História Anjo da Noite; "Guardiões Sombrios" - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Comedia, Drama, Drogas, Espíritos, Lobisomens, Magia, Policial, Romance, Vampiros
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ecchi, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - "Um abate bom e limpo"


Fanfic / Fanfiction Anjo da Noite; "Guardiões Sombrios" - Capítulo 1 - "Um abate bom e limpo"

Era agora ou nunca. Se Colin não abatesse o animal, passaria fome aquela noite. O crepúsculo se aproximava rapidamente e ele já estava atrasado. Precisava voltar logo à vila ou se depararia com os portões fechados. Se isso acontecesse, Colin teria que subornar os guardas com um dinheiro que não tinha ou correr o risco de passar a noite na floresta. O jovem alce tinha acabado de esfregar os chifres num pinheiro alto, raspando o veludo macio que os recobria para revelar as pontas afiadas por baixo. Pelo tamanho e pela altura diminutos, Colin diria que se tratava de um animal de pouca idade exibindo a primeira galhada. Era um belo espécime, com pelo brilhoso e olhos luminosos, inteligentes. Colin quase sentiu vergonha de caçar uma criatura tão majestosa, porém já calculava mentalmente seu valor. O pelame espesso renderia um bom dinheiro quando os peleteiros chegassem, especialmente porque já era inverno. Daria pelo menos uns cinco xelins. Os chifres estavam em bom estado, ainda que fossem um tanto pequenos, e renderiam talvez quatro xelins, com sorte. Era a carne, entretanto, que o rapaz desejava acima de tudo, de cor vermelha e sabor intenso, pingando gordura no fogo. Uma névoa densa se espalhava no ar, pesada, cobrindo Colin com uma fina camada de orvalho. A floresta estava anormalmente quieta.

Geralmente, o vento agitaria os galhos, permitindo que o rapaz se esgueirasse pela mata sem ser ouvido. Naquele momento, no entanto, ele mal se permitia respirar. Colin pegou o arco e preparou uma flecha. Era o seu melhor projétil, com haste reta e certeira, e aletas feitas de boas penas de ganso, em vez das plumas baratas de peru que ele comprava no mercado. Inspirou de leve e puxou a corda. Estava escorregadia em seus dedos; o menino a untara com gordura de ganso para protegê-la da umidade do ar. A ponta entrava e saía do campo de visão do caçador enquanto ele mirava no alce. Colin estava agachado a uns bons dez metros de distância, escondido na grama alta. Era um tiro difícil, mas a falta de vento também tinha lá suas vantagens. Nada de rajadas para desviar a flecha de seu caminho. O rapaz expirou e disparou em um único movimento fluido, incorporando o momento de imobilidade de corpo e alma conforme tinha aprendido pela experiência amarga e faminta. Ouviu o vibrar seco da corda e então o baque da flecha atingindo o alvo. Fora um belo tiro, perfurando o alce no peito, através de pulmões e do coração. O animal desabou e entrou em convulsão, debatendo-se no solo. Os cascos escavavam uma tatuagem na terra com seus espamos de morte. Colin disparou em direção à presa e sacou uma faca de esfolamento da bainha fina em sua coxa, mas o alce estava morto antes que o alcançasse. Um abate bom e limpo, isso que Berdon lhe diria. Mas matar era sempre uma sujeira. A espuma sangrenta que borbulhava da boca do animal atestava o fato.

Colin removeu a flecha com cuidado e ficou feliz ao ver que a haste não tinha se partido nem a ponta de sílex se lascado nas costelas do alce. Mesmo que gostasse de fazer flechas em seus tempos livres, o rapaz se frustrava com o longo tempo que levava amarrando setas. Ele preferia o serviço que Berdon ocasionalmente lhe passava, de martelar e moldar ferro na forja. Talvez fosse pelo calor, ou pela forma como seus músculos doíam deliciosamente depois de um longo dia de trabalho árduo. Ou talvez fossem as moedas que pesavam em seus bolsos quando ele era pago após a entrega. O jovem alce era pesado, mas a vila não estava longe. As galhadas serviam bem como alças, e a carcaça deslizava com facilidade sobre a relva molhada. A única preocupação agora seriam os lobos ou os gatos selvagens. Não era raro que eles roubassem a refeição ou até mesmo a vida de um caçador que levava a presa para casa. O rapaz estava caçando nas terras baixas, o que era tão perigoso do que ser abordado por ladrões numa trilha escura. Lutar com o inimigo em seu próprio território era muita audácia. Só que Colin era audácia pura. Seu talento era inigualável, então não havia dúvidas. Colin não seria pego tão facilmente por um bando de ladrões ou seguido por predadores traiçoeiros. A vila ficava depois da floresta em um grande campo gramado entre um rio que cortava a vila em dois, e o único caminho até lá era uma trilha traiçoeira e de terra pela floresta, bem à vista dos portões.

Uma grossa paliçada de madeira cercava a vila, equipada com pequenas torres de vigia a intervalos regulares. A vila não era atacada havia muito tempo; apenas uma vez nos sete anos desde o nascimento de Colin. Mesmo então, fora apenas um pequeno bando de ladrões, em vez de uma incursão dos orcs, algo muito improvável tão longe ao norte das selvas. Apesar disso, o conselho da vila levava a segurança muito a sério, e entrar após o nono sino era sempre um pesadelo para os retardatários. Mas Colin conhecia um atalho que poderia ajudá-lo a chegar mais rápido. Ele se embrenhou na vegetação, que vinha até sua cintura, sentindo caules secos arranhando suas calças e gravetos se quebrando sob suas botas de couro. Umas cem ou mil árvores bem grandes cresciam ali e, quanto mais ele avançava, mais escuro e denso o matagal se tornava. Pelo canto do olho, pensou ter visto alguma coisa passando por trás das samambaias, algo grande e preto, mas que sumiu assim que ele virou a cabeça. Colin ouvira histórias de viajantes sobre cães que esgueiravam-se pelas matas e trilhas traiçoeiras e assombravam passagens de montanhas, estradas florestais e locais semelhantes. Okuri Inu. Eles se assemelhavam a cães lobos comuns com toda a sua ferocidade; porque são muito mais perigosos que suas contrapartes mortais. O okuri inu segue viajantes solitários tarde na estrada à noite. Persegue-os, mantendo uma distância segura, mas seguindo passos de passos, contanto que continuem caminhando. Se o viajante deve tropeçar ou cair, o okuri inu irá atacá-lo e rasgá-lo em pedaços. 

A parte “remetente” de seu nome vem do fato de que este yokai segue de perto atrás dos viajantes, ficando atrás deles como se fosse um amigo mandando-os embora. Colin sabia que o okuri inu era uma espécie de bênção e maldição. Por um lado, se alguém deve tropeçar e cair, ele irá atacar com velocidade sobrenatural e devorá-lo. Por outro lado, eles são tão ferozes que enquanto seguem alguém, nenhum outro yokai perigoso ou animais selvagens se aproximam. Contanto que se mantenha em pé, ele está seguro... mas viajar no escuro por caminhos de montanhas rochosas infestadas de raízes, especialmente para os mercadores que transportam pacotes grandes de qualquer coisa que eles venham vender, não facilita o caminho. Colin abriu caminho entre os ramos moribundos de gladíolos, petúnias, roseiras e girassóis que batiam nos ombros dele; caules duros e quebradiços, pétalas congeladas em rebuscados padrões florais. Ele achou que já devia estar quase chegando ao rio Tigre, mas avançou ainda mais, arranhando-se em sabe-se lá qual tipo de flora tóxica. Uma bela queimadura de urtiga era tudo o que ele mais precisava agora. Não queria danificar o pelame, a parte mais valiosa do alce. Pele de animais era um dos poucos recursos que a vila tinha a oferecer. Era estranho notar como aqui e ali, entre as plantas mortas, despontavam alguns ramos verdes e robustos que tiravam seu sustento sabe-se lá de onde. Por fim, sentiu um aroma adocicado no ar. Colin parou e observou. De repente, tudo ficou em silêncio. O frio era de doer e ele estava com os dedos amortecidos. Dar meia-volta ou seguir em frente?

Tropeçou em alguma coisa, uma pedra velha. Sentiu uma náusea repentina e começou a suar. Assim que abriu os olhos de novo, Colin se viu na entrada de um imenso e vasto gramado de um verde impecável, todo cercado de árvores de cerejeira e casas com portas de papel e madeira deslizantes. O cheiro de grama fresca era esmagador. O sol já tinha desaparecido atrás das árvores, e Colin sabia que o sino soaria a qualquer minuto. O lânguido trilar de um pássaro cortava o silêncio. Um pouco mais ao longe no gramado e nas casas, ficava um casarão feito de pedras cor-de-mel e telhas cinza, adornado com chaminés, cumeeiras, torres e telhados em vários níveis. No centro da construção, sobre a casa principal, havia uma torre alta e majestosa com um relógio que até Colin viu como um toque bizarro para aquela casa que, de resto, parecia ser bastante discreta. O relógio era de estilo veneziano: um único ponteiro requintado que girava sobre uma face com as vinte e quatro horas marcadas em numerais romanos. Sobre uma das alas, despontava o que parecia ser o domo verde de cobre oxidado de um observatório. Entre a casa e o jardim, havia uma série de terraços, pequenos bosques, cercas vivas e fontes: um cenário lindo e acolhedor. O desânimo tomou seu coração ao alcançar os portões principais. Já estavam fechados, com os lampiões ao alto acesos para a vigília noturna. Os guardas preguiçosos tinham fechado mais cedo, ansiosos pela bebedeira na taverna da vila.

Col - Seus palermas preguiçosos! O nono sino ainda nem tocou. 

Colin praguejou e soltou a galhada do alce no chão. 

Col - Me deixem entrar! Eu não vou dormir aqui fora só porque vocês não podem esperar para encher a cara.  

Ele chutou o portão com força. 

- Ora, ora, Colin, dá para falar mais baixo? Tem gente de bem dormindo aqui dentro. 

Era uma voz vinda do alto. Didric. O guarda se debruçou sobre o parapeito acima de Colin, com a grande cara redonda sorrindo maldosamente. O rapaz fez uma careta. De todos os guardas que poderiam estar de serviço hoje, tinha que ser Didric Cavell, o pior do bando. Ele tinha 11 anos, alguns anos mais velho que Colin, mas se achava adulto. Eles não se gostavam. O guarda era um valentão, sempre procurando uma desculpa para exercer sua autoridade. Nos últimos anos, ele e Colin tinham entrado em choque várias vezes. Por ser mais forte do que o colega, Didric normalmente se saía melhor, embora algumas poucas vezes a velocidade e agilidade de Colin tivessem lhe permitido desferir um chute ou soco surpresa e então escapar antes que Didric pudesse alcançá-lo. Mas, embora Didric geralmente se saísse melhor nos confrontos físicos, raramente vencia algum de seus embates verbais. A mente de Colin era tão ágil quanto o seu corpo, e ele quase sempre conseguia dar a última palavra. Na verdade, era essa tendência que muitas vezes causava problemas entre os dois: Colin ainda tinha que aprender que dar a última palavra nem sempre era uma boa ideia.

Did - Eu dispensei mais cedo o turno do dia. Veja bem, levo meus deveres muito a sério. Não podemos vacilar, considerando que os mercadores chegarão amanhã. Nunca se sabe que tipo de ralé fica se esgueirando aí fora. 

Ele riu da própria provocação. 

Col - Me deixe entrar, Didric. Você sabe tão bem quanto eu que os portões deveriam ficar abertos até o nono sino! 

Exclamou Colin. Enquanto falava, ouviu o sino começar seu dobrar reverberante, ecoando fracamente nos vales abaixo. 

Did - O que foi que você disse? Não consigo escutar.

Gritou Didric, levando uma das mãos à orelha de forma teatral. 

Col - Eu falei para você me deixar entrar, seu paspalho. Isto é ilegal! Vou ser obrigado a te denunciar se não abrir os portões agora mesmo! 

Berrou o rapaz, furioso, com o rosto pálido sobre a paliçada. 

Did - Bem, você poderia muito bem fazer isso, e eu certamente não negaria o seu direito de fazê-lo. Muito provavelmente, nós dois seríamos punidos, e isso não faria bem a ninguém. Então, por que não fazemos um acordo? Você me dá esse alce, e eu lhe poupo o aborrecimento de dormir na floresta esta noite. 

Col - Pode enfiar no seu rabo, babaca.

Retrucou Colin, sem poder acreditar. Até para Didric, isso era uma chantagem descarada demais. 

Did - Vamos lá, Colin, seja razoável. Os lobos e os gatos selvagens virão rondar, nem uma fogueira muito forte os manterá afastados no inverno. Você poderá dar no pé quando eles chegarem, ou ficar aqui e servir de aperitivo. De qualquer maneira, mesmo se você durar até o amanhecer, vai entrar por estes portões de mãos abanando. Me deixe ajudar você.  

A voz de Didric era quase amistosa, como se estivesse fazendo um favor. O rosto de Colin ardia, vermelho. Isso ia muito além de qualquer coisa que ele já tivesse passado. A injustiça era comum em Crydee, e o rapaz aceitara havia muito que, num mundo de privilegiados e desfavorecidos, ele certamente fazia parte da segunda categoria. Mas agora esse moleque mimado, ainda por cima filho de um dos homens mais ricos da vila, o estava roubando. 

Col - É assim, então? 

Indagou Colin, num tom baixo e furioso. Sua pele formigou e ardeu. O poder formigava por suas mãos e braços, e ele lutou para esfriar a própria raiva. Não importa, disse a si mesmo. Não vale a pena.

Col - Você se acha muito esperto, não acha? 

Did - É só a conclusão lógica de uma situação na qual calhei de ser o beneficiário.

Argumentou Didric, afastando a franja loira dos olhos. Todos sabiam que o rapaz recebia aulas particulares, e ostentava sua educação através da fala floreada. Seu pai tinha esperanças de que Didric um dia se tornasse juiz, possivelmente num tribunal de alguma das maiores cidades do Castelo de Prata. 

Col - Você esqueceu uma coisa.

Grunhiu Colin. 

Col - Que eu prefiro muito mais dormir no mato a deixar você roubar minha presa. 

Did - Hah! Acho que vou pagar para ver seu blefe. Tenho uma longa noite pela frente. Vai ser divertido assistir enquanto você tenta rechaçar os lobos.  

Didric riu. Colin sabia que Didric o estava provocando, mas isso não fez seu sangue ferver menos. O rapaz suprimiu a raiva, mas continuou furioso no fundo da mente. 

Col - Eu não vou te dar o alce. Só a pele já vale uns cinco xelins, e a carne vai render mais uns três. Se me deixar entrar, eu esqueço de denunciar você. Podemos deixar essa confusão toda para trás.

Sugeriu Colin, engolindo o orgulho com dificuldade. 

Did - Vamos fazer assim: não posso sair dessa de mãos vazias; isso não seria justo, seria? Mas, como estou me sentindo generoso, se você me der esses chifres que por acaso deixou de mencionar, eu encerro o assunto, e nós dois conseguimos o que queremos. 

Colin estremeceu com o descaramento da sugestão. Resistiu por alguns momentos, então cedeu. Uma noite na própria cama valia quatro xelins, e para Didric aquilo não passaria de uns trocados. O rapaz grunhiu e sacou a faca de esfolamento. Era afiadíssima, mas não tinha sido feita para cortar chifres. Ele odiava ser forçado a mutilar o alce, mas teria que decapitá-lo. Um minuto mais tarde, depois de serrar as vértebras, tinha a cabeça nas mãos, pingando sangue nos mocassins. Colin fez uma careta e a ergueu para que o guarda a visse. 

Col - Muito bem, Didric. Venha buscar.

Chamou Colin, brandindo o troféu grotesco. 

Did - Jogue aqui para cima.

Respondeu Didric. 

Did - Não confio que você vá me entregar depois. 

Col - O quê? 

Retrucou o rapaz, incrédulo. 

Did - Jogue para mim, ou nada de acordo. Não estou com paciência de tomar isso de você e ficar com o uniforme todo ensanguentado.

Ameaçou Didric. Colin grunhiu e a atirou para o alto, lambuzando a própria túnica com sangue. A cabeça voou por sobre Didric e caiu no parapeito. O guarda não fez menção de pegá-la. 

Did - Foi muito bom fazer negócios com você, Colin. Vejo você amanhã. Espero que se divirta acampando na mata.

Disse ele, animado. 

Col - Espera! 

Berrou o garoto. 

Col - E quanto ao nosso acordo? 

Did - Eu mantive minha parte no trato, Colin. Disse que encerraria o assunto, e que nós dois conseguiríamos o que queríamos. E você disse há pouco que preferiria dormir no mato a me dar o seu alce. Então, aí está, você recebe o que prefere, e eu fico com o que quero. Você deveria realmente prestar mais atenção aos termos e condições de qualquer contrato, Colin. É a primeira lição que um juiz aprende.  

O rosto do guarda começou a sumir atrás do parapeito. 

Col - Esse não foi nosso acordo! Me deixa entrar, seu vermezinho! 

Rugiu Colin, chutando o portão. E, novamente, sua pele formigou e ardeu. Algo como uma erupção causada pelo calor se espalhou da clavícula para cima. Sentiu os lábios dormentes e a língua engrossar dentro da boca. Não conseguia falar. Algo sinistro ondulava por baixo da sua pele, buscando uma válvula de escape. Sentia-se grande demais para seu corpo, como se pudesse se abrir ao longo da espinha e se derramar no chão como uma cobra trocando de pele. Tinha medo de explodir em chamas, e assim tinha sido por toda a sua vida, observado com desprezo. Esse era o seu dom. Essa era sua aflição. As pessoas o odiavam pelo poder que tinha. Exceto Berdon. 

Did - Não, não, minha cama está me esperando em casa. Não posso dizer o mesmo da sua, porém.  

Didric ria enquanto se virava. 

Col - Você está de guarda esta noite, não pode ir para casa! 

Gritou de volta o rapaz. Se Didric abandonasse o serviço, Colin poderia se vingar delatando a falta. Ele nunca tinha se considerado um dedo-duro, mas por Didric abriria uma exceção. 

Did - Ah, não estou de guarda hoje. 

O grito de Didric soou baixo conforme ele descia os degraus da paliçada. 

Did - Eu nunca disse que estava. Falei a Jakov que ficaria de olho enquanto ele usava a latrina. Deve estar de volta a qualquer minuto. 

Colin cerrou os punhos, quase incapaz de compreender a real dimensão do golpe de Didric. Contemplou a carcaça decapitada ao lado dos mocassins arruinados. Enquanto a fúria subia como bile à sua garganta, o rapaz tinha só um pensamento: isso não acabaria ali. Nem em um milhão de anos.

Continua...



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