História Angel After Death - Capítulo 27


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Categorias Histórias Originais
Tags Ceifadora, Colegial, Dead Like Me, Vida Pós Morte
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Palavras 2.212
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 27 - Doutor Food


A tarde avançava e os frangos fritos já haviam cumprido suas funções de satisfazer inquietações e saciar apetites vorazes. As duas ceifeiras se arrumavam para sair, já Castiel...

-À propósito, cadê o Castiel? - lembrou Angeline.

-E como eu vou saber?  – Elizabeth logo respondeu – não é a primeira vez que ele desaparece e nem será a última. Você não me ouviu mencionar isso porque estava derretendo o cérebro naquele videogame.

Angeline apenas deu de ombros, uma atitude que Elizabeth considerava bem irritadiça.  Mas como logo lembrou que seriam parceiras naquele dia, apenas respirou fundo. Irritação poderia interferir negativamente em sua missão. Já a sua parceira estava com aquela sensação que a gente sente quando o carrinho da montanha russa chega ao alto da primeira grande subida. Não sabia porque estava assim, mas tinha um pressentimento de que emoções fortes estariam por vir.

Por mais que Doctor Food ficasse há poucos quarteirões dali, saíram no carro de Elizabeth, já que ambas ao menos concordaram que não existia a menor vontade de caminhar na rua com aquele calor que fazia. Passaram pela mesma rua em que naquele dia fatídico, Angeline pulou na frente do carro para salvar a vida de uma criança, o garoto que ela já não recordava mais o nome. Será que era “Bob”, “Billy”, ou “Brian”? Se lembrava no máximo que era alguma coisa com “B”. O Halloween se aproximava e ela se deu conta ao ver pela janela as decorações fantasmagóricas nas beiradas das lojas e as fumaças brancas e alaranjadas que saiam das abóboras. Quando olhou para cima percebeu que também passaram pelo prédio que Castiel havia revelado a ela que se tornaria uma ceifeira. Afundada em reminiscências, notou que tanta coisa já tinha acontecido. Mas ainda parecia tão pouco. Angeline aumentou o volume do rádio. Queria que o rock n roll tocasse mais alto do que seus pensamentos.

-No que está pensando, garota?

-Nada importante.

-Talvez você devesse se abrir mais, já que estamos morando juntas.

-Não me lembro de você ser a minha psicóloga.

-Só estou tentando ser amigável, querida. Você também deveria tentar as vezes.

 O clima entre as duas notavelmente não estava dos melhores. Ambas eram mulheres fortes e corajosas, mas com personalidades muito distintas. Nos cinco minutos seguintes ficaram em silêncio quase absoluto, quebrado apenas pelo som do rádio, até chegarem ao seu destino. Pela primeira vez desde sua experiência de pós morte, Angeline pisaria no Dr. Food e desta vez, sem a intenção de comer seus lanches apetitosos.

 Assim que entraram, as ceifeiras perceberam que o lugar não parecia mais o mesmo de uns dois meses atrás. Aparentemente o ambiente ainda era limpo e bem cuidado, mas trazia um aspecto de decadência, com poucos clientes e muitas mesas desocupadas. Naquele horário não era comum que fosse assim e o atendimento também já fora melhor, tendo em vista que Angeline era sempre recebida na porta com um cardápio e um sorriso da garçonete, mas dessa vez não tinha ninguém. Concordaram em escolher um lugar mais perto das extremidades e se sentaram. Angeline quebrou o silêncio dessa vez.

-Aqui é o mesmo Dr. Food que eu conhecia?

-Ainda é o mesmo nome, mas ouvi falar que o dono não é mais o mesmo.

-É, então isso explica.

Muitas mudanças em tão pouco tempo. Lidar com elas, mesmo com as mais simples deixava Angeline um tanto descontente. Elizabeth não precisava olhá-la diretamente para perceber o seu desapontamento.

-O mundo está sempre em constante mudança, querida. Acostume-se.

-Tanto faz. De qualquer forma já comemos em casa e não estou mais com fome. O que fazemos agora?

-Esperamos. E observamos. E eu vou pedir uma cerveja.

-Meu Deus, você e Castiel têm problemas sérios de alcoolismo.

-Você também chega lá um dia, querida.

 Uma mulher de avental e cabelo preso em um rabo de cavalo interrompeu e chegou para atendê-las. Mascava um chiclete e tinha uma cara de poucos amigos. Falava de maneira ríspida e indo direto ao ponto. Seus modos fizeram Angeline se lembrar de Ted, o balconista do Covil dos Famintos.

 -O que vão pedir?

            -Que tal primeiro, um pouco de educação? - Retrucou Angeline com uma de suas sobrancelhas erguidas.

            A garçonete suspirou fundo, demonstrando uma paciência nula, como se desprezasse o próprio emprego. Exibiu um sorriso, que mais forçado do que aquilo era impossível.

            -Pois não, o que desejam?

            Elizabeth pediu a sua cerveja e Angeline achou melhor não pedir nada por enquanto, temendo que aquela mulher robusta fizesse algo repugnante com a sua bebida.

            -Se quiser eu divido a minha cerveja. – disse Elizabeth, depois que a garçonete se retirou. - Aproveita que é raro eu ser tão boazinha.

            -Não precisa. Só estou curiosa pra saber logo quem é esse tal de T. Bundy.

            -Ainda temos tempo. Por enquanto só precisamos observar.

            Só pelo atendimento já dava para ter uma ideia dos motivos que fizeram a lanchonete decair. Indo por aquele caminho, se o lugar ainda durasse um mês já seria muito. Mas pouco a pouco alguns clientes começavam a chegar, para não dizer que o lugar estava totalmente entregue às moscas. Angeline reparava agora de forma mais profunda e detalhada nas pessoas quem entravam e nas que já haviam se acomodado.

            -Seja mais discreta, assim você vai constranger as pessoas, querida.

            E assim Angeline disfarçou, alternando os olhares para o cardápio até reconhecer dois rostos familiares que quase passaram batidos. Antes de dizer qualquer coisa, passou seus olhos pela segunda vez para ter certeza. Os dois estavam na outra extremidade que contornava o balcão de atendimento. Já estavam ali havia algum tempo. Leviatã tomava um milk shake com uma expressão insatisfeita e uma clássica pose de malfeitor, enquanto Roni comia um hambúrguer triplo que transbordava maionese. A voz de Angeline saiu em um tom meio abafado e de estupefação.

            -Não acredito! Leviatã King e Ronald Bowers.

            Elizabeth ergueu suas sobrancelhas surpresa e olhou discretamente para trás para ver o que deixara Angeline tão surpresa.

            -São seus conhecidos?

            -Infelizmente sim. Um deles me odiava e o outro é o amigo gordo dele.

            -Isso é ótimo.

            -Ótimo? Quer me dizer como pode ser ótimo?

            -Nenhum dos dois se chama T. Bundy. Já são dois para descartarmos.

            -Isso é, mas...

            -Eles não são importantes agora. E não vão te incomodar. Lembra que com essa aparência não tem como eles te reconhecerem.

            -Eu só lembrei que estou devendo uma surra pra esse garoto. Ele é horrível, se não fosse por ele, talvez eu não tivesse...- ela abaixou a cabeça por um instante, deixando as palavras morrerem.

            -Hum. Parece que alguém deixou alguns sentimentos mal resolvidos pra trás, não é mesmo?            

            -O que quer dizer? Sentimento e Leviatã não combinam na mesma frase. Só consigo sentir desprezo.

            -Não deixa de ser um sentimento. E algo pode mesmo ainda estar mal resolvido.

            -Acho que nada pode resolver a personalidade horrível que ele tem.

            -Talvez as pessoas possam mudar. Não conheço o garoto, mas ele parece estar lidando com umas coisas pesadas, sinto que tem uma alma atormentada.

            -Que bobagem. Esse cara nunca vai mudar, é um caso perdido, vai por mim.

 

                                                                       ***

 

            -Não precisa comer com tanta pressa, balofo, o hambúrguer não vai fugir de você. E dá pra ouvir você mastigando lá do Japão.

            A maionese do hambúrguer triplo de Roni transbordava pelos cantos de sua boca. O gordalhão mastigava com muita vontade, e se deliciava como se aquele fosse o melhor lanche do mundo. Ficar com o estômago vazio o deixava imprestável e pensar com estômago cheio era melhor. Não que Ronald Bowers fosse muito bom em pensar, de qualquer maneira.

            -Desculpa, Leviatã. É que estou com muita fome. E você não vai pedir nada pra comer?

            -O lanche daqui é um lixo. Só você mesmo pra não perceber isso.

            -Se não gosta daqui, então por que viemos pra cá?

            -Cuidado com o tom de voz, balofo. – o valentão insolente ficou em silêncio por uns três segundos. Estava meio pálido, com o aspecto de alguém que tentava disfarçar o nervosismo. Depois continuou, com um tom de voz mais calmo. – estamos esperando alguém.

            -Quem?? – Roni perguntou de boca cheia, cuspindo quase metade do sanduíche.

            Leviatã estava de olho na porta do estabelecimento observando quem entrava, com uma ansiedade que tentava não deixar transparecer. Quando a porta se abriu naquele momento, pareceu que o ambiente havia ficado ainda mais desconfortável. Entrou um homem grande, que aparentava ter uns dezessete anos e tinha mais de um metro e noventa. Era forte e tinha os cabelos marrons, meio desgrenhados. Usava uma jaqueta de couro, uma camisa branca e calça jeans rasgadas nos joelhos. Ficou um tempo parado na porta, espreitando o que havia ao seu redor. Só faltava ter a palavra “problema” tatuada na testa.

            -Ele já está aqui.     

 

                                                          ***

 

            A garçonete quando viu a entrada de seu novo cliente, partiu rapidamente em sua direção.

            -Ei! Você não é bem vindo aqui. Saia!

            O homem a olhou, e deu um sorriso meio cínico. Porém, falava educadamente até então.

            -Eu vim em paz...- ele olhou para o crachá da garçonete onde estava o nome que a identificava -...Jane. Só vim pagar o que devo e encontrar uns amigos.

            -Pague e caia fora. Você já causou muitos problemas da última vez.

            O homem não dera sinal de que iria sair por bem. Angeline já podia sentir o cheiro de desentendimento no ar. A garçonete parecia bem nervosa, o que dava a entender que algum incidente significativo já havia ocorrido ali. Elizabeth apenas bebia sua cerveja descontraidamente como se nada estivesse acontecendo ou mesmo prestes a acontecer.

            O homem forte não cedera nenhum passo, mas ainda mantinha o mesmo tom de voz calmo. Só que dessa vez ele estava mais sério. Seu olhar era de um homem com atitudes imprevisíveis, o que era um tanto assustador.

            -Fica fria. – disse no ouvido da garçonete, enquanto deixava um punhado de dinheiro no bolso de seu avental. - Eu não posso deixar meus amigos esperando, concorda?

            A garçonete Jane estava desafiadora no começo, mas agora o medo estava visivelmente estampado em seu rosto. Ela optou por não mais retrucar. Saiu do caminho, talvez para chamar alguém, ou apenas para ficar de olho a uma certa distância. Mas sabia que não adiantaria confrontá-lo ali sozinha. Talvez com a sua experiência soubesse que aquele homem era capaz de fazer coisas perigosas.

            Angeline, antes de ser atropelada, também causava esse tipo de impressão, por brigar o tempo todo. Mas os que a conheciam de verdade sabiam que ela sempre batalhava por uma causa nobre. Por uma idosa que havia sido insultada, pelo irmãozinho que se metera em confusão, ou para livrar sua amiga Yukie de problemas na escola. Para fazer justiça com as próprias mãos, ela nunca pensava duas vezes. Mas aquele homem era diferente. Parecia mais ser do tipo que gostava de intimidar, por simples prazer, daqueles que só o poder era capaz de proporcionar. Contra esses tipos corrompidos, Angeline já estava acostumada a agir. Em outra época certamente já tentaria expulsá-lo dali na base da força bruta. Ela era bem capaz disso, mas dessa vez, como ceifeira, esperou e por enquanto decidira apenas observar.                                              

            O rapaz andou calmamente, como se ali fosse o seu território.  Foi direto até a mesa onde estava Leviatã King e seu amigo, Ronald Bowers. Assim que chegou, se sentou ao lado do rapaz, sem pedir licença. E de forma debochada tomou um gole do seu milk shake.

            -E aí King. Que calor está fazendo hoje, não? Vejo que trouxe um amigo. Achei que seria apenas eu e você.

            Leviatã King não se sentia nada confortável. Estava suando frio. Mas as palavras ácidas pareciam acompanhá-lo sempre em qualquer situação.

            -Rony é só um gordo estúpido. Não ligue pra ele.

            -Ei! – protestou Rony. – isso não foi nada legal.

            -É King. Não devia falar assim com o seu amigo. Não foi nada legal. Você devia pedir desculpas.

            -I-isso não importa.

            O rapaz olhou para Leviatã King de um jeito intimidador. Praticamente como um carrasco prestes a executar a sentença em um condenado à morte.

            -O que foi que você disse? Será que eu escutei direito?

            Leviatã sabia o que aquele tom significava. Engoliu o seu orgulho como se fosse uma bebida amarga e para o espanto de Rony, fez exatamente o que o outro sujeito havia sugerido. Abaixou a cabeça, de uma forma que o garoto gordo jamais vira e jamais imaginaria.

            -Me desculpa.

            O homem inconveniente começou a gargalhar, sem escrúpulos.

            -Você é um cagão, King! Precisava ver a sua cara. Eu só estava brincado.

            Mas Leviatã King não achara a menor graça. Odiava aquele cara, que ao mesmo tempo também o apavorava. Rony respondeu gaguejando, meio perplexo.

            -N- não foi nada Leviatã, não precisa se desculpar.

            Se sentindo humilhado, os punhos de Leviatã se fechavam, quase a ponto de sangrar. Já estava se arrependendo de ter trazido Rony até ali. Era o único amigo que restava e como ele o respeitaria dali em diante? Cortou logo o assunto, antes que piorasse, para a parte que estariam ali para resolver.

            -Bud. Vamos, eu fiz o que você pediu. Me devolva aquilo que foi combinado.

            Bud. Que tipo de pessoa ele era? a apreensão começava a cada vez mais tomar conta do lugar.



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