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História Anjos Demônios - Caçadores da Noite - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Capítulo 13 - Lua cheia


 Lysandre adentrou aquele quarto aflito. Por um minuto suas mãos hesitaram em pegar na maçaneta, em girá-la e adentrar o local. Era o quarto de Castiel e ele sabia que algo não estava bem, que algo tinha acontecido aquela noite, na boate.

    Ele abriu a porta. Relutante. Os olhos bicolores se arregalaram embora que ele soubesse que aquilo tinha acontecido. Os moveis estavam revirados, quebrados, destroçados. Os quadros das paredes foram rasgados, jogados ao chão. As paredes estavam arranhadas por suas garras, a cama estava irreconhecível e as cortinas agora estavam em trapos que se levantavam com o fraco vento da varanda onde Lysandre avistou um enorme lobo negro deitado, com a cabeça sobre as patas.         

   Era Castiel. 

      Ao dia aquelas eram suas formas. Um lobo quase comum, não fosse à altura dos dois ou três metros, dependendo do alfa da matilha. Castiel levantou a cabeça por um minuto, erguendo o focinho para cima, notando que o cheiro vinha de um dos membros de seu clã e abaixou as orelhas dando um baixo rosnado de reprovação para que Lysandre se retirasse, mas, ele apenas manteve-se firme no lugar levando as mãos aos bolsos da calça.


— Eu já conhecia seus dotes de decoração, Castiel. — disse em brincadeira e divertimento, embora o rosto não tivesse expressão. — Mas, dessa vez devo dizer que caprichou nela. — resmungou inclinando a cabeça para o lado, percebendo que Castiel não retornaria a sua forma humana. Ele estava quieto, distante, os olhos castanhos eram dois orbes brilhantes e anteciosas que pareciam não estar no mesmo mundo de Lysandre. — Vamos, precisamos conversar... Estava na casa de Kaila. — Castiel moveu as orelhas para frente e para trás mostrando os caninos e latindo para Lysandre que arqueou as sobrancelhas. Desde quando Castiel negava-se a saber algo sobre Kaila? Era ele quem o mandava bisbilhotar a vida de Kaila, descobrir sobre a garota. Vezes até virava as noites acordado fazendo a segurança da garota e Lysandre sabia que Kaila tinha algo de anormal, embora nunca tivesse parado e perguntado para Castiel o que na garota o atraia tanto.


      Castiel vivia como se seu passado o estivesse sufocando. Ele vivia solitário, trancado naquele quarto, fazia de tudo para manter a boa vida da matilha, mas... Sua cabeça estava muito longe daquilo. Era como se ele os usassem para defender Kaila e no final se guardasse por ela, mas que sentido faria? Esconder de quem quer proteger seu objetivo?

      Ele a repelia toda vez que tentava se aproximar. Fazendo a garota se mergulhar em confusão, embora Lysandre soubesse que tudo que Castiel fazia era impossível. Ele a desejava, tanto que sofria, mas ele não compreendia o motivo de Castiel continuar fugindo de Kaila, como se...

    Como se algo o impedisse...


— Castiel! — ele chamou em reprovação fazendo o garoto se irritar.


      O enorme lobo negro se ergueu virando-se para Lysandre, mostrando os caninos. Ele odiava ser desafiado e Lysandre já estava passando dos limites.

      Ele correu até Lysandre as garras para fora, os caninos a mostra. Lysandre se esquivou, jogando o corpo para o lado e caindo ao chão como um lobo branco. Os olhos bicolores se estreitaram. Era raro Castiel perder o controle de alguma coisa com ele, mesmo que fosse muito esquentadinho.

      Os olhos castanhos do lobo negro desviaram-se para Lysandre agilmente. Ele tentou abocanhar as costas de Lysandre, mas, o lobo branco apenas o acertou com as garras na cara ignorando o ataque e o olhando com desdém. Fazendo Castiel acordar do transe, sacudir os pelos e abaixar as orelhas, trancando-se em pensamentos.

      Ele não tardou a tomar sua forma humana, passando as mãos nos cabelos vermelhos e desgrenhados. Tentando os arrumar, mesmo que sem ver o estado.

      Lysandre fez o mesmo, tornando-se novamente humano e suspirando fundo. Que raio Castiel tinha na cabeça em atacá-lo?


— Saia do quarto, por favor. — pediu educadamente sem encarar Lysandre.

— Acabei de dizer que preciso falar com você sobre Kaila. — murmurou irritado cruzando os braços observando o comportamento de Castiel.

— Oh! É verdade... — respondeu sem animo o olhando por sobre os ombros. — O que quer me dizer? — indagou pensativo como se já soubesse das novidades.

— O cheiro do quarto dela... — Castiel deu de ombros andando pelo quarto até a varanda e parou subitamente quando Lysandre completou a frase. — Era o seu cheiro e o de Dimitry, mas... O cheiro deles também estava por lá. — murmurou por fim fazendo os ombros de Castiel estremecerem. Ele girou o corpo para Lysandre repreensivo. Os olhos um tanto arregalados.

— Isso foi agora pouco? — Castiel estava inquieto com a notícia.

— Sim...

— Quantos?

— Vários, Castiel. Só Deus...

— Não me fale sobre Deus, Lysandre. — murmurou em um rosnado mostrando os caninos e se sentou no que sobrou da cama pensativo.

— O que vai fazer? Vai deixá-la? — Castiel riu da pergunta.

— E desde quando a deixei? — retrucou em resposta desviando os olhos para ele.

— Não pode vencê-lo... — murmurou cruzando os braços.

— Nem Dimitry pode... Mas, Dimitry não tem o que tenho... — comentou desviando os olhos para o chão. Lysandre arqueou as sobrancelhas, os ombros estremeceram.

— Não... — pigarreou. — Se o fizer perderá o direito da matilha. — sua voz saiu quase em um sussurro fazendo Castiel arquear o canto dos lábios em um mudo sorriso. — Ela não vale tudo isso, largar tudo... Tornar-se como eles? É ridículo! — gritou irritado, deixando os caninos a mostra. — O que Kaila é? O que me esconde? — Castiel não respondeu. Passou as mãos nos cabelos repreensivo, pensativo e depois levou uma das mãos ao pescoço incomodado. Traçando uma linha com o polegar até a nuca suspirando e tombando a cabeça para o lado.

— Ela é tudo Lysandre, tudo e mais um pouco... Mas, eu fiz uma promessa para Kaila há muito tempo. — um sorriso fraco foi esboçado aos lábios de Castiel, um sorriso doloroso e ingênuo. — Você não irá me perdoar um dia, mas isso não me importa. Eu me decidi faz muito tempo. Embora que... Kaila jamais me perdoara se o que estiver imaginando acontecer...

— Eu não entendo. — Lysandre murmurou indignado pousando uma das mãos por baixo do queixo e Castiel riu, uma risada fraca enquanto se levantava.

— Não se esforce muito. — murmurou passando mais uma vez as mãos no pescoço, um súbito incomodo o preenchia. Como se algo estivesse faltando no local e Lysandre suspirou.

— Fazer isso é se entregar a própria morte. — Castiel riu mais uma vez do comentário, dessa vez sem vontade alguma, encostando-se na beirada da porta. Passando as mãos nos cabelos desgrenhados. Fitando o horizonte atenciosamente.

— Eu morri já faz muito tempo...



                                                                       [...]


— Masi! Para com isso! — Dake dizia em reprovação andando pelos corredores do colégio calmamente. Observando a garota de cabelos negros e lisos até a altura dos ombros que estava distraída cantarolando uma música irritante a qual ele odiava.

— Vamos, para de ser rabugento, Dake! — Masi retrucou indignada, fazendo um bico engraçado que fez Dake rir e desviar os olhos para o lado deparando-se com uma figura que jurava jamais encontrar em sua vida.



                                                                Armin.


        Ambos cruzaram seus olhares. Repreensivos e pensativos. Uma batalha eterna que duraria séculos se Masi não tivesse o puxado pela orelha rapidamente para dentro de sala e Julieta tivesse feito o mesmo com Armin. Ambas soltando longos suspiros e também se entre olhando com certa rivalidade. Certas guerras... Não acabavam nunca.


       Ele se sentou em uma das cadeiras da sala irritado. Percebendo que Armin sentava-se algumas cadeiras atrás distraído com alguma coisa quando uma garota de cabelos negros aproximou-se de Armin um tanto distraída, fazendo as coisas do garoto caírem ao chão e se espalharem.

     Armin acordou do transe por fitar Dake e desviou os olhos para a pequena garota que o encarava. A garota parecia nervosa catando suas coisas no chão e ele tratou de ajudá-la antes que perdesse a paciência.


— Céus, pode deixar... Eu pego isso. — murmurou para ela fazendo a menina erguer os olhos azuis para ele que ficou encantado com a beleza da menina, mas, continuou a pegar suas coisas.

— Desculpe... Ah... Eu não... Eu não te vi. — ele suspirou.

— Fica difícil me ver quando se está tão distraída desse jeito. — ignorou o comentário dela puxando as coisas que ela tinha derrubado e colocando sobre a mesa onde se sentou.

— Você é novato, não? — Armin assentiu com a cabeça não muito interessado com o rumo da conversa. Precisava ficar atento em sua missão e uma mundana apenas atrapalharia seu trabalho. — Meu nome é Denise. — murmurou sorridente estendendo uma das mãos para ele que olhou de soslaio a mão da garota e a apertou desviando os olhos para duas meninas bem próximas.

— Armin. — murmurou inquieto na cadeira notando que uma das meninas era Mellanie e arqueou as sobrancelhas preparando-se para se levantar quando ela se levantou. Puxando uma garota de cabelos castanhos e olhos claros para fora da sala, ignorando a aula que se iniciaria logo. Que raio era aquilo? Uma vampira e uma mundana juntas? ...Isso não prestaria.


                                                                            [...]


— Esse lugar é um saco! — Debrah murmurou cruzando os braços, apoiando as costas na pia do banheiro enquanto Mellanie ficava pensativa um tanto confusa no que faria a seguir. — Ei ! Estou falando com você! — ela se inclinou para frente botando as mãos na cintura e arqueando as sobrancelhas enquanto Mellanie revirava os olhos.

— Sim, já escutei. Mas, me diga. Tem medo do escuro? — Mellanie indagou se encostando em uma parede próxima os lábios curvando-se em divertimento esperando uma resposta sincera.

— Escuro? — Debrah retrucou rindo muito. — Claro que não! O que acha que sou? Uma criança? — Mellanie sorriu com a resposta mordendo o lábio inferior e esbarrando as costas no botão da luz, fazendo as luzes do banheiro se apagarem, apenas uma pequena janela aberta deixar um pouco da luz do sol adentrar. — Mel? — Debrah perguntou confusa encostando-se novamente na pia quando percebeu que a garota tinha sumido na escuridão. As portas do banheiro começaram a se abrir uma por uma, batendo contra a parede com força fazendo Debrah gritar.

— Mellanie! Que raio é isso? — perguntou em um grito correndo até a porta da saída, mas, ela estava trancada. Uma alta risada ecoou entre as paredes e Debrah teve a ideia de que as sombras moviam-se lentamente formando pequenas criaturas a qual a deixaram aterrorizada. — Mellanie! — ela gritou novamente quando a última porta do banheiro foi aberta e Debrah se virou para olhar o que estava logo atrás do seu corpo, dando de cara com Mellanie que tinha o rosto tampado pela sombra, dando um sobressalto pelo susto. — Deus! — murmurou encostando-se na porta. — Pare com isso, você quase me matou do coração! — ela riu logo em seguida engolindo em seco quando a garota levantou o rosto mostrando os olhos vermelho sangue, os lábios entre aberto deixando as presas a mostra.


      Mel se atirou contra a garota antes que ela falasse alguma coisa. Abocanhando o pescoço de Debrah e puxando sangue com força, até só um pouco sobrar, deixando a garota fraca o suficiente para depois raspar um dos braços contra as presas. Formando uma ferida, forçando o sangue contra os lábios de Debrah que os entre abriu com relutância, sentindo o gosto de metal percorrer sua garganta.

       Mellanie se afastou minutos depois sorrindo para a menina maliciosamente.


— Bem, agora vamos começar a brincadeira de verdade. — Mel riu para ela colocando as mãos na cabeça de Debrah que a olhava assustada. — Hora de dormir...


       Ela girou o pescoço da menina que fez um baixo ruído ao se quebrar.



                                                                             [...]


       Kaila esperou o dia todo. Ficava indo e vindo pelos corredores, passando por eles calmamente na esperança de encontrá-lo, mas, por mais que tentasse... Não o via.

      Dimitry tinha o tempo muito apertado e quando não era isso, algumas alunas estavam dando em cima dele. Fazendo perguntas estúpidas e infantis que faziam Kaila se contorcer de raiva.

      Ele caminhou ao final da última aula para a sala dos professores. Por milagre ou não, ninguém estava presente e Kaila se adiantou em entrar no lugar antes que ele a impedisse ou alguém a visse fazendo tal coisa. Ela não o surpreendeu. Dimitry conseguia sentir o cheiro de Kaila a uma distância absurda e nem mesmo virou-se para encará-la quando ela fechou a porta da sala dos professores andando até o meio da sala um tanto repreensiva e nervosa.


— Kaila... — ele murmurou a olhando por sobre os ombros com um ingênuo sorriso. — Bom dia.

— Bom dia... — ela murmurou de volta suspirando fundo e ele não deixou de notar sua agitação.

— Aconteceu alguma coisa? — indagou pensativo fazendo a garota virar a atenção para ele.

— Bem... Sim... Não... Quer dizer... Onde esteve ontem? — perguntou por fim mordendo o lábio inferior fazendo o garoto arquear as sobrancelhas e virar-se para ela.

— Ontem? — permaneceu um tempo pensativo. — Que horas? — perguntou cruzando os braços e encostando-se em uma das mesas enquanto tirava a gravata enrolada no pescoço e puxava a manga da blusa até o cotovelo.

— De noite... Foi até a boate? — perguntou movendo-se nervosamente fazendo Dimitry sorrir.

— Não. — respondeu dando de ombros. — Dei uma passa por lá, mas nada demais... — inclinou a cabeça para o lado. — Aconteceu alguma coisa lá? — indagou pensativo e estreitando os olhos fazendo Kaila engolir em seco. Ela não conseguia fazer uma pergunta tão simples para ele.

— Não... — respondeu. Mentiu na verdade, mas, pouco importava.

— Hum... — murmurou desviando os olhos para a janela. Era coisa da cabeça dela ou ele a estava evitando?

— Eu não te vi... Na boate... — ele desviou os olhos para ela mais uma vez apertando os lábios uns contra os outros pensativo e engoliu em seco.

— Bem, tenho que ir agora. Estou atrasado para uma coisa. — disse pegando sua bolsa e transpassando em um dos ombros, caminhando para a saída.

— Não! Espere! — murmurou tocando Dimitry em um dos braços, lembrando-se do sonho que teve. Ele a olhou um tanto pensativo e com os olhos distantes. Ambos ficaram em completo silêncio.


      Dimitry inclinou-se um pouco para frente, apoiando uma das mãos na parede próxima, sentindo a respiração de Kaila bater contra seu rosto, mas... Ambos foram atrapalhados quando a porta da sala se abriu fazendo Dimitry saltar para trás e se surpreender em ver a diretora ali.


— Senhorita Kaila? — ela perguntou surpresa em ver a garota na sala e Dimitry tratou de se explicar.

— Ela veio tirar algumas dúvidas da aula passada. — sorriu ingenuamente para a mulher que resmungou alguma coisa baixo.

— Não foi uma reclamação. Estava a procurando. — Kaila arqueou as sobrancelhas ainda tonta pela aproximação de Dimitry que fez seu coração se acelerar. Tentava imaginar se Dimitry e o rapaz da noite anterior eram a mesma pessoa, mas... Seu esforço era inútil.

— Me procurando? — perguntou confusa.


       A mulher se aproximou entregando um papel para ela. Com as matérias do dia fazendo Kaila arquear as sobrancelhas não compreendendo o que aquilo significava.


— Sempre quando nossos alunos faltam, você fica como responsável em levar a matéria. Estou certa disso? — Kaila assentiu com a cabeça um tanto pensativa. — Recebi uma ligação dos Verens Dalton. Parece-me que Castiel ficou doente hoje e por isso não pode vir. — Kaila se assustou com a noticia. Lysandre sabia disso e não tinha lhe contado nada? — Poderá levar isso para ele? — perguntou cruzando os braços fazendo Dimitry dar um passo a frente e tocar o ombro da diretora.

— Não será preciso, eu o encontrarei mais tarde... Nossas famílias são amigas, posso levar isso para ele. — disse aproximando-se de Kaila para pegar os papeis, mas, ela os segurou contra o peito rapidamente como se fosse um tesouro.

— Não! — respondeu quase em um grito fazendo Dimitry se surpreender. — Quer dizer... — na verdade ela precisava vê-lo também. Algo em sua cabeça ainda estava muito confusa e... Ela tinha de tirar tudo a limpo. Ainda lembrava-se da festa de mascaras de Nelle, quando Leigh a atacou e jurava que aquele monstro era Castiel, embora fosse loucura. Ela saiu do transe minutos depois um tanto pensativa. — Eu já tinha de ir lá mesmo, posso fazer isso. — respondeu por fim sorrindo para Dimitry que não tinha expressão alguma no rosto.

— Certo... — murmurou engolindo em seco observando a garota sair da sala e a segurou pelo braço uma última vez. — Tome cuidado... Tudo bem? — perguntou aflito fazendo a diretora os olhar curiosa e Kaila arquear as sobrancelhas, sorrindo logo depois.

— Sim, sim... Tomarei! — respondeu se afastando dele.

 



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