História ANBU - Academia Especial de Assassinato e Tática - Capítulo 10


Escrita por: ~, ~Aka-Hime, ~ksnrs e ~dysturbia

Postado
Categorias Naruto
Personagens Akamaru, Asuma Sarutobi, Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Haku, Hashirama Senju, Hinata Hyuuga, Hiruzen Sarutobi, Hizashi Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ibiki Morino, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Kabuto, Kakashi Hatake, Kankuro, Karin, Kiba Inuzuka, Konan, Kurenai Yuuhi, Kushina Uzumaki, Madara Uchiha, Maito Gai, Mei, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Nagato, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Orochimaru, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Suigetsu Hozuki, Tayuya, Temari, TenTen Mitsashi, Tobirama Senju, Toneri Otsutsuki, Tsunade Senju, Yahiko, Yondaime Kazekage
Tags Anbu, Anbudasqueens, Naruhina, Nejiten, Ninjas, Sasodei, Sasusaku, Shikatema
Visualizações 528
Palavras 17.939
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ecchi, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shounen, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Esse capítulo mara é especialmente dedicado às nossas irmãs tementes ao nosso senhor Uzumaki. Que Deus abençoes o Pincel do tio Minato.

Capítulo 10 - Eu nunca...


Fanfic / Fanfiction ANBU - Academia Especial de Assassinato e Tática - Capítulo 10 - Eu nunca...

Sasori não conseguia desviar os olhos, enxergava tudo vermelho, e sabia, estava prestes a fazer besteira, mas quem liga? Era conveniente demais para ser chamado de coincidência. Que outra explicação haveria para aquela cena? Se moveu prestes a interceptar Gaara antes que ele desaparecesse de suas vistas, mas antes de tomar qualquer atitude, uma mão pequena pousou em seu ombro e o impediu de tomar alguma ação.

- Não faça nenhuma besteira. - aquela voz, se virou surpreso deparando-se com Konan que vestia uma fantasia chinesa, estranho, não se lembrava de ter visto ela na festa que estava rolando.

- O que você quer? - afastou a mão, inconscientemente assumindo postura defensiva contra aquela mulher.

- Não precisa ficar tão assustado, somos uma família, não farei nada á você. - sorriu de um modo tão inocente que se Sasori não a conhecesse bem, quase teria acreditado.

- Seu cinismo fica cada vez pior… Familia? E você entende o significado disso? Você atacou Deidara, pelo que sei ele é um membro tão antigo quanto eu na Akatsuki.

- De novo isso? Que estranho! Você nunca se preocupou com os outros, Sasori, você está amolecendo? - provocou com um olhar zombeteiro.

- Konan… - advertiu no limite de sua paciência, paciência que ele nunca teve.

- Certo, não tocaremos nesse assunto, mas Sasori, quero que tenha em mente essa pergunta, para quem é sua lealdade? Para a Akatsuki ou para si mesmo? Você devia saber que nada que fazemos é por acaso, tudo tem um motivo. Você estar vivo já é uma prova disso. - lembrou-o e ele fechou a expressão, odiava que lhe lembrassem do passado, era um período com o qual ele não se importaria de viver sem recordar.

- Nunca… Nunca questione minha lealdade, Konan. Eu sei a quem eu sirvo, mas eu não sou uma marionete, não vou seguir uma causa cegamente sem saber as razões pelos quais vocês fazem tudo isso.

Konan o encarou surpresa, assimilando aquela nova face de Sasori, às vezes ela se esquecia que o que ele tinha se tornado agora era apenas consequência do que sofreu antigamente, entretanto, o ruivo era tão humano e ainda mais sensível aos outros por causa disso. No final talvez Chiyo estivesse certa sobre ele, talvez o motivo de Sasori sempre mudar sua personalidade na hora de matar alguém e depois se esquecer do ocorrido, era porque a dor era ainda maior para ele.

- Eu sei, não se preocupe com isso. Eu soube do que aconteceu com Karui, você á viu?

- Sim. - os olhos dele se voltaram para onde instantes atrás Gaara estava, mas já tinha partido. - Foi outro aviso dos Taka.

- Eles estão ficando mais ousados, não é mesmo? - perguntou preocupada. - Se continuar assim, tenho medo que civis inocentes acabem sendo envolvidos, ou outros membros morram.

- Outros?

- Perdemos Yahiko ontem, ele encontrou um dos esconderijos deles, mas foi uma vitória curta, ele morreu no processo. - o lamento em sua voz fez com que ele finalmente relaxasse na presença dela. Yahiko, um dos fundadores da Organização, um dos mais fortes, não imaginou que as coisas estivessem naquela situação.

- Eu lamento. - e era verdade, fora Yahiko que o recrutou e não era só isso, o agora ex-fundador, era marido de Konan.

- Ele morreu fazendo o que acreditava, estou feliz por ter sido assim. Sasori, entendo seu ódio, saiba que isso não sairá impune, mas estamos passando por um momento crítico onde não podemos dar passos em falso. Se você atacar esse garoto sem provas concretas, as coisas ficaram feias para o seu lado. E acabará sobrando para a Akatsuki.

Sasori soltou um suspiro cansado, se sentia assim constantemente, sobre um fardo grande e pesado, às vezes suas escolhas o levavam a situações como aquelas em que precisava abrir mão das emoções e seguir a razão, o problema é que ser racional não era muito seu forte. E quando lembrava do pequeno corpo no chão do banheiro…

- Não vou fazer nada, mas vou manter meus olhos no pirralho.

- Como quiser... Eu tenho de ir, porém tem uma coisa.

- Hmm? O quê?

- Chiyo te mandou lembranças! - e saiu sobre o olhar perplexo do ruivo que ainda tentava assimilar aquelas palavras.

Os seis saíram da festa em direção ao dormitório quando Hinata ouviu chamarem seu nome e todos se viraram para olhar.

- Espera Hinata, eu vou junto. - Já era de se esperar, claro que Neji ia bancar o guarda-costas. Apesar de sua aversão a ela, ele jamais permitiria que algo a acontecesse, afinal ela era a herdeira e o dever dele era protegê-la, certo? Pode até ser, mas não quer dizer que ela gostava daquilo. O problema é que normalmente ele era rígido demais.

- Você sabe que não precisa, não é Neji? - Não é que ela não gostasse do primo, é que toda aquela superproteção era sufocante e já podia imaginar todo o sermão sobre como ela deveria se portar e seguir as medidas de segurança e blá, blá, blá. Ela definitivamente não estava com saco para aquele tipo de conversa aquela noite.

- Não tem nada a ver com você, Hinata. - a morena já ia retrucar e argumentar que ela estava acompanhada e que ficariam no dormitório como haviam sido instruídos, mas mas a resposta dele a pegou de surpresa. - Desculpe, vou tentar não incomodá-la, ok? - A garota duvidou, mas era o melhor que ela conseguiria dele, então deixou pra lá.

Já estavam se virando novamente quando outra voz chamou a atenção do grupo. Dessa vez era Gaara que aparecia com duas garrafas de qualquer coisa nas mãos e um sorrisinho de que iria aprontar no rosto.

- Que tal a gente levar isso para o dormitório? - levantou as garrafas na altura da cabeça.

A princípio pensaram em recusar e foi Ino que os fez mudar de ideia.

- Me dá essa garrafa aqui, preciso beber mais um pouco depois daquela cena que vi no banheiro. - pegou uma das garrafas e tomou um gole enquanto voltava a caminhar.

Ela tinha razão, tinha que relaxar um pouco depois do que viu e o resto da galera ainda estava meio eufórica pela agitação da festa. Era mais seguro ficarem juntos e ainda podiam aproveitar pra tentar distrair de toda aquela confusão.

Os dormitórios dos alunos eram padronizados, um quarto grande o suficiente para caber duas camas e dois armários não muito grandes, uma ante-sala que servia de pequena cozinha - com pia, um frigobar e alguns utensílios básicos como copos, pratos e talheres - e sala de estudo graças à pequena mesa e cadeiras que tinha ali. Tinha também um banheiro simples com chuveiro e lavabo o suficiente para suprir as necessidades básicas dos estudantes. Não era nada muito extravagante, mas o suficiente para terem uma certa autonomia. Em se tratando de Yamanaka Ino, é claro que seu dormitório teria seu toque especial, a ante-sala da garota tinha também um grande tapete felpudo aparentemente muito confortável sobre o qual se encontrava uma porção de almofadas. O local parecia pronto para receber uma festa do pijama. Como a loira conseguira levar tudo aquilo para seu quarto? Impossível saber, mas desde que ela não tenha sido pega, estava tudo certo pra ANBU.

Ao chegarem no dormitório o grupo começou a se acomodar. As meninas se espalharam pelo tapete, Neji que agora se encontrava em alerta, escolheu uma das cadeiras sendo acompanhado por Sasuke. Gaara foi logo até a cozinha providenciar copos e Naruto foi logo se espalhando entre Hinata e Ino.

O ruivo serviu oito doses, deixou três na mesa junto das meninas e carregava as outras cinco para o tapete.

- Putz Gaara, você está sujando o chão todo de lama. - seria um saco limpar toda aquela sujeira quando estivesse seca no dia seguinte. - Tira esse sapato e limpa essa bagunça.

- Ok, ok. Já vou limpar. - era melhor garantir que nenhuma das duas tentasse lhe matar. - Caraca, aquela adega é da época da minha vó, tudo sujo e empoeirado.

- O que você esperava? Kakashi não é conhecido pelos melhores vinhos à toa, mas aquele lugar tá precisando mesmo de uma limpeza. - Naruto riu balançando o rosto.

- Para esquentar. - Gaara disse pegando um dos copos em cima da mesa e levantando como se oferecesse aos demais. Viraram juntos e Gaara foi limpar sua bagunça.

- Temos duas garrafas cheias e algumas horas à toa, o que vamos fazer? - o loiro perguntou ganhando a atenção de todos.

- Jogar. - Ino respondeu.

- Jogar o que? - Sakura ficou curiosa.

- Qualquer coisa que esvazie essas garrafas.

- Eu nunca. - o ruivo sugeriu e Ino logo aprovou a ideia.

Hinata se inclinou com o máximo de discrição que a bebida da festa lhe permitia ter e chamou Sakura baixinho.

- Esse jogo é aquele que quando você já fez, bebe uma dose? - o olhar inocente e curioso da Hyuuga era demais pra Sakura. Ela deu uma risada alta e concordou com a cabeça, vendo a amiga voltar pro lugar, ao lado do primo. Neji também ria dela e Hinata achou que cabia uma observação. - Que foi? Se eu não conheço, muito é por sua culpa e você sabe disso. - disse com um tom brincalhão de reprovação e ele teve que concordar.

- Você é esperta, Hina. Vai entender conforme o jogo começar. - Neji respondeu de modo gentil e Hinata não conseguiu não sorrir. Estava adorando esse primo mais descontraído. Aliás, mais descontraído do que tinha visto durante toda a vida. Pensava no que o pai diria se tivesse visto a performance de Neji dançando no colo de Tenten.

- Eu começo. - Ino gritou animada. - Eu nunca fiz sexo a três. - E bebeu. Hinata engasgou com sua bebida, Tenten revirou os olhos e Sakura gargalhou. O que esperavam também? Era a Yamanaka e ela não começaria levinho. Naruto e Gaara acompanharam a loira, lançando olhares pervertidos àquelas que os interessavam na roda.

Não colou de primeira, mas tinham bebida demais pra desistir logo no começo. Seguindo a ordem, era a vez do Uzumaki.

- Eu nunca usei sutiã. - Naruto disse firme e as meninas o olharam como se perguntassem: “que merda é essa?”. - O que foi? Tem que ser algo que eu não fiz e são vocês que tem que ficar bêbadas pra noite ficar mais divertida. - As meninas reviraram os olhos e beberam. Teria volta.

Hinata realmente tinha entendido como funcionava e mais, tinha entendido o plano de Naruto que, ao que tudo indicava, era compartilhado pelos outros meninos. Bom, tentaria reverter isso. Pensou um momento, tentando encontrar algo interessante que unisse todos eles à bebida e eliminasse a necessidade das meninas de tomarem a dose.

- É… Eu nunca... - coçava a cabeça, o que diabos ela falaria? - Eu nunca usei cueca. - As garotas riram e riram ainda mais da cara do  Naruto. Hinata tinha conseguido. O loiro a olhou como se dissesse “boa, você me pegou” e ela respondeu com um sorrisinho manhoso, ao ver a piscada que ganhou.

- Boa, Hina. - Sakura elogiou. Os garotos beberam e até mesmo Neji começava a relaxar ali. Estava tão dentro da brincadeira que não tardou a falar o “eu nunca” dele, quando sua vez chegou. Mas, ainda assim, tinha um pouco de dificuldade de se mostrar tão sociável. Só que já estava levemente alterado da bebida e tinha achado interessante a união por gênero. Seguiu por esse caminho.

- Bem, eu… Eu… - não era acostumado àquele tipo de brincadeira e precisou pensar um pouco. - Nunca fiquei com alguém do sexo masculino. - As meninas beberam de novo. O que era aquilo, um complô? Meninas contra meninos? E tudo tendia a piorar, quando viram que era vez de Gaara. Respiraram fundo. Vinha coisa pesada por aí..

- Nunca amarrei ninguém na cama. - disse olhando de cantinho pra Sakura, que tomou a dose dela em um gole só o encarando. Gaara sorriu. Tomou a dele do mesmo modo, mantendo a expressão sacana pra ela. Aliás, tirando Neji e Hinata, todos beberam e o Hyuuga, ao ver Tenten matar a dose de uma vez, teve que admitir em silêncio que amarrar alguém na cama combinava demais com Tenten. Pensou nisso tempo o bastante para se ver numa situação constrangedora, de imaginá-la completamente dominadora no sexo. Balançou a cabeça rápido para afastar o pensamento. Afinal, a herdeira dos Yamanaka estava ali e, pelo que tinha entendido, ela era chegada numa perversão. Pra invadir sua mente e descobrir o que ele estava pensando custava bem pouco.

Paqueras veladas à parte, era a vez de Sakura. Ela foi pelo óbvio, pensando em algo que ela nunca tinha feito e sem se preocupar com as coisas de meninos versus meninas.

- Eu nunca fiz uma tatuagem. - Neji franziu o cenho, teria que beber. Mas ele, ali, era notícia velha. Todos tinham visto um pedaço da tatuagem por causa da “falta” de roupa da fantasia. A novidade foi Hinata beber. Todos a olharam incrédulos, inclusive o primo, que não sabia disso.

- Onde, que eu não vi? - rosada quis saber.

- É, onde? - O loiro sustentava um sorriso malicioso no rosto.

Neji se sentiu enciumado pelo olhar de Naruto sobre a prima. Sem contar que, como protetor dela, estava se saindo um belo de um inútil. Hinata tinha feito uma tatuagem e ele não sabia sobre isso? Tinha que admitir. Essa história de ficar com “brincadeiras” estava o mantendo mais próximo de Hinata do que nunca e ela não era tão insuportável quanto imaginava. Ao contrário. A prima era até alguém bem legal.

Hinata deu uma risadinha cúmplice para ele e pediu com os olhos brilhantes pra que isso ficasse entre eles. Hyuuga Hiashi não aprovaria.

- Acho que agora é a vez do Sasuke falar, né? - tentou tirar a atenção dela mesma, mas sabia que depois teria que mostrar para a amiga. Acenou com os dedos pra Sakura, dizendo que depois mostrava.

- Nunca fiz um piercing. - Sasuke foi incisivo e, novamente, a roda entrou em gritos ao ver Hinata revirar os olhos e beber. Os olhares inquisidores à bombardeavam e, dentre eles, um vindo de olhos azuis e adornado de um sorriso malicioso se destacava. Naruto ia acabar a enlouquecendo com aquele sorriso de canto.

- O que será que dona Hinata ainda anda escondendo? - até Tenten, sempre muito discreta, estava achando o máximo essa nova faceta rebelde da princesa dos Hyuuga.

- Até você Tenten?! - Hinata tinha uma indignação brincalhona. - Desde quando a brincadeira virou “descobrindo os podres da Hinata”? - ninguém respondeu. Mas que estava sendo legal demais, isso estava.

Tenten respirou fundo, se recuperando do ataque de risos causado pela amiga.

- Eu nunca disse não na cama. - todos beberam. Absolutamente, todos. E, mais uma vez, o estranho ali era a Hyuuga ter bebido também.

- HINATA! Você nunca disse não na cama? - Ino, escandalosa como nunca, gritou e bateu as mãos. Essa era ótima! E Naruto, então, deu uma risada tão alta, tão feliz por ouvir aquilo, que mesmo se tivesse tentando esconder o interesse por Hinata, o comportamento que teve nesse instante, denunciou tudo: estava doido por ela.

Mas a Hyuuga deu de ombros, sem entender o motivo de tanto alarde.

- Não. - respondeu à Ino tranquilamente. - Peraí, quem bebia era quem disse não na cama? - agora estava confusa. O olhar malicioso e reprovador dos amigos deixou claro que ela tinha entendido tudo errado.

- Não, Hinata... Quem bebia era quem nunca disse não na cama. - a loira explicou com a voz arrastada, levemente maliciosa. Depois de tudo que tinha descoberto sobre a Hina, ela podia muito bem ter entendido, sim, e estar só fingindo.

Não estava. Dessa vez, Hinata realmente fez confusão.

- Vocês embaralham meu cérebro. - resmungou. Já estava alterada de bebida demais pra poder ficar constrangida com aquilo.

- Então, tá… - Ino ainda não tinha se convencido totalmente da inocência de Hinata, mas resolveu deixar pra lá. - Minha vez! Eu nunca fui presa.

Era um tema sério e a própria Yamanaka disse e ficou em silêncio. Mas foi ela mesma que começou a gargalhar e tomou a primeira dose. Gaara também tomou. Aliás, até agora tinham tido poucas que ele não tinha tomado. Sakura também bebeu a dela e ganhou um olhar curioso de Sasuke.

- Sério? - ele perguntou em choque. Nunca que um Uchiha se envolveria em casos de polícia.

Sakura deu de ombros.

- Uma vez eu bati num palhaço aí. - explicou como se não fosse nada demais. Mas faltava informação nisso e ela deu uma bufada antes de continuar. - Talvez eu tenha deixado ele em coma alguns dias e talvez a família dele tenha me processado por agressão.

Okay. Sasuke entendeu que precisava de mais cautela com Sakura.

- Talvez… - murmurou baixinho, assustado e fez ela rir.

- Relaxa, príncipezinho. Eu não vou te bater. - disse sorrindo e ele respondeu com um riso nervoso. - A não ser que você me peça isso. - dessa vez a malícia imperou e Sasuke engoliu em seco. Talvez tomar uns tapas de Sakura não fosse assim tão má ideia.

Paralelo à esse flerte assustador, Naruto se esforçava para tirar mais informações de Hinata.

- Eu nunca mandei nudes. - disse e bebeu, encarando a Hyuuga diretamente. Nem se importava com os outros e, tirando Tenten e Neji, todos tomaram. Hinata se inclinou para o primo e cochichou algo no ouvido dele. O Hyuuga apenas negou com a cabeça e ela colocou o copo cheio no chão, à sua frente. Naruto estalou a língua. Ela nunca tinha mandado nudes, então. - Droga. - disse baixinho, chateado por perder a oportunidade de vê-la sem roupa, nem que fosse por foto.

- Agora sou eu? - a voz de Hinata saiu um pouco embolada e ela se abanou discretamente com a mão. A bebida estava subindo e o corado em seu rosto vinha disso. Se recostou em um dos cotovelos, pensando em algo que podia dizer. Quando concluiu, abriu um sorriso malvadinho e olhou pra todos. - Eu nunca fiquei com ninguém que está aqui.

Foi a vez dela beber e olhar diretamente pra Naruto, que respondeu com um sorrisinho malicioso, bebendo também. Sakura tomou a dela, mostrando o dedo do meio para Gaara, que retribuiu tentando agarrá-la, como sempre. Tenten e Neji ficaram em dúvida se beberiam ou não, afinal, tinha sido só um selinho e dado por raiva. Por fim, tomaram as doses. Tenten primeiro, rindo baixinho, e Neji depois, a olhando diretamente. Sasuke e Ino se olharam. Só os dois não tinham ficado com ninguém da roda.

- Olha que merda, Sasuke… Sobrou só a gente. - Ino realmente estava perplexa. Tinha beijado uns dez naquela ANBU desde que chegou, mas nenhum estava ali. Sasuke, ao contrário, ainda não tinha ficado com ninguém, mas estava igualmente chocado. Sakura e Gaara… Então realmente tinha rolado alguma coisa entre eles.

O despeito bateu. Sasuke tomou a dose dele de uma vez só e partiu para cima de Ino. Ela ficou até assustada quando ele a tomou em um beijo daqueles de tirar o ar. A mão grande do Uchiha se alojou entre os cabelos longos e a outra a trouxe para ainda mais perto. A língua dele dançava quase que com raiva dentro da boca de Ino, que não precisou de mais que um segundo pra poder aproveitar. Puxou o pescoço dele pra mais perto, girando a cabeça no ritmo do beijo. E quando ele a soltou, as bocas vermelhas, inchadas, chegaram a estalar. Sasuke ainda seguiu um rastro de beijos pelo rosto de Ino, até chegar em seu ouvido, sussurrando baixinho.

- Agora você bebe. - e encerrou com uma mordidinha no lóbulo, deixando-a completamente arrepiada, o vendo voltar pro lugar.

Quem viu, chocou. Naruto deu uma gargalhada alta, levantando o polegar pro amigo. Gaara fez o mesmo, em sinal de quem tinha aprovado a decisão. Neji riu baixinho. Aquele grupo era realmente esquisito. Já Tenten e Hinata ficaram o tempo todo olhando Sakura, que encarou o beijo dos dois com os olhos arregalados e a boca entreaberta, como se não tivesse acreditando no que os olhos viam.

Quando Sasuke voltou pro lado dela, rindo de cantinho, Sakura tinha uma vontade desesperadora de socar aquela carinha bonita e talvez deixá-lo em coma, como o carinha que ela tinha contado momentos antes. Mas não disse nada, só o encarou, sem desviar os olhos de Sasuke, que a olhava, vez ou outra.

Ele agiu por impulso. Agora, já estava se arrependendo.

- Garota, você precisa ficar com esse menino! - o grito de Ino, endereçado à Sakura trouxe todos de volta à realidade. - Sakura, pelo amor de Deus! Que beijo é esse?! Você precisa, amiga! Precisa!

Tinham muitas coisas que Sakura realmente precisava e uma delas envolvia o rosto maquiado de Ino esfolado pelo chão. Mas beijar ele, ainda mais depois dessa cena lamentável, isso é que não. Só que tinha uma última coisa pra tirar a limpo. Se virou pra Sasuke, com a expressão mais fria que tinha, e ele sentiu um arrepio correr pela coluna. Já tinha visto essa moça em um trinta tipos diferentes de raiva, mas essa indiferença era a pior expressão de todas.

- Você me beijou. - Sakura disse baixinho. - Você… Na hora do sexyshot. - e apontou os próprios peitos, seguindo pros lábios. - Você já tinha ficado com alguém da roda.

Sasuke não tinha se esquecido. Não do beijo, nada disso. Mas quando a viu beber e apontar diretamente para Gaara, entendeu que Sakura não tinha levado aquele beijo à sério. Então lidou igual. Abriu a boca algumas vezes, procurando as palavras corretas pra dizer, mas não encontrou nenhuma. Por fim, viu Sakura dar um sorriso amarelo e desviar o rosto.

Agora, sim, tinha estragado tudo.

- Sakura… Eu… - realmente, não sabia o que falar. Mexeu as mãos de um jeito grandioso, como se quisesse que ela entendesse pelos seus movimentos.

Só o que ela fez foi rir. Riu, abaixando a cabeça, e o olhou de lado, vendo aquela confusão toda. Ainda estava na dúvida se ele era ou não príncipe, mas definitivamente, aquela cena tinha lhe dado náuseas. No fundo, tinha raiva de si mesma por se sentir assim. Eles não tinham nada e não era nada demais que ele tivesse ficado com Ino. Seguiu por aí.

- Relaxa. - disse com uma falsa tranquilidade. Mas Sasuke sabia que não estava tudo bem, ainda mais quando notou que Sakura girou o corpo, ficando quase de costas pra ele. Não era nenhum especialista em linguagem corporal mas não precisava ser nenhum gênio pra entender que ela não queria vê-lo.

E o pior de tudo isso, é que quando ela ficou de costas pra ele, virou de frente pra Gaara.

- Vai Hyuuga, sua vez! - o ruivo gritou, adorando aquela atenção que estava ganhando.

Neji se ajeitou. Depois daquele beijo, tinha notado que o clima pesou e tentou descontrair.

- Eu nunca… Usei drogas. Eu nunca usei drogas. - disse firme e viu a roda, praticamente toda, beber. Estava satisfeito com o que tinha dito, mas Hinata se mantinha o olhando de canto, com uma risadinha malvada. - Que foi?

- Você usou drogas também, priminho. - ela maldou, fazendo um movimento de colocar algo no copo. Hinata caiu na gargalhada, vendo Neji fechar os olhos, inconformado. Ela tinha razão. Por fim, até ele começou a rir, pegando o copo pra beber.

- Você ainda vai me pagar por isso, não esquece. - foi uma ameaça, mas nada assustador. Disse rindo e Hinata riu junto. Talvez fosse a bebida que estava a deixando mais tranquila que nunca, mas a presença de Neji ali era quase… Confortável. Se permitiu abraçá-lo meio de lado, arrancando outra risada alta dele. - Não vem com carinho não, que eu não vou deixar essa passar, Hinata.

- Eu sei que não! - ela rebateu o empurrando com o ombro. - Você não seria um maldito Hyuuga se não se vingasse de mim.

O comentário foi sutil e sem nenhuma intenção de machucar. Mas tocou Neji no fundo da alma. Realmente, seria uma coisa muito “Hyuuga”. Manteve a ameaça, mas sabia que não faria nada para prejudicá-la, não mais.

- Gaara, sua vez. - Naruto interrompeu o que quer que ele tivesse fazendo, brincando com a trança do cabelo de Sakura que, por despeito ou não, não estava o impedindo mais. Mas Naruto achou melhor interferir, principalmente porque a cara de Sasuke não era das melhores. Ele sacou que o amigo tinha se lascado com aquele beijo e isso era tão absurdo quanto tudo que já tinha ouvido. Não entendia como beijar a Yamanaka podia ser ruim, mas definitivamente, Sasuke não estava feliz.

Gaara soltou Sakura e pensou um segundo antes de dizer. É lógico que estava planejando falar alguma coisa que envolvesse eles dois. Sentiu a aproximação dela e sabia que era por pura irritação com Sasuke. Já tinha notado um clima entre os dois e não era nenhum bobo, muito menos boa pessoa. Se Sakura quisesse se vingar do Uchiha o usando, adoraria participar do que ela propusesse.

- Eu nunca transei num telhado. - saiu com toda a malícia que tinha, mas se arrependeu no segundo em que viu Sakura franzir o cenho. Só aí se lembrou que ela não gostou daquilo tanto quanto ele. - Posso mudar? - ninguém reclamou, até porque tinha sido uma proposta inútil. Ninguém ali tinha transado num telhado. - Eu nunca tomei uma joelhada e fiquei a fim da menina que me deu.

Definitivamente, as propostas de Gaara eram direcionadas à Sakura. E por mais manjada que pudesse parecer essa cantada, dessa vez ela se rendeu à uma risadinha. Gaara tomou a dose, olhando diretamente pra ela e mantendo o sorriso. Se parabenizou em pensamento quando notou que tinha conseguido deixá-la corada.

- Eu tô falando de você. - falou baixinho ou pelo menos foi o que achou, porque um Sasuke mal humorado apareceu no seu campo de visão, soltando fogo pelas ventas.

- Isso todo mundo entendeu. - ralhou e Gaara deu de ombros. Problema dele se não tinha pensado em fazer isso pra entreter a rosadinha. Quis ir beijar a loira, abriu espaço. Sasuke estava irritado com tudo. Tudo. E agora esse monte de sorrisinhos de Sakura pra Gaara tinham lhe tirado o restinho de controle que tinha. - Cansei dessa merda. - disse se levantando, ganhando a atenção de todos por ali.

- Ô louco, Sasuke… Senta aí, cara. Vamo brincar mais um pouco. - Naruto tentou interferir, mas conhecia o amigo bem demais pra saber que Sasuke não voltaria. Deu um suspiro resignado e se levantou também. - Bom, eu também tô fora. - fez uma carinha de quem não queria realmente parar de brincar e que só faria isso pelo amigo, que tinha ido fazer cara feia no canto do dormitório.

- É uma pena… - Ino brincou rindo. - Acho que a brincadeira já deu, então.

Todos concordaram. O ataque de Sasuke tinha tirado a graça de tudo. Sakura, ao ver o Uchiha se afastar irritado, cortou qualquer gracinha que Gaara ainda fazia com ela e ele, percebendo o fim do espaço, também saiu de perto. Sabia que Sakura tinha os seus limites e, se queria mesmo ela, tinha que aprender a respeitar.

Neji, o último dos meninos na roda, também se levantou. Provavelmente, o papo que se iniciaria era “feminino” demais pra que ele continuasse ali. Tomou a última dose, deu mais uma olhada pra Tenten e foi se encontrar com os rapazes, que se amontoaram no canto onde Sasuke tinha ido buscar a solidão.

Sobrou Ino, do mesmo modo de sempre, Hinata, mais alterada que nunca e Sakura e Tenten, pra variar, de cara feia. A animação da Yamanaka era a comum e quem não soubesse onde elas estavam, ou da real circunstância que levara àquela reunião, diria apenas que era uma festa do pijama que estava rolando ali.

- Vamos descontrair! - ela gritou, batendo as mãos. Sabia que muito do clima tinha sido causado por ela e, como sempre fazia quando queria mudar o rumo das coisas, lançou uma informação chocante. - Kakashi é PDB. - as garotas a olharam não entendendo o que aquilo queria dizer e foi Sakura quem teve a coragem de perguntar.

- O que diabos é PDB, Ino? - o tom levemente irritado de Sakura não impediu a loira de olhá-la chocada. Como podiam não saber o que era aquilo?

- PDB? Pau de Braço? Pau da grossura do braço? - explicou, incrédula por nunca terem ouvido isso. E aí, o susto passou pras meninas. Tenten tentou se segurar, mas foi impossível não rir. Sakura nem tentou, sentava encolhida segurando a barriga enquanto ria tanto que lágrimas saíam de seus olhos. Hinata também chorava de rir e se não fosse a quantidade enorme de álcool que tinham ingerido aquela noite, estaria completamente vermelha de vergonha. Só podiam esperar aquele tipo de coisa de Ino Yamanaka mesmo. - Nossa, não acredito que nunca ouviram isso… - ainda se achava no direito de criticar. Por fim, deu de ombros pras “inocentes”. - Vamos trocar experiências. E o do Naruto, Hina? - a malícia era estarrecedora.

Hinata engasgou ao ouvir aquilo.

- Como?! - ela não sabia o que responder.

- O do Naruto, como é? - Ino voltou a perguntar, curiosíssima. O rosto da morena esquentou ainda mais e ela sentiu que poderia desmaiar e esse rubor deixou a Yamanaka ainda mais desesperada por informações. No fundo, até Sakura e Tenten se ajeitaram pra ouvir isso.

- E… Eu n… Não sei. - olhava para baixo e batia as pontas dos indicadores.

- Como assim você não sabe? Vocês não...? - A morena negou com a cabeça. - Nem mão boba? - negou novamente e a loira ficou surpresa. - Como você resistiu ao loiro gostoso, garota?

- Minha primeira vez não vai ser assim. - se arrependeu no momento em que abriu a boca, era sempre assim, ela bebia e acabava falando demais. Naquele momento conseguiu a total atenção das três garotas ali e a expressão de choque era unânime

- Cê tá falando da primeira vez com ele, né? - a loira tentou, mas a morena negou novamente. Agora que já tinha começado, que terminasse de falar a verdade. - Caraca, é mesmo, você não bebeu nenhuma vez que falasse de sexo. Hinata Hyuuga, você deve ser a única virgem desse lugar. Você deve ser a única virgem que eu conheço.

Sakura abriu mão de qualquer incômodo que estava sentindo pra poder comentar. E se compadecer da amiga.

- Sou obrigada a concordar com a maluca. Como você conseguiu, Hina? Não vai me dizer que você era BV também?

- Não é pra tanto, é só que eu sou tímida quando se trata desses assuntos, andava com um bando de nerd na escola que eram piores que eu às vezes. Além disso, fora da escola eu não tinha muito contato com outros jovens que não fossem do clã e como lá eu sou a princesinha... - fez careta nessa parte. - Fiquei com alguns garotos nas poucas vezes que eu conseguia sair para algo que não fosse do clã, mas não passou de beijo na boca.

- Hina, sinto lhe dizer, mas se você estiver procurando um príncipe… - Tenten achou que cabia um comentário.

- Não estou, Tenten, só não quero também que seja uma rapidinha com meus amigos na sala ao lado. Sem contar que não acho que o Naruto seja a melhor opção

- Porque não? Ele é gato, gostoso, pelo que dizem é muito bom de cama, quer te comer e você está afim dele - parecia óbvio para Ino

- Exato, eu estou afim dele Ino. Ele é um cafajeste e eu me conheço. Será muito mais fácil pra eu não sofrer quando o cara não “ligar” no dia seguinte, se eu não estiver afim dele.

- Você é muito racional às vezes, Hina. - a Yamanaka não compactuava dessas ideias. Sexo e sentimento se misturam, claro. Desde que o sentimento seja tesão.

- Por falar nisso, dona Hinata, agora você não me escapa, onde fica?

- Oh, é mesmo, onde fica dona Hinata “sou santinha, só que não” Hyuuga?

Droga, não tinha escapatória e acabaria tendo que contar para as meninas e se não fosse pela quantidade de bebida ingerida naquela noite, estaria se escondendo num buraco no chão para responder aquilo.

- Na virilha e no mamilo. - a expressão das garotas era de total surpresa - A irmã de uma amiga fez em mim, foram presentes de aniversário

- Vou ter que concordar, você não tem nada de Santa, Hyuuga. - foi a vez de Tenten ralhar com a amiga. Aqueles Hyuugas eram mais interessantes que pareciam.

- Ei, eu nunca disse que era santa, só que era tímida. - Hinata corrigiu rindo, se ajeitando em uma das almofadas grandes que tinham por ali.

- Você é virgem, Hinata! - Ino disse exasperada.

- Porque eu sou tímida. - maldito álcool.

- Precisamos te embebedar mais vezes, Hina. - a loira disse e se virou para as outras duas. - Ok, a Hinata tem um motivo, agora eu quero saber porque vocês duas ficaram naquele chove e não molha? - Sakura e Tenten a olharam confusa - Ei, nem venham se fazer de desentendidas, todo aquele climinha e vocês não fizeram nada?

Okay. Pelo visto, o assunto não era mais Hinata e o olhar de desaprovação de Ino era absurdo, encarando Sakura e Tenten ao mesmo tempo.

- Ah, Ino… Tenha dó. - Sakura tentou partir do comum, que era parar os comentários da loira com um tom de voz mais áspero. Dessa vez não colou.

- Tenha dó vocês! - ela rebateu imediatamente e baixou o rosto, dando uma risadinha. - É sério, meninas. Qual o problema de vocês duas? - ambas acharam melhor não responder. Só desviaram os olhares e isso, pra Ino, foi quase um desafio. - Sakura, você tá claramente a fim do Sasuke e ele tá doido por você. Por que não fica com ele?

- Não te interessa o porquê! - Sakura respondeu irritada, muito pelo fato de Ino deixar claro que não ia parar. O máximo que fez foi desviar o foco pra Tenten.

- E você “só Tenten”? Por que não deu uma lambida naquele tanquinho quando o Neji tava rebolando no seu colo?

Tenten engasgou.

- Ora, por que… Porque, não. - respondeu, desconfortável e a risada de Ino era quase um insulto ao seu auto-controle.

- Vai falar que não queria? - a loira perguntou rindo e nessa Tenten não conseguiu esconder. Baixou a cabeça rindo também. Mas Ino ainda tinha mais mil coisas pra falar. Respirou fundo e voltou à olhar Sakura. - Diz aí. Que que tá rolando entre você e o gostosinho ruivo?

Pra essa resposta, Sakura não precisou nem ficar constrangida.

- A gente ficou na festa. - ia dizer mais, mas uma Hinata com a sinceridade aumentada pelo alcool interferiu.

- Um sapo, um príncipe e um bobo da corte! - falou gritado, levantando a ponta do dedo e Sakura riu dela. Mesmo bêbada, a memória de Hinata era excelente. - O príncipe é o Sasuke. Quem é o Gaara?

- O sapo. - respondeu firme e os olhares das três caíram sobre ela, exigindo mais. - Eu fugi da festa em algum momento e fui pro telhado. Cheguei lá e encontrei o Gaara. A gente dividiu um baseado, conversou, deu risada e… sei lá. A gente começou a se beijar e eu tava bem a fim de transar com ele.

- E por que não transou?! - Ino estava em cólicas. Adorava essas descrições de encontros que mais parecem cenas de filme.

- Porque eu não ia transar no meio de uma festa! - Sakura respondeu como se fosse obvio e Tenten e Hinata concordaram com a cabeça. Ino ainda esperava algo a mais. Só isso não a impediria. - Quando eu ia propor que a gente fosse pra um dos dormitórios, ele foi babaca e começou com aquelas coisas de “não tem nada demais”, “é só uma transa”... - resmungou, o imitando. - Enfim. Não gostei.

- Ai, droga… Você bateu nele, né? - o tom de desaprovação de Ino a irritava ainda mais.

- Lógico! Dei uma joelhada no saco dele. - viu os olhos da loira baixarem. - Qual é, Ino? Tá com dózinha? Até onde eu sei, ele arrumou uma loira no meio da festa pra dar um beijinho no pau doente.

- O episódio das fadas madrinhas! - Hinata se fez presente de novo, levantando o dedo mais uma vez, mas foi fazendo um biquinho manhoso. - O Naruto tava nessa também.

O ataque da Hyuuga tirou um pouco o foco da conversa, mas Ino não deixaria passar em branco. Virou de volta pra Sakura e, dessa vez, o olhar era quase maldoso.

- Por que não se vinga? - propôs como se fosse simples e viu a rosada mudar a expressão por uma mais confusa. - Se vingar dele, ué. Se não gostou do que ele fez, faz algo pra deixar ele irritado também.

Uma ideia começou a tomar forma na mente de Sakura, ao mesmo tempo que o sorriso malvado brotou em seus lábios.

- Sabe que não é má ideia, Ino… - devaneou, olhando pra Gaara rapidamente. Ele e Naruto faziam alguma dancinha ridícula, tentando convencer Neji de fazer o mesmo, que só negava, rindo.

- Claro que não! - a Yamanaka era a arrogância em pessoa. - Sem contar que você tá precisando transar, amiga. - Sakura perdeu a expressão risonha e a encarou raivosa de novo. - Ah, me desculpa. Você e a Tenten precisam relaxar!

- E desde quando a gente precisa transar pra isso?! - Tenten interferiu. Seu nome estava sendo colocado no meio desse bolo.

Ino rolou os olhos. Esses ataques de fúria da companheira de quarto não tinham nem graça mais.

- Não precisa, “só Tenten”. Mas é gostoso! Gostoso como o Hyuuga… - maliciou, apontando Neji que tinha começado a se remexer naquela dancinha que os rapazes insistiam em fazer. - Ou como o Uchiha… - dessa vez, quem olhou foi Sakura. Sasuke estava sentado na beirada da janela, rindo das idiotices dos três, de modo largo, com a boca aberta, mexendo o cabelo conforme a risada vinha.

Tanto Tenten, quanto Sakura, engoliram em seco. E isso não escapou aos olhos de Ino.

- Eu não sei porque vocês não se rendem de uma vez… - o tom beirava o paternal, como se tivesse dando um conselho qualquer. E as duas continuavam na admiração silenciosa. - Tá na cara de boba de vocês, que estão louquinhas pra se enrolar com esses dois gatos.

Sakura e Tenten eram parecidíssimas nesse sentido. Tanto que, ao ouvir isso, as duas encararam Ino como se ela tivesse dizendo algo fora da realidade. Até ofendidas.

- Ah, cala essa boca. - Sakura partiu pro lado que sempre ia.

- É, Ino… Acho bom você parar de falar merda. - Tenten ajudou na ameaça velada.

A loira levantou as mãos, rendida, mas a sinceridade alcoólica de Hinata ainda faria mais um estrago.

- Eu também acho. - disse tranquila, brincando com a beirada da almofada. Quando percebeu que as três a olhavam, levantou seus olhos perolados. - Meu primo fica uma gracinha quando tá perto de você, Tenten. E você, Sakura… Tenha dó, né, “princesa do cabelo rosa”! - as duas rolaram os olhos e Ino bateu palmas. - Se eu, que sou eu, tô beijando o Naruto, não sei porque vocês também não podem fazer isso.

- E o que você tem diferente de nós, Hyuuginha maldita? - Sakura perguntou desconfiada. Essa Hinata soltinha era perigosa demais.

- Eu tenho uma virgindade pra perder e um medo do cacete de clichês. Vocês são todas poderosas, fodonas, não sei porque não se render ao que sentem.

Sakura e Tenten podiam interferir, negar, dizer que não sentiam nada. Mas não ia adiantar. Ali, estavam sendo julgadas e condenadas por uma loira pervertida e uma morena mais bêbada do que as outras três juntas.

- Hinatinha, agora, falou bonito. - Ino deu uma piscada pra Hyuuga, que levantou o polegar em aprovação à fala. - Falando sério, eu não dou um mês pra vocês caírem de boca naquilo tudo. - apontou pra trás, onde os assuntos estavam. - Aliás, melhor: eu aposto com vocês que não resistem mais um mês longe deles.

Sakura e Tenten eram parecidas até nisso. Se sentiram desafiadas e, em ambas, a expressão foi quase demoníaca.

- Se a gente ganhar, o que acontece? - Tenten perguntou, interessada. Ino rolou os olhos, pensando em algo bem absurdo, já que tinha certeza que elas não cumpririam.

- Eu fico um mês sem sexo. - disse firme e as três se acabaram de rir. Só pararam ao ver que a loira estava séria.

- Você não vai aguentar. - Sakura a olhou desconfiada.

- Não vou precisar. Vocês não vão conseguir ficar mais um mês inteiro sem provar o gosto dos dois clãs fodões do mundo ninja. - Ino rebateu imediatamente, com a expressão presunçosa.

Sakura engoliu à seco. Ver a Yamanaka com esse olhar dava um medinho.

- Um mês sem sexo e sem falar de homem. - Tenten mudou os termos. Nessa, Ino rateou.

- Porra… Supondo, o que eu não acredito mesmo, que vocês ganhem, além de não transar, não vou poder nem comentar? - as duas negaram veementemente. - Tá, tá. Sem sexo e sem falar de homem. - Ino concordou.

Sakura e Tenten se olharam, confiantes. Tava no papo! E ainda se livrariam das conversas sacanas de Ino por um mês inteiro.

- Eu topo! - Tenten gritou e estendeu a mão na rodinha.

- Eu também! - Sakura colocou a mão por cima.

E a perspicácia de Hinata se fez presente mais uma vez.

- Vocês são doidas de fechar uma aposta sem saber o que ela vai querer, caso ganhe?

Não tinham pensado nisso e, quando olharam pra Ino, ambas se arrependeram de não ter perguntado antes. O sorrisinho dela era malicioso demais pra quem ia pedir algo simples.

- O que você vai querer? - Sakura perguntou baixinho, apavorada com a expressão da loira.

Ino deu uma risada tão alta, que foi quase uma gargalhada. Chamou a atenção dos meninos, que olharam pra rodinha, interessados.

- Se eu ganhar a aposta, conto daqui há um mês. - respondeu, enigmática. Viu quando as duas franziram o cenho, mas não ia impedir nada de acontecer. - Não sei porque estão preocupadas. Não estão confiantes de que vão ganhar?

Não estavam mais. No fundo, tanto Tenten quanto Sakura ficaram apavoradas com aquela aura maligna que rodeou a Yamanaka. Só que eram orgulhosas demais pra voltar atrás. Sakura estendeu a mão. Tenten colocou por cima. Ino foi a próxima e uma Hinata risonha colocou também, só pra poder participar.

- Tá fechada a aposta, então. - a loira reafirmou. - Se em um mês vocês não tiverem se rendido à esses gostosos, quem fica sem sexo sou eu.

De tudo o que tinha sido dito, de todas as barbaridades de Ino, uma coisa só se alojou na cabeça de Sakura: vingança. E o tanto que Gaara a olhava, achando que a fraqueza momentânea que tinha tido após o beijo de Sasuke em Ino, era quase um pedido implorado pra que ela fizesse algo bem malvado.

Bem, bem malvado.

Ele achava mesmo que as coisas entre eles ainda podiam acontecer? De todo modo, os sorrisinhos entre os dois tinham motivos diferentes. Gaara sorria tentando conquistá-la. Sakura sorria, pensando em tudo o que poderia fazer. A decisão estava tomada desde que ouviu Ino especular. Vingança.

- Vocês acham que dá muito problema se eu der uma fugidinha? – perguntou afobada, enfiando o coturno de volta no pé. Como não teve resposta, olhou pras amigas que a encaravam sem entender o motivo da pergunta. – Por causa do toque de recolher.

- A ordem foi pra que ninguém ficasse sozinho. – Tenten respondeu séria, mas não conseguiu não maliciar. – Se você não for ficar sozinha, não precisa se preocupar.

Só aí Ino e Hinata entenderam o motivo da pergunta. Sakura abriu um sorriso devasso e se levantou, sendo acompanhada pelos olhares das três.

- O que vai fazer? – Ino perguntou ansiosa. A rosada bateu as mãos no short, tirando os pelinhos do tapete felpudo e deu uma risada alta.

- Resolver um problema que eu tenho pendente. – a resposta enigmática fez com que as três desviassem os olhares pros rapazes.

- Ruivo ou moreno? – Hinata perguntou com a voz embolada.

- Ruivo. Do moreno eu não posso chegar perto por, pelo menos, um mês. – Sakura deu uma piscada pra Ino, que nem se ofendeu pela desfeita. A loira tava mais era adorando essa atitude da amiga.

Gaara acompanhou o movimento de Sakura atentíssimo. Por isso, quando ela deu uma última olhada pra ele, se dirigindo pra porta, entendeu claramente que era quase um convite à acompanhá-la. Matou a bebida que tinha no copo e deu um aviso pra Neji.

- Parceiro, não entra no quarto agora não que, se tudo der certo, hoje eu como a rosadinha. – até sibilava de desejo e nem olhou pros lados, quando saiu pra encontrá-la. Se tivesse olhado, teria notado que o clima pesou imediatamente, já que os risos acabaram. Não que Gaara fosse se importar com isso, mas Sasuke não gostou nem um pouco do comentário e do fato de Sakura ter saído com ele.

- Tsc. – resmungou, também arrematando a bebida que tinha no copo.

Naruto e Neji, ao vê-lo assim, pensaram em que tipo de coisas podiam falar. “Olha cara, desencana que a garota que você tá a fim vai dar pra outro” não era exatamente o melhor à ser dito. O Hyuuga era discreto, achou melhor nem falar nada. Mas o Uzumaki, talvez pela amizade longa ou pela própria falta de discernimento, resolveu interferir.

- Sasuke, se você quer a Sakura vai atrás dela agora. Pelo pouco que eu conheço o Gaara, ele não tava brincando quando disse que ia traçar ela. – o tom beirava ao de um conselho. Os olhos avermelhados da bebida também se moldavam à um rosto quase paternal e, depois de dito, até Neji concordou.

- Eu não tenho nada com ela. – Sasuke respondeu ríspido. – Ela não é nada minha e pode ficar com quem quiser.

Nenhum dos dois acreditou na sinceridade daquelas palavras. De novo, Naruto tentou ajudar.

- Eu sei, cara... Mas se voc...

- Chega, Naruto. – Sasuke o interrompeu. – Essa garota é dor de cabeça e eu tô fugindo disso. – mais uma vez, eles não acreditaram em suas palavras. O Uchiha fez uma careta de desagrado e desceu da janela onde estava sentado. Não queria ficar se explicando, até porque sabia que nada do que dissesse seria levado à sério. A não ser que falasse que a queria demais, mas isso só quem precisava saber era Sakura e, por algum capricho desgraçado, ela não acreditava que era verdade. – Se ela prefere ficar com aquele descerebrado, eu não posso fazer nada. – murmurou baixinho e foi saindo. Ainda escutou os amigos dizendo alguma coisa sobre não ficar sozinho, mas ninguém o faria ficar naquele lugar por mais nenhum segundo.

Pelo lado contrário ao que Sasuke saía, Gaara também foi. Quase corria, tentando alcançar Sakura, que caminhava na sua frente, rebolando mais que o necessário pra enlouquecê-lo. Ele chegava a tombar a cabeça, admirando a paisagem, tanto que nem viu quando Shikamaru se aproximou dele. Deu um oi rápido e xingou em pensamento quando o companheiro de treino o obrigou a ficar mais tempo longe da rosadinha, que diminuiu o passo o esperando.

- Fala, mano. Quer o que comigo? – a voz saiu ríspida, falando com Shika, mas olhando Sakura de longe.

Shikamaru acompanhou os olhos de Gaara e entendeu o motivo do desespero. Baixou a cabeça numa risadinha maliciosa.

- É rápido. Só me responde se você é amigo da Yamanaka. – disse com a voz mole de sempre e, dessa vez, Gaara o olhou. Quando fez isso, Shikamaru apontou Sai ao seu lado. O ruivo nem tinha visto que aquele branquelo tava ali, mas lembrou alguma coisa de um beijo de Ino nele na festa.

- Sou. – respondeu se rendendo ao riso. – Tá querendo ela? – a pergunta foi pra Sai, que nem escondeu. Instantaneamente, se lembrou de Sakura e viu ela encostada na parede, com um pé apoiado e os braços cruzados. – Porra, vem logo aqui. – pediu com a mão pra rosada esperar e voltou meio correndo pro dormitório de Ino. Shikamaru e Sai acompanhavam como podiam. Gaara abriu a porta com tanta ânsia, que quem estava lá dentro chegou a assustar. Enfiou só meio corpo pra dentro e gritou. – Meu brother, Shikamaru. – e o empurrou pra dentro. – E esse é brother dele, sei lá como é que chama. Cuida dos dois aí, Ino. – socou Sai no dormitório e saiu. Tinha coisa mais importante pra fazer.

- Vou ao banheiro - a morena disse repentinamente, uma hora todo aquele líquido que tinha ingerido àquela noite cobraria seu preço, seguiu em direção ao banheiro torcendo que seu equilíbrio - ou a falta dele - não entregasse sua embriaguez.

Do outro lado da sala, o loiro reparou no caminho que ela fazia e decidiu que aquela seria sua chance. Esperou um tempinho e caminhou até o quarto também na esperança de encontrá-la saindo do banheiro. Bingo. A sorte estava ao seu lado àquela noite. Antes que ela conseguisse sair totalmente do banheiro, a envolveu num abraço fazendo-a voltar e fechando a porta atrás deles.

*

Ino, ao ver quem entrava pela porta, cutucou Tenten ao seu lado.

- Minha vez de me dar bem. - disse e apontou Sai com a cabeça. A morena rolou os olhos, vendo a Yamanaka dar um sorrisinho sacana. Ia aprontar. - Coelhinho!

Pulou daquele tapete e correu pros braços de Sai, que não sabia se abraçava, pegava no colo ou afastava no susto. Não reagiu. Ainda ia aprender que, com Ino, quem decidia o que ia acontecer era ela.

- Oi. - disse constrangido, vendo-a agarrada ao seu peito, com os olhos fechados e um sorriso quase infantil.

- Oi! - Ino levantou os olhos pra ele e se impressionou. Assim tão de perto, notou que ele era ainda mais bonito do que pensava. O formato dos olhos dele tinha alguma coisa diferente. Eram alongados e de uma cor tão intensa, que dava o contraponto perfeito com aquela pele pálida. Era, sem dúvida, a figura exótica mais bonita que já tinha cruzado seu caminho. - Como você chama, coelhinho?

Ele riu. Tava até com dó de dizer o próprio nome e parar de ser chamado assim.

- Sai. - respondeu gentil e a loira alongou o sorriso. Tinha gostado até do nome.

- E eu chamo Ino.

- Yamanaka Ino, eu sei. - Sai deixou escapar e depois se arrependeu. Como explicaria o fato de saber? A loira notou a tensão e achou bem bonitinhos aqueles olhinhos arregalados.

- Sabe como, Sai? - provocou e ele emendou um monte de mentiras que não saíam pela sua boca. Por fim, desistiu. Baixou os olhos, envergonhado.

- Eu… procurei saber sobre você. - respondeu baixinho e só olhou pra Ino quando ela puxou seu queixo pra que encontrassem os olhares.

- Gostei disso, coelhinho. Agora, além de saber quem eu sou, ainda me achou. Ganhou pontos comigo por sua determinação. - esse jeito dela, beirando o arrogante, era encantador pra Sai, que deu um sorriso sincero. - Vem, vamo beber alguma coisa.

Ia puxando Sai pela mão, quando ele foi parado por Shikamaru.

- Bom, já te ajudei com a sua coelhinha. Vou nessa. - Sai não teve nem tempo de responder antes de sentir o primeiro tranco de Ino a puxando. Só concordou com a cabeça e saiu. Shikamaru riu, vendo aquilo. - Droga… esqueci de falar pra ele deixar uma coisa na maçaneta caso leve a Yamanaka pro quarto. Tsc!

Por fim, deu de ombros e saiu. Precisava fumar e precisava de um pouco de paz, depois da noite insana que tinha tido.

*

Ele a segurou pela cintura pressionando-a de encontro a porta e a beijou. Um beijo luxurioso carregado de desejo que tirou o ar da garota que fora pega desprevenida. Quando o ar finalmente faltou, ele desceu a boca para o pescoço bem próximo à orelha onde sussurrou com uma voz rouca e arrastada que a deu tremores nas pernas

- Sabe que eu estava louco por um momento à sós com você, Hinatinha. - Ele carregou a voz ao chamá-la, sabia que isso a desestabilizava e a queria inteiramente a sua mercê - principalmente depois de saber dos seus segredinhos - provocou enquanto ainda distribuía beijos e lambidas por ali - você não vai me contar onde fica? - com muita dificuldade ela negou com a cabeça. Aquelas mãos grandes em sua cintura e o hálito quente em sua pele estava nublando seus sentidos, estava entendendo a dificuldade em resistir ao loiro da qual suas amigas haviam comentado - Nao? você poderia me deixar ver então, prometo guardar seu segredo. - O sorriso dele era de pura malícia e ela já respirava ofegante.  Com muito custo negou mais uma vez com a cabeça. Precisava  se manter no controle. - Ah Hinatinha, quanto mais você nega, mais curioso eu fico, sabe? - as mãos grandes começaram a passear pelo corpo da morena enquanto ele distribua beijos em pontos estratégicos deixando ainda mais difícil da garota se controlar. Voltou a beijar aqueles lábios rosados com paixão enquanto a agarrava pelas coxas e suspendia seu corpo, instintivamente a garota rodeou sua cintura com as pernas e seu pescoço com os braços. Gemeu ao sentir o volume de encontro a sua intimidade. Ele parecia grande. Lembrou da conversa com Ino mais cedo e sua intimidade latejou. Precisava cessar aquele contato logo ou não teria mais controle de si. Ele voltou a beijar-lhe pescoço enquanto uma de suas mãos começou a apertá-la o seio por cima da blusa. Os quadris faziam movimentos de encontro um ao outro chocados as intimidades desejosas. Ela gemia baixinho a cada investida e puxava a cabeleira loira de encontro a si. Aquele contato estava delicioso e seu corpo almejava por mais, mas foi quando a mão do loiro deixou seu seio de encontro ao botão de sua roupa que ela pareceu recobrar a racionalidade. Precisava parar aquilo antes que fosse tarde demais. Segurou a mão indecente com a que o incentivava. Tentou falar um não firme, mas falhou miseravelmente ao senti-lo investir mais uma vez contra si.

- Porque não, Hinatinha? - ele deveria ser proíbido de chamá-la assim. Juntou um pouco mais de autocontrole para inventar uma desculpa plausível.

- Estão todos ali fora. Meu primo está ali fora - a voz estava manhosa, mas era o melhor que conseguia fazer naquela situação.

- Vamos pro dormitório então, o seu está vazio, teremos um dormitório inteiro pra nos divertimos - ele a provocava novamente. Aquela língua pecaminosa no lóbulo de sua orelha. Aquelas mordidas malditas. Precisou se concentrar novamente para bolar outra desculpa e já ia quase perdendo a batalha quando se lembrou.

- Não podemos ficar sozinhos. O toque de recolher - ainda apertava a mão dele como se conter seu avanço a desse força para resistir e quando o ouviu praguejar, parecia finalmente parecia que tinha vencido a batalha. Respirou aliviada. Se soltou de seu aperto e saiu rapidamente ajeitando sua roupa antes de voltar à presença dos amigos. Aquele loiro ainda a enlouqueceria.

Acelerou o passo até encontrá-la. Ao ver Gaara vindo, Sakura começou a rir e voltou a andar. Ele colocou as mãos atrás do corpo, tinha apanhado demais durante a noite pra correr o risco dela fugir mais uma vez. Mas a boca, essa ele levou direto ao ouvido dela.

- Tá me esperando, Sakura?

- Você pediu, não pediu?

A empolgação era tanta em Gaara, que ele passou rápido pra frente dela, andando de costas só pra poder encarar Sakura com um sorrisinho malicioso. Na verdade, era quase feliz. E ela não disse nada, não até chegar na porta do dormitório dele.

- Não vai me convidar pra entrar? – a malícia na voz da rosada o acendia em níveis destruidores. Gaara abriu a porta fazendo uma reverência brincalhona, que arrancou uma risada gostosa de Sakura.

- Bem vinda ao meu palácio, princesa. – apontou o dormitório todo e viu os olhos dela se arregalarem ao olhar pro lado onde ficava. – Não assusta com a bagunça, não. É que o Neji pula na minha cama quando eu não tô. Não sei o que aquele cara tem... Parece doido…

Ficou fazendo gracinha tempo o suficiente para que Sakura parasse de rir e voltasse a encará-lo com malícia. Viu ela morder o lábio inferior e, instantaneamente, sentiu uma pontada em seu membro. Sakura não estava mais pra risinhos ou brincadeiras. Ela o empurrou com força contra a parede e... doeu. Doeu, mas ele não reclamaria. Principalmente porque Sakura desatou aquele roupão vermelho que Gaara ainda usava e puxou a faixa vermelha em um movimento que ele julgou extremamente sensual.

- Vou pôr na porta. – a explicação dela era plausível, mas duvidava que Neji iria se intrometer nisso. Matava o Hyuuga se ele chegasse nesse momento. Mas concordou com a cabeça, deixando Sakura prender a faixa em volta da maçaneta e trancar a porta.

Ver ela dar aquelas duas voltas na chave, deixou Gaara quase ensandecido. Tentou ir até ela, mas Sakura o prendeu de volta na parede. Doeu de novo, mas ele não reclamaria mesmo. As mãos pequenas e fortes dela percorreram seu abdômen, agora descoberto, e Gaara sentia como se um rastro de fogo estivesse passando por sua pele. Os olhos verdes de Sakura, estreitos como ele nunca tinha visto, combinavam magnificamente com os lábios entreabertos, pertíssimo dos seus.

E só faltava ele implorar por um beijo.

Ela roçava devagar as bocas, arranhando o peitoral do ruivo, que sibilava tão baixinho que parecia quase um sussurro. Espalhou beijinhos pequenos por todo o rosto de Gaara, que fechou os olhos, saboreando o toque, até chegar em seu ouvido. – Vamo fazer uma coisa diferente? – propôs com a voz rouca, sugando devagar o lóbulo de sua orelha.

Como ele gostava dessa combinação de palavras! Geralmente, era ele mesmo quem as dizia, mas ouvir de Sakura, especificamente dela, foi surreal. Os lábios se alongaram em um riso quase insano e Gaara balançou a cabeça tão freneticamente, que Sakura começou a rir de seu desespero.

- O que você quiser, linda! – respondeu afobado, ainda no meio daquele riso desorientado.

Sakura diminuiu o dela pra um mais manso e grudou os corpos de novo, brincando no peito dele com a ponta do dedo.

- Eu tô com uma coisa na cabeça... – disse manhosa e Gaara prestou toda a atenção que conseguiu juntar depois de beber a noite toda. – Uma coisa que você falou lá no quarto da Ino…

Ele tinha falado coisas demais, inclusive pra ela. Sem chance de saber o que era.

- E o que eu disse que te fez pensar? – as mãos espertas dele aproveitaram pra grudar mais o corpo de Sakura contra o seu e quando ia aprofundar um beijo, ela o empurrou só com a ponta do dedo. Definitivamente ela era muito mais forte que ele.

Sakura o olhou maliciosa. O sorrisinho devasso entregava que queria fazer uma arte das bravas e Gaara adorou aquilo. Adorou com cada célula do seu ser.

- Deixa eu te amarrar? – a pergunta o pegou de surpresa. Pensava em mil coisas que não tinham nada a ver com isso mas os olhos faiscantes de Sakura eram uma tentação. Deixaria ela fazer qualquer coisa, desde que estivesse nela o mais rápido possível. – Você tem uma corda?

- Lógico que não. – foi sincero e viu o biquinho dela se formar. Sorriu, sem vergonha, ao vê-la fazer manha. Gostava dessa Sakura mansinha. – Mas o escoteiro sênior que divide o quarto comigo deve ter.

Neji. Sempre perfeito, Neji. Gaara se afastou da parede pra ir procurar no meio das coisas do Hyuuga. Escutaria uma reclamação enorme pela bagunça e pela invasão de privacidade. Nem ligou. Deixaria Neji resmungar até o dia virar noite. Se Sakura queria uma corda, ela teria uma corda. Nem se ele tivesse que ir até a casa de Kakashi pra isso. Lá, com certeza, teria uma. Mas não precisou. Achou um rolinho de corda de nylon, azul, e virou pra Sakura com aquilo na mão, feliz como se tivesse encontrado uma garrafa de bebida das boas.

- Pode ser essa?

Ela concordou com a cabeça, sorrindo grande também, e pegou a corda. Era fina, mas daria. Dividiu mais ou menos no meio e estourou sem dificuldade. Gaara se admirou mais uma vez. Tentou fazer o mesmo, mas sem chance. Isso, pra Sakura, foi revelador. Ela o empurrou pra cama e Gaara caiu rindo, adorando essa faceta toda dominadora da rosada. Sakura subiu em seu corpo, rebolando devagar sobre o membro dele, já duro sob a calça. Gaara soltou um gemido rouco e fechou os olhos, sentindo o movimento. Ela, por sua vez, aproveitou a tranquilidade dele pra unir seus dois pulsos com a corda e o prender na cabeceira da cama. Quando a olhou de novo, viu que Sakura estava em êxtase. Isso lhe renderia um sexo sem igual.

A rosada se abaixou e foi deixando um rastro de beijos pelo peitoral definido de Gaara que, por instinto, tentou se soltar. Quando viu que era impossível, só aproveitou de olhos fechados, gemendo baixinho e com o sorriso manso. A olhou quando sentiu os beijinhos cessarem e encontrou o rosto de Sakura perigosamente perto do seu, dando à ele o sorriso mais bonito que já tinha visto nela.

- Você tá gostando disso, né? – perguntou rindo e Sakura concordou com a cabeça, mexendo devagar.

- E você vai gostar ainda mais. – ela se levantou e puxou a calça e cueca dele de uma vez. Expôs o membro duro e não resistiu à engolir em seco ao ver o tamanho. Já tinha visto mais cedo mas, agora, durinho... Era quase irresistível. E Gaara notou o olhar faminto dela. Deu uma risadinha sem vergonha quando viu Sakura umedecer os lábios.

Em um lampejo de controle, a rosada girou o corpo até ficar de costas pra ele. Arrebentou a outra metade da corda em duas partes e prendeu os tornozelos de Gaara nas beiradas da cama. Agora sim ele estava como queria. Saiu de cima de seu corpo, ficando de pé ao seu lado. Lindo. Incrivelmente lindo e amarrado.

Uma palavra explodiu em sua mente ao vê-lo assim, preso pelos pulsos e pés, e a olhando com os olhos mais pidões que já tinha visto: VINGANÇA. Poderia parar aí, deixar Gaara amarrado e ir embora, dando risada. Mas também tinha suas vontades e estaria mentindo se não dissesse que ele, apesar de babaca, era gostoso pra caramba. Continuaria com o plano de se vingar, mas ia tirar uma lasquinha ruiva.

Tirou o short e a camiseta escutando os resmungos gemidos de Gaara, que tentava se soltar de todo modo. Só com a lingerie, Sakura voltou a se sentar sobre o quadril dele, roçando de leve as intimidades que só se separavam por aquele pedaço de pano rendado.

- Caralho, Sakura... Você é gostosa demais! – sibilou, olhando parte por parte do corpo da rosada, que retribuiu com um sorriso mansinho.

Sakura levou a mão até o membro dele, massageando com a pressão necessária para que Gaara soltasse uma lufada de ar e relaxasse entre os travesseiros.

- Gosta disso? – ela perguntou com toda a malícia que tinha e o ruivo murmurou um “adoro” tão mal pronunciado, que Sakura julgou que fosse em outra língua. E, por falar em língua, deu uma lambida em toda a extensão do pênis, que chegou à tremer em sua mão.

- Porra! – dessa vez não foi um murmúrio. Gaara abriu os olhos pra encontrar Sakura sorrindo com seu pau na mão. – Faz mais, gostosa. Me chupa...

Um pedido desses, tão manhoso, Sakura não podia negar. Mas tinha os termos dela também. O soltou e ficou de pé na cama. O ruivo a olhava alucinado e chegou a rosnar quando viu que ela tirava o sutiã, jogando pra longe. Sakura virou de costas pra ele, se empinando o quanto dava, pra abaixar a calcinha e também jogou fora com o pé. Quando o olhou por cima do ombro, viu o desespero de Gaara, que puxava as mãos sem parar, tentando se soltar.

- Mesmos termos, querido. Eu te chupo e você me chupa. – propôs, maliciosa. Ino a aplaudiria se ouvisse isso.

Ele já tinha entrado no joguinho dela e tinha bem pouca coisa que não aceitaria, vendo Sakura sem roupa na sua frente.

- Senta na minha cara, gostosa. – saiu quase como uma ordem que ela atendeu rindo. Se ajeitou sobre ele na cama e logo se sentiu invadida por uma língua sedenta.

Foi impossível não se deixar levar. O corpo de Sakura reagiu imediatamente à primeira abocanhada que Gaara deu em sua boceta, se arrepiando inteiro, e o gemido escapou de sua boca. Foi instintivo que começasse a rebolar, o levando à onde queria que aquela língua ávida tivesse.

Com a voz abafada entre suas pernas, Gaara assumiu o mínimo de controle que conseguia ter.

- Mesmos termos, querida. Eu te chupo e você me chupa. – e voltou ao que fazia. As palavras dele a trouxeram de volta. Realmente, estava falhando com a própria proposta. Se abaixou ainda mais pra poder colocar seu pênis na boca, começando a chupar com a mesma intensidade que ele fazia. Foi a vez de Gaara parar. – Puta que pariu... Que delícia de boquinha no meu pau…

Sakura se remexeu, se esfregando contra ele, e exigindo, sem palavras que Gaara voltasse ao que estava fazendo. Ele entendeu. Deu uma risadinha e voltou à ela. Estocava Sakura com a própria língua, alucinando em dobro pelos gemidos manhosos que ela soltava e pela língua dela, que o percorria sem parar. Aliás, que só parou quando ele notou o corpo todo dela se estremecer. A rosada se afastou, concentrada naquele orgasmo traidor. Em minutos, poucos minutos, ele tinha conseguido fazê-la gozar. Tinha tanta raiva de Gaara, que colocaria mais isso na conta dele: a capacidade incrível de lhe dar um orgasmo sem usar nada além da língua.

- Filho da puta! – reagiu ao próprio pensamento, se perdendo na escuridão que sempre sentia quando gozava. E Gaara, ao ouvir o grito, começou a rir, satisfeito, sorvendo do prazer que Sakura derramava em sua boca.

- Gostosa pra porra! – gritou de volta, em transe. Parecia algum tipo de droga que, quando experimentou, o levou a outro nível de existência. Estava transtornado, alucinado, vidrado por ela.

Era a segunda chance que Sakura teria de parar. Podia encerrar ali. Já tinha tido um orgasmo e o deixaria preso e de pau duro, provavelmente doendo. Mas não conseguiu de novo. Agora que tinha experimentado a língua, queria o resto. Mandou às favas, à merda, qualquer coisa que não fosse buscar o próprio prazer e, infelizmente, Gaara tinha deixado claro que daria isso à ela.

Saiu de cima dele até irritada.

- Camisinha. Onde tem? – os olhos dele estavam nublados de desejo e adorou aquela expressão raivosa da rosadinha. Indicou o criado mudo e Sakura abriu a gaveta com tanto ódio que arrancou o puxador. E ele... bom, ele riu. Riu de gargalhar, vendo-a tão nervosa. Geralmente as mulheres ficavam mais molinhas depois de gozar mas devia ter imaginado que com ela não seria assim.

- Você sabe pôr? – perguntou quando viu ela voltar pra cima do seu quadril. – Se não, me solta que eu…

- Cala a boca, Gaara. – ela deu a ordem, rasgando a embalagem com o dente. Ele, é claro, obedeceu. Assistiu a maestria de Sakura ao colocar a camisinha em seu pau duro. Sem dizer nada, sem brincar, sem charminho, ela se sentou nele, soltando um suspiro que beirava o de alívio.

Gaara também fechou os olhos e deixou a cabeça cair entre os travesseiros. O corpo sendo tomado por uma onda de choque, que eletrizava cada célula que tinha. Em nenhuma droga tinha encontrado essa sensação.

- Tão apertada... – sibilou baixinho a ponto de Sakura nem ouvir. Ele se obrigou a abrir os olhos, para encontrá-la tão em transe quanto ele, cavalgando seu corpo devagar, com a expressão quase de sofrimento. Os seios de Sakura, ainda marcados da renda do sutiã, o hipnotizavam, subindo e descendo conforme ela se movimentava, com as mãos espalmadas em seu peito.

O corpo de Sakura estava sendo invadido por uma série de micro-orgasmos a cada vez que Gaara investia de volta contra ela. Mesmo preso, mesmo sem nem encostá-la, ele tinha o dom de tirar a força que ela tinha. Sakura sabia o que era isso. Fazia tempo que não transava e o corpo estava pedindo por orgasmos como alguém pede por água no deserto. Encontrou em Gaara alguém que lhe proporcionasse isso e aproveitou. Não tinha sentimento nenhum, a não ser uma raiva inumana por ele ser tão gostoso quanto era cretino. E, pensando nisso, sorriu. Sorriu e abriu os olhos, para encontrá-lo a encarando. Amarrado ele era quase inofensivo. Podia pensar nisso mais vezes.

Se inclinou sobre seu corpo, até encontrar com a boca que, caladinha, também era tentadora. Invadiu os domínios de Gaara em um beijo lascivo, notando que ele mesmo aumentava a velocidade das investidas conforme o ataque à sua boca se intensificava. Em meio ao beijo, ambos deixavam escapar gemidos sôfregos, vindos do fundo da garganta. Sons honestos, puros. Com os cotovelos apoiados em volta da cabeça cheia de cabelos ruivos, Sakura encontrou um ponto interessante no próprio corpo. A cada vez que subia e descia, um choquezinho se instalava e ela soube, na hora, que ia gozar de novo. Cerrou os dentes, apertou a fronha do travesseiro, mas falhou em contar o gemido. Na verdade, em conter o grito. Gritou enquanto gozava.

Já Gaara, também sabia que sua hora tinha chegado. O aperto de Sakura foi demais pra suportar, sem contar que estava cheio de tesão nela há muito tempo.

- Porra, Sakura! – gritou entre os dentes cerrados, aumentando a velocidade das investidas de baixo pra cima e tentando se soltar de qualquer jeito. O corpo dela, pendido sobre o seu, esfregando os seios contra seu peitoral, tudo o alucinava. Sentiu o gozo chegar e rosnou, como antes. – Caralho!

Sakura deixou o corpo cair sobre o de Gaara. Os dois respirando com dificuldade, arfando, sentindo o ar entrar pelos pulmões devagar. Ela saiu de cima dele e se jogou na cama ao lado, bagunçando a organização de Neji. Ficaram uns minutos assim, de olhos fechados, se preocupando apenas em respirar de novo. Até que Sakura se recompôs.

O ruivo acompanhou ela se vestir devagar, em silêncio, e não precisou de nenhuma dica pra entender o que ia rolar agora. Ele mesmo começou a rir e jogou a cabeça pra trás. Como não tinha pensado nisso?!

- Você não vai me soltar, né? – Sakura acompanhou o riso e negou com a cabeça. Não ia. Ainda se deitou ao lado dele mais uma vez, pra dar um último beijinho antes de sair. – Você é foda, Sakura... – murmurou a olhando, esticando o pescoço pra roubar mais um. – Pelo menos joga a coberta por cima do meu pau, senão o Hyuuga não vai me soltar daqui nunca mais!

Com o riso dele, Sakura se levantou e achou que não custava atender o pedido. Quando foi colocar a coberta sobre o quadril dele, viu uma coisa bem, bem, bem, interessante.

- Tá duro! – escapou como um gritinho, no meio da risada.

- Lógico que tá! Tá me dando um tesão da porra esse negócio de ficar amarrado! – as loucuras do Gaara... Ela devia ter previsto que ele ia gostar.

Não tinha mais o que falar. Sakura saiu rindo mais do que entrou. Na verdade, entrou achando graça dele, já que planejava mil vinganças. Saiu rindo porque tinha tido dois orgasmos maravilhosos e ainda tinha largado Gaara lá, amarrado. Destrancou a porta e estava saindo, quando ele a chamou uma última vez.

- Vai ter de novo? – ela sabia à que ele se referia e não. Não teria. Mas não ia dizer isso porque tudo o que tinha planejado tinha ido por água abaixo. Se dissesse, tinha chance de acontecer. Então, só deu um sorriso. – Vai, rosadinha... Eu deixo você me amarrar quantas vezes quiser! – terminou gritando, vendo Sakura sair pela porta e lhe dando o dedo do meio. – Na próxima eu arrumo até um chantilly! – esse berro ela não ouviu. Ficou sozinho, olhando pro teto. – Filha da puta gostosa... O pior é que eu deixo mesmo ela me amarrar de novo.

Shikamaru tinha se sentado em uma das grandes janelas que tinham no corredor dos dormitórios. Era quase uma abertura na parede, onde conseguiu se encostar e esticar as pernas. Acendeu seu cigarro e observou, em silêncio, as luzes lá longe. Vinham do chalé do Hatake, com certeza. Ficou ali, olhando o movimento e deduzindo o que podia estar acontecendo. Será que tinham encontrado alguma pista? Será que já sabiam qual o motivo daquilo? Será que já tinham algum suspeito? A cada tragada, mais sua mente agia, tentando ligar os pontos. Era uma característica sua, não conseguia evitar. Como bom jogador de xadrez, tinha o hábito de tentar encaixar cada peça em seu devido lugar, até que o rei adversário sucumbisse.

Mas foi arrancado de seus próprios pensamentos, ao ouvir uma voz feminina xingando no escuro.

- Merda de salto. - Shikamaru ficou imóvel, só esperando que a dona da voz entrasse na luz. E, quando viu quem era, o sorriso se alongou de modo malicioso demais. Vinha linda, meio desgrenhada e com os saltos na mão. Mas, ainda assim, era uma das mulheres mais bonitas que já tinha visto na vida.

- É perigoso ficar andando sozinha por aí. Estamos em toque de recolher, esqueceu? - Temari finalmente o viu. Abriu um sorriso tão sacana quanto o dele e se aproximou devagar, remexendo o corpo em sua sensualidade natural, mas aumentando de propósito. Afinal, desde a prova do medalhão não tinham se encontrado de novo.

- É perigoso pra quem me encontrar… - maliciou, se sentando ao seu lado. Tomou o cigarro da boca dele e deu uma tragada tão profunda, que Shikamaru sentiu inveja da fumaça que saía de seus lábios. - E você? Não tem medo do escuro? - a malícia em sua voz era tão gritante, que a rouquidão comum era ainda maior.

Ele deu uma risadinha baixa, acendendo outro cigarro. Entendeu que aquele, Temari tinha pego pra ela.

- Eu gosto do escuro. Geralmente, ele guarda coisas boas. - a voz de Shikamaru também saiu mais arrastada que o normal. A fumaça da baforada ardeu seus olhos, então os estreitou a apontando, ainda com a voz falha da tragada. - Guardou você, por exemplo.

Temari deu uma risada alta. Aquele garoto era bom, muito bom. Tinha sempre um passo planejado antes mesmo que ela pensasse em atacar. O encarou com profundidade. Se lembrava de Shikamaru, se lembrava de sua beleza. Mas ali, com a luz da lua deixando tudo mais branquicento, ele estava lindo. Incrivelmente lindo, com aquele cabelo amarrado pra cima e em sua fantasia que, até agora, Temari não sabia o que era. Não perguntaria, não era o tipo de coisa que a interessava.

- Se for por aí, então eu também gosto do escuro. - respondeu o olhando de forma incisiva. Shikamaru se inclinou mais, pra que os rostos ficassem próximos.

- Porque ele guardou à mim? - ele a analisava por completo. Se encantou com a tonalidade única de azul esverdeado daqueles olhos grandes que Temari tinha. E viu, milímetro à milímetro, o sorriso dela nascer.

- Eu gosto do que o escuro me proporciona. - sua resposta o pegou desprevenido. De alguma forma, isso cortou a análise e ele se recostou de novo, sorrindo e tragando. Temari também saiu daquela contemplação e voltou a rir, com o cigarro entre os dedos.

- É a segunda vez que eu vou dizer isso e, sem falsa modéstia, foram poucas as pessoas que me ouviram dizer isso uma única vez. Você vai ouvir duas. - Temari o encarou, ansiosa. - Eu gosto do seu modo de pensar. - o tom de Shikamaru era risonho e sincero. Ela baixou a cabeça, em uma reverência curta, dando a última tragada no seu cigarro, antes de jogar no chão. Calçou o sapato só pra apagar e descalçou de novo, parando ao lado dele.

- Se quiser ouvir mais sobre o meu modo de pensar, meu dormitório é o penúltimo do lado esquerdo. - se abaixou pra terminar a frase sussurrando em seu ouvido. - E a minha colega tá dormindo com o namorado no dela.

Saiu rebolando, como sempre, e Shikamaru analisou a oferta. Respirou fundo e decidiu fumar mais um, acendendo diretamente no final do outro. Os olhos correram instintivamente pras luzes que continuavam a se movimentar em direção ao chalé de Kakashi.

- Temari, Temari… você tem grandes chances de ser minha perdição nessa ANBU...

O chalé de Kakashi se encontrava lotado após o corrido, alguns membros da Anbu Ne, acompanhados de Danzou e Ibiki; integrantes do Clã Mitsashi, uma família de militares que tinha parceria com a Academia, e como tal, estavam sempre disponíveis para ajudar no que precisassem, bem como Tsunade, Kakashi e Jiraya, os outros professores ficaram no encargo de controlar a excitação dos alunos para que não se assustassem, exceto por Orochimaru que foi como intruso, nunca que poderia perder um show daqueles, ao menos na concepção dele.

- Essas mortes tem se tornado frequentes, acho que a direção não tem feito seu trabalho muito bem. - Danzou provocou com uma expressão sarcástica. Não era de agora o ranço que tinha pelo modo como Tsunade administrava a instituição, não contra ela, seu respeito pela força da mulher era grande, mas não concordava com muitos de seus ensinamentos.

- Cuidado com o que diz… - Jiraya advertiu entre dentes, sentado no sofá da sala enquanto esperava junto aos presentes por notícias da perícia.

- Uma hora teremos de falar sobre eles. - Orochimaru interviu com os olhos fixos em Tsunade que estava sentada ao lado de Jiraya. - Não podemos deixar os Taka impune dessa vez.

- Eu sei… - massageou o pescoço lentamente, dessa vez não poderia evitar um confronto. - Danzou, como andam as investigações?

- A Akatsuki nos avisou que encontraram um dos esconderijos deles, mas pela luta que houve já deve estar inabitado. Por outro, achamos um outro que acreditamos ser um dos principais, temos vigiado o lugar, averiguando quem entra e sai.

- Continue assim, em breve marcarei uma reunião para discutirmos o plano de ataque.

- Já tem idéia de quem mandará na missão, Tsunade? - Kakashi estava interessado, sempre ocorriam muitas mortes nesses confrontos, por isso entendia o receio dela de envolver civis inocentes.

A cada dia que passava os Taka se tornavam mais ousados, provocando ataques óbvios, que para pessoas normais eram catástrofes da natureza, mas para eles era um aviso, um sinal de que uma guerra estava próxima, e essa futura geração não poderia evitar ou fugir.

No começo daquele ano quando conversaram sobre as matrículas dos novos alunos e analisaram suas vidas antes de entrarem na Academia, a preocupação inicial era se seriam fortes o bastante para lidarem com todas aquelas informações, pois a verdade era que de todos os séculos que passaram e se mantiveram nas sombras, a geração atual não conhecia os verdadeiros valores de um ninja, os laços que eram criados nas batalhas, a dor de perder alguém que se ama. Uma geração assim… Seriam fortes o bastante para lidar as adversidades futuras?

- Eu irei. - respondeu firme, arrancando reações de surpresas e desgosto.

- Não, seu lugar é aqui, cuidando desses alunos, essa foi a vida que você escolheu, Hime. Por outro lado eu ainda sou um Sannin, sou o mais apropriado. - Jiraya refutou para desagrado dela.

- Não temos porque discutirmos isso agora, temos tempo para decidir até a reunião. - Orochimaru apaziguou para surpresa de todos, mas ele tinha seus próprios planos e interesses em tudo aquilo.

- Nunca imaginei que diria isso, mas concordo com ele. - Ibiki entrou na sala atraindo a atenção, estava sério e parecia irritado.

- Descobriu mais alguma coisa?

- O nome da garota é Karui, era integrante da Akatsuki como imaginei, foi morta por um homem com habilidades de longa distância.

- Um homem? Como sabe? - Kakashi quem externou a dúvida.

- Não temos digitais, mas havia uma pegada, e como todos estavam a fantasia, roçando uns nos outros, teria alguma digital, mesmo que de alguém não envolvido, ou seja, o nosso assassino usou Kekkei Gekkai.

- Podíamos simplesmente chamar Haku para nos ajudar com isso. - Danzou relembrou do jovem prodígio mais uma vez.

- As habilidades dele não funcionam assim, há um limite de quantas vezes se pode utilizar em determinado interlúdio de tempo. - Jiraya explicou para o desânimo.

- Então tirando o fato de que é um homem, não temos mais nada? - Tsunade inquiriu incrédula.

- Ah, mas eu não disse isso, eu tenho algumas suspeitas, mas prefiro compartilhá-las com todos presentes. - Ibiki sorriu macabro, se divertindo com tudo aquilo, fazia tempo que não trabalhava tanto.

- Certo, marcarei uma reunião, Kakashi, você tem algum outro lugar em que possa ficar até amanhã? - recebeu um sorrisinho malicioso como resposta,  Tsunade revirou os olhos, claro que tinha, podia até escolher, porque é que perguntou mesmo?

Sasuke, quando saiu do dormitório de Ino, não foi pro próprio. Sabia que se fosse pro quarto, Naruto iria até ele e ficaria dando os conselhos que julgava ridículos. Por isso, contrariando a ordem de se manter quieto, percorreu os corredores escuros da escola, com as mãos nos bolsos. Ia pensando em tudo. No beijo em Ino, nas provocações de Sakura, no sexyshot, no maldito Gaara dizendo que ia “comê-la”.

- Vulgar. - era a terceira vez que repetia essa palavra sozinho e o fazia toda vez que pensava no Sabaku se referindo à Sakura daquele jeito.

Por fim, quando não tinha mais nada pra explorar, se sentou em uma das janelas do corredor, com os pés pra fora, tocando o gramado. Ficou ali, em silêncio, pensando em que momento tinha se enrolado tanto assim.

- Não acredito que o meu irmãozinho sempre tão obediente está fora do dormitório tendo um toque de recolher. - a voz esganiçada de Itachi o fez rolar os olhos. Mas conhecia o irmão. Sabia que, por trás daquela implicância tinha uma preocupação velada.

Itachi se sentou ao lado dele.

- E as coisas lá? - perguntou baixinho, mas deduzia o que ia acontecer. Itachi baixou a cabeça e negou devagar. - Você não pode me dizer, né?

O suspiro dele foi a resposta que Sasuke precisava e, depois de dá-lo, o mais velho abriu o sorriso largo que lhe era comum.

- Por que você tá aqui? Depois da dose nos peitos da rosadinha, achei que ia dormir agarradinho com ela. - ainda balançou Sasuke pelos ombros, dando a entender que o agarrava como imaginou que o irmão iria fazer. Ele o empurrou pelo ombro e não precisava ser nenhum gênio pra entender que as coisas tinham azedado. - Que que rolou? Ela não quis?

- Ela não quer! - a voz de Sasuke saiu até alta, com um movimento de mãos irritado. Olhou pra Itachi, como se esperasse que o irmão lhe dissesse o que tinha de errado. - Ela não quer, Ita! Eu sei lá porquê! Acha que eu tô mentindo sobre as coisas que eu falo, mas fica com um lunático igual ao Gaara! - estava irritado e cansado das loucuras que tinha começado a viver.

- Ele é um lunático mesmo… - devaneou, mas ao notar o olhar nervoso de Sasuke voltou ao ponto principal. - Você é muito manso, irmãozinho. Dá pra duvidar mesmo que alguém seja tão principezinho como você. - pareceu uma crítica, mas era a forma de Itachi lhe aconselhar.

- Eu não vou sair por aí comendo qualquer uma, como se fosse um cachorro no cio. - isso foi uma crítica, que Itachi deu de ombros.

- Então dá um jeito de provar que ela tá perdendo o último cara pra casar que existe nesse mundo. - disse e se levantou. - Sério, Sasuke. Ou então, parte pra outra. Eu não gosto de te ver chateado assim. - pousou a mão no ombro do irmão e apertou de leve. - Vou deitar. Tô morto. - e deu uma risada alta. - Credo, tô morto nada. Tô vivão e cansado pra porra. - Itachi conhecia Karui e, depois de dizer isso, falou alguma coisa baixinho que só ela poderia ouvir.

Sasuke não foi, não iria. Ainda precisava de mais um tempo sozinho, antes de voltar pro dormitório. Mas, ao que tudo indicava, isso não ia acontecer. Ouviu barulho de passos vindo no corredor e já estava pronto pra fugir caso fosse um tutor.

Não era. Mas quis fugir do mesmo jeito. Sakura vinha sorrindo, um sorriso que sumiu ao vê-lo. Sasuke rolou os olhos, não aguentava mais esse humor desagradável dela. Só que, contrariando as expectativas, ele não brigou. Nem xingou. Nem desdenhou. Só se aproximou, devagar. Ele a encarou incrédulo. Isso realmente estava acontecendo?

- Você tava me esperando? - nunca tinha ouvido essa voz baixinha dela. E também nunca tinha passado por essa situação ridícula.

- Claro que não. - respondeu ríspido e desviou o olhar de Sakura. - Você achou mesmo que eu ia ficar aqui, esperando pra ver se o Gaara te comia ou não?

Ela também nunca tinha ouvido essa voz tão ácida saindo da boca dele. Não tinha que dar satisfações, nem nada. Tava pronta pra sair dali, mas não ia engolir esse desaforo de jeito nenhum.

- Tá vendo como não dá pra acreditar em você?! Uma hora é todo gentil, na outra dá essas patadas grosseiras! Você é ainda mais estranho que os outros, garoto! Porque eles, pelo menos, não mentem sobre quem são! - ia saindo mas, dessa vez, foi Sasuke que não admitiu o desaforo. Pulou da janela e a puxou pelo braço. Sakura se soltou com facilidade e ele se lembrou que à força não a manteria ali.

- Qual seu problema comigo? - perguntou sério, a olhando incisivamente. - Por que você acha que eu minto?

Os olhos dele tinham algum poder de invadir sua mente. Podia ter saído, mas se viu congelada no chão.

- Porque mente. - respondeu no mais puro “porque, sim”.

- Não minto, não. - ele rebateu, cruzando os braços. - Sério, Sakura. Por que você não acredita quando eu digo que te acho interessante e…

- Nisso eu acredito! - ela interrompeu. - E gostosa, e bonita, e mais um monte de coisas que vocês adoram falar pra poder seduzir umas idiotas por aí.

- Você não me deixou terminar. - a voz de Sasuke saiu calma demais o que enervou Sakura.

- Ia dizer o quê?

Ele respirou fundo.

- Que te acho interessante e que gostaria de te conhecer melhor. - por um segundo, Sakura procurou a mentira no olhar dele. Hinata tinha contado sobre os Uchiha, sabia que eles conseguiam fazer algo com os olhos e Sakura deduziu, nesse momento, que era mentir sem deixar escapar pelo olhar. Ele não estava sendo sincero, não poderia.

- Por que você tá me atormentando tanto? - foi uma pergunta quase desabafada e o sorriso que Sasuke abriu, pequeno, contido, fez seu corpo se estremecer. Era hora de sair, fugir. Sakura se afastou dois passos, fazendo uma força inumana pra deixá-lo no meio daquele corredor. - Eu não quero saber! - saiu andando rápido, com as mãos na orelha, impedindo que qualquer palavra do encanto de Sasuke a invadisse.

E ele ficou rindo, ali, parado. Pelo visto, o conselho de Itachi tinha começado a se validar. Estava começando a provar pra Sakura que ele era, sim, uma boa pessoa. Viu quando ela se quebrou em pedacinhos, não encontrando a mentira em seus olhos.

- Não tem mentira, sua louca. - falou sozinho, olhando a sombra de Sakura se afastar. - E eu te atormento porque você sabe que tá começando a se apaixonar por mim. - agora sim ele podia ir pro quarto. Mas foi só pensar em encontrar Naruto, que toda a merda de mais cedo se materializou em sua cabeça. - Tem que ir, tem que ir. - disse, andando rápido até o quarto. Quando chegou, já encontrou o amigo lá. Estavam de volta ao dormitório e ambos teriam dificuldade para dormir aquela noite. O moreno pelo maldito beijo dado na Ino e por toda aquela história com Sakura. Já o loiro precisaria de um bom banho gelado antes de conseguir pegar no sono graças a mais uma fuga da Hyuuga.

- Puta que pariu, Sasuke, o que ela tem de gostosa tem de escorregadia. - começou a se livrar das roupas, era um saco ter que recorrer àquele tipo de artimanha para acalmar o corpo.

- Tá puto porque não conseguiu comer a princesinha? - provocar Naruto era sempre melhorava seu humor.

- Puto não, frustado. Eu realmente achei que ela tava no papo cara, era só eu chegar mais junto nela que ela ficava toda molinha, mas era só o clima esquentar um pouquinho que ela fugia me deixando de pau duro.

Sasuke gargalhou. Não que aquilo fosse algo comum, mas o amigo ficar na vontade daquele jeito também era algo inusitado. Naruto fechou a cara.

- Essa garota merece um prêmio, me lembre de dar os parabéns a ela da próxima vez que eu a vir. - o loiro lhe mostrou o dedo do meio e isso o fez rir mais, provocar o amigo era outra coisa que o fazia rir. -  Fala sério Naruto, é engraçado, você tá aí todo putinho porque uma garota não foi pra cama com você na primeira oportunidade.

- Vai a merda, Sasuke, mui amigo você.

- Ok, ok. Parei, mas o que você vai fazer, vai tentar de novo?

- Ah se vou, agora é questão de honra, ainda dobro a Hyuuga - colocou a toalha no ombro e foi em direção ao banheiro - Mas por agora, vou precisar de alívio, se é que você me entende. - o moreno revirou os olhos, entendia muito bem do que o amigo estava falando.

Abriu os olhos com dificuldade, parecia que cada célula do seu corpo doía, como se um caminhão tivesse passado por cima e dado ré para ter certeza que atropelou. Tentou erguer o tronco, mas fraco como estava, tombou de novo na cama, até sentir mãos pequenas e suaves lhe ajudando a levantar.

- Me sinto péssimo. - murmurou de garganta seca, aceitando o copo de água que foi oferecido.

- Você está péssimo. - revirou os olhos se sentando do lado dele.

- Eu fui um burro, né? - deu um sorrisinho amarelo e infeliz.

- Não faz diferença, isso você sempre é. - riu da careta e tomou o copo, colocando no criado-mudo ao lado.

- Mei... Me desculpe!

- Ah, vamos, isso não combina com você, essa cara de derrota aí, literalmente. - sussurrou a última parte baixa, mas acabou sendo ouvida.

- Como assim? Que história é essa? - foi então que percebeu que haviam espelhos na cabeceira da cama.
Primeiro olhou não acreditando.

Abriu a boca, fechou, abriu de novo, e tentou não surtar com a aparência, agora ele entendia. Já estava acordado à alguns dias, mas Mei nunca o deixava andar sozinho, ou ir no banheiro. Como não pôde permanecer no laboratório de Kabuto ou levantaria suspeitas, acabou ficando no chalé dela, o lugar mais seguro possível e no alcance de suas vistas.

- Podia ter me deixado morrer. - nem ligava pro estado do corpo, mas o cabelo... O lindo cabelo dele, estava destruído, metade, mas era a mesma coisa.

- Não seja idiota. - acertou um tapa nele.

- Seu imbecil, você sabe o que passei por sua causa? Eu pensei que você... Que você... - a voz tremeu por um instante, e Deidara a olhou com carinho, ah, tinha como não amar aquela mulher?

- Eu só te causo problemas desde que nos conhecemos. - abraçou-a sobre as caretas de dor. - Você lembra?

- Você era todo encrenqueiro, vivia comprando brigas, era um idiota, e ainda é, subestimado sua adversária.

- É difícil para mim ver uma mulher de outra forma que não seja delicada, eu cresci cuidando de Ino, mas ela sempre foi independente e forte, acho que no fundo eu só queria alguém para cuidar.

- Talvez você devesse simplesmente se deixar ser cuidado. - sorriu divertida, feliz por Deidara estar melhor.

- Talvez... Mei, eu tenho um pedido. - falou sério e tenso.

- O quê foi? - perguntou apreensiva, nunca vinha coisa boa.

- Seráquevocêpoderasparmeucabelo? - falou de forma rápida, não querendo ter de passar por aquilo.

- Dá pra repetir e falar devagar? - perguntou irritada.

- Será que você pode raspar meu cabelo? - oh sofrimento, a expressão era puro lamento.

Mei o encarou, estava imaginando Deidara careca, nossa, segurou, tossiu, fez cara de paisagem, mas a imagem tava lá, fixa na mente, sobressaltando.

- Desisto. - e se rachou de rir, explodindo ainda mais ao vê-lo irritado e sem graça.

Os pés descalços atravessaram o corredor com piso de madeira enquanto ela partia em sua missão egoísta. A porta do quarto de Neji estava entreaberta. Tenten se esgueirou para dentro de modo sorrateiro, como uma ladra, andando na pontinha dos pés até a cama. Uns poucos raios de luz vindos da janela aberta se infiltravam no quarto, deixando a penumbra como uma peneira. Dava para ouvir a respiração suave e regular de Neji. Tenten se aproximou dele e estendeu o braço com hesitação, seus batimentos cardíacos se acelerando assim que pôs os dedos na testa dele. A respiração do homem ficou entrecortada quando ele acordou.

– Tenten? – A voz estava embargada por causa do sono. – O que você está fazendo?

Ela não devia ter ido vê-lo. Qualquer desculpa que desse soaria falsa e ridícula, afinal não havia nenhum motivo racional para tê-lo incomodado. Desconcertada, ela murmurou:

– Eu... Vim provar que não há nada que eu não faça na cama... – A voz esmoreceu. Tenten começou a recuar, no entanto Neji lhe segurou o pulso com notável destreza, considerando-se que era noite e ele mal havia acordado. Ambos ficaram parados, Tenten debruçada em cima dele, o pulso preso. Neji puxou o braço de Tenten com delicadeza, obrigando-a a se inclinar mais, até que ela perdeu o equilíbrio e caiu lentamente. Apavorada com a possibilidade de machucá-lo, Tenten tentou apoiar as mãos no colchão, mas Neji usou de todos os movimentos para aproximá-la ainda mais de si.

A mão de Neji envolveu-lhe a nuca, atraindo a boca de Tenten para a dele. Aquilo não foi um beijo, foi uma posse. Ele a tomou totalmente, a língua quente investindo dentro dela, privando-a de qualquer escolha ou reflexão. O cheiro masculino de sua pele encheu as narinas de Tenten. Sensações demais para assimilar de uma só vez... A boca quente e macia, as mãos firmes a segurando, os contornos masculinos fortes do corpo dele. O mundo girou devagar quando Neji se virou com ela nos braços, prendendo-a parcialmente na cama.

Os beijos eram rudes e doces, e envolviam lábios, dentes e língua. Ofegante, Tenten passou os braços ao redor do pescoço e do ombro enfaixado dele. Neji se posicionou em cima, grande e sombrio, beijando-a como se quisesse devorá-la. As dobras do roupão de Tenten se abriram, a bainha da camisola se erguendo até os joelhos. A boca de Neji separou-se da dela para então dar início a uma deliciosa exploração de seu pescoço, seguindo terminações nervosas até o ponto na junção entre ombro e pescoço. Os dedos dele fizeram seu trabalho na frente da camisola, abrindo os pequeninos botões e afastando o tecido fino. Neji abaixou a cabeça, os lábios descendo devagar até a curva trêmula de um dos seios de Tenten, até chegarem ao cume. Tomando-a na boca, ele esquentou o mamilo frio com leves carícias feitas pela língua. Tenten gemeu, arfante, o som misturado às rajadas do hálito fresco de Neji. Ele se posicionou entre as coxas de Tenten, soltando seu peso até ela sentir o corpo rígido pressionando-a mais intimamente. E então buscou o outro seio, fechando a boca ao redor do mamilo, umedecendo e puxando, provocando ondas envolventes de prazer. A cada movimento mais sensações eram reveladas, as linhas tênues da excitação se transformando numa crueza primitiva. Neji cobriu a boca de Tenten com beijos longos e entorpecentes, ao mesmo tempo que, mais abaixo, dava início a um ritmo sutil, investindo e deslizando, usando o próprio corpo para excitá-la. Tenten se contorcia embaixo dele com volúpia, tentando buscar aquela solidez sedutora. Seus corpos estavam unidos como as páginas de um livro fechado, e tudo parecia tão certo, tão loucamente prazeroso, que o assustava.

De repente todo calor deu lugar a um frio úmido que o fez perceber, infelizmente, que ninguém estava em seu quarto se não seu “querido amigo”, Gaara, que havia feito o desfavor de jogar-lhe um balde de água fria.

- Você está maluco?

- Não estava conseguindo dormir contigo gemendo aqui do lado! A Tenten não tá aqui não e acho que dela você só conseguiria umas porradas, o que é uma pena porque ela é gostosinha demais. – Disse o ruivo desenhando curvas no ar o que fez Neji se irritar ainda mais.

Sua vontade era de socá-lo, deixá-lo sem respirar, mas ao mesmo tempo tinha um pau muito duro e latejante o incomodando.

- Acho melhor você cuidar dessa pouca vergonha aí... – Disse Gaara sem desviar os olhos do rosto dele, mas apontando para baixo. – Acho que alguém está precisando de mulher.

Neji ferveu, mas Gaara desapareceu antes mesmo de que ele pudesse fazer qualquer coisa para matá-lo. A opção que restara era descarregar o seu sonho em baixo de um banho, um banho mesmo, gelado.

Quem imaginaria um dia que Tenten estaria em seus sonhos mais íntimos, mas pensando bem... Aquela Tenten, do seu sonho, não era real, a de verdade era muito mais arisca, e ele achava isso extremamente atraente, por mais que nunca fosse admitir.

Ok, aquele fim de semana tinha sido bacana, mas ele ainda estava “na mão”. Para piorar sua situação, daqui a pouco treinaria com a culpada, e só de imaginar aquelas roupas grudando no corpo quando começasse a suar. Puta que pariu, tinha que admitir que a maldita era gostosa, mas por hora tinha que se concentrar em outra coisa.

E como se tivesse desejado e seu pedido realizado, avistou uma morena conhecida vindo no corredor. Dois coelhos com uma só cajadada. Liberaria toda aquela tensão acumulada e ainda poderia distrair a cabeça. E o melhor, com certeza sua fada madrinha não lhe negaria aquele pedido. Fez sinal para a garota e ela se despediu das amigas vindo em sua direção.

- Será que minha fada madrinha ainda satisfaz meus desejos? - lançou um sorriso malicioso sabendo que a garota entenderia o que ele queria.

- É claro que sim. Onde? - Adorava um desafio, mas naquele momento era daquilo que precisava. a arrastou para uma sala qualquer fazia por ali, precisava ser rápido ou se atrasaria para o treino.

O local era apertado e parecia ser um armário de qualquer coisa, mas era mais do que o suficiênte. A puxou pela nuca atacando seus lábios e brincou com o piercing que tinha ali. Não demorou e já estava apertando os seios por cima da blusa. Caraca, tava precisando mesmo de sexo. Desceu os beijos pelo pescoço e mordeu sua orelha enquanto abria sua calça para logo invadi-la com uma das mãos. Com o dedo médio acariciou sua carne e sentiu as unhas da garota entranharam na carne de seu braço. Desceu mais um pouco a mão e a invadiu com dois dedos, ela arfou e afundou a cabeça entre seu ombro e pescoço abafando ali os gemidos provocados pelas estocadas.

Tirou os dedos da garota e tratou logo de abrir ambas as calças abaixando a dela e tirando seu pau de dentro da sua cueca. Girou a garota a deixando de costas para si e roçou seu pau naquela bunda enquanto a puxava pelo cabelo curto. Botou uma camisinha e entrou de uma vez e ela precisou morder a mão para não gemer alto. Ele estocou forte e rápido e mordia seu ombro para não deixar escapar os gemidos. A pernas dela começaram a tremer, ela gozou e Naruto precisou sustentar seu corpo com uma das mão. Continuou as estocadas fortes até gozar também. Viu a garota se vestir enquanto se livrava da camisinha e fechava sua própria calça. Ela deu um selinho de leve em seus lábios e saiu do cubículo rebolando como se nada tivesse acontecido.  Ótimo, não teve trabalho para se livrar dela, já tinha matado a vontade e não chegaria atrasado ao treino. Aquela semana tinha começado ótima.

Segunda-feira cedo e estava mais uma vez de pé se arrumando para treinar. Ok, não estava sendo tão ruim quanto ela imaginou que seria, ela estava vivendo até mais que no clã, certo? Já tinha feito amigas, se divertindo em uma festa e até mesmo beijado um cara super gato. Ah é, ela tinha que emprestar o livro pro cara super gato, colocou junto de suas coisas e voltou a se arrumar. Ela ainda não tinha mudado de idéia, não era aquilo que queria para si, mas ao menos não era a pior coisa do mundo como imaginou. Estava pronta e seguiu para o campo de treinamento.

Estava mais uma vez sentada debaixo da mesma árvore tentando se concentrar em seu livro, mas o fim de semana não saia de sua cabeça, tinha sido tudo uma loucura. Primeiro tinha a morte da garota na festa. Como aquilo aconteceu sem que ninguém percebesse? Aí vinha a festa em si, Naruto a havia beijado mais de uma vez aquela noite e não tinha perdido uma única oportunidade sequer de mostrar suas intenções com a garota. Sabia que não devia ter caído na dele, já vira aquilo em filmes, séries, quadrinhos, tudo demais pra saber que aquele tipo de clichê - a garota sem graça que se interessava pelo garoto popular- nunca dava certo, e era sempre a garota que saia machucada. Mas era tão bom, o beijo era tão gostoso e aquela mão fortes ao redor do seu corpo. Pela primeira vez na vida ficou realmente triste por ter que parar as investidas de um cara.

Ele estava demorando a chegar e aquilo não era comum. Ou será que era? Tentou mais uma vez voltar a atenção ao seu livro, não deu certo. Voltou a pensar nele e nos sorrisos que ele dirigia a ela cada vez que ela bebia naquela brincadeirinha no dormitório. Tinha certeza que ele não esqueceria aquela história de piercings e tatuagens escondidos. Se repreendeu mais uma vez por estar pensando nele. Eles não tinham nada e não teriam, e quanto mais pensasse naquilo mais provável seria dela sofrer depois e a culpa seria toda dela. Era melhor que continuassem apenas amigos.

Lá estava ele, estava chegando acompanhado de Jiraya e estava lindo. Droga, estava ficando cada vez mais difícil controlar aquele tipo de pensamento. Tinha passado o domingo pensando como seria os treinamentos agora que tinha ficado e pensando bem, Naruto não parecia o tipo que dava muita importância para aquele tipo de coisa, então decidira que fingiria que nada aconteceu, a não ser que ele fizesse diferente. E assim aconteceu, como de costume ele chegou sorrindo e acenou para ela antes de colocar a mochila a seu lado, mas dessa vez foi acompanhado por Jiraya. Hinata devolveu o aceno e pegou o livro sorrindo para entregar à ele. Seu sorriso morreu quando notou a marca arroxeada no pescoço do garoto.

- Toma, trouxe o livro pra você. - disse em tom seco quase empurrando o livro nas mãos do loiro e indo apressada para o campo aberto.

Ele ficou pra trás sem entender, o que tinha dado nela? Olhou para Jiraya e notou o olhar malicioso do padrinho.

- Eu te falei pra tomar cuidado com o que você ia aprontar com a Hyuuga e você não esperou uma semana, moleque?

- Do que você tá falando, velho tarado?

- Da cara que ela fez quando viu esse chupão no seu pescoço. - uma chupão.

Putz, não tinha percebido a garota lhe deixando um chupão e isso não o agradava. Não era legal ficar marcado em lugar tão chamativo. Deu de ombros, depois daria um jeito de sumir com aquilo. Já quanto à morena, não devia ser aquilo, só tinham dado uns beijos e fora ela mesma que correra de algo mais, certo? É, devia ser aquilo mesmo

- Não viaja, padrinho. Não tenho nada com a garota, deve ser outra coisa.

Uhum, Jiraya tinha nascido ontem, e não conversava com Kakashi. Ele sabia que tinha mais coisa ali, mas por hora ia fingir que acreditava.

Ali perto Hinata já se repreendia novamente. Que cena patética tinha sido aquela? Ela esperava o que? Conhecia a fama dele e em nenhum momento ele negou aqui, muito pelo contrário. Porque estava ficando putinha agora por ele ter pego outra depois dela? Sabia que ficar com o loiro era uma péssima ideia. O melhor agora era voltar agir normalmente e fingir que nada aconteceu. Era isso que faria.

Uma batida soou na porta tirando sua concentração dos papéis a sua frente, a semana fora corrida, e com tantos conflitos acontecendo na Academia quase não houve tempo para descansar.

- Entre. - tirou os óculos de leitura e moveu os ombros tentando relaxar, ajeitando a postura.

- Diretora Tsunade. - Shizune entrou com receios, fazendo uma mesura e avaliando o humor da mulher a sua frente, coisa que aprendeu com o tempo.

- Ah, Shizune... - sorriu fazendo sinal para que sentasse a sua frente. - Já disse para me chamar só de Tsunade.

- Lamento não poder me sentar, infelizmente não estou aqui para descontrairmos.

Tsunade adotou a posição de diretora naquele instante, outro problema? Para a própria Shizune ir até ela, a coisa devia ser séria.

- O que aconteceu?

- Vim avisá-la de que Yamato acordou.

 


Notas Finais


E aí, gostaram de mais esse capítulo? Alguma teoria sobre o que vem por aí? Lembrando que temos o grupo da ANBU no facebook onde interagimos com o público, liberamos spoilers, discutimos teorias, entre lá e fique sabendo do que está por vir em ANBU https://www.facebook.com/groups/2030293737205644/


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