História Andrean, nem gênero, nem raça, nem cargo: só ser - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Crime, Dor, Drama, Gênero, Raça
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Palavras 323
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lírica, Survival, Violência

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Único


Andrean era mulher, era negra, era idosa e calejada.

Mas não era prendada, não foi escrava, não ganhou os calos na roça. 

Andrean era mulher antes do empoderamento empoderar nos seios sociais. Rejeitou homem, rejeitou mulher, só lhe bastavam os amigos, a família, aqueles pelos quais sentia amor. 

Andrean era negra antes das cotas raciais. Não sabia o que significava, pois admitir a existência de raças além da humana lhe era pura contradição. Mesmo assim se formou, e não carregava a esmeralda no berço. 

Andrean foi aprendiz, era mestra, será lembrada... Ela fez pedagogia, entrou em primeiro lugar com nota mais alta que do curso de engenharia. 

- Essa é uma besta mesmo - Diziam uns. 

- Trás ela aqui que eu convenço - Diziam outros. 

Não! Dizia a si própria. Os outros tem seu sangue, eu tenho o meu. Coração bate em um só corpo. Se eu viver à dispor dos lados não serei eu, serei apenas minha esquerda e minha direita. 

Não foram poucas as quedas. Não foram poucas as razões que encontrou pra desistir. Demasiados foram os punhos a encontrar o concreto, mas se abandonasse tudo não seria Andrean, seria outro.

Andrean, essa Andrean... Não se resumi ao gênero, nem a quantidade de melanina, nem as marcas que carrega. 

Andrean não era o que se entendia por rico, mas tentou ser sempre Andrean, a Andrean que se adaptava e melhorava, que passava o que acreditava ser a trilha da paz. Nunca deixou de tentar mudar os vagueios alheios. 

Foi à rua, mas não pra mostrar que existia, pra pedir que existisse pois era ser humano, e como ser humano não era homem, não era mulher, nem negra, nem pobre, nem professora muito menos minoria... E será que eles entenderam isso? Será que quando a seguiram e a esfaquearam na nuca entendiam o que ela era? 

Andrean morreu ontem. Ou será hoje? Não, tenho quase certeza de que será amanhã. Não é mesmo? 


Notas Finais


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