História Anjo da Noite; "Guardiões Sombrios" - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Drama, Espíritos, Lobisomens, Romance, Vampiros
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ecchi, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - "A Águia e seu Menino"


Fanfic / Fanfiction Anjo da Noite; "Guardiões Sombrios" - Capítulo 1 - "A Águia e seu Menino"

Parecia estranho voltar para o castelo e a cidade-grande depois de todos aqueles anos. Colin se virou ao pé do morro com a pequena trouxa de pertences jogada por cima do ombro e olhou para os muros imensos. O Castelo de Prata dominava a paisagem. Construído no alto de uma grande colina, voltado para o oeste, ele tinha uma estrutura triangular maciça e uma torre em cada um dos três cantos. No centro, protegido pelos muros altos, estavam o pátio do castelo e a fortaleza, uma quarta torre que se elevava acima das outras e que continha a residência oficial do barão, seus aposentos particulares e os de seus oficiais superiores. O castelo tinha sido construído com minério de ferro; uma pedra quase indestrutível e, sob o sol fraco da manhã ou da tarde, parecia emitir um brilho interno de prata. Era essa característica que lhe dava nome: Montanha de Prata. Ao pé da colina e do outro lado do Rio Tarbus estava a vila de Wensley, o seu alvo e um grupo confuso e alegre de casas, uma pousada e as lojas dos artesãos; uma tonelaria, uma oficina de conserto de rodas, uma ferraria e uma selaria. 

Parte das terras ao redor tinha sido desmatada para proporcionar áreas de cultivo para os moradores da vila e evitar que os inimigos pudessem se aproximar sem ser vistos. Em épocas de perigo, os moradores conduziam seus rebanhos para o outro lado da ponte de madeira que cruzava o Tarbus e buscavam abrigo atrás dos muros maciços do castelo, protegidos pelos soldados do barão e pelos cavaleiros treinados na Escola de Guerra de Montanha de Prata. O prédio que ele procurava era muito parecido com uma bigorna. Havia um homem parado á entrada da forja, com os olhos verdes e os cabelos ruivos iluminados pelo fogo. Era de longe o maior homem da vila, e as longas horas martelando o metal na forja lhe concederam ombros largos e um peitoral sólido como um barril. Ele fazia com que Colin, um rapaz pequeno e magro, parecesse ainda menor. 

Ber - Bem como eu pensava. Você precisa se livrar dessa cara lisa. Minha tia Gerla tinha um bigode mais grosso que esse. Livre-se dessa cara de bebê até que você tenha uma pelugem de verdade, como o meu. 

Os olhos de Berdon brilhavam enquanto ele torcia as pontas do próprio bigode ruivo que se eriçava, espesso, acima da barba grisalha. Colin controlou-se para não admitir que o ferreiro parecia ridículo daquele jeito, enquanto abafava uma risada. Mas Colin também sabia que o ferreiro tinha razão. Ele era pálido, o que não era surpreendente, já que estava tão ao norte da Ilhas Orientais. Os verões eram curtos em Crydee, onde o garoto passava algumas curtas, mas divertidas, semanas com os outros meninos na floresta, pescando trutas nos córregos e assando avelãs na fogueira. Era a única época na qual Colin não se sentia um forasteiro. A expressão dele era séria, com maçãs do rosto definidas e olhos azuis um tanto brilhantes e selvagens. O cabelo era uma bagunça de branco como neve, embora alguns alegam ser cinza-claro, que Shiv Levoreth era obrigada a literalmente tosar quando ficava selvagem demais. Colin sabia que não era feio, mas também não exatamente belo se comparado aos meninos mais ricos, bem alimentados, de cabelos loiros e bochechas coradas da vila. A forja estava iluminada pelo incandescer suave dos carvões, que soltavam uma leve fumaça enquanto queimavam.

Ber - Tenho alguns presentes para você; cortesia da Lady Levoreth. Você vai precisar de proteção. Tome isto.

Anunciou Berdon. Havia um cavalete de armas na parede oposta. Berdon selecionou uma espada curva dos fundos, onde ficavam os itens mais raros. Ele a ergueu contra a luz. Era uma peça estranha, que Colin nunca vira antes. O primeiro terço da lâmina era como o de qualquer espada, uma empunhadura de couro seguida de dez centímetros de aço afiado. Mas a parte seguinte da espada se curvava num crescente, como uma foice com escritas estranhas entalhadas na lâmina; como runas. No fim da curva a espada continuava com uma ponta aguda novamente. 

Ber - Você não recebeu treinamento formal, então se você se meter em encrencas... bem... nem vamos pensar nisso. Esta espada-foice é uma arma imprevisível. Inimigos não vão saber como aparar seus golpes. Você pode prender a lâmina deles na curva da foice, então avançar além da guarda e golpear com o gume traseiro. A ponta é longa o bastante para estocadas, então não tenha medo de usá-la assim também. As runas são como canalizadores mágicos, usados para absorver e usar sua magia na lâmina. Você pode usar sua magia nela para deixá-la mais resistente, ou simplesmente incendiá-la. Mas isso é com você e Lady Levoreth. Eu não sou mago.

Berdon demonstrou, cortando o ar para baixo e para o lado, em seguida trazendo o gume de trás para cima até a altura da cabeça e estocando violentamente. 

Ber - A borda exterior da foice é curva como uma boa cabeça de machado. Você pode usá-la para rachar um escudo ou até para derrubar uma árvore, se precisar, muito melhor do que qualquer outro tipo de espada. Dá para separar a cabeça de um homem dos seus ombros com um bom golpe. 

Berdon entregou a arma a Colin, que a prendeu às costas da bolsa com um cinto de couro. 

Ber - Mantenha a espada oleada e fora da umidade. Por causa do formato, ela não encaixa em bainhas convencionais. Você vai ter que mandar fazer uma, quando tiver a chance. Diga ao ferreiro que é um khopesh de tamanho padrão, e ele saberá fazer uma, se conhecer o ofício.

Explicou Berdon. 

Col - Obrigado. Vou fazer isso.

Respondeu Colin agradecido, acariciando o pomo de couro.

Ber - Quanto ao arco...

Ele disse, voltando-se para o cavalete de armas na parede oposta. Berdon selecionou um arco dos fundos, onde ficavam os itens mais raros. Ele a ergueu contra a luz. A primeira reação de Colin foi de surpresa, pois era a primeira vez que ele havia visto um arco como aquele. As pessoas usavam arcos para caçar. Todo mundo tinha um arco. Era mais um instrumento do que uma arma. Quando tinha 5 anos, ele mesmo construíra vários curvando galhos de árvore verdes. Então, como abriu a boca para falar, mas não disse nada, ele olhou o objeto com mais atenção. Aquele não era um galho curvado. A arma era diferente de tudo o que Colin já tinha visto. Quase todo o arco formava uma curva comprida, como todos os outros, mas suas pontas eram viradas na direção contrária. Colin, como a maioria das pessoas do reino, estava acostumado aos arcos normais, que se curvavam numa linha contínua, mas esse era bem mais curto.

Era um arco recurvo. O brilho azul que rodeava as runas do objeto desapareceu para revelar o seu verdadeiro material feito de um galho de uma árvore de ébano. Outra vez, Colin olhou para o arco, que estava na sua mão. Agora que estava se acostumando com seu formato diferente, viu que era uma arma muito bem-feita. Muitas tiras de madeira de grossuras diferentes tinham sido coladas umas às outras, e seus veios corriam em várias direções. Era isso que formava a curva dupla do arco, como se diferentes forças empurrassem uma às outras, dando aos pedaços do objeto uma forma cuidadosamente planejada. Uma fraca luz azul turvou em sua mão enquanto ele traçava os dedos pelo objeto, seu poder sendo absorvido aos poucos e discretamente pelas runas até brilharem.

Ber - Opa, opa! Mantenha esses dedos mágicos longe do arco antes que você exploda alguém.

Instruiu Berdon, fitando o arco-rúnico com olhos arregalados.

Ber - Está é uma das minhas melhores e mais perigosas peças. Você não faz ideia de quanto tempo eu levei para encontrar as runas certas para esta coisa, sem a ajuda de um mago. Então, depois daquele incidente em Lindros, os fogos e as explosões no telhado da capela, é melhor não chamar atenção.

Col - Eu subi lá com uma... uma amiga. Não pra abrir um buraco na torre do sino.

Maia queria ver as estrelas, pensou Colin. Foi depois que ela beijou sua bochecha que os fogos começaram. O rosto de Colin ficou vermelho com a lembrança. Ele balançou a cabeça para afastar os pensamentos, segurou o arco e o examinou, perguntando-se como exatamente poderia manter o brilho das runas fora de vista, ou simplesmente impedir que isso absorva seu poder e não acabe resultando em uma explosão. Subitamente, os sinos começaram a tocar, o som metálico reverberando pelas ruas.

Ber - Tudo bem, agora vá. Eu tenho muito trabalho antes de adormecer martelando na forja hoje.

Afirmou Berdon, empurrando o menino para fora da forja, para o ar frio da tarde. 

Ber - Adeus, garoto. 

Colin olhou pela última vez o amigo e ferreiro, uma silhueta à porta. Então ela se fechou e ele estava sozinho no mundo novamente. Ele brincava com o cabo da adaga, que havia enfiado no cinto, e tentava passar uma aparência assustadora. Na verdade, ele tinha duas, uma sendo a adaga e outra uma faca de esfolamento. A primeira era pequena, com um cabo grosso e pesado feito de uma série de discos de couro colados um no outro. Havia uma cruzeta de bronze entre o punho e a lâmina e um botão na ponta que combinava com ela. Colin tirou a faca curta da bainha e notou que ela tinha um formato diferente. Era estreita no cabo, alargava-se no meio e tornava a se afinar na ponta extremamente afiada. Colin sorriu, sabendo que aquela foi feita para ser atirada. A largura dela compensava no peso do cabo, e a combinação do peso dos dois ajudava a fazê-la chegar aonde ele queria quando atirada. A segunda faca era mais comprida, a faca de esfolamento da bainha fina em sua coxa. O cabo era feito com os mesmos discos de couro e tinha uma cruzeta curta e firme. A lâmina era pesada e reta, muito afiada num dos lados, grossa e pesada no outro. Foi feita pelos melhores ferreiros da vila, e Colin cuidava muito bem dela e a mantinha afiada. Lutou contra a sensação de estar sendo observado.

O sol já tinha quase desaparecido do céu. Restavam pouquíssimos minutos antes que Shiv começasse a se preocupar com o menino; e ainda precisava encerrar os trabalhos com as encomendas do Poleiro. Um bando de abutres pairava acima da estrutura do Poleiro, agora bem próximo. Enquanto espantava os pombos do caminho durante a sua passagem destrambelhada, Colin esquadrinhava o ar procurando um par de asas familiar no meio do planar agourento dos carniceiros. E não demorou a identificá-lo. Um borrão dardejou contra um dos infelizes, que interrompeu seu círculo para cair em uma espiral de morte. Aquela ave não estava nem um pouco interessada em planar em sintonia com os abutres. Zirrel era menor que a maioria das águias e por isso mesmo se tornara a mascote de Colin; ele não atendia às expectativas de um bom falcão-mensageiro, mas entendia muito bem de águias como seu pai. Mirrado e rebelde, nunca voava direto para os postos onde era condicionado a pousar e sempre voltava com um rato na boca. Em mais de uma ocasião, nublada pelas névoas do tempo, o criador antigo ameaçou sacrificar o bicho por ele ser muito dependente de cuidados, e o pequeno Colin, com o semblante impassível e as costelas marcando a pele graças à fome constante, prontificou-se a fazer o serviço. Levou o animal para longe dos olhos do homem e logo estava de volta, silencioso, quieto.

O animal foi encontrado poucas horas depois, debaixo do catre no quarto de Colin, localizado em razão de estardalhaço que fazia por ter sido colocado numa gaiola improvisada e no escuro, ainda por cima. O falcoeiro se enfureceu. Após levar um sermão furioso, Colin confessou que não queria matar o bicho. Ele já havia perdido os pais e não queria perder mais ninguém. O velho falcoeiro, como qualquer outro servo de Montanha de Prata, não era muito chegado a sentimentalismos. O pouco que as pessoas se permitiam sentir ali era reservado para os familiares e entes queridos nos Campos Exteriores; isso se houvesse alguém do lado de lá os esperando no Dia de Louvor. Porém, ele se deu conta de que o pequeno Colin estava no Poleiro para pagar a dívida dos pais mortos e que já havia sofrido o suficiente nos últimos tempos, a ponto de ter soterrado a infância de forma definitiva. À sua maneira rude, ele se preocupava com o bem-estar do menino. Essas pragas comem qualquer coisa, é só deixar esse bicho solto que ele se vira. Disse o primeiro falcoeiro naquele dia distante, dando as costas a Colin e trancando a pesada porta de madeira que levava ao topo do Poleiro. E se algum guarda quiser tirá-lo de você, deixe. Não sofra mais do que pode aguentar. 

Mesmo após tantos anos, Colin lembrava-se bem daquelas palavras. Às vezes esquecia os nomes das pessoas, já que tantos servos iam e vinham, num eterno fluxo de morte e destinos incertos. Porém, não se esquecera do falcoeiro que lhe ensinou boa parte do ofício: Gunnar. Foi ele quem sugeriu o nome Zirrel. O velho desapareceu sem mais nem menos quando Colin tinha cerca de seis anos, o que fez o garoto assumir o comando do Poleiro por um tempo, até encontrarem alguém mais capacitado; um cargo que ninguém queria, pois o lugar cheirava a merda e mofo, ficava no topo de uma escadaria interminável e, para piorar, envolvia aves de rapina bem assustadoras. Olhou para o Poleiro novamente, e então soube que não precisava mais ir até lá para trabalhar, pois estava livre de sua dívida havia três meses. Ele sorriu enquanto caminhava pelas ruas de paralelepípedos, sabendo que precisava chegar em casa urgentemente. Olhou para cima e estendeu o braço direito. Zirrel deu uma volta completa no Poleiro, sempre descendo, e fechou as garras na faixa de couro que protegia o pulso do rapaz, olhando para ele com uma acusadora pena negra saindo da boca. 

Col - Eu aqui desesperado para não receber outra bronca da sra. Levoreth, e você aí comendo, sua galinha mimada! 

Colin riu mesmo em meio à urgência, colocando a ave no ombro e começando a correria para fora dos portões da cidade, de onde conseguiria voltar para a vila Crydee de onde nunca deveria ter saído. 

Col - Como eu queria ter nascido águia!

A vila ficava depois da floresta em um grande campo gramado entre um rio que cortava a vila em dois, e o único caminho até lá era uma trilha traiçoeira e de terra pela floresta, bem à vista dos portões. Uma grossa paliçada de madeira cercava a vila, equipada com pequenas torres de vigia a intervalos regulares. A vila não era atacada havia muito tempo; apenas uma vez nos sete anos desde o nascimento de Colin. Mesmo então, fora apenas um pequeno bando de ladrões, em vez de uma incursão dos orcs, algo muito improvável tão longe ao norte das selvas. Apesar disso, o conselho da vila levava a segurança muito a sério, e entrar após o nono sino era sempre um pesadelo para os retardatários. Mas Colin conhecia um atalho que poderia ajudá-lo a chegar mais rápido. Ele se embrenhou na vegetação, que vinha até sua cintura, sentindo caules secos arranhando suas calças e gravetos se quebrando sob suas botas de couro. Umas cem ou mil árvores bem grandes cresciam ali e, quanto mais ele avançava, mais escuro e denso o matagal se tornava. Pelo canto do olho, ele pensou ter visto alguma coisa passando por trás das samambaias, algo grande e preto, mas que sumiu assim que ele virou a cabeça. Ele ouvira histórias de viajantes sobre cães que esgueiravam-se pelas matas e trilhas traiçoeiras e assombravam passagens de montanhas, estradas florestais e locais semelhantes. 

Okuri Inu. Eles se assemelhavam a cães lobos comuns com toda a sua ferocidade; porque são muito mais perigosos que suas contrapartes mortais. O okuri inu segue viajantes solitários tarde na estrada à noite. Persegue-os, mantendo uma distância segura, mas seguindo passos de passos, contanto que continuem caminhando. Se o viajante deve tropeçar ou cair, o okuri inu irá atacá-lo e rasgá-lo em pedaços. A parte “remetente” de seu nome vem do fato de que este yokai segue de perto atrás dos viajantes, ficando atrás deles como se fosse um amigo mandando-os embora. Colin sabia que um okuri inu é uma espécie de bênção e maldição. Por um lado, se alguém deve tropeçar e cair, ele irá atacar com velocidade sobrenatural e devorá-lo. Por outro lado, eles são tão ferozes que enquanto seguem alguém, nenhum outro yokai perigoso ou animais selvagens se aproximam. Contanto que se mantenha em pé, ele está seguro... mas viajar no escuro por caminhos de montanhas rochosas infestadas de raízes, especialmente para os mercadores que transportam pacotes grandes de qualquer coisa que eles venham vender, não facilita o caminho.

Colin abriu caminho entre os ramos moribundos de gladíolos, petúnias, roseiras e girassóis que batiam nos ombros dele; caules duros e quebradiços, pétalas congeladas em rebuscados padrões florais. Ele achou que já devia estar quase chegando ao rio Tigre, mas avançou ainda mais, arranhando-se em sabe-se lá qual tipo de flora tóxica. Uma bela queimadura de urtiga era tudo o que ele mais precisava agora. Era estranho notar como aqui e ali, entre as plantas mortas, despontavam alguns ramos verdes e robustos que tiravam seu sustento sabe-se lá de onde. Por fim, sentiu um aroma adocicado no ar. Ele parou. De repente, tudo ficou em silêncio. O frio era de doer e ele estava com os dedos amortecidos. Dar meia-volta ou seguir em frente? Ele tropeçou em alguma coisa, uma pedra velha. Sentiu uma náusea repentina e começou a suar. Assim que abriu os olhos de novo, Colin se viu na entrada de um imenso e vasto gramado de um verde impecável, todo cercado de árvores de cerejeira e casas com portas de papel e madeira deslizantes. O cheiro de grama fresca era esmagador. O sol já tinha desaparecido atrás das árvores, e Colin sabia que o sino soaria a qualquer minuto. O lânguido trilar de um pássaro cortava o silêncio. 

Um pouco mais ao longe no gramado e nas casas, ficava um casarão feito de pedras cor de mel e telhas cinza, adornado com chaminés, cumeeiras, torres e telhados em vários níveis. No centro da construção, sobre a casa principal, havia uma torre alta e majestosa com um relógio que até Colin viu como um toque bizarro para aquela casa que, de resto, parecia ser bastante discreta. O relógio era de estilo veneziano: um único ponteiro requintado que girava sobre uma face com as vinte e quatro horas marcadas em numerais romanos. Sobre uma das alas, despontava o que parecia ser o domo verde de cobre oxidado de um observatório. Entre a casa e o jardim, havia uma série de terraços, pequenos bosques, cercas vivas e fontes: um cenário lindo e acolhedor. A uns quinze metros dali, um adolescente alto e magro estava encostado em uma árvore, fumando um cigarro, observando-o. Devia ter mais ou menos uns dezessete anos e usava uma camisa social com listras rosadas muito finas e claras por baixo de um quimono com calças largas. Ele não deu atenção para Colin, apenas deu uma tragada no cigarro e soprou a fumaça para o alto. O calor não parecia incomodá-lo. 

Col - Oi!

Gritou Colin. O garoto olhou. Ele ergueu o queixo para Colin uma vez, mas não respondeu. Colin se aproximou do jeito mais casual possível. Ele não queria passar a impressão de que não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo. Mesmo sem o casaco, ele estava suando em bicas. Sentiu-se como um explorador elfo coberto de roupas pesadas, tentando impressionar um nativo tropical receptivo.

Col - Os sinos já...

Colin limpou a garganta.

Col - Os sinos já tocaram?

Perguntou ele, apertando os olhos contra o brilho das lamparinas de papel que emergiam da vila. O jovem olhou para Colin com uma cara muito séria. Ele deu mais uma tragada no cigarro e então balançou a cabeça devagar, soprando a fumaça. 

- Não.

Respondeu ele.

- Mas eu ia fechar os portões assim mesmo. Você chegou bem na hora.

Ele não riu. Colin ficou grato por isso depois.

- Eu vi você chegando.

Disse o garoto.

- Venha, tenho que levá-lo para dentro antes de fechar os portões.

Ele jogou o cigarro fora e começou a atravessar o vasto jardim. Ele nem se virou para ver se Colin o estava seguindo; o que Colin a princípio não fez, mesmo, mas um medo repentino de ficar sozinho ali naquele lugar fez com que ele se mexesse e corresse para alcançar o rapaz.

Continua....



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