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História Angel After Death - Capítulo 28


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Capítulo 28 - O Drama de Leviatã


Parecia evidente que Leviatã King estava sendo chantageado. Mesmo que a inteligência não fosse o seu forte, até Ronald Bowers começava a perceber que aquele Bud era uma ameaça para a tranquilidade do lugar. Curioso em saber o que ele havia obrigado Leviatã a fazer, o rechonchudo rapaz até parou de comer o seu hambúrguer por alguns instantes. Já o seu amigo a cada minuto parecia mais tomado pela inquietude.

-Fez mesmo o que te pedi? Não esperava menos de você, garoto. – disse Bud. – mas, sabe como é, eu só confio no que os meus olhos enxergam.

Leviatã King abriu a sua mochila e tirou dela uma caixa. Entregou a Bud, que abriu para verificar se realmente era aquilo o que esperava. Dentro da caixa havia o que parecia ser uma coleção de vários jogos de playstation, todos últimos lançamentos. Após algum tempo analisando em silêncio, Bud deu o seu parecer.

-Beleza, parece que está dizendo a verdade.

-Agora me fala, onde ele está?

 -Pra que tanta pressa, meu rapaz? Seu amiguinho está seguro. Vamos aproveitar pra nos conhecer melhor.

 Ao que tudo indicava, Leviatã não entrou em uma fria qualquer. Era uma situação que envolvia sequestro. Roni sentia o clima no ambiente pesar ainda mais. Bud agora se dirigiu a ele, como se o pressionasse.

 -Me diga, gorducho, aqui entre nós, como vocês conseguiram arrumar todos esses jogos?

 -Nós roub...- Leviatã tentou se antecipar exasperado, mas Bud o interrompeu bruscamente colocando o seu dedo indicador bem próximo aos lábios de Leviatã, em um gesto para silenciá-lo.

  -Peraí garotão. Eu perguntei a ele. Espere a sua vez de falar.

  -Bem. – Roni Bowers respondeu levemente gaguejante. – E-encontrei Leviatã por acaso na l-lojinha de games. Ele estava comprando jogos, até perguntei se ia dar de presente pra alguém, mas ele...ai!

   Por debaixo da mesa, Leviatã chutava a canela de Roni, que terminou sua frase de uma forma confusa e desentendida. Mas já era tarde, Roni falou demais.

  -Então foi isso? – Bud se dirigiu para Leviatã com um olhar fulminante. -Você me desaponta, King. Não foi esse o combinado.

-O que importa como eu consegui? Eu te trouxe, não trouxe? O que importa é que você já tem o que queria. Agora devolva o que é meu.

Bud olhou para baixo, deixando escapar um suspiro de desapontamento.

-Você não entendeu, garoto. Não é a mesma coisa. Você me decepciona por ter tentado me enganar.

O combinado era que Leviatã roubasse alguns jogos para Bud. Ele só cometeu o erro de não comentar sobre esse detalhe com Roni, que estava sem entender até então o que havia feito de errado. Bud continuou.

-É, mas eu me enganei. Como fui pensar que um mauricinho como você que ganha tudo nas mãos iria ter bolas pra fazer isso?

Bud recentemente ficou conhecido no bairro por chantagear e se aproveitar moralmente de jovens que viviam pelas redondezas. Um dia, passou a observar a rotina de Leviatã e o escolheu como alvo de suas perversidades. O valentão havia lhe tirado algo importante. Uma companhia viva, com quatro patas e cheia de pelos. Seu melhor amigo.

-Já chega, devolve o meu cão!

No momento em que levantou a voz, Leviatã mal enxergou os punhos cerrados de Bud acertarem seu nariz em cheio. Assustado e sem reação, Roni apenas se levantou enquanto via seu amigo cair da cadeira com o impacto do golpe.

Leviatã permanecia consciente, porém atordoado e com o nariz sangrando. Bud maneirou na força para que ele pudesse ouvir seu último aviso. Agora ele o segurava pela gola da camisa.

-Vamos, agora se ajoelhe e peça perdão por ter tentado me enganar. Para sua sorte hoje estou de bom humor. E quem sabe eu te dê uma nova chance de reencontrar o seu cachorro fedorento.       

Engolindo o seu orgulho como se estivesse engolindo um copo de ácido sulfúrico, ele se ajoelhou e obedeceu.

-Perdão, eu não devia tê-lo enganado.

-Assim está melhor. Oh, mas que falta de educação minha. Obrigado pelos jogos, King. Agora sem o vídeo game correto eu não tenho como jogar, certo? - seu olhar agora era gélido e ameaçador. - Então, você tem até amanhã nesse horário pra me trazer um playstation e se eu souber que me enganou outra vez, infelizmente nunca mais vai ver o seu amigo. Você sabe onde me encontrar.

Bud o empurrou no chão, onde Leviatã ficou por um tempo, sem dizer nada. Jane, a garçonete foi até lá, mesmo sabendo que estava se arriscando.

-Por favor, não cause mais confusão aqui. Vá embora ou eu chamo a polícia!

-Não se preocupe, docinho. Eu já resolvi o que tinha que resolver por hoje. – Virou-se para Leviatã mais uma vez. – Amanhã, King.

Enquanto saía passou pela mesa de Angeline e Elizabeth, que apenas encaravam tudo de longe. O brutamontes ainda deu uma piscadela para Angeline, de um modo cafajeste antes de sair pela porta.

                                                                                               ***

Mais pessoas começavam a entrar no quase falido Dr. Food. Não o suficiente para lotar, isso há muito tempo não acontecia, mas era como se estivessem esperando Bud sair do local. Elizabeth, mantinha a sua admirável postura despreocupada, enquanto bebia a sua cerveja e esperava a hora de cumprir seus deveres de ceifeira.

-Esses jovens, estão cada vez mais rebeldes e violentos. Deve ser efeito de droga.

Angeline se levanta, sem nada dizer.

-Vai aonde menina? Sossega o facho.

-Ao banheiro. - ela mentiu - Já volto.

O banheiro ficava aos fundos da lanchonete, perto de onde estavam Roni e Leviatã. Roni tentava ajudar o amigo a se levantar, o puxando pelo braço. O rapaz se sentia humilhado e furioso. Seu nariz provavelmente estava quebrado.

-Me solte seu imbecil! Foi tudo sua culpa. Por que tinha que abrir essa boca estúpida?

-D-Desculpa Leviatã. Eu não sabia...

-Mas que inferno! - Leviatã mal podia conter as suas lágrimas de ódio.

Uma voz feminina então se dirigiu a ele. Ríspida e direta.

-Que fase patética em Leviatã?

Aquilo o deixou com os ânimos ainda mais inflamados. Não reconhecia aquele rosto, apesar do jeito de falar ser bem familiar. Franziu a sobrancelha enquanto apertava os olhos, surpreso. Normalmente usava óculos, mas estava sem eles naquela ocasião.

-Quem diabos é você? Como sabe o meu nome?

-Quem não sabe quem você é? – Angeline usava um tom de ironia – Como você se auto intitulava mesmo? Ah sim, “o primeiro da classe do colégio Monte Olimpo”. Também o mais detestável.

-Quem você pensa que é pra falar assim comigo, garota? você não sabe nada sobre mim, cai fora!

-Ah, mas eu sei. Você já me prejudicou demais.

Roni se intrometeu, protegendo o amigo, por mais que tivesse sido tão destratado por ele anteriormente.

-Deixa ele em paz, moça. Não vê o estado em que está? Aquele brucutu sequestrou o cachorro dele e o está chantageando.

-Cala a boca Roni! Não tem que dizer nada a essa garota estranha.

A expressão de Angeline mudou, se suavizando. Ela não havia escutado a conversa com Bud, apenas observava de longe, disfarçadamente.

-Sequestraram o seu cachorro?

-E o que você tem a ver com isso? Vamos sair daqui, Roni. Cansei desse lugar!

Antes que Angeline tentasse obter mais informação, naquele mesmo instante havia uma movimentação ao redor de uma das mesas ocupadas, um pouco à frente à que estava Angeline e Elizabeth. Uma mulher gritava por ajuda, enquanto o seu pai, um homem que aparentava uns sessenta anos estava tendo o que parecia ser um ataque cardíaco. Estava com o seu cartão de crédito na mão. Havia comido um lanche bem calórico e sua filha já estava desesperada e morrendo de arrependimento por tê-lo levado ali. Elizabeth se aproximou para ajudar e aproveitou para ver o nome que estava escrito no cartão.

TOBIAS BUNDY

Era o T. Bundy do post it.

-Dessa vez foi mais fácil do que eu esperava.

Elizabeth delicadamente tocou no braço do homem que se debatia de dor. O brilho branco característico dos ceifeiros saiu de sua mão naquele momento. Era um infarto fulminante. Sua filha ligou para a ambulância. Leviatã e Angeline ajudaram a carregá-lo até a ambulância, mas T. Bundy não chegaria vivo ao hospital. Em poucos minutos o homem partiria deste mundo.

O espírito do homem se encontra com Elizabeth em seguida. A ceifeira o encaminha até um portal. Um lugar esperava por ele.

-Irei acompanha-lo somente até aqui. Agora deve seguir o seu caminho. Não se preocupe. Não sentirá mais dor daqui por diante.

-Para onde irei? Estou com medo. A minha filha...

-Para um lugar de luz, meu velho. Não há o que temer. Sua missão na Terra já foi cumprida. Sua filha ficará bem.

-Obrigado.

E o homem partiu. E mais uma vez Elizabeth levou um homem que tinha o nome parecido com o de um famoso assassino, mas esse viveu dignamente.

Aquele foi o dia mais fatídico que marcou o Dr. Food e também um de seus últimos. Em poucos dias fecharia definitivamente as suas portas.



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