, ela faz um movimento bruto e desconcertante. Neste instante, preocupo-me acariciar carinhosamente um dos seios arredondados.

 Sem sucesso algum em nos mantermos firmes, procuro os lábios exagerados da ruiva, selando-os entre arfadas. Na tentativa de afastar o cansaço inconveniente, aprofundo o beijo. Porém, minhas forças estão reduzidas, bem como a mente enfeitiçada pelos encantos da moça corada.

Em um clímax de fervor, consigo me reanimar para o ato final e, com uma investida intensa ao ponto de sentir seu fundo, solto um gemido rouco rente a boca avermelhada, finalmente, alcançando meu limite, ao mesmo tempo em que ela, também esgotada, sob o luar brilhante em uma das praias mais famosas do mundo. ​

O corpo enfraquecido escorrega para o meu lado, tombando na areia. Anestesiada, ela gargalha, o que me faz rir junto. Nossos olhos viajam mais uma vez aos céus estrelados. Há instantes atrás, nós estávamos ali, nas nuvens. Minhas órbitas descem às ondas tranquilas. Uma ideia inédita de ilumina na minha cabeça.

— Quer dar um mergulho? — convido entre suspiros.

— Está doido? — nego com a cabeça. — Não conhecemos esse mar, entrar aí é uma completa loucura.

— Não maior que transar na praia.

Ela solta uma risada maliciosa e assente. Cambaleantes, levantamo-nos e rumamos à água. Tiro os sapatos às pressas, atirando-os em qualquer parte da areia. As ondas quebram em nossos pés. Heather me puxa para mais um beijo sedento, e sua mão esperta fecha o zíper da minha calça. Com a ruiva pendurada em meu pescoço, titubeamos mar adentro.

As estrelas brilham para nós dois em meio às ondas. A areia molhada se perde em nossos pés. A cada pequeno beijo, uma risada e uma nova certeza de que esta é uma das melhores noites da minha vida. E, assim, a escuridão dos céus se despede, trazendo a manhã do grande dia com o sorriso doce do sol.

Com o rugir do dia, preparo-me para a final. Em pleno ginásio lotado, o coração desesperado faz menção à ansiedade. Percebo a agitação dos outros competidores, de modo que fique ainda mais claro que dentro de poucos minutos será dada a largada.

Heather não se mostra tão nervosa quanto eu. Já conversamos sobre hoje diversas vezes durante a estadia no Rio; nessas conversas, a ruiva sempre trata de esclarecer que, independentemente dos resultados perante os jurados, ela já me considera um vencedor, o seu campeão. 

Então, como se algo tivesse aberto meu cérebro, iluminando as ideias, dou-me conta de que a ruiva, aos poucos, preencheu os espaços em minha vida, alojando-se entre os momentos mais importantes dela. Heather está em tudo. Até mesmo aqui, no vestiário.

— O que é? Vim lhe desejar boa sorte, e, mesmo assim, você continua tão calado. — ralha, erguendo uma das sobrancelhas, porém, um riso suave corta a falsa irritação. 

— Necessito de mais que um desejo de “boa sorte”. — confesso, arrancando-lhe um franzir de testa. — Tenho pensado nisso há algum tempo... e, de repente, sinto que não posso mais segurar. — julgando pelo meu tom de voz desesperado, os olhos esverdeados se arregalam.

Não é preciso muito tempo para concluir que ela sabe do que estou falando.

— Heather, eu... — entretanto, antes que as três palavrinhas cruciais possam zarpar de minha garganta, a moça com as bochechas tomadas por sardinhas cobre meus lábios, silenciando-os com um dos dedos. 

— Shh... não diga.

A cruel possibilidade de estar sendo rejeitado me esmaga. Minhas pernas bambeiam levemente, e o coração, já acelerado, debate-se inquietamente entre os pulmões. 

— Quando namorou pela primeira vez, essas palavras partiram de você, certo? — assinto, confuso. — Veja o que aconteceu. — engulo em seco. — Nós dois sabemos que correspondo aos seus sentimentos. Sendo assim, não seria injusto você falar primeiro? 

Um sorriso imenso estica meus lábios, estes que, pouco a pouco, são afastados de seus dedos. 

— Então...? 

— Falaremos juntos. — meus olhos vibram ao encarar os dela. — No três? — concordo com a cabeça.

— Um. — disparo.

Os lábios exagerados crispam, ao sorrir timidamente.

— Dois. — diz, mordiscando o lábio inferior.

Nossos olhos se prendem ainda mais. O castanho no verde, o verde no castanho.

— Três. — nossas vozes se misturam, como os tons de nossos olhos. 

Assinto. As sensações de reviravolta no estômago estão mais intensas. Heather é perfeita, ela pensa em tudo. Estranhamente, as demais pessoas outrora presentes no vestiário somem. Só há nós dois aqui, estamos presos em uma espécie de bolha. 

— Eu te amo. — a frase escapa naturalmente em uníssono. Pronunciamo-la no tempo ideal, delicada e bela, é como um doce delicioso ao meu paladar.

O ecoar de uma palma dos técnicos me faz lembrar de onde estou, e o círculo de proteção se desfaz. Todos os convocados se alinham para entrar na área da competição. A ruiva acena com as mãos e corre para fora dali. Nego com a cabeça, descrente do que acabou de acontecer e entro na minha posição da fila.

Vestido de coragem e determinação, sob o manto de orgulho dos meus pais, sigo à raia e posiciono-me sobre o pequeno trampolim. Os adversários fazem o mesmo, cada um com o pouco de bravura que lhe resta. Tenho convicção de que me esforcei muito para estar aqui. Uma a uma, minhas gotas de suor preencheram esta piscina de esperança.

O sopro duradouro e estrondoso do apito faz o meu coração pulsar aceleradamente, exatamente como age todas as vezes em que Heather me olha nos olhos; sei que estou sob a vigília dela agora. Tomando esta segurança como verdade, meus pés se afastam da superfície branca, a me atirar n'água e concretizar, neste segundo, o início da minha nova era.


Notas Finais


​Importantíssimo lhes relembrar: este não é o fim.
Muito obrigada por lerem até aqui!
Acredito que vocês não aguentem mais me ver a agradecê-los, mas nunca me cansarei de dizer "obrigada por lerem o que escrevo" 💙
Aguardo vocês no Epílogo.
Com muito amor e gratidão,
Lali

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