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História Anéis de Papel - Capítulo 2


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Notas do Autor


Sim, já voltei porque estou muito feliz hoje e se eu estou feliz, quero os meus leitores felizes também!!!!!!!!
Boa leitura :)))))))))

Capítulo 2 - ... 'cause I've waited my whole life


Fanfic / Fanfiction Anéis de Papel - Capítulo 2 - ... 'cause I've waited my whole life

Me beije uma vez porque você sabe que eu tive uma longa noite 

Me beije duas vezes porque assim vai ficar tudo bem 

Três vezes porque esperei minha vida inteira (1, 2, 1, 2, 3, 4)

Se Lica se mostrou uma descarada no começo de tudo, eu fui na linha de fingir que nada que ela fizesse me abalasse e me deixasse que nem uma bocó após um dia inteiro de conversas gostosas, interessantes e boas demais de se estar

Quando ela me deixava na porta de casa, eu só deitava em minha cama e repassava todo o encontro na minha cabeça com um sorrisão pro teto como se não tivesse acabado de sair dele. Lica nunca me beijou nesses primeiros encontros - e nem tentara - mesmo eu sabendo que ela estava muito interessada em fazê-lo.

Tudo porque eu aceitei sair com ela na condição de que não iria querer nada de mais. Apenas um encontro, algumas bebidas e comidinhas gostosas ao visitar lugares interessantes em uma noite na cidade de São Paulo que mesmo eu morando lá desde que nasci, só ela, entre nós duas, conhecia.

O problema é que um encontro virou dois, que dobrou para quatro e aí já era quase um mês de nós duas nessa rotina e eu, especialmente, ficando um tanto quanto impactada pela presença dela e pelo que crescia dentro de mim toda vez que eu pensava ou falava com ela.

Eu já estava no ponto de ficar constantemente distraída no meu trabalho - e nada me deixava distraída no meu trabalho porque era o meu maior objetivo de vida ter um cargo melhor e mais reconhecido - e contar os dias para nos vermos novamente porque sentia falta da companhia agradável dela que tinha se tornado um novo vício pra mim.

Veja bem, eu a achei atraente e bastante instigante quando me convidou para sair - o que poderia ter sido um erro completo aceitar um encontro a duas com uma completa estranha só porque eu pensei mais com a emoção do que com a razão, mas até aí quem nunca, não é? - , foi só sob essa condição que eu aceitei a proposta de encontro com ela, Lica nada reclamou e ficou plenamente feliz só de eu ter concordado, nunca insistindo muito para que eu fosse além do que eu havia prometido com ela, mas sempre deixando a entender que ainda queria algo a mais.

Mas eu mesma já estava arrependida dessa maldita condição que impus porque Heloísa Gutierrez já mexia o suficiente comigo para me fazer pensar a todo momento em como queria me agarrar a ela o mais rápido possível e ter aqueles lábios colados nos meus.

Ela não era mais uma desconhecida, quando me dei por mim já passava de dois meses e até a sua mãe Marta e sua irmã Clara eu tinha conhecido quando ela me chamou para um churrasco em sua casa (Lê-se mansão), com direito a ter as suas amigas e todos os companheiros delas também e assim entendi que eu era a companheira dela ali, o recado dado era que se eu quisesse, ela faria eu estar no mesmo patamar que Ellen e Lito, por exemplo: um casal.

Nessa altura, Lica já tinha conversado comigo sobre as intenções e os sentimentos dela e eu praguejei novamente a minha decisão ruim de dizer que queria só encontros e nada mais que isso.

- Sammy, eu fui tola em achar que os meus sentimentos por você fossem ir diminuindo - disse ela, de repente, após termos saído da sessão de um filme e ter me acompanhado até o meu apartamento como sempre fazia - Não vou negar que antes eu queria só que a gente se pegasse por uns dias e depois seguiríamos nossas vidas como a maioria das pessoas fazem, mas agora tudo mudou e eu quero que saiba que penso em você muitas mais vezes por dia do que eu acho ser normal pensar em alguém. Você é mil vezes mais interessante do que esse filme que acabamos de assistir, que sequer me lembro o nome ou a história porque é impossível acompanhar qualquer outra coisa quando alguém como você fica ao meu lado. Aliás, atrevo-me a dizer que você é mais interessante do que toda obra de arte produzida que consumi desde que me entendo por gente e, bom… Você sabe o quanto eu consumo arte.

"Acho que o que estou querendo dizer aqui é que é possível que eu esteja começando a me apaixonar por você e é tão bom, tão leve, tão fácil, mas… dói um pouco. O que é normal, eu presumo. É o que dizem os tais românticos, não é mesmo? Mas não se preocupe. Esse arder aqui dentro de mim que está me corroendo aos poucos não é culpa sua. É apenas um sintoma normal de quem está passando por esse estágio da paixão e apesar de incomodar um pouco, eu até esqueço quando lembro que o motivo desse rebuliço todo aqui dentro de mim é você.

- Lica, eu… - me aproximei do rosto dela.

- Não - negou com a cabeça me afastando um pouco dela - Vou me arrepender de dizer isso, mas não quero me beije hoje. Não quero que pense que eu disse tudo isso apenas para que conseguisse um beijo seu. Não quero que presuma que eu sou uma charlatã barata que fala coisas intoleravelmente românticas só porque é a minha parte sexual falando isso. O que estou fazendo aqui, na verdade, é algo que eu raramente faço. Eu nunca consegui me expressar dessa forma. Geralmente, faço isso através da arte, que é onde me sinto mais confortável. 

"Mas acho que é isso que você faz comigo, por ti eu faço essas coisas mais espontâneas mesmo sem saber o que você pensa de mim direito, estou atirando no completo bleu me declarando que nem uma idiota na porta da sua casa num domingo à noite porque eu simplesmente não estava aguentando mais e tive que expor esses sentimentos."

- Lica… A-acho que eu não sei o que te dizer - eu realmente não sabia, mas era porque nunca tinha escutado aquilo, não daquela forma tão honesta, e a minha reação foi justamente não ter reação, um erro porque isso fez Heloísa achar que eu não tinha gostado.

- Nossa… Me desculpa, Sammy. De verdade - dava para ver os olhos dolorosos dela - Acho melhor sermos só amigas então, né?

- O quê? Não, Lica, eu...

- Ou nem isso. Você que sabe. O que você disser, eu acato a ideia - ela estava nervosa e nem conseguia me encarar mais - Quer saber? Tá tarde, né? E precisamos acordar cedo amanhã para trabalhar. Eu na Galeria e você na Revista, não quero te incomodar com essas besteiras que digo.

- Não é besteira, Lica. Na verdade, eu…

- Tchau, Sammy - me deu um beijo na bochecha como ela sempre fazia ao se despedir de mim e saiu ao encontro do elevador rapidamente, e eu ali me sentindo uma idiota por não ter o mínimo da coragem que ela teve e reverter toda essa bola de neve que criei.

Heloísa me comparou com arte e isso era como se ela estivesse me dizendo que me considerava parte da vida dela, uma bem importante, e só fazia me lembrar que eu deixava a pobre mulher pensar que eu não queria que ela me beijasse, e tudo isso por puro orgulho.

Sim. Orgulho era o motivo de tudo. Porque parando para analisar, eu já beijei por bem menos pessoas completamente aleatórias em bloquinhos na época de Carnaval ou em shows de bandas de rock desconhecidas que eu ia justamente com esse objetivo, o negócio era que eu ainda queria me vingar da noite em que nós duas nos conhecemos. Decidi aquilo quando aceitei o encontro que, por ela ser tão cabeça dura a ponto de não pedir desculpas, ela iria pagar muito caro por isso.

Mas como a sagitariana que sou, haviam dois problemas: Eu perdoo fácil demais assim que a raiva passa, mas por ser orgulhosa demais, a pessoa perdoada não fica sabendo do tal perdão. Simplesmente não queria dar o braço a torcer e admitir que já sentia tanta vontade de me jogar nos braços dela e implorar que ela me desse o primeiro beijo mais esperado da minha vida e que esse desejo vinha perambulando em minha mente desde o nosso primeiro encontro.

Só que essa vontade acabou se tornando bem maior do que a porra do meu orgulho ferido e me senti uma tola por ter desperdiçado tanto tempo com um pensamento bobo.

Foi no fim de um expediente da revista para qual trabalho, acabei cancelando uma saída com Lica dizendo que não dava porque eu teria que ficar até tarde na revisão de uma matéria de grande destaque que poderia me render o meu primeiro grande momento com a minha chefe.

Já tinha se passado mais um bom tempo depois da declaração da artista e estávamos bem, ao menos ela parecia bem, parecia que já tinha aceitado que seríamos só amigas e que se esse era o máximo que eu poderia dar a ela, ela aceitaria.

O problema era que não era o máximo e eu ainda estava tentando entender porque diabos eu não matava o maldito orgulho dentro de mim para poder dizer que a queria tanto quanto ela me queria.

Quando por fim terminei, saí do prédio, eram por volta da meia noite e o vento que chegava em meu corpo era gelado o suficiente para eu logo me cobrir com um cardigã verde musgo novo que Guto havia me presenteado recentemente.

- Cê fica linda até usando essa cor de milico, sabia? - estava na metade das escadarias que davam em direção à calçada do prédio, ao reconhecer a voz, olhei mais para frente e a vi. Minha Heloísa. Parada ali em baixo na parte plana, com a sua surrada jaqueta preta e uma mochila nas costas, ela tentava manter a sua bicicleta parada e quando finalmente conseguiu, aproximou-se de mim, subindo metade dos degraus e parando um degrau abaixo me olhando com um sorriso estonteante nos lábios - Quer ajuda, Sammy? Eu tô de bike, mas podemos dar um jeitinho nisso aí - indagou sobre a pasta em meus ombros que eu usava para trabalhar.

- N-não precisa. Heloísa, o que você está fazendo aqui? Já tá tarde para ficar na rua.

- É, eu sei. Provavelmente dei muita sorte mesmo porque estou aqui faz um bom tempo só te esperando sair. - ao ver o meu olhar confuso, continuou a se explicar - Eu quis mandar mensagem, mas não queria que você se sentisse pressionada em terminar o seu trabalho só para me atender. Então, resolvi esperar.

"Espero que isso não soe nem um pouco psicopata, apesar de que se você falar que é o que acha, irei concordar porque… é um pouco mesmo - riu nervosamente - Mas é que você estava se sentindo tão culpada ao telefone pelo nosso encontro não ter dado certo hoje que eu resolvi trazê-lo até você. Acho que nunca é tarde demais para mim quando o assunto é ver você, Sammy. Eu fico um dia sem ver seus olhos de perto ou ouvir a sua risada gostosa pessoalmente que sinto uma dorzinha bem aqui dentro peito - disse apontando para um lugar no lado esquerdo do peito e em seguida abaixando a cabeça encarando o chão proferindo a sua explicação para os seus pés, depois de uns segundos recompôs a sua posição inicial e voltou me encarar - e acho que o nome disso é saudade e uma vez a Benê disse para mim que quando a gente sente saudade de alguém, a gente precisa encontrar a pessoa, certo? O-ou você acha que estou exagera…

- Heloísa! - a interrompi.

- O quê?

- Me beija. Por favor, só... Me beija.

Nem precisei implorar muito porque no segundo seguinte já a tinha em minha boca. Nem aquela madrugada fria que tornava os nossos lábios gelados fez com que aquele nosso primeiro beijo fosse ruim. Tinha tanto fogo e desejo por esse gesto em mim e nela há tempo demais que a temperatura ambiente passou despercebida e só passou a importar o âmago de nossas peles.

Naquela posição, com nossos corpos desnivelados, ela um degrau abaixo de mim, foi perfeito. A mulher agarrava com tanta vontade a minha cintura e eu fazia o mesmo com as minhas mãos em seu rosto, quando nossas línguas se tocaram, finalmente pude sentir todo aquele calor vindo dela, troquei de lugar e passei a agarrar o seu cabelo e a puxá-la mais para mim, quanto mais grudada nos lábios dela, eu ficava, mais eu queria.

Ficamos por sei lá quanto tempo, degustando esse desejado primeiro beijo, que só nos separamos porque nossos pulmões nos imploravam por ar, permaneci com a minha mão repousada em seus ombros, fazendo carinho em seu cabelo macio e ela também fazia o mesmo nas minhas costas.

Quando a olhei novamente, seus lábios estavam vermelhos, inchados e aposto que os meus também, de tantas mordidas compartilhadas durante o beijo. Depois de um bom período nos encarando, com a respiração ofegante de ambas se juntando numa só, acabamos caindo na gargalhada uma para a outra feito duas abobalhadas.

- Quer ir para a minha casa? - a indaguei.

- C-com certeza - respondeu ela com um sorriso em forma de alívio. Seus olhos até brilhavam - Quer ir de carona comigo na minha magrela?

- Cê diz na sua bicicleta?

- Arram.

- Heloísa, eu estou de carro. Vamos nele. É mais seguro. Somos duas mulheres juntas no meio da cidade e se até de dia é bastante perigoso, imagina agora na madrug...

- Eu sei, Sammy. É realmente muito perigoso, mas é que eu sou louca, por você principalmente, mas também pelas coisas boas da vida e as coisas boas da vida valem à pena correr um pouco de perigo - ela acariciou meu rosto e meu coração acelerou feito um desenfreado - E quero cumprir com o nosso encontro, que era andar de bike pela Augusta. Você não quer ser um pouquinho louca comigo, não? Deixa o seu carro aí hoje e na segunda-feira, te levarei de volta na minha magrela novamente, seria um prazer.

- Olha… Depende - mordi meus lábios e me juntei mais a ela.

- Do quê?

- Só se você me der mais um beijo porque assim saberei que vai ficar tudo bem - nenhum protesto vindo por parte dela e quando notei, me entregou mais um beijo que assim como o primeiro me fez pensar que era bom demais finalmente tê-la assim e em como fui tola para atrasar esse momento.

- Pronta? - disse quando terminou de colocar um dos capacetes que estava dentro de sua mochila na minha cabeça, sorriu para mim, suspirando me dando um olhar descrente - Caralho, Sammy, você fica realmente linda de qualquer jeito, hein?

- Eu sei - respondi dessa forma tentando mostrar confiança, o que a fez sorrir e balançar a cabeça, se virou para frente, subindo na bicicleta, sem perceber que eu havia corado diante do seu elogio. Se fosse qualquer outra pessoa, isso não aconteceria, mas qualquer comentário vindo dela era como se eu deveras acreditasse porque ela dizia e me olhava como se eu fosse uma escultura da Grécia Antiga e isso me deixava encabulada de uma forma que entendia que ela me elogiava não só porque eu era uma paquera qualquer, era como se ela fosse acreditar naquilo para o resto da vida e que eu…

 - Ei, Lica? - chamei a sua atenção.

- Hm? - eu já estava sentada no banco atrás e me agarrava à sua cintura, ela virou-se pra mim com um semblante totalmente preocupado, também com o capacete já grudado em sua cabeça - O que foi, Sammy?

 

Eu a beijei mais uma vez porque esperei a minha vida inteira.


Notas Finais


Ainda não se se o próximo será o último ou se eu divido em duas partes... Se vcs preferirem que seja dividido a att demorará menos (porém não sei o quão grande irá ficar)
Mas já adianto que finalmente irá para o presente desse casal cheiroso e que a proposta vem aí!!!


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