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História Annael: O amor de um mundo inesperado - Capítulo 64


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Capítulo 64 - A gaiola


Fanfic / Fanfiction Annael: O amor de um mundo inesperado - Capítulo 64 - A gaiola


Como alguém que acaba de ter um pesadelo intenso e se levanta em um salto, assim foi minha reação quando aquela criatura desapareceu de cima de mim... O peso do seu corpo se desfez, seu grito assustador desapareceu e seu toque que agora me causava asco sumiu de sobre minha pele! Porém, ao abrir meus olhos não havia nada ali senão escuridão e gelidez... Meu peito voltava a arder em chamas, minha cabeça doía como se houvesse um peso sobre ela e um frio intenso invadia todo o meu corpo... Mas agora eu me sentia consciente, quase que acordada... Sensata de todas as minhas ações! Seria aquele lugar o interior da minha mente?! Estaria eu presa dentro do meu próprio corpo?! E aqueles gritos que ouvi quando ainda estava com aquela criatura? E aquelas imagens que invadiram minha mente?! Quem ou o quê era aquele ser que tomou a imagem do Legolas?! Ele disse que estávamos ligados... Por aquele sinal que havia sobre nossos peitos... O que ele queria de mim?! Seria aquela criatura Moauriel?! Estaria ela possuindo o meu corpo neste exato momento?! E se aquelas imagens e gritos fossem das pessoas que ela estivesse ferindo?!.... Aos poucos eu conseguia mais e mais me recordar dos acontecimentos antes daquele momento... A cabana... Aquelas vozes que me atraíram... Aquela parede que me engolira... Todos aqueles feitos eram obras de Moauriel! Eu tenho certeza disso! E tudo isso... Com a ajuda da Mary! Por mais que eu tente acreditar em sua inocência... A cada instante percebo mais detalhes nessa trama causados pelo seu toque!
Eu estava com dor... Estava com medo e insegura... Mas eu precisava parar Moauriel! Precisava encontrar uma maneira de sair daquele lugar, de quebrar minha ligação com aquela criatura e dar um jeito de enfraquecer ambos... Se Moauriel estivesse no meu corpo agora... O mundo deveria estar um caos! 
Deveria haver algo que eu pudesse fazer!
Se... Aquele lugar frio, solitário e gélido fosse mesmo o interior da minha mente... Eu teria que tomar o controle! Eu não poderia mais permitir que Moauriel se mantivesse sempre à frente de nós... Teríamos que tomar alguma atitude!
Mas então algo fez meu corpo estremecer... Uma risada aguda e longa ecoou pela escuridão!
-Ownnn... A gatinha pensa que pode ser mais forte do que sua rainha! -Aquela voz... Moauriel! Era ela! Ela estava ali em algum lugar... E de alguma maneira ela também podia ouvir meus pensamentos... Como eu a derrotaria e tomaria o controle?! -Ou será que não...?
-Você não é minha rainha, Moauriel! Nem minha mãe! Nunca foi e nunca será! -Berrei à plenos pulmões com toda a minha força, sentindo o meu corpo flutuando naquele nada... A gargalhada se fez presente novamente!
-E você?! O que você é?! Você não é nada! Não passa de uma menina insegura, fraca e sozinha... -Sussurrou.
-Você está enganada! Eu sou mais forte do que você! Eu irei matar você, Moauriel! -Berrei começando a sentir um ardor forte se fazer em minha garganta... Espere! Será que eu estaria gritando com o meu corpo verdadeiro?! No mundo real?
-Pobrezinha... Encontrou um lar, uma família... Um amor... E por isso mente pra si mesma... Continue dizendo a si mesma essas coisas! Nem você acredita em suas próprias palavras! -O ódio e o medo se misturavam em uma intensa tempestade em meu interior. -Você sempre foi fraca... Nunca almejou o poder! E esse foi o seu maior erro! Eu poderia ensiná-la... Poderíamos dominar o mundo juntas! Provar o valor do nosso poder... Mas você foi fraca! -Sua voz sibilante, como de uma serpente de língua afiada feria meus ouvidos e me fazia sentir a fúria crescendo cada vez mais dentro de mim.
-E você me teme! Por isso você deseja tanto o meu mal... Porque eu nunca serei como você, Moauriel! Eu jamais machucaria alguém, que me ama apenas, pelo poder! Você me teme porque eu não sou como você... Você me teme porque não pode me controlar! Você não pode me controlar, Moauriel! Você não pode me controlar! -Então berrando com todas as minhas forças e sentindo meu interior queimar de raiva e medo, pude sentir um toque ainda mais gelado no interior de minha mão direito... Ao olhar para ela pude ver algo prateado e pesado brilhando ali! Era a Arma... A adaga feita para matar Moauriel!
Eu não sabia o que deveria fazer... Mas em um súbito ímpeto eu apenas agarrei aquele objeto com minhas duas mãos, antes de ouvir sua gargalhada ecoar novamente, e a finquei sobre o meu peito... Uma dor dilacerante se fez ali, bem acima da marca e uma luz ofuscante invadiu meus olhos... Algo me dizia que aquilo havia sido fácil demais e que Moauriel só havia desaparecido pois havia conseguido algo que desejava! Aquele sentimento de medo se multiplicou... Eu não sabia o que estava por vir!
Repentinamente pude sentir meu corpo caindo  em queda livre, uma velocidade assustadora! Então, senti meu corpo sacudir... Algo áspero e duro arranhava a minha pele... Estava uma brisa fria... Eu não tinha coragem de abrir meus olhos de maneira alguma! Eu apenas procurava a Arma sobre meu peito, mas não havia nada ali... Depois de alguns segundos de indecisão, eu apertei meus olhos e lentamente os abri... Parecia cedo... Talvez houvesse acabado de amanhecer... Haviam árvores... Muitas árvores... Eu podia ver e ouvir suas copas balançando com a brisa da manhã... Eu cuidadosamente decidi olhar em volta e percebi que não havia nada ali além de pedras, troncos e árvores... Eu estava em alguma floresta... Fui tentar me movimentar e aquela instantaneamente me pareceu uma péssima ideia! Tudo em mim me mandou notícias de que algo estava errado... Tudo doía! E não pude impedir uma careta de dor quando finalmente consegui me colocar sentada... Pisquei algumas vezes tentando me localizar, mas eu não conhecia aquele lugar! Respirei fundo, e contra todas as forças do meu corpo, eu consegui ficar de pé... Nunca essa foi uma tarefa tão dolorosa e difícil... Foi então, com as mãos sobre meus joelhos, que percebi algo... Eu estava imunda! Toda suja de terra, havia pedras presas nas rendas do meu vestido, e algo me surpreendeu... Havia uma boa quantidade de sangue seco sobre minhas mãos! Aquilo me fez sentir um gelo em meu estômago e minhas pernas tremeram de cima à baixo! Será que Moauriel usara mesmo o meu corpo para ferir alguém?! Aquilo era monstruoso...
Eu fiquei ali, estupefata por alguns instantes encarando minhas mãos e tendo milhares de pensamentos correndo por minha mente... Eu não conseguia não me culpar por tudo aquilo!
Então repentinamente um barulho me tirou dos meus pensamentos... Passos rápidos, largos e apressados se aproximaram na velocidade da luz e tão rápido quanto, eles me cercaram... Ainda confusa eu ergui meu olhar e me deparei com uma boa quantidade de homens e elfos todos armados e me encarando com um olhar feroz... Se Moauriel houvesse realmente usado o meu corpo... Eu não estranharia se eles me atacassem agora... Mas então por instindo eu apenas ergui minhas mão em ato de paz e soltei:
-Sou eu! Annael... -Mas eles não me pareceram nada convencidos de minhas palavras... Eu não me sentia inerte, leve e apaziguada como eu me senti quando estava presa em minha mente... Eu na verdade me sentia bem acordada e consciente de tudo o que acontecia a minha volta... Então deduzi que eu estivesse acordada!
Então senti um forte impacto em minhas costas... Quando percebi, eu já estava de bruços, caída com o rosto virado de lado no chão! Um pequeno burburinho se fez entre eles, como se comemorassem algo... Ou apenas achassem graça da minha cara suja de terra e meus olhos embasbacados !
-Guarde suas palavras para a Ordem! -Um homem disse se colocando sobre mim e puxando meus braços para minhas costas... Soltei um forte guincho de dor... Pensei que meus ombros fossem ser deslocados com a tamanha pressão e logo em seguida um ardor se fez em meus pulsos que se uniram instantaneamente pela força de um nó em uma corda grossa e áspera que arranhou minha pele. -Vamos! Levante-se! -O homem soltou pegando fortemente em meus ombros e me colocando de joelhos, antes de me forçar, puxando a corda, a me levantar. Ainda atônita eu tentei reconhecer os rostos à minha volta... Mas todos me pareciam desconhecidos.
-Eu não sou Moauriel! -Falei para o homem que permanecia às minhas costas ajustando e apertando ainda mais a corda... Aquilo ardia! Mas guardei a dor apenas para mim... Já bastava apenas Moauriel ver minhas fraquezas!
-Acreditamos em você... -Falou começando a arrastar sobre suas mãos a extensão da corda e veio andando para a minha frente. Era um homem grande... Me parecia um humano! Ele me lembrava bastante o Nurckaroh... Sim, agora eu sabia o nome dele! Porém, com um rosto muito mais jovial e cabelos mais loiros... Os olhos eram os mesmos! Mas seu rosto transmitia uma segurança e uma força de si que eu não havia visto em Nurckaroh. -Passamos três dias em busca de Moauriel... -Ele se aproximou ligeiramente e me lançou um olhar desdenhoso que me fez encolher. -Não acredito que ela teria se deixado pegar tão facilmente! -Um nó se fez em meu estômago.
-Três dias?! -Gaguejei incrédula... Eu só havia passado alguns minutos presa em minha mente... O tempo com certeza se passava diferente no mundo real! 
Ele inclinou a cabeça ligeiramente e cerrou seu olhar enquanto me analisava cuidadosamente.
-Você não saberia nos dizer nada sobre o coração de Kali... Saberia? -Sua voz era rouca e calma... Havia uma intensidade em sua maneira de falar que chegava a assustar!
-Coração de... De quem?! -Engoli em seco. -Escute! Eu não me lembro de nada sobre coração de não sei quem... Tudo o que eu me lembro antes disso é que estávamos na cabana! Apenas isso! -Cuspi nervosa analisando o rosto de todos os homens que me rodeavam, a maioria não parecia estar muito de acordo com minhas palavras e sussurravam entre si... O que me deu nos nervos! Mas eu não poderia culpa-los... Se Moauriel usou meu corpo ela deveria ter feito algo muito ruim!
-Bem... -O homem suspirou e se endireitou, passando uma mão sobre a nuca como quem não se importa nada com minhas palavras. -Acredito que você e a Ordem tenham muito o que conversar! -Falou agarrando a extensão da corda e virando-se de costas para ir em direção ao seu cavalo. -Vocês sabem da ordem que recebemos! -Falou subindo majestosamente em seu cavalo marrom escuro e alto... Todos os homens então concordaram e se colocaram em formação às minhas costas.
-Espere... Que ordem?! -Perguntei ao perceber o desconfortável silêncio que se instalou, então o homem apenas olhou para mim por sobre o ombro.
-Não falarmos com você! -Soltou me lançando uma piscadela e então se endireitando. Fazia sentido... Se Moauriel estivesse ligada à minha mente ela saberia caso eu soubesse de algo importante... Seria realmente o melhor eu continuar isolada enquanto aquele desenho estranho continuasse em meu peito!
Repentinamente senti um puxão em meus pulsos e fui obrigada a começar a caminhar... Agora as dores em meu corpo ficaram mais fortes intensamente! Tudo doía... Principalmente minha cabeça e meu peito... Que ainda ardia.
-Começando a andar, princesa! Não morra agora... Você ainda tem muito o que fazer nesse mundo! -Soltou em um tom divertido, misturado com seriedade antes de fechar sua boca e não falar um "a" por todo o caminho.
Depois de alguns quilômetros caminhando e quase caindo ao chão de fraqueza... Já que eu estava faminta e morrendo de sede... Nós finalmente chegamos em uma ponte que estava aos pedaços! Eu quase caí daquela coisa umas dez vezes... Tenho horror à altura! Mas finalmente a atravessamos e depois de mais uma longa caminhada chegamos em uma clareira... Nela havia uma espécie de gaiola sobre rodas presa às rédeas de dois cavalos grandes e malhados de marrom e preto, além de alguns homens sentados e aparentemente esperando por nossa chegada, pois seus olhos quase saltaram do crânio quando se fixaram em mim e se colocaram em posição com rapidez... Enquanto o homem loiro continuava a me puxar na direção da gaiola eu pude ouvir dois dos homens que quase desmaiaram quando me viram soltar em sussurro:
-Eu falei que ele conseguiria... Me deve duas moedas! 
Em um movimento rápido o homem loiro desceu do seu cavalo, ainda segurando a corda com força e me aproximou da gaiola enquanto dois outros a abriam e indicavam o caminho.
-Entre! -Ordenou e eu apenas obedeci... Eu não estava na menor condição de recusar! Mas ao contrário do que pensei, aquela corda áspera parecia que continuaria em meus pulsos por um longo tempo.
Eu entrei na gaiola e logo tive que me sentar para não cair por entre os entrelaces dos ferros do objeto... Haviam vários entalhes escritos em seu interior e aquilo parecia algo feito para repelir algum tipo de magia... Isso me tranquilizou sutilmente! Eu não sabia se Moauriel iria me possuir novamente, mas ver que aparentemente havia um lugar capaz de mantê-la distante acalmou meu coração.
-É... Você aparentemente  não é a Moauriel! -O homem loiro soltou analisando a gaiola com seriedade quando os homens me trancaram em seu interior... O ardor em meu peito diminuiu consideravelmente.
-Essa coisa... Foi feita para mantê-la distante?! -Perguntei, mas ele ainda seguia as ordens que lhe foram entregues, então ele apenas me olhou de esgueira e voltou para o seu cavalo. Eu toquei as ferragens da gaiola e me senti bem... Meu corpo doeu menos e minha cabeça também... Acho que... Aquele lugar por enquanto era seguro! Pelo menos... Até Moauriel encontrar uma maneira de ultrapassar suas barreiras protetoras... Até lá... Eu já terei encontrado uma maneira de derrotá-la!
-Marchem! -O homem loiro soltou em ordem e as rodas da gaiola começaram a girar, e consequentemente a gaiola começou a entrar em movimento... Eu precisava colocar um fim naquilo!


Notas Finais


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