História Anjo da Noite; "Guardiões Sombrios" - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Drama, Espíritos, Lobisomens, Romance, Vampiros
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ecchi, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - "Garoto Incendiário"


Fanfic / Fanfiction Anjo da Noite; "Guardiões Sombrios" - Capítulo 2 - "Garoto Incendiário"

O alvo era um prédio pobre de três andares em uma área da cidade de Lindros que ainda não havia sido reurbanizada. As pessoas e os carros tinham sido retirados das ruas ao redor, e as calçadas sujas transpiravam sob o ar denso. Barreiras mágicas recobriam o tijolo enegrecido pela fuligem, belas como lã de vidro para os olhos de Colin. Era como se fosse uma escultura de gelo ou um castelo de fadas que ocultavam a ameaça dentro de si. Talvez ele tivesse achado que era seguro emergir nas primeiras horas da madrugada. Colin e Zirrel entraram pela porta da frente como espectros, sabendo que Shiv o atacaria quando se soubesse que o irmão havia ficado fora por muito mais tempo do que deveria. Levaram menos de um minuto para descobrir que não havia ninguém no apartamento para se esconder. O apartamento era miserável e pequeno. A mobília era formada de peças de segunda mão acumuladas por muitas décadas. Camadas de sujeira impregnada no tapete tornavam impossível adivinhar sua cor original.

Ele atravessou a sala da frente, a cozinha e entrou no quarto dos fundos. Uma escada interna no fundo do corredor levava ao telhado. O apartamento fora escolhido por esse motivo, e não pela decoração. Eles se lançaram escada acima e encontraram o terraço, ocupado apenas por gatos. Colin examinou a rede de ruas que cercavam o prédio. Não havia movimento em lugar algum. Zirrel gritou e Coli se virou, ergueu os olhos e viu uma garota emergindo pela escada de onde ele veio. Era pequena, cerca de 13 anos de idade, mas exuberante, como uma exótica flor tropical. Vestia calça jeans justa e preta e uma blusa de renda que lhe escorregava dos ombros. Os cachos pretos azulados tinham listras roxas e estavam frouxamente presos com um lenço florido. Ela carregava uma bolsa de pano no ombro. Os olhos eram de um amarelo felino.

- Eu deveria te matar agora! Onde você estava, Colin?

Ela o mediu de alto a baixo como se estivesse acostumada a decepções, então deu um soco no ombro do garoto. mas Colin segurou dua mão. Foi como enfiar a mão em uma tomada elétrica. Por um longo instante, ficaram paralisados, numa corrente que fluía entre eles. Então ambos soltaram as mãos, recuaram um passo e fitaram um ao outro. Durante toda a sua vida, as pessoas haviam reagido ao toque dele. E agora ele sabia como se sentiam. Ela se recuperou primeiro.

- Ora, ora.

Disse ela, estudando-o com interesse renovado, correndo a língua por sobre os lábios pintados de vermelho. 

- Você é poderoso mesmo, não é? E apenas continua crescendo dentro de você. 

Col - Eu me viro, Shiv.  

Disse Colin, massageando os dedos, que formigavam, e contendo um assomo de esperança. Poder. Ela também tinha poder.

Col - Por que você...? 

Shi - Estava entediada.  

Ela estreitou os olhos para ele.

Shi - Por onde você esteve andando, Colin? Se metendo em confusões novamente? Você sabe que um Makar não pode ficar andando por aí sem treinamento, Colin!

Col - Tudo bem, tudo bem, o Vazio vai nos consumir e o Caos vai devorar e toda essa história idiota. Quem sabe a gente possa ir a algum lugar e conversar? 

Patético. Aquilo foi patético. Shiv o estudou mais um pouco, parecendo notar sua expressão mais do que preocupada.

Shi - Bem... Se é assim, então vamos encontrar um lugar onde ninguém o esteja procurando, já que está com essa cara horrível. E você está fedendo!

Col - E fala baixo. Eu deveria estar morto! 

Shi - É, sei. Aquele trabalho devia tá de matar mesmo, hein? Parece que você caiu dentro de um banheiro imundo! Tá encharcado! Não se afogou, né? 

Colin olhou à volta febrilmente. 

Col - Não é piada. Estou em perigo. Não posso ir para casa, não posso voltar para o trabalho, não posso fazer nada.

Colin caiu no choro, a tensão da última hora vindo finalmente à tona. 

Shi - Para de bancar a menininha! 

Disse Shiv. Colin teve vontade de dar um chute nela, mas tudo que conseguia fazer era soluçar. 

Shi - Aqui... 

A garota pegou um lenço que parecia manchado de limo e o estendeu na direção de Colin. O menino estremeceu. 

Col - Obrigado, mas não precisa. 

Ele enxugou as lágrimas com a mão imunda. 

Shi - Como quiser. 

Colin ponderou se podia confiar na irmã-adotiva. Viver na mesma casa não os tornava exatamente melhores amigos. Na verdade, ele mal conhecia a garota, exceto para fazer comentários casuais sobre o tempo. Depois de um segundo de indecisão, ele puxou Shiv pelo cotovelo, esperando um novo espasmo de poder, e guiou-a pela escada abaixo em direção a uma mesa junto à parede.

Col - Aqui! Sente-se! Fique quieta... por favor!

Ele apontou para uma cadeira á mesa. Shiv não estava acostumada a receber ordens. Ela franziu a testa. Podia sentar-se em cima de Colin e esmagá-lo ou sentar-se em uma cadeira como uma boa garota. Ela deu de ombros. 

Shi - Sou toda ouvidos. Mas vou dizer que, se você conseguiu inundar o porão do Senhor Todo-Poderoso Grasp com caca e agora vai ficar aí choramingando, não quero saber! 

Col - É pior do que isso! 

Disse Colin, esquadrinhando o caminho, inquieto. 

Col - Muito pior. 

Ele se espremeu ao lado de Shiv e finalmente contou-lhe os acontecimentos que haviam começado quando ele tentara desobstruir o vaso sanitário. Quando Colin terminou de falar, Shiv sacudiu a cabeça, espantada. 

Shi - Nunca ouvi você falar tanto!  

Ela olhava o garoto caçador que em geral era tão quieto. 

Shi - Ou você perdeu completamente o juízo e inventou essa coisa toda ou... 

Col - Desde quando eu sou um especialista em mentiras? Esse é o seu departamento. 

Shiv sorriu. Era verdade. Suas desculpas por chegar atrasada ao trabalho eram lendárias. A única razão por que seu patrão, Jobby Jones, a tolerava era que, de vez em quando, problemas de mercadores só podiam ser resolvidos com força bruta. E quando a questão eram arruaceiros que se recusavam a afrouxar ou ladrões com mãos tão leves que poderiam roubar o mais rico dos homens, Shiv era a pessoa certa para o trabalho. 

Shi - Certo. Sempre achei que Grasp era muito metido, andando de um lado para o outro com aqueles capangas, como se fosse o dono de todos os galhos-via! Mas de idiota a traidor... é um pulo e tanto. Você tem certeza disso? 

Col - Ouvi muito bem.

Respondeu Colin.

Shi - Maw vindo aqui roubar tudo? 

Colin assentiu. O lugar parecia pertencer a um conto de horrores. Uma terra sem árvores? Aquilo, sim, era uma versão dos Lenhadores Sagrados para o inferno. Palácios grandiosos de vidro espelhado e máquinas de metal que voavam. Para a maioria dos dendrianos, o império distante era mais como um rumor, uma história que espreitava em seus sonhos. Agora esses sonhos, esses pesadelos, estavam prestes a ganhar vida. Pelo que ele ouvira mais cedo, Maw mais parecia um monstro horrível e guloso, ávido por engolir sua pequena ilha e cuspir os pedaços. 

Shi - Cada lasca de madeira vale seu peso em ouro por aquelas bandas? Faz a gente pensar... 

Ela observou pela janela os galhos mergulhados em sombras ao redor enquanto os últimos retardatários vindos do trabalho seguiam para casa e os lampiões a gás eram acesos. 

Col - Talvez eles tenham razão. Este lugar é precioso.

Murmurou Colin, estremecendo ao pensar no futuro. Shiv já estava entediada com aquela conversa de fim da floresta. 

Shi - E eles atiraram mesmo em você com as bestas? 

Colin assentiu, abatido. 

Shi - E você acertou um com a faca de esfola! Até eu tenho de admitir que isso foi impressionante. 

Colin tentou não sorrir, mas, na verdade, escapar de guardas assassinos era mesmo um feito e tanto. 

Shi - Assim está melhor. Você está se animando. Quanto a fingir que se matou... muito incrível! Quem pensaria que nosso ratinho aprendiz seria esperto assim? 

Shiv ficou em silêncio por um segundo. 

Shi - E os Corvos?  

O garoto estremeceu com aquele pensamento. Ele enfrentaria qualquer um. Mas os Corvos? 

Shi - Coisas de pesadelo... não que eu tenha medo nem nada, certo? 

Colin sabia que era uma boa ideia concordar. 

Shi - Mas desde quando eles deixam que uma refeição grátis saia por aí viva? E assim tão perto do ninho. Era o mesmo que ter um alvo pintado na cabeça! Tô perdendo alguma coisa aqui? 

Col - Não. Também não entendi. É estranho. 

E era ainda mais estranho que ele tivesse vontade de brincar com filhotes de Corvo. 

Shi - Seja como for, seus problemas são maiores que um bando de bebês monstros. 

Col - Obrigado, Shiv. Isso ajuda muito. 

Colin de repente sentiu o corpo pesado, exausto da corrida e de tudo mais. Ele poderia se jogar no sofá e deixar tudo aquilo para trás. 

Shi - Ei, dorminhoco. É melhor ir pra casa, pois este esconderijo não vai durar muito. Aproveite que tá morto! Isso é uma vantagem, certo? Eles num devem sair por aí procurando por você! 

Apesar das aparências, Shiv não era tão estúpida assim. 

Col - Sim. É claro, você tem razão. 

Shi - Eu sempre tenho razão. Quando foi que você disse que isso ia começar? 

Colin tentou lembrar o que a mulher tinha dito. 

Col - Festival da Colheita.

Shi - Na mosca. Temos sete dias. Você pode salvar Arborium quando sua cabeça estiver mais tranquila. Tenho que ir pra casa pro chá, ou meu professor me mata. Encontre a gente fora do trabalho. Vou arranjar uma desculpa e sair uma hora antes do almoço. Vamos pensar num plano. E prometo que, se eu encontrar aquele Petrônio, vou cuidar dele.

Ele simplesmente piscou, então se concentrou em arregaçar as mangas, dobrando cuidadosamente o tecido tosco de algodão. A temperatura parecia estar subindo. Shiv se inclinou para a frente, baixando a voz. 

Shi - Olha, eu entendo que todo cuidado é pouco hoje em dia. Ninguém sabe mais quais são as regras.  

Ela sacudiu para trás os cachos.

Shi - Você é uma Makar sem treinamento e descontrolado, Colin. E sem treinamento, você é uma bomba relógio.

Ela olhou para ele à espera de uma reação, mas ele simplesmente a fitou, procurando por uma resposta que não revelasse a sua ignorância. Sentia-se estúpido, algo com que não estava acostumado e de que não gostava. Ele pegou um copo e encheu-o com água, demonstrando sua magia pelos dedos. O líquido correu-lhe garganta abaixo e explodiu em algum lugar em seu estômago, deixando-o tonto e sem fôlego. Qual era o problema com ele? Tinha de manter a cabeça no lugar. Ele sorriu e olhou-a nos olhos, uma técnica que sempre funcionara no passado. 

Col - Eu tinha esperança de que a gente pudesse trabalhar junto. Você sabe... colaborar. 

Geralmente só o que ele precisava fazer era pedir. Shiv estudou-lhe o rosto como se fosse um livro em língua estrangeira. Estendeu o braço e correu o polegar pela linha do maxilar dele, como que fascinada pela estrutura óssea; depois lhe inclinou o rosto para a luz e ajeitou os cabelos brancos dele para trás. O toque dela era como minúsculas explosões contra a pele. 

Shi - Você sabe que os seus olhos mudam de cor? Verde, vermelho e azul. 

Colin se remexeu, desconfortável sob o escrutínio dela. 

Col - Foi o que me disseram. 

Ela pareceu chegar a uma decisão.

Ela puxou a blusa para fora do jeans, expondo uma tentadora faixa de pele e um umbigo com um piercing. Ali, acima da linha da cintura, estava a tatuagem de uma rosa branca. 

Shi - Muito bem.

Disse ela, rearranjando as roupas, como se aquilo explicasse tudo. 

Shi - Agora você.  

Ela olhou para ele, na expectativa. 

Shi - Rosa Vermelha ou Branca? 

Col - Não sei do que você está falando.

Admitiu Colin, sentindo-se como se estivesse num jogo viciado de verdade-ou-desafio. Ele deslizou a mão por sob o colarinho, puxando-o para longe da pele quente. Shiv parecia aborrecida. 

Shi - Confie em mim, não me importa em que Casa você esteja. Eu deixo a política para o Conselho dos Magos. Sou mercadora. Vendo o que as pessoas querem comprar. Tenho de lidar com todo mundo. 

Col - Olha, não posso dizer para você o que não sei. 

Ele esvaziou o copo e bateu-o com força sobre a mesa. 

Col - Sei que sou um mago. Sei que tenho poder, mas não sei como usar. Sei que existem outros como eu, porém os que consegui encontrar não sabem mais do que eu.  

Ele agarrou a mão dela e prendeu-a contra a mesa. 

Col - Como falei, preciso de treinamento. Tenho perguntas. 

Ele sabia que estava revelando demais, que era má ideia deixar sua irmão adotiva e desconhecida tão poderosa saber quão desesperado ele estava. Shiv tentou sem sucesso retirar a mão, embaraçada pela emoção carente que ele transparecia. 

Shi - E quanto à sua família? E o seu Livro Weir? Isso deveria ser um começo, pelo menos. 

Colin engoliu em seco. Sentia-se como se sua cabeça fosse explodir. 

Col - Não tenho nenhuma família, não que eu saiba. Não tenho um Livro Weir, seja lá o que for. Minha mãe adotiva me falou algumas coisas, mas ela já morreu, você sabe. E as coisas... estão fora de controle. Se você é mercadora, então me ache um professor. Me ache um Livro Weir, se é disso que eu preciso. Tenho bastante dinheiro. Eu pago o que você pedir. 

Shiv olhou-o por sobre a mesa e começou a rir. 

Shi - Não acredito. Você é como um virgem em magia. Você devia ver a sua cara. Tão sério.  

Ela lhe roçou a face com os nós dos dedos. 

Shi - Você é lindo, sabia? Tem o rosto de um deus. Um deus raivoso. E tão... poderoso.

Sussurrou ela. Colin virou o rosto, afastando-se de seu toque. Ele sacudiu a cabeça. 

Col - Não. Você não entende. Não consigo controlar o meu poder nem quando estou sóbrio. Coisas acontecem. 

Ela sorriu diante da angústia dele. 

Shi - Não se preocupe, o efeito passa em mais ou menos uma hora. Vamos, deixe-me mostrar outra coisa pra você.  

Ela se inclinou e o beijou na boca. Então recuou, tremendo, passando os dedos nos lábios chamuscados. 

Shi - Ei! 

Os lábios dele não estavam mais dormentes: ardiam. Sua pele estava queimando. Não conseguia pensar. Shiv lutou para soltar a mão. 

Shi - Você está me queimando! Me solte! 

Ele a soltou, e ela cambaleou para trás, horrorizada. Ele precisava sair. Rumou para a porta, esgueirando-se pela mobília, contorcendo-se e dando voltas para evitar tocar em qualquer coisa, deixando pegadas carbonizadas e fumegantes atrás de si. Roçou numa mesa, e ela explodiu em chamas. Faíscas incendiárias voavam das pontas dos seus dedos, ateando fogo negro às cortinas em torno da estande de livros e às mantas de isolamento acústico que cobriam as paredes. Por todos os cantos da sala, objetos inflamáveis incendiavam-se, vaporizavam-se e desfaziam-se em cinzas. Chamas lambiam as paredes, e metal derretido pingava do teto. 

Col - Fujam! 

Gritou ele. A voz dele, estranhamente amplificada, reverberou por todo o salão. Shiv e Zirrel olharam para ele, enquanto ele ficava ali, jorrando chamas como uma vela romana. Sua roupa queimava e soltava fumaça. Shiv olhou para ele, horrorizada, e então correu para a saída, no desespero de fugir dali. Finalmente, estava na rua. A tempestade que havia ameaçado cair o dia inteiro desabou, e ele se viu soltando vapor sob a chuva torrencial. Em poucos segundos, estava encharcado até os ossos. Os refugiados que haviam deixado o local se abrigaram sob uma marquise do outro lado da rua, e o observavam com cautela. A pouca distância, uma correria de passos pesados soava. Ele deu sua última olhada em Shiv, um olhar de desculpas, antes de se virar e sair correndo. Zirrel, que estava empoleirada no ombro da garota, levantou voo e seguiu o menino. Era hora de Colin ir para casa.

Continua....



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