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História Anne With Ann "E" - Para sempre - Capítulo 56


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura a todos ♥️

Capítulo 56 - Terceiro ato


•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•

O dia tinha amanhecido completamente diferente. Anne não entendia o que havia dado errado. Quando Diana a viu de longe, largou a mala no chão e correu na sua direção chorando baixo, como se ainda precisasse expulsar as últimas lágrimas de dentro de si. 

Anne de início não exigiu nenhuma explicação imediata e somente quando ela se acalmou, a guiou para o dormitório que dividiam, onde conversaram a respeito de tudo o que havia acontecido. Escutou pacientemente, porém ao fim não coube em si de indignação:

_ Com todo o respeito, mas o senhor Barry não parece ser seu pai de verdade as vezes! Sinto tanto por vocês...

Diana lançou um olhar amargurado para o chão e respondeu com a voz seca:

_ Procurei Jerry depois disso, mas não o achei em parte alguma. Tive que voltar sem que conversássemos, tenho medo, não sei como serão as coisas daqui para frente.

Anne pensou, provavelmente seu amigo cabeça dura deveria estar se afundando no trabalho e torrando os nervos de Mattew atrás de alguma tarefa por fazer, ou estudando nos livros da faculdade de direito até a exaustão madrugada a dentro para "esquecer" ou ignorar o episódio. Diana por outro lado estava preocupada, caso seu pai continuasse com aquele sentimento de posse absurdo sobre a sua vida, teria que tomar medidas drásticas, ela já havia conquistado tanto, a começar pelo direito de ir para o Queen's e ter uma boa educação.

Agora teria que lutar também a duras penas pelo direito de amar quem quisesse. Mas amar a quem? Riu de si mesma. Tinha saído de Avonlea sem nem sequer saber se Jerry ainda a queria em sua vida, não teve como conversar com ele e tinha um pressentimento ruim sobre esse sumiço repentino logo na manhã seguinte.

Quebrando o clima mórbido que se instalou alí, Anne caminhou até a penteadeira e trouxe uma pasta com diversos papéis a fim de tentar anima-la:

_ O que é isso Anne?

_ São os desenhos dos figurinos para a peça. Já os temos prontos! Foram feitos por Rubby, temos que adimitir, ela tem visão quando se trata de roupas. O próximo passo será comigo e Prissy, vamos começar a costurar em breve.

Diana passou os olhos pelas folhas impressionada, era como se  a essência de cada um dos personagens se trasnsmitissem através das fantasias. Enquanto viam animadas página a página, não ouviram as batidas na porta então o indivíduo se deu a liberdade de entrar, quando abriu, Rubby arregalou os olhos:

_ Quem foi que disse que podiam ver os desenhos?! Anne! Eu pedi para você guarda-los!

Ela ficou de pé e tentou balbuciar algumas palavras, porém Rubby foi mais rápida e tomou a pasta das suas mãos abotoando-a e escondendo-a atrás de si:

_ Mas por que? Eu só mostrei a Diana, e a mais ninguém.

_ Não ficaram bons.

A menina desviou o olhar e trocou o apoio de um pé para o outro. Diana revirou os olhos e disse;

_ Deixe de bobagens, eles estão ótimos.

_ É verdade- concordou Anne. _ Senhorita Label aprovou-os assim que os viu.

Rubby sorriu e deu de ombros:

_ Não chegam nem perto das obras do Colle, mas eu tentei afinal não é?

Ambas riram e se afastaram para que Rubby se sentasse entre elas, depois de um curto silêncio ela perguntou:

_ Anne.

_ Diga.

_ Por onde andou que não a vimos pela tarde toda livre ontem?

_ Eu? Bom... Eu estava...

_ É verdade- interrompeu brevemente Diana_ Nós conversamos esse tempo todo e você ainda não me contou como foi sua tarde livre ontem.

Anne soprou uma mecha ruiva do olho ,encarou o descascado da tinta branca na cômoda e começou a falar:

_ Ok, eu conto. Fui dar uma vistoria na confecção do cenário e acabei ficando para ajudar.

_ E demorou quase quatro horas para buscar os materiais, colar algumas flores de pano e pintar o azul do céu?

Perguntou Rubby com um sorriso malicioso, já com uma clara indireta no olhar. 

Anne corou as faces e as lembranças do dia anterior vieram.

Quinta feira

Queen's Academy 14:00

Pouco depois de Diana ir embora, Anne pôs um avental sobre o vestido e foi com Prissy ao empoeirado sótão do prédio a fim de pegar pedaços dos cenários antigos dos anos anteriores. De fato havia muita coisa para ser aproveitada, no momento Anne se encontrava com uma imensa lua de madeira nas mãos em um formato minguante. Tossindo exclamou:

_ Olhe Prissy...(tosse)... está... Perfeita... Para a nossa noite...

Prissy abanou as mãos em resposta e disse:

_ Realmente Anne. Mas antes vamos ter de pôr a sua lua no sol e dar uma boa limpada nela pois pode haver traças ou cupins nessa coisa.

Anne sorriu, ainda com os olhos lacrimejantes ( efeito do pó nas suas narinas) e falou;

_ Percebe o trocadilho que fez sem querer Prissy?! " por a lua no sol" acho que por conta disso provocarei um eclipse hoje. Não me canso de dizer, as palavras são de fato maravilhosas.

As duas riram e Prissy respondeu:

_ Ah Anne, as vezes você é tão... Você.

_ Isso é algo ruim?

Ela franziu as sobrancelhas.

_ Com certeza não, só prometa que jamais vai mudar.

Trocaram sorrisos. Dito isso Prissy se afastou carregando alguns tecidos para fora. 

Algum tempo depois, de costas enquanto remexia um velho baú no meio do jardim, Anne não notou quando uma mão foi estendida e tocou seu ombro de leve, uma voz divertida soou seu timbre grave:

_ Cenourinha?

Anne ainda de costas abriu um sorriso e fingindo irritação respondeu:

_ Não tem ninguém aqui com esse nome meu caro.

_ Que pena- Gilbert entrou na brincadeira. _ Eu tinha um abraço encomendado diretamente para a minha cenourinha, mas não a encontro.

Ela se virou, jogou os braços ao redor do seu pescoço ficando na ponta dos pés e disse ao seu ouvido:

_ Bom, acho que posso lhe ajudar. Na falta dessa jovem dama, será que eu atenderia aos requisitos para preencher esse abraço? 

Ele sorriu largamente e correspondeu estreitando seus corpos com as mãos na cintura feminina dizendo:

_ Com toda certeza.

Assim sendo, trocaram um beijo cheio de saudades, durante o ato em que as línguas pareciam se reconhecer depois de tanto tempo longe , Anne segurou a gola da sua camisa o puxando. Gilbert adentrou seus dedos no cabelo longo a fim de prolongar o momento e teriam continuado se ele não tivesse empurrado Anne contra o baú para conseguir apoio.

Logo sua mente deu um estalo a tragando para a realidade, e Anne se afastou lentamente o acalmando com breves beijos pelo rosto como costumava fazer:

_ As peças...

_ Peças?

Gillbert arqueou uma sobrancelha. Anne sorriu e mordeu o lábio inferior:

_ Sim, as peças do cenário. Estou tendo um trabalhão para procura-las.

Só então reparou nela, não que não amasse todas as versões de Anne, mas naquele dia em especial ela ousou algo tão corriqueiro mas que Gillbert considerou irresistível. 

Fez uma única trança que escorria pela suas costas e amarrou um lenço estampado no cabelo que ornava de maneira fofa com o avental branco, a quanto tempo não a via usando uma trança? Ajeitando as pontas do lenço comentou distraidamente:

_ Estava pensando em levá-la naquela casa de chá que fomos outro dia, onde declamam poesias aos visitantes, você gostou tanto. Eles  servem um ótimo bolo de baunilha.

Anne tocou sua mão e disse triste:

_ A idéia é realmente tentadora, e eu sinto muito por não poder ir com você, mas acho que os preparativos para a peça de inverno vão me tomar todo o tempo hoje. Estamos meio... Atrasados.

Gillbert olhou em volta, ao longe havia um grupo de universitários em volta de um grande mural com tintas ao redor e uma mulher de meia idade, que julgou logo de cara ser a professora, batia a sua bengala no chão gritando coisas incompreensíveis. Do outro lado, tinham pessoas carregando caixas com flores falsas.

Ele sorriu e começou a tirar o casaco. Anne confusa e um pouco desconcertada perguntou:

_ O que está fazendo Gil? 

_ Estou me preparando para ajudar oras.

Começou a desabotoar os punhos da camisa e puxou as mangas até os cotovelos, realçando os músculos sob o tecido. Anne engoliu em seco não conseguindo desviar o olhar daquele ponto e perguntou novamente:

_ Ajudar com o que?

Gilbert revirou os olhos e respondeu impaciente:

_ Vou ajudar com o cenário da peça. Já que estou aqui não custa.

_ Não precisa, está tudo sob controle...

Ele antes que ela terminasse pousou o indicador sobre os seus lábios e disse:

_ Não me venha com essa Anne. Eu não peguei o trem hoje para voltar de mãos vazias. Eu vou aproveitar cada minuto dessa tarde com você e na sua companhia nem que para isso eu tenha que te ajudar nesse cenário. Venha, me mostre por onde começar.

Anne logo viu que era inútil protestar, Gilbert totalmente confortável, somente com os suspensórios , colete e  gravata, pegou um avental próximo pondo-o por cima da roupa, e se foi ao longe se misturando com facilidade no meio dos seus colegas.

Ela se pôs do seu lado e logo foram abordados pela Srta. Label que Exclamou;

_ Vocês dois! O que estão fazendo?

_ No momento nada- respondeu Gilbert com as mãos para trás. Dando seu irritante sorrisinho de canto triunfante.

_ Então vão fazer agora mesmo, venham aqui.

Anne ainda contrariada se permitiu rir e acompanhou Gilbert até um canto afastado no jardim da instituição sob uma sombra onde haviam diversas tintas e potes com purpurina dispostos sob uma toalha na grama. A frente o esqueleto do que deveria ser o céu noturno que serviria de fundo em quatro cenas.

Senhorita Label, loge de notar que não falava com um dos seus alunos tratou de dar ordens enérgicas:

_ Continuem essa pintura. Quero um trabalho bem feito, primeiro a demão de preto e depois a demão de azul, pintem as sacadas e paredes de tons vivos, e essas estrelas devem ser totalmente brancas.

Dito isso virou as costas e se foi arrastando-se sobre a perna direita. Anne e Gilbert ficaram sozinhos diante do imenso mural e se puseram a trabalhar. Curiosamente ele não era nenhum profissional mas pôs tanta dedicação nos pincéis que Anne se sentiu humilhada, a parte de Gilbert estava ficando melhor que a dela. Suas mãos se esbarravam conforme pintavam.

Depois de um certo silêncio, uma idéiazinha infeliz passou pela sua mente, ele estava tão concentrado que nem a olhava então Anne resolveu chamar:

_ Gil?

_ Oi, diga.

Silêncio.

_ Anne?

Quando finalmente ergueu o olhar, deu de cara com a ponta do pincél armada na sua direção:

_ Não... Anne não!

_ Sim.. Gilbert sim!

Logo estavam em uma guerrinha infantil, Anne tentava sujar seu rosto com o pincél a todo custo. Vendo que iria perder, Gilbert tentou apelar e a deitou na grama prendendo seus pulsos a cima da sua cabeça.

Anne não esperava por isso e sua respiração acelerou quando notou que estavam próximos demais e todas as suas reações estavam a mercê dele.

Gilbert a olhava como se fosse a última pintura do universo, e a observou se inquietar sendo o foco do seu olhar intenso. Sorriu, e desceu os lábios sobre o dela lentamente.

Ao fim do beijo, lambuzou seu nariz de laranja:

_ Eii!!

Ela gritou indignada.

_ Isso vai ter volta!

_ O que? Vai me sujar também?

Ela não respondeu e o puxou pela nunca para baixo unindo seus lábios novamente.

Naquela tarde o trabalho foi uma verdadeira vergonha e de nada rendeu. Por sorte senhorita Label não soube o motivo.

Já no quarto, Anne terminou de contar tendo que aturar os olhares incisivos de Rubby e Diana.

_ Então quer dizer que encontramos um novo jeito de fazer arte não é?

Diana foi irônica.

Anne ia responder quando a porta do dormitório foi aberta com violência e Prissy e Charlie chegaram um seguido do outro;

_ Desculpem pela invasão- disse ele- _ Mas aconteceu uma tragédia!






Notas Finais


Comentem, entra em revisão mais tarde ❤️ até o próximo ❤️


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