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História Anteros - Capítulo 14


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Notas do Autor


Esta é uma sequência da fic Você é meu Amor Doce ao mesmo tempo que é um reboot!

Exatamente como o jogo Amor Doce – University Life.

Você leu a temporada anterior? Legal! Você estará bem mais inteirado dos acontecimentos da história!
Você não leu? Beleza também! Não será uma sequência direta e imediata dos acontecimentos anteriores, nem amarrado com eles e tudo que for necessário será explicado de forma rápida.

Exatamente como no jogo. Quem jogou o HSL sabe tudo o que acontece no UL, mas quem não jogou pode aproveitar a história do mesmo jeito!

Vai ser legal pra todo mundo, prometo!!

Capítulo 14 - Ligações Perigosas



A viagem de volta pra Nantes foi bem tranquila e silenciosa. Ou não. Na verdade, Dee nem sabia como tinha voltado para casa exatamente. Ela estava tão imersa em seus pensamentos e no que poderia fazer a partir das informações que conseguiu que não reparou no trajeto ou mesmo no cara estranho que havia subido no ônibus e observado ela durante todo o trajeto.

A senhora Isabelle, ou sua “tia Isabelle”, alguém que ela adorava e tinha muito carinho, estava doente e sem uma esperança de cura, exceto um tratamento com uma cirurgia laser complexa, que era feita em todo aquele país por apenas uma pessoa, Donatello Le Sante, o pai de Raphael e noivo de Iris e, para fazer a operação sem cobrar a fortuna devida, queria que Iris lhe desse netos (e não netas).

Uma coisa bem complicada já que ele basicamente comprou as dívidas dela e ainda a fez se afundar em mais débitos, já que está pagando a faculdade, apenas para mantê-la junto do filho. Para tentar se livrar desse compromisso, Iris trabalhava em dupla jornada, hospital e pub, e para fechar a situação com chave de ouro, Iris ainda se envolveu com os negócios escusos de Nathaniel, fornecendo remédios para que transforme em drogas que estão sendo vendidas na faculdade.

Claro, se tudo isso não fosse o suficiente, o seu irmão, Dean, estava imerso na investigação até o pescoço e já tinha uma desconfiança de Nathaniel. Se ele chegasse a Nathaniel, depois de prender o rapaz, chegar em Iris não seria difícil. Então, para proteger Iris, Dee teria que proteger o rapaz junto e, de alguma forma, tirar os dois do meio da confusão antes que Dean chegasse até eles.

Então, precisava de um jeito de tirar Iris da promessa, arrumar uma forma de salvar a tia Isabelle e evitar que Dean mandasse Nathaniel e Iris para a cadeia. Nada de mais. Ela já tinha livrado alguém da cadeia antes. Conseguiria outra vez. Não conseguiria? Essa série de pensamentos fez Dee rolar na cama até quase as duas da manhã. Pegou no sono só porque foi vencida pela exaustão em pensar e não chegar a nenhuma solução.

Quando acordou, então, aqueles problemas da noite anterior, pareceram bem menores. Principalmente bem menores do que o alto e forte rapaz de pele negra e cabelos com dreads presos em um coque no topo da cabeça, usando apenas uma cueca boxer, que estava no quarto dela.

– Oi… bom dia…

– AAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH… – Didra deu um berro e pulou da cama.

– AAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH… – O rapaz berrou também!

O festival de gritos continuou com Dee jogando no rapaz qualquer coisa que estivesse próximo das mãos. Travesseiro, carregador do celular, vasinho de samambaia, Nintendo 3DS e tudo o que conseguisse alcançar. Então ela pulou da cama e correu em direção ao bastão de basebol que passou a deixar próximo da porta, enquanto o rapaz desconhecido correu em direção a cama de Yeelen e pegou um travesseiro para usar como escudo.

– Who is you??

– Eu sou o Malak!

– Esse não ajudar muito!! – Dee sacudiu o bastão em direção as partes baixas dele. – Fale logo antes que eu acerte você bem no… no… você entender onde!

– Calma aí! Calma aí! – ele colocou o travesseiro sobre a parte ameaçada. – Eu sou um amigo da Yeleen! Eu só dormi aqui um pouco… ela disse que não teria problemas! Eu não quis invadir!

– Oh… Yeleen deixar você aqui? – Didra abaixou o taco. – Oh… i get it! I’m sorry… So, i’m Dee! Hi! Você… poder… dormir, então!

– Não. Eu estou indo pra minha aula! – rapidamente o rapaz recolheu uma calça jeans rasgada e uma camiseta do chão e foi em direção a porta. – Desculpa, tá.. Prazer em conhecer. Até…

Ele abriu a porta e deu de cara com Chani, carregando dois copos de café. A loira assustou-se ao ver o rapaz saindo só de cuecas e, sem dizer nada, deu um passo para o lado deixando-o sair. Didra colocou o taco de basebol encostado e sentou-se na cama. Chani, com cara de quem não estava entendendo nada, abriu a boca para dizer alguma coisa, mas…

– Don’t ask…

– Você precisa de decidir sabe… – Chani entrou e fechou a porta atrás dela. – Caras, garotas… Eu tô com medo de chegar aqui e encontrar você com uma planta!

– Ele ser caso da Yeleen… eu não vou começar a dormir com a minha salada… pode ficar tranquila.

– Ah… caso da Yeleen… Ok. – Chani colocou o café de Dee próximo a ela. – Ainda bem, porque, eu ouvi grito e fiquei pensando no que você tinha feito com esse taco para fazer o cara gritar daquele jeito!

Didra pegou o taco e apontou para a ponta mais grossa do objeto.

– Não seria nem de susto ou de dor que ele iria gritar se eu usasse essa ponta como eu sei usar… – Didra deu um sorriso sarcástico. – …se é que você me entender.

– Estou com medo… – Chani riu da situação. – …com medo e curiosa! Mais curiosa do que com medo, mas com medo mesmo assim…

***

A aula do professor Rayan correu sem maiores problemas, pelo menos, nenhum problema grande o bastante para atrapalhar o andamento da aula. Porém, Didra pressentia algo errado ali. Vinha da fileira da frente, onde Melody estava sentada. Aquela garota solicita e cheia de atenção com o professor Rayan parecia ter faltado e, no lugar dela, estava uma Melody muito, mas muito nervosa mesmo.

– Bom, então quero que pensem nesse projeto, vamos procurar algum lugar ara que possamos expor nossos trabalhos… – Rayan desligou o projetor e encostou na mesa olhando para a sua plateia. – As provas estão chegando em breve, então, é melhor que tenham as anotações de tudo o que disse até agora… dispensados.

A maioria dos alunos levantaram-se e foram para a saída do auditório, exceto alguns poucos que foram em direção a Rayan com anotações e livros em mãos, para tirar algumas dúvidas. Didra não conseguiu deixar de perceber que ele a encarava de canto de olho enquanto ela saia da sala. Chani aproximou-se e ambas saíram juntas da sala, com uma apressada Melody logo atrás que quase esbarrou nelas ao sair.

– Calma! Pode ir, mas deixe a gente aqui! – Chani fez menção em chamar a colega, mas deixou ao perceber que ela já estava longe. – Gente, que bicho mordeu a Melody?

– Not me!

– Talvez se você tivesse mordido, ela não estava assim! – Chani respondeu rindo.

– Dee!! Oi!! – a voz de Ambre atraiu a atenção de Didra antes dela responder Chani. – Oi, Dee! Tudo bem?

– Hey, Ambre… How you doing?

– Tudo bem! Me diz… o Ray tá aí?

– Ray? – ela olhou para Chani. – Que Ray? Ray Charles? Ray Palmer? Temos algum Ray na sala, Chani?

– Não que eu me lembre… – Chani olhou para Ambre. – Você não é a moça do outdoor de perfume lá no centro?

– Sou eu!

– Gente que legal… – Chani sorriu ao perceber que estava ao lado de uma “celebridade”. – Olha, eu compraria o seu perfume, mas… eu odeio ele!

– Ah… tá… Obrigada?

– Não tem de quê! – Chani respondeu e virou-se para Dee. – Ela é uma modelo de verdade! É tão legal!

– So… i don’t know about Ray… I mean…

– Ah! Olha ele aí! – Ambre esticou a mão oferecendo-a para o professor Rayan. Ele a segurou e aproximou-se dela. – Consegui mudar a hora do ensaio. Podemos almoçar juntos, se você quiser.

– Será um prazer.

– Wait… he is the “Ray”? – Didra ficou olhando de Rayan para Ambre e Ambre para Rayan. – But… he is…

– Seu professor? Bom, ele não é o meu professor, então…

– O que foi, O’Connel? Eu tenho só 33 anos… Não sou tão mais velho que vocês assim…

– No! Is… nothing! I just… Surprise? – Didra não sabia bem o que dizer e ia tropeçando nas palavras enquanto procurava algo adequado. – Ambre is a old friend… Nós estudar juntas!

– Ah… então tenho outra pessoa para perguntar sobre uma das minhas estudantes. – Rayan riu. – Me conte, Ambre, como a Didra era na classe?

– Desculpa, Dee, mas eu tenho coisa mais interessante para falar com você, Ray. – Ambre deu uma piscadinha para Dee. – Além disso… resumo em três letras… C. D. F.

– Hey… i’m not a… – Dee pensou um pouco. – Whatever!

– E o seu irmão? Já reapareceu? – Rayan disse para Ambre. – Você conseguiu uma resposta a suas mensagens?

– Não. Ainda não. – Ambre falou um pouco ressentida. – Aliás, Dee… Se você tiver alguma notícia ou contato com o Nathaniel, pode por favor me avisar?

– Nath is missing? – Didra respondeu. – Ele sumir? Desde quando?

– Desde a noite do show do Castiel! – Ambre suspirou. – Mas tudo bem… Nós vemos depois, ok?

Ambre deu o braço para Rayan e ambos saíram em direção a porta do prédio da faculdade de Artes. Didra ficou pensando que o desaparecimento de Nathaniel podia estar relacionado ao que aconteceu com ele no dia do show. E se os traficantes ficaram com raiva dele por ter perdido o produto e fizeram algo com ele? Ou podem ter descoberto a história dos temperos? Ela precisaria descobrir isso. Mas antes dela sair, Rosalya e Alexy aproximaram-se de grupo.

– Gente, que bicho mordeu a Melody? – Alexy disse. – Ou que bicho não mordeu e poderia dar uma boa mordida nos lugares certos e resolver esse mau humor?

– Acabei de falar isso!

– Estamos marcando uma pizza lá em casa e uma sessão de estudos lá em casa. – Rosa anunciou ao grupo. – Chamamos o Morgan e o colega de quarto dele, o Hyun… Caso alguém esteja interessada em saber.

– Legal… eu nunca recebi tantos convites para grupos de estudo assim desde… – Chani parou e olhou pra cima. – …desde de que comecei a estudar. Acho que nunca recebi esses convites!

– E antes que você diga… Convide a Iris se quiser, Dee…

– Bom saber que ela passar a ser welcome in your house… – Didra respondeu com um pouco de ressentimento na voz. – …não me levar a mal, Rosa… but… por que não contar antes?

– Ela te contou, então… Didra, eu tinha acabado de me mudar lá pro Leigh… Se eu ainda morasse com os meus pais…

– Eu não estar brava por você ter dito no… Is your life with Leigh! – Didra respondeu. – E Alexy… ele viver aqui no Campus… acho que mesmo que quisesse, não poderia… But, ela precisar de vocês! As coisas que ela fazer… naquele terceiro ano… enquanto você estar presa e você em coma, Alexy… Se ela não me ajudasse, talvez…

– O que poderíamos ter feito? Ela surgiu do nada… carregando o irmão mais novo e um bebê no colo pedindo pra deixarmos ela ficar lá! Nem que eu quisesse eu teria espaço lá…

– E vivendo aqui no Campus, não poderia deixar eles entrarem e…

– Wait… a baby?

– Ela não te contou? – Rosalya falou um pouco receosa. – Parecia ter cerca de um ano… mas eu não vi direito.

– Vocês deixaram a moça na rua com um bebê no colo? – Chani, um pouco alheia a conversa, mas ainda ali. – Isso é muito cruel, gente… quer dizer… poxa, era um bebezinho…

– Eu sei disso! Me arrependo demais! Principalmente agora que eu sei…

– Quer dizer, imagina, você estar na rua sem ninguém e ainda ter uma criancinha… Imagina o frio que ela pode ter passado…

– We get it, Chani.

– Imaginando o pequeno menino com frio e fome, sem um lugar para dormir. A Iris com os braços cansados de carregar ele e você não deixar ele entrar, nem que fosse um pouquinho…

– Chani! Nós já entendemos! Thanks! – Didra virou-se para Rosalya. – Eu… não sei o que pensar disso… I should go! We talk later…

– Dee, por favor, me perdoa… Se eu soubesse… – Rosalya parou na frente dela, antes dela sair. – Eu sei que estava errada, mas… você tem que entender que ela está muito além do seu alcance agora… Talvez o Raphael seja alguém bom pra ela também…

– Rosa, você também não tem que se rebaixar tanto assim! – Alexy falou interrompendo a conversa. – Iris não é mais a mesma que antes também.

– Alexy, chega! Ela tava com raiva… Não é assim…

– A Dee já sabe que a Iris está envolvida até o pescoço com os negócios do Nathaniel? – Alexy interrompeu e aproximou-se de Didra. – Aliás, é estranho como todo mundo aqui sabe que ele está envolvido com aqueles dois caras estranhos, mas age como se ele só fosse um rapaz encrenqueiro!

– Alexy! Chega!

– Por quê? Ela precisa saber! Não era só uma questão de deixar um bebê na rua, mas de levar a polícia direto na porta da Rosalya! E eu tenho certeza que você não pode se envolver com alguém que estava sendo procurada… Talvez o Dean possa te contar mais, se você quiser saber!

– I know about it… Eu já saber… E eu quer ajudar ela!

– O que ela disse pra gente também não foi nada bonito, sabe? Quer ouvir?

– Aley, não…

– “A Dee devia ter te deixado na cadeia…” – Alexy respondeu. – Ou foi algo mais do tipo “apodrecer na cadeia”? Isso foi oque ela disse para a Rosa! É isso o que ela pensa de verdade! Não é coisa que amigos dizem…

– I should go…

Didra desviou de Rosalya e foi em direção a saída da Faculdade, passando pelo portão da Anteros e indo sentar-se no ponto de ônibus. Não era possível que Iris tivesse um filho. Não era possível que aquilo fosse verdade. E, se era, por quê Peggy não lhe falou? Será que a história estava tão oculta assim a ponto de nem a repórter conseguir encontrar alguma pista.

A respiração de Dee começou a ficar acelerada e talvez ela estivesse começando a ter um ataque de pânico. Mas, por que? Ela não tinha nada com Iris há quatro anos, mas, todos esses dias juntas, fez com que tudo oque ela sentia e estava dormindo acordasse com a força de um dragão. Além disso, mesmo que não houvesse nada, ela precisava de ajuda e Didra… estava obcecada… Outra vez… exatamente como quando Rosalya estava presa. Ela riu da situação… não acreditava que tudo aquilo estava se repetindo.

Aproveitaria e ligaria para Iris, pediria um refil dos remédios para dor nos músculos, uma explicação sobre a criança e os remédios para dormir, pois já sabia que ficaria várias noites em claro sem conseguir achar uma solução para todos esses problemas. Sua cabeça girava e quando deu conta de onde estava, ela se viu rodeada pela grama verde do Parque.

– Crap… What i doing?

O som do toque do celular tirou Dee de seu turbilhão de pensamentos. Ela procurou um lugar para sentar-se e ver quem era. Provavelmente era Rosalya. No fundo, ela não sabia se estava com raiva de Rosa, do Alexy ou da própria Iris, por esconder tanto dela. O som do aparelho chamou a atenção dela novamente e, irritada, ela atendeu. “Número desconhecido? Se for promoção de operadora eu…”

– Saia dai… rápido…

A voz masculina falou tão rápido que Dee mal teve tempo de tentar reconhecer e muito menos de responder. Aquilo fez seu “senso de perigo” acordar e fazê-la prestar atenção nos seus arredores. Foi então que ela percebeu que um sujeito estranho, usando óculos escuros e uma jaqueta larga caminhava em direção a ela, com alguma coisa nas mãos que poderia ser um pedaço de tecido escuro ou até um tipo de saco.

Ok. Aquilo era, definitivamente, problemas. Ela levantou-se e correu em direção a saída do parque. Estava perto da Sweety Amoris e do Cozy Bear. Lugares onde ela estaria segura, se o agressor não resolvesse que iria até o fim na tentativa de sequestro e resolvesse entrar e sequestrar ela dentro da escola ou da lanchonete. Seja lá onde for que ela fosse se esconder, precisaria chegar lá bem rápido. O rapaz de óculos, percebendo que sua “presa” estava tentando fugir também começou a correr.

Ela foi direto para o portão do Parque, correndo sem olhar para trás, embora soubesse que o cara estranho se aproximava rapidamente. Contudo, para sua surpresa, o barulho de pneus cantando no asfalto a fez perceber que ela estava indo diretamente em direção a uma van com a porta aberta de onde pulou um dos caras que a balearam meses atrás.

– FICA QUIETA!! – O rapaz careca pulou sobre Dee e a segurou com força, imobilizando os braços e tentando tapar a boca dela com a mão. – FICA QUIETA!! CALA A BOCA!!

– AAAAAHHHHHHHHHH… – Didra chutava, esperneava e tentava gitar. – HHEEELLLPPP!!! SOCORROOO!! AAAAAHHHHH….

Não estava com vontade de ser sequestrada outra vez. Ela esperneou e chutou, tentando acertar o agressor com as pernas ou a cabeça. Quando o outro cara chegou, já desdobrando o pano, ela percebeu que estava com muitos problemas, então, deu um jeito de chutar o cara antes que ele jogasse o tecido no rosto dela. Aquilo ajudou ela a projetar o corpo para trás e acertar o “Cara não Net” com as costas na van e afrouxar o aperto. As palavras de um livro que leu há uns anos vieram a sua mente:

“Se o agressor vier até vocês, ele provavelmente tentará mover vocês para outro lugar. Nunca permitam que façam isso. Se permitirem, onde quer que seja o lugar, será o último que verão. E tentarem mover vocês do lugar onde estão, transformem esse local em um campo de batalha.”

Ela não pensava que um dia esse livro de fantasia e aventura com um monte de cenas quentes entre a protagonista e um guerreiro teria alguma utilidade prática, mas, naquele momento, o conselho de fazer de tudo para não a levarem para outro lugar parecia muito sensato. O problema era, quanto tempo ela aguentaria aquela luta.

– JOGA ELA PRA DENTRO!! JOGA LOGO!! – alguém berrou e deu a ignição na van. Era agora que ela precisaria de todas as forças dela. – VAI VAI VAI VAI!

O tecido escuro voou para cima da cabeça de Dee e tudo apagou. Ela não sabia mais o que estava acontecendo e só podia chutar qualquer coisa que tentasse se aproximar de suas pernas. Claro, cada chute que ela acertava vinha seguido de um soco que fez seus óculos entortarem e os dentes sacudirem na boca. Faltou pouco para que ela apagasse e o gosto do sangue fez ela perceber que o negócio ali era sério demais para que ela se deixasse levar.

Naquele momento, as opções pareciam ser morrer em algum lugar desconhecido ou morrer ali mesmo na hora que os agressores se irritassem com ela. Alguém responder o seu chamado de socorro era improvável. Uma regrinha de sobrevivência básica que ela havia esquecido era que, numa situação de perigo, gritar socorro fazia com que as pessoas se afastassem, temendo pelas próprias vidas. Gritar algo como “fogo” ou “incêndio” poderia ser mais efetivo.

Talvez devesse gritar algo como “comida grátis” ou “tem uma garota nua aqui”. Pode ser que atraísse mais atenção. Contudo, agora, com alguém muito disposto a socar ela, gritar qualquer coisa não parecia efetivo.

Então, vindo do nada, Dee ouviu o barulho de pneus derrapando na rua fez com que os agressores parassem para olhar o que estava acontecendo, então, um barulho de batida e o tranco que atingiu o “cara não Net” que segurava Dee de dentro da van, deixou claro o que aconteceu naquele momento. Didra desequilibrou e caiu na calçada, livrando-se dos dois sequestradores.

– POLÍCIA!! PARADOS!! – Era Dean. Gritando e correndo em direção a Dee. – TODO MUNDO PARADO!! ARMAS NO CHÃO E MÃOS NA CABEÇA!!

Mas, eles não obedeceram. A van acelerou e fugiu, mas não antes de Dean atirar contra eles. Os tiros fizeram Dee encolher-se no chão em posição fetal, com as mãos na cabeça, tentando ficar o “menor possível” para se tornar um alvo mais difícil para as balas. Ela contou pelo menos cinco tiros antes de parar de contar e ouvir um grito de dor.

– Dee! Dee! – alguém puxou o tecido da cabeça dela. A luz do sol machucou seus olhos, mas, ela conseguiu reconhecer Dean. – Tá tudo bem? Dee!! Fala comigo!!

– Yeah… i’m… i’m… – não conseguiu completar a frase por causa do nervosismo. – What…

– Fica aqui! Calma! – Dean deixou ela e levou o tecido com ele, indo em direção a entrada do parque. – Fica deitada! Não se mexe!!

Ela não precisou olhar muito para entender o que havia acontecido. Dean jogou o tecido sobre o corpo do sequestrador de óculos escuro que estava deitado no chão, sem se mexer mesmo quando Dean aproximou-se e encostou no pescoço dele. Ele voltou para junto da irmã e a ajudou a chegar até a viatura policial, com a frente amassada e coberta de cacos de vidro.

Ela sentou-se no banco do passageiro enquanto ele pegou o rádio conectado ao painel do carro.

– Central! P P A 12. O’Connel. Ocorrência no Parque próximo ao colégio. Suspeito baleado. Vítima ferida! Q A P. – Dean falava enquanto apertava um botão no microfone do rádio. – Busca por van branca com a traseira avariada. Q A P, Central!

– Copiado, central. – a voz feminina e robotizada respondeu aos comandos de Dean. Didra não entendeu o que eram os códigos, mas, sabia o que tinha acontecido. – Enviando apoio.

– Daqui a pouco eles chegam… eu vou te levar num hospital! – Dean colocou o rádio no painel do carro. – Se quer saber… nem me arrependo de ter acertado esse cara…

Dean pegou o rosto de Dee, com pouca delicadeza e virou ele para que pudesse ver melhor o corte no supercílio dela. Didra afastou as mãos dele e colocou as mãos na bochecha inchada. Estava doendo mais do que o corte. Além dos golpes e dos braços doloridos pelo “apertão” dos agressores, os ferimentos dos tiros também doíam absurdos. Dean pegou um lenço e colocou no corte.

– You killed that guy… você matar um pessoa… – Didra olhou para o lado da entrada do parque. – It’s the first?

– Não conto. Não vou ficar pensando no assunto! – Dean respirou fundo e segurou o volante com as duas mãos. Estavam tremendo de leve. – Eu cumpri o meu dever. Dei ordem para que se rendessem e eles não se renderam. Eles tentaram fugir e resistiram a prisão… Eu fiz o que eu tinha que fazer…

– Quando éramos… children’s… pequenos… a mamãe e a vovó nos levar no igreja com elas e… nunca perguntar: “vocês querer estar aqui?”, “vocês acreditar?” Religion is something… forced into us… Mas, a gente crescer… – Didra olhava para cima, procurando ver o céu de dentro da viatura. – And… i never ask you… i… eu nunca te perguntar, but… você acreditar em Deus?

– A gente aprende a acreditar em qualquer coisa que te ajude a se manter firme quando você sai de casa e pode não voltar nem pra ver o rosto da sua filha… Deus, Alá, Buda ou qualquer um… Eu acredito em quem me levar vivo pra casa e pra Lety… – Dean respondeu ainda respirando fundo e tremendo. – E você?

– Se Ele existir e se a tal bible is right… He hate’s me! – Didra riu um pouco. – Por que eu sou o que eu sou e amo quem eu amo… And… se Ele me odiar… eu prefiro não pensar no assunto.

– Não acho que Ele vá te odiar por amar…

– E quando você morrer e Ele perguntar: “why you kill that gyuy”? “Por quê você matar aquele cara? Eu dizer ‘não matarás’ e você matar”. O que você vai dizer?

– Eu sou o que eu sou e amo quem eu amo… E ele ameaçou a minha irmã… – ele tirou a mão do volante e colocou no ombro dela. – E eu a amo. Acho que é um bom motivo…

Dee ficou uns segundos em silêncio absorvendo aquela fala e tocou a mão do irmão.

– “Ok. Go to hell! Next!”

Eles riram juntos. Nervosos, doloridos e machucados, mas riram. Dean deu um último suspiro fundo e levantou-se do banco do motorista, indo em direção a mala traseira da viatura e pegando um rolo de fita amarela com listras pretas para isolar o local do corpo, visto que alguns curiosos começavam a olhar para a viatura batida na entrada do parque. Ele amarrou uma ponta no portão e a outra no banco mais próximo, tentando formar um quadrado em volta do cadáver, enquanto o apoio não chegava.

– Com licença!! Senhor policial! – alguém aproximou-se de Dean. – Senhor… eu… vim ajudar!

– Não pode entrar no parque agora, irmão… – Dean tirou do blazer cinza que usava o distintivo da polícia e mostrou para ele. – Por favor, mantenha fora da zona de isolamento e… todas aquelas coisas que os policiais falam nas séries…

Didra continuava segurando o lenço sobre o machucado e olhou para os lados, procurando sua bolsa. Lembrou-se que foi atacada na entrada do parque e que, provavelmente, suas coisas e o resto dos seus óculos (que tinha acabado de comprar) estavam espalhados e pisoteados na calçada. Um pouco tonta, apoiou-se na porta do carro para sair e, de repente, uma mão a segurou.

– Thanks… i need my… medications…

– Não se preocupe com isso, por favor… sente-se novamente, vou examinar você! – a voz forte e suave acalmou um pouco os nervos da garota. Era o tipo de voz que os médicos usavam para lhe dizer que estava tudo bem, mesmo quando não estava. – Você estuda na Anteros, não é? Acho que já te vi por lá.

– Yeah… História da Arte… último ano…

– Bom, sua memória parece boa, apesar do machucado na cabeça… Você sabe seu nome?

– Didra Angel… Didra O’Connel… acho que só isso tá bom… aí! – uma luz forte de lanterna acertou o olho de Dee, enquanto a mão masculina forçava a abertura de sua pálpebra. – And you?

– Seu inglês é muito bom, mas seu francês está meio enferrujado! – ele soltou o rosto de Dee e entregou para ela o que pareciam ser os óculos. – Mas, tudo bem… não se mexa, vou ter que dar um pequeno ponto nesse supercílio, ok?

– Who are you?

Ela vestiu os óculos e viu o rosto da pessoa que a atendia. Olhos claros, cabelos ondulados louros até a altura do queixo com a mais perfeita barba feita que dava a impressão de estar por fazer que ela já tinha visto. Contudo, o que chamou a atenção foi o anel de ouro na mão direita do rapaz. Um que ela já tinha visto um parecido antes.

– Meu nome é Raphael Le Sante, sou enfermeiro na Anteros. – ele respondeu sorrindo. – Por estarmos perto, a polícia ligou para o reitor e pediu que enviassem para cá qualquer médico ou enfermeiro disponível na faculdade para dar apoio ao detetive O’Connel…

– Oh crap… – Didra encarou o rapaz sem saber o que fazer. – Ainda dá tempo de me levarem?

Continua…


Notas Finais


Se você quiser conhecer toda a história da Dee, você pode ler direto no fórum oficial do AD clicando no link:
https://www.amordoce.com/s2/forum/t31179,1-gl-iris-você-é-meu-amor-doce-parte-2-por-realdoido.htm#p6591739

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