1. Spirit Fanfics >
  2. Another Fallout Serie (REMAKE) >
  3. Capítulo 3, EP 2 - Lar Doce Lar?

História Another Fallout Serie (REMAKE) - Capítulo 16


Escrita por: VJ_Creations

Notas do Autor


O spirit desformata o texto, então ja peço de antemão que nos perdoem pelos espaços desnecessários que o site coloca entre os parágrafos.

Capítulo 16 - Capítulo 3, EP 2 - Lar Doce Lar?


[...] Carlos entra em pânico, não conseguindo se manter parado de tanto tremer; Thon e VeJorge sem entender nada o que havia acontecido apenas sentem que o mundo havia desabado sobre suas costas, logo em seguida é só escutado a voz de Mr. Handy dizendo: "Hey, aquele ali não era o Senhor Jonas...?"

 

[ OP Starts to Play : Peace of Akatosh - Elder Scrolls IV https://open.spotify.com/track/7syq5HCT5KWP1aEnkKZKYK?si=3d137b09d85b49b1] 

 

    O trio olhava em volta e via que a casa estava quase que desabando em tiros, havia sangue no chão e quase que em todas paredes exteriores.

 

[VeJorge - Paralizado, tentando ser otimista]: “Mas… mas algum- deles... ainda está- vivo.”

[Thon - Correndo]: “MARIA!” - correu até a casa.

Carlos não consegue acreditar no que está vendo, ele cai no chão, ajoelhado, e começa a chorar baixo:

 

[Carlos]: “Não… de novo não…”

 

    Thon entra na casa e encontra sua mulher pendurada na parede com cerca de 13 facadas no tórax, Thon se ajoelha no chão e começa a beijar seus pés enquanto se desaba em um choro silencioso, mas intenso.

 

    Carlos se levanta, tremendo chega dentro da casa, VeJorge vê uma mancha de sangue gigante que ia da janela até o chão: teto até a parede:

 

[VeJorge - pensando]: “O Jonas estava lá em cima…”

 

   VeJorge então entra na casa. Ao ver os cadáveres e órgãos no chão, janela e teto, começa a andar lentamente, desviando dos corpos de seus recentes amigos. Carlos chama a atenção dos dois e diz: “VeJorge, diz pra mim que ele tá vivo. Diz qui o robô só falô isso pá nus avisar qui ele tá vivo.”

 

    VeJorge sobe pulando as escadas, Carlos entende na hora e se sente ainda mais no fundo do poço. VeJorge sobe ao segundo andar e vê Tim apoiado na parede do corredor, com uma feição de ódio; Carlos sobe as escadas correndo e vê tudo o que aconteceu diz: “Eu nãun consigu, discurpa, eU- Nã--” - chora intensamente e cai em seus joelhos - “DESCURPA SENHOR JONas-- Eu… nãum cunsigu.” Carlos começa a chorar até perder o fôlego, ele começa a lembrar do momento em que descobriu que Otávio havia morrido, e agora ele veria aquela porta como sendo o próprio portão do inferno. 

 

VeJorge entra no quarto e vê sangue em todo canto, um cheiro infernal apodrece o local, ele percebe que o amigo foi pisoteado centenas de vezes. VeJorge diz silenciosamente enquanto treme violentamente: “Iss- é culpa minha, eu trouxe eles até aqui, eu dei esperança a eles, dei um lar que eu nunca pude proteger”. Tim bufa e diz: "Me poupe desses papinhos, você tentou ajudá-los e o que aconteceu não é a sua culpa e não pode ser apagado, bola pra frente.”

 

VeJorge escuta porém não diz nada.

 

[Carlos]: “VeJorge, por que teve qui sê assim? Ele só fez u bem pra gente, ele não merecia isso.”

[VeJorge]: “Eu fui ingênuo Carlos, eu... não vou errar de novo.”

 

    Carlos anda cambaleando até a escada e tampa sua boca para não fazer barulho, VeJorge sai do quarto e se agacha ao lado de Carlos. Então um barulho ecoa na casa inteira, vindo do quarto de transmissão, VeJorge e Carlos ficam em estado de alerta, Tim então diz:

 

[Tim]: “Ah sim, tem uma garota ali, acho que a pobre coitada teve que ver o Jonas virando pasta... que droga.”

    

VeJorge então vai andando para o quarto e encara Tim com uma expressão de ódio. Tim desce as escadas, passando do lado de Carlos que soluçava de tanto chorar, mas que não fazia um barulho sequer e começa a vasculhar os corpos dos invasores que foram mortos; ele encontra um sobretudo preto bem conservado, apenas com manchas de sangue recentes. VeJorge entra no quarto e tenta localizar de onde vem o som da menina que Tim mencionou, ele então vê uma caixa de papelão grande debaixo da mesa que acabara de virar. 

 

A garotinha tinha apoiado a sua costa na caixa pelo cansaço, fazendo ceder por causa de seu peso. A garotinha estava tremendo de frio e com os olhos vermelhos de tanto chorar, ela não conseguia mais ficar de pé depois de tanto estresse. VeJorge se espanta mas se sente muito aliviado de pelo menos uma pessoa ter sobrevivido. Ele precisava saber o que havia acontecido, mas ela não interagia, apenas estava chorando. VeJorge então tenta acalmá-la:

 

[VeJorge]: “Oi, o perigo já passou. Me desculpa por não ter chego a tempo, você pode me culpar por tudo isso.”

[Bianca]: ”Não foi a sua culpa...”

 

    VeJorge olha para Bianca perplexo e agradece por tentar tirá-lo de seu pesadelo, porém ele depois de cinco segundos se convence de que ela só quer ajudar, e que ele é sim culpado pelo que aconteceu. Ele então estende sua mão a ela e a menina olha em seus olhos, chorando; ela fecha o olho e abaixa sua cabeça.

 

[VeJorge]: “O Thon tá lá embaixo, vamos lá conversar com ele? Acho que vai ser melhor você ficar com alguém que você conhece melhor”

[Bianca - Gaguejando]: “Por favor.”

 

    Bianca olha para VeJorge e entrega sua mão tremendo, uma vez que ela não tinha afinidade com ele, mas só de ouvir sobre o Thon, isso já a fez ter a confiança para sair da sala. VeJorge e Bianca vão até a varanda onde estão Thon e Carlos, eles se assustam e ficam alegres de ver que a menina, outrora saltitante e inquieta, sobreviveu.

 

    Thon que conhecia a menininha desde de seu nascimento fica com pena da garota, e então em um segundo percebe que não há mais ninguém para fazer o papel de pai para Bianca, ele então promete a si mesmo em pensamento que irá cuidar dela, até que ela cresça, ele logo corre até ela e a abraça:

 

[Thon]: “Bianca, vamos princesa, temos de ir agora.” - ele pega sua mão e a segura bem forte, enquanto a olha fungando; 

 

Ele passa a mão na sua cabeça e segura sua mão firmemente:

 

[Thon]: “Eles não vão mais tirar ninguém de você docinho, eu te prometo.” - ele então faz uma expressão de determinação, tentando confortar Bianca, ela então apoia sua cabeça de lado em sua costela.

 

VeJorge chama Carlos:

 

[VeJorge - Lógica]: “Carlos, eu acho que o Tim…”

[Carlos]: “É eu também achu, comu se nóis num tivesse perdidu gent’ o suficienti.” - percebeu a intencionalidade das falas de Tim. 

 

    Carlos fica visivelmente decepcionado e então segue VeJorge; Thon e Bianca os esperam no jardim e Tim está olhando para o horizonte com um visível ódio em seu rosto. Uma chuva leve começa a cair e o sangue que estava secando do lado de fora começa a escorrer do terreno e descer nas rachaduras do chão, a casa começa a perder sua vermelhidão e a dar lugar para seu solo amarelo destingido.

    VeJorge fica ao lado de Tim e se entreolham, depois focam no horizonte. Tim ajeita a gola da sua farda e tosse forçadamente e diz:

 

[Tim]: “Sabe, eu não tenho mais o que fazer aqui, é a última vez que eu tento dizer…” - suspira - “Venha comigo, as coisas aqui fora só irão piorar, suas capacidades podem ser bem mais aproveitadas se você ajudar pessoas que acreditam num passado ex-guerra.”

[VeJorge]: “Você diz isso tentando me livrar do meu próprio demônio, não é?”

[Tim]: “Nós preci- O que você disse?” - disse com uma cara de confuso com os olhos forçados.

[VeJorge]: “Eu pensei que eu era um herói por tentar ajudar, que eu estava preparado pra fazer isso.”

 

Tim fixa seus olhos em VeJorge e enquanto isso começa a apalpar o sobretudo que roubou, encontrando um cantil com whisky, ele o cheira e dá um gole, logo diz:

 

[Tim]: “É realmente uma pena, ele teria tantos usos, não é todo dia em que você pode ter gente educada hoje em dia, sabe? E se for pra se culpar com algo, culpe você por não querer ajudar a acabar com essas situações, e não por ser apenas uma vítima… você deveria pensar nisso.“ - fecha o cantil.

 

Tim estende sua mão a VeJorge o qual não aperta de volta, fazendo-o rapidamente se virar e fazer um sinal de adeus, “que seja, não me importo” disse enquanto se dirigia até as escadas enquanto batia em seu sobretudo, limpando-o.  VeJorge então enxuga seu rosto e vai até Carlos.

 

[VeJorge]: “Só me resta você, o Thon e Bianca agora...”

[Carlos]: “I û rubô tambêim...”

[VeJorge]: “Parece que ele é imortal…”

 

    VeJorge suspira e dá um tapa no ombro de Carlos, sem dizer mais nada ele chama Thon para debater o que fariam agora. No exato momento Tim apenas sai descendo o morro andando rápido, VeJorge apenas fingiu não havia-o visto e assim perdesse de vista Tim Kappel; Thon e Bianca estão parados olhando para as plantas, com uma nítida cara de tristeza em seus rostos e com rastros de lágrimas nas bochechas.

    Eles então se reúnem debaixo de um toldo, onde ficavam as plantas (ou que sobrou delas), eles fazem uma roda e começam a conversar:

    

[VeJorge]: ”Ok, para onde vamos agora.” - cruza os braços e os segura com as mãos, de modo a se esquentar. - “Nós precisamos de uma nova ca-” - Dizia quando é interrompido por Carlos.

[Carlos - Deprimido e abatido]: “Qualqué’ casa… sem u Otávio, i agora u… Jonas, vai se’ vazia.”

[VeJorge]: “CALA A BOCA CARLOS!”

 

Todo mundo volta a atenção a VeJorge.

 

[Bianca - Deprimida e abatida]: “Senhor! Por favor, não grite com o meu amigo!” - Disse enquanto puxava o braço de VeJorge suavemente, de modo a chamar atenção.

 

VeJorge olha para Bianca perplexo e percebe que está magoando Carlos, por ser insensível nessa situação de recente perda.

 

[Thon]: “Carlos, o que você acha que Otávio faria no seu lugar?

[Carlos - Abatido]: “Thon, u Otávio… eli…” - Seu choro o interrompe - “Eli diria qual a meió opção pra nóis tomá agora”

[Thon - Firmeza]: “Eu te prometo tá legal?”

[Carlos - Confuso]: “Prometi u que Thon?” - Diz abaixando o tom.

[Thon - Improviso]: “Você não vai mais perder ninguém. O VeJorge pode ter sido um babaca, mas agora ele tá certo, o que a gente precisa é sobreviver, e assim que a gente sobreviver a gente pode sei lá… achar um novo cachorro pra você, o que acha?”

[Carlos - Deprimido e abatido]: “Mas eu prefiru uma cadela saca?”

[Bianca - Interessada]: “Thon! Thon! Eu também quero uma cadelinha!” - Dizia enquanto pulava e chacoalhava os ombros de Thon.

 

Tanto Bianca quanto Carlos nessa conversa esqueceram por alguns breves momentos da situação.

 

[VeJorge]: “Se a… quando a gente achar um novo abrigo, eu vou… querer um também! Vai ser um pastor alemão!”

 

Thon olha para VeJorge com desprezo, Bianca fica curiosa e pergunta:

 

[Bianca]: “Pastor Aleeeeee-” - Porém, por causa de sua empolgação, logo esquece sua idéia e continua - “Eu quero um cachorro rosa Thon! Por favor!”

[Carlos]: “E eu um cor de canela!”

[VeJorge]: “Você quer homenageá-lo não é? O Vira-lata cor de caramelo hahaha, eu tenho certeza que ele tá lá no céu assistindo a gente e ansioso p’ra conhecer o novo amiguinho.”

[Carlos - Brincalhão]: “É verdadi, eu acreditu nissu sim VeJorge, ei o qui tu acha di nóis uiva agora pra prestar respeitu pra geral i pro nossu cachorrin?”

[Bianca]: “Uivar?”

[Thon]: HAHA, ela não sabe o que é uivar ainda HAHA, assim Bianca, ó, presta atenção” - tira o pigarro da garganta - “AAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUL.”

 

Bianca dá um pula pra trás de espanto.

 

[Bianca]: “Ah, canto de cachorro, eu já ouvi isso, mas nunca tão de perto.”

 

Carlos dá as mãos para VeJorge e Bianca de forma a formar uma roda, e então começam a uivar para prestar respeito.

 

[Thon]: “AAAAAAAAAUUUUUUUUUUL”

[Bianca]: “aaaaaaaaaaauuuuuul”

[VeJorge]: “AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUL”

[Carlos]: “AAAaaAAAAuUuUuuuuUUUuUuuUU”

 

Todos caem na gargalhada com o uivo desafinado de Carlos; esse foi um breve momento de paz e companheirismo que surgiu num momento de guerra interna e desesperança, VeJorge então agradece a Thon por melhorar o clima:

 

[VeJorge]: “Obrigado Thon, de verdade. Agora vamos nos preparar.”

 

Todos se juntam ainda mais perto, em uma roda:

 

[VeJorge]: “Nós vamos pro refúgio que a mulher da túnica nos contou.”

[Thon]: “Ela pode ter blefado apenas para sair da situação.”

[VeJorge]: “Não, eu vi nos olhos dela. Ela estava desesperada sim, mas foi honesta.”

[Thon]: “Pobre alma”.

[VeJorge]: “A gente vai tentar buscar ajuda por lá, Thon depois de uns 2 quilômetros de viagem, você vai ter que carregar a Bianca, acho que ela não está acostumada a viajar a longas distâncias, ainda mais no Sol. Carlos precisa ficar atento ao nosso redor, eu vou operar a Power Armor, então vou ser lento demais para olhar para trás, alguma dúvida?”

[Bianca - Determinada com os punhos fechados]: “Eu consigo andar mais de 2 quilômetros sim!”

 

Bianca olha para VeJorge firmemente, e logo depois sussurra na orelha de Thon:

 

[Bianca]: “Thon, o que é um quilómetro?"

 

    VeJorge continua dizendo: “Ok vamos logo, essa chuva não vai passar logo, porém ficar aqui é mais perigoso ainda, eu só tenho mais uma coisa a fazer, se preparem para partir.” Após isso ele então começa a rezar para as pessoas e… para si mesmo:

 

    “Senhor, eu quero agradecer por ter o Carlos, Thon e Bianca ainda comigo, eu não estaria aqui ainda, se não fosse para ajudá-los a sobreviver, desculpa por dizer isso Senhor, mas a dor é muito forte, eu sinto que tudo que eu faço trás morte e tristeza, eu só queria ajudar, mas minha inexperiência e infantilidade me levaram a essa realidade obscura, estou colhendo aquilo que plantei, entendo isso senhor, eu sei que não há volta das ações que tomei, mas me sinto na obrigação de dizer isso… perdão senhor, por favor perdoa-me pai, perdoa-me pelas tantas coisas erradas que fiz, só tu pode contar a infinidade de erros que eu cometi Senhor, muito obrigado, por me escutar Senhor, mesmo depois de tudo isso, por favor perdoa os que hoje estão se juntando ao senhor, eu sei que eles eram boas pessoas, eles merecem a paz eterna, mas isso só o senhor decide, e seja qual for sua decisão, eu irei concordar, pois sei que minha mente jamais compreenderia seu raciocínio impecável Senhor, novamente perdoa-me por não agir de acordo com tuas palavras senhor, quero agradecer por tudo Senhor, não em vosso nome, mas em nome de teu filho amado, Jesus Cristo, amém."

 

    Todos então se ajeitam enquanto isso e cerca de 3 minutos depois, VeJorge termina sua reza, Carlos então começa a liderar o caminho, Thon começa a andar e pergunta para VeJorge que estava na Power Armor:

 

[Thon]: “Não há nada mais na casa? podemos simplesmente abandonar para sempre ela?”

[VeJorge]: “Sim sim, a Power Armor é a ultim-” - Quando se lembra de Mr.Handy e importantes itens deixados na casa - “NA VERDADE PODEM INDO, EU JÁ ALCANÇO VOCÊS.” - Gritou, querendo não atrapalhar a leve empolgação do grupo.

 

VeJorge então deixa a Power Armor na frente da casa e sai correndo para dentro; ele vê Mr.Handy tirando pó de uma estante cheia de tiros, então Mr. Handy diz:

 

[Mr.Handy]: “Senhor, você não deveria ir junto com eles? … eles já estão a alguns bons metros já daqui.”

 

VeJorge escuta, porém apenas continua subindo as escadas. Ele entra no quarto de transmissão e olha para Jonas no chão, ajoelha-se e agarra sua mão e diz:

 

[VeJorge]: “Jonas… eu logo vou me juntar a você, eu irei protegê-los eu prometo, até que eles estejam seguros, e depois, eu vou descansar, nem que seja no inferno.”

 

    VeJorge limpa suas lágrimas e começa a agir apressadamente, pegando a antena e os equipamentos que sobraram da Rede, cobrindo-os com uma lona plástica jogada no chão para proteger contra a chuva. Com tudo em mãos ele entra na armadura potente, correndo juntamente de Mr. Handy para alcançar os três que foram indo a frente. VeJorge corre o mais rápido o que pode carregando todos aqueles equipamentos quando para no meio do caminho após lembrar das duas maletas que Tim havia entregado para eles.

    

[VeJorge]: “Droga, as duas maletas! Eu as esqueci! Handy fique de olhos neles, não os perca de vista!”

[Mr.Handy]: “Senhor, tenho certeza que eu vi o Senhor Carlos portando consigo duas maletas idênticas aquelas que foram dadas pelo Senhor Tim, afinal, onde ele está?”

[VeJorge - Suspira]: “Ah sim, eu vejo. O Tim nos abandonou… p’ra sempre, eu acho… Enfim, vamos alcançá-los” - VeJorge começa a correr intensamente utilizando a armadura.

 

    Duas horas depois, a chuva fica ainda mais intensa, o casaco que Thon estava usando para proteger Bianca da garoa se torna inefetivo, assim molhando a cabeça e costas de Bianca, o que acabou por trazer de volta memórias de Bianca, que começa a chorar, gritando que queria voltar para ficar perto de seus pais, fazendo o passo de Thon ainda mais devagar ela brada:

 

[Bianca]: “Eu gosto de brincar na chuva, mas agora não tenho mais com quem brincar! Por favor, me leva de volta pra casa, por favor, eu quero ficar com a mamãe e o papai!”

 

Carlos vê Bianca chorando e tenta, acalmá-la:

 

[Carlos - Improvisar]: “Bianca, ‘ocê já viu um Huski Siberianu?”

 

Bianca continua chorando, ignorando totalmente Carlos, que se mexia para um lado e para o outro, fazia caretas, e tentava de todas as formas fisgar a atenção de Bianca

 

[Bianca - Confusa, fungando]: “Hu-ski?”

[Carlos]: “É um cachorro das névi e eli uiva o dia inteiru, sacô?”

[Bianca - Começando a se distrair]: “Neve? Igual aquele dia a um mês atrás?”

[Carlos]: “SIM! Rapá, aquele dia eu fiz um bunecão di neve qui tu não tá ligado… parecia um giganti.”

[Bianca]: “Gigante?”

 

Carlos fica perplexo e encara Bianca, depois diz:

 

[Carlos]: “Tu já caçou lagartixa?”

 

Bianca para de fungar, e junto com Thon encaram Carlos e gargalham, Thon então pede para Carlos:

 

[Thon]: “O Carluxo, esse teu sobretudo aí é de couro, acho que dá pra tu proteger melhor a Bianca.”

[Bianca]: “Thon, eu posso ficar um pouco com o tio Carlos mesmo, você deixa?”

 

Thon diz enquanto acaricia a cabeça de Bianca: “Claro meu amorzinho, você pode ir.” Bianca então fica debaixo do sobretudo de Carlos, e eles vão andando e conversando. 

 

Duas horas depois, a chuva começa a lentamente parar, VeJorge se aproxima de Thon, enquanto Bianca e Carlos estavam na frente conversando e pergunta a Thon se ele estava bem, pois ele, nitidamente, se demonstrava fora de si quando Bianca não estava por perto:

    

[VeJorge - preocupado]: “Thon… vamos pensar estrategicamente, o que a mulher disse sendo verdade ou não, de qualquer forma, precisávamos sair de lá, agora quando chegar a hora, quem vai ficar pra lutar?” - Diz VeJorge com uma expressão de ódio profundo, Thon continua andando e responde VeJorge:

[Thon - Sério]: “Ninguém vai ficar para trás VeJorge, nós vamos conseguir.”

[VeJorge]: “Eu sei que está sendo forte pra proteger a Bianca, mas pode ser honesto comigo, eu já estou todo quebrado mesmo, não vou fingir que não, se alguma coisa acontecer, eu vou ficar, tá legal?”

[Thon]: “Filho, nós precisamos de você, por favor não ache que sua vida é sem valor só porque não pôde ajudar todo mundo, você me ajudou, ajudou minha esposa, e está hoje ajudando Bianca, que agora é a única coisa que eu realmente me importo.”

[VeJorge - Confuso com si mesmo, gaguejando]: “Exatamente, eu vi como você agiu lá na casa, quando eu fui um babaca com o Carlos, você… é bom em improvisar Thon, eu tenho certeza que se eu não tivesse sido um animal quando atirei e chamei a atenção daqueles saqueadores que estavam passando perto do banco, você teria arranjado uma maneira de sobreviver, avistá-los antes deles começarem e salvar a todos, ou pelo menos, mais gente que eu sendo esse infantil miserável.”

 

Carlos e Bianca então olham para trás e percebem que o clima estava ficando pesado entre os dois, Bianca então para de andar, para ver o que estava acontecendo, porém Carlos pega em sua mão e a força a continuar andando, ela porém não tira seus olhos do que está acontecendo atrás.

 

[Thon - Estressado]: “Eu pensei que eles estavam atrás de vocês e vocês tinham entrado na abertura da ponte para se esconder, você está me dizendo que… atirou neles, co-como assim?”

[VeJorge - Tom diminuindo]: “Começamos rindo… depois o Otávio se foi… e agora 4 famílias se foram, eu… eu… mereço morrer, Thon… eu mereço.”

[Thon - Surpreso]: “Você… atirou por NADA?” - Aumentou o seu tom gradativamente.

[VeJorge]: “É… foi exatamente isso… por nada, eu… eu… me descu-” Thon o interrompe.

[Thon - Enfurecido]: “Escuta moleque, eu te odeio por isso, não sei se algum dia vou poder te perdoar, mas agora não é hora de história, tá legal? Meu Deus… eu preferia não saber disso na verdade, ainda mais agora…” - Thon olha para VeJorge com os olhos arregalados de ódio - “Já chega de ficar com papo furado, tá legal?! Nós vamos sobreviver, você querendo ou não estar vivo até lá, isso é o racional a se fazer, o que está no passado, está no passado. Devemos seguir em frente, assim como eles deveriam fazer se fossemos nós naquela ocasião!” - Thon respira por um segundo e continua - “Eu sou um homem velho, já vi muitas tragédias, seja bem vindo ao mundo real filho, agora você vai AJUDAR OU VAI FICAR AÍ SE VITIMIZANDO? VOCÊ VAI DAR A SUA VIDA CASO NECESSÁRIO? ÓTIMO, MAS NÃO FIQUE DE DRAMA PERTO DE MIM. EU JÁ PERDI TUDO E TODOS ASSIM COMO ELA, E MESMO ASSIM SOBREVIVI. E VOCÊ, UM HOMEM ADULTO AGINDO COMO UMA CRIANÇA, VOCÊ DEVE IMAGINAR O QUE PASSA NA CABEÇA DE UMA POBRE GAROTA INDEFESA NÃO É?” - Thon percebe que Bianca e Carlos estão parados olhando e fica quieto.

 

VeJorge pensa por um segundo e abaixa a cabeça, diminuindo seu passo, assim voltando a retaguarda… Thon alcança Bianca, que começa a chorar ao ver os dois brigando.

Thon então abraça Bianca, porém ela fica inquieta, se chacoalhando e gritando:

 

[Bianca]: “Eu quero ver a minha mãe” - chora um pouco - “ME DEIXA VER A MINHA MÃE!” - batia no tórax de Thon para soltá-la, vendo que não poderia se soltar, ela só estica a mão para trás, vendo o ambiente da casa se espairecer pelo horizonte.

 

    Os cinco estão chegando perto de onde a mulher foi encontrada, tendo a rua que levaria para a Vault 199 e o caminho que a mulher disse que levaria até o tal abrigo com recursos abundantes, assim eles vão.

    Após cinco minutos de caminhada, Carlos avista um pouco mais a frente, o que se parecia, um acampamento. Nessa mesma hora é tocado um breve e baixo som de beep nas costas de VeJorge:

 

[VeJorge - Mentalmente]: “Pera´, o jonas falou disso, deve ser a bateria, droga. Não importa, eu não vou dizer a eles, não posso mais ser um fardo.”

 

Ele continua andando normalmente, ignorando este fato e avisa sobre o local para os quatro:

 

[Carlos - fazendo sombra com a mão na testa]: "Família, tem um baguiéte la na frente, devi se’ um acampamento de escote’ro sei lá, o que voc-” - VeJorge sai correndo.

[VeJorge - Correndo e gritando]: “Eu vou na frente, esperem aí!

[Thon - Preocupado, gritando]: “Espera aí!”

[VeJorge]: “Eu tô protegido, relax-” - dizia VeJorge quando foi cortado por Thon.

[Thon - ]: “VeJorge! Espera um minuto, vamos conversar primeiro…”

[VeJorge]: “Não há tempo a perder, Thon!”

Thon mentalmente: “Qual é a desse garoto? Ele não aprende a pensar nunca?”

[Thon]: “Mr. Handy rápido! Siga ele.”

[Mr.Handy]: “Senhor, é um prazer ser vosso amigo, mas receio que essa ordem não seja de magnitude de um simples robô doméstico.”

[Thon - pedir]: “VeJorge! Você vai acabar matando nós se sair correndo desse jeito.”

VeJorge se vira e diz: “Eu já te falei Thon, é meu dever.”

[Bianca - percepção 98/10]: “Thon, ele quer ir pros pais dele.”

 

Thon olha para Bianca e fica triste de saber que ela já entende o que está acontecendo.

 

VeJorge chega perto do lugar que Carlos falastes e quando vê a cena fica enjoado, Vejota então faz um gesto de pare com as mãos, e eles param de se aproximar.

 

[Bianca - Tampando o nariz]: “Nossa, mas que fedor. O que está tão fedido assim?”

[Carlos - Carisma 10]: “Eu peidei.” - Ri da própria piada.

 

Thon olha para Bianca e segura o nariz dela (para ela não cansar seus braços); Carlos vai até VeJorge, chegando lá, ele vê uma cena que desejaria esquecer assim que bateu o olho, um acampamento recente, com corpos de Raiders mortos a dias, lotado de vermes e mosquitos, cartuchos de balas pelo chão, maletas com enlatados todos abertos e vazios, e no meio de tudo isso, um buraco no chão, cheio de órgãos decepados e roupas, lonas, cobertores rasgados e molhados de sangue. Enquanto isso Thon e Bianca que ficaram a cerca de 10 metros atrás conversam:

 

[Thon]: “Pelo cheiro, eu acho que… iam fazer churrasco de Mirelurk, Bianca”

[Bianca]: “A carne é tãooooooooo” - Se inclina para trás e quase cai - “BOA! Thon, podemos ir comer?“ - Faz uma expressão de Necessidade Espiritual.

[Thon]: “Bianca, você sabe que Mirelurks comem sapos né?

[Bianca - Nojo]: “EEEEEEEECA, é por isso que fede tanto, deixa pra lá Thon, eu só tava brincando.” - Diz fingindo estar brincando.

[Thon - gargalha]: “E se for por isso que a carne deles são tão boas?” - Gargalha com Bianca por alguns minutos enquanto tentam não sentir o cheiro.

 

Enquanto isso no acampamento:

 

[Carlos - Segurando a risada]: “Nojentu… mas eu trusse… mostarda HAHAHAHA!.”

[VeJorge - Gargalhando]: “HAHAHAHAHAHA!”

[Carlos - Percepção 0,32]: “Achu qui elis morrero.”

[VeJorge - olhando para Carlos]: “Eu pensei nisso também.”

 

A visão de dentro da armadura, por causa do tempo e do ambiente, está tremendamente prejudicada, o que impede VeJorge de verificar a integridade dos recursos ali encontrados, Carlos ao ver que os Raiders tinham sido asfixiados, portanto as roupas estavam intactas:

 

[Carlos - Avistar]: “Oh LaJorge! tem uns bagui ali jogado nu buraco qui dá pá nóis usá tá ligado?

[VeJorge - Preocupado]: “O Carlão, tem roupa de frio aí? Algo que dê pra lavar e secar facilmente, tipo couro sei lá.”

[Carlos]: “Vô vê i ti aviso.”

[VeJorge - Pensando]: “Talvez… se nós usássemos as roupas deles, nós tenhamos uma chance de conversar com os Raiders e atirar de surpresa, é menos risco do que andar com essas vestes comuns.”

 

VeJorge sai da armadura e começa a procurar no meio do buraco no acampamento, ele encontra um suéter numa mala, sem nenhuma mancha de sangue, e o separa para entregar a Bianca para se proteger de um possível céu-aberto de noite congelante.

VeJorge percebe que Carlos está com nojo, e tenta o convencer a procurar algo para si:

 

[VeJorge]: “Olha, eu sei que é nojento, mas sem um abrigo a gente vai ter de usar o máximo de vestimenta possível"

[Carlos - Ânsia]: “Mas issu é… nojen--” - Dizia quando foi interrompido por VeJorge.

[VeJorge - Calmo]: “Veja, as roupas estão só com alguns rasgos pequenos e algumas pitadas de ketchup, numa lavagem tá usável. Vamos procurar por qualquer coisa que sobrou e vamos continuar”

[Carlos - Incrédulo]: "Quétichupin? Eu veju.”

 

Carlos pega umas roupas que estavam em malas e a pressiona contra o nariz, prendendo a respiração enquanto mexe junto de VeJorge, no bucaro, ele então encontra uma mochila pesada e avisa VeJorge:

 

[Carlos]: “Ó, aqui tem bagui.” - Levanta o braço segurando a mochila.

[VeJorge]: “Abre aí e vê o que tem dentro”

 

Carlos diz “Certu, certu, cert’…” Quando abre a mochila e percebe uma infestação de vermes dentro, uma cabeça e um monte de carne humana dentro. Ele arregala o olho, joga a mochila longe, cai para trás e grita de desespero. VeJorge que estava abrindo uma outra mochila se assusta com a reação alta de Carlos e pergunta se ele está bem:

 

[VeJorge]: “O que foi? O que q’ tinha na mochila?”

[Carlos - Voz Tremûla, gaguejando, gritando]: “VeJoRgE, e-ErA cARrnI… HUMANA! Teim algu di erradu aki, muito erradu.”

[VeJorge - Gritando]: “O quê?! Enfim… Vamos embora agora!.” - Dizia enquanto entrava na armadura, ele então escuta um som alto vindo de longe.

[VeJorge - Confuso]: “Carlos, tá… ouvindo isso?”

[Carlos]: “É um... Heliscópico LaTorta! Tu si lembra de qua-” - Interrompido pelo som de balas acertando as placas de metal da armadura, ao mesmo tempo que VeJorge era arremessado ao chão, mesmo dentro da armadura. Carlos, já no chão, se protege; VeJorge percebe que seus movimentos estão ficando cada vez mais inflexíveis, só podia ter sido um tiro de raspão no Núcleo, caso contrário, ele poderia ter se explodido ali.

[VeJorge]: “CARLOS!” - Estende a mão para Carlos - “Parece que os tiro ‘tão vindo das minhas costas, eu irei proteger vocês até passarem por aquele morro, você pega--” - dizia quando escutou um barulho alto vindo da direção das balas - “Mas o que é isso? Vamos Carlos, você tem que avisar os outros e sair correndo com eles” - bradou VeJorge.

 

Carlos começa a chorar quando ele se levanta e VeJorge fica como esponja de balas:

 

[VeJorge - Gritando]: “CORRE! EU PROTEJO SUAS COSTAS!”

 

Carlos limpa as lágrimas e começa a correr o mais rápido que pode com as roupas debaixo do braço, ele corre e se joga rolando morro abaixo enquanto VeJorge está, congelado com a armadura sem energia. Carlos mentalmente: “Ele tá vindo né? I-issu não pode ‘tar acontecendo de novo…” e logo começa a chorar novamente enquanto rola morro abaixo, se arranhando no caminho todo.

Carlos cai perto de Thon, Bianca e Mr. Handy, se desabando de choro, tremendo sem conseguir dizer uma palavra sequer:

 

[Thon]: “Cê tá bem, cadê o VeJorge?!” - Trás Bianca para seu peito.

Bianca fica extremamente assustada com o semblante de Carlos.

[Carlos - Chorando]: “Nóis temus que continua, u VeJorge alcança a genti” - Diz olhando para Thon com uma expressão misturada de Medo, Tristeza e Desesperança.

 

Thon engole a saliva e entende o que se passou lá em cima, logo ele diz:

 

[Thon - Determinado]: “Vamos sair daqui--” - dizia quando foi cortado por um barulho alto, mas distante dali.

 

Thon pega Bianca no colo e Carlos e Mr.Handy carregam aquelas roupas rasgadas correndo para baixo do morro, o terreno vai ficando cada vez mais íngreme, esse foi o plano que Carlos tinha para fugir das balas. Eles correm até perceber que há um razoável desnível entre o morro e o chão, precisando pular para continuarem fugindo.

 

      A distância do morro e o chão era de, aproximadamente, dois metros, Carlos é o primeiro que pula e sucede sem muito esforço, Thon pede para ele segurar Bianca que ele seguraria e a desceria devagar. Carlos segura Bianca e Mr.Handy desce planando, quando é a vez de Thon, ele pula, mas acaba caindo de um jeito totalmente errado de uma altura considerável, que era os dois metros, o que faz sua tíbia ser comprimida, e pela pressão, desencaixa a rótula no impacto. Thon acaba tombando pro lado e cai no chão sobre seu braço, Carlos que estava com Bianca no colo coloca-a no chão para ajudar Thon a levantar-se, mas é interrompido:

 

[Thon - Gritando, e se contendo]: “ARRRGH… eu tô… bem… eu… Hanny… pode… me ajudar?” - Estica a mão para Mr.Handy.

[Mr.Handy - Pronto, zoando]: “Um prazer, Senhor Velho!” - Cochicha para Bianca - “Achei que ele tinha batido as botas…”

[Thon]: “Carlos… vai na frente… O MAIS RÁPIDO QUE CONSEGUIR, eu estou indo logo atrás…”

 

Carlos tinha em seu semblante estampado uma preocupação enorme, era visível isso quando ele estava fazendo força na mandíbula rangendo os dentes.

 

[Thon - Gritando]: “Droga… vamo’ nessa!”

 

Thon se levanta bruscamente, pisando mesmo com a perna quebrada, ele puxa Carlos pelo braço para continuar:

 

[Thon]: “Eu irei na frente apoiado com Mr.Handy, nós temos que ir pra QUALQUER lugar LONGE DAQUI!” - Diz Thon enquanto passa o braço em volta do corpo esférico de Mr.Handy para se apoiar.

 

1Thon e Mr.Handy começam a ir na frente, Carlos os seguem com Bianca no colo, mas ele ali não se contém:

 

[Carlos - Mentalmente]: “Quem sãun ‘ssas pessoas? Pur que qui isso tá acontecenu di novu comigu? Pur quê? Eu… pur que eu tenhu qui continuá viveno si geral ao meu redór acabam sumino…” - Diz enquanto deixa rolar algumas lágrimas.

 

Bianca passa a mão no rosto de Carlos, enxugando as lágrimas, ele volta a prestar a atenção na estrada e pede desculpa para Bianca:

 

[Carlos - Com lágrimas nos cantos dos olhos]: “Dis-Discurpa princesa, eu só- eu só…” - foi interrompido por Bianca.

[Bianca - Reconfortando]: “Eu vi o seu amigo naquele dia com a minha mamãe… Ele se levantou quando todos estavam com medo e disse para todo mundo sair que ele tinha uma plano, ele nos salvou sem pisar para trás. Ele foi o nosso herói que chegou do nada, eu tenho certeza que ele sabia que precisaríamos de ajuda e por isso apareceu. Eu vi Jonas ser pisado inúmeras vezes-”

 

Carlos engole a seco a saliva e fica tenso com todas as vezes que a pobre menininha presenciou terror-psicológico, ela continua:

 

[Bianca]: “Mamãe me contou de um dia em que Thon junto de meu pai e os homens do nosso grupo foram fazer algo…” - Ela faz uma cara de confusa enquanto tenta pensar - “eu acho que era tipo uma venda, é, era uma venda para uma cidade e quando eles voltaram estavam machucados, meu pai não me quis contar o que aconteceu mas eles voltaram sem nada…” - Ela fecha os olhos por alguns segundos quando pergunta para Carlos: “Por quê? Por que tem gente má no mundo, Carlos?”

 

Carlos chorando ao ouvir todas essas palavras, apenas respondendo: “eu não sei”

[Bianca]: “Por que eles roubaram a comida que nós tinhamos? Por que eles não pagaram? Por quê? Por que eles mataram meus amiguinhos, meus pais, mataram a tia Maria, por quê?”

[Carlos - Tremendo]: “EU NÃO SEI, EU NÃO SEI PORQUÊ AS PESSOAS FAZ ISSU UMAS COM AS OUTRAS.”

 

Thon olha para trás e pede para Carlos ficar calado para não chamar a atenção de ninguém por perto e Bianca continua num tom baixo:

 

[Bianca - enfurecida mas num tom calmo]: “Agora o VeJorge…”

 

Carlos para de chorar, olha para Bianca, que está focada olhando para o céu com um olhar sério e continua andando só que agora mais rápido, ultrapassando Thon e Mr.Handy

 

[Mr.Handy - Preocupado]: “Cuidado Senhor Carlos, eu sei que eu não sou nenhum modelo Miss Nanny, mas correr com uma criança no seu colo pode fazer você cair”

[Thon - Preocupado]: “O que foi? Tem alguém nos seguindo? Carlos, o que aconteceu?” - Pisa errado e se desequilibra.

[Carlos]: “Eu entendi u qui eu precisu fazê, meu propósito é salvá todas as pessoas qui eu conseguír, nunca mais eu quero perdê ninguém querido” - Sorri com o canto da boca - “É por isso que eu vou deixar vocês num lugar seguro e ir ajudar o VeJorge” - cerra os punhos

[Thon - Incrédulo]: “Você está ficando maluco, rapaz?! Eu não queria dizer isso mas…” - Abaixa a cabeça - “Eu antes de pular ouvi gritos vindo das nossas costas, eu tenho certeza que nesse momento… VeJorge está mor-- morto.”

[Carlos - Confiante]: “Eu tenhu certeza qui ele está bem naquela armadura, eram us outrô que estavam atirano qui estão sofrendo agora na mão deli.”

[Thon - mentalmente]: “Todos esses meninos são loucos, todos são como você, Henrique…”

 

[2 horas depois - 11 horas da manhã]

 

Eles caminham até chegar na entrada de uma floresta densa chamada antes da guerra de: “Floresta das Ferraduras”. Bianca ia andando enquanto Carlos e Mr.Handy ajudavam Thon ao seu passo.

Um pouco adiante era visível duas enormes torres estranhas, era as únicas construções em volta. Thon começa a discutir:

 

[Thon]: “Hey pessoal, eu acho que eu conheço esse lugar. Eu lembro que nas caravanas que eu fazia se comentava das histórias da pré-guerra, que havia diversas bases Americanas, assim como as vaults, instaladas pelo Brasil e uns outros países no continente que estamos, que também é chamado Americano.”

 

[Carlos - Apressado]: “E isso é bão ou ruim? Podemô i lá ou não?”

[Thon - Preocupado]: “Essa é a questão… é um lugar com muito potencial, disseram os comerciantes, logo, com certeza vai ter gente lá. A questão é o quão receptivos a estranhos eles são…”

[Carlos]: “Aquela torre intão devi tê gente olhano ao redor, né?” - Indaga Carlos.

 

Thon curva a cabeça para o lado e olha para o céu, então ele percebe que eles poderiam ser alvos fáceis se não entrassem em cobertura:

 

[Thon - Tenso]: “Vamos, nós temos que sair da visão de seja lá quem estiver naquele lugar.”

[Carlos]: “Intão a mulher tava certa, né não? Tem realmente uma comunidadi di recurso ambudantis lá, não tem?” - Indagou Carlos.

[Thon - Com dor, mancando]: “Vamos logo ficar embaixo de alguma árvore!”

 

Thon, Carlos, Mr.Handy e Bianca vão correndo até onde começaria a floresta, que inesperadamente é cheia de árvores com raízes rasteiras acima da superfície, impedindo Thon, que estava mancando, conseguir continuar andando. O sol estava quase ao seu ápice ao meio dia quando eles decidem parar para descansar, Mr.Handy por livre espontânea vontade decide procurar em volta, pois ele já sabia que eles iriam pedir para o “robô cobaia” fazer coisas perigosas que eles não queriam se arriscar:

 

[Mr.Handy - Replay]: “Se é água o que vocês precisam para se refrescar, comida para se empanturrar, e um abrigo para descansar, deixem comigo… ” - fim do replay - “FOD…M-SE… érgh digo, eu posso ajudar, hehe!” - Gira a mão robô - “Fiquem ai, baianos!”

[Thon - Confuso]: “Um momento, o que disse!?”

[Mr.Handy - Charisma]: “É piada, meu bom senhor… confia…” - bate a mão de robô na lataria de leve - “Velho.” - tosse cobrindo essa última palavra.

[Carlos]: “Eu ti sigu, Mr.Randersson. Eu tambem queru ajudá.”

[Mr.Handy]: “Você fique aqui, senhor Criança. Eu irei olhar em volta enquanto vocês hibernam.”

 

Carlos fecha a cara para Mr.Handy, e rediz a frase: “meu propósito é salvá todas as pessoas qui eu conseguír, nunca mais eu quero perdê ninguém queridu”. Carlos olha para Thon e diz:

 

[Carlos - Confiante]: “Thon, eu precisu voltá para vê como qui está o VeJorge, mi empresta a sua arma!”

 

Thon se senta no chão, se aconchegando perto de uma árvore, olha para a cara de Carlos e diz:

 

[Thon]: “Filho, me desculpe mas… você é retardado?”

[Carlos]: “AN?!…”

[Thon - Cansado]: “Olha… uso ela desde que tinha nove anos, se alguém sabe usar essa arma… essa pessoa sou eu. Olha… droga, eu não quero ser chato mas tenho de ser firme…” - Suspira - “o VeJorge… ele já está morto, se quiser ajudar, me ajude a proteger a Bianca.”

 

Carlos abaixa a cabeça, se ajoelha no chão e diz: “Cê acha memo? Tu acha qui eli tá morto Thon?” - Diz com os olhos quase lacrimejando. Thon encosta-se na árvore e replica: “Ele pode até estar vivo, mas é a mesma chance de uma moeda cair e ficar reta…”.

 

Carlos escuta com atenção e segura suas lágrimas, ele pensa um pouco, e entende… não há nada mais a ser feito, sua expressão agora é de desesperança.

 

[Mr.Handy]: “CARA-… ora onde estão os meus modos. O clima esquentou pelo jeito, eu consigo sentir nos meus sensores de temperatura. E sim, Carlos, isso é uma metáfora, eu estou saindo, boa tarde e até um outro dia.”

 

Mr.Handy se vira e sai voando pelo meio da floresta.

 

[Carlos - confuso falando consigo mesmo]: “Qui qui é uma metórefa?”

[Bianca - acenando]: “Até Senhor Robô, ache um ovo de cão pra mim, por favor.”

[Carlos - Rindo colocando as mãos na barriga]: “Ovo de cão?! HAHAHHAHAA, ela acha qui eles nascêm di ovos…. Ela acha qui… HAHAHAHAHAHAHA” - olha para lado e começa a exalar ar perdendo o fôlego.

[Bianca - Confusa com a mão no queixo]: “… E… da onde vem os cachorros, Carlos?”


 

POV de Mr.Handy indo explorar:

 

Passando pela floresta assobiando uma música e reproduzindo ela logo em seguida, quando começa a escutar um barulho estranho mais adiante nota que era uma borboleta pousada a algumas árvores dali, ele pensa: “Mas que belo inseto das asas azuis é essa borboleta…” e se desloca até em direção a ela, quando ela sai voando junto com a brisa, sem ele poder visualizar mais de perto. Logo ele nota um outro barulho, mas dessa vez em direção a torre, ele vai se aproximando da torre, se escondendo atrás das diversas árvores. De repente, ao se esgueirar, um pássaro sai da copa de uma árvore fazendo razoável barulho com o bater de suas grandes asas; Mr.Handy se assusta e pensa consigo mesmo: “Ave! Não se esconda mais dos meus sensores ópticos!”

 

Ao seguir o barulho percebe que há uma cerca enferrujada; ele corta com sua serra com facilidade e avança. Quanto mais ele avança, um som familiar na floresta aumenta e ele nota que é algo que contorna a torre.

 

Tendo contornado um pouco ele finalmente encontra a origem do barulho: Uma correnteza forte fluindo para a direção da Torre; Dado o fato, sem dúvida alguma, essa correnteza era utilizada para alimentar aquele lugar com água fresca.

 

Mr.Handy decide chegar mais perto para averiguar. Com sua mão, que é parecida com uma garra articulada de dois pontos, ele então pega um galho e corta outros pedaços de arbustos com sua serra para fazer uma camuflagem. Se cobrindo com folhas ele parte voando para mais perto da torre. Ao chegar percebe de fato que é uma base militar não muito grande, ele então decide simplesmente voltar até Thon e Carlos para reportar que poderiam pegar água do rio.

Após uma hora, Mr. Handy volta extremamente empolgado com o seu propulsor oscilando e girando como uma bailarina.

 

[Mr.Handy - Charisma]: “Eu achei! Eu achei, senhores!”

[Thon - Confuso]: “Achou o quê?”

[Bianca - Com os olhos arregalados]: “Mr.Handy! Você conseguiu? Onde está ele?” - Procura em volta - “Cadê o meu cachorrinho?”

[Mr.Handy - empolgado]: “Não foi isso que eu achei, mas sim ÁGUA de um rio! Sim, podem me agradecer.”

[Carlos]: “Du… rio?!”

 

Mr.Handy vira e diz: “FOI O QUE EU DISSE, SURDOS! VAMOS, PASSEM DESENGRIPANTE NAS SUAS JUNTAS ENFERRUJADAS, ME SIGAM.”

 

[Thon - colocando a mão na cara]: ”Sério? De um rio? Entende que a água é radioativa, né?”

[Bianca - empolgada]: “MR.HANDY!” - levanta os braços para abraçá-lo - “Eu estava com sede, MUITO OBRIGADA!” - Sorri - “Vamos lá!”.

 

Bianca começa a andar em direção a Mr.Handy, mas Thon coloca o braço em seu tórax, de modo a impedir de avançar.

 

[Thon - preocupado]: “Calma pequena, lagos podem ser radioativos.” - 

 

Bianca olha para ele e fica triste.

 

[Carlos]: “Mas dis ai senhor robo, ondi é esse lago, talveis nóis podamus coletá a água i filtrá…”

[Mr.Handy]: “Ah sim, Senhor Carlos, fica bem pertinho…” - aponta para a torre - “...dali!”.

 

Thon suspira enquanto Carlos senta no chão com a cabeça baixa, Bianca sem entender pergunta para eles:

 

[Bianca]: “Aaaahn…? O que foi?”

[Thon]: “O lago pertence às pessoas de lá, não podemos mostrar nossa face, se não…”

 

Mr.Handy simplesmente finge suspirar e diz: “Certo, parece que eu sou só apenas uma ferramenta aqui”

 

[Carlos - Confuso]: “Comu assin?”

[Mr.Handy]: “Ei velhinho, me passe um recipiente!”

[Thon - bravo]: “Quem você chamou de velho?! Que recipiente?”

[Mr.Handy - Voz de robô grossa]: “QUALQUER UM PRA GUARDAR ÁGUA!”

 

Thon tremendo começa a tentar puxar Carlos e diz com a voz trêmula:

 

[Thon]: “Carlos, me passa aquela bolsa”

 

Carlos entrega a bolsa para Thon, que tira então um cantil com o simbolo da vault 199 e entrega para Mr.Handy:

 

[Mr.Handy - Voz calma]: “Esplêndido, foi muito bom ter levado as coisas da vault 199, concordam Senhores? Agora se me permitem, eu tenho que buscar água para vocês, principalmente para a pequenina Bianca. A distância é de aproximadamente 2 quilômetros, volto já.” - Disse quando se virou e começou a ir em direção ao tal lago.

 

Carlos se senta no chão junto com Thon e começam a discutir sobre o que acabou de acontecer:

 

[Thon - incrédulo]: “Esse robô, acabou de me intimidar para nos ajudar?”

[Carlos - Incrédulo]: “Ele é memô um robô doméstico qui o VeJorge disse?” - Foca sua visão em Mr.Handy se distanciando, depois olha para Thon - “ah, comu qui tá ô seu juelho?”

[Thon - coloca a mão no joelho]: “Eu acho que… droga, acho que está fora do lugar, escuta o barulho…”

 

Carlos começa a negar com a cabeça, com as mãos e dizendo que não, logo olha para cima com as mãos nas raízes, onde eles estão sentados descansando e diz:

 

[Carlos - Curioso]: “Ei Tom, qualé a sua história? digu, eu ti conheço a um mêis mas desdi então nada…”

[Thon]: “… Eu prefiro não falar sobre isso, certo?”

[Carlos - Sem jeito]: “Ah sim, eu veju… acho qui nóis dois temô coisa pra guardá intão” - Suspira.

 

Bianca andando sem parar perto da onde eles estavam, catando pedrinhas e arremessando, volta e começa a vasculhar a mochila de Thon. Ela revira todos as coisas quando encontra um livro, ela pega e começa a virar-lo de um lado para o outro, amassando as folhas sem entender o que era; ela pergunta para Carlos se ele sabia o que era:

 

[Bianca - Confusa]: “hmmmmm… o que é isso?”

[Carlos]: “Issu é um livru. Pareci qui é da Vauti 199, olha tem até u portão com o numero na frenti.”

[Bianca - Confusa mas empolgada]: “Hmmmm vault… O que é essas coisas no… livro?”

[Carlos - Confuso]: “Bom… é as palavras…”

[Bianca - Empolgada]: “Então você entende essas coisinhas no livro?”

[Carlos - sem jeito]: “Eu sei… mais eu tô enferrujado, melhó deixá issu com u Tom.”

 

Bianca pega o livro da mão de Carlos e segura na frente de Thon, com um brilho nos olhos ela pergunta se ele pode ler o livro:

 

[Thon - cansado]: “Bianca-- Eu estou cansado, talvez mais tarde, certo? Meu joelho está me matando depois de todo esse esforço.”

 

Bianca desvia seu olhar em decepção e se vira para guardar o livro, quando ela guarda o livro Carlos decide dar uma olhada mais detalhada na maleta do tal G.E.C.K. Ao abrir ele percebe que cai um manual no chão, ele tenta ver o que estava nesse amontoado de folhas mas era, de fato, apenas letras que ele não conseguia ler. Ele percebe que há um diversas embalagens com rótulos nas tampas e que há um reservatório com containers guardando diversas sementes e suas respectivas fotos quando amadurecida. Como ele não sabia o que fazer, ou melhor, ler, ele decide apenas deixar fechada. Ao guardar a maleta ele nota Thon limpando sua Colt .45 ACP e olha para seus braços cheios de ralados e então sua mão e começa a pensar no quão impotente ele estava na situação, fazendo o cerrar os punhos com muita força e ele diz para Thon:

 

[Carlos - De cabeça baixa]: “Ei Thon, voce diz pra eu protegê a Bianca né? entaun eu precisô de uma arma também.” - diz num tom baixo, mas com confiança.

 

Thon nem olha para Carlos quando diz: “Filho, faça o que você quiser.” e continua a limpar a arma, quando ele apenas conclui a sua frase: “Só não toque na minha arma.”

 

Carlos decide vasculhar um pouco na bolsa de Thon quando ele encontra um cilindro de metal e então ele pergunta o que é, mas é imediatamente interrompido por Thon fica extremamente irrado de Carlos mexendo em sua bolsa

 

[Thon - irado]: “O que você acha que está fazendo mexendo nas minhas coisas?!”

[Carlos - assustado]: “O qu-- eu só… eu só queria saber o que tinha, a Bianca estava também então…”

[Thon - irado]: “Guarde no local onde achou!”

Carlos fica de cabeça baixa mas então levanta o tom de voz:

[Carlos]: “EU SÓ QUIRIA SABÊ O QUI É ISSO, EU NÃO VÔ ROUBÁ NADA OU QUEBRÁ… agora mi dis o qui tá escrito aqui.”

 

Carlos entrega o objeto para Thon e ele lê:

 

[Thon - forçando a vista]: “Ellionor… Ca-Carne… Moida… Enlatada. Pronta. pa--ra. comer.”

[Carlos - olha para a Bianca]: “Já é quasi meio dia, né.” - Cobre o sol com a mão e olha para cima - “Ela precisá comê alguma coisa...”

 

Carlos pega a lata puxando-a da mão de Thon e diz num alto tom: “Biancaaaa!”. Ela vem pulando as raízes e pergunta:

 

[Bianca]: “O que foi, Tio?”

[Carlos - se ajoelha empolgado]: “Você tá com fome, né?”

[Bianca - acena com a cabeça]: “Sim.”

[Carlos - empolgado]: “Qué comê carne?”

[Bianca - arregala o olho]: “Sim, sim, sim! mas… como que vai ter carne?”

[Carlos - empolgado]: “É que graças o Thon, tem carne nessa coisa chamada de lata, ele guardou para você!”

[Bianca - confusa e incrédula]: “Tem comida no copo?” - coloca a mão no queixo - “Achei que era para usar para beber água ou brincar de chutar”

[Carlos - Ri]: “É eu tambéim achava qui era só um copo, mas olha” - coloca a lata nas mãos de Bianca - “Pesado né não?”

[Bianca - empolgada]: “Mas e como a gente vai comer a carne?”

 

Carlos fica confuso e olha para Thon:

 

[Carlos - confuso]: “Sempre qui eu vi uma era com a tampa aberta, como qui abre?”

 

Thon deixa o trapo que ele estava usando no chão com a sua arma em cima e pede para o Carlos dar a lata:

 

[Thon - cansado]: “essa é uma que sem que se abrir na marra, utilizando uma faca por exemplo, tem outras que você puxa com um… com uma coisa em cima. Me passe a minha faca Carlos.”

 

Carlos anda até a bolsa e retira a faca e a entrega para Thon. Ele com a faca bate na empunhadura com a ponta na lata, abrindo pouco-a-pouco e Carlos presta toda atenção possível nesse ato.

A lata é aberta e é visto uma carne em pedaços com um cheiro bom, ou melhor, diferente e único.

 

[Carlos - empolgado]: “Ai tá a carne.”

[Bianca - incrédula]: “Isso é carne?”

[Thon - cansado]: “Sim, eu já vi antes, mas a pergunta é como a Bianca vai comer?”

[Carlos - confuso]: “Qui qui você qué dizê com isso?”

[Thon - cansado]: “Não da para comer utilizando só as mãos”

[Carlos]: “Ah…”

 

Thon pega a lata e com uma certa força faz a tampa ficar parecido com uma colher, dobrando-se duas extremidades:

 

[Thon - cansado]: “Pronto, só cuidado para não encostar nos lábios, pequena. Pode cortar.”

 

Bianca pega a tampa e enche com carne e coloca na boca, mas ao mastigar ela faz uma cara feia mas continua mastigando até engolir, ao engolir ela diz: “Eeeehwn. Isso não parece carne”. Thon diz que seria melhor esperar o Handy voltar para esquentar a lata e tem o seguinte diálogo com Carlos:

 

[Thon - desajeitado]: “Filho, eu sei que você passou por muitas coisas e está tentando não demonstrar fraquezas, mas eu também tenho.” - olha para o lado, desfocando de Carlos - “Me desculpe.”

 

Depois de aproximadamente cinquenta minutos, Mr.Handy volta com o cantil em “mãos” e Carlos agitado começa a chamar a atenção de Mr.Handy com a lata de carne em mãos. Quando Mr.Handy para, os dois, Bianca e Carlos começam a falar um cortando o outro. Carlos perguntando como eles poderiam esquentar a lata e filtrar a água do cantil, Bianca apenas repetia os finais das frases de Carlos.

 

[Mr.Handy - Carismático]: “Que tal vocês começarem a fazer quem sabe… uma fogueira.”

[Carlos]: “Sim, mas—” - dizia quando foi cortado por Thon.

[Thon - cansado]: “Se a gente conseguisse fazer, você acha que nós não já teriamos feito?”

 

Mr.Handy fecha seus três olhos robóticos fingindo que está pensando quando Thon apenas brada: “Sua mão que cospe fogo, robô!”. Mr.Handy estica o braço de ignição de fogo e apenas bate com a sua “mão” em sua lataria e diz: “Como eu pude esquecer, é claro!”. Thon apenas balbucia “tsc tsc” e diz:

 

[Thon]: “Você é bem excêntrico para um robô que limpa movéis…”

[Mr.Handy - Sarcástico]: “Excêntrico? Só diria que a General Atomics junto com a ZAX fez um bom trabalho…”

 

Bianca toda empolgada pergunta para Mr.Handy como se faz fogo:

 

[Mr.Handy - Carismático]: "Primeiro você pega dois gravetos, esfrega um no outro ou… você tem isso!" - Liga o braço lança-chamas virado para cima.

 

Bianca, surpresa, bate palmas e pula muito agitada pelo fogo criado em um instante por Mr.Handy, mas se distancia por medo. Carlos que já estava pegando gravetos para a fogueira, despeja tudo ao lado e os agrupa em forma de monte; Mr.Handy cria uma pequena chama bem no centro e a madeira começa a queimar. Carlos coloca a lata de carne num vão entre os gravetos e então é exalado o odor de carne. Bianca começa a rodopiar em volta de uma árvore, de maneira a celebrar a vitória, Carlos também estava feliz, mas ele estava muito nervoso com os acontecimentos recentes. Após alguns minutos, Carlos tira a lata usando sua roupa como luva para não queimar as mão e deixa esfriando no chão, Bianca não aguentava mais e fala com Carlos:

 

[Bianca]: “Eu já posso comer? Eu tô com TAAAANTA fome Carlotinhos.”

[Carlos]: “C~e tu comê agora, tu vai queimar o bico dum jeito que.. ahhaha.”

[Bianca - teimosa]: “Eu assopro!”

[Carlos]: “Cê tu diz, tá bão então.”

 

Carlos se afasta um pouco da lata e Bianca começa a assoprar de longe, quase não chegando nada na lata. Carlos diz: “Achu qui dess’ jeitu vai cê dificil.”. Após muito sopros, Bianca finalmente consegue pegar a lata e prepara para uma “colher” cheia, e assim ela faz, porém, ao mastigar um pouco ela faz uma cara de insatisfeita, mas como estava com muita fome ela apenas continua.

 

[Carlos - Preocupado]: “Ainda têm algu erradu?”

[Bianca - Com a cara sem expressão]: “Essa carne tá diferente, tio…”

[Carlos - Confuso]: “Diferente? …”

 

Thon está observando a conversa dos dois.

 

[Bianca]: “Tio, você não come faz tempo, não é? Aqui” -Estica a mão segurando a lata - “Um pouco para você.”

 

Carlos confuso, mas com muita fome aceita e prepara um colher cheia e mastiga, ao engolir ele percebe. A carne estava com uma textura estranha, provavelmente por sua data de validade ter passado do limite máximo, mesmo sendo enlatado. A carne em si não estava nem com o gosto e nem com a aparência de estragado mas não tinha gosto nenhum, era como comer pequenos pedaços de isopor. Mr.Handy não entende o porquê deles fazerem aquelas caras e diz com um tom carismático: “O que foi? A carne enlatada da Ellionor é a melhor de toda a Itália! Era o preferido de todos antes de… bem, vocês sabem…” - barulho de bomba caindo - “…BOOM.”, Carlos olha para Bianca e diz: “Sabi o qui faria issu ficá melhor? Uma salada...”

 

[8 horas se passam - atualmente 9 pm]

 

Está um brêu total, felizmente graças ao Mr.Handy eles tinham fogo para se aquecer de noite. Thon ainda estava acordado prestando atenção ao seu redor e Carlos e Bianca estão dormindo, quando Carlos começa a se revirar de um lado para o outro; Ele começa a balbuciar dormindo, como qual se tivesse tendo um pesadelo:

 

— “Não, não vai vô. Fique em casa-- Eu sei que nós precisamos de comida mas eu-- Otávio, convença seus pais que el-- E quem vai cuidar de nós, Otávio? … Otávio, por que eles não voltaram ainda? eu estou ficando com medo deles não voltarem.”

 

Thon fica olhando Carlos virar para um lado e para outro, continuando dizendo enquanto dormia:

 

— “Boa viagem Otá e Vejorge, voltem lo-- Como assim, Vejorge? O que você quer dizer com o-- Não, não, não, você está mentindo.” - Carlos começa a aumentar o tom - “Ele não morreu, Otávio não morreu! O Otávio, ele está--” - disse essa frase quase como se gritasse.

 

Carlos acorda bruscamente, hiperventilando e olhando para os lados. Thon olha para ele e continua de guarda, prestando atenção para que nada se espreitasse em volta. Carlos pede desculpa; Thon apenas coloca o dedo nos lábios e fez “chiu”, “Fique quieto! À noite os bichos se tornam mais intensos”, acrescentou. Carlos confuso, pergunta sussurrando e assim também faz Thon, replicando:

 

— “Us bichos? Du qui cê tá falano?” - perguntou extremamente confuso.

— “De manhã, os animais estão mitigados, de forma que procurem abrigo. Ao anoitecer, ao contrário, eles procuram rastros de suas presas. Nós estamos num principal habitat para a vida selvagem, uma floresta densa.”

— “I por que nois estamus acampando de noite aqui?”

— “...Eu não consigo mais andar” — suspirou profundamente — “Eu tentei mas... a dor se tornou insuportável, acho que foi o preço de todo esforço constante até chegar onde estamos.”

— “Mas-- mas i agora, u qui faremos então?”

 

Thon fica em silêncio ignorando todas as perguntas, fazendo Carlos voltar a ficar deitado no chão. Virado de lado, oposto a Thon, Carlos começa a lembrar das memórias dele por causa de seu sonho, que mais se definia como um pesadelo produzido pelo stress das situações que ele estava passando e reprimindo para si; Ele se lembrava no dia em que encontrou seu cachorro Caramelo junto de Otávio, quando eram crianças. Ambos estavam brincando em volta da casa quando escutaram um choro minguado vindo de um pouco de longe. Dialogando, Otávio decide ajudar Carlos, “Só não vamô muito longe, tá bão?”, acrescentou Otávio, precavido; Ao seu amigo, Carlos acenou a cabeça confirmando.

 

Após alguns minutos procurando, Otávio encontra um velho lixão e a cada passo que ele dá, o choro se torna mais alto. Ele então se depara com uma cena trágica, quase cômica. Otavio pensou - ok estou vendo o rabo do cachorro debaixo dessas tábuas, um pouquinho mais pra frente estão algumas penas, e no céu... Ele olha para o céu e vê aves sobrevoando o lugar. Carlos chega no lugar logo após.
 

[Carlos]: “Achô eli Otávio?!”

[Otávio - percepção]: “Acho que entendi… o choro é di um cãozinho que entrou no lixão e começou a correr atrás dos pássaros, mas deu tempo deles voar até o topo do lixão, porém um deles não se sentiu ameaçado e só decidiu correr… depois de um tempo o cach-”

[Carlos - impaciente]: “Fala lógu de uma vez ‘Távio!!!”

[Otávio]: “Pera Carlão, como tava dizendo… o cachorro conseguiu alcançar ele, porém pra isso ele se pôs em risco indo no buraco que não cabia e na hora que passou por baixo se esbarrou nas madeiras… e depois o pássaru só ficou ali na lata olhando até que…” - Tentou segurar o riso e apontou para o céu, com algumas penas caindo

[Carlos]: “o gavião pegô elas hahahaha.”

Ambos caem na gargalhada. Otávio se dá conta e brada para Carlos: “Péra… u cachorro!”

 

Os dois se entreolham e perdem o fôlego de gargalhar novamente. Otávio dá um tapa na costa de Carlos e diz: Tá agora chega, me ajuda! Os dois removem as tábuas de cima do pequenino, era quase como se coubesse na palma da mão de um homem adulto;
 

Eles voltam para casa e está lá apenas o avô de Carlos; Otávio começa a dizer: “Nós encontramos um--”, porém Carlos fez “chiu!” bem alto, o avô de Carlos pergunta o que tinha acontecido e o que eles estavam a esconder, porém, quando Carlos, ia meter o pé, seu avô começa a tossir intensamente fazendo ele ficar com a consciência pesada, pois estavam mentindo pro seu avô que está com a saúde bem debilitada, mal conseguindo falar direito. Eles começam então a explicar:

 

—  Então… nóis achamos um cachorrinho qui táva preso — disse Carlos enquanto Otávio o escutava e acenava com a cabeça.

—  E onde está o animalzinho agora? — perguntou empolgado o avô, com uma voz rouca.

— Ele tá preso no segundo andar lá no quarto do pai do Carlos, Seu Armando - disse Otávio.
—  Ainda bem que vocês encontraram algo, eu achei que passaríamos mais um dia com fome. — disse, casualmente, Armando.

 

Carlos escuta a frase de seu avô e congela, olha para Otávio, que também entendeu o que ele quis dizer e pergunta para seu avô de volta:


—  Qui qui cê qué dize com “encontraram algo”, Vô?

—  Ué, vamos comer ele! Só aquela plantação não está sendo o suficiente, aliás, foi muito bom aquele dia em que vocês caçaram lagartixas.

—  Ma-- mas vô, cachorrinho não é pá comê…

—  Claro que é! — disse, furiosamente — Carlos, nós estamos a muito tempo com só o mínimo do mínimo! Foi por isso que todos os outros saíram, para buscar comida! Caso nós não comamos, nós ficaremos sem forças. — tossiu.

— Não, num é pá comê u meu cachorrinho!
 

Carlos sai correndo, abre a porta da frente com tudo, Otávio começa a seguir ele. Carlos, com o filhote na mão, corre para fugir; Otávio indo atrás dele começa a hiperventilar e a gritar para ele: “HEY! PAR-- PARA OND-- VOCÊ TÁ INDO?”. Carlos para de correr e olha para Otávio, fazendo ele parar de correr também.
 

— Carlos… o que você vai fazê? Ú seu avô tá certo no final…

— Chiu Otávio, eu sei qui nois tá com apenas um pouco, mas eu não quero qui o cão filhote morra! - lágrimas começam a escorrer no rosto de Carlos.

— Eu também não quero dá o cachorro pá virá comida. — disse Otávio, de cabeça baixa e passando o pé no chão para frente e para trás.
 

Carlos então pergunta para Otávio se ele queria esperar um tempo e prender o cãozinho no esconderijo secreto deles, que era uma casa destruída não muito longe dali; Otávio concorda e eles vão lá e acabam tirando uma soneca. Quando acordam está de noite, e acabou que eles dormiram boas horas ali com o cachorro e como estava gelado demais, eles decidem voltar com o cachorro para casa deles. Ao chegar perto da casa eles começam a se esgueirar, tentando abrir a porta e chegar até seus quartos sem fazer barulho e o avô de Carlos, senhor Armando, estava no mesmo lugar. Já no quarto, os dois estavam quase dormindo quando o cachorro começa a uivar, como ele é filhote, o som é bem estridente por ser agudo, o que acaba acordando alguns… Carlos abre o olho em pânico e segura a boca do cachorro firmemente para não fazer barulho e ele pergunta para Otávio: “Será que ele escutou?”, talvez, respondeu Otávio. Carlos entrega o cachorro a ele e decide ir averiguar e encontra seu avô ainda dormindo na cadeira e começa a tentar acordá-lo, para que vá dormir em seu quarto, entretanto, não teve nenhuma reação.

 

    No outro dia, ele e Otávio entenderam o que tinha acontecido, seu avô havia morrido e sangue seco manchava seus lábios e em sua camisa azul amarelado desbotado. 

Lágrimas escorriam de seu rosto por lembrar dessas memórias de anos atrás, assim como vivia de acontecimentos do presente, seu melhor amigo, que era como seu irmão havia morrido, e que seu cachorro Caramelo, logo após alguns dias, igual Otávio, havia falecido. Ele limpa as lágrimas e vira o rosto bem lentamente e percebe Thon passando na área dos olhos sua roupa e novamente entende que não há uma pessoa sequer ali livre de tristeza, ele vira pro outro lado e fecha seus olhos; a melancolia só se esvai quando sua consciência descansa…

 

[8 horas depois - atualmente 6 AM]

 

    Os três haviam adormecidos, Thon tinha insistido que ficaria de vigia, porém pelo cansaço acumulado dos dias anteriores, uma hora Thon acabou afundando em memórias antigas e por conseguinte paranóias, 

 

Thon estava encostado na árvore, suas pálpebras lentamente se retraíam e ele ia perdendo a noção do espaço, ficando cada vez mais sem energia. De repente um som de galho sendo quebrado ecoa bem perto deles; sua mão estava em cima da arma, e em um piscar, ele já está a segurando firmemente, com o dedo encostado ao lado do gatilho em alerta. Ele aguarda um segundo esperando um novo som, e então se vira com tudo e atira no espaço onde ele julgara vir o barulho, acordando Bianca e Carlos com o barulho do projétil disparado.

 

[Carlos - Gritando]: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!  

[Bianca - Gritando]: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

 

Thon acerta… nada, pois estava terrivelmente cansado e mal conseguia distinguir o que ou quem estava ali por perto. Thon sabia que havia algo esgueirando nas árvores, porém não conseguia enxergar nada. Thon pensou: “AH DIACHOS, ONDE VOCÊ ESTÁ MALDITO?! EU JURO… EU VOU DAR CHUMBO DE FERRO”

 

[Thon - Gritando ferozmente]: “PARA TRÁS, EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AI!”

[Bianca - Chorando e confusa]: “Thon, o que está acontecendo?”

 

Aos poucos os barulhos de longe iam se tornando mais próximos, Thon atirou para todos os lados de forma a intimidar, e quando a munição de seu pente acabou, seis homens fardados cercavam o grupo, todos apontando para Thon, que ameaçou recarregar porém congelou quando cinco dos homens apontaram para Carlos e Bianca, fazendo Thon então se render; Thon coloca as mãos para cima e os homens revistam-os, até mesmo Mr.Handy, que não esboçou resistência alguma, na verdade ele olhou para Thon e então para os homens:

 

[Mr.Hanny]: “Haha, até um outro dia.”

[Thon - Sem expressão, confuso]: “An?”

 

Mr.Hanny, planando com seu torso claramente inclinado para cima, dando um ar de arrogância.
 

[Thon]: “Mr. Hanny?”

[Mr.Hanny]: “Temo que os cavalheiros aqui tenham mais condições de me bancar, logo eu, um exemplar de Mr.Gutsy com gentalha como vocês - *pfttt* - é ou não é de cair a rebimboca da parafuseta, senhores soldados?” - esnobou de Thon, gargalhando.

 

Os homens começam a dialogar:

 

— Tudo seguro, apenas o homem alí, — apontou para Thon. — estava portando uma arma.

— O que fazemos com o robô? - perguntou outro soldado.

— Tragam ele junto dos demais de volta para a base, o senhor Martins  disse que devemos trazê-lo ileso. — disse um soldado com um traje diferente dos outros.

 

[Carlos - Desesperado]: “espe-pera aí, ôces não vão nos matá?” - perguntou mas os homens nem olharam para ele.

 

    Bianca começa a chorar, e então os soldados tomam para si as mochilas de Thon e Carlos e pedem para os três ficarem de pé em fila, para que fossem guiados em silêncio. Thon não conseguia ficar de pé, então os soldados amarraram ele e ajudaram ele ir andando mancando.

    Eles adentram mais a floresta até chegar a parte cercada, aquela onde Mr.Handy havia feito um buraco com sua serra; Um dos homens riu e disse: “O Robô abriu um buraco na cerca e deixou um rastro preto de raíz queimada…” e então começam a rodear a cerca, Bianca com medo pergunta para Thon — “para onde nós estamos indo?” — e um soldado que estava ajudando Thon a andar chama a atenção de Bianca e aponta para a torre. 

 

Passando meia hora, eles chegam num portão no qual o soldado com a roupa diferente abre usando uma chave. Após entrar, eles seguem uma estrada de cascalho.

 

Ao chegar de frente com a base, eles param, pois havia o rio que fluía ao redor da base, era fundo e a correnteza era forte demais para atravessar de pé; Thon confuso pela espera, pergunta para os soldados, mas eles, novamente, nada respondem. De repente uma ponte do outro lado do “fosso”, sustentada por correntes, começou a se deslocar até eles, para que pudessem caminhar e atravessar.

 

Bianca e Carlos ficaram surpresos com o quão grande eram as duas torres e todos continuaram até chegar num outro portão; esse era sólido e maciço, diferente do outro, que era de grade. Todos ali param em frente ao portão e esperam alguns segundos. O portão se abre e eles entram numa parte onde havia outro portão adiante, o primeiro portão se fecha e um dos soldados aponta para o lado, onde havia mais dois homens que faziam o controle de o que entra ou sai e diz:

 

— Façam algum movimento brusco ou estranho e irão morrer, portanto fiquem em fila organizada. 

 

    Mais alguns segundos se passam dentro daquele corredor selado e então abre-se a eles o portão que estava à frente, fazendo-os contemplar todas as construções, as crianças correndo nas escadas, escorregando nos telhados, homens marchando na área, mulheres levando baldes em suas cabeças e estendendo roupas.


 

Carlos desnorteado e cansado, vê tudo aquilo e tem alucinações de seu lar, seus olhos se abrem, um guarda o acorda jogando água em seu rosto, ele vê a imensidão do local, e também sua beleza, porém os olhares ao redor, não eram nada agradáveis.

Bianca está tossindo de tanto chorar, ela acredita que os três serão presos e depois mortos.

 

Os soldados, passando em frente a uma feira, param numa tenda e roubam algumas frutas de uma mulher já idosa que não esboçou nenhuma reação, apenas aceitando com um respirar fundo.

 

Dois soldados começam a conversar só entre si e então dão uma risada

 

[Bianca - chorando]: Carlos? Por que eles estão cochichando enquanto olham pra gente? Por quê?

[Carlos - sendo arrastado]: Bianca, apenas siga o que eles disserem, e tudo vai ficar bem.

 

De repente um soldado puxa Bianca para o lado, separando ela de Thon e Carlos.

 

[Bianca - chorando]: Carlos, me ajudaaa! - gritou estridentemente.

[Carlos - ]: Bianca, eu vô... - sua boca é amordaçada por um soldado.

 

Os dois são levados para trás de um prédio e então os soldados colocam sacos pretos em seus rostos, levando ambos arrastados para um prédio. Bianca, que estava sendo levada separada, começa a chorar, quase soluçando de tanto medo da sua própria vida e dos outros que foram levados também.

O soldado a leva até uma casinha, bate na porta e depois de alguns segundos uma mulher sai, olha para a cena e se assusta.

 

[Homem]: Aqui, uma criança de um grupo de andarilhos. Cuide dela até que seja resolvido…

 

Bianca tremeu quando ouviu essa frase.

 

— “O que você quer que eu faça? Vocês nunca trouxeram uma criança para base.” - disse a mulher

 

[Homem]: Apenas…

 

Quando ele iria falar, uma moça mais jovem sai pela porta, e ao ver o soldado segurando Bianca pelo braço, empurra-o para longe para soltá-la.

 

[Moça]: “Marta, o que está havendo aqui? Por que a coitadinha está com um saco preto na cabeça!?”

 

O homem para no lugar onde a moça o havia empurrado e logo Marta-a repreende:

 

[Marta - cochichando]: “Tá é doida menina!? Você se importa tanto com as crianças e faz isso, arretada? Vai mata’ todo mundo desse jeito!”

 

Danielly se ajoelha até ficar na altura de Bianca, tira o saco que cobria sua cabeça e diz: “Calma, calma querida, eu não vou deixar eles te machucarem. Como você se chama?”. Bianca nada responde, apenas permanecendo com um semblante vazio de qualquer emoção. De repente, Danielly abraça-a:

 

[Danielly]: “Ah, minha querida, eu consigo ver o sofrimento no seu rostinho, mas vai ficar tudo bem” - ela então começa a chorar no ombro de Bianca

[Bianca]: “E- E-” - Bianca não consegue falar.

[Danielly]: “Pode falar, eu estou ouvindo…” - acariciando suas bochechas

[Bianca - Tom de fala aumentando] “E-E-Eles, vão morrer… também?

[Danielly - Irada]: “Olha o que você fez seu maldito, ela está toda ensanguentada, claramente saiu de um tiroteio e você trata-a como lixo?! Venha cá seu maldito.

 

O soldado não se move, Danielly dá um soco em seu peito, e ele continua imóvel, lhe retribuindo com uma coronhada na região parietal de seu crânio, derrubando-a no chão, onde se mantém imóvel pela dor… enquanto lágrimas caem de seu rosto.

 

Bianca ainda chorando corre atrás de Danielly, se ajoelha para ver se ela está bem, o soldado dá um passo para trás se preparando para chutar Bianca, nesse mesmo momento, um homem chega e coloca sua mão no ombro do soldado, impedindo-o de prosseguir:

 

[Homem - Incrédulo]: “O que vai fazer filho?”

 

O soldado engole a seco e dá dois passos para trás e fica em silêncio.

 

O homem pega o rifle do soldado, que permaneceu quieto sem esboçar relutância. Ele olha para Bianca e rapidamente ajuda Danielly que está no chão, a levantando:

 

[Danielly - atordoada]: “Se-senhor Matías, o que fazes aqui?”

[Matías]: “Não se preocupe, eu sou quem pede perdão pelo ocorrido.” - olha para o soldado - “Tratarei desse assunto logo. Venha, eu te ajudo a se levantar, vamos para o enfermaria; temos que cuidar desse seu machucado e verificar se está tudo bem com essa menininha” - ele olha para Bianca - “peço desculpa por tudo o que você viu, espero que não ache que somos assim, como animais” - diz enquanto encara o soldado - “De qualquer modo, seja bem vinda querida, Danielly cuidará de você, está tudo bem agora, eu lhe prometo pequena. Eu aposto que você veio com os dois que estão me esperando na torre, não é?”

 

Bianca acena com a cabeça.

 

[Matías - sorrindo levemente]: “Irei conversar com eles, pacificamente.” 

 

Ele então olha para Marta e diz: “E você… fique longe dela, entendido? Agora volte ao seu ofício.”

 

Matías ajuda carregar a moça junto de Bianca, que ia caminhando ao seu lado, segurando sua mão; ela estava aliviada com relação aos seus familiares, pois sabia que o encarregado de suas vidas, era o homem que tinha salvado a sua pele, porém estava preocupada com Danielly, que se arriscou para cuidar dela. Os dois seguiram até um grande prédio, ao entrar Bianca se depara com diversas pessoas idosas sentadas em camas e mais longe uma área coberta com lenços que impedia a visualização, e nos corredores, de sala em sala, uma mulher correndo com um recipiente metálico, provavelmente procurando por algo. Ao passar do lado de Bianca, ambas trocam olhares e então continuam andando.

 

Matías, na porta do recinto, grita chamando atenção e logo uma das mulheres que estava atendendo um homem idoso termina de conversar com ele e vem de encontro até Matías rapidamente.

 

[Matías]: “Lucy, eu preciso que você cuide da Danielly e veja se há algo de errado com a menininha.”

[Lucy - Preocupada]: “O que aconteceu? Ela está quase sem consciência, meu Deus.“

[Matías]: “Pelo o que eu vi, um soldado tinha batido na cabeça da Danielly com seu rifle e estava indo chutar a menina.”

 

Um idoso que estava perto escutou e logo disse, insatisfeito:

 

— Esses homens marchando por aí, achando que podem tudo, na minha mocidade nós fazíamos de tudo para... - tosse um pouco - para proteger as pessoas ao nosso redor.

 

[Matías - Firme]: “Ele não sairá impune, nenhum deles irá, eu prometo.”

 

O idoso então tosse novamente e diz: “Se é o senhor que está falando, eu acredito.”, logo se deita.

 

Matías entrega Danielly e Bianca aos cuidados de Lucy, e diz que precisa voltar para sua sala.

[Matías - Apressado]: “Tenho de ir, preciso conversar com os visitantes e depois tenho que achar uma forma de resolver o problema hidráulico desse lugar.”

 

Lucy então tenta chamar a atenção dele, mas ele já estava saindo, fazendo o apenas olhar para ela e dizer:

 

[Matías - falando alto]: “Luciana, o dia está ainda muito cedo, deixo sobre sua e de Doutor Sérgio, a responsabilidade de cuidar dessas duas e das demais pessoas aqui. Sei que estão em boas mãos.” 

[Lucy - irritada]: “JÁ FALEI QUE MEU NOME É LUCY, MAT-.” - ele sai do edifício deixando-a falando sozinha.

 

Matías sai com o passo apertado e ao olhar para cima, percebe que o céu está nublado e que o dia provavelmente ficaria ainda mais frio caso chovesse.

 

Matías chega no centro da base e entra no salão principal do antigo QG, ele sobe até o topo da torre onde há um ex-escritório que era utilizado por militares pré-guerra,

 

Um soldado, que estava fumando no para-peito, avista Matías subindo as escadas e tenta acordar seu companheiro, que deveria estar olhando os dois prisioneiros.

 

Ele joga a bituca no vão das escadas e sacode seu companheiro:

 

[Soldado - cochichando]: “Acorda, acorda, o mané chegou.”

 

O soldado acorda assustado gritando:

 

[Soldado]: ”POSITIVO SENHOR.”

 

Matías chegou ao topo da construção.

 

[Matías]: “O que é isso?”

[Soldado]: “Senh...” - interrompido por Matías.

[Matías]: “É assim que eu mandei tratar os visitantes?”

[Soldado]: “Peço desculpas, senhor.”

[Matías]: “Não peça desculpas, melhore.”

 

Matías visivelmente furioso encara o soldado.

 

[Soldado]: “S-senhor? Algo de errado?”

 

Matías pega o soldado pela gola:

 

[Matías]: “Eu, disse, MELHORE.”

[Soldado]: “C-como assi-”

[Matías]: “VÁ PEGAR A BITUCA QUE O SENHOR JOGOU E PONHA-A NO LIXO.

 

O soldado sai correndo pulando os degraus, Matías então encara o outro soldado:

 

[Matías]: “Vamos, meu Deus do céu, retire os sacos pretos deles!”

[Soldado]: “Positivo, senhor.”

 

Thon, que esteve privado de sono, acorda atordoado por causa da luz.

 

[Thon - sem forças]: “Bianca… onde… ond- está?”

[Matías]: “Segura, ela está no hospital, e em boas mãos.” 

 

Thon abaixa a cabeça e fica em silêncio, Carlos acorda lentamente, tremendo de frio.

 

Matías encara os dois, depois assobia para o soldado que estava no para-peito, que correndo, começa a girar uma manivela num mecanismo que começara a emitir um som ensurdecedor. Ele então puxa seu rifle, que ficava ao lado de sua mesa, o carrega, e mira para os dois:

 

—  Vamos começar.

 

Continua no próximo episódio. →

Assinado, Johnny e VeJota

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...