História Annael: Um amor de um mundo inesperado - Capítulo 34


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Categorias Mitologia Celta
Tags Legolas
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Palavras 6.003
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 34 - Pergaminhos


Fanfic / Fanfiction Annael: Um amor de um mundo inesperado - Capítulo 34 - Pergaminhos

O mar tempestuoso... Suas águas balançam furiosamente, raios caem do céu e o ferem, nuvens negras dançam sobre ele, não se é possível ver as estrelas, não é possível sentir a pálida luz da lua sobre sua pele... O pequeno barco que segue sobre essas águas teme ser destruído, teme ser ferido... É assim que me sinto no meio desta guerra!
Não saber o quê está acontecendo e entender menos ainda sobre o quê irá acontecer faz com que eu me sinta no meio de uma tempestade, uma tempestade forte e furiosa que não faço ideia de como acalma-la. A cada dia que se passa, mais dependente me sinto deste mundo, a cada minuto que se passa mais me sinto amada pelas pessoas que me rodeiam e a cada segundo que se passa mais medo tenho de decepcioná-las... Não saber o quê sou, o quê serei ou o quê devo ser faz com que eu me sinta ainda mais confusa com meus deveres e obrigações!
Um mundo que me parece ser tão belo e cheio de luz ser na verdade um mundo que guarda segredos e profundas cicatrizes me amedronta, me amedronta por saber que apenas o elfo que amo e eu somos capazes de apagar essas cicatrizes e destruir esses segredos... Mas o que me amedronta mais ainda é o medo de causar ainda mais dor e sofrimento para tantas pessoas inocentes! Eu tenho medo de ferir, de destruir e medo de me tornar como o ser que mais odeio e por me tornar como ele acabar destruindo tudo o que amo...
Imaginar que um ser como a Moauriel já foi capaz de se apaixonar por alguém me causa arrepios de horror, mas me atormenta ainda mais saber que carrego dentro de mim o sangue  das feiticeiras e esse sangue ter o poder de me transformar em algo que não sou atormenta minha mente e meu coração!
Eu sei que posso contar com a Galadriel, Celeborn, Elrond, o Légolas e até mesmo com a Arwen, pois desde que cheguei em Valfenda eles tem sido minha verdadeira família, mas também sei que há coisas que eles não podem fazer por mim... Tantas perguntas, tantos medos e tantas indecisões transformam minha cabeça em uma tempestade de raios.
                                          ***
Uma leve brisa de início da tarde balançava carinhosamente meus longos cabelos, acariciava minha pele e dançava junto das folhas caídas sobre a grama enquanto eu ficava sentada sobre um confortável banco de madeira nos jardins, olhando para o céu e tentando imaginar e entender a história sobre o passado que a Galadriel me contara... Aquele céu tão limpo e tão azul era totalmente o contrário do que se passava dentro de mim, núvens negras e pesadas passeavam pelo meu peito.
Eu estava assustada por não saber o que deveria fazer para ajudar essas pessoas... Eu precisava derrotar a Moauriel, mas como? Eu não faço ideia de onde ela esteja, de quão grande é o seu poder, de quais são seus planos ou o motivo dela aparecer em meus sonhos... O quê ela ganha com isso?
Apesar de saber quem sou, de saber qual é o meu dever para com essas pessoas e entender minhas responsabilidades, eu temo que meu coração não seja forte o suficiente para lutar durante toda minha vida contra esse poder que corre em minhas veias, eu luto e tento sempre manter em minha mente a pessoa que eu sou e que quero me tornar, mas mesmo tentando não me importar, eu consigo sentir a energia do poder da Moauriel dentro de mim, sinto a cada instante esse poder tentando se mostrar e sair de dentro de mim... Eu estou assustada!
Eu apertava minhas mãos, uma contra a outra sobre o meu colo, tentando esquecer que eu era aquela que deveria derrotar Moauriel e tentando esquecer que a Moauriel um dia já foi capaz de se apaixonar, pois nem mesmo o ódio que sinto por aquele monstro foi capaz de tirar de dentro de mim o amor que aprendi a sentir durante os dezoito anos que passei com ela pensando que ela era minha mãe... Agora só percebo que será ainda mais difícil para mim derrotá-la, já que não consigo nem ao menos derrotar o sentimento que tenho por ela... Mais do que ninguém eu entendo que ela é um monstro e não merece nada mais que desprezo e ódio, mas não consigo lutar contra as poucas boas lembranças dela que ainda restam em minha mente...
-Por quê...? -Sussurrei para mim mesma levando minhas mãos até o alto de minha testa e apoiando minha cabeça sobre elas tentando arrancar de mim o sentimento que tenho por aquele monstro. -Eu não posso me tornar como ela... Não vou me tornar como ela! -Falei fazendo fortes sinais de negação com minha cabeça e apertando meus olhos... Antes pensei que conseguindo lutar contra meu sangue eu estaria pronta, pensei que nunca mais iria precisar sentir medo de me tornar como a Moauriel... Mas agora sabendo que as feiticeiras passaram séculos lutando contra as mesmas sobras que estou lutando e que várias delas não conseguiram resistir a esse poder, eu temo não ser capaz e nem forte o suficiente. Então para meu desgosto pude sentir uma fina linha quente de lágrima escorrer pelo meu rosto e logo depois pingar em meu vestido da ponta do meu nariz.
-Annael? -Eu ouvi uma voz feminina e familiar soar ao meu lado em um tom calmo e nada hostil, eu levantei meu rosto rapidamente e me deparei com uma jovem elfo parada a menos de um metro ao meu lado, seus longos cabelos negros balançavam com a leve brisa. Eu a encarei surpresa por alguns segundos e então rapidamente sequei a fina lágrima e fiquei de pé a sua frente, como se esperasse uma ordem. -Você está bem? -Ela perguntou e pude sentir uma ponta de sinceridade, eu então apenas lhe lancei um leve sorriso e acenei com minha cabeça respirando profundamente.
-Estou bem... -Eu então olhei a minha volta e percebi que não havia mais ninguém naqueles jardins, então supus que ela queria ficar sozinha, afinal eu deveria ser a última pessoa com quem ela iria querer ficar. -Bem, acho que você quer ficar sozinha... Então... -Falei me voltando a ela, mas antes que eu pudesse me afastar muito em direção a entrada dos jardins ela tocou levemente um dos meus ombros, como se me pedisse para esperar, então me virei novamente para ela surpresa e curiosa.
-Na verdade... Eu gostaria de conversar com você! -No início pensei ser uma brincadeira, mas seu rosto sério mostrava o contrário, assim como sua postura inabalável.
-Co...Comigo? -Perguntei assustada e me indicando com minhas mãos sobre meu peito.
-Escute... -Ela falou me parecendo um pouco envergonhada olhando para os próprios pés e então voltou seu olhar para mim. -Sente-se, por favor... -Falou indicando o banco que eu acabara de me levantar com uma de suas mãos. Eu olhei do banco para ela algumas vezes e ainda um pouco receosa eu me sentei seguida por ela.
-Então... O quê você quer falar? -Perguntei lentamente com medo de falar algo que não devesse e a fizesse me olhar com um brilho de fúria no olhar, como geralmente acontecia.
-Eu... Quero lhe dizer que... -Falou lentamente tomando uma postura confiante com suas mãos sobre os joelhos. -Eu sei que não tenho sido muito gentil com você nos últimos dias! -Ela mantia seus olhos negros presos aos meus e pela primeira vez não senti uma gota de raiva em seu rosto ou em seus olhos, o que me causou ainda mais estranheza. -Eu sei que não posso lhe pedir para que sejamos amigas, mas quero lhe pedir que escute o que tenho para lhe dizer... -Sua voz apesar de suave, estava também com um tom sério. Eu me ajeitei melhor sobre o banco de modo que ficássemos uma de frente para a outra. -Eu compreendo os sentimentos que a Galadriel tem por você, compreendo que vocês estam se tornando grandes amigas e compreendo que ela a enxerga como... -Respirou profundamente procurando boas palavras. -Sua filha! -Eu a olhava escutando atentamente cada palavra. -Mas este sentimento pode colocar nosso povo em grande perigo!
-Como assim? -Perguntei desconfiada analisando seu rosto.
-Eu amo a Galadriel, ela faz parte da minha família, ela e meu pai são as únicas ligações que ainda tenho com minha mãe... Mas os sentimentos que ela tem por você a estão cegando! -Ela então se aproximou um pouco mais e sem poder controlar em acabei recuando um pouco, mas mesmo assim nossos olhares ficaram presos.
-Não compreendo... -Falei em um tom que demonstrasse meus descontentamento. Como ela podia dizer que a relação entre a Galadriel e eu não era uma coisa boa? Ela então olhou para suas mãos e respirou ainda mais fundo do que a última vez.
-A alguns dias, pouco tempo depois que você havia chegado... Nós começamos a receber cartas de toda a terra-média... Cartas pedindo ajuda, cartas falando sobre ataques, guerras, mortes, sequestros... Porém sempre soubemos que não poderíamos fazer nada, apenas você e o Légolas seriam capazes de fazer algo contra esta guerra... Mas sempre que tentávamos convencê-la de que precisaríamos falar com você e com ele ela dizia que você ainda não estava pronta, dizia que você precisaria de mais informações... -Falou ainda encarando suas mãos com um olhar triste. -Eu sei que você é apenas uma menina, que apesar de possuir o sangue das feiticeiras em suas veias, você não é como elas... -Ela então levantou o olhar para mim. -Eu vejo isso no modo como o Légolas a olha! -Percebi que ela forçara um leve sorriso, mas pude ver um olhar de desgosto em seu rosto. -Mas não é só isso... Não temos muito tempo, Annael! Valfenda apenas ainda não teve um ataque mortal por conta da proteção que Gandalf colocou sobre estas terras, apenas para potegê-la enquanto fosse o desejo da Galadriel! -Ela então me surpreendendo levantou uma de suas mãos e a apoiou sobre meu ombro, mas eu ainda surpresa me levantei em um salto e a fiquei encarando com um rosto sério.
-Por que você está me dizendo isso? Como saberei que é verdade? -Falei balançando levemente meus braços por causa da eletricidade que corria pelos meus músculos por conta da desconfiança que eu estava sentindo. Ela então com um olhar flamejante se levantou e ficou de frente para mim, só então percebi que ela era muito mais alta que eu, mas isso não me intimidou.
-Eu não tenho motivos para mentir... Sei que temos nossas diferenças, mas isso não vem ao caso! -Falou em um tom imperial.
-E qual é o caso? -Perguntei em tom autoritário.
-O caso é que amo o meu povo e não quero que ele sofra ainda mais por causa desta guerra o qual eles não são culpados! -Ela se aproximou tanto que eu podia sentir sua respiração furiosa em meu rosto.
-Sim... Mas eles também são o meu povo, e eu também não tenho culpa desta guerra, Arwen! A única culpada desta guerra ainda estar de pé é a Moauriel e nós duas queremos que ela pague pelo que está fazendo! Mas não faço ideia de como detê-la e a cada pergunta que faço para a Galadriel ela muda de assunto ou diz que saberei no momento certo, mas a cada segundo que se passa mais pessoas morrem... Não pense que não me importo com esta guerra, pois me importo! Eu quero fazê-la parar, quero que isso tenha um fim! -Eu tentava segurar cada fagulha de nervoso que se acendia dentro de mim.
-Eu não a odeio Annael, não quero sua dor ou seu sofrimento... Mas também não quero que mais pessoas inocentes sejam feridas! -Aparentemente minhas palavras fizeram as chamas em seu olhar se apagarem lentamente, assim como fizeram sua voz se acalmar.
-Eu também não... Apenas não sei o que fazer! -Falei sentindo uma leve brisa dançar a nossa volta.
-Então aceite minha ajuda... A Galadriel é a pessoa mais sábia que conheço, mas ela tem deixado seus sentimentos dominarem sua razão! Não permita que mais sangue seja derramado, não permita que mais dor seja criada! -Agora suas palavras haviam tocado meu coração já sensibilizado. Olhando profundamente seus olhos, eu percebi sinceridade, percebi que ela não queria ter qualquer laço comigo, ela apenas era uma mulher desesperada para salvar seu povo, eu então respirei fundo e falei:
-O que precisamos fazer? -Perguntei quase em um sussurro ela então me pareceu que seu rosto ficou mais leve.
-Venha comigo.
A mulher com longos cabelos negros começou a andar a minha frente, abrindo um caminho pelos jardins, me mostrando a direção. Nós começamos a andar por todo o jardim, e tive a impressão de estarmos andando em lugares para mim desconhecidos. Em um certo momento pensei que estaríamos indo para a biblioteca, mas me enganei, nós passamos direto por ela e fomos em direção a floresta em passos largos e rápidos.
-Não é perigoso andar pela floresta... Um sequestro quase aconteceu faz pouco tempo! -Falei quando chegamos a orla da floresta, receando um pouco entrar naquela mata.
-Bem... Não houve registros de orc's por esta região, então acredito ser "seguro". -Falou andando com passos leves e afastando os galhos a minha frente, mas eu prestava atenção a cada ruído naquela floresta, mas os únicos sons que eu era capaz de ouvir eram nossos passos sobre as folhas secas.
-Onde vamos? -Perguntei olhando a nossa volta.
-Depois que os ataques se espalharam e as mensagens começaram a chegar, a Galadriel e Elrond pensaram que se talvez guardassem quaisquer resquício de provas de que algo estaria acontecendo fora dos limites de Valfenda, teríamos tempo para lhe preparar para esta guerra... Pensamos que você não se preocuparia! -E então piso em uma pequena e pontuda pedra que me fez dar um leve gemido de dor, mas a Arwen pareceu quase não se importar, então continuei a lhe seguir. -Mas então os ataques ficaram mais frequentes, assim como as cartas pedindo ajuda... Acredito que fosse seu dever evitar que isso tivesse acontecido! -Falou em um tom que me deixou desconfortável.
-Tenho a impressão de que sou a única nisso tudo que não sabe de quase nada! -Falei me abaixando para esquivar de um pequeno galho na altura do meu rosto.
-É por isso que estou lhe levando a um certo lugar... É dever da Galadriel lhe explicar a história desta guerra, assim como dizê-la como vencer... Mas já que ela só está fazendo metade do trabalho, creio que alguém precisa fazer o resto! -Eu não gostei nada do modo como ela disse isso.
-A Galadriel tem me ajudado muito! Tem me explicado muita coisa... -Falei parando de andar e encarando suas costas cobertas por seus longos cabelos, ela então de repente se virou para mim e ainda mais rápido veio em minha direção.
-Eu sei que tem! Mas também era dever dela lhe guiar nesta batalha, coisa que ela não está fazendo... Respeito tudo que ela tem feito por você, mas ao contrário dela não permitirei que meus sentimentos seguem minha razão... Eu sei o que deve ser feito e o farei! -E então com essas palavras ela me deu as costas e voltou a andar a minha frente, me deixando para trás, então para não acabar me perdendo naquela floresta tive de apertar o passo andar mais rápido às  suas costas.
-Mas de acordo com a profecia o Légolas e eu devemos fazer isso juntos! -Gritei às suas costas para que ela me ouvisse.
-E farão... Ele está nos esperando! -Disse começando a parar de andar e virada de frente para uma superfície calma e refletora, ela começou a sussurrar coisas, mas estava em um tom tão baixo que não compreendi suas palavras.
-Que lugar é esse? -Perguntei ao chegar ao seu lado, era um enorme lago de águas escuras, cercado por muitas árvores, ele refletia cada uma delas, mas a água estranhamente não parecia mover uma única gota enquanto a Arwen pronunciava aquelas palavras.
-Fique atrás de mim... -Disse começando a andar em pequenos passos em direção a água.
-O quê você está fazendo? -Perguntei lhe obedecendo e seguindo, mas eu já estava começando a sentir o frio toque da água sobre minha pele, e para me deixar ainda mais confusa, conforme íamos andando, eu sentia a terra sob as águas abraçar meus pés e me manterem presa ao fundo. -Mas o que... -Comecei a perguntar, mas então de repente comecei a sentir ás aguas do fundo do lago começarem a me puxar em um determinada direção, me forçando a emergir sob as águas. Eu podia sentir uma leve pressão sobre meu corpo, mas não era uma sensação desesperadora, eu apenas sentia algo me puxar, mas meus pés continuavam abraçados pela terra do fundo do lago.
-EU NÃO SEI NADAR! EU NÃO SEI NADAR! EU NÃO SEI NADAR! -Era o único pensamento que me vinha enquanto eu tentava manter meu ar dentro dos meus pulmões e eu não me atrevia a abrir meus olhos, mas então de repente ouvi um leve e distante som de algo sendo destrancado, então de repente senti um toque quente e familiar me puxar pela cintura, então de repente a sensação fria em volta do meu corpo foi substituída por um abraço forte e seguro e o peso da terra sobre meus pés também se fora, deixando apenas uma Annael ofegante tentando recuperar o oxigênio.
-Você está bem? -Uma voz masculina perguntou enquanto um toque gentil e leve se fez em meu rosto enquanto um outro se manteve preso a minha cintura. Ao abrir meus olhos encontrei um olhar azul e penetrante me analisando com carinho, fazendo um leve sorriso brotar em meus lábios, mas então para destruir o momento meu estômago começou a dar cambalhotas dentro de mim, me fazendo levar uma de minhas mãos até meus lábios e voltar a apertar meus olhos.
-Hum, hum! -Soltei balançando negativamente minha cabeça.
-Você logo irá se acostumar! -A Arwen disse as costas do elfo aparentemente com sua atenção presa a outra coisa.
-Ai... -Soltei quando o líquido que chegara até minha garganta voltara para seu devido lugar e se aquietara, me dando uma leve sensação de alívio. -Estou bem! -Falei voltando a abrir meus olhos e lançando um leve sorriso de confiança para o elfo a minha frente que retribuíra o sorriso.
Prestando mais atenção, percebi que estávamos em uma pequena sala que mais me parecia um largo e oco tronco de árvore, no qual alguém havia colocado algumas velas para iluminar o local, uma mesa de madeira ao centro com algumas cadeiras, uma pequena poltrona ao meu lado de tom avermelhado e a nossa volta várias estantes e prateleiras repletas de livros e papéis e às minhas costas uma enorme porta de madeira.
-Como você chegou aqui? -Perguntei ao Légolas admirando a pequena salinha e olhando cada detalhe.
-Como você, a Arwen me trouce! -Falou ainda me abraçando pela cintura, eu pude sentir seu olhar sobre mim enquanto eu olhava o lugar. Então encontrei uma Arwen que mexia convulsivamente em várias prateleiras e tirava delas vários livros e pequenas caixinhas de madeira, colocando-os sobre a mesa. Então lentamente e juntos nós fomos em direção a mesa para olharmos melhor do que aquilo tudo se tratava, então quando ele finalmente me soltou, eu toquei uma das caixinhas sobre a mesa enquanto em largos e lentos passos ele foi em direção a alguns livros sobre a mesa.
Ao tocar gentilmente aquela pequena caixa ela de repente se abriu produzindo um pequeno estralo, assustada eu afastei minhas mãos dela, mas logo voltei a tocá-la assim que vi seu conteúdo. Haviam pequenos pergaminhos enrolados e presos por uma fina e trançada tira. Eu olhei por alguns segundos aquele conteúdo, então decidi pegar um dos pergaminhos e abri-lo, talvez não tenha sido uma boa ideia pois logo que terminei de Lê-lo, uma sensação muito estranha apareceu em meu peito... Talvez fosse decepção?!
Os ataques dos orc's dobraram de frequência, vários de nossos guerreiros desapareceram, assim como várias de nossas crianças. Existem boatos de que uma nova guerra está prestes a acontecer! -Símbolos estranhos estavam sobre o papel, mas assim que meus olhos se prenderam aos desenhos, eles saltaram das páginas e começaram a formar palavras aos meus olhos.
Precisamos de ajuda, nossos vilarejos foram destruídos, homens foram mortos e vários de nós sumiram! Uma de minhas filhas foi sequestrada e um maldito orc disse estar servindo a sua rainha... Quem é essa rainha? -A cada palavra que eu lia mais meu coração se abalava. A cada pergaminho que eu abria mais terror parecia estar escritos naquelas folhas.
Pensei que as feiticeiras estivessem extintas, uma delas apareceu em nosso vilarejo, destruindo várias casas e matando vários inocentes, tive de segurar o corpo morto de meu marido em meus braços... Por favor, precisamos de ajuda! -A cada carta que eu lia eu jogava a outra de lado com a esperança de que a próxima fosse melhor, mas cada uma era uma decepção maior.
Guerreiros mortos, sangue derramado, cidades destruídas, reinos abalados, não sabemos o que está acontecendo! Quem é essa rainha dos orc's? O quê ela quer? Faremos qualquer coisa, queremos apenas nossas vidas de volta! -E com essas palavras eu acabei deixando a carta cair no chão, eu sentia um imenso peso de culpa sobre meus ombros, como se algo empurrasse meu corpo contra o chão.
-Por que ela não me contou nada...? -Perguntei com o olhar perdido com uma de minhas mãos ainda sobre a caixinha de madeira repleta de pergaminhos. Então senti o Légolas se aproximar de mim, colocar um de seus braços em minha cintura e pegar um dos pergaminhos abertos sobre a mesa, levando-o até perto do rosto, então de repente ele praticamente socou o pergaminho sobre a madeira da mesa, como se estivesse sentindo o mesmo peso que eu estava.
-O quê é isso? -Perguntou quando a Arwen virou para nós surpresa pelo baque que o Légolas havia causado, parando de procurar seja lá o que fosse e voltando sua atenção para nós.
-Ataques, em toda parte! Cartas de pedido de ajuda... -Ela falou aquelas palavras como se fosse algo cotidiano ter cidades e vilarejos destruídos por uma louca feiticeira.
-Por que não nos disseram nada? -Pude sentir o rancor na voz do Légolas ao meu lado.
-Estou dizendo agora... -Falou acenando com a cabeça.
-Agora não faz mais diferença, todas essas pessoas já estão feridas, desaparecidas ou mortas! -Falei lançando um olhar severo para a garota pálida parada ao canto da mesa.
-Não faz diferença!? Se não fosse por mim, vocês provavelmente nunca iriam saber destas cartas! Eu estava proibida de falar algo deste tipo com vocês... Não tentem me julgar!
-Não a estamos julgando... -O Légolas falou em um tom mais calmo, mas as palavras da Arwen só serviram para me irritar ainda mais.
-Não me interessa sua proibição ou seja lá o que for... Se realmente desejasse fazer algo teria nos contado isso antes, sem se importar com proibições ou qualquer outra coisa! Você está nos contando agora, mas e daí? Não faz diferença para as pessoas que já morreram! -Então uma mão carinhosa se apoiou sobre um dos meus ombros.
-Annael... -O Légolas disse tentando me acalmar, mas não funcionou.
-É verdade! -Falei lhe virando meu olhar, então me voltei para a Arwen. -Estamos sabendo destas cartas agora, mas não vai mudar nada! Ela não sabe o que é ter o destino de várias pessoas preso a você, não sabe o que é ter medo de ajudar e acabar destruindo a vida de centenas de pessoas inoscentes, não sabe o que é ter um sangue maldito dentro de você que tenta lhe controlar e lhe consumir a todo instante... Não sabe o que é tentar fazer o bem, mas ter uma natureza dentro de você que quer destruir tudo o que toca! -Eu podia sentir meu sangue fervendo dentro de mim, minhas entranhas subiam e desciam, meu coração parecia uma bomba prestes a esplodir.
-Você está certa... Eu não sei! Mas estou fazendo de tudo para salvar aqueles que amo, estou engolindo o meu orgulho para ajudá-los... E você? O que tem feito? -Perguntou em tom de deboche, me irritando mais ainda.
-Arwen! -O Légolas falou virando seu rosto rapidamente em direção a Arwen.
-Eu quero ajudar, tento fazer algo, deixo de lado a confiança da minha família para ajudá-los... Mas é isso que acontece?! -Falou para o Légolas apontando para mim como se eu não ouvisse o que ela dizia.
-Nós agradecemos por sua ajuda! Agradecemos por sua confiança, mas isso tudo tem nos estressado muito... As vezes perdemos o controle! -Eu não estava acreditando no que ele estava dizendo e tão calmo, eu então virei meu rosto para ele irritada e com um olhar questionador.
-Um elfo com sua esperiência já deveria saber controlar seus sentimentos e suas emoções! -Falou para meu desgosto em tom confiante.
-Sim, claro! Peço desculpas! -Disse mostrando um pequeno sorriso para ela, me fazendo estremecer de raiva. Ela então acenou com a cabeça. -Você poderia nos deixar a sós? Podemos prosseguir daqui em diante... -Eu então soltei uma baixa risada debochada, mudando meu olhar de direção e cruzando meus braços.
-Está bem, você sabe como voltar! -Disse dando a volta em nós e saindo pela porta a nossas costas. Finalmente!
-Eu não acredito nisso! -Falei com um sorriso irritado me separando de seus braços e indo para o outro lado da mesa.
-Annael... Ela está tentando nos ajudar! -Falou em um tom calmo, mas eu rapidamente me virei e bati com minhas duas mãos sobre a mesa, encontrando seu olhar.
-E eu com isso, Légolas? Desde que eu cheguei aqui ela nem ao menos tem se importado comigo, não tem dito uma única palavra gentil... E agora quer que eu seja compreensiva e gentil? -Perguntei lhe encarando furiosa, ele apenas inspirou e continuou a me olhar.
-Ela se importa tanto com o nosso povo quanto nós, tudo o que ela quer é ajudar! -Disse dando de ombros.
-Tá! Ela já nos falou sobre as cartas e nos mostrou esse lugar cheio de coisas que a Galadriel e o Elrond tem escondido de nós... Podemos seguir sozinhos agora sem eu ter que aguentar ela? -Perguntei melhorando minha postura e cruzando meus braços... Eu não queria brigar com ele apenas por causa da Arwen.
-Podemos... -Falou andando lentamente dando a volta na mesa e vindo em minha direção com um leve sorriso nos lábios.
Ele veio andando em passos lentos até chegar as minhas costas, quando finalmente se aproximou, ele tocou levemente minha cintura com suas mãos fazendo o tecido do vestido roçar contra minha pele, e então choques elétricos foram lançados por todo o meu corpo quando seus lábios quentes tocaram de leve a região sensível de meu pescoço, me fazendo relaxar meus braços e pender minha cabeça para o lado, lhe permitindo ter uma maior área em meu pescoço, lentamente seus lábios foram passeando por meu pescoço até chegarem a ponta de minha orleha, me fazendo soltar uma forte respiração.
-Está se sentindo melhor? -Perguntou em um sussurro perto de minha orelha, me fazendo sentir sua respiração sobre minha pele. Eu percebi que ele estava pergutando sobre minha irritação de poucos segundos atrás.
-Hum... -Soltei entre meus lábios fazendo um sinal de mais ou menos com uma de minhas mãos. Pude sentir um leve sorriso se alargar em seus lábios contra a pele do meu pescoço.
Lentamente senti uma de suas mãos passear lentamente pela área de minha barriga, enquanto a outra escorregava lentamente pela lateral do meu quadril. Sua boca carinhosa logo tomara a minha para a sua e lentamente ele foi me virando de frente para si, seus lábios quentes começavam a beijar desesperadamente os meus, como se fosse a última vez que iríamos estar juntos... O seu calor perto do meu corpo me causava sérias emoções. Então de repente suas mãos pegaram minha cintura e me ergueram no ar, me colocando sentada sobre a mesa de madeira, rapidamente abri meus joelhos para que pudéssemos nos aproximar mais. Então de repente uma de minhas mãos se lançou em direção ao seu pescoço, puxando-o ainda mais para perto de mim, porém, para minha decepção, ele separou seus lábios dos meus.
-Annael... Eu... -Falou, mas não pensei duas vezes antes de lhe puxar de volta para meus lábios.
-Oh... Não! -Falei lhe puxando de volta para mim. -Outra vez, não! -Falei entre nossos beijos.
-Hum... Como assim "outra vez"? -Perguntou tentanto separar nossos lábios, mas não permiti.
-Nada! -Falei querendo esquecer o assunto, mas ele aparentemente não.
-Hum... Annael... Espera... -Falou formando um largo sorriso nos lábios e finalmente conseguindo separar nossos lábios, então ergui meu olhar contrariado para ele. -Do que você está falando? -Perguntou sorridente tocando meu queixo e analisando meu rosto.
-De hoje mais cedo no meu quarto, quando você ficou me evitando! -Falei sentindo meu rosto se contorcer de contrariação. Ele então alargando o sorriso abaixou o olhar e então os voltou para mim.
-Você não sabe o motivo de eu ter feito isso, não é? -Perguntou com um brilho prateado nos olhos. Eu apenas continuei a olhá-lo, sem dizer uma única palavra. -Eu não sou mais capaz de viver sem você... -Disse suavisando o rosto a acariciando meu pescoço com a ponta de seus dedos, causando um forte arrepio em minhas costas.
-Então por que você foi embora? -Perguntei lhe questionando.
-Porque você agora é tudo o que tenho... Tudo o que quero! Você me faz sentir coisas que eu nunca havia sentido, você me faz acreditar em algo que eu havia esquecido que existia... Tudo o que vivo com você é especial, cada palavra, cada carícia, cada beijo... Cada noite de amor! -Seus olhos penetrantes sequestraram os meus, acalmando meu coração e minha mente. -E não quero que esse amor que sinto por você (um amor tão forte, tão sincero e tão raro) se torne algo comum! Eu quero que tudo entre nós aconteça do modo correto... -Eu o olhava carinhosamente, eu podia sentir meus olhos começarem a sorrir com suas palavras. -E é por isso que eu quero me casar com você... -E então de repente meu coração deu um salto tão forte que minha respiração parou e eu fiquei lhe encarando com um olhar perdido relembrando suas palavras. -Agora... Preciso saber se você aceita! -Falou acariciando meu rosto e me trazendo de volta a realidade.
-Oh... Eu... -Pisquei meus olhos com força para acordar o meu cérebro. -Tudo o que mais quero é ser feliz ao seu lado, meu amor... -Seu sorriso se alargara tanto que seus dentes chegaram a brilhar sob a luz das velas, eu nunca o tinha visto sorrir tanto. -Mas... Eu sei que você é praticamente imortal, enquanto eu... -Abaixei meu olhar por medo de o ter decepcionado.
-Enquanto você é a mulher que eu amo! -Falou tocando meu queixo e levando meus olhos de volta aos seus. -Eu não me importo com imortalidade ou não... Tudo o que quero é poder ter nem que seja um minuto ao seu lado tendo a oportunidade de chamá-la de minha! -Disse acariciando a lateral do meu rosto.
-Mas eu já sou sua... Meu coração e minha alma já lhe pertencem desde o momento em que nossos olhos se encontraram! -Falei lhe olhando com doçura.
-E algo será capaz de mudar o que sentimos um pelo outro? -Perguntou docemente, eu apenas acenei negativamente.
-Mas isso não muda o fato de que em algum dia eu serei tirada de você... Não quero que você sofra por minha causa! -Falei apoiando minhas duas mãos sobre seu peitoral e pude sentir a doce batida de seu coração.
-Quando isso acontecer... Eu irei com você! -Eu então com um olhar assustado voltei a encará-lo. -Você é minha razão para viver, Annael... No dia em que você me deixar, uma parte de mim irá com você! E então não terei mais pelo que lutar... E não será um simples símbolo que mudará isso... Independente de um casamento ou não, é isso que sinto por você!
-E se eu não aceitar? -Perguntei com um olhar levemente curioso.
-Continuarei a amá-la, e esperarei seu tempo... Mesmo que você nunca aceite! Eu sei o que sinto por você e não diexarei isso acabar! -Ele me lançou um olhar tão doce e carinhoso, com um brilho tão forte que não fui capaz.
-Eu não quero me importar com futuro, tudo o que me importa é o presente e neste momento quero estar ao seu lado... Eu aceito! -Falei sentindo minha voz embargar, mas isso não impediu de demonstrar um sincero e largo sorriso para o elfo que amo.
-Eu te amo! -Ele falou tocando meu rosto com suas duas mãos e aproximando nossos lábios, um largo sorriso teimava em sair de nossos rostos.
-Eu te amo! -Falei quando nossos lábios se tocaram.
Aos poucos nosso beijo foi ficando cada vez mais intenso, nossos corpos foram ficando cada vez mais próximos.
-Hum... -Escapou de seus lábios quando as unhas de uma de minhas mãos roçaram levemente sobre a pele de seu pescoço, e então suas mãos voaram até a parte de trás dos meus joelhos e me puxaram para mais perto dele, colando nossos corpos. Eu sentia seu peitoral subindo e descendo, assim como sentia sua respiração ofegante sempre que nossos lábios se separavam. E então como se eu houvesse perdido o controle do meu cérebro e do meu corpo, meus lábios se separaram dos dele e foram passeando de sua boca até o seu máxilar e então começaram dançar sobre a pele de seu pescoço, sua pele quente sob meus lábios mandava cargas elétricas por todo o meu corpo, lentamente meus lábios começaram a subir um pouco até a base de sua orelha.
-Hum... -Soltou quando meus dentes passaram de leve sobre sua pele, me causando fortes arrepios. -Ah... -Soltou quando tentou prender um forte som de prazer, então gentilmente ele tocou minha cintura e voltou meus lábios para os seus e então meu corpo estremeceu quando algo quente e macio penetrou minha boca, mas então algo acabou com minha felicidade. -Eu... É melhor que nós paremos! -Falou afastando nossos lábios e dando alguns passos para trás, ele até parecia estar zonzo.
-Por que? -Perguntei ofegante colocando meus cabelos para trás quando ele se apoiou am uma parede às suas costas.
-Eu não quero fazer tolices! -Falou respirando fundo e tentando mudar o olhar de direção.
-Bem... Nós já fizemos tolices antes! -Falei com um leve sorriso no olhar admirando aquele belo corpo escultural a minha frente.
-Você me entendeu... -Falou parecendo estar usando todas as suas forças para voltar a ter seu corpo junto do meu.
-Hum... Está bem! -Falei descendo da mesa o qual eu havia sido colocada por aqueles braços que eu amava. -Como saímos daqui? -Perguntei cruzando meus braços e me recostei na mesa, ele então me virou seu olhar, e então de repente seu olhar veio até mim e me examinou de cima a baixo com uma expressão perdida. -Légolas! -O chamei trazendo-o de volta ao mundo real.
-Hum? -Perguntou confuso finalmente encontrando meu olhar, me fazendo dar uma pequena risada.
-Como saímos daqui? -Perguntei novamente sorrindo.
-Acho que... Temos que primeiro arrumar isso tudo antes de irmos... -Falou examinando a bagunça que havíamos feito, livros no chão, a mesa estava torta, pergaminhos espalhados por todo os lados. Um sorriso brotou nos meus lábios quando me lembrei da proposta do Légolas, então lentamente me aproximei daquele elfo, coloquei minhas mãos sobre seus ombros, fiquei nas pontas dos pés e toquei seus lábios com os meus.
-Eu te amo... -Falei em um sussurro.
-Eu te amo... Muito! -Disse com seu rosto suavisando e seus lábios se abrindo em um sorriso... Como eu amava aquele sorriso e amava ainda mais saber que poucos haviam visto aquele sorriso tão lindo!



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