História Another Universe - Capítulo 9


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Categorias Undertale
Personagens Alphys, Asgore Dreemurr, Frisk, Personagens Originais, Sans
Tags Aventura, Magia, Romance, Undertale
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Palavras 2.241
Terminada Não
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OI GENTE
há quanto tempo aaaaaa
desculpa a sumida ;-;
mas eu volteiiii
esse cap vai focar nos irmão da Frisk e nos 'poderes' que ela adquiriu, então let's que let's

Capítulo 9 - O Santuário dos Anjos


Fanfic / Fanfiction Another Universe - Capítulo 9 - O Santuário dos Anjos

 A parede está cheia de mofo.

Ao abrir meus olhos, a primeira visão borrada que tenho é o teto desse lugar. Supostamente era para ser bege, mas com o mofo e a umidade, está mais para um marrom desbotado.

Ei iria resmungar sobre não aguentar mais acordar em lugares desconhecidos, mas logo reconheço o quarto que era meu quando morava aqui, na Terra.

Tentando acostumar meus olhos com a claridade, eu me sento na cama. Era dura e estava estranhamente fria, os lençóis cobertos de poeira, com cheiro de guardado. Uma das cortinas estava manchada com tinta verde e a outra estava um pouco rasgada. O quarto não tinha decoração nenhuma a não ser a cama e o espelho aqui em frente. Estava manchado com pequenos pontos pretos por inteiro, mas o meu reflexo é nítido.

Levantando, me coloco em frente ao espelho. Eu não tinha nenhum machucado, minha pele estava inteiramente limpa no sentido de não haver hematomas, pois eu estava toda suja de um barro escuro tanto nos braços quando na face e na barriga. Há uma faixa manchada de sangue passando por minha testa e dando a volta na minha cabeça, mas como eu não estou sentindo dor, decido retirá-la, e realmente não tem nenhum machucado ali também. Um pedaço de gaze foi preso na minha barriga por um esparadrapo e também está marcado com sangue seco, mas como em minha cabeça, estava sem nenhuma lesão.

Olho para a janela e vejo que, bem escondido atrás de uma roseira, há dois pequenos túmulos cinzas, que estavam um pouco deteriorados nas pontas, fazendo a forma circular ficar quase toda bifurcada. Consigo ver que meu nome e o de Chara foram entalhados nos túmulos com uma pedra, uma caligrafia terrível.

Meu sangue ferve. Ela acha que está em débito comigo por causa de um túmulo mal feito? Como ela consegue ser tão ridícula?

Nervosa, sento na cama novamente, tentando fazer minha mente pôr o foco em outro assunto, e olho minhas mãos, lembrando do que aconteceu. As lembranças com Chara estão distantes agora, como se tudo não passasse de um sonho, mas é impossível que algo tão intenso seja falso. Mesmo parecendo que aconteceu há anos, me lembro de cada detalhe da conversa, de cada uma das almas que me foram apresentadas.

Elas me disseram que quando eu quisesse usar os poderes, seria automático, e ao meu pensar eles obedeceriam. Decido tentar, de alguma forma, “ligá-los”. Então, repentinamente, minha visão fica escura e depois clara, e logo estou enxergando todo o meu redor em preto-e-branco. A única coisa colorida nessa imagem é o meu próprio corpo. A princípio, fico um pouco desesperada, mas não sinto nada, então acho que estou fora de risco. Olhando o reflexo no espelho, vejo que há um coração vermelho pequeno na minha testa, e dele saem pequenos fios pretos que se cruzam e se espalham por todo o meu corpo, desde os pés até as pontas dos meus dedos em minhas mãos, numa linha de ida e volta. Sinto a energia incrivelmente forte das almas em sintonia com a energia da minha própria alma, agora sentimentalmente mais forte já que está completa.

Uma outra cor está brilhando em mim, posso ver pelo reflexo: meus olhos estão refletindo a cor roxa, mais escura que o meu violeta natural. Então uma voz vaga fala em minha mente, e consigo me recordar da voz da Alma Roxa.

“Caderno e óculos.”

Não sei se entendi, mas preciso testar. Um caderno seria inútil nos meus olhos, então obviamente é melhor escolher os óculos. Tentei me imaginar com óculos e quando volto a ver meu reflexo no espelho, ali está ele: um óculos roxo, grande e redondo, está apoiado em meu nariz. Olhando pelo quarto, tem outras coisas brilhando coloridas agora; a janela e a porta estão em laranja. Me pergunto o que isso quer dizer.

“Bandana e Luva.”

A voz da Alma Laranja ecoa em minha mente. Acho que é o mesmo esquema da primeira vez. Um pouco hesitante, me imagino usando uma bandana. Para minha surpresa, quando procuro pelo meu reflexo, não o acho. Mas eu estou aqui. Fico boquiaberta. Estou... invisível?

Retiro a imagem da bandana de minha mente e meu reflexo reaparece. Não pareceu muito útil: a porta e a janela continuam brilhando. Como minha última opção, imagino um par de luvas. Duas imagens mentais aparecem em minha mente automaticamente: uma comigo usando a luva na mão direita e a outra, usando na esquerda. Foco na primeira imagem e a luva aparece em minha mão, laranja como uma tangerina. Um pequeno “x” vermelho começa a piscar na porta e na janela, como um alvo. Me aproximo cuidadosamente da janela, perto do pequeno cemitério.Com a mão esquerda, eu afasto a cortina, e o “x” vermelho está brilhando de um jeito ainda mais intenso. Eu me pergunto o que fazer, mas instantaneamente aparece a imagem de um punho fechado em minha mente. Toda minha raiva sobre o pequeno santuário abandonado volta para mim. Eu cerro a minha mão direita em um punho e a levo em direção ao vidro bem devagar, apesar do meu interior gritar para ver os túmulos ao chão.. Quando minha mão finalmente roça a janela, eu sinto o toque rápido e leve, como uma pena. Sinto também uma concentração de energia enorme. Sinto uma explosão.

O vidro se parte em milhões de pedaços, pequenos como poeira, em direção ao gramado de fora da casa. Eu fico embasbacada e tropeço nos meus próprios pés, caindo sentada para trás. Meus braços estão tremendo, especialmente minha mão direita. Eu coloco-a entre minhas coxas para tentar conter, mas não adianta muito, já que minhas pernas também tremem.

Eu desisto de continuar pensando nisso por enquanto. É informação demais de uma vez só. Tento imaginar meu corpo normal novamente, e tudo volta a ser colorido, com os fios negros se deteriorando ao centro do coração, que também logo desaparece. Eu pisco algumas vezes e ouço a porta atrás de mim ser aberta.

-O que está acontecendo? – Thalisson grita, procurando alguém pelo quarto e achando apenas o buraco de onde a janela costumava ficar. Seus olhos logo pousam em mim, quando Pedro vem na minha direção.

-Está tudo bem? – O caçula se abaixa ao meu lado com um olhar preocupado. Não pude deixar de reparar em seu rosto infantil e no quanto o rosto dele é parecido com o rosto de minha mãe: redondo.

Eu assinto, apesar de ainda estar perplexa. Thalisson, um pouco contrariado, segura meu braço e me ajuda a levantar e me faz sentar novamente, dessa vez na cama. Ele me olha de lado e me pergunta novamente o que aconteceu, dessa vez menos agitado.

-Eu me levantei e fui olhar na janela, mas eu me assustei com o meu reflexo. E daí eu bati no vidro e o quebrei.

Eles se entreolham, me olham e se entreolham de novo.

-Que garota estranha. –Pedro olha para mim com curiosidade, ignorando o olhar reprovador do irmão. Thalisson me olha e sorri, tímido.

-Uma história não convincente, eu diria. Mas não vamos nos aprofundar muito nisso, temos assuntos mais importantes para tratar.

Eu não entendo, de primeira. Mas eu ter aparecido e discutido com nossa mãe deve mesmo ter sido algo estranho. Acho que não reparei que ela achava que eu tinha morrido há dez anos.

-Mais importante do que um vidro quebrado? –A dúvida era clara na minha voz. Eu achava que eles não iriam querer falar comigo, muito menos ignorar o fato de eu ter quebrado sua janela,

-Sim. –O sorriso continua lá. -Mas primeiro...

-Você estava toda machucada, e agora não está! Como?

Pedro corta o mais velho, com um entusiasmo visível. Seus olhos brilham de excitação por poder conhecer algum estranho. Thalisson revira os olhos, provavelmente acostumado com seu irmão.

-Tudo bem. Eu vou fazer um chá para você, estranha –ele me olha rapidamente-, e você vai pegar uma vassoura para limpar esses cacos.

Pedro choraminga e eu rio baixinho.

-Deixe-o livre disso. Foi culpa minha, eu posso limpar.

Thalisson olha para o irmão, a franja loira caindo por cima dos olhos.

-Então, ao menos, traga a vassoura para cá.   

Os dois somem corredor afora e eu não preciso esperar muito pelo retorno de Pedro, que traz consigo uma sacola, uma vassoura e uma pá. Apesar de a maior parte do vidro ter se espedaçado para fora, vários pedaços milimétricos se espalharam pelo chão interno. Enquanto ele segura a pá no chão, eu começo a varrer.

-Então você quebrou mesmo o vidro? –Ele pergunta quando estamos quase acabando.

Eu sorri. Ele é uma criança bem curiosa, o que se encaixa com o perfil de chorão que ele tinha na época. Seus olhos verdes brilham por novas descobertas, ansiando por saber mais. Ele deve se sair bem na escola.

-Sim. –Era tudo o que podia dizer.

                                   ***

Após sentar na cadeira da cozinha e Thalisson me servir o chá, um silêncio havia se baixado no recinto. Se parássemos para escutar bem, conseguíamos ouvir Pedro brincando em seu quarto, no segundo andar. Thalisson não o deixou participar da conversa conosco. Com isso, achei que poderíamos conversar melhor, mas ele dificilmente levantava seu olhar, e eu me sentia meio idiota de ficar encarando ele, então abaixava meu rosto também, fingindo estar concentrada no sachê de camomila que descansava na água quente.

Em um movimento lento, mas perceptível, o loiro finalmente me encara.

-Quem é você?

Eu tomo um longo gole de chá, engolindo lentamente para não queimar minha língua. Claro que essa seria a primeira pergunta. Tento pensar em uma resposta, enrolando ainda mais meu chá.

-Quer a versão curta ou a longa?

-A longa. –Ele suspira. –Temos tempo, eu acho.

-Tempo? A sua mãe não vai voltar cedo?

-Ela não vai voltar por uma semana e meia, no mínimo. –Thalisson resmunga. –Ela disse que iria buscar ajuda, mas eu sei que ela vai para seu... –ele suspira novamente –trabalho.

Não posso deixar de grunhir. Não que fosse uma surpresa; eu esperava que fosse normal para eles serem abandonados por ela de vez em quando.

-Ela disse que foi buscar ajuda para o que?

Thalisson me olha, surpreso.

-Para quê? Você caiu de um penhasco, o que esperava?

Eu caí? Sinceramente, não me lembro de nada o que aconteceu desde que comecei a correr até achar as Almas.

-Um penhasco? Parece impossível, eu teria morrido.

-Eu também pensei isso, mas quando te achamos, você estava apenas com alguns ferimentos. Como dois deles eram graves, Lydia foi em busca da polícia, ao menos supostamente.

Eu assenti, e ele continuava a me olhar.

-E então? Quem é você?

Minha boca se abre várias vezes para tentar explicar, mas logo ela se fecha, tentando procurar um jeito melhor de começar. Eu não posso lhe falar sobre o subsolo, de jeito nenhum. Também seria melhor não falar sobre Chara; ela merece um pouco de paz.

-Provavelmente Lydia não falou nada sobre isso, mas dez anos atrás eu morava aqui com vocês. –Foi tudo o que eu consegui falar. As palavras estão sumindo da minha mente, hoje.

-Morava? –Fiz que sim. –Por quê?

Foi minha vez de suspirar. Por que tudo tem que ser tão complicado?

-Quando você tinha uns 3 anos e Pedro era praticamente um recém nascido, Lydia morava com um homem, apesar de sempre o trair por causa de seu “trabalho”. –Uma pausa. –Era meu pai, mas ele morreu antes de você poder se lembrar. Então, hu, eu sou meio que sua meia irmã, eu acho.

Ele me olha estranhamente clamo por alguns segundos, e então ri. Sua risada ecoa pela casa úmida, se sobressaindo do barulho da chuva.

-Minha irmã? Não, isso não tem cabimento, nem explicação.

-Eu sei que não, mas é a verdade, Thalisson. Eu juro!

De repente, ele para de rir e me olha. Não consigo ler nada em seu olhar, mas ele parece estar pensando, ou relembrando.

-Eu te disse meu nome?

Eu suspiro.

-Não, mas eu sei. Porque ajudei a te criar.

A casa fica silenciosa novamente. A fumaça do meu chá fervente está subindo sobre o ar. Encosto a borda da xícara devagar em meus lábios, tentando não me queimar, enquanto observo os arredores. Ao lado da geladeira há uma panela para coletar a água que passa por dentro do telhado, caindo em gotas lentas. A pia está cheia de louça não lavada, e os armários de comida que servem como despensa estão escancarados. Por fim, há uma fotografia um pouco manchada, mesmo estando por baixo da moldura, pendurada no alto da parede. Reconheço as pessoas na foto. São meus pais, lado a lado, e eu na frente deles, bem no meio, segurando Chara. As cores das fotos estavam um pouco embaralhadas, mas consigo ver a luz nos meus olhos violetas. Eu sorria, mas Chara estava como sempre. Sem expressão.

-É você? –Thalisson me pergunta, o tom de voz baixo.

-Sim. –Um suspiro acompanha minha fala, enquanto o observo. Ele parece transtornado, como se não entendesse nada. Deve estar se perguntando o porquê de a mãe ter mentido, ou omitido, sobre minha existência.

-Quem é a menina com você?

-Sua outra irmã.

O ouço engolir em seco.

-Onde ela está agora?

Mesmo não conseguindo pensar claramente e demorando alguns segundos para o responder, eu tento transformar meus pensamentos em uma frase, uma palavra que seja, que faça sentido.

-Morta.  –Respondo num fiapo de voz.

 

 


Notas Finais


é isso por hoje pessoas
aquela coisa de sempre, pfvr comentem se gostaram e blá blá
muito muito muito obrigada por ler! <3

(sim, a img de capa é de Echotale, mas ignorem)


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