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História Anteros - Capítulo 16


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Notas do Autor


Esta é uma sequência da fic Você é meu Amor Doce ao mesmo tempo que é um reboot!

Exatamente como o jogo Amor Doce – University Life.

Você leu a temporada anterior? Legal! Você estará bem mais inteirado dos acontecimentos da história!
Você não leu? Beleza também! Não será uma sequência direta e imediata dos acontecimentos anteriores, nem amarrado com eles e tudo que for necessário será explicado de forma rápida.

Exatamente como no jogo. Quem jogou o HSL sabe tudo o que acontece no UL, mas quem não jogou pode aproveitar a história do mesmo jeito!

Vai ser legal pra todo mundo, prometo!!

Capítulo 16 - Coisas Mágicas


Tóc tóc tóc…

Chani abriu a porta do seu quarto. Eram 6:30 da manhã, ela tinha acabado de acordar e finalizar sua sessão matinal de meditação. Didra estava do lado de fora, sorrindo e com seus óculos escuros (agora tortos também) e com dois copos de café.

– Meu dia de comprar o café… – Didra falou enquanto entregava o copo descartável do Cozy Bear Café. – Goog morning, Chani.

– Você? Acordada assim cedo e ainda com essa disposição de ir comprar o café? – Chani pegou o copo e deu licença para Dee entrar. – Quem é você e o que fez com a Didra?

– Trying to live without fear… Sem medo de ser roubada or something… Eu mesmo fazer a café! O que achou?

– Bom… bastante creme. Obrigada! – Chani riu e começou a separar as roupas para o dia de aula. Ela estava usando um top e uma calça de lycra justa de academia. – Por que você está usando esse tanto de base no rosto?

O sorriso de Dee murchou na hora.

– Oh… Can you see? Estar muita ruim assim?

– Você exagerou um pouco… Vem aqui. – Chani sentou-se na cama e Dee sentou logo ao lado. Ela pegou um algodão de limpeza de maquiagem e tirou a base exagerada que Dee havia passado sobre os machucados. – Nossa, isso está ruim… O que aconteceu?

– Some guys… eles tentar me sequestrar! – Dee abriu a câmera frontal do celular e viu os machucados. – Acho melhor ir assim mesmo para a aula. Vai ficar pior se usar maquiagem por cima…

– Melhor você só passar os remédios aí. – Chani terminou de limpar a maquiagem e jogou fora os lenços e algodões usados. – E eu tenho alguns unguentos naturais que eu mesmo fiz. São ótimos pra esses inchados.

– Eu não sei não… É… como você os fez? Com o quê?

– Ervas, plantas medicinais e outras coisas mágicas… Não se preocupe! – Chani abriu um potinho e pegou um pouco do creme esbranquiçado com a ponta dos dedos e passo uno rosto de Dee. – Você vai sentir um formigamento por um tempinho, mas não vai sentir nada depois…

– Ok… Thanks!

O tal unguento de Chani era realmente eficaz. No começo Dee não sentiu nada exceto uma sensação fresca no rosto, como pasta de dente. Chani terminou e limpou a mão em uma toalha. Vestiu-se rapidamente para a aula e ambas foram em direção ao auditório 1, onde teriam uma nova aula do professor Zaedi. Ele havia liberado o dia para tirar dúvidas da matéria e passaria umas questões simuladas da prova.

O formigamento no rosto de Dee aumentava com o tempo, mas não era uma sensação incomoda. O que estava incomodando era o jeito que os colegas olhavam para ela. Alguns davam risinhos. Outros estranhavam. Alguns pareciam estar com medo ou nojo. O que foi que Chani passou no rosto dela? Ela tocou o ferimento e não tinha nenhum resíduo e nem excesso de creme, então, ela não estava entendendo nada.

– Didra? – Zaedi aproximou-se dela, subindo as escadas do auditório com alguns papéis em mãos. – O que aconteceu com o seu rosto?

– Tentaram assaltar ela, professor. – Chani apressou-se em responder antes mesmo de Dee poder dizer algo. – Parece que os assaltantes foram bem violentos…

Zaedi franziu o cenho e chegou mais perto para olhar os machucados. Ele parecia muito nervoso por causa daquilo. Não era só um nervosismo qualquer de alguém vendo algo que incomodava a visão, como um machucado feio ou um braço torcido em um ângulo errado. Era raiva. Raiva real e palpável. Didra ficou assustada com aquilo, pois parecia até que Rayan poderia, a qualquer momento, “explodir de ódio” por causa daquilo e agredir alguém ali mesmo, apenas para livrar-se daquela sensação.

Talvez fosse aquela sensação de impotência ante a criminalidade do país. Aquela sensação de achar que os bandidos não são punidos adequadamente e atacam sem medo, enquanto nossas autoridades estão de braços cruzados. Talvez fosse o zelo de um professor com seus alunos, a sensação de sentir-se um pai de todos aqueles jovens e não aceitava que alguém machucasse seus protegidos. Fosse o que fosse, a raiva de Zaedi era assustadora.

– Vai pro seu quarto e descansa. – Rayan disse para Dee, afastando-se dela. – Ou melhor… vai para enfermaria, pois eu acho que tem algo errado com o seu rosto.

– Não tem nada não, professor. – Chani estava nervosa e agindo estranho enquanto respondia para o professor. – Ela tá bem. Muito bem mesmo. Excelente. Só descansar mesmo. Não tem nada no rosto dela.

Alguns alunos riram daquilo.

Dee não queria descansar. Já tinha descansado demais e sentia-se bem, embora algumas partes do seu corpo ainda doessem e ela não estava enxergando o suficiente pra entender o motivo dos colegas estarem olhando tanto para ela e segurando as risadas.

– Eu acho que você está tendo um derrame. É melhor correr para a enfermaria.

– HÃ?? Ahnrrami? – Didra estranhou o som da própria voz e alguns colegas não conseguiram segurar o riso. – Uqui aontiseu com… HANI???

– É… desculpa… é que o creme que eu passei anestesia o local. – Chani levantou-se e foi olhar o rosto de Didra. – Por isso eu disse que você não ia sentir nada… mas calma vai passar!!

Didra abriu a câmera frontal do telefone e olhou sua boca torta na tela. A classe explodiu em risos, mesmo com o professor mandando todos ficarem quietos. Dee e Chani saíram da sala, com ela tentando esconder o rosto, embora soubesse que era inútil. Rayan ainda tentou botar ordem na sala, mas não conseguia fazer nada para acalmar os alunos. E nem acalmar a si mesmo.

***

De volta ao quarto, Chani e Didra tentavam manter a calma diante da situação e desentortar o rosto da garota. Chani ainda segurava o riso, pois, por mais que ela se sentisse culpada, ainda era engraçado ver Dee com a metade do rosto irritada e a outra caída como um buldogue.

– Bom, pelo menos isso não vai durar muito… e olha… não tá doendo, né?

Didra pegou um caderno e escreveu em uma linha: “Estou muito chapada para ficar com raiva e com muita raiva para ficar calma e curtir a minha brisa.” Chani leu aquilo e riu. Foi até a geladeira e procurou alguma coisa que pudesse dar para Dee beber, enquanto ela massageava a própria bochecha. Chani entregou um copo de água com bastante gelo com um canudo. Alguém bateu a porta e Chani foi abrir.

– Pois não?

Iris olhou para Chani e ficou um pouco sem saber o que dizer. Esperava por Yeleen ou Dee, mas não conhecia aquela menina de cabelos loiros e visual gótico.

– Aahh… oi… A Dee está aí?

– Está sim! Entra! – Chani abriu a porta e deu passagem pra Iris. – Ela não tá podendo falar muito, mas… tá bem. E vai melhorar, prometo!

Iris estranhou a fala da moça, mas foi ver a amiga e deu de cara com aquele rosto torto e os machucados. Ela suspirou fundo e colocou sua bolsa na cama, ao lado dela e pegou o rosto de Dee para ver os machucados.

– Hum… Raphael fez uns pontos ótimos aqui. Se ficar uma cicatriz, vai ser tão pequena que não vai nem dar pra ver. – Iris disse enquanto examinava os machucados. – Agora? O que fizeram aqui? Te bateram? – Dee respondeu que sim com a cabeça. – Ahh… e o que você passou que tá tudo duro? O que é isso?

Didra deu de ombros e indicou Chani com os olhos.

– É uma pasta caseira que faço… Tem um pouco de valeriana, um pouco de lavanda e algumas outras coisas mágicas! – Chani disse. – Vai desinchar o rosto dela em pouco tempo…

– Tenho medo de perguntar o que são essas “coisas mágicas”…

– Nada demais… algumas coisas que a medicina não está preparada para entender! – Chani respondeu abanando com a mão como se não fosse nada importante. – Mas, daqui a pouco está desinchado o rosto dela.

– É, vai desinchar, mas ele tá totalmente anestesiado. Eu nem sei como ela vai conseguir comer… – Iris abriu a bolsa e tirou de lá uma agulha e um potinho de remédio. Espetou a agulha e encheu o êmbolo. – Tá… isso vai fazer a anestesia passar mais rápido. Não se mexe e aproveita que não vai doer.

Iris terminou a aplicação e encostou um algodão embebido em algum tipo de soro no local da injeção, depois pegou uma sacola plástica dentro da bolsa e tirou de lá uma compressa térmica. Encostou no rosto de Dee e colocou a mão dela para segurar o objeto. Mas, antes de soltar, ficou segurando a mão de Didra. Quente, por causa da compressa e também por estarem juntas.

– O que eu faço com você, ein? Não percebeu que eles são perigosos? – Iris tocou a testa de Dee com a dela. – Arruma um hobby, arruma outra pessoa e para com isso antes que te machuquem de verdade.

– E ocê?

– Ninguém sabe de mim. Nathaniel não conta qual é o contato dele e onde ele consegue as coisas, então eu tô protegida… – Iris respondeu. – Mas, se você continuar, uma hora eles vão chegar a mim e todo mundo aqui da faculdade. Eu sei que você acha que está me protegendo, mas… e quem protege você?

– Espera, você é a Iris? – Chani aproximou-se enquanto a ruiva guardava a injeção e as coisas. – A ex, atual, “é complicado” da Dee?

– Sou eu! E você? É a oque dela?

– Chani. Amiga e hétero! Não se preocupe! – Chani apertou a mão de Iris. – Nossa… você tem uma aura incrível! Me diga, você tem alguma relação com vampiros?

– Sim!! No site seusancestrais ponto com ponto fr eu descobri que sou descendente da família Drácula!! – Iris respondeu empolgada. – E uma das minhas ancestrais era uma caçadora de vampiros!!

Dee revirou os olhos.

– E a Dee era um tipo de parceira e também caçadora junto dessa minha ancestral! – Iris sentou-se ao lado de Dee e passou o braço em volta do ombro dela. – Mas a “jovem cética” aqui não acredita em nada disso!

– Nossa! Que incrível! Esse site é demais! – Chani respondeu com a mesma empolgação. – Eles descobriram que eu sou descendente de um dos ramos perdidos da Rainha Vitória! Dee… você tem que dar mais credibilidade a eles. O site faz um trabalho de pesquisa muito sério!!

Dee queria poder responder, mas com a boca daquele jeito, apenas deixou quieto.

– Minha nossa!! Que legal! Precisamos apresentar ela pro Lysandre, Dee! Ele adora a era vitoriana! – Iris disse. – Ele vai gostar de conhecer uma parente dela!

– Vai ser demais! Bom, eu tenho que ir estudar agora. Vou deixar vocês aí a sós! – Chani respondeu sorrindo. – E Dee, me desculpa pelo que aconteceu com o seu rosto, mas prometo que em breve passa. Fica tranquila tá?

Chani saiu do quarto e Iris voltou a olhar para Didra. Ela botou a compressa de lado e massageou a bochecha. Iris sentou-se ao lado dela e segurou a mão de Dee.

– A Chani é uma garota legal… Acho que tá na hora de você partir pra outra, ein. – Iris passou a mão no rosto de Dee, para conferir o inchaço. – Quer dizer, eu não quero que você se machuque assim. Olha a quanta coisa aconteceu com você desde que voltou e por minha causa…

– Não… eu não… vou deixar você… – Didra ainda tinha um pouco de dificuldade para falar, mas o rosto já estava bem melhor. – I… need… you…

– Não! Você precisa de alguém que não te envolva em problemas como esse… eu juro, Dee. Se te machucarem mais uma vez, eu sumo da cidade. – Iris disse olhando no fundo dos olhos de Dee. – Vai ser terrível pra mim ter que abandonar a minha mãe assim, mas eu juro que se você não tomar cuidado, você nunca mais vai me ver…

Didra não respondeu, mas apertou com força a mão de Iris. Aquilo serviu como confirmação de que ela havia entendido a ameaça.

– Não fica assim. Toma, eu fiz isso pra você! – Iris abriu a bolsa e tirou um de dentro um estojo cinza de plástico e o entregou para Dee. – Eu acho que é o seu grau, mas pode estar um pouco mais fraco…

– Is good… melhor do que esses aqui… – Didra colocou os óculos e olhou em volta. – Thanks! – ela colocou os óculos escuros tortos na gaveta da mesa de cabeceira. – Como você… saber meu grau?

– Eu sabia seu grau na época do colegial e imaginei o quanto pode ter progredido nesses anos… Aí eu arrumei uma que receita e mandei fazer… – ela olhou para Dee e sorriu. – Sempre achei que esse modelo ia ficar bem em você… E eu tava certa.

Didra tocou o rosto de Iris e a trouxe para mais perto, então elas fecharam os olhos e se beijaram, mas Iris rapidamente afastou-se e pediu desculpas.

– Eu tô fazendo exatamente o contrário do que eu estou falando…

– Iris… I need to ask you something… Uma coisa que a Rosalya me falou e…

O telefone de Iris tocou. Ela ergueu a mão e pediu que Dee esperasse um pouco antes de dizer algo e Didra não teve tempo de protestar contra isso, já que o seu telefone também. Ela foi até sua bolsa, pegou o aparelho e viu o número pela tela quebrada. Era o número de Dean.

– Oi… o que houve…

– Dee! Dee… Eu… eu preciso que você venha aqui!! Agora!!

– O que houve? What happening?

– A Lety!! Ela…

– O que acontecer com Lety??? Dean?? What…

– Eu acho que tá indo, Dee!! Vai nascer!! Vem pra cá!! – e ele desligou a ligação.

– VIR PRA CÁ ONDE, YOU MOTHER... – Dee berrou no telefone, mas a ligação já tinha encerrado. – OH MY GOD!! Iris… Iris… I need to go… Em algum lugar… eu não saber onde…

– Eu vou ter que ir pro hospital, Dee… Me chamaram para ajudar em um parto!! – Iris segurou Dee pelos ombros. – Fica calma, por que você está tão nervosa??

– My niece!! My niece is coming!!

– O que? Eu não entendi!!

– Minha sobrinha!! Minha sobrinha vai nascer!!

– Oh… a filha do Dean? Com a Lety… – e então ela percebeu. – Ooohhhh… me chamaram pra lá agora! Eu… eu acho que é pro parto da Lety!! Vamos embora. Vamos!!

Elas passaram correndo pela porta, levando apenas o necessário nas bolsas. Tiveram que esperar um pouco pelo elevador e, quando ele chegou, elas passaram sem falar nada por Yeleen, que havia acabado de chegar.

– Ei… cuidado! – Yeleen protestou ao passar pelas garotas. – Vão tirar o pai da forca?

– Nop… tirar minha sobrinha da va… whatever! – Didra respondeu. – Sorry!! I should go!!

A porta do elevador fechou devagar, mas foi tempo o bastante para Dee observar que havia algo de errado com Yeleen. Ela não sabia o que era e nem teria tempo para descobrir naquele momento, mas havia alguma coisa estranha no olhar da colega de quarto.

***

Para sorte delas (e azar de quem chamou), elas conseguiram achar rapidamente um táxi parado na porta da faculdade que as deixou no hospital em menos de 5 minutos. Didra jogou qualquer nota de dinheiro que tinha na bolsa pro motorista, sem nem saber se o valor estava certo ou errado. Elas correram pra dentro e Iris foi em direção a sala de enfermagem e Dee para a recepção do hospital.

– Iris… please… take care of my niece!! – Didra segurou as mãos de Iris. – Please, pretty please!

– O quê? Não entendi nada!!

– OH FOR GOD’S SAKE!! Eu ir te dar aulas de inglês!! – Didra se irritou. – Cuidar bem do meu soubrinhah, please!!

– Por que em vez de me dar aulas de inglês, você não fala normalmente que nem você falou comigo lá no camarim? – Iris respondeu também se irritando. – Quer dizer, não que eu não precise aprender inglês, mas fica mais fácil, não?

– Eu não conseguir falar direito quanto estar nervosa!! What's going on almost every moment!!

– O quê?? Não entendi nada outra vez!!

– Eu dizer que estar nervosa o tempo todo!! – Didra aumentou o volume da voz. – Ser por isso que eu não falar correct!!

– Eu posso te receitar um calmante talvez… – Iris disse. – A gente pode treinar e…

– PELAMORDEDEUS vocês duas já terminaram?? – Dean chegou e separou as duas garotas. – Iris, por favor, vai lá ajudar no parto logo!!

– Oh… eu esqueci!! Eu vou lá!! – Iris correu em direção a entrada de funcionários do hospital, tirando da bolsa um crachá para mostrar ao segurança na porta restrita. – Vai dar tudo certo. Não se preocupa!!

Dean voltou a sentar-se nos bancos da sala de espera e Dee sentou-se ao lado dele, abraçando-o e apertando forte o irmão contra o corpo. Ela levantou-se e foi até uma máquina de vendas e comprou uma garrafa de água, levou até Dean e ofereceu para ele, mas o rapaz recusou.

– Dee! Eu não acredito… a minha menininha tá vindo!! – Dean deu uma risada nervosa. – Cara… é muita loucura… Imagina? Na época da escola? Não dava pra imaginar…

– Eu não imaginava você com a Lety, isso sim! – Didra respondeu. – And mom and dad? Eles estar vindo pra cá?

– Sim… vão chegar logo!! – Dean respondeu enquanto cruzava e descruzava os braços, sem saber o que fazer. – Dee… eu tô muito nervoso! E se alguma coisa der errado? E se acontecer com a Lety? Ou com a bebê?

– Não vai!! Calm down!! Nothing will happening!! – Didra segurou o irmão pelos ombros. – Vocês dois fazer tudo certo! Ir em todas exames! Tomar cuidados! Vai dar tudo certo!!

Iris voltou a sala de espera, agora já vestida com a sua roupa de enfermeira e com os cabelos presos em um coque atrás da cabeça. Dean levantou-se rapidamente e foi até ela.

– O que aconteceu? O que houve?

– Calma!! Eu ainda nem fui lá!! – Iris respondeu. – Olha, é o seguinte, você pode acompanhar o procedimento! É importante ter alguém com ela lá na hora. Você pode ir comigo, se quiser…

– Dee, você vai!

– What?

– Eu tô muito nervoso! Vai ser pior! Se eu for lá, eu desmaio e não sei o que pode acontecer… vou mais é preocupar a Lety! – Dean empurrou Dee para o lado de Iris. – Vai lá e fica com ela!!

– E meu cara todo arrebentada não vai preocupar Lety?

– Por favor, Dee!!

– A gente tem que ir logo gente!! – Iris olhou para o relógio pendurado na parede do hospital. – A essas horas já começaram o procedimento!

– You can stand a gunfire but no a child-birth? – Didra se irritou. – Eu vou, but… eu vai contar isso pra sua filha e ela não vai te respeitar!! Asshole!

Didra e Iris foram em direção ao elevador. Iris entregou a Dee alguns materiais para que ela limpasse bem as mãos, uma roupa que ela poderia vestir e amarrar atrás do pescoço, além de uma máscara. Ela explicou rapidamente alguns procedimentos que deveriam ser tomados enquanto o parto estivesse acontecendo e que Dee precisaria aguentar lá dentro até o final.

– Você se imagina fazendo isso? – Didra olhava para a porta do elevador enquanto vestia a touca e a roupa de proteção. – I mean… having childs? Raising a family? Tendo um marido e filho assim?

– Passei a imaginar… não acho que seja pra mim… quer dizer, minha mãe fez tanto por nós e eu acabei acostumando com a ideia de não ter um pai comigo… – Iris respondeu, respirando fundo e tentando manter-se calma. – eu não me imagino tendo um marido, filhos e depois indo pra um tribunal para um divórcio… sei lá… esse passou a ser o meu padrão de “família tradicional”, sabe? Mãe, filhos e pai em outra casa com outra família…

– My family is pretty nice… but… eu não me imaginar com filhos e marido… – Didra respondeu rindo de nervoso. – Eu não quero ficar em casa, como minha mãe e nem…  – Dee riu. – …me vestir de fada pra levar presentes pra minha sobrinha… eu quero algo diferente!

– Todo mundo na escola adorava sua tia, sabia? – Iris riu ao lembrar da época da escola. – ela passou a me dar alguns presentes quando eu encontrava ela também. Me chamava de “sobrinha do coração”.

– Vocês sabiam que ela estava lá? Ela aparecia para vocês? – Didra ficou confusa. – Você viam ela?

– Ela não era invisível, sabia? Difícil era não ver!! Mas, ninguém ali tinha coragem de contar a diretora sobre como e quando ela invadia a escola… – Iris respondeu rindo. – Eu acho que ela será uma mãe incrível!

– Eu não saber se minha tia se casará algum dia… – Didra falou. – Mas, ela teve um noivo… Ela disse que largou o noivo para me criar, pois meus pais estavam muito ocupados cuidando do Dean e da doença dele! Será que eu vou ser uma boa tia como ela?

– Vai ser a melhor tia!

A porta do elevador abriu e ambas correram em direção a sala de parto. Iris abriu a porta e deu passagem para Dee. Lety já estava na mesa e com cara de dor. Quando ela viu Didra, a reação foi um misto de surpresa, alegria e um pouco de decepção.

– Ele ficou com medo mesmo? – Lety falou entre uma respiração e outra. – Ele encara um tiroteio… mas, ahhh… tem medo disso…

– Foi o que eu falar, my dear! – Didra chegou perto e segurou a mão de Lety. – Como estar tudo aí?

– Tem uma pessoa tentando sair da minha… aaahhhhh… aaii… – Lety tinha um misto de riso e choro no rosto enquanto falava. – Como você acha que eu estou?

– You are great, Lety! – Didra respondeu. – Melhor do que nunca!

– Mentiroosssaaaaaahhhh….. – uma contração forte fez Lety apertar com força a mão de Dee. – Desculpa… des… culpa…

– I’m ok. – Didra tinha lágrimas nos olhos. – Empurrar, Lety!! Você pode!!

– Obrigada, Dee!! Eu não queria mais ninguém comigo agora!! – Lety disse com um sorriso sofrido. – Obrigada!!!

Iris corria de um lado para o outro, com instrumentos e panos na mão, enquanto o médico falava palavras de apoio para Lety. Didra continuava ao lado da amiga, ajudando-a com a respiração e tentando distraí-la da dor enquanto falava sobre coisas da época da escola.

– You… can… I mean… Você não imaginar! Kentin está enorme de forte!! E ele voltou a usar óculos!! – Didra falava entre um sopro e um gemido de sua mão está sendo esmagada pela amiga. – Você lembra quando… reencontrar ele na Sweety Amoris?

– Ele ficou com… aaahhh… medo de mim!! – Lety ria e fazia força. – Ai… ai… minha nossa!! Essa menina vai nascer com 18 anos já? Aaaaaiii…

– I hope no!! Se ela puxar você… vai namorar todo mundo da escola… – Didra disse. – O Dean não vai te tempo de arrumar a motosserra que ele tava querendo!

– Ele que pense que vai controlar a minha menina… aaiii… – Lety falou com os dentes cerrados de dor. – Ela vai pras festas comigo… Vou apresentar todos os meninos gatinhos pra ela!! AAAhhh…

– Empurre, Letícia! – o médico disse. – Estou vendo a cabeça já… Empurre! Força!

– Isso é a cabeça? – Lety disse gritando. – Ainda bem… que a parte maior… aaahhh… sai primeiro!!

– Vai Lety!! Keep pusinhg!! Força!! – Didra segurou a mão dela com as duas mãos e apertou. – You can do it!! Vai!!

– Força Lety!! Força!! – Iris parou ao lado do médico. Não havia mais nada para ela fazer ali. Agora era com Letícia. – Vai Lety!! Força!!

– Eu estou fazendo forçaaaaaaaaaAAAAHHHHHH….

***

Diferente da sala de parto, a capela do hospital estava em total silêncio. Dean voltou a pensar sobre o que ele havia dito para Didra. Ele precisava de um suporte. De um apoio. De alguém que o segurasse enquanto ele esperava. Ele sentia que tudo o que aconteceu com ele na vida, nesse universo ou em outro, era só por aquele momento. Tudo que aconteceu, era para fazer valer aquele momento.

O celular dele vibrou e ele olhou na tela. Não era trabalho. Se fosse seu chefe, ele provavelmente mandaria ele para o inferno. Mas, não.

– Oi, Vio! Tudo bom?

– Chegou a hora, não é? – a voz de Violette não era nada parecida com aquela que ela tinha na época do colegial. Agora ela tinha uma voz mais firme e decidida. – Como ela está?

– Na sala de parto! A Dee tá com ela e a Iris é a enfermeira assistente! – Dean respondeu. – Eu não tive coragem de entrar! Ela vai verá a tia antes do pai!

– Você vai ter todo o tempo do mundo com ela, não se preocupe com isso! Deixa a tia curtir ela um pouco! – Violette respondeu. – E como estão as coisas com a Didra agora? Ela e a Iris se acertaram novamente?

– Eu não sei… às vezes parece que sim e outra hora parece que não. – Dean respondeu. – E você? Está tudo bem aí? Como vai a próxima coleção?

– O mesmo de sempre. Me mande uma foto assim que possível, ok! Um beijo, Dean! E meus parabéns!

Dean desligou o telefone e voltou a olhar para o altar e para as imagens nele. Santos que ele não sabia o nome e anjos com cara de bebê. Será que a sua filha terá uma carinha como aquela? Ele sabia que os recém-nascidos, em geral, nascem com “cara de joelho” mas ele a acharia linda de qualquer forma. Será que ele seria um bom pai? Será que ela o amaria? Eram tantas dúvidas que ele não sabia o que dizer.

– Senhor O’Connel? – a voz gentil veio de trás dele. – Senhor Dylan?

– Sou eu! – Dean respondeu apressado. – O que aconteceu? Cadê a Lety?

– Elas estão bem! – a enfermeira respondeu sorrindo. – Você pode ir vê-las se quiser.

***

Do lado de fora da sala de parto, Didra já estava sem a roupa de proteção e touca no cabelo, sentada ao lado de Iris. Ambas respiravam fundo e estavam com a adrenalina ao máximo correndo pelo corpo. Didra ajeitou o corpo e foi um pouco mais perto de Iris, que deitou a cabeça no ombro dela e relaxou.

– Será que esse ser os “coisas mágicas” que Chani dizer? I mean… a new life… is very magic…

– Esse foi rápido… ahhh… já houve partos que levaram mais de vinte e quatro horas para terminar. – Iris disse. – A sua sobrinha estava mesmo querendo nascer.

– She só tiny… Tão pequena e enrugadinha… Parecer um pug!

– Credo, Dee!! – Iris riu. – Não fala assim da sua sobrinha!

– Eu não aguentar um dia disso! I can’t feel my hand… – Didra mostrou os dedos vermelhos para Iris. – De onde Lety ter tanto força?

– Eu tenho uma pomada que ajuda com isso… Ou a gente pode usar a de “coisas mágicas” da Chani!

– Is better no… – Didra riu e voltou a olhar para o teto. – Ela chorar tão forte… Ser a joelhinha mais cute que eu já ver… And… ela ter… bigger blue eyes… Like Lety! Ela ter olhos tão brilhantes quanto de Dean… and Lety juntos…

– Não seria ruim para ela ter olhos âmbar como os seus! – Iris virou o rosto de Dee para ela e a beijou. – Parabéns, tia Dee.

– Ela ter a melhor enfermeira desse hospital ajudando ela! – Didra respondeu retribuindo o beijo. – Eu pensar que você ia dar o banho nela…

– A Lety vai. Ela tá bem pra isso. Não é sempre, mas às vezes, a mãe consegue, então a gente deixa mãe e o pai dar o primeiro banho. – Iris disse. – E aí? O que acha de ter filhos agora?

– About this… Iris… eu preciso de perguntar uma coisa sobre algo que a Rosalya me disse…

Essa frase parecia ser um chamariz para o celular delas, pois, no mesmo momento, ambos aparelhos vibraram outra vez. Iris pediu um minuto e tirou o aparelho do bolso para ver o que era e Dee fez o mesmo, pegando o telefone e vendo uma mensagem que acabara de receber de um número não identificado. Aquilo deu calafrios em Dee. Ela desbloqueou o aparelho e leu a mensagem.

“Vocês têm que sair e tirar a bebê daí agora”

Ela ficou sem reação ao ler aquilo e, pelo rosto pálido de Iris, ela deduziu que a ruiva recebeu exatamente a mesma mensagem. Elas só não sabiam o que fazer agora.

Continua…


Notas Finais


Se você quiser conhecer toda a história da Dee, você pode ler direto no fórum oficial do AD clicando no link:
https://www.amordoce.com/s2/forum/t31179,1-gl-iris-você-é-meu-amor-doce-parte-2-por-realdoido.htm#p6591739

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