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História Anteros - Capítulo 12


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Notas do Autor


Esta é uma sequência da fic Você é meu Amor Doce ao mesmo tempo que é um reboot!

Exatamente como o jogo Amor Doce – University Life.

Você leu a temporada anterior? Legal! Você estará bem mais inteirado dos acontecimentos da história!
Você não leu? Beleza também! Não será uma sequência direta e imediata dos acontecimentos anteriores, nem amarrado com eles e tudo que for necessário será explicado de forma rápida.

Exatamente como no jogo. Quem jogou o HSL sabe tudo o que acontece no UL, mas quem não jogou pode aproveitar a história do mesmo jeito!

Vai ser legal pra todo mundo, prometo!!

Capítulo 12 - Confirmações


Não havia naquela semana outro assunto no pátio da Anteros se não o incrível Show do Crowstorm. Castiel, um aluno do curso de musicologia (o mesmo frequentado por Morgan), teve de ir até a faculdade para acompanhar algumas aulas presencialmente e, por pouco não foi massacrado por uma multidão enlouquecida de fãs. Foi difícil até para ele chegar até a sala de aula.

Iris, a baterista suplente do Crowstorm, também teve algum trabalho com alguns rapazes que “passaram a notá-la” na faculdade e precisou se refugiar na enfermaria, junto com seu noivo. Nos momentos que passava pelos corredores não faltaram também pedidos de autógrafos e, principalmente, muitos pedidos para que ela apresentasse Castiel ou outro membro da banda.

Como não poderia deixar de ser, outro assunto que tomou conta da escola foi o “tarado que invadiu o banheiro feminino”. Ficou claro que era um aluno da Anteros e muita gente viu o rosto (e a cueca) de Nathaniel enquanto ele saia correndo do banheiro e era detido pelos seguranças e era levado para os fundos do Snake Room. Alguns boatos diziam que ele tinha sido “levado” para lá por uma garota. Por sorte, ninguém viu a garota com clareza suficiente para poder apontar a “culpada”.

E enquanto tudo isso acontecia nos corredores da escola, Didra tentava entender o motivo dela ter roubado um monte de saquinhos de tempero de Nathaniel e qual era a ligação de Iris com isso. Nesse meio tempo, Kentin reapareceu na cidade para ver como andava o treinamento da unidade canina da polícia da cidade e aproveitar para rever os amigos.

– Quando o Dean me falou que você tava de volta, eu não acreditei. – Kentin tomava um café enquanto conversava com Dee no Cozy Bear com Cookie ao seu lado. – Achei que nunca mais veria você.

– Uninish bussiness… – Didra respondeu rindo. – Sabe como é… se não terminar tudo, você não descansar in peace.

Kentin estava grande. Parecia ter tomado gosto pelo exercício físico e dedicado-se a isso dia e noite. Os cabelos estavam bem curtos, ao estilo militar, bem como seu estilo. Usando uma jaqueta de lona grossa verde, camiseta sem mangas brancas, calças jeans e coturnos de salto. Apesar desse aspecto bruto, os olhos verdes cheios de ternura ao falar com uma velha paixão e os óculos de aro fino dourado, suavizavam sua aparência.

– Desistir dos lentes de contato?

– Não dá pra pegar elas direito com essas mãos! – ele mostrou a mão tão grande que podia facilmente segurar a cabeça de Dee. – Além disso, eu fiz uma cirurgia e reduzi bastante meu grau. Esses óculos aqui são mais confortáveis do que ficar enfiando o dedo no olho. E você? Por quê não opera?

– Não sou cega suficiente para operar… – Didra deu de ombros. – And my glasses make me charming… – ela abaixou os óculos e olhou por cima dele para Kentin. – …como uma sexy cientist… dizendo coisas científicas e inteligentes… like… moléculas…

– Hahaha… nisso eu tenho que concordar. – Kentin virou seu copo de café. – Está estudando aí na Anteros agora? Parece que boa parte da Sweety Amoris acabou estudando aí.

– AU AU AU AU AU… GRRR.. AU AU AU…

– Cookie? O que foi? – Kentin virou-se para o cão e colocou a mão na cabela dele. – O que houve?

Eles olharam para o outro lado da rua, para onde o cão latia. Olharam para a entrada do parque, que era visível de onde estavam sentados. Cookie rosnava e latia entre um rosnado e outro. Kentin olhava para aquele lado e não via nada. Dee muito menos.

– What’s happening?

– Acho que ele viu um esquilo ou coisa assim… – ele virou-se para o cão. – Quieto, senta!

Cookie obedeceu, mas mantinha a atenção no mesmo ponto para o qual latia antes. Didra, com um pouco de medo, quebrou um pedaço do biscoito que comia e colocou na palma da mão, mas antes olhou para Kentin, esperando uma autorização. Kentin acenou que estava tudo bem e ela tentou dar o doce para o cão, mas ele ignorou a oferta.

– Bom… Eu encontrar Ambre, Melody, Iris, Rosalya, Castiel, Alexy and… Nathaniel. – ela contou nos dedos os nomes dos amigos. – And Kim in that gym… na acadêmia ao lado do Snake Room.

– Vou passar lá para vê-la qualquer hora enquanto estou na cidade. – Kentin respondeu. – E você pode mandar um abraço a todo mundo que encontrar lá na faculdade por mim, ok?

– E pra quem eu mandar os beijos? – Didra sorriu maliciosamente por trás do copo dela. – Ambre or Alexy?

– Eu vou jogar essa xícara na sua cabeça! – Kentin pegou o objeto e ameaçou Dee que riu tanto que babou o café que acabara de beber. – A Ambre foi um caso a parte e você sabe muito bem. E o Alexy é só meu amigo, tá. Nunca houve nada desses rumores que falavam na escola.

– You really need to meet Morgan! – Didra terminou o café dela e pousou a xícara no pires. – So… então, a vida agora é só você e os dogs?

– Bom, resolvi seguir carreira no exército e agora treino cães como o Cookie aqui. – Kentin olhou para o relógio e levantou a sobrancelha. – Aliás, falando nisso, preciso voltar. Foi ótimo rever você. – ele levantou-se e deu um abraço tão apertado em Dee que ela até ficou sem ar. – Eu vou ficar na cidade por uns dias também. A gente podia marcar de ir nesse tal “Snake Ruim” que você falou. Ou no MoonDance!

– Sure! – Didra respondeu recolhendo as xícaras, algo que fez Kentin levantar uma das sobrancelhas em dúvida. – você também pode vir aqui me ver. Eu trabalho meio período nesse café!

– Ahh… agora tudo faz sentido! – Kentin levantou-se e Cookie, obedientemente, levantou-se junto, ele caminhava ao lado de Ken mesmo sem guia ou coleira. – Então, nos vemos por aí. Até Dee.

– Aahh… Kentin… before you go… eu precisar de uma favor…

– Claro! O que é?

– Você ainda ter contato com Peggy?

***

Dentro do Cozy Bear, Didra entregou as xícaras usadas para Hyun que agradeceu a gentileza e as colocou na pia para que pudesse lavá-las. Didra sentou-se no banquinho alto do balcão e suspirou. Hyun começou a lavar as xícaras, o que trouxe Dee de volta ao mundo real.

– Let me do this!

– Não! – Hyun levantou a mão. – Você está de folga hoje. Não deveria nem ter trazido das xícaras. Não posso permitir que uma cliente lave as louças!

– You are so sweety, Hyun. – Didra riu e voltou a sentar-se na cadeira. – E aí… como está sendo esse ano? A vida agora com Alexy como colega de quarto?

– É como ter três pessoas em um quarto. – o rapaz terminou de lavar e colocou os pires no escorredor. – Não pude deixar de reparar que esse rapaz está com o mesmo cachorro que a sua amiga grávida estava na semana passada.

– Ela é minha cunhada… and yes. Is the same dog!

– O rapaz de barba é o seu irmão então? – ele passou a mão no queixo, lembrando que, apesar de querer, sua barba crescia de uma forma muito estranha e falhada. – Ele sempre vem aqui comprar café. Ele é policial, não é? Isso explica o cachorro. Vocês não se parecem em nada!

– How not? – Didra fez um ar de falsamente ofendida. – Ele ser meu irmão gêmeo!

– Mentira! – Hyun riu. – Se você me perguntasse eu diria que era mais provável que a moça grávida fosse sua irmã do que ele!

– Ela ser… De certa forma… – Didra levantou a tampa de vidro da bandeja com um pain d’épice (um bolo de mel e especiarias) e pegou uma fatia. Hyun repreendeu ela com o olhar e apontou para uns guardanapos de papel, porém Dee já tinha terminado o doce. – Hum… nham… coloca na minha conta… this guy is a friend. Ele ser um treinador de police dog’s!

– Ele é bem grande…

– O pai dele ser militar… Colocar ele em uma escola militar, depois ele voltar pro Sweety Amoris and now… eu achar que ele cair em raios gamma or something like this…

– O quê? Raios o quê?

– Você não conhecer o Hulk? – Didra ficou espantada. – Em que mundo você viver?

– Ahh… Hulk! Sim. Não sou muito fã de super-heróis, não os conheço tanto assim… – Hyun riu. – Mas, sim, ele é bem forte… Acho que foi por isso que aquele cara não veio abordar vocês…

– Que cara? – Dee respondeu, pegando um segundo pedaço de bolo. – What you talking about?

– Um cara, ficou do outro lado da rua, olhando para vocês por um bom tempo. – Hyun respondeu. – Estava com uma jaqueta e uma touca, não consegui ver o rosto dele.

Didra parou com o segundo pedaço de bolo no meio do caminho e a boca aberta, olhando para Hyun, quando os latidos de Cookie passaram a fazer sentido. Então ela reparou que na pia, ao lado do escorredor de pratos, relativamente ao alcance da mão do rapaz, havia uma faca bem grande. Um tipo de faca grande que normalmente ficava dentro de uma gaveta dentro da cozinha e que, muito raramente, era usada naquele lugar, exceto para cortes de carne ou frango, e que definitivamente não deveria estar naquele balcão.

– O que você fazer com esse faca aí?

– Nada. – Hyun deu de ombros. – Não precisei fazer nada. Mas, eu falaria com o seu irmão sobre isso se fosse você.

– I can’t. Ele logo ser pai… Não posso preocupá-lo desse jeito.

– Bom, então nesse caso… – Hyun pegou a faca da pia, ela pela água que caia da torneira e a colocou no escorredor. – Eu ficaria bem atenta enquanto andasse pela rua… E de preferência acompanhada.

***

Pelas duas semanas seguintes, Didra evitou ao máximo sair do campus. Ligou duas ou três vezes para Dean, apenas para perguntar como ele e Lety estavam, sem dizer nada além de que estava pensando no bem-estar da cunhada e pensando sobre o bebê que estava perto de nascer. Chani percebeu a aflição de Dee e entregou a ela um talismã feito por ela mesma para protegê-la de qualquer mal (uma tipo de cristal roxo com algumas pontas. Dee já tinha o que atacar na cabeça de um atacante, pelo menos).

Também ligou algumas vezes para Rosalya, pedindo a ela que, se possível pegasse um ônibus para vir para a faculdade, apesar de ser relativamente perto da casa dela e da loja de Leigh. Também convenceu Alexy a ir até a casa dela e acompanhá-la no trajeto ida e volta da Anteros. O rapaz estranhou a preocupação excessiva, mas ao ser lembrado do estado “especial” que Rosa se encontrava, ele aceitou o trabalho de acompanhante da garota.

E quanto a Iris, ela tentou várias vezes falar com ela no telefone, mas a garota não atendia. Deixou alguns recados e chamou via Whatsapp, mas sem sucesso. Cada dia que não conseguia uma resposta dela, ficava mais e mais apreensiva. Não encontrou ela no prédio do curso de enfermagem e passou em frente a enfermaria algumas vezes, mas também não a vi por lá.

Na sexta a tarde, após o primeiro período de aulas, quando estava decidida a ir até o hospital e perguntar pela garota…

Tóc Tóc Tóc

Dee foi até a porta e ficou perto de um taco de basebol que deixou estrategicamente perto da entrada. Ela estava disposta a testar a eficiência do objeto se fosse o assistente administrativo reclamando da luz acessa novamente.

– Who’s there?

– Eu… – a voz de Iris fez Didra soltar um suspiro aliviado. – …posso entrar?

– Sure… – Didra virou a chave e tirou o trinco da porta. – …um minuto.

Iris abriu um sorriso cansado para Dee e deu um passo arrastado para dentro do quarto, soltando alguns livros sobre uma cômoda. Ela passou os braços pesados em volta do pescoço de Dee e deu um beijo do rosto dela e depois olhou em volta do quarto. Quando percebeu qual era a cama dela, caiu pesadamente sobre ela e ficou lá. Puxou o travesseiro para mais perto, abraçou ele e fechou os olhos.

– Você está bem? – Didra fechou a porta e sentou-se ao lado de Iris na cama, passando a mão nos cabelos dela. – Você não responder minhas mensagens? Why?

– Posso dormir aqui por uma horinha? – Iris disse com a cabeça afundada no travesseiro. – Tive de fazer plantão no hospital e depois ir pra aula, por isso nem olhei pro celular. Tô morta… Posso ficar aqui, por favor? Só até a próxima aula…

– Claro. Eu só tava… preocupada…

– Hum… sua colega de quarto não vai se importar? – Iris respondeu, aconchegando-se mais na cama. – Não quero atrapalhar, nem nada…

– Don’t worry. Eu posso tirar o seu sapato? Pra você poder descansar melhor?

– Promete que vai parar só no sapato?

– Eu vou tentar… – Dee riu e foi ajudar Iris com os calçados. Depois colocou a colcha da cama sobre ela. – Por que esse plantão todo? Está precisando tanto de dinheiro assim?

– Hum… eu tô bem… só cansada. – Iris respondeu com a voz amolecida de sono. – Show… plantão… pub… é só isso…

– Pub? What you mean?

Iris não respondeu. Já havia dormido. Didra suspirou e voltou a fazer carinho nos cabelos dela. Olhou para os livros pesados que ela trouxe e depois voltou a olhar para ela. Pensou naquela mensagem que leu no celular da garota no dia do show. Foi até a pilha de livros e pegou o aparelho, mas não haviam mensagens novas. Olhou para a tela e tentou desbloquear o telefone usando alguma combinação de números que ela imaginou ser a senha, como o aniversário dela ou os quatro últimos dígitos do telefone. Não conseguiu. Parou de tentar quando percebeu que travaria o aparelho se errasse mais uma vez.

Então, a imagem no papel de parede dela chamou a atenção de Dee. A foto era a mesma que ela usou como proteção de tela por meses. Aquela que foi tirada durante o Natal de 2015, ela estava cercada pelas amigas. Melody (com uma estranha cara de quem estava gostando muuuitooo de alguma coisa que aconteceu com ela), Violette (assustada com alguma coisa), Ambre (surgindo no cantinho da foto), Lety (que estava presente no dia), Rosalya (linda como sempre), Kim (abraçando-a por trás) e, junto com ela, estava…

Tóc Tóc Tóc

Didra foi arrancada de suas lembranças e quase deixou o telefone cair. Olhou para Iris que continuava dormindo profundamente então colocou o telefone dela no lugar e foi para a porta, novamente próximo do taco de madeira.

– Who’s there?

– Eu! – a voz de Melody veio de trás da porta. Novamente, Dee ficou mais calma. – Preciso falar com você!

Dessa vez Dee abriu a porta e saiu, fechando-a imediatamente após passar. Melody parecia um pouco zangada, mas, pelo menos, não era uma pessoa desconhecida que poderia ser um perseguidor escondido pelos becos da rua.

– Você está me evitando! Por quê?

– Eu? Eu não estar evitando você. – Didra estranhou o tom da conversa. – Why would I do that?

– Me diz você! Você some na manhã seguinte, não liga, não manda uma mensagem, não fala comigo nas aulas… – Melody cruzou os braços e encarou Dee. – Eu fiz alguma coisa errada?

– Ohh… sorry… Eu não saber que você esperar um contato… I mean… você gostar de caras, no?

– Agora é você que está sendo preconceituosa! – Melody esbravejou. – Não é só por isso que eu seja o tipo de pessoa que você fica uma noite e desaparece depois com um bilhetinho do lado do travesseiro!

– Eu não acreditar que estar tendo esse tipo de conversa com você, Melody… – Dee riu um pouco nervosa. – Isso ser uma pegadinha, né? Você estar brincando, né?

– Não. E aliás, não vou ficar aqui no corredor discutindo isso. – ela respirou fundo, como se estivesse tomando coragem fazer para algo ousado. – Posso entrar?

– Aah.. sorry. No. Is… a mess… Uma bagunça. – Dee se colocou na frente da porta. – Sorry.

– Não ligo pra bagunça. E eu vi a sua colega de quarto lá em baixo… Não há motivos para… – Melody parou um pouco, olhou para Dee. – Tem alguém aí com você, não é?

– Hã… yeah… Iris! – Didra respondeu como se fosse a coisa mais simples do mundo. – Ela estar dormindo… Why?

Melody abriu a boca em uma exclamação entalada na garganta e depois franziu as sobrancelhas, com um misto de indignação e raiva e, por último, ajeitou a coluna dignamente.

– Bom, que ótimo que eu fui útil em algo, não é? – ela disse por fim. – Não era o tipo de atitude que eu esperava entre mulheres, mas, vejo que não são tão diferentes assim.

– For God’s sake, Melody! You are straight! Você ser hétero! – Didra respondeu. – O que acontecer foi um situation causada pelo álcool! Eu adorar você, but… you like guys, right?

Melody parou um pouco e analisou a situação.

– Você tem razão. Eu… me deixei levar e rolou oque rolou. – ela riu aliviada. – O que eu tô fazendo? Eu tô maluca! Desculpa… Você é minha amiga e… foi muito legal, mas, não é mesmo a minha praia. Eu… preciso de “algo a mais ali”. Eu tô maluca, desculpa pela cena, Dee!

– No problem… – Didra a abraçou apertado e foi retribuída. – Me desculpe por confundir você… You deserve much more than me…

– Ei… não me dê o fora assim! A gente ainda pode sair juntas, não? – Melody respondeu. – Tem um abrigo de animais que eu queria visitar. São tão bonitinhos…

– Why? You has a pussy who you wanna show me?

Melody arregalou os olhos e inclinou-se levemente para trás.

– A cat!! I mean a cat!! – Didra ficou assustada ao perceber o que a amiga havia entendido. – Eu estar falando de gatos!!

– Claro! Gatos! O que eu estava pensando? – Melody riu. – Bom, então é isso. Está tudo acertado. Eu vou… escovar os dentes… no meu quarto. Sozinha. Sem colega lá. Ok? Até.

Didra apenas sorriu e respondeu com um aceno positivo de cabeça. Melody se foi pelo elevador e quando ele fechou as portas, Didra respirou aliviada. Ela voltou para dentro do quarto e Iris continuava dormindo profundamente. Por precaução (foi o que ela disse para ela mesma) ela checou o telefone de Iris e não havia nenhuma mensagem nova. Porém, o aparelho dela tinha uma mensagem esperando.

Talvez eu tenha algo que te interesse aqui. Pode vir pra cá?
- Peggy


Didra olhou novamente para Iris que dormia tão pacificamente que ela não arriscaria acordá-la. Ela parecia exausta e precisava mais de uma boa noite de sono do que uma aula de qualquer coisa que fosse. Então, ela deixou um bilhete para Iris e um para Yeleen, explicando a situação, e acionou um táxi via aplicativo para levá-la a estação de trem. Não arriscaria andar até lá sem saber se

Uma viagem que levaria cerca de duas horas para ir e duas para voltar, então, esperava que estaria de volta a Anteros até as 18:00hrs ou as 19:00hrs, no máximo. Não queria arriscar estar na rua até tarde. Saiu do apartamento e trancou a porta, jogando a chave por baixo dela e esperando que Iris a encontrasse. Pensou em voltar e escrever isso no bilhete, mas já era tarde. Então mandou um SMS dizendo que a chave provavelmente estaria no chão. Esperava poder voltar antes dela acordar e principalmente, antes de Yeleen voltar.

***

Como ela previu, chegou a Paris pouco menos de duas horas após sair da Anteros, já que teve a sorte de não pegar trânsito após sair da faculdade até a estação de trem. Marcou de encontrar Peggy em uma praça próximo ao centro, onde ela conseguia ver, ao longe, a famosa Torre Eiffel (ela não se lembrava de ter ido visitar o monumento antes). Estava próximo da hora do almoço, então, resolveu pedir uma pizza individual e uma coca-cola.

Pensou um pouco em Peggy. Ela nunca foi exatamente uma amiga na escola, mas diferente do resto do grupo, Didra não achava Peggy a pior pessoa do mundo. As notícias (que muitas vezes tinham ela como protagonista) não incomodavam tanto e, por isso, elas mantinha uma relação cordial de colegas de classe. Apenas quando ela e Kentin engataram um namoro é que ambas se aproximaram um pouco mais.

Claro, tudo foi por água abaixo quando Peggy, desesperada por uma história capaz de lançar sua carreira jornalística para um nível impossível de se conseguir sendo uma repórter escolar, ajudou Debrah em seu plano de vingança, permitindo que ela entrasse na Sweety Amoris e facilitando o sequestro de Dee por parte dela e de seu cúmplice, um ex-técnico de som que trabalhava com a banda Stars from Nightmare.

Ninguém perdoou Peggy por isso e ela tão pouco pediu perdão, mas, arrependeu-se quando soube que Didra corria risco de vida, algo que Debrah havia prometido que não aconteceria. Por isso, ela se afastou de todos na escola e foi morar em Paris e cortou relações com todos. Aparentemente, o último elo entre ela e o resto do grupo era Kentin.

– Como você consegue isso? – a voz da garota veio por detrás de Dee. – Eu te odeio por isso! Aliás, eu odeio meio mundo por isso!

Didra levantou-se e virou para olhar para a colega e ficou surpresa com a aparência dela. Peggy estava incrível. Ela usava uma camiseta sem mangas bem justa no corpo e uma calça social cinza. Um corpo definido, braços fortes, mas sem exagero e, pela camisa, dava pra ver que a garota estava com um abdômen reto e provavelmente tão duro quanto aquela mesa de madeira do restaurante.

Os cabelos longos, até a cintura, pareciam ter sido lavados a pouco tempo, presos em um rabo de cavalo pesado e firme. Os olhos azuis brilhavam, com aquela fome por informações típicas da jornalista que havia nela com um misto de saudade e um pouco de receio, já que não sabia como seria recebida. Em uma mão trazia um terninho cinza, da mesma cor da calça e na outra, uma garrafinha de plástico vermelha que os frequentadores assíduos de academia costumavam carregar. Além disso, Dee reparou que ela mancava de leve, talvez por ter forçado demais a perna em um treino.

– O que eu estar fazendo?

– Comendo uma pizza maravilhosa e não engordando! – Peggy abraçou Dee e foi retribuída. – Nossa… Didra O’Connel por aqui novamente! O que você faz para manter esse corpo?

– Eu? Ahh… dieta da Lua! – Didra respondeu e sentou-se novamente na frente de seu prato.

– Dieta da Lua? Como é?

– Eu comer tudo… exceto o lua! – Didra riu e mordeu sua pizza. Peggy fechou a cara e depois soltou uma risada e um “eu devia saber…”. – Por que esse problem com peso? You are fantastic!

– Isso é puro treino! Eu e o Kentin ainda trocamos umas dicas de treino de vez enquanto! – Peggy sentou-se e sacudiu sua garrafinha e deu um gole. – Lembra dos meus pais? Quase 100 quilos cada um e eu fui abençoada com essa genética que não posso nem olhar um carboidrato sem engordar dois quilos! Então, voilá… aqui estou eu sem comer desde… – ela olhou para o relógio. – …ontem na hora do almoço.

– Can i pay something for you?

– Não. Obrigada. – Peggy deu mais um gole de seu shake de proteínas e fez uma careta. – Bom… vamos aos negócios… Aliás, muito obrigada pelo seu “incentivo”… Vai pagar mais um mês da creche das crianças!

– Eu não querer gastar seu tempo a toa e… wait… you has childrens?

Peggy ergueu a mão esquerda exibindo uma aliança de ouro. Ela havia casado. Didra ficou de boca aberta e até soltou a pizza e avançou para pegar a mão de Peggy para ver a aliança de perto.

– Ah… muito obrigada! Agora minha mão está cheia de azeite de oliva e eu quero comer os meus dedos! – Peggy disse e pegou um guardanapo para limpar a mão. – Pode me soltar agora?

– I… i can’t belive! Quando? Como? Quem?

– Parece que o Kentin estragou meu paladar para homens pelo resto da vida! Agora, eu só consigo namorar caras de uniforme. – Peggy riu e voltou a se concentrar no seu shake. – Conheci ele durante um tempo que fiquei no Irã cobrindo os conflitos.

– Você trabalhou de repórter de guerra?

– Algo assim… Mas, foi um tempo muito tenso e um pedaço de mim ficou lá naquele país.

– You fell in love for someone there?

– Não… quando eu disse que deixei um pedaço de mim lá… – ela levantou a barra da calça exibindo um tubo metálico. – …eu fui bem literal.

Peggy tinha metade da perna esquerda substituída por uma prótese metálica que se unia ao joelho e terminava em um pé mecânico que ela vestiu seu sapato social de bico fino e salto médio preto. Aquilo explicava o motivo dela mancar de leve. Didra olhou para aquela perna e tremeu. Peggy não gostou do olhar dela, mas já estava acostumada. Era normal aquilo, por mais que ela detestasse que pensassem que ela era uma inválida ou qualquer outro nome politicamente correto que pudessem criar.

– Oh.. my god… i’m so sorry! Eu sinto muito, Peggy…

– Pois é. Quando te falarem “não vai por aí, você pode pisar numa mina terrestre”… é bom você obedecer! – Peggy soltou a calça e ajeitou a barra. – Eu perdi só um pedaço da perna, mas poderia ter sido pior. Ele me salvou e, quando a gente voltou, eu já estava esperando o meu Eric.

Ela mostrou a foto de um rapaz bonito, de rosto forte, pele bronzeada e queixo quadrado com cabelos bem curtos segurando uma criança de uns 2 anos, com enormes olhos azuis e as bochechas mais fofas que ela já tinha visto na vida em uma criança.

– Eles ser lindos, Peggy… Is amazing… Parabéns!

– Chame de “karma”… de castigo… sei lá! – Peggy guardou rapidamente o celular. – O quanto eu magoei você  e todo mundo naquela escola. Você poderia ter morrido por minha causa e aí… eu ganho um marido amoroso e um filho perfeito! Talvez não esteja certo. Isso aqui talvez tenha sido a forma do universo equilibrar as coisas. Talvez eu tenha merecido isso!

– Ninguém merece isso, Peggy. Nem você e nem as pessoas daquele lugar… people die everyday in that place… – Didra respondeu. – Eu não acho que isso possa ser “equilíbrio”…

– Nem tente ficar com pena de mim! Isso não vai ficar na frente do meu pulitzer. Vou ganhá-lo e buscá-lo nem que seja rolando no chão! Agora, novamente, aos negócios… – ela puxou de dentro de um bolo interno do terninho um envelope de papel pardo. – Eu consegui isso aí… Agora, fica dúvida… Por que você me pediu para investigar as movimentações financeiras da Iris?

Didra não respondeu de primeira. Ficou olhando os papéis, lendo números e ficando cada vez mais confusa.

– Isso tudo está certo? Não pode estar!

– Os gastos e ganhos da Iris são realmente desproporcionais a renda dela. – Peggy pousou o queixo sobre as mãos cruzadas e olhou para Dee. – Exceto que eu esteja muito desatualizada sobre a média salarial de uma enfermeira e garçonete de pub… ou que o Castiel pague horrores para ela por uma ou outra noite na bateria.

– Wait… garçonete de pub? Ela trabalha de garçonete? – Didra continuava olhando os números e alternava para olhar para Peggy. – Where?

– Naquele mesmo lugar onde ela trabalhava quando estava na escola. Quando não está nos plantões do hospital… – Peggy apontou para um número que parecia ser um salário similar ao que ela ganhava no Cozy Bear. – Aqui você tem o salário do hospital, embora eu não saiba como ela conseguiu residência estando no segundo ano da faculdade. O nome Raphael significa algo?

– Ela fazer empréstimos too?

– Com esse extrato bancário, Iris deveria estar atolada em dívidas, mas… – Peggy pegou outro papel e colocou na frente de Dee. – …aparentemente não está! A mensalidade da Anteros Academy está em dia! Sem atrasos. E a pergunta que não quer calar é…

– Como ela consegue? – Didra respondeu

– O que você veio confirmar? – Peggy replicou no mesmo momento.

– What? – Didra tirou os olhos dos papéis para olhar para a colega. – What you mean?

– Você já sabe! Eu tenho certeza que você já sabe. – Peggy abriu um sorriso bem largo. – Você não veio descobrir algo… Só veio confirmar o que já sabe. E a questão é: o que você veio confirmar?

Didra ficou em silêncio. Aquilo era a confirmação que Peggy precisava. Não era preciso saber mais. A reação de Dee havia entregado o jogo. Peggy ficou com a sensação de vitória em um jogo de xadrez que ela já tinha  ganho desde antes de sair de casa.

– Maybe Iris is in troube… – Didra guardou os papéis e terminou sua refeição. – Pra quê ela precisa de tanto dinheiro se as contas estão em dia? De onde vem todo esse resto da renda?

– Excelente pergunta e, talvez…, a resposta esteja aqui! – Peggy entregou um pedaço de papel com um endereço anotado. – A maior parte desse dinheiro estranho vem para cá! Nesse endereço. Talvez valha uma visita, não?

– Where is this?

– Aqui em Paris mesmo… fica a uns 20 quilômetros daqui… Você pode até pegar o metrô. – Peggy anotou no papel o nome da estação e metrô mais próxima. – Acho que encontrará o que procura nesse endereço. No quarto número 50 para ser mais exata.

– I need to go there! – Didra levantou-se e deixou sobre a mesa $15 para pagar pela comida. – Thanks Peggy! Eu espero que você manter isso em segredo…

– Você não espera. Você me pagou para isso! – Peggy respondeu com cinismo já conhecido. – Aliás, eu espero que não tenha uma história boa aí, porque se não, não sei se poderei manter essa promessa!

– I count on your discretion. Good bye!

– E eu com a sua… sobre… você sabe…

Didra correu até o meio-fio e acenou para o primeiro táxi que viu, entrou no carro e mostrou o papel para o motorista. Ele acenou positivamente e acelerou o carro. Peggy ainda ficou uns minutos sentada, olhando o carro se afastar, então, sacou o celular do bolso e começou a deslizar a tela.

– Tá legal, agora vamos descobrir de onde você tirou $5.000 para me contratar como detetive particular, senhorita Didra O’Connel…

Continua…


Notas Finais


Se você quiser conhecer toda a história da Dee, você pode ler direto no fórum oficial do AD clicando no link:
https://www.amordoce.com/s2/forum/t31179,1-gl-iris-você-é-meu-amor-doce-parte-2-por-realdoido.htm#p6591739

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