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História Angel - Capítulo 40


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Notas do Autor


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Capítulo 40 - Quarenta


- Chaeng!

 

Rosé pensou ter alucinado a voz da mais velha, mas mesmo assim virou em direção ao chamado, recebendo um baque contra seu corpo e as mãos de Jisoo segurando seu rosto para colar as bocas em um beijo afoito.

E bem como Rosé parecia ter saído diretamente de um dos filmes de romance preferidos de Jisoo, aquele beijo parecia ser a reprodução perfeita de uma cena do mesmo filme.

Os dedos da escritora estavam gelados contra o rosto de Chaeyoung. De início precisou ficar nas pontas dos pés para alcança-la, mas logo trouxe a australiana um pouco para baixo, a fazendo curvar a coluna como se estivessem presas por um imã.

Rosé não escutava mais nada além de seus próprios batimentos cardíacos, tampouco sentia o chão abaixo de seus pés. O perfume amadeirado da mais velha era o que lhe dava a certeza de que realmente estava sendo beijada por ela.

Já Jisoo degustava dos lábios de Chaeyoung sem se aprofundar. O cheiro e gosto de morango proporcionado pelo protetor labial que ela usava quase fazia a escritora desistir da viagem e ficar por ali, mas isso significaria encarar de frente o que estava fazendo e ela ainda não sabia muito bem como fazer aquilo.

A última chamada para o embarque do voo ecoou pelo aeroporto e do mesmo jeito repentino que o beijo começou, ele terminou.

Rosé se viu perdida quando sua boca foi abandonada e abriu os olhos apenas para ver Jisoo correr em direção às catracas novamente e sumir pelo salão de embarque. Um sorriso tremeu em seus lábios, mas rapidamente o reprimiu para olhar ao redor e se situar de onde ainda estava.

Não podia acreditar que Jisoo tinha acabado de beijá-la e muito menos que tinha fugido dali sem falar nada depois disso, mas pensando bem era exatamente o que a escritora faria em um momento de crise e ela não se importava com isso. O que importava era que Jisoo tinha lhe beijado e agora não teria mais volta.

Com um sorriso bobo no rosto, Rosé lançou um último olhar para o salão de embarque e ergueu uma mão para massagear os lábios que ainda formigavam antes de dar meia volta e ir embora dali.

 

-x-x-x-

 

Lisa e Tzuyu estavam sentadas lado a lado no sofá da sala do apartamento de Jennie. O notebook aberto no colo da loira mostrava algumas páginas de cursos que estavam pesquisando.

Não era a intenção de Lisa estudar alguma coisa no momento, até porque, com o conhecimento que tinha a partir de suas observações sobre a vida humana, poderia facilmente se aprimorar de uma maneira autodidata. Mas a filosofia dos Chou fazia sentido: quanto mais envolvida em atividades humanas Tzuyu estava, menos atenção ela chamaria. E era esse o conselho que a taiwanesa tinha dado para Lisa: se misture.

 

- Como você escolheu o que fazer? – O anjo perguntou ainda lendo as apresentações dos cursos.

 

- Não foi muito difícil escolher fazer culinária, já que meus pais tem o café. – Tzuyu riu.

 

Lisa fez um pequeno biquinho com aquilo. Parecia ter sido fácil demais para o serafim, mas para ela estava sendo muito complicado porque existiam muitas possibilidades.

 

- Vamos fazer assim. – Tzuyu olhou para o anjo que lhe encarou de volta. – O que você gostou de fazer desde que virou humana?

 

- Comer. – Lisa tentou responder com o máximo de sinceridade possível. – Jogar vídeo game, assistir filmes e séries, ficar com a Jennie.

 

- Certo, isso vai ser difícil.

 

- Isso não vai dar certo.

 

- Calma, a gente vai conseguir achar alguma coisa pra você. – Tzuyu ria, exibindo sua covinha na bochecha. – Você já ajudou de alguma forma lá na empresa da senhorita Kim?

 

- Eu já acalmei algumas crianças nas sessões fotográficas, mas nada além disso. – Lisa se jogou contra o encosto do estofado.

 

- Você gosta de crianças, né?

 

- Gosto. Sinto uma energia boa quando estou perto delas.

 

- Já temos uma direção então.

 

O barulho de chaves na porta anunciou a chegada de Jennie que paralisou na entrada do apartamento. Não esperava encontrar visitas, tampouco tão próxima de Lisa.

 

- Jennie! – O anjo tinha um sorriso largo no rosto por ver a estilista. – Chegou cedo. Está tudo bem?

 

- Sim. – A estilista piscou os olhos e fechou a porta atrás de si. – O serviço está bem adiantado, pensei que seria bom descansar. – Comentou ao deixar algumas sacolas atrás da porta e então se aproximar do sofá. – E você é...?

 

- Chou Tzuyu. – O serafim prontamente se levantou e estendeu uma mão nervosa em cumprimento.

 

Jennie já tinha ouvido o nome de Tzuyu nas conversas de Lisa com as amigas, mas ela nunca tinha dado um rosto ao nome. Ela era alta e, caramba, ela era linda. Seus olhos brilhantes e o sorriso simpático no rosto simétrico só realçava ainda mais sua beleza.

 

- Jennie Kim. – A estilista se apresentou de volta, apertando levemente a mão do serafim. – Hn, eu vou tomar um banho e descansar um pouco. – Informou dando um passo para trás. – Vocês vão sair?

 

- Não. Daqui a pouco a Tzu tem que ir trabalhar.

 

Jennie torceu a boca e acenou com a cabeça antes de falar para Tzuyu ficar à vontade e deixar as duas sozinhas na sala. Lisa estreitou os olhos, acompanhado Jennie sumir pelo corredor. Sentia que algo estava estranho, mas não pode pensar muito sobre aquilo porque o serafim levantava uma questão curiosa.

 

- Como é namorar? – Sua voz era baixinha, apenas para o anjo ouvir. – Quer dizer, eu sei que vocês não estão namorando, mas como é ter um relacionamento carnal?

 

- Você nunca namorou? – Lisa perguntou realmente confusa, afinal, Tzuyu estava no plano terrestre há muito mais tempo do que ela. Já deveria ter mais experiências.

 

- Meus pais são superprotetores. – O serafim deu de ombros com um sorriso fraco. – Minha adolescência não foi das melhores porque eles me colocaram em uma redoma de vidro. Claro que as meninas me ajudaram bastante no meu convívio social, mas eu nunca podia ir a festas e essas coisas. Não conheci muitas pessoas pra ter esse tipo de relacionamento.

 

- Por isso você nunca sai com as meninas? – Tzuyu meneou a cabeça.

 

- Antigamente meus pais não achavam seguro eu sair sozinha e eu acabei ficando com esse pensamento na minha cabeça adulta.

 

- Entendo. – Lisa soltou um suspiro, enquanto olhava o rosto tímido do serafim. – Estar com Jennie é maravilhoso. Ela cuida de mim, procura ter paciência comigo e beijar é muito bom.

 

Tzuyu acenou, deixando o maxilar rígido, e Lisa entortou a cabeça para aquele detalhe.

 

- Por que está me perguntando isso?

 

- Tem uma pessoa que está investindo em mim, mas não tenho certeza se devo ceder. – O serafim coçou os olhos de maneira inquieta.

 

- Por que você não tem certeza?

 

- Porque eu nunca fiquei com ninguém assim. E se der errado?

 

- E se der certo? – Lisa contra-argumentou. – Olha, eu não sou a melhor pessoa pra te dar conselhos amorosos e entendo o seu medo de se relacionar com algum humano. Eu tenho sorte da Jennie já saber da minha origem e me aceitar mesmo assim. Então acho que se alguém te respeita do jeitinho que você é e tem paciência com suas limitações, já é algo a ser considerado. E eu tenho certeza de que você consegue sentir quando uma pessoa tem boas e más intenções com você.

 

- Ela tem boas intenções comigo. – O serafim brincou com os próprios dedos. – Ela cuida de mim, tem paciência comigo e eu gosto de ficar perto dela.

 

- Então acho que você já tem sua resposta.

 

-x-x-x-

 

Jennie estava afundada entre seus travesseiros. A televisão ligada só servia para a estilista percorrer os canais de maneira automática e repetitiva, sem achar qualquer programação que lhe chamasse atenção. Afinal, seu corpo estava ali, mas sua cabeça ainda estava na sala.

Sabia que estava enciumada, mas tentava afastar aquele sentimento ruim de si. Lisa tinha amigas e tinha o total direito de firmar vínculos mais sólidos ao ponto de trazer para dentro de casa, mas poderia ter sido Son Chaeyoung, ou até mesmo Kim Yerim. Gostava das duas meninas e tinha certa confiança a respeito delas com o anjo, mas ela não sabia nada de Tzuyu e aquilo lhe tirava da zona de conforto.

A porta rangeu, anunciando a entrada de Lisa no quarto e Jennie parou de mudar os canais, tentando focar na programação enquanto o colchão ao seu lado afundava.

 

- Tudo bem? – O tilintar na voz de Lisa ecoou ao seu lado.

 

- Tudo. – Disse simples, evitando o contato visual. – Sua amiga já foi embora?

 

- Sim. – Lisa olhou para a televisão e franziu o cenho antes de olhar para Jennie enfeitiçada pelo que era exibido. – Você tem certeza de que está bem?

 

- Sim, por que?

 

- Bom, você está assistindo canal de leilão de joias. – O anjo apontou para o aparelho televisor.

 

- É uma pulseira bonita. Fiquei interessada. – Jennie respondeu de forma sonsa e Lisa rolou os olhos entediados em sua direção.

 

- E você não me deu um beijo até agora.

 

A estilista torceu a boca com a sentença. Era verdade, naquele dia elas não haviam se visto pois saiu muito cedo de casa com a intenção de adiantar ao máximo possível do serviço da empresa e conseguir se programar para o que queria fazer de noite.

Derrotada, Jennie deixou de olhar a televisão para olhar Lisa ao seu lado. Os olhos dourados tão brilhantes que quase podia ver seu reflexo neles, o cheirinho suave de lavanda emanando dos cabelos levemente bagunçados.

Com apenas uma pequena inclinação, Jennie já tinha capturado os lábios do anjo em um beijo delicado. Não foi algo aprofundado, apenas um selar de lábios mais demorado que causa bem estar apenas pelo contato. Lisa permaneceu por perto, sentindo a respiração doce da estilista enquanto seus narizes roçavam um no outro.

 

- O que você tem? – O anjo sussurrou ainda com o rosto colado ao dela. – E não adianta dizer que não é nada. Eu te conheço.

 

Jennie torceu a boca, massageando o lóbulo da orelha de Lisa com as pontas do polegar e o indicador. Não queria causar nenhum mal entendido e preferia guardar suas inseguranças para si mesmo até tudo ficar bem. Essa era a essência de Jennie Kim, ela se anulava para não magoar quem ela gostava com seus sentimentos ruins.

Por sorte, além de seus ciúmes, ela se sentia ansiosa pelo que havia programado para aquela noite. Então, ignorando os sentimentos de insegurança, ela esboçou um sorriso ladino ao voltar a encarar os olhos dourados.

 

- Eu queria te dar uma coisa. – Jennie sussurrou confidente e riu quando o anjo estreitou os olhos em desconfiança. – Vem comigo.

 

E sem muito o que fazer, Lisa apenas aceitou a mão de Jennie que lhe guiou para fora do quarto. A estilista já vestia um pijama de seda preta composto por uma blusa de mangas longas e calça comprida. Os cabelos castanhos levemente ondulados esvoaçavam devido a maciez.

 

- Sente-se no sofá e feche os olhos. – Instruiu ao anjo que ainda lhe olhava de maneira confusa. – Feche os olhos mesmo. Eu saberei se você der uma espiada.

 

- Estou com medo. – Lisa confessou ao se sentar e colocar as mãos sobre os olhos fechados.

 

- Não precisa ficar com medo. – Balançou as mãos na frente do rosto do anjo. – Está vendo alguma coisa?

 

- Não. Você mandou eu fechar os olhos.

 

- Ótimo.

 

Lisa ficou realmente tentada a abrir uma frestinha dos dedos para ver o que estava se passando ao seu redor, mas sua vontade de ser surpreendida nos moldes de Jennie acabou por obedecê-la e manter os olhos fechados.

Ela podia ouvir os passos da estilista se afastarem dela e também ouviu o farfalhar de sacolas próximo a porta de entrada do apartamento. Um perfume fresco começando a lhe rodear quando os passos de Jennie voltaram a se aproximar e então o peso do corpo da estilista estava em suas costas.

 

- Pode abrir. - Jennie sussurrou em seu pescoço.

 

O anjo estava esperando ver qualquer coisa, menos uma rosa diante de seus olhos.

Jennie segurava o caule curto e sem espinho que sustentava pétalas grandes, rosadas, abertas e brilhosas, que emanava um cheiro delicioso. Era algo simples que acabou por fazer um sorriso bobo surgir no rosto do anjo.

 

- O que é isso? – Lisa perguntou um tanto envergonhada ao pegar a rosa solitária nas mãos da estilista.

 

Jennie, que estava ajoelhada atrás da loira, saiu de seu esconderijo e sentou-se ao seu lado. Viu quando anjo levou a rosa até o nariz para cheira o perfume que tinha por ali e acabou sorrindo ao ver os olhos brilhantes de Lisa para o pequeno mimo.

 

- Você gostou? – Indagou atenta as reações do anjo.

 

- Muito. Nunca passou pela minha cabeça ganhar flores. – Confessou ainda mantendo o sorriso envergonhado no rosto, as maçãs de seu rosto chega estavam coradas e Jennie achava isso uma graça.

 

- Eu achei que combinava com o convite que quero te fazer. – E então era Jennie quem estava com o sorriso envergonhado e as bochechas vermelhas.

 

Ela sabia que não precisava estar com vergonha, mas era inevitável, já que Lisa lhe olhava com os olhos brilhando em curiosidade.

 

- Convite?

 

- Sim. – Jennie pausou por um momento para limpar a garganta, uma de suas sobrancelhas se levantando devido a ansiedade. – Queria te convidar para um encontro. Só eu e você.

 

- Um... encontro? – O queixo de Lisa caiu um pouco com a informação. – Tipo, um encontro romântico?

 

- Sim. – Os lábios da estilista tremeram levemente em um sorriso. – Estava pensando em te levar para jantar. – As sobrancelhas de Lisa se arquearam e Jennie rapidamente tentou deixa-la mais a vontade, se esse fosse o caso. – Ou podemos ir aonde você quiser. Não tem problema.

 

- Não. Eu quero que você me leve pra jantar. – Lisa sorriu logo após o choque inicial passar. – Desculpa. Eu não estava esperando por isso. Você me pegou de surpresa.

 

- Uma surpresa ruim ou uma surpresa boa?

 

- Ótima. – O anjo riu, voltando a cheira a flor. – Quando será nosso encontro?

 

- Sábado, às sete. – Jennie respondeu certeira. – Você tem alguma preferência de comida ou lugar?

 

Lisa deu de ombros. Seu coração estava tão acelerado dentro do peito que ela achava que a blusa que usava estava se movimentando junto com o compasso dele.

 

- Não. – Balançou a cabeça visivelmente feliz. – Quero que você me surpreenda.


Notas Finais


Até amanhã :)


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