História Another Potter - Capítulo 8


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Categorias Harry Potter
Personagens Personagens Originais
Tags Gêmeos Potter, Harry Potter, Irmã Do Harry Potter, Twins Potter
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Palavras 5.281
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção Adolescente, Magia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Primeira semana de aula


Faltava exatamente uma hora para todos os alunos acordarem. Porém Hermione havia levantado e trocado os pijamas pelo belo uniforme da Grifinória. Como prometido, ela balançou Lily pelos ombros forçando o despertar da ruiva.

― Bom dia, Hemione! ― Disse Lily com a voz embargada enquanto espreguiçava lentamente sobre a cama. Ela sorriu quando abriu os olhos e deparou a face empolgada da colega de quarto. ― Já está na hora?

― Bom dia, Lily! ― Ela cumprimentou e regressou aos afazeres, separando com cuidado cada um dos livros e material que utilizaria durante o dia. ― Não, falta uma hora. Mas como prometido, te chamei mais cedo.

― Obrigada! ― Lily agradeceu.

Com um sorriso empolgado estampado na face, Lily deu uma última espreguiçada antes de levantar de vez da cama. Por mais cansada que estivesse, saber que estava prestes a iniciar seu primeiro dia em Hogwarts servia como estímulo contra toda preguiça.  Ela caminhou até o espelho mais próximo para vislumbrar o estrago da manhã. Os cabelos ruivos estavam desgrenhados, nos olhos havia resíduos de ramela e no canto dos lábios um fio branco de baba seca.

― Mione, teria problemas se eu me encontrasse com você no salão principal? Preciso me arrumar e quero falar com o papai antes do café. ― Explicou Lily pegando o uniforme que estava separado sobre a cadeira.

― Não há problema algum. ― Assentiu Hermione. ― Caso não nos encontremos, quer que eu guarde um lugar na sala de aula?

― Por favor! ― Pediu Lily sorrindo animada.

Com um aceno de mão, Lily se despediu da Hermione, pegou a mochila com o material previamente separado dentro e deixou o quarto, rumando direto para o banheiro mais próximo. No local ela trocou o pijama pelas vestes, prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e levou o rosto, retirando toda a baba e ramela que estavam ali. Guardou o pijama dentro da bolsa e o retiraria apenas quando voltasse para o dormitório.

Ao sair do banheiro ela suspirou e sorriu. Ainda não conseguia acreditar que finalmente estava começando o primeiro ano em Hogwarts, ela não era mais uma intrusa dentro do enorme castelo, agora era uma aluna.

Dando saltinhos enquanto caminhava, ela foi em direção aos aposentos do pai. Conhecia todo o percurso para as masmorras, sabia exatamente quais escadas deveria evitar e os atalhos que a deixariam mais próxima do destino. Em menos de vinte minutos estava na frente da sala do pai, ela bateu duas vezes sobre a porta de madeira e o esperou abrir. Torcia para que Snape estivesse acordado e contente por ela.

― Pode entrar, meu anjo. ― A porta abriu magicamente, revelando Severus acomodado em sua pose habitual na poltrona, nas mãos segurava o profeta diário. Ele fechou o objeto e levantou, encarando a menina com seriedade. ― O que aconteceu com você ontem? Estava com as vestes sujas de lama.

― O Draco me empurrou na lama, papai. ― Respondeu Lily fechando a porta e aproximando do pai. ―  Ele quis roubar os meus doces no trem, falou mal dos meus amigos e brigou comigo. Ele ficou igual ao Sr. Malfoy.

― Falarei com ele mais tarde. ― Disse Snape rispidamente. Ele caminhou para próximo da pequena e a puxou para um abraço carinhoso. ― Vermelho e dourado combinam com você.

― Obrigada, papai. ― Lily sorriu aliviada e retribuiu o abraço. Os meninos estavam certos, ele não estava irritado com a escolha do chapéu seletor. ― Mas ontem, o senhor parecia bravo.

― Desapontado é a palavra correta. Não vou mentir, esperei que caísse na Sonserina. ― Revelou o homem acomodando mais uma vez na poltrona e a colocando sentada em seu colo. ― Você cresceu, daqui a pouco não posso mais te carregar assim.

― Ainda bem que não cai na Sonserina, Draco é um idiota. ― Resmungou Lily encostando a cabeça no ombro do Snape.

― Já disse que falarei com ele. ― Disse Severus como quem encerrasse um assunto e beijou a têmpora da filha. ― Soube que fez novos amigos.

― Mais ou menos, por enquanto meus melhores amigos são Rony, Fred, Jorge, Harry Potter e Hermione Granger. ― Lily sorriu animada com a ideia de ter melhores amigos em Hogwarts, Draco estaria nessa lista caso não tivesse sido um babaca no dia anterior.

― Hum... ― Assentiu Snape descontente. Ele colocou a filha no chão, levantou da poltrona e foi até a gaveta da escrivaninha, da onde retirou um pequeno embrulho e o entregou para Lily. ― O que gostaria de ganhar no seu aniversário esse ano?

― Esse não é o meu presente? ― Perguntou levemente confusa.

― Não. Esse é por ter entrado para a Grifinória. Abra, vai gostar. ― Ele a observava com seriedade.

― Quero uma câmera fotográfica. ― Falou Lily sorrindo animada enquanto desembrulhava o pacote. ― Quero marcar todos os melhores momentos em Hogwarts e... ― Ela parou de falar assim que viu um colar de ouro com pingente de leão dentro do pacote. ― Muito obrigada, ele é lindo. Adorei.

― Tive ajuda da professora McGonagall ― Disse Snape contente com a reação da garota. Sorrindo, ele a ajudou colocar o colar de leão ao redor do pescoço. ― Ela disse que combinaria com você, ela estava certa.

― Sinto muito por não estar na sua casa, papai. ― Falou Lily baixando os olhos enquanto brincava com o pingente. ― Mas ela não seria a melhor para mim.

― Tudo bem, pelo menos está onde gostaria de estar. ― Ele a segurou pelos ombros, virando a menina de frente para ele e fazendo com que ela o olhasse dentro dos olhos. ― Agora acho melhor ir, não esqueça que você virou aluna e deve seguir as regras como tal. Caso alguém te ameace, venha falar diretamente comigo, não tenha medo.

― Obrigada, papai. ― Lily abraçou Snape com força ao se despedir dele.

Quando Lily deixou a sala do professor de poções, os corredores estavam mais cheios e movimentados. Aos poucos Hogwarts estava ganhando vida. Enquanto caminhava em direção ao salão principal para tomar o café da manhã, ela cumprimentou alguns alunos mais velhos que já conhecia. Estava na metade do caminho quando encontrou Neville Longbottom com a perna emperrada até os joelhos dentro do degrau quebrado de madeira, definitivamente o pobre rapaz gordinho estava com problemas.

― Neville, deixe que te ajudo a sair. ― Lily correu até o menino. Chegou a empurrar alguns alunos curiosos da Sonserina que estavam parados zombando da cara do menor. ― Saíam daqui, ou serei obrigada a chamar meu pai.

― Obrigado. ― Agradeceu Neville aceitando a ajuda da ruiva para escapar do buraco. Ele passou os braços ao redor do pescoço dela, para ter apoio.

― Não ligue para esses idiotas. ― Ela fez careta ao ajudar Neville a se locomover, ele era bastante pesado. Vagarosamente, passaram pelo grupo de alunos zombeteiros da Sonserina que permaneceram no recinto, mesmo com toda ameaça feita por Lily. ― Detesto esses Sonserinos, ainda bem que não cai nessa casa. Você está bem? Acho melhor leva-lo para a enfermaria.

― Acho que torci o tornozelo. ― Disse Neville com voz chorosa.

― O que houve com ele? ― Perguntou Simas vindo correndo na direção dos dois, rapidamente ele ajudou Lily carregar o rapaz, aliviando um pouco do peso.

― Deixe que te ajudamos. ― Dean Thomas pegou o outro braço do Neville, retirando o peso das costas da menina. O que para ela foi um alívio.

― Ele pisou no degrau errado da escada. ― Respondeu Lily colocando as mãos na cintura e olhando preocupada para Neville.

― Na verdade uns garotos mais velhos me empurraram. ― Disse o garoto gordinho ficando sem graça. ― Eu ia pular aquele degrau.

― Onde fica a enfermaria? ― Perguntou Simas preocupado.

― É por aqui. ― Lily gesticulou para que os rapazes a seguissem. ― Fica perto da torre do relógio. Conheço alguns atalhos. Depressa!

Os rapazes seguiam Lily o mais rápido que conseguiam pelos corredores do colégio. Quando mais andavam carregando Neville, mais atenção atraiam para eles. A ruiva parecia não se importar com toda aquela atenção, estando determinada para chegarem logo na ala hospitalar.

― Senhorita Snape! ― Disse professora McGonngal quando a menina trombou com ela nos corredores. A ruiva estava tão distraída que não havia visto a mulher no meio do caminho. ― O que está acontecendo por aqui?

― Os meninos da Sonserina empurraram Neville no degrau errado da escada e ele fraturou o tornozelo. ― Respondeu Lily rapidamente. Simas e Dino acenaram com a cabeça positivamente.

― Na verdade, ele quebrou o tornozelo, senhorita Snape. ― Corrigiu Minerva após avaliar Neville da cabeça aos pés. ― Não aconselho a olharem para baixo. Principalmente o senhor, senhor Longbottom.

― Tia McGonnagal. ― Repreendeu Lily olhando nervosa para a professora, após avaliar o pé fraturado do colega. Aquele anuncio só a fez ficar curiosa sobre os detalhes da fratura, que até então não havia reparado.

― Uma hora ou outra ele saberia. ― Disse a professora arqueando uma das sobrancelhas e retribuindo o mesmo olhar de reprova que a menina havia lançado. ― O levem para a enfermaria, avisarei a Papoula.

― Claro ― Assentiram os três ajudantes em uníssono.

― E Lily. É professora McGonnagal a partir de agora. ― Alertou Minerva quando Lily passou do seu lado, guiando os rapazes.

― Entendido, professora McGonnagal. ― Assentiu Lily sorrindo orgulhosa. Aquela era a primeira vez que trataria Minerva como professora.

Os três saíram apressados pelos corredores, seguindo a ruiva que estava nervosa. Ela reconhecia os caminhos como a palma da sua mão. Cresceu em Hogwarts, tendo os corredores como o seu quintal, além de que alguns dos alunos mais velhos haviam ensinado sobre os atalhos mais comuns do colégio.

Ao chegarem na enfermaria, eles colocaram Neville deitado em uma das macas vazias. O rapaz segurou com força a mão da ruiva assim que viu a terrível posição que seu pé estava.

― Madame Pomfrey vai dar um jeito rapidinho no seu tornozelo. ― Disse Lily tentando acalma-lo. ― Vai ser rápido e não vai doer muito. Uma vez quebrei um braço caindo da escada, o Pirraça me atrapalhou. Falando nela...

A curandeira-chefe de Hogwarts não demorou para chegar até eles, junto com ela vinha a professora McGonnagal por ser a responsável da Grifinória. Como boa professora, estava preocupada com o bem-estar dos seus alunos.

― Deixe-me dar uma olhada nisso. ― Disse Madame Pomfrey abrindo caminho em meio aos alunos e chegando até Neville. O trio deu espaço para ela trabalhar.

― Podem ir para a sala de aula, assumimos daqui. ― Falou a professora McGonnagal em tom autoritário.

― Você vai ficar bem. ― Antes de partir, Lily aproximou da maca e depositou um beijo doce sobre a bochecha de Neville.

― Obrigado. ― Agradeceu o rapaz sentindo as bochechas corarem com o gesto amigável.

Os três deixam a ala hospitalar apressados, estavam quase atrasados para a próxima aula e não conseguiriam entrar se o professor chegasse primeiro. A primeira aula que Lily assistiria como uma aluna verdadeira de Hogwarts era de história da magia e não estava muito ansiosa para tal aula.

A matéria de História da Magia, além de ser a mais chata de todas. É a única aula lecionada por um fantasma da escola. O professor, mesmo depois de morto, não perdeu a paixão por ensinar e continuou trabalhando mesmo depois de ter deixado o corpo par trás.

Guiados por Lily outra vez, o trio não tarda a chegar na sala de aula. Como havia prometido mais cedo para Hermione, a ruiva despede dos rapazes e se acomoda ao lado da morena assim que a encontra no meio dos alunos. A colega de casa fez questão de pegar uma carteira na frente, o que deixou Lily contente, considerando aquele um dos melhores lugares para aprende sobre o que quer que o fantasma tivesse a ensinar relacionado a história.

― O que houve? Faltam dois minutos para a aula começar. ― Disse Hermione nervosa com o atraso.

― Longa história. ― Avisou Lily virando a bolsa em cima da mesa, derrubando todo o material sobre a superfície de madeira maciça enquanto fazia um barulhão. Mais do que depressa, voltou a guardar o que não precisava de qualquer jeito dentro da mochila. ― Um menino quebrou a perna e...

― Quem? ― Perguntou Rony se intrometendo na conversa, ele estava sentado na mesa ao lado e prestava atenção em tudo desde a chegada da amiga.

― Neville Longbottom, do dormitório de vocês. ― Respondeu Lily enquanto anotava a data sobre a folha em branco do caderno. ― Uns garotos da Sonserina o empurraram.

― Mas onde você esteve? Eu e o Harry te esperamos por um bom tempo, quase nos perdemos. ― Disse Rony nervoso.

― Fui ver o meu pai. Desculpe por ter esquecido de vocês. Levantei mais cedo e depois ajudei o Neville, junto com o Simas e o Dino. ― Lily usou do mesmo tom nervoso que Rony para se desculpar. Não era a sua intenção ter deixado os melhores amigos para trás.

― Tudo bem. ― Disse Harry com um sorriso gentil estampado na fase.

A aula de história da magia foi como todos os alunos mais velhos haviam falado. Tediosa e nem um pouco interessante. A voz arrastada e monótona do professor Bins fez com que Lily quase dormisse em mais de dois momentos durante suas explicações, além de que não conseguia diferenciar os nomes e as datas, achando todos iguais. Por sorte tinha Hermione ao seu lado, de quem copiou todas as anotações.

O resto da semana letiva passou devagar, Lily costumava guiar os alunos novos pelos corredores do castelo, desde os da sua casa e até mesmo os de outras. Era comum desencontrar com Rony e Harry durante as primeiras horas do dia, já que os rapazes acordavam atrasados na maior parte dos dias. O que fazia Rony ficar chateado com ela e de mal humor durante toda a primeira aula. Por sorte o trio ficava junto em algumas aulas e no restante do dia.

Quando não estava com Harry e Rony, Lily costumava ficar revezando entre os velhos amigos e os novos. Na lista de novas amizades estavam Hermione Granger, Neville Longbottom, Simas Finnigan e Dino Thomas.

No dia do seu aniversário, Lily teve uma festinha surpresa preparada pelos gêmeos no salão comunal da Grifinória. Fred, Jorge e Lino roubaram várias guloseimas da cozinha e um bolo de chocolate, cantando parabéns para a menina junto com outros alunos da Grifinória que também sentiam afeição por ela. Chegou a ganhar alguns presentes vindos do seu pai, dos velhos professores do castelo, da Sra. Weasley, dos alunos mais velhos e até mesmo dos Malfoy. Mas isso não a fez ficar menos chateada com Draco desde o ocorrido no lago.

A matéria que Lily estava mais ansiosa para aprender era Defesa conta as artes das trevas. Porém a aula do professor Quirell foi horrível, o que a fez correr para o seu pai pedindo ajuda. Uma pitada de orgulho cresceu no coração do Severus com o pedido, o qual colocou um tempo vago em sua rotina para dar aulas extras para a filha.

A sexta-feira chegou mais rápido do que ela poderia imaginar. Lily estava sentada na mesa da Grifinória no salão principal durante o café da manhã. Tinha como companhia Percy Weasley, o monitor da sua casa estava a ajudando com uma parte complicada de história da magia. Quando não sabia o que fazer e não queria irritar Hermione por ter de faze-la explicar pela décima vez a matéria, Lily costumava pedir ajuda para os alunos mais velhos, principalmente aqueles com quem mais tinha empatia.

― Bom dia! ― Desejaram Harry e Rony ao acomodarem na frente da ruiva para tomarem o café da manhã.

― Bom dia! ― Desejou Lily em retorno, mas sem tirar os olhos do colega de casa que terminava de explicar a matéria.

― E foi assim que aconteceu o tratado, entendeu agora? ― Perguntou Percy pousando a pena da Lily sobre o caderno dela. ― Bom dia, Harry. Bom dia, Rony. Também precisam de ajuda para estudar?

― Não, estamos bem, Percy. ― Respondeu Rony com a boca cheia de mingau de aveia. ― O que temos para hoje, Lily?

― Poções. Aula dupla com o pessoal da Sonserina. ― Lily sorriu animada, aquela era a primeira aula de verdade que teria com o pai. Aula da matéria que ele aplicava e não as explicações sobre Artes das Trevas. ― Meu pai será o professor, ele cuida da Sonserina.

― Dizem que ele sempre protege os alunos dele. ― Falou Rony.

― Mentira, vocês vão ver como não é verdade. ― Repreendeu Lily fechando o caderno e devolvendo dentro da bolsa.

― Gostaria que Minerva nos protegesse. ― Disse Harry tristonho.

A ruiva abriu a boca para responder o colega, mas ficou calada quando o correio coruja começou a entrar pelo salão principal distribuindo a correspondência. Ela ri fraco quando percebe que Harry deu um pequeno sobressalto.  As corujas sobrevoavam o salão, lançando cartas aos seus destinatários. Lily recebe algumas corujas como era de costume.

A primeira coruja que deixou correspondência para ela era branca, a caixa embrulhada em papel pardo continha vários doces diferentes e era mandada por Narcissa Malfoy, sua madrinha. Era costume da Sra. Malfoy presentear a garota do mesmo modo que fazia com o filho em todos os correios, por ter passado um ano vivendo com os Malfoy, ela era vista como a filha que Narcissa nunca teve, como a sua bonequinha.

Uma segunda coruja, dessa vez marrom, entregou outra carta para Lily. Dessa vez mandada por Carlinhos. Era uma carta resposta, como havia prometido, ela não deixava de atualizar os Weasley mais velhos das suas aventuras. Assim como eles faziam o mesmo. Nela continha uma foto dele carregando um bebê dragão e um broxe com o desenho de um dragão verde-gales cuspindo fogo. Ela aproveitou a mesma coruja para responder a carta dizendo o quanto adorou o presente e mais algumas coisas interessantes que aconteceram desde a última vez que escreveu.

A última e não menos importante era uma carta do Hagrid a convidando para tomar chá na sua casa durante a tarde de sexta, quando ela e os amigos ficassem livres das aulas. Ela não tardou a responder com um amistoso e gigantesco sim em uma folha de papel. Estava ansiosa para colocar o assunto em dia com o melhor amigo e padrinho.

― Acho melhor irmos para a sala. ― Disse Lily aos rapazes quando os dois terminaram o café da manhã;

― Claro. ― Assentiu Rony limpando a boca na manga das vestes. ― Não queremos ver o Snape bravo.

― Vai querer ajuda essa tarde, Lily? ― Perguntou Percy quando a menina levantou.

― Não precisa, obrigada. Já tenho planos. ― Ela agradeceu sorrindo. ― A gente se vê por aí.

Os três despediram do Percy com um aceno de mão e foram para as masmorras. A ruiva fez questão de pegar um lugar na primeira fileira, para que assim tivesse o melhor lugar e seu pai percebesse o quanto era uma aluna dedicada. Os rapazes preferiram a segunda fileira, deixando Lily com Hermione.

Severus entrou na sala de aula sério, com expressões frias e de poucos amigos, típico da sua personalidade. É por isso que Snape não é um dos professores mais amados de Hogwarts. Ele começou a aula fazendo a chamada, como a maioria dos outros professores haviam feito. Ao dizer o nome da Lily, trata a sua presença com descaso, como estava tratando todos os outros alunos. Ela sorri orgulhosa ao perceber que não teria vantagens. Ao terminar a chamada, Snape começou com o seu típico discurso de primeiro dia de aula. Assim como a professora Minerva, ele não tinha dificuldades em deixar a sala de aula em silêncio.

― Vocês estão aqui para aprenderem a ciência sutil e a arte exata de poções. Como aqui não fazemos gestos tolos, muitos de vocês podem pensar que isso não é mágica. Não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos... Posso ensinar-lhes a engarrafar a fama, cozinhar a glória, até a zumbificar se não forem um bando de cabeças ocas que me mandam ensinar. ― Os olhos do professor de repente pararam sobre Harry. Lily olha do pai para o amigo e revira os olhos. Não compreendia a implicância que ele tinha com o menino. ― Potter! O que eu obteria se adicionasse raiz de Asfódelo em pó em uma infusão de losna?

Harry olhou do Rony para Lily em busca de ajuda. A ruiva estava com o braço levantado assim como Hermione Granger. Enquanto Hermione fazia isso para provar a sua capacidade, Lily cometia o ato para aliviar o fardo do Harry e tirar a atenção pai que estava sobre ele.

― Não sei, não senhor. ― Respondeu Harry.

A boca do professor se contorceu em um riso silencioso de desdém.

― Tsk, Tsk. A fama, pelo visto, não é tudo. ― Ele ignorou as mãos das garotas no ar e continuou com as perguntas. ― Vamos tentar outra vez, Potter. Onde você iria se eu lhe pedisse para trazer bezoar?

Lily e Hermione permaneceram com as mãos esticadas no alto. Draco e sua turma se contorciam de tanto rir por Harry não saber as respostas certas.

― Não sei, não senhor. ― Disse Harry mais uma vez.

― Achava que não precisava folear os livros antes de vir, Potter? ― Disse Snape sarcástico. ― Qual a diferença entre um acónico licoctono e acônico lapelo?

― Não sei. ― Respondeu Harry em voz baixa, mas sem esconder a irritação. ― Mas acho que Lily e Hermione sabem, porque não pergunta para elas?

― Cale-se. ― Ordenou Snape rispidamente. Lily resmunga descrente, colocando as mãos na nuca e abaixando a cabeça. Não conseguia acreditar que Harry tivera coragem de enfrentar o pai daquela maneira. ― Lily, responda todas as perguntas.

― Tudo bem. ― Ela ergueu a cabeça, respirou fundo e pigarreou antes de prosseguir. ―Asfóleo e Losna produzem uma poção muito forte que é conhecida como poção do morto-vivo. O Bezoar é uma pedra retirada do estômago de uma cabra e pode salva-lo da maioria dos venenos. Quando os acônicos, eles são plantas do mesmo gênero e...

― Porque não estão copiando o que ela está dizendo? ― Snape a interrompeu por alguns segundos. O silêncio da sala foi preenchido por barulhos de penas passando sobre os pergaminhos. ― Eu vou descontar um ponto da Grifinória por sua impertinência Potter.

― Mas vai acrescentar um ponto, não vai? ― Perguntou Lily inocentemente ― Eu respondi todas as questões corretamente.

― Não fez mais do que a sua obrigação. ― Respondeu Snape com desdém.

A garota arregalou os olhos, estando petrificada com a resposta dada pelo pai. Não esperava por ela na frente de todos os alunos. Ele ignorou o olhar lançado pela menina e foi para a lousa, onde anotou a tarefa da aula. Era uma poção simples para curar furúnculos. Propositalmente ele colou Lily com Draco Malfoy. O que não a agradou outra vez.

― Seu pai sabe o que é melhor para você. ― Sussurrou Draco quando ela se juntou a ele.

― Cale a boca, Malfoy. Ainda estou brava com você. Não me obrigue a fazer um veneno e empurrar direto por sua garganta. ― Disse Lily separando os ingredientes da poção antes de começar a misturar. ― Eu preparo, você conta o tempo.

― Você não pode ficar brava comigo a vida toda, já pedi desculpas. ― Disse Malfoy pegando o cronómetro bruxo. ― Eu sinto muito.

― Não me tente, Malfoy. ― Resmungou Lily colocando os ingredientes e mexendo na ordem ditada do quadro negro. ― Porque você vira um bosta quando está com os seus amiguinhos?

― O que quer dizer com isso? ― Perguntou Draco confuso, retirando os olhos do marcador por breves segundos.

― O que você entendeu. ― Lily revirou os olhos sem parar de mexer a poção. ― Você adora ser um babaca quando está cercado por esses imbecis. Agora vamos focar na lição, minha nota é mais importante que essa discussão.

Snape andava de um lado para o outro com a capa balançando por onde passava. Suas críticas eram duras, principalmente com os alunos da Grifinória. Os únicos que não levaram esporos foram Lily e Draco, os quais foram usados como exemplos durante toda a aula.

― Devemos fazer isso mais vezes. ― Disse Draco apoiando o corpo na bancada enquanto aproximava da Lily.

― Podemos, mas isso não significa que não estou brava com você. ― Respondeu Lily colocando a poção pronta dentro de um vidrinho.

― Eu já pedi desculpas, Lily. ― Sussurrou Draco frustrado.

― Não é o suficiente. ― Ela colocou o vidro com a poção e seus nomes na mesa e olhou brava para o rapaz.

― Ergue o pé! ― Ordenou Draco quase os berros enquanto puxava ambos os pés da Lily para cima do banquinho. Ela olhou confusa para ele, sem compreender o que estava acontecendo. ― Neville derreteu o caldeirão, olhe a burrada que aquele idiota fez.

― Por Merlin. Essa poção nem é das mais difíceis. ― Disse Lily olhando confusa para Neville e em seguida voltando a olhar para o loiro. ― Obrigada. Mas isso ainda não é o suficiente.

― Já é um começo. ― Draco deu com os ombros e sorriu. Lily retribuiu o sorrio, mas logo fechou a cara.

Enquanto Draco ficou responsável por limpar o ambiente de trabalho escolar, Lily levou o frasco com a amostra de poção até o pai, sendo uma das primeiras alunas a colocar a tarefa sobre a mesa do professor. Ele sorriu sem mostrar os dentes, estando orgulhoso do resultado da dupla.

― Maravilhoso! Herdou meus talentos, Lily. ― Disse Snape para a filha quase em um sussurro. Ela alargou o sorriso, estando feliz em conseguir agradar seu pai durante a aula. ― Cinco pontos serão acrescentados para a Grifinória.

― Obrigada. ― Agradeceu a ruiva com sutileza.

― Você vem conosco, Lily? ― Perguntou Rony após colocar a poção dele e do Harry ao lado da dela. As expressões agradáveis do rosto do professor sumiram mais rápido do que haviam aparecido.

― Vou sim. Te vejo mais tarde, papai. Digo, professor Snape. ― Ela sorriu animada para o pai e deixou a sala com a companhia de Harry e Rony. Quando estavam alguns metros longe da sala voltou a falar. ― Sinto muito pelo meu pai.

― A culpa não é sua. ― Disse Harry gentil enquanto acariciava o braço da amiga.

― Posso ir com vocês na casa do Hagrid? ― Pediu Rony mudando o assunto. Sabia o quanto reclamar sobre o comportamento do Snape na frente da ruiva a deixava chateada.

― Porque não? ― Ela voltou a sorrir. ― Vai ser divertido.

As cinco para as três da tarde, o trio deixou o castelo rumando em direção a casa do guarda-caça. Lily havia dado a dica de comerem bem no almoço, já que Hagrid não era muito bom cozinhando. Quando chegaram, Harry fez as honras de bater na porta, o barulho fez com que Canino, o cachorro do guarda-caça, latisse ferozmente.

― Para trás, Canino. Para trás. ― Ordenou Hagrid ao seu cachorro antes de abrir a porta. De repente, a cara barbuda do meio gigante apareceu na beirada da porta. ― Esperem aí! Para trás, Canino.

Após brigar mais um pouco com o cachorro, Hagrid deu espaço para que as crianças pudessem entrar. Segurava com força a coleira do grande cão negro da raça Mastim Napolitano. Lily estava feliz em regressar para lá, sentia falta da casa do guarda-caça e dos tempos que passavam juntos, conversando sobre coisas aleatórias e brincando. Ela possuía muito o que dizer para Hagrid, muitas novidades para contar.

― Sintam-se à vontade. ― Falou o homem soltando o cachorro, o qual logo pulou sobre Lily e começou a lamber as suas orelhas. A ruiva ria enquanto brincava com o enorme cão no chão.

― Este é o Rony. ― Harry apresentou o outro ruivo para Hagrid. O qual já estava despejando água quente em quatro grandes canecas e colocando biscoitos em um prato.

― Mais um Weasley, hein! ― Exclamou Hagrid vendo as sardas do rapaz. Lily levantou do chão e acomodou em uma das cadeiras ao lado dos amigos. ― Passei metade da minha vida expulsando seus irmãos da floresta.

Os biscoitos feitos de bom coração pelo guarda-caça estavam duros, quase quebrando os dentes dos três. Mesmo assim eles fingiram que adoraram e começaram a contar para Hagrid como estava sendo a primeira semana de aula em Hogwarts. Ele mais ouviu do que disse algo, já que as crianças pareciam ter muito o que contar.

― Não liguem para o Filch, aquela guitarra velha. ― Disse Hagrid fazendo as crianças rirem após escutar as reclamações.

― Eu joguei água na gata dele ontem. ― Falou Lily dando com os ombros e sem mostrar arrependimento. Os três homens presentes olharam surpresos para a menina, a qual continuou bebericando seu chá como se nada tivesse acontecido. ― Qual é? Ela me dedurou.

― E o que a mocinha andou aprontando? ― Perguntou Hagrid curioso.

― Estava ajudando o Pirraça a jogar papel higiênico no corredor da sala do Filch. ― Os três deram risadas, enquanto Lily permaneceu tratando tudo com naturalidade.

― Os gêmeos não estão lhe fazendo bem. ― Disse Rony balançando a cabeça em negação.

― E o que o Filch fez? ― Perguntou Hagrid estando muito curioso para saber o resto da história.

― Me fez limpar tudo...

― Não, antes disso. ― Disse Harry interrompendo a menina, estando tão curioso quanto os outros.

― Me deixou em detenção quando eu tentava pegar o atalho do terceiro andar. Me esqueci que o corredor estava com a passagem proibida. Então, quando eu percebi, estava forçando a porta se abrir. ― Explicou Lily com calma. ― Agora vou passar o sábado limpando a sala dos troféus.

Os três gargalharam e mais uma vez o assunto foi mudado. Dessa vez Harry relatou sobre o ocorrido durante a aula do professor Snape. Não escondeu nenhum detalhe do Guarda-Caça, mesmo sabendo que aquilo poderia chatear Lily. A menina ficou envergonhada da atitude do pai e permaneceu em silêncio, apenas escutando o que o moreno tinha para falar. Não podia defender seu pai, pois sabia que o ele havia feito foi errado e uma implicância idiota.

― Ele parece me odiar. ― Disse Harry após relatar o incidente.

― Bobagem! Por que o odiaria? ― Perguntou Hagrid gesticulando para que Harry deixasse o assunto para lá. ―  Como vai o seu irmão, Carlinhos? Eu gostava muito dele, tinha muito jeito com os animais.

Lily sentiu um grande alivio no peito quando Hagrid mudou o assunto. Não queria ninguém falando mal do seu pai. Mesmo que Snape possuísse todos os defeitos, jamais permitiria que alguém, independente de quem fosse, acabasse com a imagem de bom homem que possuía dele. Um homem que a amava e dava o melhor para que tivesse uma boa vida.  Ela sorri, terminando de beber o chá na companhia dos amigos, aquela semana de aula havia sido melhor do que poderia imaginar.



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