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História Aniki - Shingeki no Kyojin - Capítulo 11


Escrita por:


Notas do Autor


Pois é, a viciada em escrever voltou com mais um capítulo ksksksk

Esse foi pequeno e meio tristinho, mas é muito importante pro futuro. Também apareceu um personagem que vai fazer muita diferença lá na frente.

⚠️Atenção ⚠️ pode haver momentos em que dê gatilho, se você se sentir desconfortável em algum momento, por favor pule a parte que está lendo, ou pare imediatamente sua leitura. ⚠️ Lembrando que eu não quero deixar ninguém mal com minha escrita. Eu fico muito mal quando vcs se machucam lendo o que escrevo, por isso tento deixar as coisas bem leve, ok?

Aproveitem a leitura❣️

Capítulo 11 - Nono Capítulo - Tudo errado.


Fanfic / Fanfiction Aniki - Shingeki no Kyojin - Capítulo 11 - Nono Capítulo - Tudo errado.

  ☕☕☕

Eu estava nervoso. Estava há mais ou menos cinco minutos em frente a porta de madeira do escritório do Senhor Kim, o homem que iria me entrevistar e se eu conseguir, ser meu novo chefe. Mas eu estava nervoso. 

Na verdade, era um pouco mais do que isso. E eu estava ficando assustado. Eu sentia meu coração acelerado, batendo loucamente em meu peito e minhas mãos estavam suando frio, em um passar de segundos eu vi tudo o que vem acontecendo na minha vida, e não consegui frear meus pensamentos. E se eu não conseguir o trabalho? Eu já passei por tantas entrevistas, mas em nenhuma delas pareceu que os donos dos comércios gostaram de mim, nem sequer mostraram interesse em realmente me contratar, por que aqui seria diferente? Só porque eu tinha as indicações de meus amigos, o que era meio suspeito? Eu não tinha mais do que uma recomendação, e nem era tanta coisa assim, já que meu antigo chefe era um panaca que apesar de gostar do meu serviço, não quis mostrar isso nas minhas recomendações. 

Se eu não conseguisse o trabalho era fácil, não era? Era só procurar outro, não era? Mas, e se continuar assim? Eu só tenho dezesseis anos e já estou tendo dificuldades de encontrar algum emprego, imagine quando eu for maior de idade. Eu teria mesmo que continuar sendo sustentado por minha avó? Como irei cuidar de Eren assim? 

… Pare de pensar assim, Levi, você sabe o que deve fazer, tem uma ótima recomendação, tem indicações, não há nada para se preocupar, se algo der errado, não vai ser a primeira e nem a última, não tem com o que se preocupar, não é? 

Não… vai dar errado. Tudo vai dar errado, igual vem sendo durante todo esse tempo. Eu não tenho a capacidade de fazer nada. Eu sou um bosta e sei disso. Estava satisfeito com isso, mas agora eu preciso ser mais que uma simples merda na sociedade, eu preciso crescer, ser um homem responsável para poder cuidar de uma criança que não tem culpa de nada e que, por obra de um destino cruel está sob minhas responsabilidades… 

Ah, Levi, você se acha demais, não tem como isso ser real. Responsabilidades? Você faz tudo errado, o caso de Mikasa mais cedo só comprova tudo isso. Você não sabe lidar com responsabilidades, você só tenta, e nem sequer consegue lidar. Você não consegue cuidar do Eren, tanto que o menino veio sofrendo todo esse tempo e você nem ao menos conseguiu perceber. 

Você é um bosta, um merda! 

Eu não aguento isso… eu não aguento… mas por que eu continuo em pé? Por que continuo com isso? Por que?... 

Minha visão estava embaçada, minhas mãos tremendo e meu coração acelerado. Estava tudo dando errado. A porta estava bem em minha frente, eu já estava com a mão na maçaneta, então, por que? Por que eu não consigo abrir ela? Por que não consigo me mover? Se mova por favor… 

Merda. Merda. Merda. Merda. 

Eu não consigo. Vai dar tudo errado. De novo e de novo. Sempre. Quando foi que eu me tornei tão covarde ao ponto de não conseguir encarar uma entrevista de emprego? 

Talvez por estarem com expectativa em cima de mim? Ou talvez das minhas próprias expectativas acima de mim. Isso. Eu queria trabalhar aqui, onde meus amigos estão, porque eu me sinto bem ao lado deles. Queria trabalhar aqui porque vi o quanto Erwin e Hanji ficaram alegres em saber que eu queria trabalhar com eles, porque eu não falei, mas eles sabiam que eu gostava muito da companhia deles. Então, me diga Rivaille, o que mudou? Por que você não consegue mais? Por que? 

Estava tudo acontecendo de novo. 

— Não dá, eu não vou conseguir… não agora… — Me afasto da porta, andando até a ponta da escada, escutando as vozes do andar de baixo, mas eu não tinha coragem de descer. Eu não estava bem. Eu sentia que estava tonto, minhas mãos ainda continuavam tremendo, de uma forma que nunca aconteceu antes, minha respiração estava acelerada por nada. Deu tudo errado. 

Novamente. Deu tudo errado. 

Deu tudo errado… 

                          ☕☕☕

Após me recuperar, razoavelmente, eu desci as escadas. Minhas mãos não tremiam mais como antes, pelo menos não muito, apesar de ainda estarem suadas. Olhei para trás, antes de descer o primeiro degrau, encarando a porta trancada uma última vez, sentindo algo ruim no peito e um gosto estranho em minha boca, estava sentindo uma vontade absurda de chorar, mas eu não posso chorar. Não seria justo. Eu tinha a oportunidade ali, estava pronto, mas eu fracassei. Dei meia volta, antes mesmo de tentar. Eu sou um idiota que não consegue ultrapassar seus próprios limites. Eu sou um merda. 

De volta ao andar de baixo, vi meus amigos sentados na mesa que reservaram, uma que era mais próxima do balcão, simplesmente para ficar mais perto de Erwin e Hanji, que andava por todo o local, servindo os clientes, e claro, com os pequenos atrás deles, como chiclete grudado. 

A vontade de chorar cresceu ainda mais. 

—… Oi. — Digo, me aproximando do balcão, com Erwin atrás dele, arrumando algumas coisas no caixa. Ele para imediatamente o que estava fazendo para prestar atenção em mim, ansioso. 

— E então, como foi? — Ele estava empolgado, parecia mesmo que acreditava que eu iria conseguir o emprego. Desculpe, Erwin, essa é a primeira vez que irei mentir para você, mas espero que entenda que não é por mal. Você fez errado em confiar em mim, mesmo que seja por uma coisa tão banal. 

— Eu não sei. Eu fiz tudo como o planejado… — Sinto um bile subindo pela minha garganta, a vontade de chorar crescendo cada vez mais, parecia até que, quando mais eu insistia em desafiá-la, mais ela vinha com força. — Ele disse para mim esperar por uma resposta. — Dou um sorriso pequeno. Vendo ele acenar com a cabeça e cruzando os braços, como se estivesse pensando.

— É, tem razão. Ele precisa analisar mais um pouco, não pode sair contratando gente de primeira. Mas, eu vou pegar no pé dele pra ver qual vai ser a resposta, vai que ela vem mais cedo, não é? — Merda. 

— É melhor não. Se você ficar enchendo demais é provável que ele não me queira aqui, e se eu não for contratado não tem problema também. — Vejo um bico pequeno se formar em seus lábios, acho que ele engoliu minha desculpa. — Pode preparar um café pra mim? Sem açúcar. — Peço, virando a cabeça pro lado, para fazê-lo parar com aquele assunto. Já deu por hoje. 

— Tá. Vou lá preparar. — Ele se vira, indo pra dentro de uma sala, atrás do balcão, provavelmente a cozinha. Preparar meu café. Minhas mãos ainda estavam tremendo, mesmo que pouco, então eu sei que preciso me acalmar. O café é bom nesses momentos. Café me acalma. 

— Olha, aniki! — Eren grita, se aproximando de mim, estendendo com as mãos um cupcake com chantilly rosa e com um enfeite comestível de orelhas de coelho. — Pra bobó! 

— Hm, tenho certeza que ela vai amar. Quem foi que te deu? — Ele apontou para uma das mesas um pouco longe, onde Hanji estava atendendo um casal. 

— Foi a doida. — Ele diz com uma espontaneidade tão natural que foi impossível não rir. Me agachei pegando-o no colo, olhando firme em seus olhos esmeraldas, que sempre me acalmava, por lembrar o papai.

— E você agradeceu a doida? — Perguntei, recebendo um aceno como resposta. 

— Sim. Ela disse que é sua amiga. — Ele falava, mexendo em um botão da gola de minha camisa. Beijei sua bochecha bem apertado, o abraçando forte. Era tudo o que eu precisava. Era tudo o que eu estava precisando: um abraço do meu pequeno. 

— Disse foi? 

— Hunrum… ela também disse que você é um nanico malvado, que não compra pão pra ela. — Ele disse, franzindo o cenho, me olhando sério e apontando o dedinho pra minha cara. — Não pode, nii-chan, tem que ser bonzinho com seus amiguinhos, ouviu?! — Ah, eu não estava escutando isso. 

— Como? — Perguntei atônito, com quem ele vem aprendendo isso? 

— Ouviu só, Rivaille. O menino tem razão. — Tinha que ser. 

— Está usando meu irmão para me subornar? — Perguntei, vendo-a rir alto. 

— O garoto é esperto. Bate aqui! — Ela levantou a mão, com Eren batendo nela em seguida. Mas, olha pra isso! 

— Aniki, esse menino é muito fofo!! — Escuto Isabel vir gritando pro meu lado, segurando Armin em seus braços, já Mikasa estava no colo de Farlan, que vinha logo atrás. — Olha essas bochechinhas! Dá vontade de morder!! — Ela aproxima o rosto do pequeno, mas ele afasta ela com as mãozinhas. 

— Não, não. — Ele diz, sério, mas só conseguimos ver ele mais fofo que o normal. 

— Eren, cuidado, vai derrubar o capcup! — Mikasa diz, apontando pro bolo nas mãos do meu pequeno. Farlan ri da fala errada dela. 

— Um o que? — Perguntou pra ela, que estranhou. 

— Capcup! — Ela diz. Shii, ele queria irritar ela. Uma aposta perigosa, só eu sei o quanto essa criança em específico, pode ser brabinha. — Foi a moça que disse. — apontou para Hanji. — Capcup! 

— Aqui o seu café, Levi. — Erwin chega, estranhando todos estarem em cima do balcão, se antes estavam todos na mesa. — O que eu perdi? 

— A menina fala errado. — Farlan comenta rindo, e Mikasa fica cada vez mais irritada. 

— Foi a moça que disse, capcup! — Ela grita, ficando mais irritada ainda. Erwin sorriu, se aproximando da menina. 

— É cupcake. — Ele a corrige, vendo os olhinhos dela o ver curiosa. 

— Nii-san… — Escuto Eren falar com a voz fanhosa, para só então eu perceber ele. Todo sujo de chantilly rosa. — Diculpa…. — Ô, meu Deus. 

— Tudo bem, a gente compra outro pra vó. — Digo pegando um guardanapo e limpando o rostinho dele, que balançou a cabeça, enxugando algumas poucas lágrimas que caíram e voltando a se empanturrar com o doce, mas ainda com carinha triste por não ter resistido a comer o doce da vó. É um bebê mesmo. — Armin já comeu também? — Hanji negou, olhando para mim preocupada. 

— Ele disse que não ia comer, porque não queria dar trabalho. Eu até queria pagar pra ele, mas ele não aceita. — Ela diz, o loirinho então, somente negou a cabeça, querendo descer do colo de Isabel, parecendo perceber que eu o iria fazer comer de qualquer jeito. 

— Nada disso. Tem que comer. — Digo, o segurando com um braço, o retirando do colo da ruiva. Por fim, estando com Eren apoiado em um braço e Armin em outro. — Vamos, está na hora de todos comerem. Vem Mikasa. 

Foi só então que vi ela em pé no balcão, sendo apoiada por Erwin que tirava todas as dúvidas dela sobre o dinheiro e a máquina que havia ali. Olha só, ela era tão fofinha, pena que é tão grossa comigo. 

— Ouviu, Mikasa, hora de comer. Vamos. — Erwin a pega no colo, me ajudando a levá-los até a mesa onde estávamos compartilhando. 

No final, Armin se sentia mais confortável perto de mim, do que com os outros, então aos poucos fui o alimentando com meu próprio doce, que era um bolo de chocolate, que na verdade nem comi, por não gostar, permanecendo só no meu café. Eren comia de tudo um pouco, mas, se aproveitando da comida de Hanji, que por estar trabalhando tinha que ficar saindo da mesa a todo momento para atender um cliente, igualmente com Erwin. Já Mikasa havia chamado a mãe para ficar conosco, o que aceitamos de bom grado. Ela era uma mulher adorável e bem jovem, pelo visto. Mikasa ficava mais perto de Eren, comendo com ele e de vez enquanto eu os via dividindo comida entre si, fofinhos demais. 

Aquele momento foi especial para mim, pois me fez esquecer o que tinha acontecido minutos antes. Me fez esquecer do quanto estava mal, mas era só momentâneo. Eu sabia que essa noite eu não conseguiria dormir de novo. 

É no silêncio da noite que meu demônios me perturbam, e eu sinto que esse não vai me deixar em paz… 

Mas, somente por esse momento eu me permito sentir paz na bagunça dos meus amigos. 

                        ☕☕☕

— Prontinho, Armin, já chegamos. — Digo ao parar em frente a casa dele, que era, incrivelmente perto de casa, era somente uns três quarteirões. Soltei sua mãozinha para tocar a campainha, esperando alguém vir atender, enquanto isso ele ficava ali, conversando com Eren, numa brincadeira infantil. Mikasa insistiu em ir junto, mas a mesma não pôde, voltando para casa com a mãe, prometendo ver os dois no dia seguinte na escola. 

— Né, aniki. — Eren me chama. — O Armin e a Mikasa podem ir lá em casa brincar comigo, não é? — Ele pergunta esperançoso. 

— É claro que pode. Inclusive, podem ir lá à vontade, são muito bem vindos. — Digo, especialmente para Armin. De alguma forma eu havia me apegado também aos amigos de Eren, gostaria de poder proteger todos eles, e colocá-los num potinho. 

— Você é incrível, ni-chan! — Armin gritou pulando, animado. Eren começou a pular junto, também alegre com minha resposta. Ah, Armin, eu queria poder me sentir incrível. 

Me agachei em frente a Armin, quando escuto um barulho de chaves vindo da porta da casa do mesmo. Estávamos dentro de uma cerquinha que rodeava sua casa, mostrando um jardim, no qual Armin adorava brincar, de acordo com o que ele disse a Eren. Eu peguei de dentro da minha mochila o livro dele, que guardei por precaução, entregando nas mãos dele.

— Aqui, Armin. Está entregue. — Baguncei seus cabelos carinhosamente, escutando sua risada fofa. Esse garoto é muito precioso.

— Quem é? — O senhor de idade abriu a porta, confuso, mas logo se animou quando o neto o abraçou, gritando alto um "Cheguei". 

— Olá, senhor. Eu sou Rivaille, eu que fiquei responsável pelo Armin essa tarde. — Digo, me reverenciado com respeito, me apresentando para o mesmo. Ele sorriu, abaixando a cabeça, não conseguindo se curvar como eu pela idade. Ele parecia um senhor legal. 

— Oi, meu jovem. E esse pitoco de gente? — Ele pergunta, percebendo Eren, se escondendo atrás de mim. Algumas coisas não mudam, e a timidez de Eren com pessoas novas não era algo que iria mudar da noite pro dia. 

— Ele é o Eren, meu irmãozinho. — Digo. 

— Ele não tem boca não? Fala menino! — Ele diz, me surpreendendo, o que assustou Eren de início, mas não o intimidou. Eu ri de sua fala, pelo jeito quanto mais velho, mas impaciente se fica, não é mesmo? 

— Velho, você é o bobô do Armin? — Eren falou, me surpreendendo mais ainda. Bato de leve em sua cabeça, o repreendendo. 

— Não chame os senhores de idade de velho, pirralho! — Eren segura a cabeça, me olhando feio por ser repreendido, mesmo sabendo que eu estou certo. O senhor, no entanto, não pareceu se importar, rindo e ajudando seu neto com as coisas que Armin carregava. Os colocando no pé da porta, do lado de dentro. Aproveitando que ele estava se sentindo à vontade na nossa frente, pelo menos era o que ele mostrava, eu me aproximei, fazendo-lhe uma pergunta. — Senhor, eu posso começar a levar o Armin para a escola? 

— hm? 

— É que, por aqui é caminho, e seria bom, já que Eren vai com ele também, os dois vão juntos. — Digo, me explicando. O velho então sorri, quando o neto fica animado com a minha ideia. Ele parecia gostar mesmo do netinho dele. 

— Eu vou pensar, não posso deixar ele ir sozinho com um completo desconhecido. — Ele diz, de modo severo, que todo velho tem. Ele parece ser bem rabugento, mas é hilário, se você ver por outro lado. 

— Tudo bem. Não tem problema algum. — Acho até que era melhor, Armin iria comigo e voltava com a professora Nanaba, assim não ficaria andando com o irresponsável do primo, que provavelmente o deixaria andar livre no meio da rua. 

Eu sei que posso estar errado, e que nem conheço o fedelho, mas eu não tinha escutado coisas boas. Eu poderia mudar de ideia quando o conhecesse, mas por enquanto não quero arriscar. Se eu puder, farei, nem que seja o mínimo por Armin. 

— Diga tchau, Eren. — Eu digo, e logo Eren se despede de Armin com uma abraço fofo, igualzinho como ele faz todos os dias. Me despeço do senhor de idade para seguir meu caminho até em casa. 

Depois disso, fomos caminhando até em casa, mas pelo caminho encontramos Mikasa e sua mãe, que moravam na mesma rua que a gente. Tô quase a um mês naquele bairro e eu não sabia que elas eram nossas vizinhas, o que era ótimo, já que tinha mais um amiguinho de Eren por perto para ele ir visitar. Quando chegamos em casa, Eren, após tirar seus sapatos, às pressas, ele foi até a cozinha, doidinho pra um copo de água. Quando entrei, logo atrás dele, vi minha avó conversando com uma mulher na sala, quando me viu, ela logo me chamou. 

— Olha, Levi, essa aqui é a Kuchel, uma amiga minha, ela mora aqui no bairro. — Minha avó apresenta com um sorriso no rosto. Reparo mais na mulher, admirando seus belos cabelos longos e ondulados escuros, iguais aos seus olhos que pareciam ter um universo inteiro. Ela não parecia ter mais de trinta anos, e apesar disso, tinha uma beleza invejável e sem igual. Eu fiquei de cara. — Ela vende bolinho de pote e arte de barro, né querida? 

— É sim. — Ela sorri. — É um prazer te conhecer, Levi. 

— O prazer é todo meu. — Digo, ainda de cara com a beleza da mulher. Quem olhasse de longe acharia que eu me apaixonei pela mulher, mas não era isso, é que realmente essa mulher é linda, e ela é daquele tipo que eu deixaria me bater e ainda agradecia. Tá bom, isso foi desnecessário. 

— Eren, venha conhecer a visita! — Minha avó grita bem no meu pé do ouvido, escutando a risada baixa da mulher à minha frente, que riu pela minha reação de dor. Escuto os passos rápidos de Eren, que parou de repente no batente da porta que ligava a cozinha e a sala. 

— Quem é, bobó? — Eren perguntou, apontando pra mulher, até então desconhecida. 

— Uma amiga da vovó, venha dar oi. — Ele veio todo tímido, se escondendo atrás de mim, novamente, mas dessa vez mais curioso sobre a visita, e não tímido. 

— Oi, você é uma fofura, sabia? — Ela diz, estendendo a mão. Vi os olhos dele brilharem em um sorriso grande e ele apertar a mão dela, rapidamente. O que me surpreendeu, já que Eren não era do tipo que se comunicava assim tão rapidamente com as pessoas. — Oh, você é muito fofo! 

— Você parece a mamãe, não é, aniki, ela parece a mamãe! — Ele diz, pulando. Senti um tiro no meu coração com essa sua fala. Era verdade, ela parecia a mamãe, mas eu não achei que ele iria perceber. 

Suspiro. As coisas estão muito complicadas hoje. 

— É, ela parece. — Respondo, segurando os ombros dele e me agachando. Vovó estava em um silêncio constante sem saber o que fazer, e a mulher se pareceu afetada, mas, também em um constante silêncio. — Mas ela não é… — Digo triste, vendo então a animação de Eren desaparecer um pouco. Ele ainda tinha esperança de que eles iriam voltar. 

— Diculpa, aniki… — Ele me abraça, mesmo com uma lágrima caindo sobre suas bochechas. O pego no colo, me dirigindo às duas mulheres a minha frente. 

— Com licença. — Peço, saindo dali, indo pro quarto, com Eren em meus braços. 

Ao chegar no quarto, me sento na cama, com Eren ainda agarrado em mim. Fico ali em silêncio por um tempo, até que eu suspiro e começo a chamar sua atenção. 

— Eren, eu achei que já tivéssemos conversado sobre isso… — Começo, sentindo ele apertar mais meu pescoço. 

— Eu sei… Diculpa… eu achei que era a mamãe…. — Ele diz. O puxo para que ele me encarasse no rosto, dizendo firmemente, mas carinhosamente. 

— A mamãe não vai mais voltar, mas ela também nunca foi embora. Ela está aqui. — Toco seu coração, o vendo prestar bastante atenção em minhas palavras. — Eles estão sempre conosco, cuidando de nós, mas a gente não consegue ver eles. Você entende, Eren? — Ele abaixa a cabeça, concordando timidamente. Terminando por me abraçar forte, e assim continuamos por vários minutos. 

Naquela noite eu expliquei para Eren mais sobre como iríamos viver agora, rendeu lágrimas, mas também entendimento. No final, Eren me compreendeu, e eu decidi que seus amiguinhos iriam vir no final de semana para o distrair mais. Durante aquela noite, eu também desviei de todas as investidas da minha avó sobre a entrevista de emprego, ainda estava muito sensível sobre o que havia acontecido e ignorei todas as mensagens, focando minha atenção em Eren. 

De madrugada eu ainda estava acordado, em uma crise existencial. Aquele dia deu tudo errado, mas eu também entendi várias coisas sobre mim mesmo. Eu ainda estou me sentindo um merda. Mas, não tenho o que fazer agora. Eu estava me sentindo mal, mas eu me recusava a chorar, me recusava a colocar toda aquela dor para fora. E eu tenho certeza que isso que é o que estou fazendo de errado. Mas eu não consigo. Eu não posso chorar. Eu não quero chorar. Não mais... 

Naquela noite eu não dormi nada. Naquele dia, deu tudo errado… 

                                                    Continua


Notas Finais


Gente, aqui o Levi tem crises de ansiedade, onde ele se diminui muito e como ele mesmo diz se sente um bosta. Uma coisa que eu meio que me inspirei em algo que aconteceu comigo 😔

Aqui também o Eren é uma criança, é difícil para ele entender que seus pais não estão mais com ele, então se estiver muito repetitivo, por favor cooperem, ele é só um bebê.

Eu só consegui trazer isso, me deu uma inspiração do nada e eu tive que escrever 😅

Me desculpem qualquer erro também, eu não revisei :D

Espero que tenham gostado e até o próximo capítulo 💕


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