História Angel After Death - Capítulo 26


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Categorias Histórias Originais
Tags Ceifadora, Colegial, Dead Like Me, Vida Pós Morte
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Palavras 1.778
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Depois de vários meses de interlúdio, Angeline finalmente retorna em um novo arco. Após sua primeira missão em Monnock, a ceifeira agora lidará com novos desafios e dessa vez Castiel por enquanto não estará por perto para ajudar. Em compensação, Elizabeth estará mais presente e um antigo conhecido de Angeline, porém nada saudoso também retornará à história. Boa leitura.

Capítulo 26 - Nova missão


De volta ao já saudoso apartamento de Elizabeth, dois dias se passaram após os acontecimentos em Monnock. Já era por volta de duas da tarde e no rádio que ela havia ligado recentemente, Queen tocava Under Pressure. Fazia calor naquele dia, e calor deixava Elizabeth potencialmente mais estressada. A somar com a atitude de Castiel, que entregou o carro de sua amiga imundo de terra e desde então desapareceu.

-Sem surpreender ninguém, mas sempre irritando alguém, sem dar explicações. Não sei porque ainda dou confiança para aquele irresponsável. Ele acha que pode fazer sempre o que bem entender e sumir?

Angeline jogava videogame, compenetrada na sala de estar enquanto Beth reclamava. E Beth continuava a conversar com as paredes.

-Espera só ele aparecer. Vou fazer aquele safado limpar o meu carro com a própria língua.

Angeline estava mais interessada em explodir a cabeça dos mortos vivos que pulavam na tela do jogo do que em ouvir os protestos de Beth. Naturalmente, a ceifeira mais experiente percebeu.

-E você menina? Não sai mais desse videogame desde que voltou. Já pensou em ter uma vida social?

-Ah, dá um tempo. Você é minha mãe por acaso?

Todos os sons que vinham de fora da sua bolha antissocial não passavam de ruídos incômodos. A garota precisava se distrair, depois de sua mais recente e marcante experiência. Beth pegou uma garrafa de cerveja na geladeira e se serviu em uma caneca, para acompanhar uma porção de frango frito que havia acabado de preparar.

-Faz o que quiser então. Bom que sobra mais frango pra mim, enquanto você fica aí derretendo o cérebro.

-Tudo bem, já que agora eu consigo me curar rápido.

-Menos garota. Já está se achando demais.

Porém, o cheiro do frango frito era tentador. Angeline pausou o jogo, finalmente dando atenção ao que parecia o som de demônios raivosos grunhindo no seu estômago. Não era sempre que Elizabeth tinha disposição para cozinhar, era mais comum que pedissem comida por delivery. As tarefas domésticas ficavam por conta de Angeline, enquanto não podia ajudar a bancar as despesas do apartamento. O problema é que o lugar ultimamente andava uma bagunça, parecia que um furacão havia passado por ali recentemente.

-Ah, resolveu me ouvir e finalmente voltou pro mundo real?

-Do que está falando? Eu consigo jogar e comer ao mesmo tempo.

Elizabeth fez uma careta de reprovação, enquanto via a garota se servir rapidamente, aparentemente com a intenção de retornar ao seu jogo.

-Esquece um pouco esses jogos. Você já está cheia de olheiras e com a aparência péssima, sabia? Nunca vai arrumar um namorado desse jeito.

Angeline retribuiu com outra careta reprovadora. Não se sentia muito à vontade quando alguém tocava nesse assunto.

-E quem disse que eu preciso de um namorado? Isso pra mim não faz a menor falta.

A expressão meio burlesca de Elizabeth dizia tudo. Ria enquanto descia mais um gole de cerveja garganta abaixo. Até esqueceu por um instante o seu mau humor e baixou levemente o tom de voz.

-Ora querida, até uma garota rebelde como você pode arrumar alguém. Ninguém é tão autossuficiente assim. E já que recebeu a chance de viver pela segunda vez, precisa aproveitar. Por que não sai comigo esta noite? Posso te apresentar uns amigos.

-Não, obrigada.

-Você não tem jeito mesmo.

Com vida social ou não, as coisas tinham que seguir em frente e os trabalhos não se realizavam sozinhos. Então pela primeira vez desde Monnock, uma coisa nova surgiu. Na profundidade de seus voluptuosos seios, Elizabeth retirou um post it clássico, de cor amarela.

-Então que tal me fazer companhia em uma pequena missão?

Angeline pegou o papel, sem muito entusiasmo.

T. Bundy

Dr. Food

5:07 p.m

-T. Bundy ? Primeiro C. Manson, agora T. Bundy? Sério mesmo?

-Você ainda não viu nada. Além de outros, já tive que levar E. Gein  e E. Bathory. Mas substitua Ed por Eric e Elizabeth por Eliza. E não eram exatamente boas pessoas.

-Essas iniciais e esses sobrenomes parecem até uma piada vinda lá de cima.

Elizabeth deu de ombros.

-Talvez seja proposital. Não sabemos o que se passa na cabeça dos que estão lá em cima. Nós apenas cumprimos ordens. 

-É. É o que Castiel sempre me diz.

Muito bom o conselho. O problema era que Angeline nunca fora boa em aceitar que os outros lhe dessem ordens. Mas paulatinamente começava a compreender que essa era uma escolha fundamental que sua nova vida trazia. Em poucas semanas como ceifeira, aprendera importantes lições, que ajudavam  a amadurecer a sua personalidade e a forma de enxergar a realidade. Exceto pelos dois últimos dias que não queria pensar em nada, ainda refletia muito sobre o que havia deixado para trás. Sentia um medo não compartilhado de esquecer quem era e se fazia sentido tudo aquilo que estava praticamente sendo obrigada a fazer. Castiel sempre tinha uma resposta para quase tudo, mas às vezes também era muito vago. No fundo talvez fosse melhor não pensar tanto e observar como seus experientes colegas agiam.

O próximo local tinha um nome familiar. Era um lugar que Angeline frequentava ocasionalmente, uma lanchonete fast food. Sua mãe, sempre muito preocupada com o crescimento saudável dos filhos, não gostava nem um pouco quando a filha deixava de comer em casa para comer porcarias na rua, segundo as próprias palavras dela. Curiosamente, mesmo que se alimentasse de uma forma mais sadia, aquilo não a salvaria de seu destino fatídico. A garota sorriu ironicamente, no momento em que esse pensamento passou pela sua cabeça. Elizabeth percebeu o sorriso, mas não estava muito interessada em saber no que ela pensava. Por alguma razão seu sotaque espanhol parecia ainda mais forte naquele instante.

-E então? Vem comigo ou não? Não vou te obrigar.

-Dr. Food, então. Como vai ser? A pessoa vai morrer do coração por comer um hambúrguer gorduroso demais? De repente minha mãe tinha razão quando dizia que se continuasse comendo tanto lá, minhas artérias ficariam entupidas. Não que isso importe mais.

-Não sei chica. Não faça pergunta boba. Só sei que pode ser qualquer coisa e normalmente não é o que esperamos.

Angeline sentiu câimbras nas pernas de tanto permanecer sentada ou deitada. Os jogos eram uma ótima distração, mas sentiu que precisava botar os pés na rua. E desta vez sem Castiel, que não havia mais dado sinal de vida. Morava já há alguns dias com Elizabeth, mas seria a primeira vez que iriam a uma missão juntas. Só as duas.

-Que seja. Vamos.

 

                                               ***

 

O jovem de cabelos negros e óculos de grau caminhava pelas ruas de New Rock em passos firmes e ligeiros. Parecia ter os olhos ainda mais vazios, frios e distantes do que seus amigos estavam acostumados a ver. Estava perceptivelmente ainda mais magro e parecia esconder algo assustador dentro de si. Usava uma camisa preta, de manga comprida, o que era de se estranhar, pelo calor que fazia. Em contrapartida, o colega que ia atrás estava ainda mais gordo do que há uma semana atrás, com bochechas e barriga enormes e o traseiro de quase preencher dois lugares ao mesmo tempo. Suas olheiras e feições caricatas o deixavam cada vez mais parecido com um personagem de um filme do Tim Burton. Tentava acompanhar, com dificuldade, suando e cansado como se tivesse acabado de correr uma maratona. Realmente fazia um calor escaldante naquele dia.

-Me espera Leviatã! Você está indo rápido demais.

-Já te disse pra fazer uma dieta, seu gordo estúpido. Não tô nem aí se você ficar pra trás.

Leviatã King não olhou para trás para ver Ronald Bowers erguendo o dedo do meio pelas suas costas. O gordo não era louco o suficiente para fazer isso na sua frente. Muitos diriam que se tratava de um grande covarde. Movido pela raiva do insulto, apertou os passos como pôde até alcança-lo.

-Você até que é ágil para um hipopótamo, balofo.

-Eu não sou balofo, minha mãe fala que eu sou maior porque tenho ossos largos.

-Por isso que você é uma grande piada, por acreditar na burra da sua mãe.

Ronald de repente parou de andar.

-Você tá exagerando já, Leviatã. Retire o que disse da minha mãe.

Leviatã nunca foi flor que se cheire. Mas ultimamente andava mais cruel em suas palavras. Inclusive com os próprios amigos. Até mesmo Eric Huggins, amigo quase inseparável, se afastou por achar que a sua personalidade andava cada vez mais intolerável. Rony já estava visivelmente começando a ficar incomodado, mas ainda não tinha coragem suficiente para desafiar Leviatã King, o queridinho do colégio Monte Olimpo. E de certa forma ainda o via como um amigo, apesar de passar por maus bocados. Leviatã por vezes, dividia o lanche com ele. O garoto cruel dessa vez virou para o colega, com um olhar fulminante.

-Será que eu ouvi direito, balofo? Você está me dizendo o que fazer?

Ronald começou a gaguejar, fazendo o instante de valentia se evaporar como água.

-N-não, não. S-só p-por favor não insulte a m-minha mãe.

Inesperadamente Leviatã mudou totalmente a expressão, dando uma gargalhada tóxica e um tanto quanto exagerada, assim como o Coringa, famigerado vilão do Batman. Alguns transeuntes que passavam até olhavam com estranheza.

-Eu estava zoando, Rony, seu bola de sebo. Você quase pareceu corajoso agora, sabia? Você é meu único amigo agora.

O garoto gordo estava mais aliviado, apesar de sua risada disfarçada parecer meio nervosa. Não tinha muitos amigos, fora Leviatã e Eric. E antes que respondesse, percebeu algo.

-Leviatã? O que é isso na sua blusa? Você está bem?

Um grande mancha vermelha escura havia crescido na lateral da manga de seu braço direito. Sangue. Sua expressão novamente mudou da água pro vinho, como se uma onda de terror intenso e ardente tomasse conta dele. Seu tom de voz era perigoso, como se uma linha tênue de repente o separasse do descontrole emocional.

-Não é nada. Você não viu nada, entendeu? E não se fala mais nisso.

Rony balançou a cabeça afirmativamente, de forma meio trêmula e desengonçada. Seria aquele um ferimento recente? Ou talvez uma velha cicatriz que se abriu? Um pensamento ainda mais terrível lhe ocorreu: aquele sangue era mesmo de Leviatã King? De qualquer maneira era melhor não tocar mais naquele assunto. Prosseguiu em sua caminhada, atrás de King, que andava agora com os passos ainda mais firmes e consistentes do que antes. A exaustão já começava a puxar o garoto gordo com mãos grossas e desajeitadas. A luz titânica e resplandecente do sol caía sobre eles de forma cruciante.

-Leviatã. Para onde nós estamos indo mesmo?

-Você estava com gordura nos ouvidos quando eu disse a primeira vez? Vamos pro Dr. Food.



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