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História Anteros - Capítulo 15


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Notas do Autor


Esta é uma sequência da fic Você é meu Amor Doce ao mesmo tempo que é um reboot!

Exatamente como o jogo Amor Doce – University Life.

Você leu a temporada anterior? Legal! Você estará bem mais inteirado dos acontecimentos da história!
Você não leu? Beleza também! Não será uma sequência direta e imediata dos acontecimentos anteriores, nem amarrado com eles e tudo que for necessário será explicado de forma rápida.

Exatamente como no jogo. Quem jogou o HSL sabe tudo o que acontece no UL, mas quem não jogou pode aproveitar a história do mesmo jeito!

Vai ser legal pra todo mundo, prometo!!

Capítulo 15 - Comparações



A delegacia não era o que Dee esperava. Um local cheio de mesas alinhadas uma atrás da outra em um grande espaço, com gente andando de um lado para o outro, homens usando suspensórios e rapazes com cara de nerd (ela deu uma boa olhada para ver se encontrava alguém parecido com o ator Matthew Gluber, mas não encontrou) mexendo em um computador, procurando pistas ou hackeando alguma coisa. Não. Não era nada como nas séries. Parecia mais um escritório burocrático com portas de madeira e paredes brancas. Uma série policial não faria nenhum sucesso em algum lugar ali.

Claro, ela não estava muito preocupada com a decoração e sim com o seu rosto inchando e dolorido após tomar socos depois de uma tentativa de sequestro, além da dor dos pontos no supercílio feitos pelo enfermeiro da Anteros Academy, dentro da viatura batida do irmão. Na verdade, principal preocupação dela era exatamente o que ela conversou com o jovem enfermeiro.

Ela nunca tinha conversado antes com o rapaz, embora já o tivesse encontrado enquanto estava inconsciente na enfermaria da escola. Lembrava-se dele conversando com o professor Rayan a respeito de seus remédios (“Aliás, cadê esses remédios. Estão fazendo uma falta agora.”) e o havia visto na porta da sala de aula do curso de enfermaria, junto com Iris. De longe, não poderia julgar exatamente o moço, mas agora, conversando com ele, ela chegou a uma opinião: Ela odiava ele por ser tão legal, doce, gentil e perfeito.

Pensar naquilo a fez bater a cabeça na mesa de madeira da sala de trabalho de Dean. Aquilo parecia uma brincadeira com ela. Iris arrumou um rapaz legal, atencioso, bonito e que, pelo pouco que falou sobre ela,  aparentemente estava muito apaixonado e estava se preparando para dar a ela uma vida maravilhosa. No momento que Didra reparou na aliança dourada no dedo dele e perguntou sobre quem era a “moça de sorte” e a resposta foi: “Quem teve sorte fui eu.”

Ela não conseguia odiar Raphael pois ele era um homem perfeito para Iris e, pelo visto, faria de tudo para vê-la feliz. Claro que Dee também faria e estava fazendo de tudo para ver Iris feliz, mas, Raphael aparentemente faria de uma forma que não seria necessário correr riscos de ser baleada, adquirir doenças psicossomáticas, insônia, sofrer sequestros ou precisar tirar ou mandar alguém pra cadeia.

Resumindo: Ele era um ótimo. Bonito, milionário e emocionalmente estável. Tudo o que ela não era (“exceto, bonita. Bonita eu sou”).

Pensar naquilo a fez bater a cabeça mais uma vez na mesa. “Talvez ela esteja mesmo melhor com o Raphael”. Talvez fosse melhor Didra deixá-la ter os filhos, salvar a sra. Isabelle e, assim, afastar-se dos negócios de Nathaniel. As coisas podiam correr bem sem a interferência dela. Ela poderia achar um cara ou garota legal, começar um relacionamento sério e deixar aquela paixão adolescente para trás. E por pensar nisso, ela bateu a cabeça na mesa mais uma vez.

– Você já não se machucou o suficiente, não? – Dean entrou na sala carregando dois copos de café e colocou um sobre a mesa ao lado da cabeça da irmã. – Se era pra deixar aberta, pra quê fez o ponto? Gastar o material do rapaz?

– Did i send you to hell today?

– Hum… acho que não… – Dean sentou-se na sua cadeira e deu um gole do seu café. – Por quê?

– Então vai…

– Daqui a pouco. Mas antes, eu preciso pegar o seu depoimento e descrição do agressor e tudo mais. – Dean sacou um bloco de notas e uma caneta. – E aí? O que aconteceu?

– Eles tentar me sequestrar… – Didra só levantou a cabeça da mesa o suficiente para olhar para Dean. – Então, você aparecer… O resto você saber…

– Nossa… com toda essa sagacidade eu não sei por que você não é a detetive no meu lugar. – Dean soltou a caneta na mesa. – Agora, falando sério… Por quê? Quem quer te sequestrar e por quê?

– Você falar esse como se people já não tentar kidnapped me before… Não ser meu primeiro sequestro…

Dean se lembrava. Durante o baile de formatura na Sweety Amoris. Ela foi sequestrada por Debrah e seu cúmplice durante o plano de vingança da ex-popstar. Foi um dos momentos mais apavorantes da vida dele. O fato de sua irmã estar em perigo foi muito mais assustador do que o momento em que ele e seu melhor amigo, Victor Chevallier, invadiram um prédio para salvar Peggy e a professora Delanay, que também haviam sido sequestradas por Debrah antes. Esse foi o motivo para ele ter entrado na carreira policial. Proteger as pessoas da forma certa e não como um adolescente inconsequente que invade um cativeiro com uma arma sem balas.

– Pegamos a Debrah faz dois anos!

– Oi?

– Pegamos ela! Quer dizer… a polícia pegou. – Dean respondeu. – Ela estava escondida em algum lugar de Lorena, na Grande Leste. Acho que estava tentando sair do país e foi pega por causa de um sinal vermelho. Que coisa, né? Quase dois anos desaparecida, ultrapassou um sinal vermelho e aí reconheceram ela.

– E ela já foi condenada? Quanto tempo…

– Juntando sequestro, incêndio criminoso, mentir durante o juri e ser cúmplice de alguém que matou duas pessoas… Eu acho que ela só saí de lá em um caixão.

– Oh… i see… well, she asked for it… – Dee voltou a colocar a bolsa de gelo sobre o rosto dolorido. – So… o que você estar fazendo aqui? Tem sequestradores soltos. Go get them!

– Dee… desde o hospital, eu sei que você está me escondendo alguma coisa! – Dean ajeitou a cadeira e ficou de frente pra irmã. – Eu sei que você tá protegendo o Nathaniel e acredite… eu também não gosto de saber que o nosso colega pode ir pra cadeia… Mas não vale a pena você arriscar a sua vida por isso!

Didra apenas fez uma careta. De dor ou de desgosto, ele não soube dizer. Ok. Não seria fácil arrancar a informação dela, então, ele precisaria apelar.

– Where is my purse? Minha bolsa? – Dee apertou um pouco mais a bolsa de gelo nja bochecha. – Preciso dos meus remédios! Tudo estar doendo…

– Usa esse aqui…

Dean pegou da gaveta da mesa um potinho de plástico laranja e colocou na frente de Dee. Ela pegou o pote, abriu e virou ele na mão, mas nada aconteceu, então olhou para o irmão com cara de quem não havia achado graça na piada.

– Is empty, you moron! – foi quando ela percebeu. Olhou novamente para o pote e entendeu o que estava acontecendo. – Oh… where… where you found it? Onde você achar esse?

– Num galpão abandonado que era usado para fabricar a droga que estão distribuindo por aí. – Dean pegou o pote de volta e mostrou a etiqueta rasgada. – “...ra O’Connel”. Não parece que aqui estava escrito nem Phillipe, nem Lúcia e nem Dylan… só sobrou DidRA O’Connel… Tem alguma ideia de como isso foi parar lá?

– Como eu vou saber que alguém andou fuçando no meu lixo?

– Fuçando no seu lixo? Você jogou fora seus remédios? – Dean respondeu sem muita convicção. – Ou andou tomando várias doses dele e ele acabou bem antes do tempo?

– Esse coisa ter morfina! Eu jogar fora depois daquele vexame na aula… Pegar outro pra meus machucados por causa do assalto no começo do semestre!

– E os caras acharam um potinho no meio do lixo de uma faculdade? – Dylan riu um pouco da situação. Ele ainda levou o pote perto do nariz e olhou para ele com atenção. – Olha… ele tá bem limpinho e sem nenhum cheiro estranho pra um pote que ficou no meio do lixo de uma faculdade inteira!

– E eu ter culpa agora que os ladrões lavar a pote? – Didra já estava irritada. – What you think? Que eu dar esse negócio pras bandidos?

– Não você…

– Esse pote ser roubado do meu quarto! Someone give to the bandits! – Didra bateu o saco de gelo na mesa. – Deve ser assim que ele chegar a bandidos!

Dylan suspirou e recostou na cadeira.

– Tá… de você ter jogado fora esse pote ele passou a roubado? – Dean colocou os cotovelos sobre a mesa, cruzou os dedos e apoiou o queixo neles. – Vamos deixar as coisas claras aqui… Esse potinho apenas seria o bastante pra eu te prender aqui, pelo menos provisoriamente, até achar mais provas de que você pode ou não estar envolvida nisso. Porém, provavelmente a mamãe me mataria se eu fizesse isso…

“Agora essa história de ‘roubado do seu quarto’ pode ser muito pior, porque, vai envolver, inicialmente a sua colega de quarto como primeira suspeita! Depois, qualquer pessoa que frequenta o seu quarto… Eu não sei quem… talvez a Melody? A Iris? O Alexy? A Rosa? Elas vão no seu quarto? Você tem outros amigos ou amigas lá? Sua colega de quarto tem amigos ou amigas que vão lá? Não sei… mas, seja quem for, estará envolvido!

E… se depois de todo esse processo… todo esse problema que você arrumou pra esse pessoal todo… ficar provado que nenhum deles pegou esse pote, então, a gente vai ter que ir até a reitoria da faculdade para descobrir se você chegou a dar queixa do roubo, falou algo sobre seu quarto ter sido invadido e etc. Afinal, você não ia deixar roubarem o seu quarto sem avisar a faculdade? O que mais poderiam ter roubado, seu dinheiro, seu laptop… Nada? Só o remédio? Improvável, mas ok. Levaram só o remédio.

Se não houver nada disso? Nenhuma queixa sua de roubo de nada. Nenhum sinal do seu quarto ter sido invadido. Nenhum caso similar no campus. Nada! Aí eu terei de assumir que você mentiu em depoimento e isso, combinado com essa ‘prova’ aqui, vai te por na cadeia por um bom tempo. Com ou sem a eminência da mamãe me matar e sumir com o meu corpo, eu vou ter que te prender. Ficou tudo bem claro?”

Dee não respondeu. Apenas ficou ali olhando para ele e com o saco de gelo encostado no rosto.

– Bom, então, se ficou claro eu vou te perguntar outra vez: Como isso foi parar lá naquele galpão?

– I don’t know…

– Você não sabe mesmo?

– No… i don’t!

Dean respirou fundo e guardou o pote de volta na gaveta.

– Se alguém achar isso, não é só você que estará com problemas, mas eu também! Porque simplesmente não apresentei isso com os meus relatórios. – Dean respondeu. – Então, eu vou te dar um tempo pra você “lembrar” do que aconteceu com os seus remédios e imaginar como ele pode ter chagado lá! Se você não quiser fazer isso por mim, então… faz pela Lety e pela sua sobrinha!

– Esse ser um grande chantagem emocional, you know?

– E funcionou?

Didra levantou, olhou feio para Dean e colocou o saco de gelo sobre a mesa.

– Yes.

Então ela virou-se e saiu do escritório, fechando a porta atrás dela. Dean ainda olhou uma última vez para o pote laranja. A situação estava bem pior do que o que ele tinha imaginado. Poucos segundos depois, ela abriu a porta novamente e ficou olhando, como se não estivesse entendo alguma coisa.

– What you doing? Let’s go!

– Pra onde?

– Acabaram de tentar me sequestrar, i know? Você vai me deixar ir sozinha?

– Caramba! – Dean levantou-se apressado, pegou o casaco do cabideiro e as chaves do seu carro particular. – Tinha esquecido disso! Vamos!

***

Didra pegou o elevador e virou-se para olhar no espelho atrás dela. Seu lábio tinha um machucado feio, os óculos estavam tortos no rosto inchando e com uma mancha arroxeada crescendo do maxilar até metade da bochecha. Aquilo estava bem ruim. Sua roupa estava desalinhada, suja de terra e um pouco de sangue. Sem contar que, agora que ela estava mais tranquila e segura, começou a sentir o peso do que aconteceu com ela naquele dia.

Alguém havia tentado sequestrá-la! E se tivessem conseguido? Onde ela estaria agora? Estaria viva? Aquilo a fez tremer e perder as forças das pernas, então, tentou não pensar naquilo. Focar em outra coisa. E a outra coisa que apareceu para ela pensar foi o fato de ter visto alguém ser morto pelo próprio irmão. Não estava ajudando muito. Era melhor pensar no suposto filho da Iris. Não. Melhor não pensar em nada.

Tirou o celular da bolsa (“Tela rachada! Lógico! O que mais eu precisava nessa vida?”), viu rapidamente as notas no aplicativo da faculdade (“um dez no relatório do professor Lebarde? Obrigada, Chani!”) e abriu a câmera, apontou ele pro espelho e tirou uma foto do próprio rosto de perfil, do lado que não estava machucado ou inchado e com pontos no supercílio. A foto até que saiu boa. Ela parecia só ter tido um dia realmente muito agitado e estava voltando para casa para descansar. Postou a imagem no Instagram com a legenda “my good angle today”.

Não demorou muito para que ela recebesse algumas curtidas e comentários, incluindo as de Rosa e Alexy. Seu Whatsapp mostrou novas mensagens dos grupos, incluindo um que ela não conhecia chamado “Pessoas com quem a Dee está *uta da vida”, que tinha ela, Alexy e Rosa. Didra riu e escreveu lá “Vocês podem apostar que sim” e mandou uma carinha com a língua para fora. Outro, das amigas da América, estavam marcando um dia para que se falassem via webcam. Segundo elas, Pryia estaria presente. Dee mandou uma mensagem confirmando a presença na conversa.

Apesar de estar feliz em estar em casa, ainda haviam pessoas queridas que ela conheceu em Yale e ainda tem muito carinho. Até mesmo pelo ex-namorado. Não se imaginava tendo um relacionamento com um rapaz depois de conhecer Iris e se apaixonar tanto por ela, mas, acabou rolando e ela é feliz por isso.

– “Hey, French girl.” – ela leu a mensagem do ex-namorado americano e sorriu ao lembrar dos bons momentos em que ele a chamada de “french girl”. – “You miss me?”

– “Of course i’m!” – Dee respondeu e mandou uma carinha feliz.

– “He miss you too” – e logo em seguida uma foto de uma parte específica do corpo do rapaz.

– OH F*CK YOU, RICK!!

Dee quase jogou o telefone no chão, mas lembrou que era o telefone dela e apenas mandou o rapaz para o inferno e pediu para que ele pare de mandar fotos daquele tipo. Ela saiu do elevador bem nervosa e foi em direção ao quarto. Abriu a porta e entrou decidida a ensinar a Malak e Yeleen como se usa um taco de basebol, caso ele estivesse lá dentro novamente. Mas, para sua surpresa, Yeleen estava acompanhada de outra pessoa.

– Pois não?

Yeleen e a senhora de nariz arrebitado que estava no quarto com ela ficaram olhando para Dee e Dee para elas. A mulher parecia ter uns 40 a 45 anos, mas estava tão bem conservada que poderia facilmente se passar por bem mais jovem. O cabelo era curto, bem rente a cabeça com um desenho em forma de espiral do lado esquerdo. Usava uma roupa justa no corpo bem cuidado, branca e vermelha e uma calça escura. Didra pensou que talvez ela fosse a irmã mais velha da Yeleen.

– Mãe, essa é Didra… minha colega de quarto.

A mulher, que agora Dee sabia que se tratava da mãe de Yeleen, a mediu de cima abaixo. Didra conseguiu ver o pensamento se formando ali nos olhos daquela senhora. Era o “discurso padrão de mãe n°3”. Aquele que falaria sobre como sua filha poderia andar com alguém daquele jeito e como a faculdade permitia que uma pessoa como aquela frequentasse o seu campus e que retiraria a sua filha, tão preciosa quanto um diamante, daquele antro de perdição que era aquela faculdade.

– Prazer… meu nome é Sibylle. – a mulher perguntou com aquele ar de arrogância velada na voz. Lembrava muito a mãe de Nathaniel. – O que aconteceu com você?

– Some guys… tried to rob me… – Didra respondeu e depois percebeu que estava no seu modo automático de falar inglês. – Sorry… uns caras tentar roubar-me.

Então, o “discurso padrão de mãe n°3” automaticamente foi substituído pelo “discurso padrão de n°1”. Aquele que fala sobre como aquele lugar é perigoso e como uma moça pode andar assim sozinha naquele lugar e que irá imediatamente falar com o reitor e pedir um reforço urgente na segurança daquele lugar.

– Isso é um absurdo. – Sibylle disse. – Yeleen, a partir de hoje, irei te ligar todos os dias e quero você dentro desse quarto após as 20 horas! Nem pense em desligar a localização do aparelho. Vou monitorar você a partir de hoje.

Yeleen olhou para Dee com um ar de quem dizia com todo o ódio no coração “muito obrigada por isso, sua filha de uma…”. Didra levantou de leve os ombros, sem saber o que fazer, então foi até a mesa dela, abriu sua mochila e colocou o laptop dentro.

– Desculpem por interromper, vou pegar meu computador e ir para a biblioteca estudar…

– Espere… você foi a polícia? Não pode ficar assim. – Sibylle respondeu. – Não se preocupe. Eu e Yeleen estávamos saindo para jantar. Tome um bom banho e vá a polícia!

– My brother is a cop… i mean… Meu irmão ser police. Eu já prestei as minhas queixas! – Didra voltou a colocar a mochila sobre a cama. – Thanks! Have a nice dinner.

– Seu inglês é muito bom. Você é estrangeira?

Yeleen, de trás de Sibylle rangeu os dentes e implorou silenciosamente para que Dee não respondesse, mas ela não percebeu os sinais da colega de quarto. Yeleen estava prestes a gritar, mas Sibylle olhou para ela de canto de olho e a garota teve de se acalmar.

– Eu estudar em Yale por três anos, mas eu crescer aqui nesse city! – Didra disse e viu o desespero no rosto de Yeleen. – Eu voltar para estudar história da arte aqui na Anteros.

– Yale? Não é para onde eu queria que você fosse estudar, Yeleen? – a mulher respondeu com um tom de cinismo na voz. – Mas, você escolheu essa renomada Anteros. Parece que alguém aqui sabe aproveitar melhor as oportunidades, não é?

Agora Sibylle estava realmente impressionada. Ela abriu um sorriso e pegou da bolsa um cartão de visitas de sua galeria em Paris. Uma das mais conceituadas e repletas de peças internacionalmente famosas. Dee até se assustou ao reconhecer o nome da galeria. Se Sibylle era a galerista responsável pelo lugar, a ida de Yeleen estava feita no mundo das artes. Ela poderia trabalhar em qualquer, sem dificuldades.

– Bom, aproveite para descansar e estudar. Tenho certeza que suas notas estão em dia, não?

– Sim. Acabei de saber que o último relatório que entreguei ficou com nota máxima.

– Nota máxima? – Sibylle olhou para Yeleen. – Não foi nesse que você ficou com uma nota oito, Yeleen?

– Arrgghh… mãe… vamos embora jantar logo! – Yeleen saiu do quarto muito irritada. – Estou esperando no carro.

– Perdoe os modos da Yeleen. Espero poder conversar com você novamente, Didra. Tenha uma boa noite. – ela pegou uma pequena agenda e uma caneta, escreveu algo e arrancou a página, entregando para Dee. – Procure por esse creme na perfumaria da sua preferência, é excelente para disfarçar esse machucado e também tem essa pomada que você compra em qualquer farmácia e ajudará com os inchaços!

Sibylle saiu do quarto e fechou a porta, deixando Dee se questionando se tinha feito algo errado para que Yeleen ficasse naquele mau-humor.

– E Didra, querida… – Sibylle reapareceu na porta do quarto.

– Yes?

– Não use essa foto aí como papel de parede no celular. Deixe a reservada apenas para você, ok?

Didra olhou para o celular e viu de que foto ela estava falando.

– Oh, goddammit! – Didra rapidamente bloqueou o celular. – Sorry! My ex-boyfriend! He send me this… oh.. sorry!

Sibylle sorriu e acenou positivamente com a cabeça, demonstrando que compreendia a situação, então, fechou a porta e deixou Dee sozinha novamente no quarto.

***

– Alunos da Academia Anteros, eu lhes desejo um excelente dia. Aqui quem vos fala, se é que vocês não me conhecem, é o seu reitor. Não, eu não me chamo Diretor. Meu nome é Culeen. Culeen Lehrer, mas, podem me chamar apenas de Culeen, reitor ou diretor. O que for melhor… Peço apenas que, se forem me ofender, mantenham as ofensas em mim e deixem a minha sagrada mãezinha de fora disso…

A plateia do Auditório A caiu na gargalhada. Até mesmo o professor Rayan baixou a cabeça e sorriu discretamente. O homem de terno verde quadriculado, gravata borboleta, um cabelo ruivo perfeitamente alinhado e uma distinta e bem cuidada barba esperou que a plateia terminasse de rir e voltou a pedir a atenção de todos.

– Bom, como ia dizendo, estamos nos aproximando da primeira prova do semestre e não preciso dizer o quanto as suas notas são importantes para vocês e para a faculdade. – ele continuava olhando para os alunos com orgulho no olhar. Ver os jovens e saber que ele era parte de suas vidas e do futuro fazia bem para o sr. Culeen. – A verdade é que a Anteros é uma faculdade muito acima da média nacional em relação a qualidade de ensino e… – ele virou para o professor Rayan. – …na qualidade dos nossos professores.

– E eles são muito gatos também! – uma voz feminina veio do fundo da sala, fazendo todo mundo rir e o professor Rayan passar as mãos pelos cabelos e dar uma piscadinha.

– Ora? Eu não sabia que isso também era tão importante? – Culeen sorriu e acenou para o público, pedindo um pouco de calma. – Então, acho que podemos procurar nossos próximos professores no concurso de Miss e Mister Universo. Bom, independente do quão belos são nossos professores…

“…é preciso sempre lembrá-los da importância de suas notas para a Faculdade. Quanto melhor a avaliação de vocês, melhor é a verba que recebemos para manter nosso prédio, nosso corpo docente e nossas instalações. Esses excelentes professores, salas confortáveis, equipamentos de ponta e a excelente comida que temos na cantina vem tudo de vocês e é tudo para vocês!”

Didra não tinha pensado naquilo até o momento. Estava acostumada com a situação de Yale, que seu pai pagava e ela tinha acesso a tudo. Agora, estudando na Anteros, ela sabia que seu pai ainda tinha diversas despesas com ela e a escola. A única coisa que ela pagava do bolso, com o salário de garçonete, era o alojamento. Mas, com aquele discurso, ela se sentiu importante para o seu grupo e sua comunidade.

Por outro lado, quem se sentia péssima era Yeleen. O jantar com a mãe nada mais foi do que uma sucessiva descrição de todos os planos e expectativas que Sibylle tinha na filha e que não foram cumpridas. Desde o primeiro dia em que Yeleen não quis fazer suas aulas de balé até o dia em que ela resolver ir para a Anteros, passando pelas óbvias e conhecidas comparações com os sucessos dos primos.

Como se tudo aquilo não fosse o suficiente, a mãe resolveu incluir o elemento Didra nas conversas. Sobre como Didra havia ido para Yale (algo que Yeleen respondeu que ela nem tinha como saber se era verdade, mas Sibylle ainda a elogiou pelo inglês fluente), sobre como ela ainda se dispunha a estudar mesmo estando machucada após uma tentativa de assalto e sobre a nota maior do que a de Yeleen no relatório.

Yeleen ainda pensou em falar algo sobre o fato de Didra namorar garotas, mas, considerando que os últimos três namorados dela eram caras todos escolhidos exclusivamente para que a mãe detestasse, era bem provável que Sibylle responderia como “prefiro que você namore uma boa garota do que aqueles trastes que você levou para casa”, então, ela deixou o assunto de lado.

Agora com o reitor dizendo sobre como o futuro da Anteros dependia dela e de seus esforços para se manter brilhante e bem-conceituada como uma das melhores faculdades do país, aquilo fez o estômago de Yeleen embrulhar e revirar. Claro, a raiva da colega de quarto ficou ainda mais forte depois de todo o discurso decepcionado de sua mãe. Ela realmente precisava de um copo de água.

Culeen dispensou a turma do auditório A e Yeleen saiu andando furiosa da sala em direção ao quarto, mas foi interceptada no caminho por Malak, o rapaz com quem estava saindo (e na verdade era só mais um dos péssimos caras que escolheu envolver-se apenas para o desprazer da mãe dela, mas que começou a ser um desprazer para ela também).

– Onde vai com essa pressa, baixinha? – Malak a abraçou pela cintura e puxou ela para perto, apesar de Yeleen tentar se desvencilhar do aperto, o rapaz era mais forte. – Não me viu aqui não? Vamos conversar…

– Françoise, me solta!

– Oh… oh… oh… Não me chama desse nome não! Meu nome é Malak! – ele soltou ela. – Se alguém escuta isso…

– Tanto faz o seu nome! Me deixa em paz!

– Qual é o problema? Por que tá nervosa? O que aconteceu?

– Minhas notas são uma porcaria, minha mãe me odeia e agora eu tenho ainda que viver com ela falando o como a minha colega de quarto é perfeita, esforçada e tem um nível de inglês fluente que eu nunca vou conseguir! – Yeleen respondeu. – É isso!

– Sua colega de quarto? Aquele mulherão? Nossa… ela é gata mesmo! Dorme com aqueles shortinhos e tem umas pernas… – Malak sorriu ao lembrar-se de Dee. – Se ela não tivesse com aquele taco de basebol…

– Pelo amor de Deus, não me diga que você também está do lado dela agora?

– Não tô do lado de ninguém, mas aí… Qual é o problema? Ela tirou uma nota melhor do que você e sua mãe tá no seu pé? É isso?

– Resumindo, sim… – Yeleen cruzou os braços irritada. – Agora vou ter que me matar de estudar e esfregar na cara da minha mãe uma nota muito melhor do que a dela e de qualquer um nessa faculdade.

Malak olhou para os lados, não havia ninguém perto o bastante para ouvi-los. Então, ele pegou Yeleen pelos ombros e puxou a garota para mais perto de si. Yeleen ainda tentou se soltar, mas acabou cedendo ao rapaz e continuou apenas de braços cruzados e emburrada.

– Aí… se você quiser uma ajuda pra estudar, eu tô aqui com uma ideia…

– Não estou a fim de fazer um strip estudo com você escrevendo as respostas no seu corpo. Muito obrigada! – Yeleen disse. – Além disso, tem lugares que só daria pra escrever a resposta de uma questão caso a prova fosse de múltipla escolha, sacou?

– Há! Engraçadinha… Mas, não é isso… – ele pegou do bolso um potinho plástico com alguns comprimidos dentro. – Isso aqui ajuda os caras a ficar ligadões e concentradões pras provas. O segredo das notas altas… Se quiser um, posso arrumar pra você… mas, vai custar uma grana…

Yeleen pegou o pote e ficou olhando para as pílulas dentro. Aquilo era algo que ela realmente não estava esperando.

Continua…


Notas Finais


Se você quiser conhecer toda a história da Dee, você pode ler direto no fórum oficial do AD clicando no link:
https://www.amordoce.com/s2/forum/t31179,1-gl-iris-você-é-meu-amor-doce-parte-2-por-realdoido.htm#p6591739

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