História Another Love - Capítulo 3


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Categorias Wynonna Earp
Personagens Doc Holliday, Nicole Haught, Waverly Earp, Wynonna Earp
Tags Nicole Haught, Wynhaught, Wynonna Earp
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Palavras 2.728
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Capítulo III


NICOLE

As pessoas costumam dizer que os opostos se atraem. Até certo ponto, eu concordo. É preciso especificar quais são os pontos de divergência entre duas pessoas que a levam a se atraírem. Estamos falando de personalidades opostas, de gostos musicais diferentes, de religiões, da maneira como cada uma enxerga as questões existenciais? Acho que depende. No meu caso, sei que sou diferente de Waverly de uma maneira muito peculiar e profundamente íntima. Embora compartilhemos muitos gostos em comum e histórias familiares disfuncionais que contribuíram para moldar nossos caráteres, nossa maneira de lidar com o que nos aconteceu foi diferente. E eu acho que é essa diferença das pessoas em defrontar os obstáculos que define quem elas são.

O que me atraiu desde o início em Waverly foi exatamente as características dela que eu percebia que não haviam em mim. A maneira leve, descontraída e até mesmo doce de encarar os problemas, o jeito otimista e esperançoso de enxergar a vida... Coisas que eu sempre admirei e desejei, mas nunca consegui obter porque simplesmente não faz parte da minha constituição.

Me considero uma boa pessoa. Sempre tento enxergar o melhor em cada ser humano que cruza meu caminho e me prontifico a ajudar quem quer que precise. Ainda assim, não sou esperançosa e nem enxergo a vida com tantos tons como Waverly. Na verdade, sob a minha ótica, o mundo tem vários tons, mas são todos de cinza. Eu vejo mais coisas ruins e tristes do que boas e, infelizmente, acredito que a tendência é que tudo piore.

Me apaixonar por Waverly foi uma maneira de me salvar, se é que posso colocar dessa maneira. Quando eu a conheci, estava exausta da minha vida, de mim mesma. Não aguentava mais atrair pessoas problemáticas. Eu queria algo diferente. Algo diferente do que eu estava acostumada. E Waverly era totalmente o oposto de tudo que eu conhecia, por isso me apaixonei por ela tão rápido que nem percebi. Foi realmente uma queda, como cair de um penhasco...

Eu pus meus olhos sobre ela e vi sua aura. Brilhava tanto que me cegou e eu não pude ver mais nada além de Waverly por muito tempo. Eu fiquei tão apaixonada que não percebi Wynonna ali, do outro lado, oferecendo-me outras possibilidades e um sentimento tão verdadeiro quanto o de sua irmã. E não ter visto isso me deixa com raiva de mim mesma. Eu devia ter percebido desde o início que Wynonna estava interessada em mim! Mas como? Ela não demonstrava... Pelo menos, não da maneira como eu entendo que alguém deva demonstrar que gosta de outra pessoa.

Wynonna é uma criatura esquisita e difícil de se compreender, totalmente diferente de Waverly. Sempre que eu chegava a suspeitar de alguma coisa, Wynonna falava ou fazia algo que embaralhava minha cabeça, deixando-me confusa. Nunca dava para ter certeza se ela estava realmente afim de mim ou se eu estava imaginando coisas. O que eu podia fazer? Perguntar? Soaria, no mínimo, como loucura chegar na irmã da minha namorada e perguntar: “Hey, você gosta de mim ao ponto de querer transar?”

Eu sou uma idiota que faz tudo errado. Quando acho que estou fazendo a coisa certa, percebo que na verdade estou fazendo uma cagada.

Wynonna acaba de sair pela porta, deixando-me aqui parada como uma tola sem saber o que fazer depois de ter me aberto, finalmente, para ela. Eu abro meu coração e ela simplesmente se vira e vai embora?!

Nem pensar!

 

[...]

 

Fazia poucos meses que estávamos namorando e sempre que Waverly e eu estávamos perto de Wynonna, eu percebia o desconforto dela, como se fosse insuportável segurar a nossa “vela”. Ela fugia o olhar quando nos beijávamos, fazia piadinhas ácidas e sempre nos interrompia. Alguns dos sinais que Wynonna me dava, mas que na época eu não percebia...

Eu estava no começo da minha carreira como policial, Waverly terminava seu segundo curso acadêmico pela internet, Wynonna tinha acabado de retornar a Purgatório e estava tentando consertar as coisas. Começou a trabalhar no bar dos Earp, o Shortys. E eu costumava ir até lá com frequência, especialmente para ajudá-la...

— Cadê a Waverly? — perguntou quando me viu chegar no bar antes do horário dele abrir. Wynonna sempre me fazia essa pergunta, como se esperasse que eu e sua irmã estivéssemos coladas o tempo todo.

— Deve estar estudando — respondi enquanto me aproximava. Wynonna esfregava o balcão com uma força exacerbada, parecia irritada. — Quer ajuda?

— Não, só estou me certificando de deixar tudo bem limpinho — falou de um jeito estranho, sem me olhar, ainda esfregando.

— Vocês brigaram de novo, não foi? — sentei em frente ao balcão, lhe encarando. — Por causa da história da mãe de vocês...

Wynonna parou de esfregar e soltou um longo suspiro. Ergueu os olhos em minha direção. Eles estavam carregados de tristeza.

— Waverly está com raiva porque eu menti para ela, mas eu fiz isso porque achei que fosse ser melhor. Quero dizer, quem precisa saber que a própria mãe tentou matá-la? — falou com indignação.

A história era mesmo complicada. Waverly sabia que a mãe delas tinha transtorno mental e que tentou se matar na infância delas, além de outras crises, porém Waverly não sabia nem se lembrava de que a mãe havia tentado matá-la, motivo pelo qual estava internada a sete chaves até hoje...

Quando a verdade veio à tona, as duas tiveram uma briga feia e eu não soube como consolar Waverly. Acho que não havia nada que podia ser dito ou feito para amenizar uma notícia como aquela. E ainda que eu pudesse entender sua raiva pela irmã, não achava que Wynonna tenha mentido por mal.

— Eu não te julgo — falei, esticando minha mão até alcançar a sua e Wynonna me olhou com os olhos esbugalhados.

— Não acha que eu seja um monstro por ter enganado minha irmãzinha? — perguntou baixo, sem mover-se.

— Não, eu não acho — sorri de leve — Acho que você é um ser humano falho como qualquer outro e que cometeu esse erro tentando fazer a coisa certa.

Ela ficou paralisada diante minhas palavras, encarando-me de um jeito profundo e emocionado que fez meu coração bater mais forte, então Wynonna abriu um sorriso para mim.

 

[...]

 

— Wynonna saiu daqui como um furacão, nem me cumprimentou! O que foi que houve? — Jeremy pergunta assim que cruzamos no corredor. Eu estava indo atrás dela.

— Eu... É... Hm... — começo a ficar nervosa porque não sei mentir para as pessoas que gosto e Jeremy é meu melhor amigo. — Nós... Ela veio conversar comigo sobre a história do Iraque e... — respiro fundo, olho para os lados, ponho as mãos na cintura e Jeremy permanece me encarando com um semblante de quem suspeita de algo.

— Nem tente mentir para mim, Nicole Haught. Eu a conheço muito bem — fala com um sorriso sarcástico. — Pode ir me contando o que aconteceu para ela ter saído daqui desse jeito...

Suspiro, rendendo-me. Sim, não há como mentir para Jeremy, então vou dizer logo tudo de uma vez. Ele sabe dos meus sentimentos conflituosos em relação à Wynonna. É o único e eu jurei matá-lo caso contasse algo para alguém.

Puxo Jeremy para um canto e me certifico de que estamos sozinhos. Conto baixinho para ele a conversa que acabei de ter com Wynonna e ele dá um grito.

— Santo Deus! Eu não acredito! Você finalmente falou o que sente!

— Bem, na verdade, eu disse que não sei o que eu sinto por ela — coço meu queixo, pensativa. — De qualquer forma, eu dei um passo, certo? Mas Wynonna não disse nada, ela simplesmente foi embora... Acho que nós estávamos errados em achar que ela gosta de mim — minto mais para mim mesma do que para Jeremy, porque no fundo eu sinto dentro de mim que sou correspondida.

— Nada disso! — ele me olha sério e faz um gesto com o dedo — Não venha com auto sabotagem, Nicole. Nós dois estamos cansados de saber que a Wynonna...

— O que tem a Wynonna?

Nós dois paramos de conversar, sobressaltados ao ver Waverly aqui, nos encarando.

De onde diabos ela surgiu?

— Waverly?! — pergunto assustada.

— Eu preciso terminar um projeto — Jeremy espertinho sai depressa do meio do fogo cruzado e me deixa aqui com a bomba nas mãos.

Waverly cruza os braços, está com feições tristonhas, mas só de ter vindo até aqui significa que está disposta a fazer as pazes.

— Estavam falando da minha irmã — comenta.

— Ah, nada demais. É que ela esteve aqui para conversar comigo... — explico sem jeito, porque odeio ter de mentir para Waverly.

— Eu pedi que ela viesse — me conta e fico surpresa. — Pedi que ela tentasse te convencer a deixar essa ideia estúpida de ir à guerra para lá...

Fico sem saber o que dizer. Waverly descruza os braços e me encara com os olhinhos estreitos.

— Waves... — murmuro, porque não aguento vê-la fazendo essa carinha. — Eu já te expliquei que eu preciso fazer isso. Eu quero. Mas eu vou voltar.

— Promete? — pede quase chorando, invadindo meu espaço pessoal devagarinho. — Promete que voltará para mim?

Voltar para ela... Voltar para Waverly quando não tenho certeza dos meus sentimentos, quando não sei se quero me casar com ela ou beijar a boca de sua irmã.

Puta merda, Nicole!

— Prometo — sussurro.

Waverly se joga em meus braços e eu a aperto com força. Ela esconde o rosto em meu peito e eu suspiro, apoiando meu queixo no topo de sua cabeça. A essa altura, Wynonna deve estar longe, enchendo a cara e eu não posso ir atrás dela.

Estou mesmo enrascada!

 

[...]

 

Waverly e eu fizemos as pazes, mas não falamos sobre a questão do casamento. Acho que me precipitei com esse pedido, mas não sei como desfazê-lo. Minha sorte é que ela recusou. O melhor, de qualquer maneira, é esperarmos o meu retorno do Iraque. Só então poderei decidir o que fazer com minha vida.

Já é tarde da noite e não consigo parar de repassar a conversa que tive com Wynonna essa tarde. A maneira como nos olhamos... Eu vi que ela estava emocionada, talvez machucada com a ideia de que eu me casasse com Waverly e partisse para a guerra. Estava preocupada comigo, embora não tenha dito. E eu consegui me abrir, ao menos um pouco, mas ela escapou. Escapou e eu não fiz nada para evitar.

Mas se eu tivesse feito, o que teria acontecido?

Waverly me ama tanto que está disposta a aceitar a loucura deu ir à guerra, está disposta a me esperar retornar sendo que nem eu sei quanto tempo ficarei fora. E eu estou aqui, sem conseguir dormir, pensando em sua irmã. Por quê? Como isso é possível?

Levanto da cama e começo a caminhar de um lado para o outro, revivendo vários momentos dos últimos anos ao lado das duas.

Mesmo com a tensão entre nós e o ciúme, Wynonna sempre esteve conosco em diversos momentos. Nunca tentou envenenar Waverly contra mim, nunca fez nada para nos separar mesmo que nos ver juntas lhe causasse incômodo.

Às vezes, para não dizer sempre, eu sentia raiva da Earp (como eu costumo chamar Wynonna). A idiota está sempre fazendo piadas sem graça, se esquivando de dizer a verdade, de falar o que sente. Brinca tanto que é difícil saber quando está falando a verdade e acho que grande parte da minha raiva vem disso: de não saber se ela estava brincando ou se realmente gostava de mim.

Acho que agora eu tenho a resposta.

 

Com a cara e a coragem, entro no Shortys, que está lotado, e meus olhos vão direto ao encontro de Wynonna, que está atrás do balcão servindo. Apesar de sorrir para os homens, é perceptível que não está animada, ou pelo menos é a impressão que eu tenho.

Caminho em sua direção e quando paro em frente ao balcão e ela me vê, Wynonna depressa foge o olhar e deixa um copo cair.

— Merda — resmunga e finge que não estou aqui, continua sem me olhar e se abaixa para recolher os cacos. — Porra! — grita e quando se ergue, vejo que ela cortou a mão, que está sangrando.

— Sua mão! — falo preocupada.

— Não foi nada — resmunga, pegando um pano e enrolando ao redor da mesma.

Um homem gordo e barbudo se aproxima do balcão pedindo por whisky e Wynonna o serve. Eu a observo fixamente, mas ela não dirige a atenção a mim.

— Você precisa olhar essa mão, Wynonna.

— Eu tenho que trabalhar.

— Eu tenho certeza que seus funcionários podem dar conta do Shortys sem você por uma noite — insisto, porque estou preocupada com sua mão e porque quero conversar com ela. — Anda, vamos até os fundos, eu faço um curativo na sua mão.

Ela finalmente me olha com o canto dos olhos, parece hesitante, está decidindo o que fazer.

— Se eu recusar você vai permanecer plantada aqui, certo?

— Absolutamente.

— Ok, então vamos fazer a droga do curativo... — revira os olhos e eu sorrio vitoriosa.

Atravessamos a multidão de pessoas, descemos as escadas até o porão do bar em silêncio.

— Tem um kit de primeiros socorros — fala, apontando com o queixo. — Ali em cima.

É uma pequena caixa em cima de uma prateleira. Eu a pego. Wynonna está sentada em uma cadeira velha, a cabeça baixa, o olhar no chão. A tensão já está aqui, entre nós, sobrevoando como uma nuvem...

Deus, me ajude!

Me abaixo, ficando de joelhos na sua frente e ela me olha. Cuidadosamente pego sua mão ferida e tiro o pano que Wynonna colocou ao redor; está cheio de sangue. Pego algumas gazes e pressiono seu ferimento com leveza e ela faz uma pequena careta.

— Não vai precisar de pontos — digo baixinho depois de limpar o sangue e ver a profundidade do corte. — Só um curativo deve resolver.

Eu faço um pequeno curativo e quando termino percebo que Wynonna está me encarando de um jeito estranho. Seus olhos claros estão brilhando e há um pequeno sorriso com covinhas em seu rosto; é tão adorável que me faz suspirar.

— Obrigada — murmura. — Agora é melhor eu voltar... — se levanta e eu faço o mesmo depressa, me colocando na sua frente. — Haught...

— Nós temos que conversar, Earp.

— Não tenho nada para dizer — insiste em tentar passar por mim, mas eu a seguro pelos braços, o que parece assustá-la. — Nicole? Vamos lá... Me deixa ir...

— Não há nada mesmo que você tenha para me dizer? — insisto, quase implorando com os olhos, porque eu sei que Wynonna está tentando fugir. — Depois do que eu te falei, você não tem nada a dizer?

Ela dá um passo para trás e eu a solto.

— Waverly... Ela é sua namorada, Nicole. Ela não merece sofrer.

— Eu sei e a última coisa que eu quero é magoá-la, mas eu preciso ser sincera. Eu tinha que te contar o que está se passando dentro de mim. Agora você entende por que eu tenho que ir ao Iraque? Não posso continuar aqui assim, com essas dúvidas me corroendo... — falo com sinceridade, sentindo a mesma emoção forte da delegacia me tomar.

— Você não precisa ir tão longe, não precisa se pôr em perigo! — quase grita e ao perceber sua exaltação, respira fundo. — A Waverly... Ela precisa de você aqui. E se algo te acontecer, como ela vai ficar?

— É só com isso que está preocupada? — pergunto decepcionada ao perceber que Wynonna não dirá nada. Talvez eu tenha errado ao interpretar os sinais. — Se algo me acontecer, Waverly vai sofrer, mas vai superar e arranjará outra pessoa — digo, forçando um sorriso de amargura. — Não se preocupe, Earp. E aposto que você irá ajudá-la a passar por isso.

Prestes a sucumbir, eu me viro para subir as escadas, sentindo-me uma idiota, mas sua voz me impede.

— Espera!

Fico parada, meu coração dispara e eu levo alguns instantes até me virar para olhar Wynonna outra vez.

— Nicole... — seus olhos estão marejados e isso mexe comigo de uma maneira que não sei explicar.

Tomada por sentimentos profundos que ainda não sei nomear, eu corro em sua direção e Wynonna não se move, deixando claro que não fugirá. Eu a tomo em meus braços e a aperto com força, algo que sempre tenho vontade de fazer, mas nunca o fiz. Ela me aperta com o mesmo desespero, eu sinto sua respiração descompassada ao pé do meu ouvido, seu perfume de lavanda me invadindo. É uma sensação tão boa estar assim, abraçada com Wynonna. Eu não quero soltá-la.

 



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