1. Spirit Fanfics >
  2. Another try. >
  3. Left behind.

História Another try. - Capítulo 2


Escrita por: e yeuxnf


Notas do Autor


Oi, gente!
Chegamos com mais um capítulo para vocês. ♥
Gostaríamos muito de agradecer a cada um que se propôs a ler a história, adicionou entre as favoritas e compartilhou com as coleguinhas. Obrigada mesmo.
Amamos ler cada um dos comentários no primeiro capítulo e acreditem: isso faz toda a diferença. Cada palavrinha tem sido escrita com muito carinho.

Boa leitura e até o próximo.

Capítulo 2 - Left behind.


Fanfic / Fanfiction Another try. - Capítulo 2 - Left behind.

Com lágrimas nos olhos, Alex buscou pelo celular no bolso de sua jaqueta. Discou o número da emergência e solicitou que uma ambulância viesse ao local o mais rápido possível. Enquanto aguardava sentada ao lado do corpo inerte da namorada, Vause limitou-se a fitar o rosto pálido de sua amada, que agora fazia contraste com o vermelho do sangue derramado ao chão.

Não levou muito tempo e o resgate chegou. Os socorristas fizeram todo o trabalho até que o corpo estivesse numa maca dentro do carro. Alex acompanhou tudo, estática, ainda não tinha assimilado tudo que havia acontecido naquela pista. 

Foram levadas para o Toronto General Hospital. Não era o mais próximo, mas o único que contava com um laboratório de patologia forense.  Chegando ao local a morena foi atendida por um médico.

- Boa noite. Sou o doutor Miller. – Estendeu a mão para cumprimentá-la. – Sinto muito. Você é amiga dela?

- Sou a namorada. Para onde ela será levada? – Perguntou eufórica.

- Ela será encaminhada para o laboratório patológico. – Respondeu analisando a ficha que foi trazida pelos paramédicos.  – Aqui diz que ela escorregou numa pista de gelo e bateu a cabeça numa estrutura metálica. Foi isso que aconteceu?

- Sim, eu acho. Não estava por perto no momento, mas ela está com a cabeça machucada.

- Bem, tudo isso vai ser analisado. Você vai precisar ir até a recepção preencher algumas fichas. – Guiou-a até o local, indicando onde tudo seria feito. – Mas antes sugiro que se acalme. Qualquer coisa que precisar pode procurar por mim, mas não vá até o laboratório.

Alex sentou em uma cadeira e fechou os olhos por um instante. Sua cabeça doía, estava aflita. Era obrigada a fazer aquilo. Precisava dar a notícia aos Jones. Com o celular de Sylvie em mãos, pensou na melhor forma de se fazer isso. Nunca tinha os visto. O pouco que conhecia deles era o que escutava da namorada, o que não serviu para deixá-la tranquila. Mas, ainda assim, precisava avisá-los.

Em casa, Robert assistia ao campeonato de basquete, sentado na sala de estar, enquanto aguardava o jantar que era preparado por Anne na cozinha. Reclamou quando ouviu o telefone tocar. Não queria perder nenhum segundo do jogo. Percebeu que se tratava de sua filha e atendeu.

- Olá, Sylvie.

- É.. senhor Jones, aqui é Alex. Alex Vause.

- O que? Como tem coragem de ligar na minha casa? Não tenho nada para falar com você, e nem ninguém aqui!

- Por favor! Eu preciso que o senhor escute. É sobre a Sylvie. – Falou depressa temendo que ele desligasse.

- O que você fez com ela? Onde ela está? O que...  – Foi interrompido.

- Por favor, eu preciso falar. – O coração palpitava, estava tão nervosa. – Ela sofreu um acidente enquanto estávamos patinando no centro. Estou aqui no hospital... - Não pôde terminar de falar.

- ACIDENTE? O que você fez com ela, sua irresponsável? Quem você pensa que é, eu espero que ela esteja bem, caso contrário você vai se arrepender do dia que chegou perto da minha filha! – Gritou desesperado.

Da cozinha Anne ouviu o escândalo que o marido fazia na sala. Desligou o forno e foi ver o que estava acontecendo. O que viu foi Robert com uma expressão exasperada, gritando com alguém ao telefone. Puxou o aparelho da mão dele e o fez sentar na cadeira que tinha ali ao lado.

- Quem está falando? – Perguntou querendo saber a causa de tamanha agonia.

- Senhora Jones! É a Alex, desculpa por isso, eu só estava avisando... - Anne fez questão de cortá-la.

- O que você quer?

- É sobre Sylvie. Estou no hospital. Ela sofreu um acidente. – Foi o que disse apenas.

Ao saber do que se tratava foi impossível manter-se de pé. Sentiu um aperto no peito, as pernas ficaram fracas, e faltou a voz.

- Senhora Jones? Por favor, responda. Não desligue. - Alex chamou por ela.

- Ela está bem?

- Não, eu estou aguardando notícias. – Preferiu não contar por telefone. – Eu preciso que venham até aqui.

- Em que hospital estão? Me diga o endereço.

- Fica na Gerrard st W. Próximo ao Queens Park. Estarei na recepção.

- Chegaremos logo. – Disse e encerrou a chamada.

Robert estava furioso. Queria ir depressa ao encontro de Sylvie, mais do que isso, queria ficar frente a frente com Alex, não deixaria nada barato qualquer ação dela à filha. Anne o tranquilizou e pediu para que fossem logo para o hospital.

XXX

Alex estava tão atônita que não derramou mais nenhuma lágrima. Estava doendo muito. Sylvie não voltaria. Não era como os feriados em que ela viajava com os pais, como os fins de semana em que não conseguia uma boa desculpa para se encontrarem. Era definitivo.

Por que isso foi acontecer? Por que não a levei a um restaurante, como sempre fazíamos? Por que fui patinar sozinha? Por que não pensei que não seria uma boa ideia?

Quando estacionaram o carro na vaga do hospital, Robert e Anne correram em direção à recepção. Não conheciam o rosto de quem procuravam, mas a mulher soube exatamente onde ir quando viu uma morena alta, de cabelos longos segurando seus óculos nas mãos de cabeça baixa.

- Alex? – Parou de pé perto da cadeira dela.

- Senhora Jones. – Levantou a cabeça e olhou a pequena mulher a sua frente, e o homem que a acompanhava.

- Onde está a minha filha? O que você fez com ela? – Robert falou em tom alto, chamando a atenção de algumas pessoas.

- Robert, não precisa disso! – Anne acalmou o marido. – O que aconteceu, que acidente foi esse? – Perguntou para Vause que permaneceu calada.

-Você, por um acaso, é surda? Conta de uma vez por todas! – O homem esbravejou.

Pediu aos mais velhos que sentassem e começou a relatar os fatos desde que tinham chegado à praça, até o acidente.

- E agora onde ela está? – Anne perguntou após ouvir a história.

Alex sentiu que seu coração sairia pela boca a qualquer momento, sentia vontade de desmaiar.

- No laboratório patológico. – Suas mãos tremiam muito.

Silêncio.

Robert e Anne se olharam. Sabiam o que aquilo significava.

- Você não tinha o direito de se meter na vida de Sylvie! Você a matou! – A reação do homem foi gritar. – Olha bem o que você fez. – Apontou para a esposa que chorava desesperadamente.

- Senhor Jones, por favor, eu sei o que estão sentindo. Eu não machucaria a Sylvie. Nem tampouco a mataria. – Disse assustada com o que ouviu de Robert.

- Não! Você não sabe o que estamos sentindo, e nunca irá saber. Você é sozinha, não sabe o que é o amor de uma família.

- Não é por que não tenho meus pais ao meu lado que não sei amar e ser amada. Sylvie me amava e era recíproco. Não venha agora me dizer coisas sem sentido, só porque nunca aceitou uma escolha de sua filha. Você é mesmo um grande egoísta! – As lágrimas que antes se privaram, agora escorriam pelo rosto dela.

- Vai embora agora. Não tem porque estar aqui. Você já destruiu a nossa família, já tirou ela da gente. Não resta mais nada a fazer.

- Eu não vou. Não vou sair do lado dela só porque você se acha no direito de me acusar, falando coisas horríveis.

- Você acha que isso vai ficar assim? Eu vou provar que você é culpada, espere uma intimação.

Anne que não tinha se manifestado até o momento, se levantou e lançou um olhar inexpressivo para Alex que a encarou também.

- Vá para casa. Não há o que fazer aqui, nós cuidaremos de tudo. – Viu que Alex ia falar algo e foi mais rápida. – Por favor, não piore as coisas. Já tivemos problemas demais acontecendo.

Anne saiu puxando o marido pela mão.

Sozinha outra vez, Alex ficou por ali a espera de qualquer notícia sobre Sylvie.

- Moça? – Uma enfermeira que acabava de chegar para cumprir seu turno, chamou por Vause quando a viu dormindo em uma das cadeiras da recepção.

- Hum... Oi. – Abriu os olhos com dificuldade e se endireitou na cadeira, sentindo os efeitos da posição nada confortável em que pegou no sono.

- Está aguardando alguém? – Questionou.

- Estou. É... Será que consigo falar com o doutor Miller? – Levantou-se e olhou para o corredor a sua esquerda.

- Pelo horário outro médico deve estar no lugar dele. Vá até a recepção e pode se informar. – Saiu apressada.

Alex sabia que não conseguiria nenhuma informação na recepção. Na noite passada tinha feito dez, talvez vinte, tentativas de saber o que acontecia naquele laboratório. Não viu mais os Jones, e agradeceu por isso. Cansada e com fome resolveu ir até seu apartamento. Depois buscaria informações sobre Sylvie.

XXX

Anne já tinha acabado com todo seu estoque de lágrimas. Sempre à frente para resolver as questões sobre o velório e enterro da filha, ela não se continha quando se dava conta que não mais a veria.

Estava na companhia do marido, finalmente em casa, quando pensou em Alex. Quanto conselho havia dado sobre não se envolver com ela, sabia que isso não iria longe. Tinha medo que a filha sofresse, mas não imaginou que algo tremendo, como a morte, findaria essa história.

- Robert. Talvez devêssemos ligar para Alex e avisá-la sobre o funeral. – Foi direta, pois sabia que o marido acharia uma grande insensatez.

- Você tem noção do que disse? – Não acreditou no que ouviu.

- Estou dizendo isso pois sei que em qualquer circunstância ela vai acabar aqui, causando confusões, ou você acha que ela não vai querer saber de nada? – Falou atenta a qualquer reação dele.

- Exatamente, Anne. Isso só trará mais confusões. Já foi o bastante você deixar nossa filha se aproximar daquela mulher profana. Pare com suas leviandades. – Disse e saiu em direção às escadas.

Anne ficou em silêncio. Não ignorou o que havia escutado, mas sentia-se como se algo precisasse se completado, e faria isso. Não por Alex, mas por Sylvie.

No silêncio e escuridão do apartamento, Alex estava encolhida no sofá enfrentando o turbilhão de sentimentos que deixavam seu estômago revirado, e rastros de lágrimas em suas bochechas vermelhas. Não trancou a porta, as janelas abertas sugavam o vento gelado e forte que esvoaçava as cortinas. Suas roupas hiper quentes a sufocavam, deixou os sapatos na entrada logo que chegou, os pés descalços davam o respiro que ela precisava.  Deslizou o anel que ganhou de Sylvie entre os dedos, suspirando pelo que, inesperadamente, fracassou.

Ainda com o celular da namorada, passeou pela galeria a fim de ter um respiro. Parou em uma foto especifica era o dia em que dormiram juntas pela primeira vez. Como foi difícil planejar a desculpa perfeita para os pais dela.

 “Hoje é um dia muito feliz. Precisamos registrá-lo.” - Pôde escutar exatamente a voz dela quando lembrou. Sorriu.

A foto deu lugar a uma chamada telefônica. - “Mamãe”

- Alô? - Não pensou mais que uma vez para atender.

- Estou ligando para avisá-la sobre o funeral. Você sabe o endereço. Acontecera às 18h. – Foi tudo que disse.

XXX

Quando chegou ao local parou e observou. A casa que tanto conhecia, e ao mesmo tempo nunca havia adentrado. Recordou de todas as vezes que ensaiava sua possível ida até lá, que grande ironia isso acontecer num momento tão triste. Passou pela porta e se deparou com muita gente. O clima era pesado, a família recebia as condolências. Chegou perto do casal mais velho e acenou com a cabeça, como quisesse mostrar que estava ali presente. Robert tentou ir até ela, mas foi impedido por Anne.

- O que ela faz aqui? – Falou quase num sussurro, sem se mover de sua posição.

- Só não faça escândalo justo aqui. – Não tirou os olhos da morena.

Alex parou em frente ao caixão, nem tentou segurar o choro. Os dedos longos passearam pelo rosto de Sylvie, prestando muita atenção.  A expressão serena como se dormisse tranquilamente. As bochechas rosadas, agora pálidas e gélidas. Os cabelos macios que gostava de acariciar quando deitada em seu colo. Quis guardar cada milímetro daquela beleza em sua memória. Para revê-la todas as noites em seus sonhos, para sorrir por ter tido a sorte de viver coisa tão visceral.

- Quem é a moça que tanto chora, e não sai de perto daquele caixão? - Amy, irmã de Robert questionou o casal.

- É uma amiga de Sylvie. Eram muito próximas. – A mulher respondeu olhando para o marido.

- Deviam ser mesmo. Está dando até dó de ficar aqui olhando. Será que ela não quer uma agua? Vou até lá. – Foi em direção a Alex.

- Espera, está tudo bem. – Anne foi atrás da cunhada.

- Olá, querida. Não quer se sentar e descansar um pouco? – Amy perguntou tocando-a no ombro.

- Não! – Anne se adiantou. – Tudo bem, ela disse que não demoraria. Já deve estar indo embora.

- Acho que tenho o direito de me despedir da minha namorada, sem um cronometro rodando. – A morena se manifestou, deixando Amy surpresa com a informação.

- Alex, querida. Vou levá-la para tomar uma agua. – Empurrou-a para a cozinha.

- O que pensa que está fazendo? Eu te chamei aqui, você veio e já viu ela. Não precisa dar seu showzinho. Apenas vá embora.

- Eu pensei que vocês queriam respeitar a memória da Sylvie, e ao menos hoje não serem tão cruéis, mas estou enganada.

- Tudo bem. Pelo visto me enganei também, não deveria tê-la avisado. Pois bem, agora pode sair. – Apontou para a porta da frente.

Nesse momento Robert adentrou a cozinha, enfurecido. Sua irmã já havia dito a todos que Alex era namorada de Sylvie.

- Saia da minha casa agora ou eu chamo a polícia! – Ficou diante de Alex.

- Eu vou sair, mas não porque tenho medo de suas ameaças, e seu autoritarismo. É por Sylvie. Não quero que isso se transforme numa zona, quero que vá em paz, diferente de vocês que não a respeitam nem neste momento – Desabafou.

- Cale a boca e não fique mais nenhum segundo aqui com suas mãos sujas se sangue! Você vai pagar caro por isso. Eu vou fazer você pagar. Aguarde! – Gritou com Alex até que ela estivesse na rua.

XXX

Alex despertou no mesmo instante em que o céu deu o primeiro sinal de claridade. Faziam duas semanas desde que Sylvie havia partido, mas a sensação era de que tudo tinha acabado de acontecer. Levantou-se com muito pesar como fazia todos os dias rumando em direção ao trabalho, mas diferente de todos os outros, aquele era o dia de enfrentar tudo de frente.

Como Robert havia lhe deixado claro, recebeu uma carta em seu endereço indicando a data de uma audiência. Ficou surpresa, não só pela rapidez, mas, pela petulância daquele homem que insistia em lhe acusar sem cabimento algum.

De banho tomado e devidamente vestida, Alex estava na cozinha. Não sentiu muita vontade de comer, então resolveu tomar mais uma, de suas muitas, xícaras de café. Um costume aconchegante tinha se estabelecido no silêncio. A solidão tomava conta de sua casa, mais uma vez. Trancou a porta da frente e saiu apressada. Queria logo acabar com tudo aquilo.

- Bom dia, Srta. Vause. Já nos aguardam dentro da sala. – Seu advogado lhe cumprimentou assim que a viu chegar.

- Bom dia, Dr. Lopez. Vamos lá. – Seguiu os passos dele até chegarem

Quando adentrou a sala sentiu seu estômago revirar. Olhar para aquele homem detestável lhe dava náuseas. Sentou ao lado de seu advogado, ficando de frente para ele, que a encarava com uma expressão muito séria.

- Com todos aqui, podemos dar início. – O juiz se pronunciou.

- Bem, meu cliente acusa a Srta. Vause por ser a causadora da morte de sua filha, Sylvie, no dia 13 de dezembro. – O advogado de Robert falou e entregou uma pasta ao juiz. – Ela se aproximou de Sylvie por interesse, visto que não tem boas condições de vida.

- O que? Você só pode estar brincando comigo. – Alex o interrompeu, enquanto Robert a olhava se sentindo satisfeito por conseguir atingi-la.

- Vause, sente-se e espere ele terminar. – Foi contida por seu advogado.

- Continuando... Aproximou-se dela por interesse, já que sempre estavam a viajar, em passeios pela cidade. Tentou tirar-lhe dinheiro, mas sem sucesso. Então teve seu último ato consumado.

- Todos esses argumentos não são válidos sem a apresentação de qualquer prova concreta. – Dr. Lopez disse em defesa.

- Pois sua cliente o fez para que não tivessem. Procurou o local e horário mais propício para que se passasse por um acidente.

- Você não pode fazer isso! Está sendo completamente injusto. – Alex se levantou apoiando uma das mãos sobre a mesa, apontando para Robert que permaneceu calado.

- Srta, peço que mantenha sua postura, ao contrário não poderemos prosseguir. – O juiz se pronunciou.

- Meritíssimo, o Sr. Jones e seu advogado estão fazendo uma acusação completamente sem cabimento, sem base nos argumentos.

- Ele é o pai da vítima. Viu o comportamento da filha mudar já quando sua cliente se aproximou. Não há o que contestar. – Defendeu o advogado de Robert.

- Nada disso. Ele só está fazendo isso pois não aceitava a escolha dela. Nunca aceitou nosso namoro. Nunca aceitou o fato dela se relacionar com outra mulher. – Alex desabafou.

- Isso procede? – Jones foi questionado pelo juiz.

- Não. Eu nem sabia dessa história de namoro. Ela está inventando coisas para se livrar da culpa. – Falou, olhando para o advogado que se preparava para falar.

- Pois me parece que sim. Srta. Vause, fale sobre sua relação com a vítima.

- Nós nos conhecemos há dois anos, tínhamos alguns amigos em comum. Começamos a namorar um tempo depois. Os pais dela sabiam disso, mas não aceitavam. Preferimos não insistir, para evitar brigas. Então eu não os conhecia pessoalmente até o dia do acidente.

- Ela está tentando reverter a história. O ponto é a morte de Sylvie, não o que fazia parte do plano antes. – O advogado de Jones falou.

- Bem, a fala da Srta. Vause parece fazer bastante sentido. Visto que os senhores estão munidos de argumentos contra ela, mas sem poder comprovar. – O juiz falou.

- Meritíssimo. Eu, como promotor, sei que podem começar uma investigação para assim termos provas de fato. Sem isso, não teremos nada mesmo. – Robert tentou convencê-lo.

- Mas sua posição aqui não é essa. Para mim está claro que outras questões precisam ser resolvidas. O processo será arquivado e continuará assim enquanto não forem mostrados qualquer indício concreto de culpa a Srta. Vause.

Os quatro se levantaram e saíram da sala. Alex se sentiu aliviada, e agradecia ao seu advogado.

- Não é porque você conseguiu comprar mais um com suas histórias que você não tenha sido a culpada disso. Para mim você continua sendo uma farsa! – Robert a abordou na saída do fórum.

- Isso é para você ver que nem todos tem o seu mau caráter. Passar bem. – Respondeu e logo saiu.

O esplendor da garrafa de whisky sobre o balcão da cozinha era como uma resposta não-verbal. Não era adepta a tais bebidas, mas precisava deixar o álcool lavar tudo aquilo que agora tinha acabado. A dor ainda se fazia presente, e sabia que por tão cedo ela iria embora. Mas no momento, qualquer coisa a menos para se preocupar era uma vitória.

 

3 ANOS DEPOIS...

- Oi, Nicky! – Alex atendeu a chamada.

- Ei, como você está, garota?

- Bem. – Se limitou a dizer. Na verdade Alex já estava mais do que acostumada a responder daquela forma. Era um jeito fácil que havia encontrado de não lhe bombardearem de questionamentos. – E você?

- Conheço esse seu ‘bem’ e sei que está mentindo para mim.

- Não estou. – Tentou seguir com a ideia.

- Está sim, Alex. Eu te conheço. – Afirmou.

- Me deixa, Nicky. – Pediu. – Vamos lá, o que você precisa?

- Eu, nada. Você, no caso, é sair de casa, conhecer gente, dar uma volta. Voltar a viver!

- Já falamos sobre isso em outras ocasiões. Não?

- Vause, vamos, é apenas um bar.

Alex pensou bem, não queria negar o convite mais uma vez. No final das contas, Nicky só queria lhe ajudar.

- Hein? Por favor. Não voltaremos tarde. Eu prometo!

- Quem vai? – Perguntou, desconfiada.

- Eu, Lorna e você. Apenas nós três. Tomaremos algumas cervejas e depois voltamos para casa. Que tal?

Respirou fundo e respondeu. – Tudo bem, eu vou.

- Ah! Ótimo.  – Animou-se. – Isso é muito bom.

- Onde nós iremos?

- No Real Sports Bar and Grill.

- Certo. Nós encontramos às 8h?

- Combinado. Até mais tarde, vou correr para reservar a nossa mesa! Coloque o seu melhor look, porque noite é uma criança. – Soltou.

Alex riu, negando com a cabeça. – Até!

Seis meses após a morte de Sylvie, Nicky havia sido contratada pela produtora em que Alex trabalhava. Elas trabalhariam juntas, então o contato seria inevitável. Aos poucos, a jovem se aproximou da morena e passaram a compartilhar coisas simples, como um almoço, um novo filme no cinema e até uma boa caminhada pelo parque. Era uma forma de fazer o luto de Vause ser um pouco menos doloroso. Evoluíram de simples colegas de trabalho a belas amigas.

XXX

O Real Sports Bar and Grill era um pub super bacana, talvez um dos mais divertidos de Toronto. Contava com diversos telões espalhados pelo ambiente onde era possível acompanhar os jogos. Como era colado ao Air Canada Centre, o estabelecimento costumava receber muitos visitantes que paravam para comer alguns petiscos, acompanhados de bons drinks como ‘aquecimento’.

Naquela noite a partida seria entre o ‘Toronto Raptors’, líder da casa, contra Detroit Pistons. O resultado? Um bar lotado. Com isso, Nicky preferiu fazer uma reserva para garantir a mesa para elas.

Alex foi a primeira a chegar, não trajava nada chique. Suas roupas eram simples, calça jeans escura, coturnos na mesma cor, uma camiseta branca com as mangas longas e jaqueta quente por cima. Tinha os fios de cabelos preto, presos em um rabo de cavalo no alto, acompanhada dos óculos.

Às vezes tinha a sensação de que já não era mais jovem o suficiente para se divertir em noites como aquelas. Olhava tudo ao redor, sempre com a sensação de vazio. Faltava algo, desde a partida de Sylvie faltava. Não era frescura, ela não incomodava ninguém, tão menos se vitimizava. Alex vivia seu luto calada, um dia após o outro, sem criar muitas expectativas para o seu futuro. O que viesse a partir daquele momento, era lucro.

Demorou quase dois anos para conseguir se relacionar com outra pessoa. Não deu certo. Passaram poucos meses juntas, dois ou três, no máximo, mas não se encaixavam. As pretensões eram completamente diferentes, ainda assim, Alex insistiu. Buscou ouvir os infinitos conselhos de Nick que lhe dizia: ‘Dê uma oportunidade. A Catlin é uma boa pessoa’. Era mesmo, não havia dúvidas quanto aquilo, mas ela buscava por alguém que apenas se divertisse com ela e definitivamente essa pessoa não seria Vause.

Como Sylvie costumava dizer, Alex era inteligente, bela, acolhedora, paciente. Podia conseguir tudo. Quando, onde e com quem quisesse. O fato era: o dia que encontrasse alguém, teria que ser entrega completa, por inteira mesmo. Metades não lhe satisfaziam. Uma parte menos ainda.

Encostada na fria parede do bar, ela acenou para o casal de amigas, sorriu sincera e aguardou pelas duas.

- Finalmente! – Falou, cumprimentando-as.

- Desculpe, fui buscar a Lorna e você é pontual demais. – Riu. – Credo!

- Ué. – Levantou os ombros.

- Vem, vamos para a nossa mesa, assim conseguimos assistir ao jogo.

- Qual aposta? – Lorna perguntou.

- Alex irá dizer que os Raptors levarão a partida. Conheço bem a peça. – Nick respondeu.

- E você que eu estou certa, oras. – Brincou.

- Aposto dez dólares e duas rodadas de cerveja que Detroit Pistons vai bater na trave.

- Você é sacana, Nicky. – Negou com a cabeça.

Gargalharam juntas.

Já na mesa elas saborearam algumas porções de fritas e qualquer outra coisa bem gordurosa, enquanto jogavam conversa fora.

- E como estão as produções natalinas, Alex? Ainda estamos em outubro, mas creio eu que agora o único pensamento sejam as comemorações de final de ano.

- Bem, as marcas já estão todas enlouquecidas. Todo ano é a mesma coisa, querem vender, vender e vender.

- Nicky me mostrou algumas outras campanhas institucionais que estão realizando, mas não tenho muito filtro. – Riu. – Sempre acabo achando tudo incrível.

Alex riu também. - Para ser sincera gosto de trabalhar lá, estou acomodada talvez. Já sei exatamente tudo que precisa ser feito de cor e salteado, mas estou cada dia mais confiante de que quero seguir apenas com a minha fotografia. Pode levar um tempo mas é o que eu quero.

- Seu chefe ficará louco com a ideia de que você sairá de lá. – Nicky comentou, enquanto tinha a boca cheia de batatas fritas que pingavam a óleo.

- Ele vai ter que entender, estou lá há anos! – Reclamou. - De qualquer forma, darei tempo ao tempo.

- Já te disse, precisamos dar continuidade com as coisas do seu estúdio o quanto antes. Você é uma fotógrafa e tanto, Alex. – Nick alertou-a. – Assim que passar as festas de final de ano, faremos isso. O que acha?

- Veremos. – Respondeu pensativa.

- Veremos não, Alex, faremos!

- Nicky, eu decido. Ok? Por mais que eu queira, não dá para jogar tudo para o alto assim. A produtora me dá a estabilidade que preciso. Tenho uma casa para pagar, dívidas com advogados... – suspirou. – Você sabe bem o quanto aquele idiota quis acabar comigo.

- Ele ainda vai ter o que merece.

- Não sei se acredito nessa justiça, mas... – Revirou os olhos.

- Alex? – Lorna chamou-a.

- Oi...

- Olha para o lado direito, disfarçadamente. – Pediu e Alex assim fez.

- A moça de blusa azul está flertando com você na cara de pau. Aproveite.

- Meu deus. – Nicky riu. – Vai que ela está na sua, e assim você para de ser vela entre Lorna e eu. – Comentou puxando a namorada para perto de si.

- Deixa de ser ridícula. Me convidaram, agora aguentem e sim, eu estou bem assim. – Deu nos ombros.

- Alex, três anos não são três dias. – Mostrou-lhe os dedos. – Você... ahn, precisa seguir a vida... – Foi interrompida por Lorna.

- Baby, não deve ser tão fácil assim. Respeite-a! – Pediu.

Alex respirou. – De fato não é, Lor. Eu só não me sinto tão confortável para isso ainda. Vocês lembram como tudo aconteceu quando estive com a Catlin.

- Mas era diferente. Vocês não tinham nada a ver. – Nicky justificou.

- Exatamente.

- Mas você precisa se permitir conhecer outras pessoas ou ficará bem difícil.

- Na hora certa irá aparecer, eu não tenho pressa.

- Pense bem, de onde a Sylvie estiver, tenho certeza que ela iria te querer bem e feliz.

- O que tínhamos era... – Bebeu líquido colorido e forte de seu copo. – Único.

- Alex...

- Eu só queria que ela ainda estivesse por aqui, que eu não tivesse tido uma ideia infeliz de levá-la para patinar.

Nicky e Lorna ficaram em silêncio ouvindo-a.

- Eu a faria tão feliz! Nossos planos, sonhos, desejos... tudo, sabe? Foi embora em questão de segundos. – Segurou uma lágrima. – Eu não deveria ter deixado ela sozinha, se eu estivesse ali ao lado da Sylvie, ela... – Nicky interrompeu.

- Já chega, Alex! – Tirou o copo de sua mão.

- Era o momento da Sylvie, você não teve culpa de absolutamente nada.

- Os pais dela...

- Você sabe que eles estavam errados. Só precisavam culpar alguém sobre o que aconteceu e por todo o histórico da relação de vocês, era mais fácil que fosse você.

- Esquece isso, querida. – Lorna pediu. – O caso foi arquivado. Não há provas contra você.

Alex suspirou, jogando a cabeça para trás.

- Tudo bem?

- Desculpa toda a lamentação. Acho que preciso da minha casa!

- Nada disso. – Nicky não permitiu. – Vamos ali na parte de cima.

- Eu não quero dançar!

- Só vamos um pouco lá.

Mesmo contrariada, Alex acompanhou as duas até a parte de cima do bar. Não tocava nada mega animado, apenas o suficiente para que alguns arriscassem alguns passos dançantes. Mesmerize, num feat entre Ja Rule e Ashanti, começou a tocar conta do ambiente.

Como no clipe oficial, os pombinhos tinham um dia para lá de apaixonado em um parque de diversão, com direito a ursinho em máquinas de jogos, alguns casais dançavam juntos, inclusive Lorna e Nicky. Alex, por incrível que pareça, se aproximou de um grupinho e os acompanhou nos passos. Dois para lá, mais dois para cá, entre uma golada e outra.

Sim, ela ainda sabia se divertir.

XXX

Em Connecticut, no sul da região da Nova Inglaterra, Piper Chapman terminava de arrumar a última mala para a viagem. Colocava cada objeto com carinho, olhava, reparava, pensava se seria realmente útil ou era apenas mais um peso na bagagem.

- Filha? – Carol bateu na porta.

- Oi, mãe. Pode entrar! – Sorriu.

- E então? – Sentou na ponta da cama.

- Acho que essa é a última. – Fechou o zíper e respirou.

- Como você está se sentindo?

- Animada? Ansiosa? Eu não sei muito bem qual é a palavra, mas estou feliz.

- Está chegando.

- Sim! Dentro de 15 dias estarei embarcando para um intercâmbio de dois anos, num lugar desconhecido, com uma família desconhecida, aprendendo um novo idioma. Às vezes acho que vou ficar louca.

- Não vai. Você é esperta e... – Foi interrompida.

- Eu sei, qualquer coisa vocês estão aqui. É só ligar! – Riu.

- Exatamente. – Concordou com a filha.

Com a ajuda de seus pais, Piper havia se programado durante um bom tempo para realizar aquele intercâmbio. Seu novo lar estaria localizado em Toronto, por pelo menos dois anos. Para reduzir nos gastos, optou em ficar na casa de uma família, no famoso estilo de Host Family.

A princípio, Carol não gostou muito da ideia, preferia que a filha ficasse nas instalações do campus, mas sairia o dobro do valor. Piper explicou que as casas de família eram cadastradas e verificadas pelas instituições e faziam parte de uma parceria, seguindo uma série de regras. A agência era totalmente responsável pelo seu conforto no local. Aos poucos os pais foram aceitando a sugestão, até que conseguiram fazer a escolha.

Piper Chapman era, de fato, uma garota certa – aos olhos dos pais. O irmão mais velho, Danny considerado perfeito, e sobrava ao mais novo, Call, a denominação de ‘ovelha negra’ da família.

Com 24 anos, Piper era calma, delicada, estudiosa e muito dedicada a tudo que se propunha a fazer. Nunca tinha tido um ‘relacionamento’, se envolveu com Larry Bloom, mas não passava de idas ao cinema e mais alguns beijos. Ele era um cara bacana e a divertia, mas estava longe daquilo que ela queria para si.  

- Espera aí. – Falou indo em direção ao celular que carregava no banheiro.

Olhou na tela e sorriu.

- Oi, Polly! – Respondeu animada.

- Quinze dias e eu vou ficar sem a minha melhor amiga. – Choramingou.

- Ah não. Sem drama, Pol! Eu não vou morrer e já combinamos que iremos conversar pelo menos três vezes na semana.

- Mas não vai ser a mesma coisa. – Lamentou.

- Você está sendo egoísta e sabe disso, não é?

- Sim, eu sei mas... está doendo.

- Não fique assim, poxa. Vamos aproveitar o tempo. Que tal vir aqui em casa?

- Brigadeiro e filme?

- Sim, brigadeiro, filme e você pode dormir na cama de cima. – Riu.

- Você promete?

- Só dessa vez. – Riu.

Pol vibrou. – Vou terminar de jantar com os meus pais e já vou. Beijo. – Encerrou a chamada.

- Polly? – Carol perguntou.

- Sim.

- Essa garota irá sentir muita saudade de você. – Comentou.

- Pol é minha melhor amiga, me dói deixá-la aqui mas é o meu sonho, a minha vida, eu preciso ir.

- Você está certa. Sentiremos sua falta também.

- Vamos descer? O jantar está na mesa.

XXX

Já passava das três horas da manhã quando Alex finalmente chegou em casa, depois de se divertir com Nicky e Lorna. Abriu o apartamento e sabia que aquele era o seu lugar favorito na vida. Sua casa, seu lar. Não o trocaria por nada. E para falar a verdade, lar era algo muito mais complexo do que uma casa de fato. Lar é a personificação daquele ambiente ou até mesmo uma pessoa que te fez se sentir leve, segura e... feliz.

Tudo ali tinha história, amor e afeto. Cada cantinho. Cada objeto traduzia a vida de Vause. Não era grande, mas aconchegante. Tinha o suficiente para lhe fazer bem. Havia sido conquistado com o fruto de seu esforço e muito trabalho.

Por mais que tivesse ingerido boas doses de álcool, não estava bêbada, apenas solta. Foi para o banho, deixando que a água quente caísse sob o seu corpo branquinho. Vestiu-se com camiseta e uma calça larga e seguiu para a sala. Não tinha pretensão em ligar a caixinha de rádio, mas como estava ali, não viu problemas. Ligou e as primeiras notas musicais tomaram conta do ambiente.

Tocava Rolling Stone.

Você tem sido a estrela dos meus sonhos

Deus, eu sinto falta de você

Eu tenho esperado na sala

Tenho esperado sua ligação

E quando o telefone toca

São só alguns amigos meu que dizem

Ei, qual o problema cara?

Alex respirou fundo e olhou para a gaveta alojada na estante da TV. Sabia o que tinha ali. Por anos evitou se aproximar. Não queria aquelas lembranças, tão menos remoer o passado de forma dolorosa. Precisava seguir, Nicky e Lorna tinham razão. Precisa se desamarrar daquilo que lhe prendia a Sylvie de uma forma nada saudável. 

Abriu a gaveta, puxou a bolsinha pequeninha em que guardava os cartões de memória de sua máquina e procurou por um em específico. Tinha uma marquinha, mas de qualquer forma ela não se esqueceria. Correu pegar o notebook no quarto, sentou no sofá e por alguns segundos, aproximou a caixinha de seu coração. Ejetou na máquina e as fotos se abriram. Não eram muitas, afinal, Alex havia deixado zerado para que pudesse fazer diversos registros de Sylvie na noite de comemoração, mas... foi impossível.

O destino havia lhes reservado outras coisas.

A morena abriu a primeira foto e a ex-namorada fazia uma pose fofa, na segunda, sorria. Como o sorriso era lindo. Na outra havia sido pega em flagrante, estava espontânea. Essas, com certeza, eram as favoritas. Alex falhou miseravelmente na missão de segurar as gotinhas de lágrima que escorriam pelo seu rosto. Chorou. Sorriu. Chorou de novo. Sentiu raiva. Socou o sofá, dizendo que aquilo era uma injustiça e logo na sequência se desculpou. Alex não tinha uma crença, apenas acreditava em uma força maior.

Passava os dedos sob a tela em um processo de devoção, como se não quisesse esquecer nenhum detalhe dela. Lembrou-se de muitas coisas, o pedido de namoro, a primeira briga por bobeira, as desculpas esfarrapadas que davam aos pais da Sylvie para  que se encontrarem e coisas do tipo.

Durante anos se lembrou da triste noite de comemoração, mas a partir daquele momento, seria diferente.

Quando acordou, por volta das 9 horas, Alex tinha a cara amassada. Olhou para o lado e viu o computador ligado, insistindo para ser conectado à tomada. Negou com a cabeça e assim o fez. Esticou as costas, fez um coque nos cabelos e foi para o banheiro. Higienizou o rosto e foi preparar o café da manhã.

Enquanto comia, aproveitava para fazer uma pequena busca por escolas de artes pela região. Sim, ela precisava se entreter e gastar seu tempo com algo além de trabalho e fotografia. 


Notas Finais


<3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...