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História Anne With Ann "e" -- Para sempre - Capítulo 55


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Notas do Autor


Boa leitura ♥️✨

Capítulo 55 - Fecham-se as cortinas.


Fanfic / Fanfiction Anne With Ann "e" -- Para sempre - Capítulo 55 - Fecham-se as cortinas.

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Quando Kakweet ouviu da boca de Josephine Barry que podia ficar o quanto quisesse, suspirou aliviada. A verdade era que Diana e Colle não poderiam estar mais certos sobre a sua índole.

Logo de início tiveram uma sintonia incrível, Colle podia dizer que chegou a nutrir um certo ciúmes saudáveis que se dissiparam assim que percebeu que em pouco tempo Kakweet já se sentia em casa.

Com ela, a menina achou justo contar a verdade e fazer diferente dessa vez, depois de uma longa conversa, ela revelou que seu nome verdadeiro não era Hanna e que esse tinha sido um nome dado a ela por outras pessoas e registrado em documento pelo próprio internato. Contudo usava dessa identidade para se misturar as pessoas brancas.

Contou sem se aprofundar aos detalhes o que a levava alí e a fugir de Avonlea, ainda sim omitiu a parte em que planejava vingança contra Mr. Bayron por motivos óbvios. 

Ao fim do relato, o qual escutou com atenção, Josephine deu um longo sorriso no seu rosto marcado pelo tempo e tocou a mão de Kakweet afetuosamente como faria a uma neta:

_ Você tem um nome lindo. Se eu fosse você não o esconderia nunca, mas fique tranquila, a casa de uma velha viúva rica é o último lugar em que esse crápula irá procurar você.

_ Não sabe o quanto eu agradeço Senhora Barry.

Kakweet permitiu que um sorriso maior ainda se desenhasse na sua face também. Alí se iniciava uma relação de companheirismo. 

Nos dois dias que se seguiram ambas tiveram conversas agradáveis e descobriram muitas coisas em comum, como serem adversárias compatíveis no baralho. Colle quase nunca estava em casa, e ficou mais que grato e tranquilo por agora tia Josephine ter uma companhia enquanto ele estava na faculdade de belas artes, afinal a idade já a impossibilitava de fazer certas coisas sozinhas e os empregados não eram exatamente como amigos para ela. 

Naquela noite de quinta em questão, ela se arrumou com todo o afinco e bom gosto que lhe era permitido. Kakweet, sentada no imenso e confortável sofá a olhou divertida e perguntou:

_ Vai sair senhora Barry?

_ Já disse que posso ser velha mas não "senhora", não gosto de títulos querida. Me chame apenas de Josephine.

Respondeu sorridente pegando seu chapéu em um gancho próximo. Kakweet encarou a almofada com as bochechas adoravelmente vermelhas e disse:

_ Perdão, isso é um costume.

_ Não se desculpe querida. Isso mostra que você recebeu uma boa educação. Eu não voltarei cedo, até lá a casa e os empregados estarão a sua disposição, tenha uma boa noite.

_ Obrigada. Bom jantar!

Gritou a última parte, pois a mulher já ia longe em direção a porta. Kakweet a observou da janela, recusar a ajuda do mordomo e se acomodar com certa dificuldade na parte detrás da carruagem, cochichar algo ao cocheiro e sumir no trote certeiro dos cavalos no veículo preto em meio  a neblina ao fim da rua. 

Naquela mesma noite, na cidade vizinha, mais precisamente em Avonlea, Jerry encarou pela última vez o espelho.

Se sentia ridículo, já havia ouvido duas piadas da parte do seu irmão que dizia que ele mais parecia uma mocinha vaidosa, e aquela era a sua melhor roupa. Bufou de estresse, estava preocupado em causar uma boa impressão.

Mattew lhe deu um tapinha nas costas em solidariedade e Jerry sorriu para o reflexo ao seu lado sem dizer nada. Antes de sair, Marilla o parou na porta e ficou de frente para ele dizendo:

_ Você esqueceu seu lenço.

Cuidadosamente, ela pôs o lenço branco e bem dobrado no bolso do casaco próximo a lapela. Jerry a olhou com uma adimiração sincera e respondeu:

_ Obrigada Senhora Cuntbhert.

_ De nada menino. Boa sorte.

Trocaram breves sorrisos e já do lado de fora, Jerry respirou o ar gelado do sereno e mirou o céu quase sem estrelas, rumando pela estrada sem olhar para trás.

Quando chegou em frente a luxuosa residência no lago que lançava sua luz imensa no gramado , subiu as escadas pesadamente e bateu três vezes. 

Pelo que pareceu longos instantes, a porta se abriu revelando a figura de Eliza Barry que o olhou com simpatia e surpresa e cumprimentou:

_ Boa noite Jerry.

_ Boa noite Senhora Barry.

_ Entre.

Se afastou dando passagem, Jerry entrou sem cerimônias pedindo licença. Quando da escada viu Diana surgir nos degraus impecável como sempre, dessa vez com um brilho diferente no olhar enquanto sorria na sua direção, tal feito o produziu um encantamento instantâneo. A sua frente vinha correndo, a pequena Mine May, também graciosamente vestida que quando o viu disparou para perto e o abraçou pela cintura:

_ Jerry!! Você veio!

O rapaz riu e retribuiu o abraço acariciando de leve os cabelos louros da garotinha:

_ Olá Mine May.

A senhora Barry pigarreou em uma advertência muda, e Mine May soltou um muxoxo se recompondo e cruzando as mãos:

_ Quero dizer... Boa noite Jerry. E bem vindo.

Atrás deles estavam Josephine e Wiliam Barry que ficaram de pé, Diana tratou de apresentá-los:

_ Papai, Tia Josephine, esse é Jerry. Jerry esses são Papai e Tia Josephine.

Ele cumprimentou com cavalherismo tia Josephine lhe dando um beijo na mão e ela estreitou os olhos :

_ Acho que já o conheço...

_ Eu também senhora.

Respondeu ele sorrindo como se buscasse na memória. Ela riu como quem já sabia e disse:

_ Você já dormiu na minha casa a muito tempo atrás. Você é aquele amigo da...

_ Anne.

Disseram o nome em uníssono, quase ao mesmo tempo. Ambos riram, Jerry se lembrou, jamais esqueceria a bondosa alma que acolheu a ele e Anne por uma noite quando estavam tão longe de casa e Green Gables passava por momentos tão difíceis. Conversaram um pouco e a mulher perguntou sobre Anne, lhe confessando que a mesma a devia uma visita.

Josephine ainda brincou:

_ Tomara que ainda tenha o mesmo apetite Jerry.

Ele encarou os próprios sapatos sem jeito e riu. Por fim estendeu a mão e cumprimentou o intimidador Wiliam Barry com todo o respeito:

_ Boa noite Senhor Barry. 

_ Boa noite Senhor Baynard, então você é o amigo que minha Diana tanto fala. Seja bem vindo a minha humilde residência, vamos nos sentar, o jantar já será servido.

O olhar do homem passeou sobre  ele em uma crua análise.

Seu tom era sério e estranhamente calmo, quase pode sentir a ironia no "humilde residência" pois de humilde nada tinha a mansão no lago. Jerry tentou expulsar a sensação de que algo estava errado.

Quando se sentaram a mesa, Diana tomou o lugar ao seu lado calmamente, e a comida foi servida.

Todos começaram a comer, menos Jerry que parecia em outro mundo encarando os talheres. Wiliam da outra ponta da mesa, o observou de cima e deu um sorriso que não chegou aos olhos:

_ Não vai comer meu jovem?

Jerry despertou a si mesmo sorrindo também, só que de nervoso e respondeu:

_ Sim, eu só estava distraído perdão.

Sob os olhares atentos ele pegou os talheres certos e estendeu o guardanapo sobre o colo começando enfim a comer em silêncio. Mine May sorriu orgulhosa, mais um ponto para Jerry. Ele já havia ganhado pontos significativos, tinha afinidade com a rica e sofisticada Tia Josephine que seu pai bajulou a vida toda por interesse, e agora mostrava perfeição na etiqueta como se soubesse isso a vida toda.

Até mesmo Eliza o olhou surpresa, porém para Wiliam Barry aquilo não iria terminar tão cedo. Enquanto comiam, ele puxou assunto:

_ Então... Jerry não é? 

_ Sim Senhor.

_ No que sua família trabalha?

Ele sorriu com a boca cheia de espaguete e tentou falar algo inaudível. Mine May do outro lado gemeu de frustração e olhou para o teto rendida, duas semanas de aulas de etiqueta por água a baixo pois o idiota do seu cunhado estava respondendo de boca cheia. Diana por outro lado longe de achar o feito ruim riu e se permitindo certa intimidade estendeu o guardanapo e limpou o molho que sujava o canto da boca de Jerry:

_ Tem que comer primeiro. Respire.

Disse carinhosamente.

Wiliam desgostoso com a cena afetuosa insistiu:

_ E então?

_ Pardon Senhor. Trabalham no campo.

_ Fazendeiros?

_ Não, trabalham na lavoura.

Eliza trocou um breve olhar com o marido em uma súplica muda, ele por outro lado permaneceu impassível e continuou o interrogatório:

_ E em que pé anda a sua relação com a minha filha? Pelo que eu sei não é bem visto que uma dama solteira seja amiga tão íntima de outros rapazes. Que intenções tem com ela?

"Só no seu mundo papai" pensou Mine May revirando os olhos de tédio e indignação. Jerry suspirou e o olhou nos olhos, segurando a mão de Diana inconsientemente por debaixo da mesa respondeu:

_ Tem razão senhor Barry. Não é de bom tom, e eu entendo perfeitamente, mas quero deixar claro que minhas intenções com a sua filha são as melhores. Se o senhor permitisse eu gostaria de assumir um compromisso com Diana e a fazer tão feliz como ela me faz.

Um silêncio tomou conta da mesa depois que Jerry falou isso. Foi quebrado por Josephine que levou o vinho a boca dizendo com simpatia:

_ Por mim, se considere bem vindo a família rapaz!

Jerry sorriu destencionando os músculos. Porém Wiliam, lançou um olhar irônico e respondeu:

_ Acho que não é você quem decide isso não é minha irmã?!

_ Wiliam!!

Gritou Eliza horrorizada. Josephine tocou seu ombro e murmurou:

_ Deixe-o eu já estou acostumada.

Diana se endireitou na cadeira incomodada. E o seu pai continuou:

_ Senhor Baynard, sinto a obrigação de lhe dizer que isso tudo não passa de um terrível engano. E peço desculpas pelo comportamento deplorável de minha filha.

_ Mas eu não...

_ Pobrezinha- foi interrompida. _ Essa rebeldia toda deve ser fruto da amizade com aquela órfã dos Cuntbhert. Diana sempre foi assim, caridosa para com os mais desafortunados, como o senhor mesmo pode perceber, mas daí a conceder minha permissão para um compromisso...

Diana gritou:

_ Papai!? 

Seu peito subia e descia. Estava exasperada. Jerry esmoreceu por dentro e soltou a mão de Diana com o olhar vazio. Wiliam o encarou por alguns instantes antes de voltar a falar:

_ O que? Não vá dizer que... Oh meu Deus você acreditou que ela realmente estava interessada em você? Que era correspondido? Pobre rapaz, peço perdão novamente pela tentativa suja e mesquinha da minha filha de me provocar trazendo-o aqui. Mas acho que o senhor me compreende, como pai eu só busco o melhor para a minha Diana, e o senhor é incapaz de oferecer um casamento a altura... Se é que me entende... Diana concorda comigo não é querida?

Todos os olhares se voltaram para ela. Incapaz de dizer nada, Diana fixou o olhar no prato se recriminando por ser tão covarde e deixar que as palavras morressem assim. Jerry a olhou em expectativa como se exigisse uma posição e quando obteve o seu silêncio, largou o guardanapo sobre a mesa sentindo algo se partir no peito.

Ele voltou um olhar revoltado na direção de Wiliam e respondeu:

_ Muito bem senhor. Eu mesmo não sei porque resolvi vir a esse circo armado, mas venho observando o modo como me tratou durante esse jantar e não estou de acordo com uma só palavra! Acho que a profissão da minha família não é uma informação relevante, e um motivo muito mesquinho para que não permita que eu corteje sua filha. Me arrisco a dizer que o senhor é um preconceituoso e não vejo motivo para aturar essa humilhação deliberada sobre a minha origem!

Aquela foi a deixa para que Wiliam soltasse tudo que vinha entalado na sua garganta:

_ Não vou permitir que um francês miserável e atrevido me destrate na minha própria casa! Peço que se retire antes que saia daqui arrastado moleque!

Jerry se levantou da mesa com um olhar duro e disse:

_ Já fui expulso de espeluncas melhores! Tu ne me connais pais.( você não me conhece).

Se voltou para Diana a olhando pela última vez:

_ Assez pour moi.

( Para mim chega)

O que se deu a seguir foi um verdadeiro caos. Jerry foi embora largando Diana para trás aos prantos. Ela se levantou da mesa gritando com o pai:

_ Está satisfeito?! Por que fez isso?!

Wiliam possesso respondeu:

_ Não fiz nada que eu não deva! E não grite comigo sua insolente! Eu ainda sou seu pai!

Diana praticamente cuspiu a frase carregada de mágoa e desprezo;

_ Pois eu preferia que não fosse!!

Dizendo isso correu subindo as escadas e bateu a porta do quarto. A expressão decepcionada de Jerry na sua direção quando ela não respondeu a humilhação do seu pai ainda estava fresca na sua memória. Como uma ferida aberta, no escuro do seu quarto ela deslizou pela porta até cair sentada no chão e permitiu que o choro sacudisse seu corpo e lavasse a sua alma.

Olhou para a janela fechada se sentindo sufocada como um passarinho apanhado em uma gaiola de prata. Ignorou as batidas e os chamados de Tia Josephine atrás de si, e o som dos seus pais brigando e discutindo aos gritos no andar debaixo de tornou distante.

A certeza de que agora Jerry a odiava por aquela noite desastrosa foi torturante.

Agora tudo era um silêncio profundo, com ruídos indistintos ao fundo e uma escuridão completa. Semelhante ao fim de um ato teatral onde as cortinas se fecham e só resta a incerteza do final.








 



Notas Finais


Capítulo extenso. Espero que tenham gostado. Perdão pelos erros de português entra em revisão mais tarde ,comentem ♥️ ando um pouco crítica com eles mas o meu mais novo alento foi ver que chegamos a quase duzentos favoritos 💗 vocês não incríveis demais para serem verdade. É a primeira vez que escrevo algo tão intenso, preciso mesmo saber se ficou bom. Estou aberta a sugestões como sempre. Obrigada por tudo e até o próximo meus amores ✨


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