História Another Love - Capítulo 4


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Categorias Wynonna Earp
Personagens Doc Holliday, Nicole Haught, Waverly Earp, Wynonna Earp
Tags Nicole Haught, Wynhaught, Wynonna Earp
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Palavras 2.333
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Capítulo IV


NICOLE

Quando completei dois anos de relacionamento com Waverly, minha relação com a família Earp já era demasiadamente íntima. Eu conhecia de perto a história trágica da família. Sabia que minha sogra era considerada insana e estava internada depois de fazer coisas perigosas, como tentar matar Waverly. Sabia também que o pai delas, apesar de ser um alcoólatra irresponsável, ainda estava vivo e solto, vivendo em Purgatório, tão próximo e ao mesmo tempo tão distante delas.

Nem Waverly nem sua irmã tinham contato com ele. E logo que as conheci, percebi que a questão paternal era tão problemática e dolorosa que o melhor que eu podia fazer era não tocar no assunto.

Era uma noite de sábado. Waverly estava no rancho, havíamos combinado que assim que eu saísse do meu turno, iria para sua casa. Por alguma razão que até hoje não compreendo, algo me compeliu a não ir direto. Algo me guiou há um bar de stripper há tempo de flagrar uma cena dramática: Wyatt Earp sendo expulso aos pontapés.

O homem de meia idade estava tão bêbado que nem se mantinha em pé. Caído no meio fio, resmungou alguns palavrões para os seguranças que retornaram para dentro do bar. Fazia uma noite muito fria e eu não podia simplesmente deixar meu sogro ali.

— Wyatt Earp? — perguntei, me aproximando.

— Já ouvi muito esse nome — riu, balançando a cabeça. — Uma maldição.

— Onde o senhor mora? — o peguei do chão, ajudando-o a se levantar e ele quase caiu de novo, rindo. — Vou levá-lo para sua casa.

— Não tenho casa não, filha. Moro numa pensão ou costumava morar. Me expulsaram hoje porque estou devendo aluguel, mas não conte a ninguém — fez um gesto com o dedo pedindo silêncio e sorriu.

Passei seu braço ao redor do meu pescoço, lhe dando suporte para que conseguisse ao menos se arrastar com meu auxilio, porque dificilmente eu poderia carregar um homem daquele tamanho sem ajuda.

— Me diga onde é essa pensão...

— Não vão me receber.

— Vão, sim. Não se preocupe, eu resolvo. Só me diga onde ela fica.

Com dificuldade, ele me passou o endereço. O coloquei dentro da viatura e o levei até a tal pensão. De fato, Wyatt devia dois meses de aluguel e não queriam aceitá-lo de volta de jeito nenhum. A dona da pensão alegava que ele vivia bêbado e sempre arranjava confusões. Me prontifiquei não apenas a pagar seu aluguel, mas também deixei meu telefone para que entrassem em contato caso ocorresse alguma coisa.

 

Algumas semanas passaram e fui reencontrar o meu sogro por um acaso nos Shortys. Ele estava tentando inutilmente fazer as pazes com Wynonna, que estava pronta para enxotá-lo quando eu cheguei. Os dois estavam sozinhos porque o bar ainda não havia aberto e o clima era bastante tenso.

— Wynonna? Algum problema? — perguntei com preocupação, alternando o olhar entre eles.

O velho Earp estava com lágrimas no rosto e Wynonna lutava para conter as suas.

— Nenhum, Haught. Só esse senhor que apareceu na hora errada, mas ele já está de saída, não é?! — falou agressivamente.

— Wynonna, por favor... — ele implorou. — Vamos conversar... — então ele finalmente me olhou e me reconheceu. — Espere, vocês duas se conhecem? — estava surpreso e aparentemente feliz com a notícia.

— Não é da sua conta!

— Nós somos... — fiquei procurando uma palavra que nos definisse, mas na época já era difícil. — Somos quase família.

— Nicole namora a Waverly — Wynonna soltou com amargura, me olhando de um jeito esquisito. — Mas de onde vocês se conhecem? — franziu o cenho. — Você conhece meu pai, Haught?

— Eu... Nós nos cruzamos outra noite... — falei fazendo gestos com as mãos. — Foi uma única vez.

— Você é namorada da minha Waverly? — o senhor de olhos claros me olhou com verdadeira adoração. — Que sorte ela tem! — deu dois passos para perto de mim e Wynonna não estava entendendo a conversa.

— De onde diabos vocês dois se conhecem?

— Nicole me encontrou caído na rua em uma noite dessas e me ajudou — falou com um sorriso grato. — Fez por mim o que ninguém nunca fez.

Fiquei sem graça com as palavras dele, sorrindo envergonhada, não sabendo como lidar com aquela situação. Sabia o quanto era delicado para Wynonna questões relacionadas ao pai...

— Eu fico contente que minha filha teve a sorte de encontrar alguém como você — Wyatt pôs a mão no meu braço por um instante e olhou para Wynonna. — Espero que um dia você e sua irmã possam me perdoar... — chorando, ele saiu.

 

Fiquei estática por alguns instantes assim como Wynonna, que tinha lágrimas nos olhos. Então, quando ela finalmente me encarou, eu pude ver o quanto aquele encontro havia lhe machucado. Eu pude ver que, apesar de se fazer de durona, sua fragilidade era imensa.

— Você o ajudou? — perguntou baixinho, estávamos há alguns metros de distância.

Assenti.

— Eu o encontrei sendo expulso de um bar... Era tarde da noite, fazia frio, ele estava muito bêbado... — murmurei. — Eu o levei para casa.

Ela me olhou agradecida, como se dissesse “obrigada”, mas nada falou.

— Waverly sabe disso?

Balancei a cabeça negativamente.

— Não contei a ninguém sobre isso ainda. Sei que é um assunto delicado para vocês e fiquei sem saber o que fazer a respeito... — falei quase que me desculpando pelo segredo.

— Tudo bem, é melhor mesmo não ter dito. Waverly teria chorado muito ao descobrir o estado em que nosso pai se encontra — suspirou e sentou em um banco. Me aproximei e sentei ao seu lado. — Mas que bom que você estava lá e o ajudou... — olhou dentro dos meus olhos e estávamos tão próximas que eu pude ver os tons de azul e verde de sua íris. — Meu pai é um péssimo exemplo, não me lembro de ter ensinado nada que preste a mim e a Waverly, mas ele está certo sobre uma coisa: Waverly tem sorte.

Esse foi um dos episódios intensos entre nós, onde eu senti que Wynonna gostava de mim e fiquei em dúvida sobre meus próprios sentimentos quando meu coração saltou próximo a boca.

 

[...]

Estamos tão coladas que eu posso sentir seu coração batendo vívido junto ao meu. É uma sensação aterrorizante, porque faz eu me sentir tão bem, como se fosse aqui, nesse abraço, que eu devesse estar o tempo todo. É tão bom, soa tão certo que eu sequer consigo me sentir culpada por Waverly. Eu não sinto como se estivesse lhe traindo apesar dos meus sentimentos por sua irmã. Eu simplesmente sinto que as coisas estão mudando e que não há nada que eu ou qualquer uma de nós possa fazer para impedir isso...

— Fica — sussurra durante o abraço e demoro até entender ao que se refere. — Não vá, Nicole — pede com a voz embargada, erguendo a cabeça do meu ombro para me olhar nos olhos. — Você não precisa ir...

São raros os momentos em que Wynonna se mostra tão vulnerável e quando acontece é sempre belíssimo. Me sinto presenteada todas as vezes em que ela confiou em mim para externar suas emoções tão contidas.

Duas lágrimas rolam pelo seu rosto e eu sorrio, porque me sinto emocionada neste momento.

Toco seu rosto com as duas mãos e sutilmente seco suas lágrimas.

— Sim, eu preciso, mas eu vou voltar, Earp — sussurro. — E quando eu voltar, vou resolver essa bagunça — prometo a ela, porque sei que a situação não pode permanecer desta forma. Eu preciso compreender meus sentimentos e me decidir. Não posso magoá-la, tampouco à Waverly, que foi e é tão importante em minha vida.

Em silêncio, eu dou um beijo demorado em sua testa e a ouço suspirar. Apesar do meu desejo, que acredito ser o dela também, nós não ultrapassamos a linha. Por mais que eu queira ao menos beijá-la uma vez, eu não o faço. Porque é errado. Porque não posso. Ainda. Talvez um dia...

Me afasto pronta para partir, mas não me viro, porque quero encarar Wynonna por mais algum tempo.

Ela me olha ainda sensibilizada, ainda entregue como dificilmente fica e diz:

— Eu vou te esperar.

Sorrio, me viro e subo as escadas com uma sensação de alívio e felicidade inexplicáveis.

 

Vou para me casa quase saltitando, o que é esquisito. Estou metida em uma enrascada, dividida entre as irmãs Earp e prestes a ir à guerra e ainda assim me permito ficar feliz. Eu devo ter problemas mentais...

Quando chego, me livro de minhas roupas, ficando só de calcinha e sutiã e me jogo no sofá, pensativa. Ainda que eu não goste de fazer comparativos, é difícil não comparar Wynonna e Waverly, ainda mais quando estou envolvida sentimentalmente por ambas...

O mais esquisito para mim, neste momento, é a reação delas em relação a minha ida ao Iraque. Nenhuma das duas está feliz, obviamente, mas a reação de Wynonna foi muito melhor que a de Waverly. Enquanto Wynonna, resignada, promete me esperar mesmo sem saber se irei escolhê-la, Waverly fica furiosa ao ponto de se negar a casar comigo e passar dias me evitando quando sabe que nosso tempo é curto. São duas maneiras de agir distintas.

No início, quando conheci Wynonna, eu a julguei muito mal. Achava ela uma criatura arrogante e egoísta que só pensava em si mesma, mas minhas impressões mudaram rápido, especialmente quando eu a observava perto de Waverly. O cuidado que ela tinha, a preocupação... Alguém egoísta não poderia amar daquele jeito. Ainda assim, eu achava que Wynonna só tinha a habilidade de ser altruísta quando o assunto era sua irmã, mas logo o destino me provou mais uma vez que eu estava errada.

Sobre Waverly, nem preciso comentar. Desde o início eu soube que ela era radiante e sua luz me alcançou de imediato. Nunca encontrei alguém em Purgatório que não a amasse. Sua doçura, sua gentileza eram traços tão intrínsecos de sua personalidade que não havia como duvidar de sua veracidade. Waverly era boa. Ponto final.

Tivemos altos e baixos em cinco anos de relacionamento, não nego. A convivência não é fácil, especialmente porque nos vemos com frequência já que moramos em uma cidade minúscula. Mas nunca tivemos brigas graves, apenas alguns desentendimentos bobos que nunca lembrávamos de como havia começado.

De repente a campainha toca. São quase duas da manhã. Dou um pulo do sofá, sobressaltada. Não estou esperando ninguém.

Será que...

Sorrio, imaginando quem está do outro lado e corro para abrir a porta.

Quando abro, não tenho tempo nem de pensar, porque Waverly pula em mim, me agarrando pelo pescoço e me beijando furiosamente. Só consigo segurá-la para que nenhuma de nós caia.

Ela me beija com bastante paixão e abre meu sutiã, arrancando-o em questão de instantes. Waverly parece sedenta e isso me deixa surpresa, eu quase não tenho reação, porque não esperava que fosse ela...

Sou empurrada com força em direção ao sofá, onde caio. Waverly me olha com um sorriso malicioso e começa a se despir rapidamente e eu ainda estou tentando processar tudo, boquiaberta como uma idiota. Então, ela sobe em mim e volta a me beijar, agora com seu corpo nu sobre o meu e por mais gostoso que seus toques sejam, eu me sinto estranhamente desconfortável, como se não devêssemos fazer isso...

Depois de um sexo intenso e um orgasmo que quase me faz desmaiar, nós nos recompomos, vestindo nossas roupas e sentando no sofá ainda ofegantes.

Where’s my love – SYML ♪

 

— Estava com saudade dessa selvageria — comenta com malícia, me olhando com seu sorriso sapeca.

— Percebi...

Waverly se inclina e me dá um beijinho suave.

— Eu estive pensando em uma coisa depois que sai da delegacia — fala pensativa. — Por que resolveu me pedir em casamento logo agora que está indo para a guerra? — me olha intrigada e eu fico nervosa com a pergunta.

E agora?

— É que... Bom, nós estamos juntas há um bom tempo, então eu pensei... Pensei que era hora de darmos um passo adiante.

— O que é mais importante? Casar comigo ou ir a guerra? — pergunta de repente, me encarando e apesar de soar absurdo, eu acho que sua pergunta é séria.

— O quê?

Eu não consigo compreender...

— O que é mais importante, Nicole? Casar-se comigo ou ir para o Iraque participar dessa guerra estúpida? — parece brava e eu não faço ideia do motivo.

— Waverly, são coisas diferentes... Não tem como comparar! — me levanto, tentando fugir dessa conversa que está tomando um rumo estranho.

— Ah, então é isso?! — ergue a voz. — Você prefere ir para essa guerra idiota correndo o risco de morrer ao invés de ficar aqui comigo?

Eu a olho indignada. Waverly não pode estar falando sério.

— Não é isso! Ninguém gosta de ir a guerra, Waverly, mas eu me alistei, eu me comprometi e quero fazer isso. Quero fazer isso pelas minhas razões e uma delas é que estarei servindo o meu país! — retruco com agressividade. Merda, estou nervosa! — Eu achei que você tivesse entendido... Caramba, Waverly. Falamos disso essa tarde... — suspiro, me sentindo exausta.

Com um semblante triste, decepcionado, ela me olha do sofá.

— Eu quero te entender, mas não consigo.... — admite baixinho. — Se eu te pedir para ficar por mim, para nos casarmos, você ficaria?

Ela não pode estar falando sério... Esse pedido é absurdo, porque me coloca em uma posição terrível.

Não consigo respondê-la, eu apenas a encaro e Waverly parece aguardar por uma resposta. Ela realmente quer que eu faça uma escolha.

— Se eu for, você não vai mais querer se casar comigo? — devolvo com outra pergunta.

É a sua vez de ficar em um silêncio sepulcral.

— Acho que isso responde minha pergunta — falo ironicamente, sentindo uma dor no peito diante dessa nossa conversa.

— Talvez o seu amor por mim não seja assim tão grande — diz de repente e sei que ela está magoada, mas falar isso é pesado demais. — Se fosse, você não me deixaria.

— Você não pode estar falando sério!

— É melhor eu ir embora.

Waverly se levanta, mas eu me coloco na frente da porta.

— E como nós ficamos? — pergunto com medo da resposta.

— Eu não sei... — seus olhos estão marejados. Então ela passa por mim e eu a deixo ir.



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