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História Andaluz - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo único


 

Juliana retocava os últimos detalhes da maquiagem de Gina. Gostava muito de arrumar a amiga, tão querida, que era como se fosse uma irmã. Se um dia fosse embora dali, Gina seria uma das pessoas que mais sentiria falta. Depois de terminar os últimos retoques, abraçou sua querida amiga, e sussurrou elogios no ouvido.

 

— Como está linda! – As duas pararam, se olhando no espelho. – Todos vão ficar encantados! Viu como não é tão ruim se arrumar, usar vestido, ficar bonita?

 

— Agora ieu sei, Juliana! – riram. – Mas e se eu desagradar o Coroné? O Nando?

 

— Ah... e desde quando a Gina que eu conheço liga para opinião alheia? – questionou.

 

— Eu num ligava... inté uns dias atrás. Mar ainda bem que ocê vai tá lá, Juliana. – Segurou em uma das mãos da professorinha. – Assim eu vou me sentir mais confortarvé.

 

— Para lhe ser franca, Gina. Eu não queria ir. – Suspirou. Um par de olhos escuros lhe vieram a mente. Achou que seria mais fácil esquecê-lo, afogar esse amor.

 

— E por causa do Zelão? – A ruiva tinha certeza que era. Juliana devia de estar preocupada de o capataz tentar algo contra ela. Mas sabia que com tanta gente lá, e depois de presenciar a conversa de ambos, o empregado de Epaminondas não faria nem um mal contra sua amiga.

 

A professorinha caminhou até a janela, observando a neve como se esta refletisse as palavras de Zelão em sua cabeça.

 

 “Você tem medo de me amar!”

 

Ela sabia que tinha feito o correto em terminar. Esse amor desmedido não teria futuro. Quando a realidade da vida batesse na porta, todo esse amor se acabaria. Ela podia prever as brigas futuras devido à falta de condições, de privacidade, as discussões com a sogra. Ela não queria ser um incômodo para a velha benzedeira. O capanga era realmente uma criança grande... Vivia de sonhos, do agora. E ela, sempre pensava no amanhã. Mas mesmo assim, tendo refletido, pensado, e tomado decisões que não poderiam ser desfeitas, Zelão continuava a persegui-la, em pensamentos, em sonhos e por vezes, ela podia sentir a presença do capataz.

 

 Era assustador.

 

 E tinha que confessar que a nova atitude dele, fria para com ela, a feriu. Ele era tão apaixonado, tão caloroso... e agora, tão... tão gelado!

 

— Juliana? Ocê ainda está aqui? Ara! – resmungou Gina. – Ieu tô falando com você faz um tempão e ocê aí, em outro mundo.

 

— Me desculpa, sim? – falou, voltando a si. – Está na hora de descermos. Afinal, é melhor deixar para chegar atrasada no dia de seu casamento e não no noivado.

 

— Hum... – respondeu desconfiada. – Ocê tá bem mermo, Juliana?

 

— Estou, estou. Vamos, minha amiga?

 

— Vamos! Que eu tô anciosa por demais. – As duas gargalharam, deram as mãos e desceram às pressas já ouvindo os resmungos de Seu Pedro Falcão.



───────────────

 

Fitas azuis enfeitavam as cordas suspensas no ar. A música de violinos, rabecas e outros instrumentos de corda preenchiam o ambiente. Como tudo que Epaminondas fazia era grandioso, a festa de noivado do filho não poderia ser diferente. Contratou uma orquestra, cozinheiros extras que fizeram um banquete divino. Uma mesa redonda, farta de comida, estava no centro. A festa estava organizada da entrada da Casa Grande até as propriedades dos empregados. Passando pelo celeiro, pela casa de Mãe Benta. Outra coisa que não podia faltar era bebida. Esta era servida à vontade pelos garçons... Haviam galões de rum e vinho depositados no estábulo de reserva. A decoração toda azul e branco tinha sido ideia de Ferdinando que adorava tais cores. Em um local mais iluminados por tochas, próximo ao celeiro onde estava a orquestra, casais dançavam, bailavam, riam, gargalhavam e a festa mal tinha começado.

 

Nando conversava com alguns amigos das Antas e localidades vizinhas, apresentava sua noiva a eles. Esta que estava um tanto quanto receosa. Pedro Falcão e Epaminondas conversavam sobre o sistema ferroviário que precisava de reformas ou ampliação. Zelão, que estava escondido em um lugar próximo ao celeiro envolto por sombras, resolveu sair. Sabia que não seria fácil encarar a professorinha, mas tinha que mostrar a ela que ele tinha orgulho próprio e não estava mais abalado com o término do namoro. Catarina desfilava com um modelito exuberante e um copo de vinho seco na mão, foi em direção a professora.

 

— Ah, prefessorinha Juliana! – A puxou pelo braço. – Por que ocê tá tão amuadinha aí no canto, hein? Desse jeito vai congelar de frio, hã? Vamos dançar ou pelo menos beber uma bebida quentinha! – falava, puxando a jovem em direção à mesa.

 

— Eu só estava distraída... pensando alto, só. – Deu-se conta que o que falou poderia puxar margem para a mulher questionar o motivo da distração e então foi rápida, completando: — Pensando em uns assuntos da escola que tenho que resolver...

 

— Ara! Mas hoje é noite de festa. – Gesticulava avidamente com as mãos. — É hora dê comemorar. Deixa de ser boba, amanhã ocê pensa nisso!

 

— Você tem razão, Madame Catarina. – Aceitou o copo de vinho seco que a mulher lhe ofereceu e entornou o mesmo de uma vez para se aquecer do frio. – Nossa! – gargalharam.

 

Foi então que o capataz do coronel avistou a causa de sua tristeza, ali, vestida de toda de rosa, dos pés à cabeça. Uma capa de inverno delicada e com penugens rosadas ao redor do pescoço. Os cachos balançando com a brisa. O barulho contagiante do riso dela. E ela estava mais linda do que nunca, para o azar dele. Parecia se divertir... constatou magoado. Em seguida, ela se afastou, ainda sem nota-lo, sendo carregada por Catarina para onde os outros convidados dançavam.

 

Juliana se contagiava pela música e dançava sutilmente. Sempre gostou de dançar. As batidas da música pulsando em suas veias. Olhou em volta e sorriu para Gina que tentava dançar com Nando, Gina parecia estar com dificuldades e um pouco sem jeito, porém o noivo a guiava e logo depois pareciam discutir sobre algo. Também notou algumas crianças que corriam junto de Pituquinha, passando vezes por ela e soltando um riso carinhoso para a Professorinha; tomou outro gole de uma bebida que Madame Catarina tinha trazido pra ela, enquanto passava entre algumas pessoas até chegar em um ponto mais afastado, apesar da festa ser contagiante, sentia um vazio por dentro, parecia que faltava algo. Tomou mais um gole, a bebida quente ajudava aquecer do frio. Passou os olhos como se estivesse procurando alguém, doía saber que ele; Zelão, a evitava, das poucas, raras vezes que o tinha encontrado, ele agira friamente quase nem falando, e quando o fazia, desviava o olhar para qualquer outro lugar e isso fazia a jovem sentir um aperto no peito, doía ver essa indiferença.

 

Não queria que o término do namoro o fizesse inimigo, mas parecia que era exatamente isso que se tornaram, pareciam dois estranhos. E isso, magoava Juliana, sabia que tinha falado coisas pra afastar de vez Zelão, palavras cruéis que foram ditas em um momento de fúria. Nunca pensou nada daquilo, a diferença cultural de ambos nunca fora algo que ela achava que seria tão importante, e nem era! Mas ele se mostrou passional, possessivo para com ela, e não podia negar que sentiu medo daqueles olhos negros. Então deixou aquelas palavras escaparem e se arrependeu no momento que viu todo o desgosto nos olhos dele.

 

“Eu não nasci para você, e você, não nasceu para mim.”

 

Não era exatamente essa entonação que queria, Juliana queria apenas voltar atrás com as palavras em sua carta, quando havia dito que o destino havia feito ambos um para o outro. Mas pelo olhar dele, não fora exatamente isso que suas palavras haviam dito, havia mais e ela sabia muito bem disto, mas como medrosa da maneira que era... deixou o capataz interpretar as palavras da maneira que julgasse melhor.

 

Seus pensamentos foram interrompidos por uma Gina reclamando sobre algo, nem mesmo deu tempo de saber o que era, pois Nando vinha atrás dela e a puxou para apresentar a noiva para mais alguns convidados que tinha acabado de chegar. Juliana ainda rindo da situação sentiu um frio percorrer o corpo quando encontrou o olhar do capataz, ele estava lá, parado de braços cruzados, com cara de poucos amigos; a professorinha nunca o tinha visto com o olhar tão sério, sempre se lembrava dele sorrindo e falando coisas bonitas, respirou fundo e tentou quebrar o contato visual, mas não conseguiu, parecia que se perdia naqueles olhos negros, algo a atraia e não sabia ao certo o que era. Zelão que estava observado Juliana a algum tempo, queria estar o mais longe dali, só de olhar para ela, sentia o coração doer, toda aquela dor do rompimento voltava, o sabor amargo das palavras dela e o olhar sem esperança que ela lhe lançava enquanto quebrava seu coração em pedaços. E isso, era demais!  

 

Amava aquela mulher, e como amava!

 

Faria qualquer coisa por ela, mas tentava esquecer esse sentimento, afogar, esquecer. Simplesmente queria sumir com tal sentimento, sua mãe tinha razão, esse amor era impossível e acabaria com ele. 

 

Um amor de perdição.

 

Quando notou aqueles orbes tão azuis o olhando, sentiu o coração bater mais rápido, teve que fazer muita forças pra desviar o olhar, ou então, seria fraco e iria atrás dela. Tinha que ser frio, mostrar indiferença, tanto para afastar esse amor e convencer a si mesmo, que era melhor sem ela.




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Renato seguia Juliana com o olhar, agora que a moça estava solteira novamente achou que poderia ter chances e quem sabe reatar o namoro, pegou uma taça de vinho e tomou num gole só, precisava de coragem para ir conversar com a Professora. Aproximando-se da moça de cachinhos róseos, disse:

 

— Boa noite, minha cara Professora.

 

— Boa noite Doutor Renato.

 

— Gostando da festa? Sabe, nunca pensei que o Ferdinando se casaria algum dia, ainda mais com Gina Falcão!  – Gargalhou, achava absurdo, achou que o amigo se casaria com uma moça totalmente diferente, alguém mais como Juliana. Mas notoriamente o amigo tinha uma preferencia por mulheres geniosas.

 

— Oras, Gina é uma boa moça e muito querida... só tem que aprender a lhe dar com ela. Por trás daquele jeito todo, ela tem um coração enorme.

 

— É... Meia agressiva, já quase levo chumbo daquela espingardinha dela. Confesso que fiquei com medo! – Renato disse tentando quebrar a tensão que estava, Juliana sorriu com o comentário, sim, sua amiga não era toda paciência. Voltaram a conversar coisas triviais, o doutor falando sobre o posto, que sempre estava vazio, e a Professora falava da escolinha e como amava dar aulas para as crianças da vila.

 

Zelão, que estava atento aos dois, de longe só olhando. Não gostou nada de ver Renato conversando com sua Juliana, e ver que ela, parecia estar gostando da companhia do doutorzinho de meia pataca. Os dois estavam muito à vontade um com o outro. Viu ela gargalhando sobre algo que o rapaz disse, nessa hora, desviou o olhar, parecia que Juliana já tinha superado o término do namoro, ela parecia tão bem, tão feliz, pensou que só ele amara de verdade e tinha dado tudo de si pela relação.

 

Suspirou, era melhor ir embora sem que ninguém percebesse, ficar ali só estava causando aborrecimento. Se esgueirando para ninguém ver, mas foi interrompido por seu amigo que sempre tinha alguma canção na ponta da língua. Este, dizia alguma coisa sobre a tal festa, que Zelão, claro não ouviu uma palavra; estava mais distraído seguindo a Professorinha com olhar. Agora, estava a dançar com o Doutorzinho; tão linda, aquele sorriso que ela tinha e que um dia foi somente dele. 

 

Juliana, depois de muito negar, acabou por ir dançar um pouco com Renato, o moço havia pedido tanto que a jovem acabou cedendo e talvez assim o desânimo que lhe abatera passasse. Enquanto tocava uma música que mais parecia alguma melodia espanhola, lembrou- se do homem que trocara olhares antes do doutor chegar, aproveitou que a música era envolvente e deixou que os acordes guiassem seus movimentos, fazendo suas mãos balançarem no ar. Sentia ao longe, o olhar dele e então rodopiou, sabia, sentia que ele estaria olhando para ela e talvez, somente talvez, a bebida tivesse feito com que Juliana não pensassem nas consequências de suas atitudes. Não dançava com Renato, ela dançava para ele, Zelão, e sabia que o olhar intenso dele deveria estar focado nela e em como seu corpo dançava e se mexia ao som da música. Queria se sentir desejada novamente, não por qualquer um, mas desejada por aquele capataz tão temido por todos. 

 

Levantou o olhar e viu ele, o dono do seus pensamentos estava a observa-la como ela mesma havia imaginado, rodopiou novamente e lhe deu um sorriso travesso, a bebida começava a fazer corajosa demais, e aquela doce melodia só lhe trazia lembranças do namoro, e assim dançava com movimentos que sabia, que ele iria se lembrar. Passou a mãos pelas saias, levantando um pouco e balançando os quadris, de um lado para o outro. Por outro lado, Zelão prestando atenção em cada passo daquela moça que lhe tirava o ar, bufou enfezado, ela só poderia estar testando a paciência dele! E sabia que ela dançava para ele, pois aquela dança era a mesma que vira muitas vezes quando se encontravam para namorar. Juliana gostava de dançar para seu Capataz, ela gostava de ver o desejo nos olhos dele, de ver o quão fascinado ele a olhava. Ela amava esse poder que tinha sobre ele, adorava o ver perder a compostura e deixar todo o respeito por ela dissipar-se momentaneamente, sentir as mãos forte dele a segurarem contra seu corpo e a beijar com vontade, com toda a volúpia que ela tanto amava.

 

Zelão sentiu o ar mais pesado, fazia força para não cair em tentação. Aquilo, aquela dança estava fazendo efeito nele, o sorriso que Juliana lhe dava fazia o coração palpitar, estava sendo seduzido por ela e ele, estava caindo naquela armadilha que tanto conhecia. 

 

Ela agora deslizava as mãos pelo corpete e inclinava o pescoço para o lado, sempre mantendo o olhar fixo nele. Tentou quebrar o contato visual, mas quando a Professora rodopiou novamente o olhando de um modo que Zelão sabia muito bem o que dizia, era um olhar que Juliana sempre o lançava antes dele a tomar para si, de fazer sua amada sussurrar o nome dele de uma maneira que somente ela sabia, no meio do bosque, com apenas a natureza como testemunha daquele amor. 

 

Sem se conter mais, relinchou, empurrou o amigo Rodapé que ainda estava a falar alguma coisa, e passou por todo mundo sem se importar, estava enfurecido, achou que poderia lhe dar com ela, mas se enganou, bastava um sorriso para destruir aquela parede que Zelão tentava colocar entre eles. Desceu até o estábulo, precisava de uma bebida mais forte, algo que fizesse esquecer pelo menos alguns minutos de toda aquela situação. Estava bravo consigo mesmo, por Juliana ainda mexer facilmente com seus sentimentos e sanidade.

 

A música cessou quando o capataz deixou a festa, daquele modo, de supetão. Muitas pessoas ficaram sem entender o motivo da saída repentina do homem, mas a professora sabia muito bem que ela podia ser a causa de tudo aquilo. Afinal, Zelão parecia mesmo disposto a ficar longe dela... Juliana passou os olhos tristes pela pista de dança, observando as pessoas dançarem uma melodia mais calma.

 

— Nunca em minha vida poderia imaginar que você dançasse tão bem! Oras, minha querida Professorinha, quais outros segredos você guarda? 

 

— Eu não sou sua Professora, Renato — Disse firme, sem olhar nos olhos do doutor. 

 

— Calma, só fiz um comentário... Não precisa ser rude. 

 

— Não estou sendo rude. Eu só... Preciso tomar um ar. 

 

— Você está bem, Juliana? — Renato perguntou ao observar a repentina mudança de comportamento dela, ela estava tão linda dançando com ele e então o destratava no minuto seguinte. 

 

Ela acenou com a cabeça.

 

— Sim, Renato... só estou um pouco tonta, é isso. Acho que girei demais. – Sorriu sem graça.

 

— Quem aquele sujeitinho pensa que é?

 Querendo roubar a atenção da festa do patrão para ele. Aliás, nem sei o que ele está fazendo aqui. – Resmungou, tentando desconversar um pouco. Mas pelo modo que a Professora dirigiu o olhar para com ele, sabia que havia feito uma péssima escolha. 

 

— Ah! – exclamou. – Renato, por favor... não vamos falar sobre isso. Agora se você me der licença, eu preciso fazer uma coisa.

 

— Eu não queria falar aquilo… falar dele.– Disse meio a contra gosto, mesmo que não quisesse ceder, sabia que Juliana havia tido algo com o Capataz e mesmo sabendo que ela apenas se enganava com aquele sujeito, era melhor não demonstrar tal coisa a ela. — Posso pelo menos saber onde vai? Posso lhe acompanhar...

 

— Não precisa, vou apenas arrumar meu cabelo e retocar minha maquiagem. Esse vento de inverno bagunçou tudo! – disse, passando alguns dedos pelos fios róseos.

 

— Acho que você está bem assim, minha querida.

 

— Eu não sou sua querida, Renato... Agora, se me der licença. – Distanciou-se dele, caminhando em direção à Casa Grande.

 

Renato ficou a olhando sem entender, de fato, ele nunca entenderia Juliana. 





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Zelão estava sentado sobre algumas palhas. Observava o teto de pedras do estábulo, tentando buscar alguma resposta para sua situação. Tinha uma garrafa de rum na mão, havia tomando apenas dois pequenos goles, bebida nunca fora realmente algo que fazia parte de sua vida. 

 

Tudo que queria era arrancar Juliana de seus pensamentos. 

 

Ele não sabia que feitiço era esse, mas não conseguia parar de pensar nela, parar de amar ela, parar de sentir o cheiro dela. Era um tolo. Um homem feito ele, perdido assim por uma mulher que nem o amava de verdade. Ouviu barulhos de saltos repicando no chão, passos delicados, femininos. Virou-se devagar. 

 

Aquele perfume inconfundível no ar. 

 

Era ela. 

 

Juliana

 

— Zelão? — Ela tinha um olhar abatido, os cabelos um pouco bagunçados pelo vento e os lábios rosados pareciam mais vermelho ainda devido ao frio. 

 

— A s'ora procura argo? – Perguntou friamente. — Não creio que eu possa ser de serventia, entonce, com sua licença. — Disse já se virando para poder ir embora dali quando ouviu a voz dela novamente.

 

— Eu te vi saindo daquele jeito, fiquei preocupada...

 

— O doutor deve estar lhe esperando e não quero aquele sujeito vindo atrás d´ocê. – Ele esperava realmente que o médico não tivesse a seguido. Pois não teria paciência para aguentar os dois esta noite.

 

— Ele não virá – afirmou, Renato nunca iria atrás dela, o doutor tinha um jeito diferente de demonstrar seu bem querer. Por vezes, a irritava o modo que Renato se comportava ou falava. Mas não queria pensar nisso agora.

 

— Acho que a dona deveria vortar pra festa. – Olhou para cima, em direção a entrada do estábulo. 

 

— Não me chame de Dona – Deu alguns passos, ficando mais próxima do capataz. - E vim aqui, atrás de você, porque preciso conversar com você, Zelão.

 

— Mas ô não tenho nada pra conversar com a senhora – respondeu, abaixando a cabeça, não conseguiria olhar para ela e ser forte.

 

— Não me chame de senhora... – A professorinha levou uma das mãos até o peito, que subia e descia. – E temos, pelo menos eu tenho.

 

— Mas eu não estou disposto a lhe ouvir. – falou palavra por palavra, lembrando nitidamente as palavras que ela mesma havia lhe dito quando decidiu quebrar ele por dentro. – Vorte pra festa, Professora. Não há nada aqui para a senhora.

 

— Mas Zelão... – O capataz interrompeu a fala dela quando levantou de repente, caminhando para longe da professora e ficando próximo de uma parede onde tinha uma escada. Ao conseguir recuperar as palavras, continuou: 

 

— Eu não vou voltar. Eu vou ficar aqui e você vai me ouvir.

 

— O seu maior erro, Juliana... é achar que todos a sua volta estão aos seus pés – respondeu, ríspido, traçando um desenho imaginário na parede de pedras a sua frente. — Vorte para a festa, a menina Gina deve de estar lhe procurando e eu já lhe disse, que aqui, não há nada que a senhora queira. 

 

— Não é porque nosso namoro acabou que precisamos agir feito dois inimigos, Zelão.

 

— Eu não sou seu inimigo, Juliana. 

 

— Nós temos boas lembranças, momentos que dividimos, tínhamos uma boa amizade antes de tudo... – Juliana segurou um soluço. — Não precisava me tratar assim! Você está me machucando sendo ríspido desta maneira! 

 

Sentiu as bochechas molharem com as lágrimas que escorriam, sempre fora uma moça forte, nunca deixou que os sentimentos submergissem. Mas ali, na frente daquele homem que tanto proclamou palavras de amor e que agora apenas disparava palavras frias, se sentiu vazia, congelada. 

 

— Machucando? – virou-se, ficando de frente para ela, a passos rápidos aproximou aumentando o tom de voz. — É ocê quem me machuca, Juliana!  A senhora não sabe a dor que estou sentindo, a dor que eu tenho aqui dentro das caixas do peito. 

 

— Não grite comido, Zelão. Não precisa me destratar desta maneira, eu sei muito bem que você não é assim. 

 

— Não estou lhe destratando, Juliana. Mas não preciso me jogar aos seus pés quando a senhora decidir que minha falta de palavras apaixonadas lhe machuca. 

 

— Você está me fazendo sentir como se fosse a culpada e eu, não tenho culpa de nada, Zelão! 

 

— Vá simbora, Juliana. Me deixe sozinho. 

 

— Eu só quero que me ouça, Zelão. Por favor. — Pediu com a voz baixinha, sentia o coração apertar a cada palavra dele. 

 

Zelão se afastou e fez um sinal com os dedos para que ela falasse, imaginava o que ela falaria. Sabia a quão Juliana gostava de seus galanteios e talvez, a moça tivesse esperando que ele se jogasse aos seus pés e implorasse pelo seu amor. Mas ele estava decido a não ceder. 

 

Juliana passou a língua entre os lábios, com relutância em dizer, estava com medo. Queria falar, mas estava com medo de suas próprias palavras. 

 

— Eu sinto muito por tudo isso. 

 

Ficaram em silêncios por alguns minutos e Zelão a olhou da cabeça aos pés. O que diabos ela estava fazendo ali? Só poderia estar brincando com ele, nitidamente a jovem Professora não tinha nada a dizer. 

 

— Era só isso? — Perguntou com a voz rouca, deixou a garrafa de rum em cima de um caixote e caminhou para longe da jovem. 

 

— Zelão... – Juliana aproximou dele e tentou tocar no ombro do capanga, mas este se esquivou do toque gentil da jovem. — Não me trate assim! Por favor! 

 

— Se a s'ora quinsé, posso me ajoelhar aos seus pés e pedir perdão pela maneira como estou lhe tratando. — As palavras eram todas carregadas com um veneno que Juliana não pode deixar de sentir, eram palavras amargas, ele estava tripudiando dela e ela sentia isso com o tom carregado e com as palavras que ele prenunciava de maneira errada, sabia muito bem o que ele estava fazendo e se sentiu tola.

 

— Zelão? Eu não estou lhe conhecendo mais. — Disse com a voz triste e um olhar de desaprovação. 

 

O capataz se virou lentamente e a olhou intensamente, observou as bochechas molhada dela e rezou para ter forças e realmente não se jogar aos pés dela. 

 

— Eu sou só um matuto que quer paz, Juliana. Não quero sofrer mais do que já sofri. Essa dor, não passa. Ao contrário da senhora, eu amei verdadeiramente, com todas as forças que eu tinha…, mas não posso ficar aqui com ocê fingindo que estamos bem, que suas palavras não me quebraram por dentro. Eu só peço, para que me deixe. Apenas isso. 

 

— Mas eu não quero… me desculpe, mas eu não quero ter que deixar você, Zelão! 

 

O Capataz fechou os olhos e segurou a enorme vontade de chorar, por todos os Deuses! Porque ela tinha que ser assim? Porque Juliana tinha que ser essa bagunça toda? 

 

— Na verdade… eu estou com saudades. — Sussurrou como se fosse um segredo. — Saudades de você, de sua voz, de sua prosa… da maneira como me olha, de como me abraça e faz tudo parecer tão fácil! 

 

— Vá simbora, por favor. — A voz dele estava embargada, sentia novamente aquele amargo em sua boca. Já sabia que iria cair novamente naquela escuridão e apenas desejar o fim de tudo. De sua vida. 

 

— Eu amo você. — Deixou escapar, em um sussurro, apenas um sussurro. 

 

— É mentira. Não minta pra mim, Juliana. 

 

— Não estou mentindo, Zelão... — Chorou.

 

Juliana aproveitou da proximidade do capataz para segurar os ombros dele e o trazer para si. Ergueu-se na ponta dos pés, e envolveu seus braços no pescoço do capanga, aproximando seu corpo do dele. Em seguida, seus lábios tentavam encontrar os de Zelão que virava o rosto em direções opostas ao dela, tentando evitar o beijo. A professorinha podia sentir a respiração pesada, a relutância, os movimentos bruscos dele, o arranhar da barba contra a pele macia do rosto dela. Com uma das mãos, segurou o rosto dele, fazendo seus lábios se encontrarem. O capataz tentou resistir ao beijo de sua amada, pois sabia que ao sentir o gosto dos lábios dela, estaria perdido. Travou uma luta contra si mesmo, pois ansiava por aquilo, mas quebraria a promessa que fez a si mesmo.

 

Juliana percebeu ele se acalmar em seus braços, e abrir a boca para encaixar na dela. E foi então, que se beijaram. Os lábios de Zelão necessitados dos dela, se movimentavam rudes contra os macios. Ele perdido no gosto bom dela, na maciez dos lábios, da pele. Levou as mãos até os quadris, subindo e descendo, explorando as curvas delicadas e a trazendo cada vez mais para si. Juliana então, se segurou nos ombros, e nos cabelos e no rosto, suas mãos não paravam quietas enquanto a língua de Zelão acariciava a sua. Depois de um tempo, a professora parou o beijo para recuperar o ar. Ambos ofegantes. O capanga a segurou pelos cabelos, colando sua testa na dela. A doce voz de Juliana preencheu seus ouvidos;

 

— Eu lhe peço, nem que seja a última vez, que me deixe lhe dizer algo que você merece muito ouvir...

 

Zelão, abriu os olhos, e a respondeu assim mesmo, a olhando com ternura.

 

— Nunca estive mais certa em minha vida, como estou agora... Eu amo você, amo sua voz, seu olhar, a maneira como me trata. O modo como me faz me sentir tão feliz em seus braços, como consegue varrer todo o medo e receio para longe. Eu sei muito bem o que disse... E digo, que foi apenas para lhe afastar, estava com tanto medo! Não de você, nunca tive medo de você, meu amor… – Zelão afundou o rosto no pescoço dela, deixando aquelas palavras cheias de afeto preencher seus ouvidos, acalmando sua fúria de minutos atrás. – Haviam tantas questões, tanta coisa! Mas meu maior medo foi ficar sem você, me senti perdida, sem ter para onde correr… você se tornou um lugar que eu posso me esconder e apenas ser eu mesma… sem precisar ser forte o tempo inteiro! 

 

O capataz não ousou interromper as palavras dela, tinha sua própria luta interna, sorriu, ele estava certo. Sempre esteve.

 

Juliana o amava

 

Por todos os Deuses, esperou tanto por isso. Ouvir a quão errada ela estava, ter sua doce Professora Juliana pedindo por ele. Zelão beijava as bochechas, e o maxilar, e o pescoço, a fazendo gaguejar; 

 

 – Eu amo... eu... amo você.

 

— Olhe pra mim, Juliana. — Segurou o rosto dela entre suas mãos e encontrou aquele par de olhos que tanto amava. — Repete, repete aqui para mim o quanto ocê me ama. Diga, olhando em meus olhos. 

 

— Eu amo você. — Ela disse, os olhos brilhavam. — Eu amo você e quero me sentir amada novamente, Zelão... Você irá me amar? — Juliana mantinha um olhar fixo no dele e novamente Zelão pode ver aquele brilho que tanto conhecia. Aquela paixão entrelaçar com o amor deles. 

 

— Sim. Sempre irei lhe amar, minha Professorinha.

 

— Sua… somente sua. — Sussurrou somente para ele. — Me ama… por favor, me ama. 

 

Zelão sentiu seu corpo ser tomando por um desejo e sabia que estaria perdido com aquela Professorinha. De certo que dividiram alguns momentos mais íntimos, mas eram o suficiente para Zelão entender o que aquelas palavras diziam. A jovem apenas fechou os olhos sentindo o calor emanar do corpo de seu amado, a acariciando, ele abaixou sorrateiramente e percorreu os dedos por debaixo das saias, as mãos sendo preenchidas pelo amontoado de tecidos do vestido e a puxou para si. Juliana enroscou as pernas ao redor dos quadris dele com força, assim como os braços envolviam os ombros o abraçando firme como se fosse perdê-lo a qualquer instante.

Zelão a suspendeu nos braços e a levou até a parede de pedra, a encostando contra a mesma e a prensando entre seu corpo e a parede, ela sempre tinha um jeito de falar, uma maneira de fazer com que ele acabasse por amá-la por completo, fugiam do figurino e depois riam da bobagem que faziam.

 O capataz voltou a afundar o rosto no pescoço dela, sentindo o perfume, a suavidade dos cachinhos rosados roçando em seu nariz. E não pode deixar de provar daquela pele de seda, mordendo a lateral do pescoço, sugando, ele descobriu que adorava ver as pequenas marcas de amor que deixava na pele branquinha dela. Juliana permitiu que suas lágrimas rolassem sem pudor, misturadas com a emoção, com a sensação de desejo que ela a evocava, com a tristeza que ia embora.

 

— Eu preciso d'ocê pra viver, Juliana...

 

— Amado...

 

— Quando eu olho nos seus olhos, ocê entra dentro deu e me faz ter vida.

 

— Me ama, Zelão, me faz sua... me tenha.




───────────────



Juliana matinha as pernas envoltas na cintura do capataz, este procurava espaço por baixo do vestido, das saias da anágua, até sentir a pele macia das coxas contra suas mãos e não pode conter um saudoso suspiro que insistia em escapar de seus lábios. 

 

A doce Professorinha percorreu uma das mãos pelos cabelos dele, removendo o chapéu em seguida voltou a abraçar o pescoço de seu amante, ainda com o chapéu em uma das mãos.

 

 Zelão cravou os dentes novamente no pescoço da jovem, que deixou um sonoro suspiro escapar, logo a sensação de ardência da mordida foi substituída pelo frescor da língua dele, acariciando a pele macia. A jovem inclinou o pescoço para trás dando espaço para ele continuar sua exploração. Percorria os dentes de leve pela região do pescoço dela sendo apenas impedido pelo casaco de pelo rosado que cobria o resto. Voltou a beija-la com ardor. Provando daquela boca macia e volumosa que tanto sentiu falta. Já Juliana adorava a sensação da barba roçando contra seu rosto. O movimento firme, chegando a ser até mesmo rude, da boca do capanga contra a sua. O aperto das mãos ásperas dele em suas coxas.

 

Nunca sentiu tamanha paixão em sua vida. O capataz estava perdido nas sensações e sua vontade de fazer alguma bobagem crescia a cada beijo. 

 

Queria ouvir ela chamar o nome dele como uma prece. Ouvi-la falar juras de amor em seus ouvidos, poder novamente ouvir sua doce Professora clamar por ele e apenas ele.

 

Os lábios dela eram como vinho, mas também era seu veneno. Sabia que estaria sempre perdido por ela. Estava decidido a esquecer, a matar esse sentimento. Mas bastava ouvir aquela voz, as feições delicadas do rosto dela, a doçura de seus gestos que ele esquecia o mundo e tudo era somente ela.

 

Juliana

 

Sua mente estava tão longe, tão inebriado com o perfume de sua amada que mal teve tempo de deter suas mãos que seguravam firme o corpo esguio dela. Seus pés caminharam até um canto menos iluminado, pelo caminho, uma breve dança e troca de olhares...

 

Mas não podiam, não ali. Não assim.

 

— Zelão?

 

Ele a segurou mais firme ainda e a levou para onde uns caixotes estavam. Sentou Juliana sobre eles e observou aqueles orbes azuis tão puros e ao mesmo tempo tão cheio de malícia, aprendeu a traduzir cada olhar da Professora. Zelão respirava com dificuldade, o peito subindo e descendo rapidamente. Aproveitou dos poucos minutos afastados e recuperou a postura respeitosa que sempre tinha, sabia que seu desejo por ela já se mostrava evidente e pelo olhar que Juliana o lançava, ele sabia muito bem que ela já estava ciente disto. 

 

— Juliana?

 

E ela sorriu, daquela maneira que tanto o enfeitiçava. Ele, apaixonado, passou o polegar levemente pelos lábios rosados dela, o olhar negro dele gravava cada segundo. Admirou ela, bochechas rosadas, pele branquinha, aqueles olhos clarinhos o olhando, com desejo. Apertou o maxilar, aproximando seu corpo do dela, sentia o calor de sua amada. 

 

— Eu queria lhe fazer minha, aqui mesmo. Mas não posso fazer isso c'ocê… conosco… — Em um momento de respeito, Zelão se recompôs, ainda podia ouvir a música tocar lá fora e as vozes animada. — Mas eu sei, aqui dentro. — Suas mãos seguraram as de Juliana e levaram até seu peito, onde batia o coração. — Sei que ocê é minha.

 

— Quanta pretensão, Zelão. — Respondeu com um sorriso terno nos lábios, ela sabia que as palavras dele eram verdade. Sentia que era verdade, que seu amor pertencia a aquele homem tão bruto. Havia algo nele, que Juliana nunca poderia esquecer, talvez fosse o amor tão puro ou a maneira como ele a olhava. Ela não sabia, apenas gostava, amava.

 

— Não fuja de mim, Juliana… — Sussurrou, um pedido que fez o coração da Professora palpitar forte. 

 

— Nunca, nunca, nunca. 

 

— Eu lhe amo, um amor tão enorme de grande que as vezes… sinto que vou me afogar nele. 

 

Juliana levou a mão até o rosto do amado e enxugou uma lágrima solitária que escorria pela bochecha dele. 

 

— Eu também lhe amo. — Sussurrou para ele, olhando fixamente para aqueles olhos negros, havia tentado calar esse sentimento. Tentando se convencer que era melhor assim. Mas agora, ali, olhando nos olhos apaixonados dele, queria apenas esquecer tudo o que houve e apenas ser amada por aquele homem. — Eu tinha medo, mas não quero sentir isso… não quero perder meu único amor.

 

— Amor… — Zelão repetiu a palavra e se viu perdido em uma felicidade que crescia em seu peito. 

 

— Sim, amor. — Juliana disse sorrindo, pela primeira vez em tanto tempo, se sentia feliz. Estava feliz, ali, com aquele homem que julgou ser tão errado. — Eu amo você, Zelão. Amo! 

 

— Então fica com eu, fica com eu. Juliana. — Disse enquanto segurava o rosto dela entre suas mãos, ambos sorriam com os lábios, com os olhos e principalmente com as almas. 

 

— Sim! Sim! Sim! Eu quero você, amor. Eu te amo tanto, Zelão... Tanto! — Juliana beijou cada uma das mãos dele e sentiu pela primeira vez após tanto tempo, que ali, nos braços dele, era de fato o seu lugar.

 

Zelão sorriu tímido e segurou o rosto da amada, trouxe seus lábios para perto do seu e deixou que um beijo apaixonado tomasse conta dos lábios de ambos. Juliana tinha algo que o fazia esquecer de tudo, era como fogo e ele, era como palha. 

 

Juliana se perdia nas sensações e no próprio desejo, já não ouvia a música vim lá de fora, apenas podia ouvir seu amado suspirar e dizer poesias entre um beijo e outro. Inclinou a cabeça deixando o pescoço vulnerável e ele entendeu, Zelão desceu os lábios para a pele sensível e beijou a região, deixava a língua passar suave pela pele macia dela. 

 

— Ocê é tão formosa – parou, passando o bigode pelo pescoço de Juliana e ouviu a risada dela, aqueceu o coração a ver assim. – Tão jeitosa – Sentiu os dedos dela o puxarem mais e não pode deixar de beijar novamente a pele branquinha dela — Toda "assim-assim" — Não pode evitar um sorriso fino que começará se desenhar em seus lábios e quando se deu conta que os beijos evoluíram para pequenas mordidas, já havia deixado a pele branquinha dela um tantinho vermelha.

 

— Cuidado, Zelão… — Disse manhosa, agradeceu pelo clima frio, assim não precisaria tanto esforço para esconder as marcas de beijos que tinha certeza, que ficariam em sua pele.

Juliana riu e ouviu a risada dele acompanhar a dela, pareciam depois jovens sem juízo. 

— Me adescurpe, das vezes, eu não consigo me segurar... Minha flor do campo. 

A doce Professorinha passou a mão no rosto do amado fazendo o olhar de ambos se encontrarem e Zelão sentiu um frio percorrer sua espinha, aquele olhar ele já conhecia. Sua amada professorinha Juliana sempre fora sinônimo de tentação, por vezes, se via tão perdido em seus encantos que mal podia pensar no que estava fazendo ou dizendo. Ela sempre teve esse poder sobre ele, sempre. 

 

— Não acha melhor vortarmos pra festa, minha flor? — Disse quando sentiu seu desejo voltar aos poucos, tinha que ter muita força pra não fazer uma bobagem, estava com tantas saudades de sua amada que qualquer fagulha seria o suficiente para começar um fogaréu ali.

 

— Não, tenho uma ideia melhor. — Sorriu com um tantinho de malícia.

— E qual seria? — Perguntou desconfiado e rezou baixinho para que sua amada não o atentasse mais do que já estava, pois, ele não sabia se tinha tanta força assim para impedir seu desejo de ter ela ali mesmo. 

 

— Me leva para passear, ver as estrelas e ouvir sua prosa tão simples, mas cheia de poesia. — Riu, com o olhar sapeca e com a áurea iluminada. Zelão, não pode deixar de atender ao pedido tão meigo e silenciosamente, agradeceu aos Santos por ouvir suas preces. 

 

— Ocê não acha que esse povo todo vai achar que eu lhe roubei, Juliana? 

 

— Deixe que pensem... Não me importo com o que digam, eu quero você e quero ficar com você... E depois, me roubar um pouquinho não seria tão ruim assim, seria? — Balançou os ombros enquanto fazia um biquinho, Zelão achou aquilo extremamente tentador. 

 

— Se a Perfessora concordar, ieu posso lhe roubar um tantinho assim. — Disse com aquele sotaque carregado que sabia que sua flor gostava, ela por sua vez, sorriu e concordou com a cabeça. 

 

Zelão sorriu antes de aproximar e dar um beijo apaixonado em sua amada, concordou em silêncio. 

 

— Eu lhe levo… ver as estrelas e tudo mais o que ocê quinzé. Um pedido seu, é como uma ordem pra mim. 

 

Juliana por sua vez, colocou o chapéu novamente em seu capataz e arrumou a roupa dele.

 

— Iremos no Quarta-feira? — Disse manhosa e arrancou um sonoro riso dele. Como ela gostava daquele equino.

 

— Sim, no destemido Quarta-feira. — Ele fez uma pausa e a olhou, tão linda, era de fato a imagem de uma Santa. E ele nunca se cansaria de clamar o nome dela, de amar ela, de fazer de tudo para ver aquele brilho nos olhos azuis de Juliana. 

 

Agora, com as roupas arrumadas e o coração quentinho, estavam felizes, juntos para todo o sempre. 

 



Notas Finais


Hey! Bem, esta oneshot foi apenas uma "re-postagem", com algumas alterações aqui e ali. Nada demais, apenas algumas coisas que julguei que ficariam "melhores".


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