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História Anjos Demônios - Caçadores da Noite - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Capítulo 12 - De asas quebradas


“ Descobri que existem duas horas em que você vê a vida de igual forma...     No início e no fim.  Ao início quando o sol brinda de trás das montanhas. E ao final quando ele se recolhe atrás delas. Mas, não se esqueça que ainda assim... Eles vão estar de lados opostos. E eu me pergunto mais uma vez quando a vida foi justa para mim...          

 ( Kaila — Anjos & Demônios )


        O céu se abriu lentamente. As nuvens se dispersavam em tons carmesins com o sol que brindava por trás delas, anunciando o início do dia, erguendo-se de trás das montanhas.

        Um sentimento de amargura infindável aumentava dentro de Nathaniel. Os cabelos loiros balançavam sem parar, os olhos dourados encaravam uma pálida nuvem que se movia lentamente. Ele desviou os olhos para o lado percebendo que seu superior, Gabriel, estava pousando com a delicadeza de uma pena. Tão silencioso e sorrateiro que se quer o viu chegar.


— Curioso que tenha me chamado para este lugar. — Gabriel reparou em todo o ambiente. Um pequeno parque a qual ainda estava fechado, mas, que ambos tinham voado até o local. Sentando-se em um banquinho logo ao meio onde as árvores rodeavam e um pequeno chafariz ficava ao centro. — Fora aqui que ela morreu uma vez, creio eu.

— Então já sabes o que descobri? — indagou com certo divertimento na voz. Gabriel falava de Kaila.

— Eu sabia que me chamaria quando soubesse sobre ela.

— Não existe item com Kaila. — Nathaniel murmurou irritadiço. — Mentiu para mim...

— Na verdade existe. — os olhos de Nathaniel penetraram os de Gabriel com desdém. Ele tinha a duvida de que Gabriel estivesse mentindo. — As pulseiras. — as sobrancelhas de Nathaniel se arquearam.

— Senhor? — perguntou para tomar certeza do que tinha ouvido e Gabriel suspirou.

— As pulseiras, quero as duas. — Nathaniel estreitou os olhos dourado virando-se para encarar Gabriel que se sentava ao seu lado agora. Os olhos tomaram um tom cor de mel, um brilho ficava na parte superior de sua Iris transpassando a imagem perfeita de uma criança curiosa.

— As pulseiras são o que impedem que todo o poder da garota extravaze... Fosse o contrário teríamos de matá-la. — murmurou indignado. — A última vez que a conheci não sabia que ela podia...

— Matar? — perguntou com um sorriso nos lábios encarando Nathaniel. — Ela mataria uma mosca e choraria por ela logo em seguida. Sentindo-se a pior pessoa do mundo. — uma das mãos do homem tocaram uma pequena peônia que se encontrava ao seu lado direito. Os dedos delicados deslizaram pela pétala lentamente até o caule onde ele a puxou para seus dedos arrancando pétala por pétala. — Mas até nós que somos puros temos de matar algumas vezes. Justiça só existe ao ponto de vista de quem vê. Para outros... Isso nem sempre torna-se justo. Mas, a questão é que Kaila foi um erro, um erro nosso. — ele inclinou a cabeça para o lado lentamente. — Um erro que não podemos concertar e no momento, será o que nos salvará.

— Não entendo senhor. — Gabriel sorriu.

— Ela é como uma bomba Nathaniel. E o que você faz com uma bomba? — os dedos de Gabriel chegaram na última pétala da peônia, a arrancando com força. Os olhos claros desviaram-se para Nathaniel uma última vez. — Você a destrói... Antes que ela te destrua. — ele murmurou um tanto pensativo. — Embora que dessa vez eu precise dela... Estamos em guerra Nathaniel e uma bomba nunca deve ser dispensada. — Nathaniel arqueou as sobrancelhas exasperado.

— Você quer usar a garota? E depois matá-la? — a pergunta saiu quase como um grito.

— Eu não sou o único a desejá-la, Nathaniel. Nós, arcanjos, erramos em criar tais humanos e nosso maior erro fora Kaila. Cuide da garota por hora, torne-se amigo dela, de preferência, faça o que ela bem desejar. Proteja como se fosse à mulher amada e não permita que outros se aproximem. Ganhe a confiança dela...

— Para matá-la quando mandar? — perguntou entre risos indignado, incrédulo no pedido de Gabriel. — Eu não crio porcos para abates, Gabriel.

— Mas aprenderá a abatê-los mesmo que não os tenha criado. — o homem se levantou deixando que as asas crescessem de suas costas e as sacudiu olhando o rapaz loiro por sobre os ombros. — Eu estarei de olho em você. Lembre-se disso.



      Ele olhou Gabriel uma última vez. Os olhos vazios e sem expressão.


— É o normal a se esperar de um pai... Sobre um filho.


      Gabriel não respondeu.



                                                                          [...]



     Ela estava sonhando. Sabia que estava, mas, algo a prendia na cama. Tanto que ela vez ou outra se sacudia sobre a mesma. Ficava na dúvida do que significava tudo aquilo, achando um sonho louco.

     Embora que na verdade, seu sonho fosse apenas uma mera lembrança de uma vida passada...


      Ela estava em um pequeno quarto. Alguém estava de costas para ela. Os músculos rígidos, a veia de seu pescoço pulando para fora. Ele se continha em recuar, em se afastar dela, manter-se distante com os olhos vermelhos e os dentes cravados contra o lábio inferior fazendo filetes de sangue escorrerem até o queixo, se acumulando enquanto o corpo estremecia com sua aproximação.


— Alexya, eu já lhe pedi. — o murmuro saiu fraco, com dificuldade. O contorno dos olhos eram profundas olheiras. A pele era pálida. Era Dimitry

— Se tem vontade, beba... — a resposta saiu firme enquanto ela traçava o polegar pelo decote, o jogando um pouco mais para o lado, deixando o pescoço visível e se aproximando de Dimitry. Permitindo que o rapaz perdesse seu controle. Atirando os lábios contra a garganta dela, a mordendo, puxando sangue com tanta força que ela chegava a grunhir de dor. Mas, aquilo não a incomodava tanto quanto vê-lo passar forme, negando-se a tomar o que ela oferecia. Ela queria fazê-lo ficar bem, ficar melhor... Mas, era difícil.

— Eu terei de viajar. — ela murmurou passando uma das mãos sobre a cabeça do rapaz deixando que ele tomasse mais seu sangue até que ele se afastou de olhos repreensivos e sobrancelhas arqueadas.

— Viajar? — indagou confuso passando a ponta da língua sobre os lábios.

— Sim... — um pequeno sorriso se formou entre eles, um sorriso triste que deixava Dimitry preso na ideia de que ela estivesse sofrendo.

— E para onde vai? — indagou em retorno confuso e ainda mais repreensivo. — Posso ir com você, eles estão atrás de você, aliás... O que eles querem...

— Não é da sua conta. — Dimitry se surpreendeu com a resposta fria e ela suspirou. — Eu não quero te meter nisso, entende? — perguntou aflita. — Existem coisas maiores Dimitry, existem... Outras pessoas que dependem de mim. — murmurou com dificuldade.

— Não irás voltar? — perguntou aflito tombando a cabeça para o lado, passando o polegar no pescoço dela, onde a tinha mordido.

— Não... Creio e lamento dizer-te que não. — ele reprimiu os lábios em uma careta triste. Suspirando e a trazendo para perto. Colando os lábios aos dela, a beijando com ansiedade e desespero, uma angustia infindável.

— Então irei atrás de ti... Onde estiver... Aonde for... Quando for. A eternidade se me for preciso. — ele ergueu os lábios em um mudo sorriso. Atirando-se para ela, a beijando e a surpreendendo com a reação do rapaz embora que algo em sua cabeça ainda estivesse confusa e a dissesse que alguma coisa lhe faltava.


                             Mas o que sempre lhe faltava em seus sonhos?



       Ela acordou. Mas, não conseguiu se mover. Algo a prendia na cama, os olhos não conseguiam se abrir, o desespero bateu triunfante. A voz em sua cabeça gritava em pânico, até que seus sentidos vieram à tona e ela conseguiu levantar rapidamente arfante. Tendo a sensação que as sombras estavam se movendo e que a escuridão era algo terrível.

       Ela correu até a porta, abrindo-a desesperada deparando-se com Tiffanny e quase caiu no chão.


— Céus! O que aconteceu? — a menina perguntou confusa observando a situação de Kaila que arfava e tremia.

— Não... — murmurou com dificuldade. — Nada... — respondeu se levantando, passando as mãos nas roupas e pensando sobre o que tinha acabado de acontecer.

— Certeza? — indagou aflita quando Lysandre saiu de seu quarto com as mãos na cabeça, parecendo ter muita dor de cabeça.

— O que ele faz aqui? — Kaila perguntou escondendo-se atrás da porta. Notando a roupa que usava e o que acontecera na noite passada. A pessoa que a tinha beijado... Céus, quem era ele?

— Ele dormiu aqui... — Tiffanny corou notando que Lysandre a encarava com um ingênuo sorriso no rosto. — Não é isso... Bem... Ele me ajudou, eu estava bêbada, sei lá... — murmurou dando de ombros. — Sei lá, ele queria me trazer em casa, disse me que precisava verificar uma coisa.

— Verificar? — Kaila desviou os olhos para o garoto que já estava arrumado para ir ao colégio.

— Bom dia Kaila! — Lysandre murmurou de cabelos desgrenhados e roupa amarrotada. A mesma da noite anterior que provavelmente usaria hoje para o colégio e que criaria alarde em todo o Sweet Amoris. Peggy provavelmente faria uma matéria sobre o aluno que apareceu de virada indo da boate direto para o colégio.

— Bom dia Lysandre. — respondeu um pouco incomodada percebendo que Tiffanny já estava pronta para o colégio.

— Tenho de ir... Estou atrasada, você vem? — Tiffa virou-se para Lysandre que negou com a cabeça.

— Eu espero Kaila, estudamos no mesmo colégio então... — ele virou os olhos bicolores para Kaila, parecendo pensativo, ergueu a cabeça por um minuto e se aproximou da garota como se estivesse notando algo no cheiro de seu quarto. — Alguém te ajudou a chegar em casa na noite passada? — a pergunta fez com que Kaila estremecesse.

— Sim...

— Quem? — indagou fazendo Tiffa arquear as sobrancelhas.

— Eu... Eu não sei. Estava bêbada, não reparei. — deu de ombros suspirando e Lysandre cruzou os braços apoiando o queixo sobre uma das mãos.

— Desculpe-me, mas devo ir com antecedência... — murmurou afastando-se da porta, beijando a testa de Kaila e depois da testa de Tiffa. — Tenham um bom dia e Kaila... — ele girou de volta para ela pensativo. — Avise no colégio que não irei hoje.

— Mas, e Castiel? — Kaila indagou confusa fazendo Lysandre a olhar por sobre os ombros parando no primeiro degrau da escada. Eles moravam juntos... Provavelmente Castiel perguntaria dele para Kaila.

— Não se preocupe com ele. — um mudo sorriso apareceu em seu rosto enquanto Tiffa o seguia pela escada.


      Kaila fechou a porta ainda meio confusa com a noite anterior e mais ainda seu sonho. Ela foi até a janela rapidamente checar se conseguia encontrar alguma coisas na grama e se surpreendeu ao ver um pequeno brilho metálico sobre ela.

      Correu até o armário puxando a primeira roupa que viu, uma calça jeans e um tênis. Desceu as escadas quase rolando por elas a dor de cabeça a matava da ressaca pela noite anterior.

      Ela correu até em baixo de sua janela para verificar o que era e se abaixou notando que a queda da janela até o chão era de mais ou menos cinco metros. Um humano jamais conseguiria cair daquilo e permanecer correndo.

      Ela puxou o que parecia ser uma pequena correntinha do chão que continha um pequeno coraçãozinho transpassado por ela. As mãos deslizaram pelo metal frio, ele parecia poder se abrir, tinha até mesmo uma pequena fechadura para uma chave que ao seus olhos deveria ser minúscula, mas...

      A cabeça de Kaila doeu enquanto ela apertava o pequeno coração entre os dedos. Ele era tão familiar que fez seu peito se apertar, algo ecoou em sua cabeça, uma voz, uma voz que ela conhecia muito bem, mas que não lembrava-se de quem era...


“ — Eu quero que fique com isso... — ela empurrou o pequeno colar para o garoto que se escondia na sombra do quarto parecendo desesperado com a atitude de Kaila.

— Kaila, por favor... — ele pediu em desespero recuando até bater contra a parede. — Você não pode estar falando sério!”


      Ela voltou para seus pensamentos arfando e colocando o pequeno colar contra o peito pensativa. Algo em sua cabeça não ia bem, aquela voz... O sonho de Dimitry, o cara que lhe salvou na noite anterior.

      Não fora um humano que a tinha salvado, certamente era alguém... Como um vampiro.

      Mas, quem fora o monstro que lhe salvou na noite de Nelle? E quem deixaria um colar como aquele? Na verdade a pessoa o tinha perdido e perdera algo que ela mesma tinha dado em presente. Algo que ela sabia que já fora dela, mas... Como poderia ser dela? Era loucura! Tanta loucura que fez Kaila meter o colar no bolso e procurar a única pista que tinha, a única pista que teve até agora, o único chute que parecia ser certeiro...

                                                            Dimitry



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