História Anjos entre nós - Emison - Capítulo 3


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Categorias Pretty Little Liars
Personagens Alison DiLaurentis, Aria Montgomery, Emily Fields, Hanna Marin, Spencer Hastings
Tags Alison Dilaurentis, Emily Fields, Emison, Pll, Pretty Little Liars, Sasha Pieterse, Sashay, Shay Mitchell
Visualizações 61
Palavras 2.483
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Famí­lia, Ficção, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais um capítulo pra vocês e assim como os outros, eu espero que gostem desse também. Boa leitura, dearest readers!

PS: Escutem Cristorfori's dream de David Lanz.

Capítulo 3 - O bom amigo


Suas nuances, aos poucos, renasciam e acendiam. A abóboda celestial de Rosewood era, em mais um dia, revitalizada por Hélio – deus do Sol –, vangloriando-se com seus raios vitais. Eles iluminavam o antigo quarto de Emily e, consequentemente, o rosto de Alison, que recebia várias lambidas de Kawai, depois que ela despertou. Ter a companhia de um cão era muito bom, especialmente a dele. Ela retribuiu o carinho acariciando-o e beijando topo de sua cabeça. Depois que a professora foi ao banheiro, os dois desceram. A ex-agente geralmente acordava cedo e naquela manhã havia ido correr. Após voltar da corrida, tomou banho e agora estava preparando o café da manhã. Quando ambos entraram na cozinha, Em prontamente se abaixou para cumprimentar e acariciar o seu amigo. Ao se levantar, voltou sua atenção para Ali, que já estava sentada num dos bancos da bancada, dizendo:

—Oi, Ali! Dormiu bem?

—Muito. Kawai é uma ótima companhia.

—Como você está?

—Bem… Melhor que ontem.

—Isso é bom!

Ao falar isso, a ex-agente serve um café da manhã nutritivo – panqueca americana com maple syrup (um tipo de acompanhamento muito comum entre os americanos), ovos mexidos, frutas picadas, suco e smoothie. Por causa da vida agitada, a professora nem sempre comia em casa. Logo, ter uma refeição como essa era algo que raramente acontecia. Apontando para o que via, indagou Emily:

—Você sempre come tão bem assim?

—Sim, meu avó me ensinou a importância de se ter um bom café da manhã – disse já sentada à bancada, de frente para Ali.

—Eu dificilmente como assim de manhã.

—Passa numa cafeteria, compra uma café e vai pra o trabalho, certo?

—É basicamente o que faço quase todos os dias.

—Bem, sempre tomar café da manhã comigo, isso vai ser diferente. E já que você gostou tanto do smoothie, eu decidi fazê-lo de novo pra você – falou colocando a bebida perto de Alison.

Ela sorriu, provocando outro na ex-agente, que ficou feliz por ver um como aquele no rosto da professora – tão sincero. Enquanto tomavam o café da manhã, conversavam, pois já se sentiam mais confortáveis uma com a outra.

—Emily, posso te fazer uma pergunta?

—Claro.

—Por que você voltou pra Rosewood?

—Eu achei que pra seguir em frente, eu teria que voltar. Então, aqui estou eu.

—Seguir em frente? Alguma coisa aconteceu?

—Eu não quero falar sobre isso.

A ausência de palavras figurou naquele momento. Havia algo sobre o qual Emily não queria, de jeito nenhum, falar. Isso a incomodava bastante e por ter sido um episódio bastante traumático, seu cérebro apenas bloqueou. Há meses tem sido assim. Uma vez que a indagação de Alison trouxe à superfície um dos principais motivos que a levou a deixar a carreira de agente, a quietude se apoderou dela quase que de forma instantânea. Ao notar, a professora preferiu não falar mais nada. Ela terminou a refeição primeiro que Em, deixou prato e copo na pia, pegou seu celular sobre a bancada e foi para a sala, deparando-se de novo com o piano vertical que havia no cômodo. Alison se lembra de tê-lo visto na noite anterior, mas nada comentou devido o seu balado estado emocional. Assim que a ex-agente apareceu ali minutos depois, a professora não resistiu em perguntar:

—Você toca piano?

Emily apenas confirmou que sim acenando com a cabeça, e Ali a fez um pedido:

—Poderia tocar alguma coisa?

(Escutar Cristofori's Dream de David Lanz)

A ex-agente, que estava em pé, olhou em direção ao instrumento e pareceu hesitar durante alguns instantes. Todavia, caminhou até ele, sentou-se na banqueta e deu um logo suspiro. Ela não tocou de imediato. Permaneceu alguns segundos fitando as teclas. Então, pôs seus dedos sobre elas e pressionou as primeiras notas da música com a qual foi apresentada à sua primeiríssima aula de piano. O contato com uma das invenções musicais mais apreciadas rescendia em sua mente recordações de um certo rapaz. Sua passagem pela vida de Emily não atingiu a longevidade por ela pretendida, mas foi, indubitavelmente, muito significativa – e marcante. Isentas de clemência, memórias dele apossavam-se da mente da ex-agente, encorajando suas glândulas lacrimais. Havia, assim, harmonia, melodia e lágrimas. Esta última não era vista por Alison, bem como as duas primeiras não eram somente ouvidas por ela – eram demasiadamente sentidas também. Embora já o tivesse escutado ao vivo em shows, nunca tinha parado para ouvir alguém tocar apenas o piano, e ainda mais só para ela. Não possuía nem palavras para descrever o que sentia. Ouvir Emily tocar, realizando seu pedido, era um dos elementos de um contexto muito maior – aquela garota que um dia humilhou, protegeu sua vida, acolheu-a em sua casa, cuidou dela e, agora, estava tocando para ela. Mesmo que não fosse, tudo isso parecia surreal. Logo, a professora fechou os olhos e decidiu se concentrar somente no que era repercutido pelo instrumento... Eis que a canção acaba. A ex-agente enxuga as lágrimas, levanta-se da banqueta e se senta ao lado de Ali no sofá. Ela ia comentar algo sobre a música e o quão bem Emily tocou, porém, ao perceber os olhos dela avermelhados, perguntou:

—Você estava chorando?

Ela apenas assentiu gesticulando com a cabeça. Alison não sabia se foi a música, que a emocionou. No entanto, ela também havia notado a hesitação da ex-agente antes de tocar o instrumento, e talvez isso estivesse relacionado a aquilo que ela não quis falar no café da manhã e que a deixou tão quieta. Sendo assim, a professora resolveu questioná-la:

—Isso tem a ver com a aquilo que você não quis falar quando estávamos comendo? Há alguma coisa acontecendo?

Emily, então, pronunciou-se:

—Acho que tudo bem se eu contar isso pra você. A única que sabe é Spencer… Eu era uma agente num serviço ultrassecreto de inteligência.

—Então é por isso que você tem as habilidades de um e bateu naqueles caras tão facilmente.

—Eu teria feito isso mesmo que não tivesse sido uma, mas de fato minha experiência como agente me ajudou lidar com a situação.

—Pra que organização trabalhava?

—Eu não posso contar. Não posso contar nada sobre ela. Não é ultrassecreta por acaso.

—É por isso que Spencer nunca quis dizer com o que você trabalhava.

—Eu pedi a ela pra manter isso em secreto. Nem ela sabe de muita coisa. A única coisa que sabe é que eu era agente.

—Você não pode falar nada mesmo?

—Nada. Apenas que eu era uma agente.

—Por que você deixou esse trabalho?

—Eu já estava pensando em deixá-lo, mas algo muito ruim aconteceu e isso fez com eu o deixasse de vez.

—O que aconteceu, Emily?

A ex-agente deu um longo suspiro e continuou:

—Enquanto trabalhava como agente, eu conheci alguém muito especial. Ele se tornou o meu melhor amigo… Um ano depois de ter entrado pra o serviço secreto, eu conheci Andrew. Ele trabalhava como um assistente na parte administrativa. Uma vez ele me viu treinando e perguntou se poderia ensiná-lo. Eu apenas disse que sim. Ele me falou que não poderia me pagar, então eu disse que não queria o dinheiro dele. Ele ficou muito feliz.

—Eu aposto que sim.

—Andrew era muito tímido e reservado. Praticamente não tinha amigos, não na Califórnia. Ele era do Oregon e estava estudando música na UCLA. Estava no segundo ano quando descobriu que seu tio, a pessoa que o criou, tinha câncer… Sabe, ele nem era parente dele. Na verdade, era melhor amigo do seu pai. Ele nunca conheceu a mãe, que o abandonou quando ele nasceu. Estava sendo criado pelo pai, que era viciado em aposta e perdeu a vida por causa disso. Andy tinha 4 anos… Ele amava muito o tio e quando soube que ele estava com câncer, deixou a faculdade e começou a procurar um emprego pra poder bancar o tratamento dele. A doença já estava num estágio avançado e ele viveu só mais um ano e poucos meses.

—Que história triste…

—Nós nos conhecemos seis meses depois que o tio dele morreu… Depois do nosso primeiro treino, ele falou que aquilo foi a primeira coisa boa que tinha acontecido a ele depois da morte do tio. Ele já havia pedido a outras pessoas que trabalhavam lá também, mas sempre recebeu uma reposta negativa.

—Eu tenho certeza que o seu “sim” a ele o fez muito bem.

—Sim, ele realmente ficou muito grato, e nós nos tornamos ótimos amigos… Ele queria me recompensar de alguma forma, então se ofereceu para me dar aulas de música. Eu falava que não era necessário e que eu não levava jeito pra isso. Ele insistiu e disse: “Você acha que se conhece, não é? Explorar música você vai mudar a sua perspectiva sobre si mesma.” Ele estava certo. Eu me surpreendi comigo mesma. Nunca pensei que pudesse aprender a tocar piano e guitarra. Ele me ensinou os dois. Enquanto eu o ensinava artes marciais, ele me ensinava música. Nós dois compartilhamos coisas que amávamos e crescemos com isso. Ele estava sempre evoluindo e ganhou a chance de tornar um agente de campo, como eu era. Então, quando esse dia chegou, ele ficou muito feliz porque foi promovido. O salário de um agente era muito bom. Ele finalmente poderia economizar para investir na carreira de músico.

Ao dizer isso, Emily fita o piano por alguns segundos e fala:

—Andy me deu esse piano de presente. Ele me levou a uma loja de instrumentos musicais e pediu pra que tocasse nele. Simplesmente adorei o timbre. Eu nem imaginava que ele já tinha comprado e me levou lá só pra buscá-lo. Foi uma grande surpresa.

—Acho que era grato a você por tudo, e isso foi uma maneira de agradecer.

—Foi o que ele me disse quando me deu o instrumento. E nós tínhamos planos… Nós tínhamos muitos planos. Nós deixaríamos o aquele emprego para trabalhar com música, ele teria o estúdio dele e finalmente realizaria o desejo de viver fazendo o que tanto amava...

Todas essas lembranças provocaram os sentimentos da ex-agente, que parou de falar. Os olhos começaram a marejar. Alison nada falou, respeitando o momento de Em, que, chorando, continuou:

—Mas eu o perdi… Eu o perdi, Ali.

—O que aconteceu?

Ela enxugou as lágrimas e com voz chorosa disse:

—Tudo aconteceu tão rápido. Eu escutei tiros e o chamei através do comunicador, mas ele não respondia. Eu não sei como ou o que aconteceu. Quando cheguei onde ele estava, o vi caído no chão, e ele estava sagrando.

Emily tornou a chorar mais, e na tentativa de acalmá-la, a professora a abraçou e disse:

—Eu sinto muito, Em.

De fato, o terno abraço de Ali acalma pouco Emily, que fala após esse gesto afetuoso:

—Além de Spencer, ele me ajudou muito quando eu perdi meu avô e depois os meus pais. Ele era um amigo maravilhoso e eu o amava muito. Eu tento entender, mas não consigo. Eu perco quase todo mundo que amo: meu avô, meus pais e Andrew. Eu não pude proteger nenhum deles.

Ela chorou mais ainda depois que disse isso. Sendo assim, Alison tomou o rosto a ex-agente em suas mãos e disse olhando diretamente nos seus olhos:

—Nunca esqueça que você me protegeu e salvou minha vida. Por sua causa eu vou viver. Eles estariam orgulhos de você.

Falou com convicção. Depois disso, a professora abraçou Em novamente e dessa vez eu um pouco mais forte. Ambas ficaram assim durante algum tempo. O abraço de uma era tão reconfortante quanto o da outra – e caloroso também. Quando ele foi desfeito, Emily já estava mais tranquila e disse:

—Obrigada, Ali.

—Pelo quê? – ela realmente não entendeu por que a outra a agradecia.

—Isso me incomoda bastante, mas eu consegui falar. Desde que Andy morreu eu não tocava naquele piano. Não conseguia. O seu pedido me fez ter coragem.

—Obrigada por atendê-lo. Por falar nisso, você toca realmente muito bem. Foi maravilhoso te ouvir tocando. Qual era aquela música que tocou?

—Cristofori’s dream de David Lanz. Ele é um famoso compositor e pianista de música new age, que é um estilo com grande influência da música clássica. Foi a primeira música que aprendi a tocar.

— O que o título quer dizer? E quem é Cristofori?

—É considerado o inventor do piano.

—Então você está trabalhando com música agora?

—Ainda não, mas pretendo em breve. Desde que Andrew morreu há oito meses, eu tenho apenas estudado bastante. Nunca pensei que faria isso sem ele. Quando decidi voltar pra Rosewood, eu sabia que tinha que seguir em frente. Acabei de chegar e agora que estou aqui, vou começar a procurar por um trabalho como musicista. Também quero gravar um álbum, o meu primeiro, usando composições minhas e de Andy. Talvez eu tenha meu próprio estúdio também.

—Você tem ótimos planos, Em, e esse laço que tem com ele é realmente muito bonito. Andrew estria orgulhoso de você, e eu tenho certeza que sua família também.

Ao ouvir isso, Emily sorriu levemente, pois sabia que Ali estava certa, que falava a verdade. E mesmo que os corpos físicos de tais entes queridos não estivessem mais ali, o espírito de cada ainda permanecia aceso dentro dela.

De repente, o celular da professora toca – era sua mãe. Depois que falou com ela, Alison perguntou para a ex-agente:

—Em, você pode me levar pra casa? Minha mãe já está vindo para cá e quer que eu esteja lá quando chegar.

—Claro.

Enquanto Emily buscava a chave do carro, Alison se despedia de Kawai. Não demorou muito até estarem a caminho da casa da professora. Ao chegaram, ela disse:

—Acabei de lembra que não tenho o seu número.

—Nem eu o seu.

Após trocarem seus contatos, Ali olhou para a ex-agente com ternura – seu olhar parecia afagá-la de algum modo. Afirmou, então:

—Você é um ser humano incrível. Muito obrigada por tudo.

Tal assertiva estimulou um sorriso nos lábios de Em. A professora deixou o carro e entro em casa.

Ao retornar, foi até o quarto, e pegou partituras e caminhou até a sala. Depois do falecimento do amigo, Emily não quis mais tocar no piano que tinha sido um presente para ela, pois a imagem da tragédia logo preenchia sua mente, bem como a culpa que sentia por não tê-lo protegido. Então, tocava num piano digital que ficava no seu quarto. Todavia, ela bem sabe que Andrew nunca aceitaria um comportamento e um pensamento como aqueles. Não tocar no instrumento que trazia inerente consigo o amor e apreço que o músico tanto sentia por ela era até um desrespeito. Sem contar que ela tinha muito mais do que a memória de sua morte – tinha todos aqueles outros momentos que conceberam juntos e o que tanto aprendeu com amigo. Portanto, ali estava – sentada na banqueta, com as mãos pressionando as teclas tão vívidas daquele piano. Já não tinha mais receio. E através dos ensinamentos adquiridos com Andrew, explorava sua musicalidade, redescobrindo-se.


Notas Finais


Muito obrigada pela leitura! Até o próximo capítulo!


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