História Anatomicamente falando - Capítulo 1


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Categorias X-Men
Personagens Erik Lehnsherr (Magneto), Professor Charles Xavier
Tags Anatomia, Anatomia Humana, Cherik, Vmustdie
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Palavras 2.436
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Fluffy, LGBT, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Atenção diabéticos: contém açúcar.

O aviso foi dado. É isto. Me pergunto em que momento permiti que minha vida fosse tomada por Cherik.
Reclamando? Que nada, adoro. Cherik hoje, cherik amanhã, cherik sempre.

Espero que gostem e boa leitura! <3

(Sobotta é um atlas de anatomia humana. E Johannes Sobotta é um deus da anatomia, apenas)

Capítulo 1 - Posição anatômica, por favor


 

― Senhor Xavier?

Charles virou-se em direção à porta, sorrindo para aquela que entrara após leves batidas, como de praxe,  e um “entre” abafado dito pelo mais velho.

― Olá, Jean. Não precisa ser formal comigo, já lhe falei outras vezes.

― Tudo bem... ― sentiu-se envergonhada por Charles ter que repetir o aviso, mas tentou não demonstrar ― Trouxe as fichas de dois de meus pacientes neste último mês. Tenho algumas suspeitas e queria que fossem avaliados por você. Quando puder, é claro.  

Jean Grey era pediatra, e Charles Xavier, psiquiatra. Trabalhavam no mesmo hospital há alguns anos, sustentando uma amizade com o tempo ― se entendiam bem de uma forma surpreendente ― e cooperação. Apesar das áreas diferentes, uniam seus conhecimentos quando necessário. No caso, Jean suspeitara do comportamento de duas crianças e por isso estava ali, falando com o psiquiatra em um raro tempo livre presente em seu quadro de horários; algo que todos os funcionários dali tinham. Após explicar a situação e receber uma confirmação de Charles de que iria entrar em contato com os pais nos próximos dias para marcar uma consulta com os filhos, retirou-se. Do lado de fora, deu meia-volta de forma automática, lembrando-se de deixar um aviso:

― A propósito, senhor Xavier, ainda há um paciente seu esperando ser chamado.

Charles ficou surpreso, nem atentou ao fato de ter sido chamado formalmente outra vez. Seu turno havia chegado ao fim há quase dez minutos, todos os pacientes do dia tinham sido atendidos e se preparava para ir embora. Vestiu o jaleco que já estava guardado, dirigindo-se apressado à sala de espera localizada no final do corredor. Ao ver o paciente citado por Jean, um enorme peso deixou seus ombros. Permitiu-se suspirar, aliviado por, de fato, não ter se esquecido de ninguém ou, por ventura, se tratar de um caso de última hora. Ali, solitário em um único assento ocupado em meio a tantos, havia apenas um alemão de olhos claros desconfiados.

― Doutor, não me sinto bem ― cada palavra carregava a ironia característica do engenheiro químico. Não que agisse sempre assim, mas, quando o fazia, parecia usar toda sua habilidade.

― Procure um clínico geral, basta retornar à recepção. E não tenho doutorado ― riu nasalado, desviando o olhar e espalmando uma das mãos na parede, sustentando o peso de seu corpo.

 ― Ainda.

Charles umedeceu o lábio inferior, ainda com um olhar que parecia rir consigo, deixando a sala de espera para retornar ao consultório. Erik levantou-se, lhe seguindo mesmo sem ser chamado. Já dentro do consultório, o psiquiatra retirou o jaleco ao que Erik sentou-se em uma das cadeiras de frente para a mesa do médico, onde conversava com os pacientes.

― Saiu mais cedo?

― Não. Você que está saindo mais tarde há alguns dias, então pensei em fazer uma visita.

― Sim. No hospital.

― Adoro o cheiro.

Charles rolou os olhos para si mesmo, crispando os lábios a fim de não rir e acabar por deixar o outro motivado.

― Certo. Pode colocar todos esses papeis que estão ao lado do computador dentro da pasta azul enquanto arrumo outras coisas para irmos embora?

Erik procurou a pasta indicada, guardando o que lhe foi pedido cuidadosamente. Ao ver uma assinatura e um carimbo familiares em uma das folhas, leu em voz alta:

― “Farmacêutico Responsável: Hank McCoy”.

Charles nem se deu o trabalho de olhar para Erik ao retrucar:

― Ciúmes?

Um olhar entediado como resposta e nada mais. Guardou o papel grosseiramente na pasta, por pouco não o amassando e prejudicando os demais.

― Não entendo por que sempre há um dedo nele no meio das suas coisas.

Não era a primeira vez que dizia isso. Talvez já estivesse programado para proferir tais palavras ao se deparar com qualquer fator relacionado a Hank McCoy.

― Bem, porque preciso dele, Erik. Hank entende de medicamentos, afinal, cursou farmácia e pode contestar qualquer escolha minha. Muitos pacientes não se dão bem com o que receito e Hank é minha luz principalmente quando entra a questão da troca de medicamentos. Ele me faz um favor aceitando me ajudar, passa o dia inteiro no laboratório do hospital, não devia tirar parte de seu tempo para mim.

Charles e seus monólogos para defender outras pessoas. Algo tão cotidiano. Erik, no fundo, reconhecia ser bobagem ter ciúmes por conta do McCoy, mas tantas palavras para livrar o nome do dito cujo lhe deixava entediado; assim como praticamente tudo referente a Hank. Algo bobo, levando em conta que nem sequer o conhecia.

A ausência de fala por sua parte pareceu ser o bastante para Charles, que não retornou a defender o farmacêutico. Após Erik terminar a tarefa solicitada, passou a observar a prateleira branca atrás da mesa. Em meios aos costumeiros livros de psiquiatria, havia uma novidade. Uma caixa branca contendo três livros semelhantes diferentes apenas na cor da borda de cima e a numeração do volume. Automaticamente reconheceu, lembrando que aquele box geralmente ficava nos fundos da estante que Charles ocupava em casa. Sobotta.

― Ah, pedido de Sam, um novo paciente portador de Asperger. É incrível como ele conseguiu absorver todo o conteúdo que viu até agora, apenas olhando as ilustrações sozinho, sem precisar de minha orientação ― percebendo a direção tomada pela atenção do outro, o Xavier adiantou uma explicação ― Acho que darei de presente, não acredito que ainda seja necessário para mim.

Erik ponderou. Pensou a respeito. Charles mantinha de forma natural laços verdadeiros com aqueles que se tornavam seus pacientes, não importando há quanto tempo; podia ser há uma semana ou um ano, o afeto não mudaria. Contudo, os pensamentos do Lehnsherr mudaram bruscamente.

― Estive pensando... Psiquiatras são médicos muito diferentes. Não consigo associar injeções, bisturis e anatomia humana a essa especialidade.

― Apenas impressão sua. Isso faz parte de qualquer área dentro da medicina, além de que, durante a graduação, ao menos o básico estudamos de tudo.

― E você?

Charles não entendeu.

― O quê?

― Ainda lembra-se de anatomia humana? ― se a cadeira fosse giratória, Erik estaria se balançando de um lado para o outro ao fazer a pergunta.

― Sim.

― Mesmo? Então qual o nome disso? ― apontou aleatoriamente para o próprio rosto.

― Bem ― deixou de lado o que fazia, encostando-se à parede e cruzando os braços ― Depende o que exatamente você quer saber. Analisando superficialmente, não passa de tegumento.

― Então, nesta mesma direção, analisando abaixo do tegumento, o que vê? ― Erik apontava para o queixo, sem nem ao mesmo olhar.

― Bem, a princípio, seu músculo mentual. No entanto, visualizo também seu músculo depressor do lábio inferior e músculo depressor do ângulo da boca. Dificilmente será uma resposta curta. Mais alguma dúvida, senhor?

Erik era encantado pelo conhecimento de Charles, não importando do que fosse.  Se estivesse explicando como fazer um bolo de limão, continuaria atento, apreciando a voz e as palavras proferidas pela mesma.

― E o quê mais? Há apenas músculos? Não creio que seja tão frustrante. Talvez, se analisar de perto, veja algo além.

Era um convite, claro, e Charles aproximou-se até estar a poucos centímetros do Lehnsherr, aceitando a proposta. Com o polegar, tocou-lhe o queixo, esfregando-o levemente por toda a extensão. Erik fechou os olhos com a carícia, o que fez o médico prosseguir:

― É sua mandíbula. Há detalhes, mas, analisando apenas a direção para onde seu dedo aponta, visualizo somente sua protuberância mentual. Se me permite... ― abaixou o dedo de Erik, restando apenas o seu. Assim, foi passeando por toda a mandíbula ― Aqui, está seu tubérculo mentual. Mais acima, forame mentual. E isto tudo ― dedilhou certa extensão ― É o corpo da sua mandíbula. Aqui, onde você pode apalpar e sentir, é o ângulo da mandíbula, e o seu é bem protuberante... ― Erik abriu os olhos, podendo enxergar Charles observando carinhosamente seu rosto; ou melhor, uma parte deste. Os olhos azuis tão perto, um completo oceano, como se pudessem ler sua alma ― Seus ossos foram esculpidos por deuses.

Erik inclinou-se para beijar o médico, mas este desviou propositalmente. Os lábios do outro tocaram o canto da boca, apenas, e o dono da mesma, com uma alegria contida pela provocação, continuou sua análise.

― Subindo pelo ângulo da mandíbula ― assim, seu dedo subiu pelo osso ― Temos sua tuberosidade massetérica. São pouquíssimos detalhes anatômicos que se pode palpar, então peço que use sua imaginação.  

Erik assentiu. Tocou delicadamente o dedo do médico sobre seu rosto, acariciando-o e puxando-o para perto de sua boca, depositando um terno beijo. Charles enrubesceu, tirando a mão do engenheiro de cima da sua, retornando o foco à mandíbula.

― Aqui, há o processo coronóide da mandíbula. É preciso dizer “da mandíbula” ao fim, exatamente dessa maneira, pois outro osso seu também apresenta este processo. Como uma professora minha costumava exemplificar: você precisar dar o endereço completo. Se disser apenas a cidade e o bairro onde mora, a pessoa não irá lhe encontrar. É o mesmo com as partes do nosso corpo.

― Ei, Charles...

― Hum?

― Falta muito para acabar a mandíbula?

Charles riu. Erik pareceu notar a complexidade da anatomia com apenas um osso e talvez se arrependesse de ter tocado no assunto. Contudo, o psiquiatra conseguia lhe desarmar com os mais simples atos, como o fez logo em seguida, aproximando os olhos da boca alheia, tocando as pontinhas dos lábios com seus dedos.

― Lábios superior e inferior. Aqui, nos cantinhos, suas comissuras labiais.

― E quanto ao que há dentro?

― Um universo ― ignorou o duplo sentido proposto pelas palavras do Lehnsherr, voltando-se completamente a uma explicação anatômica ― É a entrada para nosso interior. Admiro aqueles que se aventuram a estudar odontologia, pois a cavidade bucal é extremamente complexa, e não falo apenas anatomicamente. Sabia que apenas visualizando a língua do paciente é possível saber se há algum problema com o nervo do hipoglosso? É incrível.

Charles tinha um brilho no olhar. Era fascinado pelo corpo humano e por toda sua complexidade, na qual cada detalhe se encaixava perfeitamente para exercer uma função. Erik suspirava apenas de vê-lo dessa forma, demonstrando, sem perceber, todo o amor pelo que dedicou sua vida.  Tocou as mãos do psiquiatra absorto, trazendo para perto de seu rosto e beijando-as delicadamente.

― E qual seria o termo anatômico correto para as mãos?

Mãos ― o engenheiro poderia morrer com aquele sorriso. E o acompanhou no assunto, frustrado pela resposta de seu questionamento mais mirabolante.

― As pontas têm nome?

― Falanges distais. Possuem bases e tuberosidades ― assim, Erik voltou a beijar as mãos do médico, mas apenas as pontas dos dedos.

― E antes delas?

― Falanges médias. Possuem bases e cabeças ― Erik não tardou em beijar os locais indicados. Charles afastou as próprias mãos, gerando uma expressão desapontada nas feições alheias; que não se prolongou, já que o dono das mesmas levantou-se da cadeira, virando o corpo do Xavier de costas para si ― O que está fazendo?

Como o psiquiatra já estava sem o jaleco, Erik levantou a blusa azul marinho que ele vestia, surpreendendo-o. Nada brusco; parecia tocar algo feito de porcelana.

― E-Erik, o quê...

― Tirando dúvidas. Sempre tive uma curiosidade quanto à sua protuberância no final da nuca. Sei apenas que você gosta quando tento falhamente massagear ― colocou dois dedos no local dito.

Claramente desconcertado ― afinal, estava praticamente despido da cintura para cima ― Charles enrolou-se com as palavras que saía da própria boca, enfim conseguindo uni-las de forma lógica:

― É minha vértebra proeminente, Erik, e onde você exatamente toca é o processo espinhoso pertencente a ela, causador da protuberância. Última vértebra cervical, a C7. O fisioterapeuta é a melhor pessoa para detalha-la.

Farmacêutico, odontólogo, e, agora, fisioterapeuta.

― Por que você faz questão de citar outras profissões quando enxerga oportunidades, hein? ― esboçou um sorriso brincalhão ao indagar.

― É sempre bom valorizar os colegas de profissão. Muitas pessoas mantêm a ideia de que o médico e apenas ele sabe tudo relacionado à saúde, mas isso não é verdade. Cada um tem seu espaço, sua função, e muitos médicos agem de forma presunçosa e repugnante como dominassem o conhecimento de tudo. Conheço o meu lugar.

Por mais que as palavras de Charles refletissem a realidade, Erik nunca deixaria de vê-lo como um deus no que fazia. Ao fim da prolongada resposta, o Lehnsherr abraçou as costas do rapaz, depositando beijos carinhosos pelas regiões do espaço que alcançava. Era completamente apaixonado por Charles, para amá-lo e demonstrar seus sentimentos não havia momento ideal. Logo ele, um homem tão centrado e respeitado por isso, perdia todo o controle quando se tratava de um certo Xavier.

Erik permitiu que sua mão descesse como uma cascata pelas costas alheias.

― É bom sentir suas vértebras.

― Mais precisamente, está sentindo os processos espinhosos das vértebras.

― Ah, então a superioridade dada pelo conhecimento já está subindo à cabeça? Se eu lhe perguntar por que, de acordo com a reologia, a água é classificada como um fluido newtoniano, irá me responder?

― Quem sabe, não? ― se Erik era debochado quando queria, Charles podia ser o dobro e com juros.

Retirou as mãos da pele do outro, o tecido azul marinho retornando a cobri-lo.

― Cansou da anatomia, Erik?

Ignorando a indagação atrelada à provocação, inclinou-se em direção ao psiquiatra, tomando-lhe os lábios ao que encaixava o rosto em seus dedos, ora passeando pelas feições, ora pelos cabelos castanhos, ali os emaranhando. Charles retribuía na mesma intensidade, tocando a nuca do engenheiro suavemente. Erik cessou o beijo, finalizando com selares nos cantos ― ou, como aprendera, nas comissuras labiais ― da boca agora avermelhada do Xavier, além das bochechas. Segurou um dos pulsos do médico, levando assim a mão do dito cujo até seu peito, onde era possível sentir os batimentos cardíacos acelerados.

― Acredito que nenhuma explicação anatômica seja capaz de compreender como você faz meu coração acelerar.

Charles não ofereceu palavras de imediato, simplesmente retribuiu iniciando outro beijo tão sereno quanto o anterior. Ao que seus lábios se aproximaram do ouvido do Lehnsherr, esclareceu, usando um tom que delatava sua diversão:

― De fato, Erik, acredito que uma explicação fisiológica seja mais adequada.

O famoso sorriso de orelha a orelha ― ou, como o outro costumava dizer, sorriso de tubarão ― pertencente ao engenheiro se fez presente; e o médico podia jurar senti-lo.

A ciência ainda teria muito o que caminhar para explicar os efeitos que Charles Xavier causava sobre Erik Lehnsherr. 


Notas Finais


Obrigada a você que leu até aqui!

Destaque forte em sistema esquelético porque é meu preferido pra semprinho. Volta pra mim, módulo de locomotor, hoje acordei e veio a saudade de você


Confesso que quando o Erik começou a tocar nas costas do Charles só lembrei da minha dor diária na coluna lombar. Por pouco um Xavier não surge com uma lordose associada a cifose.

Also, vocês acreditariam que: hoje, enquanto esperava por um milênio com meus amigos pela aula de química analítica, um amigo-do-meu-amigo chegou pra conversar com ele e descobri se tratar de um estudante de engenharia elétrica. Eis que o indivíduo – cujo nome nem lembrei de ter a educação de perguntar – começa uns papos sobre eletromagnetismo e me recordo de um certo e antigo questionamento: por que o elmo do Magneto o protege contra ataques de telepatas e o crânio de Wolverine não?

Pensou, fez umas caretas, pensou de novo e disse, em partes, por não conseguir dar uma resposta, que eu estava me expressando mal com a pergunta. Ainda que as caretas dele já fossem uma resposta. Então ok, o indivíduo volta para seu cantinho com seu coleguinha e eu volto a tentar estudar bioquímica enquanto observo meus migos jogando baralho.

Eis que HUSAHUSHA O rapaz volta, agora com um caderninho e uma caneta em mão e me pergunta: “você poderia repetir?”. Pasmem. Ele disse seriamente estar interessado em encontrar uma resposta e ser o tema de seu TCC.

A senhora acha que X-Men não é cultura? Porque conhecimento científico você não pode negar –q

FJGKFJG Me desculpem pelo textão, é que eu me empolguei muito na hora.

Also, caso queira, deixe seu comentário e faça uma Vitória feliz! <3


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