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História Anjos Demônios - Caçadores da Noite - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Capítulo 14 - Deixe-me entrar


    [...]

         


      É errado julgar pelas aparências. Você não pode desvalorizar um livro apenas por sua capa e nem mesmo vangloriar uma bela rosa, pois seu caule ainda será replïeto de espinhos, mas, não é justo condenar a rosa, apenas por tê-lo espetado.

      Acredite-me, se por um acaso uma rosa já lhe espetou, foi pelo fato de que lhe permitisse e embora ela soubesse disso, Kaila sempre teve uma certa curiosidade sobre os Verens Dalton. Talvez estudassem juntos há cinco anos ou mais e ela nunca tinha entrado naquela mansão. Sempre passava por ali, vezes via Lysandre adentrar a observando de soslaio, conversando com Dake e rindo das piadas de Castiel que na maioria das vezes estava tentando não olhar para ela, focando os olhos no horizonte, no céu ou até mesmo a olhando com desdém. Mas, agora nada estava acontecendo. Ela estava parada ali, na frente da mansão e por conta própria. Mesmo que tivesse aulas extras como todo mundo no turno da tarde e começava a agradecer o fato de ter se candidatado a monitora do Sweet Amoris no ano passado; o que lhe permitia a entrada e saída quando quisesse. Coisa que de certa forma não era algo a se gabar. Castiel fazia isso todo o tempo e jamais teve de se candidatar a alguma coisa, embora que nas últimas semanas, desde a boate em Nelle quando Leigh a atacou, ele tenha ficado... Um tanto prestativo demais.


     Ela suspirou fundo. Seu peito começava a acelerar. Estava na frente daquela mansão e sem ninguém ao lado, nem mesmo Denise ou Luara. O pensamento sobre Castiel e suas maneiras de agir, a falta de educação a maneira de importuná-la para depois sumir sem nem mesmo Kaila ver como e por onde começava a martelar em sua cabeça, enquanto subia os degraus da escada a qual julgou ser feita de mármore, com adornos ao lado, gárgulas um tanto assombrosas rodeando a casa e uma enorme porta de madeira que Kaila bateu uma das mãos fechadas, gentilmente.

     

     Longos minutos de silêncio se passaram e nada. A mansão que sempre estava lotada aparentemente estava vazia e fazia a garota se contorcer frente a porta apertando toda a papelada que a diretora a tinha entregado, contra o peito por exasperação. Uma súbita vozinha irritante começou em sua mente, dizendo que ela deveria arrumar outra forma de entrar, aliás, ela não tivera andado vários quarteirões para nada. Não é mesmo?

     Seu esforço em pensamentos massacrantes fora jogado fora quando ela girou a maçaneta da porta. Estava aberta.

     Um sorriso infantil foi esboçado em seus lábios pálidos e carnudos. O frio de Nelle começava a fazer com que a respiração ofegante da garota por ter corrido tão rápido, formasse uma pequena fumaça, lembrando muito uma baixa e rápida neblina, que partia de sua boca pelo ar se dispensando logo em seguida; era a famosa condensação.


    Ela pode ouvir um baixo barulho ecoando pela branquidão das paredes da mansão. O cabelo loiro acinzentado de Kaila caia liso até a cintura, onde balançava lentamente pelos movimentos da garota. Os braços estavam cobertos por um fino casaco e as mãos estavam dentro dos bolsos traseiros da calça. Encolhidas e procurando um quente refugio.

    Os orbes cinzentos desviaram-se para a escadaria da mansão. A sala estava vazia, apenas a mobília ficava presente, com uma tapeçaria esbelta e chamativa, alguns velhos quadros que se quer Kaila sabia quem os tinha feito. Mas, julgava serem importantes e bem antigos.

    Ela andou até a escadaria, subindo lentamente e olhando para os lados atenciosa, na esperança de que Dake ou Lysandre aparecesse. Sua vontade de conversar com Castiel começava a se dispersar. Ela queria apenas entregar os papeis e correr dali. Talvez pelo fato da mansão ser assustadora ou da música que vinha pelo extenso corredor a qual ela caminhava lentamente, depois de subir as escadas, lembrar algo. Algo que não a fazia feliz, algo que na verdade já tivera feito feliz um dia e que ela tivera perdido, mas não existia qualquer voz naquela melodia, era apenas o som...      

   O som de um piano

Os pequenos pés da garota pararam subitamente quando o som do piano invadiu completamente seus ouvidos, parando frente a uma porta entreaberta, onde ela se aproximou arqueando as sobrancelhas, tentando encontrar quem estava tocando aquela melodia tão bela que fazia o coração de Kaila saltar de seu peito, sua garganta chegava a se fechar e o ar ficava difícil a ser puxado. Aquela música talvez descrevesse toda a confusão de sua cabeça, de sua vida na verdade, mas seus pensamentos duraram tão pouco tempo. Foram completamente destroçados quando a melodia parou subitamente e a porta se abriu fazendo a garota ter um sobressalto. Um grito ficou preso em sua garganta pelo susto quando os orbes castanhos a olharam assustados, surpresos, exasperados e ansiosos. Os lábios entre abertos moveram-se tentando alcançar uns aos outros, em uma linha reta sem nenhuma expressão que formavam algo severo se observados juntos aos braços musculosos e nus que se cruzaram em nervosismo e irritação. Algo em seus olhos estava distante, os pés deram um passo à frente hesitantes em se aproximar e recuaram logo depois fazendo Kaila piscar nervosamente pelo atitude.


— O que faz aqui? — a voz de Castiel saiu ríspida. Cortando o ar gélido que preenchia todo o local. Ele parecia tão solitário aquele dia. Triste, impaciente e principalmente... Nervoso. Os olhos cinzentos de Kaila desviaram-se para o quarto do rapaz onde ela pode ver toda a bagunça e a mobília quebrada fazendo o ruivo se irritar, puxar a porta com força a batendo e se aproximando ainda mais dela. — Bisbilhotar é falta de educação. — murmurou intrigado com a curiosidade da garota embora soubesse que ela era curiosa o suficiente para empurrá-lo – ou ao menos tentar. – para o lado e adentrar o cômodo perguntando se alguém tinha invadido o local.

— Não estava bisbilhotando. — murmurou em retorno ofendida pelo comentário de Castiel, puxando toda a papelada do dia e observando o corredor por um tempo antes de entregar tudo para ele. — Não sabia que tocava tão bem. — comentou fazendo o garoto engolir em seco. — De quem é a música? — indagou sem pensar direito em suas palavras fazendo Castiel soltar um baixo suspiro, formando mais uma baixa fumaça antes de responder. Aliás, hesitou bastante em responder aquela pergunta tão simples.

— Era... — ele gaguejou a encarando, o que não era normal de sua atitude. Mas, nada naquele dia estava muito normal. — Era uma canção que ouvi naqueles objetos... Tipo caixinhas. Essas coisas... — deu de ombros desviando os olhos para o chão, passando uma das mãos sobre a nuca.

— Caixinha? — indagou entre risos. — Aquelas que quando abrem tocam? — ele assentiu com a cabeça voltando os orbes para ela. Uma infindável curiosidade dançava nos olhos de Kaila e ele sabia que as perguntas não iriam parar por ali. — O que aconteceu no seu quarto?

— Não é da sua conta. — murmurou já irritado com toda a curiosidade dela que a fazia parecer uma criança de cinco anos. — Você quer o que aqui? — indagou por fim passando a mão nos cabelos ruivos, inclinando se um pouco mais para frente, observando lentamente o rosto da garota, a maça do rosto avermelhada, os lábios carnudos e pálidos. Ela provavelmente sentia frio.

— A diretora pediu para entregar a matéria do dia. — disse por fim estendendo os papeis para o ruivo que arqueou as sobrancelhas surpreso com a notícia. Ela tinha andando tudo isso só para entregar papeis? — E também... Disseram que você estava doente. — Kaila mordeu o lábio inferior tombando a cabeça para o lado, o que fazia a garota que batia na altura do peito de Castiel ficar ainda mais fofa. — Você está mesmo bem? — ele não respondeu. Apenas pegou os papeis pensando em uma maneira de fazê-la ir embora o mais rápido possível.

— Estou, agora por favor, vá embo... — a frase parou ainda na metade quando a garota ficou sobre a ponta dos pés tocando com uma das mãos a testa de Castiel. Levantando os cabelos do garoto, os tirando da testa como se ele fosse uma criança indefesa. As delicadas e pequenas mãos tocaram o local, verificando a temperatura do garoto que corou. Sim, ele tinha corado e Kaila não deixou de se espantar com a reação dele que cambaleou para trás se afastando e a puxando pelo braço até a escadaria, tentando fazê-la descer a força, mas por pura teimosia ela conseguiu escapar de suas mãos, abrindo a porta e adentrando rapidamente. Fuçando todo o local destruído, fazendo Castiel ter de se controlar o dobro para não atacá-la ali mesmo. — Kaila! — ele chamou em reprovação.

— Eu só queria verificar sua temperatura, você é teimoso. Logo diria que está bem, mas, você deveria ter me avisado que sua doença era loucura. — ela virou-se para ele que agora estava encostado na porta revirando os olhos, forçando-se a continuar de bom humor. Ao menos o pouco que lhe restava. — O que aconteceu com você? Você está febril. — ela murmurou encolhendo os ombros. Castiel a encarava a distancia, ainda de braços cruzados e lábios em linha reta.


      Ele adentrou o quarto, indo até o que sobrou da cama onde puxou a jaqueta de corou e a jogou para Kaila fazendo a garota ficar em um mar de confusão.


— Eu não sinto frio Kaila, diferente de você... Eu estou muito bem desse jeito. —ele ficou em silêncio por um tempo, engolindo várias vezes a seco antes de dizer o que realmente queria. — Obrigada. — murmurou tão baixo que Kaila não escutou. — Por trazer. — ele levantou os papeis por fim desviando os olhos para longe e Kaila percebeu como ele era tão orgulhoso ao ponto de não conseguir se quer dizer um simples obrigada direito.

— Disponha. — respondeu entre risos e ele deu de ombros largando os papeis sobre uma mesa próxima que por milagre estava inteira. — O que aconteceu aqui? — ele suspirou.

— Quantas vezes terei de dizer que não é da sua conta? — ela vestiu a jaqueta feliz em ter algo mais quente para se refugir.

— Sei lá... Quantas vezes eu perguntar. — sorriu triunfante fazendo o garoto esconder um meio sorriso nos lábios e se sentar na cama a encarando.

— Se é só isso...

— Pare de me mandar ir embora. — resmungou intrigada.

— Não. Eu já desisti. — deu de ombros puxando um maço de cigarros do bolso. — Me irrita sua teimosia.

— Oh! Você pode ser teimoso e eu não? — indagou divertida e em provocação fazendo Castiel esquecer-se do cigarro para encará-la melhor.

— “Faça o que digo, não o que faço.” — uma de suas mãos foram até seus lábios onde ele encostou o maço puxando um dos cigarros com o dente para acende-lo logo depois. — Pergunte logo o que tem para perguntar. — murmurou tragando o cigarro fazendo Kaila congelar.

— Como sabe que tenho algo para perguntar? — ele arqueou as sobrancelhas com a pergunta da garota.

— A segunda opção além de alguma coisa para me perguntar seria você querer deitar-se comigo... — ele desviou os olhos para a cama sorrindo maliciosamente fazendo a garota corar.

— Idiota... — murmurou em resposta fazendo com que ele gargalhasse. — O que fez ontem?


      Os orbes de Castiel desviaram-se para ela por um tempo. A pergunta tinha o pego de surpresa.


— Nada em especial. — respondeu friamente. — Mais alguma pergunta?

— Não foi na boate? — indagou confusa.

— Se continuar com as perguntas pensarei que a próxima é um pedido de casamento. Sabe, nem minhas ex-namoradas me monitoraram assim. — ele riu tirando o cigarro da boca e o apagando, percebendo que nem mesmo o cigarro lhe acalmaria àquela hora.

— Pensei que só tivesse Debrah. — Kaila murmurou irritada com o comentário fazendo Castiel desviar os olhos para ela em divertimento.

— Não importa quantas foram se você for à próxima, não é mesmo? — indagou batendo na cama divertidamente rindo da careta que Kaila fez e levantando-se, indo até a garota. Fazendo com que ela caminhasse para trás, encostando-se a parede.

— Você não presta. — murmurou negando com a cabeça fazendo um sínico sorriso formar-se nos lábios de Castiel que se inclinou para frente a olhando atenciosamente. O sorriso em seu rosto logo se fechou, as sobrancelhas caíram para frente.

— E Dimitry presta? — a pergunta saiu em um sussurro fazendo Kaila se arrepiar.

— O que te incomoda tanto nele? — Castiel não respondeu.

— Vá embora. Já respondi tudo que tinha a responder. — deu um passo para trás ainda a observando.

— Qual é, vim até aqui para trazer sua matéria. Deve algo para mim. — ele riu do comentário.

— Já lhe emprestei a jaqueta para ir até em casa e agora te mostrei a porta para sair e ir para casa. Não existe gratidão melhor que essa?

— Existe. — respondeu imediatamente irritada. Ele nunca respondia as perguntas dela, sempre trocava de assunto e agora ambos estavam irritados. Mas, como sempre... Era ele quem a repelia ou a assustava.

— Então deixe-me dar uma gratidão melhor. — murmurou colando o corpo ao de Kaila.


      O corpo forte e musculoso a pressionou contra a parede a puxando para cima, fazendo com que Kaila entre abrisse os lábios para gritar, embora o grito ficasse preso em sua garganta, abafado pela mão de Castiel que a olhava severo e triste. O coração de Kaila pulava pela garganta, os olhos estavam arregalados. Que diabos ele faria a prendendo daquele jeito sem que ela pudesse se mover?

      O susto passou quando ele se afastou, destampando a boca dela e a encarando severamente.


— A gratidão deve continuar? — ele perguntou em diversão embora que sua voz não tivesse demonstrando tanta diversão assim.

— Pare com isso. — ela murmurou tentando se afastar dele que riu forçado a puxando novamente para perto, ainda a forçando contra a parede, agora mais leve e mais delicado. Os braços que a apertavam foram se tornando fracos, quase vulneráveis, o rosto se inclinou para o lado pensativo enquanto uma mão deslizava até o queixo de Kaila, parando ao canto do lábio.

— É curioso. — ele murmurou em um sussurro erguendo os lábios lentamente em um mudo sorriso. — A maneira que você pensa... Que eu te machucaria, mas ele não. — uma baixa risada ecoou da garganta de Castiel, afastando-se logo depois de Kaila, um tanto hesitante de fazer o movimento.

— Curioso? — murmurou em retorno ainda mais confusa com o que ele tinha dito. Talvez fora a primeira vez que ele tenha ficado calmo aquele jeito, talvez fosse a primeira vez que ela tenha visto algum sentimento nele. E tudo que viu foi muita dor. — Você nunca fez nada para que confiasse tanto assim em você. — riu forçado ainda o encarando.

— Verdade. — ele deu de ombros não se importando com o comentário. — E farei mais uma coisa para que jamais confie em mim e volte nessa bendita casa. — respondeu ironicamente jogando-se ao chão e caindo sobre ele como um enorme lobo negro que fez Kaila estremecer.


      Ele deu um passo para frente mostrando os caninos e latindo alto, rosnando e deixando as garras saírem das patas, cravando as garras no chão de madeira. Ele saltou para cima dela fazendo a garota gritar e correr para o lado, em direção à porta. A respiração começava a se alterar enquanto ela corria até a porta rapidamente, assustada com o que tinha acabado de ver. Ele era um lobo?

      Ela correu para fora do quarto, quase caindo ao descer as escadas em desespero enquanto ele parava no degrau da escada. Observando a garota correr amedrontada para fora e sumir na rua deserta. Ele sacudiu os pelos irritadiço, voltando a forma humana e sentando-se na escada pensativo.


                                   Quanto menos ela soubesse, menos iria sofrer...

                       Mas até onde você consegue guardar um segredo que não é só seu?



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