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História Another End - Capítulo 3


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Notas do Autor


Mais um capítulo!

Capítulo 3 - Two


Fanfic / Fanfiction Another End - Capítulo 3 - Two

A fumaça se erguia em uma espiral lenta, traçava delicadas linhas em preto através do ar claro. Jace e eu estávamos na colina com vista para o cemitério, ele estava sentado e observava a fumaça subindo em direção ao céu. Não deixou de reparar na ironia: eram os restos do pai, afinal. Podíamos enxergar o ataúde de onde estávamos, obscurecido por fumaça e chamas, e pelo pequeno grupo ao redor. Jace reconheceu os cabelos brilhantes de Jocelyn dali, e Luke ao lado, com a mão nas costas dela. Jocelyn estava com a cabeça para o lado, sem olhar para a pira funerária em chamas. 

Tínhamos chegado até a metade do caminho para a pira, uma pilha de lenha descascada, e então Jace percebeu que não conseguia avançar mais. Em vez disso, e virou-se de costas e subiu a colina, afastando-se do cortejo dos enlutados. Luke o chegou a nos ver e chamou Jace, mas Jace não se virou. Como um último olhar para Luke eu me senti obrigada a seguir Jace. 

Ele tinha consciência da minha presença, mas não parecia se importar. Estava tendo uma retrospectiva de tudo que viveu com Valentim. E eu também estava. 

Embora eu não tivesse passado tanto tempo com ele quanto Jace, as coisas que vivi jamais seriam esquecidas, mesmo que eu quisesse. 

Quando a cerimônia acabou e percebi que Jace não se movia, então eu forcei meus lábios a se abrirem. 

- Jace - chamei com relutância e gentileza sendo atendida pelo garoto quase imediatamente. 

- A cerimônia já acabou. Foi bem curta... - eu disse apontado para o local do ritual, agora vazio. Até a fumaça havia se extinguido. 

- tenho certeza de que foi. - Jace respondeu olhando para o chão, parecendo quase vulnerável. 

- A Clary... Quero dizer, você não... 

- ela não apareceu. Você ainda não a viu, não é? Desde o lago. - disse tentando mudar o assunto e pareceu ter dado certo. As sobrancelhas de Jace se uniram e ele me fitou espantado e confuso. 

Eu tinha que aprender a controlar a minha boca... 

- como você...? Ah deixa para lá - ele desistiu de me entender e olhou para cima pensativo - é a primeira vez que saio da enfermaria. Eu tinha que vir... 

- não tinha não. 

- eu quis vir - ele admitiu - não sei o que isso diz sobre mim. 

- Valentim foi mais seu pai que de Clary, mesmo que não compartilhassem o sangue. Você que tinha que se despedir. É você que vai sentir falta dele. - disse me sentando ao seu lado - Enterros são para os vivos, Jace, não para os mortos. 

- Não achei que tivesse permissão para sentir falta dele. 

- É claro que tem! Quem pode dizer a você o que sentir ou não sentir? Você nunca nem conheceu Stephen Herondale e quando foi entregue aos Lightwood, já era crescido. Valentim foi o pai da sua infância. Deve sentir falta. 

- Não paro de pensar em Hodge - ele continuou. - No Gard, fiquei perguntando para ele por que nunca me contou o que eu era, naquele momento ainda achava que era parte demônio, e ele disse que era porque não sabia. Achei que estivesse mentindo. Mas agora acho que falou a verdade. Ele era uma das poucas pessoas que sabia que havia um bebê Herondale que sobrevivera. Quando apareci no Instituto, ele não fazia ideia de qual dos filhos de Valentim eu era. O verdadeiro ou o adotivo. E eu poderia ser qualquer um. O demônio ou o anjo. E acho que ele nunca soube, não até ver Jonathan no Gard e perceber. Então tentou fazer o melhor que pôde comigo nestes anos todos, independentemente de qualquer coisa, até Valentim reaparecer. Foi uma espécie de ato de fé, não acha? 

- Foi - concordei. - Claro que sim. 

- Hodge disse que achou que talvez a criação pudesse fazer diferença, independentemente do sangue. E fico pensando, se tivesse ficado com Valentim, se ele não tivesse me mandado para os Lightwood, será que eu teria sido como Jonathan? Será que seria daquele jeito agora?

- Não, não seria. Eu conheci Jonathan. Sei que ele é mal, mas também a bondade nele. Eu sei que há. - Afaguei o ombro de Jace num gesto tão fraternal que o fez sorrir. - Sei que não pode ver agora, mas acredite em mim, tudo se resolverá da melhor forma possível. 

- Obrigado Lyla. Tirando o fato de que você é uma completa estranha e sabe tudo sobre mim, é muito legal conversar com você. - Ele disse com ar divertido e eu corei e sorrir agradecida. 

- você me salvou de uma morte lenta e dolorosa. Isso não é nada. - Eu disse dando de ombros. 

- é sim, acredite em mim. - Ele disse convicto e se levantou num pulo oferecendo sua mão para me ajudar. 

- Tudo bem. Mas você deve ir ver Amatis agora, ela tem uma coisa para você - eu disse do nada percebendo a veracidade das palavras só depois de proferi-las. Ragnor uma vez me disse que isso era um dom muito importante, mas aquilo que ele chamou de dom estava sendo motivo de espanto e desconforto para as pessoas desde que Jace me libertou. 

Inconscientemente, nós retomamos a caminhada colina a baixo, de volta para enfermaria. 

- Mas Clary... - Jace começou meio desconfortável e alheio aos meus pensamentos então eu sorri para ele e o interrompi. 

- Ela está com os Lightwood, você a verá na festa. 

- como você sabia da festa se estava inconsciente esse tempo todo? Você pode prever o futuro? - ele finalmente reuniu coragem para perguntar e eu dei de ombros com um sorriso envergonhado. 

- Eu só tenho o defeito de falar muito. Quando me dou conta, a palavras simplesmente já saíram dos meus lábios. - Respondi por fim vendo Jace me encarar desconfiado. Nós já havíamos quase chegado a cidade, havia pessoas conhecidas ao redor. Não conhecidos meus, claro, conhecidos de Jace. 

- Lila.... - Ele começou incerto de como continuar e eu olhei em sua direção franzindo as sobrancelhas quando vi o que passava em sua cabeça - não sei se é certo pedir isso, mas considerando que você conhece cada cantinho sombrio da minha vida, eu me sinto em desvantagem quando penso que não sei nada sobre você. 

- Posso contar tudo que quiser saber, embora Magnus não vá achar uma boa ideia. Ele quer me preservar o máximo possível, como meu pai fez. Mas sei que posso confiar em você - eu disse o mais sinceramente possível e me surpreendi ao ver que já estávamos próximo à entrada da enfermaria. Estava mais calma agora embora ainda tivesse muitos feridos. - Só que não agora. Você tem que ir à casa de Amatis, vá! 

Jace parecia está se recuperando de um transe após minhas palavras, e quando ele percebeu que já estávamos na enfermaria, me lançou sua melhor versão de sorriso cafajeste e começou a andar de costas. 

- é a segunda vez que nos vemos e você me manda embora. Estou começando a achar que meu incrível charme não a afeta. - Ele disse convencido e se foi antes de ouvir uma resposta enquanto eu ria baixo e balançava a cabeça em negação. 

 

*** 

 

- Magnus, tem certeza que não tem problema se eu for? 

- Claro que não tem problema meu bem, você ficará ao meu lado o tempo todo. - ele respondeu sem desprender a atenção do meu cabelo e quando terminou sentou ao meu lado parecendo pensativo. Ele queria também aproveitar a festa com seu namorado... - bem, não o tempo todo... 

- Darei a privacidade que deseja Magnus não se preocupe. Eu só estou nervosa, nunca fiquei num ambiente com tantas pessoas. Eu quase não posso ouvir meus próprios pensamentos. - Confessei e olhei para minhas mãos nervosas no meu colo. Elas estavam tão geladas que as pontas dos meus dedos estavam ficando roxas. 

- é completamente compreensível que se sinta assim, mas eu estou aqui para ajudá-la. Não está sozinha. - ele sussurrou pegando minhas mãos e aquecendo-as com as suas. 

- Muito obrigada, sei que meu pai pediu muito a você. Está mudando toda sua vida para me acolher. - eu sussurrei envergonhada, mas Magnus apenas dispensou minha gratidão com um elegante movimento de mão e me guiou para a tão aguardada festa da vitória.

 

A Praça do Anjo estava linda. O Salão brilhava em branco na ponta da praça, parcialmente obscurecido por uma floresta elaborada de árvores enormes que cresciam do centro. Claramente eram frutos de magia, as árvores se erguiam quase à altura das torres demoníacas, os troncos prateados envolvidos com laços e luzes coloridas entre as redes verdes formadas por galhos. A praça cheirava a flores brancas, fumaça e folhas. Ao redor das extremidades havia mesas e longos bancos, e grupos de Caçadores de Sombras e membros do Submundo preenchendo-os, rindo, bebendo e conversando. Apesar das risadas, havia uma melancolia misturada ao ar de celebração - uma tristeza palpável, lado a lado com a alegria.

Magnus e eu estávamos à sombra de uma árvore, conversando sobre coisas banais quando ele avistou um grupo de pessoas aparentemente da minha idade, mas fora o olhar de um garoto em especial que o prendeu. O olhar de seu amado Alec. 

- Bonito colete - disse Alec sorrindo, quando nos aproximamos o suficiente. 

- Quer um igual? - perguntou Magnus. - Na cor que preferir, é claro. 

- Não ligo para roupa - protestou Alec. 

- E adoro isso em você - anunciou Magnus - mas adoraria que tivesse, talvez, um terno de marca. Que tal? Dolce? Zegna? Armani? 

Alec engasgou enquanto Isabelle ria, e eu aproveitei a oportunidade para sussurrar ao ouvido de Clary. 

- A escada do Salão dos Acordos. Vá. - Cochichei para ela que ficou por alguns segundos me olhando em transe antes de apertas o pulso de um garoto, seu amigo Simon, e ir aonde indiquei. 

- O que você disse a ela? - uma garota alta de cabelos castanho perguntou um pouco ríspida demais. Aparentemente eu era o alvo de todos os olhares do grupo a algum tempo. 

Dúvida, confusão e suspeita. Foi isso que encontrei em seus olhares e mente. 

- Que falta de educação a minha! Esta é Lylla Fell. - Magnus se adiantou com um sorriso e todos pareceram deixar a indelicadeza de Isabelle para lá. Menos a própria, claro. 

Como ela reagiria se soubesse que aquele símbolo de cura que ainda ardia em dourado no seu ombro era meu? 

- Fell? Filha do feiticeiro Fell? A única sobrevivente do cativeiro de Valentim? - Simon disse chocado enquanto Maguns sorria aliviado com a mudança de humor e concordava com Simon. 

- Em carne e osso. - eu me pronunciei pela primeira vez - bem, mais osso do que carne atualmente. Graças a Valentim... 

- Pobrezinha! - disse uma garota com feições orientais. Aline era seu nome. 

- Você está muito melhor do que quando a encontramos - interveio Alec em meu favor. Eu tinha uma vaga lembrança dele ajudando Magnus a me tirar da caverna - Eu participei da equipe que executou seu resgate. 

- Então tenho uma dívida de gratidão com você também. - eu disse com um pequeno sorriso. 

- O que você disse a Clary? - Isabele tornou a perguntar, dessa vez com mais delicadeza. 

- Ah... é que vimos Jace na escadaria quando chegamos. Presumi que ela queria vê-lo e ele parecia estar precisando de companhia... 

- Como sabe sobre eles? - ela tornou a perguntar fazendo seu irmão pigarrear e todos trocar o peso do corpo de uma perna para outra, mas eu podia sentir que dessa vez era apenas curiosidade. Então eu sorri visivelmente aliviada. 

- Jace e eu éramos colegas de leito na enfermaria. – Menti. - Nós conversamos um pouco. 

- Já chega Isabelle, a garota está a ponto de ter um troço. – Alec interviu e eu sorri para mascarar meu desconforto. 

- Me desculpe. – ela finalmente cedeu - eu acho que fiquei meio paranoica desde... você sabe. 

- Hey! - uma vozinha infantil soou no meio das pessoas e eu olhei ao redor a tempo de ver Max correr para mim e jogar seus braços ao redor da minha cintura. - Finalmente achei você. 

- Max! – Eu cantei nervosa enquanto o abraçava de volta e olhei em volta percebendo todos os olhares em mim e na criança. 

- Max, de onde conhece a Lila? - Isabelle e Alex falaram ao mesmo tempo e eu travei de nervosismo.

- Ela me salvou. - Max respondeu mais do que feliz.

Eu definitivamente estava ferrada.

- Salvou? 

'Max! Esse era o nosso segredo' eu cantei em sua mente e ele me arregalou os olhos, surpreso e maravilhado.

- Uau! Tudo bem dizer para eles. São de confiança. - Ele disse dispensando minha preocupação. – Podemos conversar um pouquinho? 

- Mas é claro! - eu disse e deixei ele me arrastar pela mão até um banco de concreto onde nos sentamos e ele desatou a falar. 

- Ninguém acreditou em mim quando eu disse que você era real, nem a o papai acreditou, apenas a mamãe, mas eu acho que só fez isso para me manter quieto - ele dizia enquanto eu apenas encarava seu rostinho indignado. - Ela disse que me ajudaria a procurar você quando me curasse completamente, mas eu não aguentei esperar e fugi pela janela. 

- Você só tem que aguentar mais um tempinho, eles logo pararão de poupar você e então sentirá saudade do tempo que não tinha tantas responsabilidades. - eu disse com um suspiro dramático e então sorri para ele. - Como está o ferimento? 

- Está cicatrizando muito rapidamente, mesmo sem uma iratze, porque muito saudável. - ele se gabou e então rimos juntos, eu mais porque ele não tinha ideia de que havia mesmo um símbolo em seu corpo. Ele só não podia ver. - quantos anos você tem? 

- Cinco. - respondi sincera, já que eu contava minha idade a partir do momento que fui achada na floresta.

- cinco!? Isso quer dizer que sou mais velho que você? 

- Pode apostar que é. 

- Legal! Isso me dá algumas vantagens, como por exemp- 

- Max! - alguém chamou tentando localizar o garotinho que gemeu ao ouvir seu nome. 

- Aqui mãe! - ele gritou de volta. Quando a mulher o encontrou e o olhou seriamente até me perceber ao lado de Max e empalideceu. 

Ela começou a chorar no meio de todas aquelas pessoas e então perguntou se podia me abraçar, quando respondi positivamente ela sussurrou que meu segredo estava seguro com ela e sorriu agradecida. Ela era muito grata pelo que fiz, mas eu me senti muito desconfortável, pois eu compreendi naquele momento que meus motivos de o ter salvado não eram tão genuínos quanto pensei. 

Estava pensando num futuro distante, tentando reparar os erros de alguém que não estava mais aqui. 

- O que está acontecendo aqui? Mãe, você está bem? - Alec surgiu a lado da mãe com uma expressão alarmada.

- Estou ótima meu filho. - ela sorriu para tranquiliza os filhos e seu voltou para o caçula ainda sentado ao meu lado, muito quieto. - Max vamos embora, está muito frio aqui.

Max se levantou a contra gosto e pegou a mão que sua mãe oferecia. 

- Você irá pra Nova York com a gente? - ele perguntou esperançoso e eu confirmei com a cabeça. 

- sim, ficarei com Magnus. - respondi e Max abriu um sorriso gigante. 

- jure pelo anjo me visitará! 

- eu Lila, juro pelo anjo que visitarei você, Max Lightwood, muito em breve. - eu disse para a felicidade do garoto e ele se foi com a mãe rindo e conversando até que desapareceram entre as pessoas. 

- Eu tenho que admitir - Simon se pronunciou primeiro - Ele tem bom gosto. 

Alec, Magnus e a garota asiática engasgaram uma risada bem a tempo de Jace e Clary se juntar a nós. 

- Quem tem bom gosto? – perguntou Jace curioso ao ver a expressão divertida de todos. 

- Max fugiu da enfermaria para ver Lylla, fez ela jurar pelo anjo que visitaria ele em nova York - Isabelle o atualizou e ele assentiu como se fosse perfeitamente compreensível querendo admitir que eu tinha uma beleza fora do normal, mas incapaz de o fazer por causa do seu amor por Clary. 

- Garoto inteligente. - ele disse com um sorriso leve e eu sorri de volta, mas só até ouvir os pensamentos de Clary. Ela me achou familiar, embora nunca tivesse me visto antes, e não gostou do fato de Jace e eu ter criado uma relação de amizade muito rápido. Magnus nos apresentou e conversamos um pouco sobre coisas banais. Assuntos pesados estavam proibidos esta noite e apesar do barulho na minha cabeça, a noite fora muito agradável. 

Eu tive que voltar a enfermaria para dormir, mas Jace voltou para a casa com os Lightwood. Todos os feridos da minha ala foram liberados, então restou apenas eu naquela sala enorme cheia de leitos. Quando deitei minha cabeça no travesseiro comecei a pensar em tudo o que aconteceu naquele único dia para relaxar minha mente e dar espaço ao sono.

Eu fora resgatada, tinha feito vários amigos, mas Jonathan se foi assim como meu pai... Eu não pude evitar chorar por aquilo. Quase podia ouvir os lamentos de todas as almas inocentes que Valentim destruiu por causa de seu fanatismo, porém uma se sobressaía acima dos outros. O mais lamentável e injusto, o que mais me importava por motivos desconhecidos por mim. 

- Jonathan – sussurrei para a escuridão então senti uma mão segurar a minha e tive um vislumbre de seu cabelo prata passar por meus olhos. 

- Você andou muito ocupada hoje, não é? – disse o dono da mão sob a minha. – Fez muitos amigos? 

De repente, o cenário a minha volta ganhou vida e eu percebi que não estava mais na enfermaria e sim num quarto amplo e luxuoso decorado com branco e dourado e eu repousava na cama com Sebastian sentado a minha cabeceira. Seu sorriso diabólico estava lá como sempre e ele estava adorando ver a mistura de choque terror e felicidade que compunha minha expressão.


Notas Finais


É isso!
Perdoem qualquer erro e até o próximo o/


Se puder comentar o que está achando eu ficaria muito feliz ^^


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