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História Anjo Negro - Capítulo 2


Escrita por: e teresarocks


Notas do Autor


Oi, GAL3RINHA???? (Eu sei, sou uma puta vaca por ter sumido durante todos esses séculos)

Vamo fazê de conta essa é uma daquelas mensagem que a gente responde depois de ter deixado alguém no vácuo a dias como se nada tivesse acontecido kk

Capítulo 2 - Cláusulas


Fanfic / Fanfiction Anjo Negro - Capítulo 2 - Cláusulas

Franzi o cenho mediante a algumas cláusulas do testamento. Era difícil acreditar no que eu havia escutado. O documento era basicamente uma carta pessoal do meu avô direcionada a mim. Ele explicava a razão pela qual preferiu não me revelar sua doença, além de expressar claramente seu desejo de me entregar todos os seus bens pessoais, economias acumuladas ao longo dos anos e, o mais surpreendente, sua antiga casa em Westbridge.


Seguiu-se um longo momento de silêncio após a leitura do testamento. James devolveu o documento ao envelope e o entregou a mim, seguido de outras documentações e as chaves da residência.


— Seu avô desejava que você morasse na casa dele — confidenciou.


— Ele te disse isso? — perguntei, meio sem acreditar.


James confirmou com uma inclinação de cabeça:


— Sim.


Encarei a chave por um minuto com um olhar ausente no rosto. Me senti mergulhar em um estado de distanciamento progressivo que ameaçava me dissociar do mundo real. Meu transe momentâneo foi interrompido pela minha mãe, que tocou meu ombro num gesto de apoio moral, o que me fez erguer os olhos e encarar meu tio.


Comprimi os lábios, tentando conter a emoção. O que eu estava prestes a perguntá-lo não era fácil para mim, mas senti que devia dar descanso às dúvidas que me atormentavam por dentro.


— Tio, diga a verdade: ele sofreu quando morreu?


— Não — James respondeu com firmeza na voz. — Estive presente na noite em que ele faleceu. Eu estava em seu quarto de hospital. Charlie estava sedado. Falou da esposa e sobre Finnick até pegarmos no sono. Quando acordei na manhã seguinte, vi o medidor cardíaco informando que seu coração havia parado.


Suspirei, de certo modo aliviada.


— Bem, ao menos ele não sofreu — falei, mais a mim mesma do que aos outros. — É mais reconfortante pensar por esse lado.


James assentiu. Ele pegou sua maleta e levantou-se num salto energético, dispersando brevemente o clima mórbido que havia se estabelecido entre nós.


— Bem, resta agora a você acertar todos os documentos pendentes e receber a herança que lhe foi deixada — ele disse. — Se por acaso se mudar para lá, passe na minha casa para tomarmos um chá. Ariana tem saudades de você.


Forcei um sorriso simpático só por educação.


— Pode deixar. Mande lembranças à sua esposa, sr. James.


Minha mãe conduziu James até a porta. Ele a agradeceu por ter sido recebido. Os dois trocaram algumas palavras de consolo e se despediram.


Não vi exatamente quando minha mãe retornou à sala, mas acho que deve ter sido no instante em que ouvi passos se aproximarem e uma sombra se estender diante de mim.


Ergui o rosto, dirigindo-lhe um olhar decisivo.


— Eu vou me mudar daqui — decretei. Havia firmeza em minha voz.


Eu vi o sorriso educado no rosto da minha mãe desmanchar-se rapidamente para dar lugar a uma carranca de desaprovação materna.


— De modo algum, mocinha! — ela se opôs com indignação.


— Mãe, eu detesto esta cidade, sempre detestei. Não tenho nada a perder saindo daqui — retruquei.


Mencionar minha aversão a Northtown não pareceu ter criado o efeito desejado, pois assim que concluí minha sentença, minha mãe negou ainda mais enfaticamente:


— Jessie, você não vai morar em Westbridge sozinha!


— É uma cidade pequena e os amigos do vovô moram no mesmo bairro — argumentei. — Conhecemos todos por ali. O que pode acontecer?


— Não, você não é capaz de cuidar de si mesma, Jessie.


Ao ouvir isso, não pude conter minha revolta. Levantei-me do sofá de imediato.


— Espera aí, eu dou tão duro quanto a senhora e o papai – rebati, incisiva. — Eu estudo, cuido das crianças e ainda trabalho para ajudar a pagar as contas da casa. Como assim “não tenho capacidade”?


— Eu não vou permitir isso — minha mãe recusou, implacável. — E quanto a mim? Como fico se você for embora? Será que já não basta o que você tem aqui?


— Eu nunca reclamei disso — defendi-me. — Reconheço que tenho uma boa vida aqui. Nada me falta. Estudo em uma boa escola e tenho um bom emprego. — Minha mãe assentiu de cabeça, parecendo concordar com minhas afirmações. — Não é culpa de vocês, mas a verdade é que eu odiei ter deixado Westbridge, odiei ter deixado o vovô e o papai para trás.


— Para de fazer cena, Jessie! — Mamãe redarguiu. — Você nunca deixou nada para trás. Eu nunca te impedi de ver o seu avô.


— Meu avô precisava da nossa família. Ele estava doente e só no dia em que morreu, eu, sua neta, soube que ele estava com câncer. Não acha que uma família que se preze deveria estar ao lado de um ente querido em uma situação como essa? Se eu estivesse lá, talvez não estaríamos passando por tudo isso.


— Não vou discutir isso com você — minha mãe disse, arrancando os documentos de minhas mãos. — E mesmo que eu permitisse sua partida, você não poderia viver sozinha sendo menor de idade.


Eu me calei por um instante, permitindo que um silêncio desagradável se instalasse entre nós. Encarei as chaves em minha mão e fechei o punho com força, fazendo as unhas afundarem na minha carne. Era uma reação instintiva. Sempre que eu sentia raiva, apertava os punhos até deixar marcas semilunares em minha pele.


— A senhora sabe que há um jeito para isso — falei em tom provocativo, fazendo com que minha mãe voltasse a me encarar. — Você só é um pouco egoísta demais para fazer isso por mim.


Saí da sala e subi as escadas em direção ao meu quarto, sem olhar para trás.


ALEX’S POV


Jessie mal falou comigo durante o jantar. Ela revirou a refeição no prato e foi para o quarto sem comer direito. Tentei falar com ela antes que fosse para cama, mas sem sucesso. Sabia que estava chateada por não poder ir a Westbridge. Provavelmente estava enfiada sob o edredom em pose fetal, debulhando-se em lágrimas pela morte do avô. Ou abafando os gritos de ódio contra o travesseiro. Eu não sabia dizer, mas tinha certeza de que, assim como ela, minha esposa também enfrentava um grande dilema.


O que seria certo: zelar pela segurança da filha ou prezar por sua felicidade, aceitando os riscos naturais da vida? Kelly torcia os dedos nervosamente enquanto confrontava a si mesma para desvendar a resposta de qual seria a melhor coisa para nossa filha. Será que Westbridge era a única chance de ela ser feliz de novo?


Eu estava no banheiro escovando os dentes com a porta aberta enquanto discutíamos sobre como proceder diante de tal situação.


— Eu não quero deixá-la ir, Alex — Kelly revelou, entristecida.


— Eu também não, amor. — Cuspi a espuma da pasta dental na pia de porcelana e atalhei: — Mas também não fico feliz em vê-la deprimida dessa forma.


— Mas e se algo acontecer lá? — Minha esposa perguntou como se eu tivesse as respostas para todas as questões universais. — E se ela se machucar? E se precisar de ajuda caso não saiba fazer alguma coisa? E se…


— Ei, ei, ei! — Eu a cortei. Sabia que se não a interviesse, ela continuaria a enveredar por um caminho de paranoias sem fim. — Jessie é tão autossuficiente quanto nós dois. É ela quem cuida desta casa e das crianças.


Abri a torneira, intercalando entre fazer minha higiene bucal e dialogar com minha esposa. Olhei pelo espelho e a vi roendo as unhas. Era um sinal de que começava a ceder, embora seu instinto maternal a fizesse relutar e renegar os fatos.


— Não sei, não — ela disse, confirmando minhas suspeitas quanto à sua indecisão. — Eu não quero ver minha filha longe de mim. Esse é o problema.


— Nem eu quero, amor — falei em tom audível, fazendo minha voz prevalecer sobre o som da água corrente enquanto eu lavava as cerdas da minha escova de dentes. — Mas Westbridge fica a quase um dia de Northtown — ressaltei. — Não é uma grande distância. Sem contar que a casa do Charlie fica no mesmo bairro em que os professores da Academia Woodstone vivem.


Calei-me por alguns instantes, sentindo uma ideia se acender em minha mente. Foi como o estalo de um fósforo sendo riscado na escuridão, seguido de uma chama luminosa clareando tudo ao meu redor. Como não havia pensado nisso antes?


— É isso! — eu disse, pensando em voz alta.


— O quê, Alex? — Minha esposa perguntou, claramente confusa.


— Academia Woodstone! Vamos emancipá-la e matriculá-la na escola! — Falei, abrindo a tampinha do meu enxaguante bucal. Seguiu-se um gargarejo, que interrompeu brevemente nossa conversa, até que finalmente lavei o rosto e acrescentei: — Eu tenho uma prima que é professora de artes na instituição. Creio que ela possa ficar de olho na Jess por nós, caso ela realmente se mude para lá.


Houve um silêncio. Senti que minha esposa ainda hesitava, embora eu soubesse exatamente o motivo de sua relutância. Kelly não gostava de pensar que não poderia ficar perto de sua filha para ampará-la quando precisasse. Minha esposa encaixa-se perfeitamente na definição de mãe superprotetora, e eu, como seu marido e psicólogo, era responsável por amenizar seus temores e inseguranças.


Fechei a torneira do banheiro a avaliei o espelho para conferir o estado da minha barba e saber se precisaria ou não raspá-la outra vez, mas acabei notando que Kelly parecia refletir sobre algo. Peguei uma toalha de rosto e caminhei até a cama secando o queixo barbeado. Deitei na cama e me cobri com um edredom, dando um selinho em minha esposa com a boca cheirando a essência de menta. Ela adorava o frescor de um beijo mentolado.


— Só estou pensando no bem-estar da nossa filha — confessei, acariciando suavemente o rosto dela. Ela fechou os olhos e sorriu de leve. — Se você não quiser, a decisão é sua, e eu vou te apoiar no que decidir.


— Eu não sei, Alex. — Ela me encarou, confusa. Seu olhar denunciava as dúvidas que a perseguiam. — Acha mesmo que é uma boa ideia?


Era um jogo de bate e volta. Ela perguntava, eu respondia e então ela perguntava novamente. Sua indecisão parecia ser um mal incurável.


— Kelly, essa decisão é sua — reafirmei, enfático. — Você quem deve decidir.


Ela demorou alguns instantes para responder. Suspirou, parecendo estar cansada demais para pensar no assunto. Quando falou novamente, foi apenas para me desejar boa noite e em seguida apagar o abajur em seu criado-mudo, se refugiando entre os lençóis.


Para mim parecia clara qual era sua resposta. Ela já havia chegado a uma resolução. Decidi não insistir mais. Desliguei meu abajur e me encolhi sob o calor do edredom.


Notas Finais


Capítulos sujeitos a mudanças devido a edições e revisões eventuais.

Créditos igualmente à minha querida amiga Therese Winterson (teresarocks)😘

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Até a próxima, galerinha!


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