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História An unexpected love - Capítulo 4


Escrita por:


Capítulo 4 - Capítulo 3


          Julieta narrando:


-- Mamãe,quero brinquedo do carrinho-- Camilo me olha com seus olhos verdes e brilhantes,ele mostra na Tv um comercial de carrinhos de corrida, não era a primeira vez que me pedia.

-- A mamãe vai comprar....

-- Já é a terceira vez que você diz-- ele abaixa a cabeça e olha os próprios pés,o pego no colo e beijo seu rosto,meu coração acelera.

-- Desculpa a mamãe,mas não temos dinheiro,você entende? A mamãe precisa comprar comida com o que resta, quando a mamãe trabalhar,eu prometo que compro os carrinhos pra você.

Ele assente ainda de cabeça baixa e o aperto em meus braços.


Já havia se passado uma semana, eles ainda não haviam me retornado,como imaginava eu não havia passado no teste,estava me odiando,eu podia ter me saído melhor mas fiquei nervosa.
Todos os dias checava meu e-mail,mas estava difícil, nada de empregos, ninguém abria as portas para mim,já estava louca e às vezes pensava até mesmo na hipótese de fazer o que mais temia.... SEXO. Sexo por dinheiro.
Quando se é estrupada,quando se passa por um trauma,você acaba criando medo e meu medo era de fazer sexo de novo,nem gostava de pensar,sexo e policiais militares eram com certeza um medo que levaria pro resto da vida.
Não digo que não superei,eu superei,mas estará sempre marcado em mim.
Estava fazendo o almoço quando Susana entra pela porta toda louca e vem me abraçar.

-- Você passou pra segunda etapa!-- ela diz gritando e pulando. Fico sem entender.

-- Como assim,louca?-- arqueei a sobrancelha.

Susana havia achado algo normal ter isso tudo em uma entrevista de emprego para ser babá,ela disse que ele era muito poderoso e que os filhos eram algo especiais para ele e que não queria ninguém que não fosse adequado cuidando deles.

-- Me ligaram hoje pela manhã,disseram que não conseguiram falar com você,sua entrevista é depois de amanhã e será com o Aurélio Cavalcante.

Meu coração gela só de escutar esse nome,fico nervosa e sinto um frio na barriga. Só de pensar que iria encarar ele.

-- Ah... se fui mal com a secretaria dele,imagina só com ele.

-- É só manter a fé e confiança,confie em você mesma e nada de se mostrar insegura.

-- Ele sabe intimidar as pessoas.

-- Não só sabe intimidar,ele sabe ler as pessoas, sabe quando mentem,quando falam a verdade,amiga ele é um juiz,quer o quê?-- ela diz revirando os olhos.

-- Devemos pensar em uma segunda opção caso eu não passe... não quero te dar prejuízos.

-- Você não dá e nunca deu, eu amo o Camilo e você,não me importo,minha vida não é a mesma sem vocês dois.

Ela me abraça e beija minha cabeça.

--Vai dar certo,você vai conseguir um emprego.

Será? Não sei se seria capaz e até mesmo porque estava tudo difícil.


                               ♡☆♡☆♡


Hoje quinta-feira é o dia da minha entrevista com o Aurélio e eu estava dentro de um vestido que batia acima dos joelhos,ele era liso e de cor preta,ficava um pouco marcado em minha cintura e quadril,mas não era vulgar,era um dos vestidos de Susana,o salto era o mesmo, baixinho e preto. Meus cabelos estavam soltos dessa vez e em sua forma natural: ondulados. Susana disse que eu estava bem e bonita confiei nela.
Exatamente umas nove e meia da manhã eu adentro no prédio grande e espelhado. Segurava uma bolsa de lado com meus documentos. Estragava minhas mãos que suavam frio uma na outra,meu coração batia rápido,respirei fundo e caminhei até a recepção.
Informei meu nome e a ignorante recepcionista me mandou pra cobertura,o último andar,que era o escritório do senhor Aurélio. Entrei no elevador e apertei no andar vinte e dois . Demorou bastante mas finalmente cheguei no andar.
Era grande e tinha somente uma porta negra,na porta estava escrito em um quadro cinza com letras em negrito e puxadas: ESCRITÓRIO DE AURÉLIO CAVALCANTE . Jesus,aquele nome me causava um arrepio enorme,eu congelava só em ouvir a pronuncia do forte nome,imagine em ter o mesmo me enchendo de perguntas.
Me dei uma última olhada pra ver se estava tudo bem,a partir do momento que entrasse naquela estaria sendo analisada,então passei as mãos pelos cabelos e pelo vestido e ajustei minha postura,bati três vezes na porta levemente e dentro de segundos abriram para mim. Estava muito nervosa. Era Cecília ela sorriu e me deu espaço para que entrasse.
A sala era enorme,o fundo dela era completamente espelhada e dava uma visão esplêndida para o Rio de Janeiro,o sol,os prédios,a praia,era incrível,me senti como um pássaro. Olhei ao redor da sala reparando em como era bem arrumadae completamente fina,com móveis de mármore negro,carpete caramelo,mesa de vidro,quadros e jarros enfeitando o ambiente e muito mais coisas que o nervosismo não deixou-me reparar.

-- Bom dia,sente-se por favor-- ela pede gentilmente e sento-me descorfortavelmente na cadeira de frente pra um "trono",literalmente-- O senhor Cavalcante já está vindo,ele pegou um engarrafamento e bem... hoje ele não está nos melhores dias,por favor,não perca a paciência... ele pode ser bem...hmm..rude?

Eu assinto e solto a respiração.


Cecília  retirou-se da sala após um tempo e me deixou ali sozinha,tentei nem me mexer,sabia que ali tinha câmeras e que estava sendo testada, Susana havia me falado muito disso,principalmente um juiz milionário cujo várias pessoas o querem morto. Eu podia ser uma dessas pessoas,certo?
Após um tempo, coisa de vinte minutos ou trinta, a porta se abre bruscamente e é como um furacão tivesse adentrando ali,o perfume forte e amadeirado adentra junto com o verdadeiro furacão e com ele meu corpo fica tenso.

-- Cecília eu realmente espero que isso seja necessário,seu cargo está em jogo,sabe que sou uma pessoa ocupada e não tenho tempo pra ouvir perguntas e respostas de várias pessoas-- ele já chega gritando,sua voz é grave,poderosa,grossa e traz consigo o quanto ele pode intimidar qualquer alma sobre a terra.
Ele surge em minha visão e me olha,seu olhar é duro,sem sentimentos e rígido,aperto a bolsa com minhas mãos suadas,aquele mesmo olhar eu havia recebido há quatro anos atrás. Eu congelo,sinto o suor descer pelas minhas costas mesmo com o ar gelado que tomava conta do ambiente.
Ele se senta ainda me olhando e Cecília chega ao seu lado com uma ficha,ela também está muito nervosa. Parece que ele a intimidava também.
Ele ajusta o colarinho de sua gravata e tira o terno,levanta as mangas de sua camisa social branca revelando os pequenos cabelos de seu braços bronzeado,seus cabelos em perfeito estado,a barba por fazer também predomina e é perfeitamente desenhada,não é como aquelas barbas que nascem um cabelo no queixo e o outro na bochecha. Encaro seus olhos claros um instante antes de abaixar meu olhar.

-- Essa é qual dessa semana? A décima terceira?-- ele pergunta ignorante.

-- A quinta,temos somente dez selecionadas,senhor Cavalcante-- ela responde formal e séria,posso ouvir um certo temor em sua voz.

Ele estende a não e pega a ficha lendo-a por alguns instantes. Nem acreditava que estava de frente pro juiz Aurélio,meu Deus, ele era tão grandioso e eu? Uma nada em busca de emprego. Ele era um dos cara mais poderosos do país.
Após um tempo ele me olha tentando intimidar-me,é como se ele me lesse,seu olhar era tão duro que não consegui o encarar.

-- Senhorita.... Juliete.... Juliete Sampaio?

-- Julieta,--o corrijo.-- Senhor Cavalcante--digo após ele me olhar como se houvesse um fuzil em seu olhar.

-- Você já trabalhou com crianças alguma vez,senhorita Sampaio?-- ele pergunta olhando,o que presumo,meu currículo.

-- Não.... mas eu tenho experiência.

-- Como tem experiência se não tem em seu currículo que já trabalhou como babá?-- diz irônico e seguro minha língua para lhe dar uma resposta.

-- Tenho um filho.

--E com quem ficará seu filho enquanto trabalha?-- ele agora me ohou arqueando a sobrancelha marcada,levanto meu olhar e lhe encaro por mais que quisesse me jogar no chão. O olhar dele é penetrante,como se me fizesse vomitar toda minha vida pra ele.

-- Ele está na creche.

-- Isso não interfere no aprendizado e crescimento dele? Pelo o que vejo você é mãe solteira-- ele usa muito bem as palavras que fico até envergonhada.

-- Ele é uma criança compreensível.

-- Qual seu objetivo em trabalhar para mim?

-- Meu objetivo é cuidar dos seus filhos e estar presente sempre que eles precisarem. Sei que é uma pessoa ocupada e que quase não fica com eles, tentarei ser o máximo possível presente para eles s suprir as necessidades dos mesmo-- digo gaguejando. Merda!

-- Não diga que será presente,não é a mãe deles-- ele diz.

-- Estou ciente. Sou babá,eu irei cuidar deles.

-- Onde está o pai do seu filho?-- ele pergunta de repente e eu meio que congelo com essa pergunta abro minha boca diversas vezes e fecho,sinto meu coração batendo forte,logo lembranças me atingem e faço de tudo pra não surtar na frente dele. Precisava urgentemente desse emprego. Cecília me olha com um pavor no olhar,ele não tinha direito de perguntar aquilo.

-- Eu...eu... não sei, senhor Cavalcante-- gaguejo olhando pros lados.

-- Ele não é um pai presente?-- indaga e nego.

-- Eu cuido do meu filho sozinha,acho que é o necessário.

Ele fica em silêncio me analisando, sinto vontade de sair correndo dali. Por que ele estava me questionando aquelas coisas? Não era da conta dele!

-- Tem disponibilidade pra viajar? Só vejo meus filhos no sábado de noite e domingo,as vezes os levo comigo pra viagens.

-- Sim...

-- Tem passaporte? Realizo viagens pro exterior pra prestar consultoria jurídica.

Nego.

-- Providêncie-- diz e se levanta entregando a ficha para Cecília. -- É só,na segunda irão lhe ligar para dizer se foi classificada ou desclassificada.

-- Obrigada-- me levanto e o olho.

-- Pode ir-- ele aponta pra porta sem esboçar nenhuma reaçãona verdade, ele não esboçou nenhuma durante toda a entrevista. Nem um sorrisinho,nem um ar de surpresa,ou carinho ao falar dos filhos seu olhar era entupido de raiva e rancor.
Solto um suspiro e agradeço desejando um bom dia e saindo dali.

Ao sair pelas portas,sinto um peso sair de mim e com ele o nervosismo, ele colocava muita pressão sobre todo mundo e talvez a convivência com o chefe que tornou seus funcionários ignorantes. Respiro o ar limpo e livre ao sair dali,abro um sorriso e me sinto menos nervosa,mas meu coração continuava batendo forte.
Vou andando pela calçada segurando minha bolsa,vejo a movimentação e ando pelo sol que estava um pouco quente,atravesso pra praia e espero o ônibus no calçadão. Enquanto isso vejo aquele enorme prédio,lembro-me do cara que,talvez,seria meu chefe,era um serviço pesado mas eu acho que aguentaria. Era apenas crianças,afinal.


                               ♡☆♡☆♡


Estava vendo meu e-mail na terça-feira a noite quando um novo e-mail chegou para mim.

Contrato

Olá,senhorita Sampaio. Boa noite.
Você foi contratada,seus serviços começam na quarta-feira de manhã,às cinco e quarenta um motorista do senhor Cavalcante estará prontificado em sua porta. Mais informações serão dadas quando chegar até a residência.
Att. Cecília Santos,secretaria pessoal,escritório Cavalcante.


Nessa hora meu coração só falta sacar,eu soltei um grito alto e pulei como uma louca naquela sala minúscula.
Não acreditava... dentre várias meninas eu havia sido selecionada? Meu Deus... só podia ser uma puta brincadeira.
Contratada? Meu Deus.... eu estava contratada!
Susana surgiu com Olegário coçando os olhos e eu fui pra cima dos mesmos pulando e totalmente eufórica. Eles me olharam sem entender.

-- Fui contratada!-- gritei pulando.

Susana arregalou os olhos e abriu a boca.

-- Contratada,como assim?Como? Quê? Contratada? Mentira!-- ela começou e pular.

A gente ficou gritando como loucas e fui pegar Camilo nos braços e lhe encher de beijos.

--Agora a mamãe vai comprar esses carrinhos pra mim-- mostrou os cinco dedinhos rindo e beijei ele no rosto.

-- A mamãe vai comprar vários carrinhos,meu amor--lhe abraço forte.

Na verdade eu não fui contratada,eu estava em experiência ainda e essa duraria três dias de trabalho. Era puxado? Claro que era. Mas pelo menos era algo e pagava bem e agora eu podia ajudar mais a Susana,mandar mais dinheiro pra mamãe e quem sabe até fazer um curso.



Eu estava mais que feliz! Só não sabia o que me esperava....





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