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História Andare avanti - Capítulo 22


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 22 - Capítulo 20


Uma clima estranho pairava sobre nossa casa desde o dia em que Trish e Abbacchio tiveram uma conversa meio "difícil", de acordo com que a própria nos disse.

"Nunca vou entender toda essa fascinação que todos têm por Bucciarati, mas Abbacchio... Tudo bem que ambos são amantes e que Abbacchio tenha certa devoção pelo capo, só que eu realmente não consigo ver Bucciarati dessa forma. Para mim, ele é só um homem triste e solitário que se satisfaz brincando de casinha..."

Desnecessário dizer que Mista se tornou ainda mais hostil com ela depois de ouvir tais palavras. E eu o entendia, afinal, nosso capo era o mais próximo que eu tinha de um pai.

E filho algum gosta de ouvir seu pai sendo insultado.

Depois disso, mal conseguíamos conversar com a garota. Quando não estava comprando algo para sua viagem, Trish se trancava em seu quarto por horas e ficava lendo romances, talvez sonhando com o dia em que se apaixonaria por alguém cujo coração já não estivesse ocupado.

Por outro lado, Abbacchio também vinha agindo de forma diferente da habitual. E é claro que isso preocupou a todos nós.

Ele era o primeiro a sair de casa e o último a chegar, muitas vezes com a noite já avançada. As vezes em que todos dividíamos as refeições juntos à mesa se tornaram raras e, quando finalmente isso acontecia, Abbacchio parecia aéreo, como se algo lhe escapasse por entre os dedos. Mesmo Bucciarati não conseguia alcançá-lo e isso era o mais estranho de tudo.

Questionado pelo capo, o ex-policial apenas disse que não havia motivos para se preocupar, mas é claro que tal afirmação provocou o efeito contrário. E então Bucciarati nos chamou para uma missão que me deixou um pouco incomodado.

"Quero que vocês dois sigam Leone e me digam o que ele está fazendo. Ele nunca foi de me deixar sem respostas, mas agora..."

"Mas o que GioGio e eu temos a ver com a briguinha de casal de vo..."

Tampei a boca de Mista antes que ele continuasse falando mais coisas das quais certamente poderia se arrepender.

"Tudo bem, Bucciarati. Nós vamos cumprir a missão, mas... você tem algo em mente? Acha que Abbacchio está envolvido em algum assunto que não esteja relacionado à Passione?"

Nosso capo me encarou sério, como se eu tivesse acertado na mosca.

"Sim... e não. Na verdade, pedi a ele que cuidasse de algo para mim e imagino que aquele cabeça-dura tenha levado minhas ordens ao pé da letra. Eu só não quero que... 'aquilo' se repita."

Mista não percebeu nada, mas o tom de voz de Bucciarati ao pronunciar a palavra "aquilo" chamou minha atenção.

Eu já desconfiava há algum tempo de que Bucciarati sabia que ele e os outros tinham "ressuscitado" devido ao poder do Réquiem do Golden Experience, mas, se ele não dissera nada até agora, então eu agiria como se não tivesse notado.

Afinal, ele também havia confiado em mim quando me contou durante a batalha a respeito da verdadeira situação de seu corpo naquela ocasião.

E então, atendendo às ordens de Bucciarati, Mista e eu passamos a seguir Abbacchio. Nosso capo não havia dito absolutamente nada sobre a missão que dera ao ex-policial, mas não era necessário.

Não quando a maioria das pistas estava no "sim e não" de Bucciarati.

Ele não afirmara com todas as letras que Abbacchio estava metido em algo relacionado à Passione, mas também não negara. Eu sabia que podia ter alguma coisa a ver com a posição de chefe que Bucciarati ocuparia muito em breve, mas também desconfiava que havia um outro objetivo entranhado ali.

E que isso provavelmente estava relacionado a mim.

Vi alguns papéis sobre a mesa de Bucciarati há alguns dias e, embora ele não tenha feito questão de escondê-los, também não deixara à vista todas as informações de que eu precisava para tentar juntar o quebra-cabeça que se formava diante de mim.

A maioria dos arquivos eram sobre famílias rivais e aliadas da Passione, mas um dos nomes que surgiu ali me chamou a atenção.

"Mango Acerbo".

Esse era o nome do meu padrasto e descobrir que ele realmente tinha ligação com a máfia me incomodou.

Afinal, uma família que acolhesse um calhorda que levanta a mão para crianças merecia ser exterminada.

Mas o pior de tudo era que Mista parecia saber de algo. Quando conversei com ele a respeito do que descobri, meu amante se engasgou e disse algo que era bem típico dele.

"V-você deve ter visto errado, amore... Pensa bem, por que Abbacchio investigaria seu padrasto? Tudo bem que ele era um grande filho da puta que batia em você e eu adoraria matá-lo com minhas próprias mãos, mas... Não acho que isso tenha algo a ver com os planos de Bucciarati para assumir a chefia da Passione..."

Estava na cara que Mista não sabia mentir e, enquanto me enrolava, me disse tudo o que eu precisava saber.

Provavelmente, Bucciarati se sensibilizou com minha história de infância e resolveu colocar Abbacchio na cola de meu padrasto, afinal, que pai não protege seus filhos?

E, como o infeliz parecia estar ligado à máfia de alguma forma... se ele tentasse atrapalhar a ascensão de nosso capo... ninguém questionaria o aparecimento de um cadáver a mais.

Afinal, os assuntos se resolviam dessa forma na máfia.

Sendo assim, só me restava encontrar o que Abbacchio estava procurando...

...e todas as peças do quebra-cabeça estariam completas.

XxX

- Estamos aqui há horas, GioGio... Os baixinhos estão ficando com fome e eu também...

Mista e eu seguimos Abbacchio por muitos dias, mas não conseguimos nada de concreto. Descobrimos apenas que o braço direto de nosso capo andava visitando diversos prédios abandonados de Nápoles e deduzimos então que ele procurava algo, já que fazia Moody Blues reproduzir o que tinha ocorrido em cada um daqueles locais e desistia tão logo percebia que não havia mais o que procurar.

Mas hoje tudo parecia diferente.

Dessa vez, o replay de Moody Blues parecia mostrar algo que realmente valia a atenção de Abbacchio, a ponto de ele ficar completamente concentrado na reprodução.

Mista e eu estávamos longe o suficiente para compreendermos o que se passava ali de fato, mas reconheci meu padrasto em várias partes daquele replay.

E senti algo formigar dentro do meu peito ao ver que ele parecia amedrontado.

Aquilo não era compaixão.

Era prazer.

E isso me assustava.

- Oe, GioGio... Está me ouvindo...?

A voz impaciente de meu amante me trouxe de volta à realidade e então tentei varrer aqueles pensamentos da minha mente.

Eu não era igual ao meu verdadeiro pai.

Ou era...?

- Tenha calma, Mista... Não creio que Abbacchio vá se demorar muito mais...

Mista desfez a postura alerta e se aproximou de mim com um semblante preocupado, como se tivesse lido minha mente.

- O que você tem...? Tá pensando em coisas desnecessárias de novo?

- Desnecessárias...?

- Sim. - Ele me abraçou por trás e senti o bafejar de sua respiração ao pé do meu ouvido, o que me fez estremecer por inteiro - Sabe que seja lá o que Bucciarati ou Abbacchio estiverem tramando, é para o bem da organização, não?

- Sei, entretanto... não entendo por que Bucciarati faz tanta questão de perseguir meu padrasto. Ele não é ameaça alguma...

- Por acaso... não quer que esse maledetto receba o que merece, amore...?

A língua de Mista lambia meu pescoço timidamente e senti meu baixo ventre latejar, a vontade de ter meu amado dentro de mim gritando desesperadamente.

- N-não é isso... Aaah... Pare, Mista... Aqui não...

- Hmmm... Tem razão... Esse lugar é imundo demais, não é digno de um príncipe como você...

- D-de onde você tira essas ideias...?

Mista me virou para si, mas um grito cortou aquele lugar antes que ele pudesse me responder.

- AAAAAAAAH!

Nos viramos para ter certeza de quem havia gritado e o que vimos nos deixou sem chão por alguns instantes.

Abbacchio jazia caído no chão, inconsciente.

Sem nos importar com a discrição, Mista e eu corremos para junto dele. Meu amante o amparou em seus braços e vi seu rosto trigueiro ficando pálido ao se dar conta de que Abbacchio não parecia bem.

- Abbacchio! Cara, o que aconteceu?

Seus cabelos longos estavam parcialmente sujos, devido à imundície impregnada àquele local fétido e ele não dava mostras de que recuperaria a consciência.

- Anda, cara! Acorda! GioGio, faz alguma coisa!

Invoquei Golden Experience, mas não havia o que eu pudesse fazer. Abbacchio não estava ferido, apenas parecia dormir um sono profundo.

- Vamos levá-lo de volta para casa, Mista. Não adianta nada ficarmos aqui.

Assentindo, Mista deu um jeito de carregar Abbacchio em suas costas e fomos direto para o nosso carro.

Enquanto Mista tentava deixá-lo confortável dentro do veículo e depois se postava ao banco do motorista, dirigindo o mais rápido possível rumo à nossa casa, minha mente trabalhava a todo vapor.

Eu não consegui ver o que tinha acontecido, mas não havia dúvidas de que Abbacchio estava no meio do replay quando perdeu os sentidos.

Decerto havia "algo" ali.

Algo que não era páreo para Moody Blues.

E, se nem o stand de Abbacchio fora capaz de revelar o que meu padrasto estivera fazendo naquele local pútrido...

Como qualquer um de nós poderia?





Notas Finais


Estou demorando um pouco para atualizar essa fic porque ela exige bem mais do meu cérebro e também porque continuo enrolada com o trabalho, mas confiem em mim, eu estou sempre pensando nela!

Espero que tenham curtido esse capítulo!

Até a próxima atualização! ^^


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