História Anatomia - Capítulo 33


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Belinni, Bissexual, Drama, Faculdade, Família, Gay, Interracial, Lgbt, Medicina, Novembro, Professor, Romance, Socialite, STATUS, Toc, Traição
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Palavras 2.549
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Hentai, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oioioi meus linduuus!
Genteeee que saudades de vocês, da minha fic, dessa plataforma maravilhosa que é a Spirit!!!
Voltei, estou muitíssimo ocupada, mas nunca vou deixar vocês de lado!
Então, espero muito que gostem desse capítulo e boa leitura!

Capítulo 33 - Fora!


Fanfic / Fanfiction Anatomia - Capítulo 33 - Fora!

Com medo de ser golpeado, descobri o rosto, embora nunca sobreviveria a uma luta braçal com Thales, mas estranhei vê-lo no mesmo lugar.

Com aquela cara desconcertada e sem querer me olhar, ele adentrou o quarto, pegou os tênis, sua troca de roupas que já estava sobre a cama e saiu em direção ao quarto dos pais. Tamanha repulsa.

Olhei para meu celular na escrivaninha e o pouco que as lágrimas me permitiram enxergar, mamãe respondia à minha mensagem. Apenas vesti o blazer de linho que estava na minha mão, sem pensar realmente sobre o look completo, não tinha mais gosto de escolher, peguei o celular e a mochila e saí do quarto.

Porém, quando desci o primeiro degrau da escada, uma mão pegou forte meu braço. Olhei e vi Thales com aquele mesmo olhar de quando me prensou contra a parede e me proibiu de ser amigo de Vitor. Eu sabia o que me esperava, apenas não permitiria ser agredido por tal motivo.

— Thales, por favor, não piore a minha vida! — Implorei, embora o tom fosse de ordem.

— Então é por isso que seu pai te expulsou de casa?! Por isso você grudou no meu irmão, né? Por isso defende ele, por isso nunca me apresentou sua “namorada”, não é? Seu mentiroso, safado! Eu confiei em você! Eu te coloquei dentro da minha casa, te emprestei minhas roupas, deixei você dormir no meu quarto…!

Aquelas palavras murmuradas num tom baixo para não chamar atenção dos demais, faziam-me estremecer de pavor em ser, mais uma vez, humilhado pelo mesmo motivo, o qual eu não via porquê me sentir culpado, mas continuava sendo julgado.

— Safado é você! O que isso importa?! Meu caráter muda só porque tenho gostos diferentes dos seus? — Contive-me, embora as lágrimas rolassem pelo meu rosto contra a vontade.

— Muda. Eu não vou confiar de dormir no mesmo quarto que um viado como você! Já basta ter um irmão assim, chega!

Parei e o olhei firme nos olhos, indignado, mas não surpreso. Uma hora ou outra isso iria acontecer, só não esperei que fosse antes de eu ter para onde fugir.

— Mas eu nunca lhe faltei com respeito! 

— Mas vai, eu sei!

Falava com um olhar autoritário e eu só queria ser compreendido como tinha direito. Apenas não entendia por que de tudo aquilo.

— Vai fazer o que, me expulsar da sua casa? 

Thales me olhou bem. Sério, rígido, durão. Com o cenho franzido e os olhos semicerrados de rancor, ele destruiu qualquer amizade que talvez tivéssemos.

— Vou. Dá o fora da minha casa hoje, agora!

Doeu e não foi pouco. Tanto que abaixei a cabeça e segurei firme o choro amargurado. Depois daquele abraço tão gostoso que ele me deu, apoiando-me na minha tristeza, todo o suporte que vinha oferecendo... Sim, eu fui ingênuo de achar que ele estivesse mudando.

— Você... Está fazendo a coisa mais idiota da sua vida... Thales! — Declarei, com a voz embargada. 

— Sai da minha casa e esquece o caminho. — Ordenou, mas não me vendo ferido o suficiente, completou. — Esquece que um dia me considerou seu amigo!

Engoli o choro com dificuldade e acenei com a cabeça, devolvendo-lhe o golpe na mesma intensidade.

— Eu nunca considerei.

Vi seus olhos fraquejarem num grito de alguma emoção humana, presa nas profundezas daquele coração duro de um homem doutrinado para ser mau. Mas ele não sabia como voltar atrás em suas decisões, não sabia ser humilde para admitir que errou, não queria se permitir relaxar. Apenas desviou o olhar para o nada, evitando me encarar.

— Não acorde o Vitor!

Claro que eu não faria isso, o garoto não tinha que participar de uma situação tão desagradável. Sem responder, adentrei o quarto e fui pegando rapidamente tudo o que me pertencia e, quando toquei no livro de anatomia avançada, aquele com ilustrações realistas e informações tão completas. Papai havia me dado de presente antes mesmo de eu entrar na faculdade, hoje já não precisava tanto dele. No entanto, Thales tinha suas maiores dificuldades exatamente nessa matéria e não tinha condições de investir num material tão caro. Seu pai nunca poderia pagar por aquele livro.

Embora eu estivesse sentindo raiva dele, a generosidade ordenou que eu simplesmente deixasse aquele livro onde estava. 

Antes que eu saísse, passei os olhos pelo ambiente e parei sobre Vitor Hugo, que dormia docemente abraçado no cobertor, enquanto o corpo repousava descoberto. Pobre menino, naquele ninho de cobras, continuaria sofrendo ataques diariamente até que pudesse sair dali. E eu não estaria mais por perto, não para defendê-lo, mas para apoiá-lo nos momentos difíceis. Senti como se abandonasse um filhote no meio de três predadores, sozinho e desamparado. 

Sim, aquela era sua família e sua casa, onde viveu anos antes de me conhecer. Mas de verdade, eu queria estar levando-o comigo agora.

Olhei para a porta e vi seu irmão esperando-me sair, só sua presença já me apressava. Delicadamente, puxei o cobertor e protegi seu corpo do frio, como um irmão mais velho faria, e deixei o quarto pela última vez. Deixei aquela casa, mentindo estar retornando aos meus pais, apenas não quis expor o que realmente estava acontecendo pois poderia ser pior, afinal, todos eram preconceituosos. Ninguém me apoiaria.

Tirei meu carro da garagem, vendo o olhar orgulhoso do pai e da mãe, e logo atrás o de Thales. Parecia querer ter certeza de que eu realmente estava me afastando de sua casa e de sua família. De repente, tornei-me uma ameaça.

Lembrei-me dos momentos divertidos com ele, das caronas que lhe dei, das suas piadas que eu ri, dos conselhos amorosos que lhe dei. Daquele abraço. E num descuido, tudo acabou e ele voltou a ser quem sempre foi.

Cheguei na faculdade, estacionei o carro, pensei em ir para a aula, mas não teria cabeça para isso, então segui para onde senti que pudesse ter um apoio. A sala da assistente social.

Longos minutos na fila de espera, quando finalmente entrei na sala e cumprimentei Amanda, bastou ela perguntar como eu estava, para novamente um ataque ansioso me tirar de órbita. Perdi o foco, os sentidos, o controle sobre minhas emoções e tudo o que soube fazer foi chorar e tremer.

Vendo-me naquela situação, a mesma saiu de sua postura de profissional para assumir a de amiga e me deu um abraço tão acolhedor, protegendo meu corpo com o seu, cheia de carinho e afeto sobre alguém que ela mal conhecia e sem ao menos saber o motivo do meu choro. 

Eu já havia tido alguns psicólogos ao longo da minha vida, alguns muito bons, outros nem tanto, mas aquele momento foi único. Nenhum deles nunca me deu um abraço tão aconchegante quanto aquele, num momento em que eu tanto sentia falta de um carinho.

No calor de seus braços, sentindo as batidas de seu coração conversarem com o meu e fazê-lo retomar o ritmo normal, bem devagarinho o aperto no peito foi passando, eu fui relaxando e me acalmando, até conseguir falar sobre o assunto.

Ao saber tamanha humilhação que eu vinha sofrendo, ela prometeu mais uma vez, priorizar meu caso na lista de espera para as vagas de moradia da universidade, agora que eu não tinha para onde ir. 

— E por favor, nem pense em se culpar por isso que está acontecendo, okay? Você não tem culpa da sua sexualidade e ela não é vergonha nenhuma! Você apenas escolheu errado as suas amizades! — Orientou ela e eu assenti, secando as lágrimas com um lenço de pano que ela me emprestou.

— Eu só... Pensei que ele pudesse mudar, sabe? — Lamentei, ela negou com a cabeça.

— Esquece esse rapaz, ele não serve pra ser seu amigo! Você é um rapazinho incrível e legal, qualquer pessoa iria gostar de ser seu amigo! Apenas, se afaste de gente assim e busque amizades que te respeitem de verdade, tá bem? — Abriu um sorriso acolhedor, fazendo-me sorrir também, mesmo que murcho.

— Muito obrigado, estou me sentindo... mais leve, sabe? 

— Sempre que precisar conversar, pode vir aqui, já te disse isso, Flávio!

— É, já disse... 

Levei um tempo observando o lenço na minha mão. Cor rosa-bebê, com pequenos bordados em toda a volta, suave como uma seda, delicado. Lembrou-me mamãe.

Olhei para ela, um pouco constrangido.

— Se importa se eu... Não lhe devolver o lenço? — Soltei um riso acanhado e ela sorriu divertida.

— Nossa, é o assalto mais fofo que já sofri! — Brincou, arrancando-me risos. — Claro que não, pode ficar!

— Obrigado, mesmo! — Agradeci não só pelo lenço.

— Vou fazer de tudo pra te ajudar, Flávio! Se essa vaga não aparecer hoje, aparece amanhã! — Prometeu convicta.

Saí de lá e pensei em ir para a aula, mas tive receio de encontrar Thales e, por não querer olhá-lo no rosto depois do que me fez, preferi seguir para o refeitório e tomar um café. Estava sentado numa mesa isolada no canto, quando senti uma presença chegar por trás de mim. Olhei e vi Bruno, que me cumprimentou alegremente enquanto se sentava, uma perna em cada lado do banco, mantendo-se de frente para mim.

— Você tá sumido, Flávio! — Comentou simpático como é, mas eu mal tentei forçar um sorriso. — Tá tudo bem?

— Não. — Fui sincero, afinal, não adiantaria mentir quando eu tinha a tristeza e o choro estampados no rosto.

— O que aconteceu? Quer conversar sobre isso? — Amigavelmente ofereceu.

— Não, agora não. — Suspirei, sentindo minha cabeça doer e pondo a mão na testa como se isso fosse adiantar.

Ele compreendeu, mas antes que dissesse algo, olhou através de mim e viu algo que pareceu agradar. No impulso, olhei por cima do ombro e vi nada além de l’amour de m avie vindo em passos tranquilos. Usava aquela camisa lilás colada sobre seus músculos do tórax e braços, calças jeans escuras, sapatos novos e brilhantes. A sinestesia me fez sentir seu cheiro, mesmo que a lógica não permitisse devido à distância entre nós dois.

Despertei daquele leve transe ao ouvir Bruno declarar com tesão na voz:

— Nossa, um homão da porra desses... 

Voltei-me rapidamente a ele, sem poder disfarçar o ódio mortal. Francamente, ele estava cobiçando o meu homão da porra, na minha frente, sem pudor algum. Okay, Anderson tinha esposa e ela chegou primeiro, mas eu não admitiria que outra pessoa o tomasse de mim.

— O que você está querendo com ele, hein?! — Minha voz saiu mais grossa e baixa do que o habitual, tamanha raiva.

— Ué, só estou admirando! — Ele respondeu estranhando minha atitude. — Por que, você tá afim dele?

Não pensei, só falei:

— Eu sou apaixonado por ele! — Bruno pareceu surpreso.

— Mas vocês já ficaram?

Droga, o que foi que eu disse?! Como não segurei minha língua?!

— Não... — Menti sem pensar duas vezes. — Mas ele é meu crush e eu tenho ciúme mesmo!

Ele sorriu de forma carinhosa. 

— Entendo... Impossível não ter uma atração, mesmo que leve, por esse professor. Ele é perfeito! 

Anderson passou por nós e cumprimentou como se fôssemos meros alunos que ele conhecia apenas de vista. Eu respondi com “bom dia” baixo o suficiente para duvidar que ele tenha sequer escutado, Bruno respondeu carismático, com um olhar de quem provavelmente imaginava várias coisas com o meu homem. Quando se voltou para mim, desfez o sorriso ao perceber meu olhar repreensivo para si.

— Ai, não me olha assim! — Riu, sem graça.

— Só... Pare, por favor! — Pedi, enraivecido. 

— O cara te cumprimenta e você mal responde, como quer que ele te note?! 

Queria contar-lhe sobre o dia em que o professor me fodeu de quatro na cozinha de seu apartamento e gozou na minha boca, mas seria prejudicial para mim.

— Esquece isso... Eu tenho problemas maiores para me preocupar agora! — Respondi, bufando insatisfeito.

— Se quiser, posso fazer uma ponte entre vocês dois... Que tal? — Ofereceu em tom mais baixo, entendendo que eu já estava muito constrangido.

Imagine, cobiçando o homem e tentando juntá-lo com seu amigo. Já imagino como essa história iria acabar e eu já era infeliz demais para ainda ganhar um par de chifres.

— Deixa pra lá... Vou para a aula, até mais!

Ele acenou com a mão e eu saí mais frustrado do que antes. Como podia tudo estar dando tão errado na minha vida? Parecia até uma praga jogada pelo meu pai, no momento em que o desobedeci.

Sem cabeça para os estudos complexos da medicina, mal aguentei os primeiros minutos da aula e saí para o pátio interno, onde menos que seis pessoas se encontravam isoladas dos demais. Ali, sentei-me no palco onde aconteciam apresentações e palestras em determinadas datas na universidade, peguei meu celular e contei absolutamente tudo o que me aconteceu no grupo das pocs.

Eram pouco mais de nove da manhã, horário em que poucos dos meninos estavam acordados, e esse pouco tinha obrigações das quais não podiam perder tempo com mensagens de grupo no whatsapp. Mas, para a minha surpresa, Breno estava online e logo visualizou minha enorme mensagem de choramingos e lamúrias.

Com mais carinho do que eu jamais teria por um desconhecido, ele respondeu:

Breno: Meu Deus, Flávio *emojis chocados* E agora, onde você está? Foi pra rua? Tem onde dormir essa noite? Ele te agrediu? 

Eu: Estou na faculdade, mas não consigo assistir aula hoje. Estou mal, me sentindo o pior lixo. Quero chorar, mas já chorei o bastante e estou em público. É constrangedor, amargurante, me dá vontade de morrer!

Breno: Você se alimentou? Esqueça essa coisa de morrer, pelo amor!

Lembrei-me de mamãe, que dentre tantas coisas que eu lhe contava, tudo o que ela queria saber era se eu havia me alimentado ou estava seguro. Breno soava como uma verdadeira mãe naquele grupo.

Eu: Me alimentei, estou bem! *emojis suspirando* Só não tenho pra onde ir... E não estou conseguindo vaga moradia na universidade, é muita concorrência!

Breno: Claro, isso tem que ser solicitado logo na matrícula, senão fica quase impossível. Experiência própria.

Eu apenas visualizei e fiquei refletindo no que ele disse, até que o mesmo continuou.

Breno: Onde você estuda? Me espera na portaria, eu te busco.

Senti meu coração acelerar e não sei explicar o porquê. Eu estava prestes a autorizar um desconhecido, que já sabia da metade da minha vida, a conhecer o endereço de onde eu frequentava diariamente, talvez até ir para sua casa. Estava entregando minha segurança nas mãos de alguém que eu só via fotos no whatsapp, nem sequer havia ouvido sua voz alguma vez, não sabia do que era capaz, quais suas reais intenções.

Não era ser louco. Era apenas medo de ser mais um caso nos jornais. Mamãe e papai me educaram para temer a isso, mas agora eu simplesmente não os tinha para me defender.

Eu: Me busca? Pra onde?

Breno: Pro meu apê... Você vem, descansa, almoça e depois decide o que vai fazer!

O convite era tentador para alguém que só queria deitar numa cama quentinha e chorar em posição fetal, mas eu tinha medo. 

Pensando bem, foda-se o medo. Ficar na rua seria absurdamente pior.

Eu: Você tem razão! Eu aceito!

Mandei o endereço e fui aguardá-lo do lado de fora do campus.




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