1. Spirit Fanfics >
  2. Anteros >
  3. Amigos em Comum

História Anteros - Capítulo 17


Escrita por:


Notas do Autor


Esta é uma sequência da fic Você é meu Amor Doce ao mesmo tempo que é um reboot!

Exatamente como o jogo Amor Doce – University Life.

Você leu a temporada anterior? Legal! Você estará bem mais inteirado dos acontecimentos da história!
Você não leu? Beleza também! Não será uma sequência direta e imediata dos acontecimentos anteriores, nem amarrado com eles e tudo que for necessário será explicado de forma rápida.

Exatamente como no jogo. Quem jogou o HSL sabe tudo o que acontece no UL, mas quem não jogou pode aproveitar a história do mesmo jeito!

Vai ser legal pra todo mundo, prometo!!

Capítulo 17 - Amigos em Comum



Não havia uma assinatura na mensagem e nem uma identificação no número, mas, o conteúdo era preocupante.

“Tirem o bebê daí”

Seja lá quem fosse, sabia que a menina acabará de nascer e isso era um problema. Se alguém estava vindo para o hospital, para fazer mal a pequena, então era importante agir rapidamente. Mas, como alertar Dean sem deixá-lo preocupado. Se ele se preocupasse, Lety (com seus recém-adquiridos superpoderes de mãe) perceberia na mesma hora. E ela não poderia ficar nervosa naquele momento.

– Precisamos tirar a puguinha daqui! – Didra guardou o aparelho e levantou-se da cadeira, observando o corredor em volta, procurando por rotas de fuga, saídas e janelas. – Da última vez que recebi esse tipo de mensagem, things got ugly…

– Temos que tirar quem? – Iris franziu a sobrancelha. – Quem ou o que é “puguinha”?

– My niece… a filha do Dean… the baby!

– Eu não acredito que você está chamando a sua sobrinha de “pug”! – Iris levantou-se indignada. – Isso é horrível!

– But… ela parecer um pug... toda enrugadinha… tiny… os olhinhos assim… – Didra fez um movimento de pinça com as mãos em frente aos olhos. – Ela ser minha puguinha!

– Dee, pelo amor de Deus! Para com isso! Ela não parece um pug! Talvez um pinscher, pequeno e magrinho, mas não um pug!

– E você achar better um pinscher do que um pug? Pelo menos o pug não ter aquele latido agudo e um demon no corpo!

– Vamos pensar em raças de cães depois? – Iris percebeu que a discussão era inútil. – Como você vai tirar a bebê daqui sem alertar o Dean ou a Lety! O hospital não vai deixar você sair com a bebê sem achar que é um sequestro!

– Eu não poder tirar a baby… mas, uma enfermeira pode!

– Ah, não… Dee! Você tá maluca! – Iris deu um passo para trás. – Eu não posso sequestrar a criança! Além disso, o que o hospital vai dizer ao Dean se ele for na maternidade e não ver a pinscherzinha?

– Take the baby… eu vou até o Dean! – Didra respondeu enquanto se afastava. – And she is not a pinscher!

Didra foi em direção ao quarto de Lety enquanto Iris correu para o maternal. Ela passou apressada por algumas enfermeiras que transportavam equipamentos, medicamentos e outras coisas pelos corredores do hospital e foi em direção ao elevador. Pegou o celular e discou para o irmão, mas foi atendida apenas pela caixa postal. Abriu o aplicativo WhatasApp e mandou uma mensagem de voz. Esperou uns segundos e mostrou que ela foi entregue, mas não visualizada.

Desistiu do telefone naquele momento. Precisava chegar até o quarto e avisar o irmão pessoalmente. E… ah que droga, o elevador abriu e ela ainda estava a metros de distância da porta e com dificuldades para correr. Então, ela certamente perderia aquele e… Dee congelou no lugar.

Dentro do elevador estava um médico, uma senhora que acabara de entrar e dois rapazes suspeitos com roupas estranhas demais para eles. Um deles era o sujeito identificado como “Tipo Suspeito” nos arquivos da polícia. Claramente eles não estavam acostumados a andar com camisas sociais, ternos, gravatas e sapatos sociais. Estavam desconfortáveis demais naquele disfarce e mexiam-se tentando afrouxar a gravata e a gola apertada. Qualquer um que reparasse com atenção, saberia que tinha algo errado ali.

Dee deu um passo para trás, virou-se calmamente, indo na direção contrária ao elevador, que apitou e começou a fechar suas portas. Tinha que ficar calma e ir em direção as escadas. Avisaria Dean pelo telefone e…

– ESPERA!

A porta do elevador foi bloqueada. Dee apertou o passo e rapidamente olhou para trás por cima do ombro embora não precisasse olhar para saber oque aconteceu. O “Tipo Suspeito” segurou a porta e passou empurrando todo mundo para sair do elevador e foi em direção a Dee. “Droga”. Didra virou na primeira curva e começou a correr. Algumas enfermeiras disseram para que ela não corresse e o “Tipo Suspeito” veio logo atrás.

Ela entrou na primeira saída de emergência do hospital e subiu as escadas. Logo atrás o rapaz entrou pela mesma porta, olhando e ouvindo para saber qual a direção seguir e não foi difícil ouvir a porta do andar de cima abrindo e batendo. Ela saiu em um andar que pareciam ser salas de cirurgia e aproximou-se do primeiro médico que encontrou.

– Tem uma cara me seguir! – Didra disse para o médico. – Chamar o police!

– Moça fica calma… o que está acontecendo?

A porta da escada abriu e o "Tipo Suspeito" ficou bem irritado ao ver Dee perto do médico. A reação do rapaz denunciou que aquele era a pessoa a quem ela se referia. O doutor aproximou-se com cautela do homem que olhava dele para Didra e de volta para o médico.

– Senhor? – o médico disse. – Você não pode ficar aqui. É uma área restrita para funcionários, por favor, se retire.

– Eu só vim visitar um parente. – respondeu o rapaz de cabelos loiros curtos aproximando-se do médico. – Será que ele não está por aqui?

– Aqui é um andar só para cirurgias, você tem que pergunt…. Argh…

O rapaz loiro abraçou o médico e deu um encontrão forte contra o estômago dele. Didra ficou assustada ao perceber o que aconteceu quando o médico afastou-se do rapaz e caiu sentado em uma cadeira de plástico encostada do lado direito do corredor. A lâmina suja de sangue deixou muito claro o que aquele cara estava disposto a fazer. Puguinha estava em perigo. E ela também.

Sem esperar para ver o que viria depois, Didra correu e o rapaz veio logo atrás dela e não demorou para alcançá-la e tentar segurá-la pelos cabelos ou pela roupa. Só que o rapaz não contava com o movimento de pulso que Dee fez para girar e ficar de frente com o rapaz. Na surpresa, ele baixou a guarda e Dee conseguiu acertar o nariz dele com um golpe que o fez cambalear pra trás com o nariz sangrando.

– Desgra… urgghh…

Ele avançou com a faca em punho, mas Didra conseguiu escapar do golpe, pensando no quanto foi útil ela insistir com Kim para mudar as aulas de spinning e crossfit por aulas de defesa pessoal, na mesma turma de Nathaniel. O cara suspeito atacou duas ou três vezes, mas passou longe de Dee, já que o nariz sangrando e as lágrimas o fizeram ter dificuldades para enxergar o alvo.

– HELP!! HELP ME!!

Ninguém saia das salas. Ninguém aparecia para socorrer o médico. Ninguém aparecia pra ver os gritos.

– O que está acontecendo com esse povo?? Tão achando que isso aqui é fanfic??

Já que ninguém aparecia para socorrê-la, Dee teve que se virar de outra forma. Ela aproveitou que o "Tipo Suspeito" avançou contra ela e, com um movimento de pulso, torceu o braço dele e bateu a cabeça do rapaz direto no botão do alarme de incêndio. O vidro quebrado e o impacto fizeram o rapaz cambalear e o alarme emitir um barulho estridente. Aquilo causou alguma reação nos médicos que saíram correndo das salas.

Didra aproveitou que o rapaz ficou tonto com a pancada e o abandonou ali, correndo em direção a escada de emergência. Precisava chegar rapidamente até Iris e tirar a puguinha daquele lugar. Os médicos e enfermeiros desciam as escadas, com cara de quem não estava entendendo o que acontecia, acompanhados de pacientes que ainda podiam andar, seguindo os procedimentos de emergência para o caso de um incêndio, embora não vissem nenhum sinal de fumaça.

No andar superior do prédio, o médico de Lety ouviu o alarme tocando e foi para junto da paciente. Alguns enfermeiros e outros doutores passavam pelos corredores com pacientes em cadeiras de rodas, tentando tranquilizá-los. Lety levantou-se da cama e Dean chegou rapidamente para ampará-la.

– O que está acontecendo? O que é isso? – Lety fazia força para ficar sentada na cama. – O que é esse alarme?

– Calma, Lety… Deve ser algum treino, não é? – Dean correu para mantê-la deitada enquanto falava olhando para o médico. – O doutor está aqui e tá tudo bem!

– Sim, Letícia. Eu vou ligar na recepção e perguntar o que aconteceu. – ele foi até um telefone pendurado na parede. – Tenho certeza que é só um mal entendido…

– Isso é um alarme de incêndio? – Lety acabou levantando-se de qualquer maneira, mesmo sob os protestos de Dean. – Cadê a minha bebê? Cadê minha filha?

– Lety, calma! Tá tudo bem! – Dean respondeu enquanto segurava a mão da esposa. – Eu vou lá ver ela. Tenho certeza que está dormindo e nem ouviu o alarme.

– E se ela estiver com medo? Eu vou ter que ir lá ver! – Lety respondeu. – Eu vou lá ver como está a minha filhinha! Me dá sua arma!!

– Eu não tô com a minha arma aqui, sua maluca! Nem meu celular tá na minha mão! – Dean riu da situação. – Eu já disse, eu vou lá e vejo ela! Tenho certeza que tá tudo bem!

– A recepção informou que está tudo bem e que devemos ir para a saída por precaução! – o médico voltou mais calmo. – Não se preocupe, Letícia. Está tudo bem. Vamos, vou te ajudar a ir para a cadeira!

Lety levantou-se novamente, mas ainda estava apreensiva. Dean deu um beijo no topo da cabeça dela e foi para a saída do quarto. Estava feliz. Acabara de ser pai e não estava acreditando que aquilo era real. Ele foi até a ala da maternidade e, olhou para dentro da sala do maternal, onde as enfermeiras colocavam os bebês dentro dos berços e dos carrinhos de transporte.

– Com licença… – Dean bateu no vidro da sala, chamando a atenção da enfermeira mais próxima. – ...uma menina recém-nascida… o sobrenome é O’Connel… Davis O’Connel…

A enfermeira de cabelos escuros olhou para as bebês, foi até um dos berços pra inspecionar a pulseira com o nome da família de uma das crianças, depois foi até a outra. Chegou a um berço vazio. Olhou em volta e conversou com a outra enfermeira que cuidava dos bebês. A segunda moça olhou para algumas pulseiras e depois para um registro em uma prancheta.

– Senhor… a sua filha está com uma das nossas enfermeiras. – disse a senhora de cabelos grisalhos e sorriso simpático. – …está aqui escrito que ela foi levada para a amamentação.

– Foi? Eu acabei de vir do quarto e o alarme tocou. Não era pra tirar todos daqui? – Dean respondeu. – Quem foi a enfermeira que pegou ela?

– A residente Sterling… Acho que é Iris o nome dela.

– Ah… tá… obrigado. Eu vou voltar pro quarto e esperar ela lá.

Dean ficou pensando no motivo pelo qual Iris tenha retirado sua filha da maternidade para levar para qualquer lugar que não fosse o quarto da Lety. E em todas as conclusões que ele chegava, nenhuma delas era boa.

***

Quando saiu no corredor dois andares acima, Dee via enfermeiras empurrando pessoas em cadeiras de rodas ou em macas, indo em direção aos elevadores. Também viu que o “Tipo Suspeito” vinha atrás dela, desviando com dificuldades e empurrando cadeiras para abrir passagem, mas não conseguia passar pelas macas e isso dava tempo para dela correr em direção ao próximo andar.

Ela passou para o 17° andar quando virou em um corredor e foi surpreendida pelo punho do segundo rapaz que veio furioso em direção a Didra e acertou-lhe um soco violento no peito. Dee caiu de costas e bateu a cabeça no chão, tonteando por causa do golpe e sem seus óculos que caíram longe dela. Ela se arrastou para trás, tentando achar suas lentes enquanto via o outro cara aproximando-se.

– Achamos você! – mesmo sem saber exatamente o que acontecia, o movimento que o rapaz fez de pegar algo de dentro do terno, deixou claro o que viria a seguir. – Você tá… urgh…

O rapaz virou os olhos e se contorceu antes de cair no chão inconsciente. Atrás dele estava Iris com uma seringa vazia na mão. Ela jogou a seringa no chão e ajudou Dee a levantar-se do chão.

– Where is the baby?

– Tá ali… – ela foi correndo em direção a uma cadeira no canto da parede onde estava um embrulho de tecidos. – Ela é tão fofa. Tão calma e nem chorou nem nada! Mesmo com o alarme de incêndio.

– Great… we need to go… – Didra foi até o cara desmaiado e pegou de dentro do terno uma arma calibre 38 que ele trazia escondida. Olhou para a arma, abriu o tambor e viu quantas balas tinha – O que você colocar nele?

– Só um sedativo forte. Ele vai acordar em algumas horas… Ou não. – ela deu de ombros. – Vai que tem alguma alergia ou reação! – Iris olhou para Dee mexendo com a arma e ficou um pouco assustada. – Você sabe mexer com isso aí?

– Eu namorar por dois anos com um democrata*! – Didra respondeu colocando a arma no cós da calça. – Pra ele, ir a um estande de tiro era considerado um “passeio romântico”! Let’s go!

– Vamos pro elevador. A gente tem que sair rápido daqui!

– Se pegar nós dentro da elevador, nós não ter como sair. – Didra respondeu. – Ter outra cara aqui junto com esse e poder ter mais! Tem alguma outra saída?

– Tem as escadas externas de incêndio, mas… Você não tá pensando em ir por fora, né?

– Se ficarmos presas no elevador or nas escadas, teremos que enfrentá-los pra passar… – Didra respondeu. – Não estão esperando que a gente saia pela escada de incêndio! Is the better way!

– E se pegarem a gente lá fora? O que a gente faz? Sai voando?

Didra não respondeu, abriu a janela e, com cuidado, passou para fora um pé depois do outro. Era assustador estar tão alto, mas naquele momento, não dava pra pensar muito. Ela pediu para Iris o bebê e pegou a criança nos braços. A pequena, como se soubesse o que estava acontecendo, agarrou-se com a força que tinha em seus dedinhos na manta azulada que a cobria. Logo depois, Iris saiu, fechou a janela atrás delas e pegou a criança novamente, abraçando-a com força.

Agora era a parte difícil, andar. Aquela armação de metal, com escadas de ferro, quase sem apoio e com medo de alguém vê-las por dentro do hospital. Por sorte, a maioria das janelas estavam fechadas. Didra andava devagar, segurando-se no corrimão enferrujado enquanto Iris segurava no ombro de Dee com uma mão e com a outra segurava a criança.

– Você não tinha um daqueles… é… kangooroAquele coisa que você por a baby e carregar?

– Ela é muito pequena pra um desses! Se eu colocar ela, ela cai pelo buraco da perninha! Eu precisava por ela numa cestinha ou coisa assim… Mas, ficaria difícil de carregar!

A pequena soluçava baixinho e mexia as perninhas em protesto e Iris tentava acalmá-la com tapinhas leves nas costas. Elas já tinham descido três andares, mas ainda estava muito alto. Algumas pessoas nos prédios ao lado estranhavam as duas moças descendo por aquelas escadas e alguns levantavam os celulares para filmar a situação. Outras, mais assustadas, discavam para alguém, provavelmente para a polícia.

– Iris… this is not good. – Didra continuava descendo com calma. – Temos que ir mais rhápidas!

– Não dá pra correr com ela no colo! – Iris respondeu. – E se a gente voltar pra dentro? Será que não é melhor?

– Não dá pra arri… ahhhh…

A escada enferrujada entortou sob o peso de Dee e ela afundou o pé alguns centímetros, quase caindo para frente por estar presa. O metal rangeu e um corrimão quebrou na mão dela. Didra segurou-se em Iris e ambas ficaram uns segundos paradas, para recuperar o equilíbrio. Quando nada mais aconteceu, elas voltaram a andar com mai cuidado, evitando pisar em alguns degraus com aspecto mais desgastado.

– Ninguém fazer manutenção nesse negócio, não?

Iris deu de ombros. Ela não sabia realmente.

– Iris… i need to ask… Sobre um coisa que Rosalya me falar!

– Não dá pra esperar chegarmos no chão? Precisamos mesmo fazer uma DR na escada de incêndio no décimo andar?

– É sobre o seu filho!

– MEU O QUÊ?

O metal rangeu novamente e toda a estrutura balançou. Iris abraçou a bebê e espremeu os olhos, esperando o pior, enquanto Dee segurou-se nos corrimãos de ferro. A estrutura tremeu e estalou por alguns segundos. Depois tudo voltou ao normal, elas abriram os olhos e voltaram a andar com calma.

– E desde quando eu tenho filho?? O que a Rosalya falou?

– Ela disse… que quando você foi pedir ajuda… Você ter um baby junto com você e Thomas!! – Didra respondeu. – E elas falar em polícia… O que acontecer?

– O Julian não é meu!! Quer dizer, praticamente é agora! Mas, eu não sou a mãe dele!

– So who is?

Iris suspirou fundo e deu mais um passo. Ela segurou Dee pelo ombro e a trouxe para mais perto, fazendo com que ela parasse. Didra virou-se e olhou para Iris. Havia tristeza no olhar dela enquanto ela buscava as palavras para responder a pergunta.

– Ele é filho do Kevin! Ele é o meu sobrinho. Estamos com ele, pois… bom… houve um caso bem complicado.

– But… como? Filho do Kevin?

– Lembra no enterro? Quando conhecemos a última namorada dele? Bom, ela estava esperando um filho dele, mas ainda não sabia disso! – Iris respondeu olhando para Dee. – O problema é que a família dela, um cara bem rico e influente, não aceitava a filha grávida tão jovem e o fizeram de tudo para que ela tirasse o bebê… por sorte, ela não aceitou.

“Então um dia, ela, o pai dela e o Julian apareceram e explicaram a situação. Disseram que não aceitariam uma criança sem pai na família e que se não quiséssemos cuidar dele levariam para um orfanato. Ele fez um cheque e disse que não era pra nunca procurarmos por eles e que iriam até sair do país. Claro, a mãe do Julian estava arrasada com a decisão do pai, mas ela não podia fazer nada.”

– E o que acontecer?

– Minha mãe fez o cara engolir o cheque… literalmente. – Iris girou os olhos ao lembrar da cena. – Foi… engraçado e violento ao mesmo tempo. Lógico que ficamos com o Julian, era a última lembrança do Kevin, não íamos deixar o filho dele num orfanato!

– Isso foi depois de você voltar ao nosso país?

– Isso foi entre uma viagem e outra! As coisas ainda não tinham explodido na minha cabeça ainda e Julian era um recém-nascido como a pinscherzinha! – Iris deu mais alguns passos pela escada, descendo mais um andar. – Eu só voltei definitivamente quando descobri que minha mãe estava doente. Antes de conhecer o senhor Donatello…

– Como o police se envolver nisso?

– Tentei eu mesma cuidar da minha mãe, mas além do tratamento caro ainda tínhamos o aluguel do apartamento para pagar, despesas, comida, a escola do Thomas e tudo estava ficando muito caro… – elas desceram mais alguns degraus, com sorte chegariam ao 5° andar antes do fim da conversa. – Eu aceitei o acordo com o Donatello, ele me arrumou o emprego no hospital e a vaga no curso de enfermagem da Anteros… mas eu ainda precisava de mais dinheiro…

– So… Nathaniel?

– Ele me propôs o seguinte… eu não precisava fazer nada, só deixar a portas dos fundos do hospital aberta… Esquecer ela aberta. – Iris respondeu ficando aflita com a altura. – Eles entrariam, pegariam o que precisassem e iam embora. Se machucar ninguém…

– E ser exatamente nesse parte que os coisas dar errado, right?

– Se você tá adivinhando tudo, pra quê eu tenho que contar? – Didra levantou uma das sobrancelhas e Iris suspirou fundo antes de continuar. – Sim. Deu errado! Tinha um segurança no turno da noite e ele acabou ferido! Quando foram começar as investigações, encontraram meu nome e viram que eu fui a última a sair, então, eu acabei como suspeita de cúmplice.

– Oh… and Rosalya?

– Perdemos o apartamento por falta de pagamento do aluguel. Eu não sabia que minha mãe já estava devendo bem antes dela ir pro hospital. Então, eu fiquei na rua com o Julian e o Thomas. – Iris deu mais um passo nas escadas de ferro e Dee ajudou ela a descer. Estavam no 7° andar já. Faltava pouco. – Foi então que eu fui até a Rosalya, mas com a polícia me investigando e ela já tendo sido presa antes… bom, acho que dá pra imaginar.

– E onde está Julian agora?

– Com o Thomas e o meu pai… mas ele já não quer mais o bebê lá por causa da esposa nova dele… – Iris respondeu. – Além de que o Thomas é um adolescente agora e a esposa é bem mais nova… aí, ele sente como se estivesse “disputando território com um macho mais jovem” – Iris revirou os olhos ao dizer essa parte.

– OLHAS ELAS ALI!!

As garotas viraram pra trás e viram que o "Tipo Suspeito" e o cúmplice, que já estava acordado, descendo as escadas correndo e aos pulos, chegando perigosamente perto. Didra sacou a arma e atirou em direção a eles e os dois precisaram recuar para se proteger. Dee indicou para que Iris entrasse no hospital pela janela mais próxima.

– I'll kill you if I have!! – Dee gritou para os caras e atirou mais uma vez antes de entrar no hospital novamente atrás de Iris. – Let’s go, Iris! Vai pra escada!

Não demorou muito pros caras chegarem logo atrás delas, entrando pela mesma janela. Por sorte, a maioria do hospital estava vazio, então, Iris correu para dentro da escada de emergência e Dee esperou um pouco. Os dois vieram correndo, confiantes de que ela não atiraria neles para matar. O que realmente Dee não pretendia fazer. Mas, ela não precisava.

O tiro que ela disparou foi certeiro no extintor de incêndio que explodiu em uma nuvem branca de pó químico que deixou os dois rapazes sem visão e sem fôlego por respirar o pó. Didra aproveitou para correr logo atrás de Iris na escada, enquanto os dois tentavam se livrar da poeira química. Dee desceu as escadas pulando de dois a trÊs degrau de uma vez para chegar até a outra garota.

– Se é vermelho, atira que explode! – Didra falou para ninguém em especial. – Todo jogo de videogame nos ensinou isso!

Pelas escadas internas, elas conseguiram chegar ao térreo e saíram em direção a rua. Haviam várias pessoas na frente do prédio, apreensivas, sem entender o que estava acontecendo. Alguns enfermos em cadeiras de rodas e em macas, com suportes de soro ou sangue ao lado das camas, tossiam e reclamavam da situação em que estavam e os bombeiros preparavam os equipamentos de combate ao incêndio, embora não houvesse fumaça nas janelas e nem nenhum sinal de fogo.

cláck

– Larga minha filha, Iris!

Dean surgiu atrás de Iris com sua arma apontada para ela. No desespero, Dee apontou a arma para o irmão. Algumas pessoas que estavam próximas viram as pessoas armadas e afastaram-se com medo. Outras, mais imprudentes, aproximaram-se e formaram uma roda em torno deles.

– Dee? O que você pretende fazer com isso? – Dean olhou para a arma de Dee e depois para Iris. – O que vocês estão querendo fazer com a minha menina! Ela é sua sobrinha, Dee!

– Você tem que escutar a gente, Dean… Não é o que você tá pensando! – Iris ficou congelou no lugar, com a arma próximo a cabeça. – Dee fala pra ele tirar esse negócio da minha cabeça, por favor.

– Dean, listen to me… – Didra baixou sua arma devagar e foi descendo, para colocá-la no chão. – Nós recebemos uma mensagem… a puguinha estar em perigo.

– Puguinha?

– I have no time to explain… but… Você tem que me ouvir…

– Recebi uma chamada de que haviam duas moças estavam saindo pela escada de incêndio com um embrulho. – Dean chegou mais perto de Iris, apenas o suficiente para tentar chutar a arma de Dee. – O que vocês estão pensando? É tipo… uma tentativa de ter um filho sequestrando alguma criança? Vai num banco de esperma, caramba!!

– Você não pode estar mais longe da verdade do que isso! – Iris respondeu com um sorriso sarcástico. – Não quero saber de filho, nem morta!

– Yeah… maybe we adopt a hamster!

Dean puxou o “cão” da arma, preparando para atirar. Uma ação que fez Dee empalidecer. Ela abriu a boca pra gritar e seu corpo se moveu automaticamente pra abraçar a outra garota quando Dean puxou o gatilho.

BANG

Didra agarrou Iris e a abraçou junto com a bebê. Ambas tremiam e a bebê começou a chorar baixinho. Alguns segundos depois, Dee olhou para Iris e não havia nenhum ferimento ou sangue. Elas estava bem.
Didra ainda passou a mão pelos cabelos da ruiva e não havia nada. A bebê também estava bem, embora se mexesse em protesto contra aquela situação desconfortável.

– Calma… que saudade foi essa? – Iris riu e olhou para a bebê e começou a sacudi-la para acalmá-la. – Você tá maluco, Dean? Quer matar a menina do coração?

Então Dee viu para onde Dean apontou a arma. A porta do hospital. Um dos perseguidores, aquele que estava armado, jazia caído na entrada, com sangue espalhado pela parede e um ferimento na cabeça. Dean guardou a arma e foi até Iris para pegar a bebê do colo dela. As pessoas aglomeradas em volta também se assustaram e os bombeiros, que não haviam localizado nenhum fogo começaram a formar uma barreira para não deixar ninguém se aproximar.

A polícia chegou logo após isso e foram até Dean que mostrou o distintivo e começou a gritar ordens aos oficiais. Lety veio em uma cadeira de rodas junto com o médico que a atendia e pegou a bebê dos braços de Dean e abraçou a menina com carinho. Estava tudo bem com a criança.

– Como você saber?

– Do mesmo jeito que você! – Dean mostrou o telefone celular. – Parece que temos um amigo em comum…

Didra leu duas mensagens de um número não identificado: “Tire sua família daí” e “Vá pro parque. Dee em perigo”. Ela ficou olhando para ele sem entender o que acontecia. Havia alguém ajudando ela e essa pessoa estava em contato com Dean e Iris também.

– Se a primeira mensagem não fosse real, eu não acreditaria nessa de hoje. Mas, quando me informaram que um médico foi esfaqueado, eu tive que agir! – Dean pegou o aparelho e colocou no bolso novamente. – Agora, porque você foi avisada? Qual a sua relação com isso?

– I don’t know… mas, eu vai descobrir!

***

Nathaniel não perdeu tempo para voltar para o hotel. Ficou de longe monitorando toda a ação do hospital e agora precisava correr, pois sabia que haveriam outros membros do cartel nas proximidades. Infelizmente, o rapaz de cabelos louros e curtos, o “Tipo Suspeito”, conseguiu fugir. O que significa que ele estaria com bastante raiva e muito frustrado por seus planos terem dado errado e ainda teria que encarar o chefe e explicar o motivo do fracasso.

A ideia de esconder-se no apartamento da irmã era boa. Ninguém ali sabia que ele tinha um parente na cidade e ninguém esperaria que ele estivesse escondido em um hotel de luxo. Um fugitivo precisava manter o seu dinheiro pelo máximo de tempo possível, então, em geral escondiam-se em hotéis baratos nos subúrbios da cidade.

Além disso, ele também resolveu mudar o visual, pintando os cabelos de uma cor escura e usava óculos o tempo todo, além de um boné virado para trás e uma camiseta amarela com um alvo bem grande no peito. Talvez ele tenha achado que se disfarçar de Will Smith na série “Fresh Prince in Bell-Air” fosse uma boa ideia e chamaria pouca atenção. Até o momento, estava funcionando.

Tentando não chamar a atenção, ele passou rapidamente pelo saguão do hotel e foi para o elevador de funcionários. Se pensassem que ele era só um entregador ou coisa assim, ninguém repararia nele. Então, ele subiu para o apartamento de Ambre, sacou o cartão de entrada e, deu uma última olhada no corredor para ter certeza que não estava sendo seguido, entrou.

Branca foi a primeira a recepcioná-lo. Ela chegou perto do rapaz e enroscou-se nas pernas dele, pedindo um pouco de carinho. Ele tirou os óculos escuros e ouviu sons vindo do quarto de Ambre. Provavelmente ela chegou cedo da faculdade. Poucos segundos depois, Ambre saiu do quarto e foi apressada em direção ao irmão.

– Onde você foi? Não pode ficar andando por aí! – Ambre tinha um misto de preocupação e raiva na voz. – Que droga, Nath! E se te pegam por aí?

– Ninguém me viu, Ambre. Está tudo bem! – ele entendia a atitude da irmã, mas tinha pouca paciência para lidar com ela. – Se tudo der certo, isso acaba antes mesmo do fim do ano e da formatura.

– Nathaniel… eu preciso de te falar uma coisa…

– O que? O que aconteceu?

– Eu sei o que você falou sobre contar sobre você… – Ambre começou a falar e Nathaniel estava pronto para explodir. – Eu sei. Eu sei. Mas calma… Eu tenho certeza que ele vai poder nos ajudar. Eu confio muito nele!

– Você contou pra Didra? Aliás, “ele”? Você contou pro Castiel? – Nathaniel ficou nervoso e jogou o boné no chão. – Ambre, você tem noção do que fez?

– Não. Não foi pro Castiel! – Ambre foi até o quarto e colocou a mão para dentro. – Ele prometeu não contar pra ninguém e que vai nos ajudar. Esse é o Ray.

Rayan Zaedi saiu do quarto de mãos dadas com Ambre.

– Seu segredo está bem guardado comigo. Pode confiar em mim.

Nathaniel ficou pálido ao ver o professor ali junto com a irmã. Rayan foi até ele e estendeu a mão para ele, oferecendo sua amizade e ajuda. O rapaz ficou um pouco receoso mas aceitou a oferta de Zaedi. O professor sorriu e passou o braço em torno dos ombros de Ambre. Estavam unidos naquela situação. Mas, apesar daquele aperto de mão, alguma coisa dizia a Nathaniel que ele não poderia confiar.

Continua…


Notas Finais


*Pra quem não entendeu, uma explicação rápida: Nos EUA, os dois partidos mais fortes lá (sim existem mais de dois) são os Republicanos e os Democratas. São, dadas as devidas proporções, o que chamamos aqui no Brasil de “direita” e “esquerda”.
Enquanto os Republicanos são mais ligados a causas sociais, distribuição de renda e controle da pose e venda de armas, os Democratas (partido do presidente Donald Trump) são mais voltados para economia liberal, setor privado mais forte e a pose e venda de armas com menos restrições.
Como a lei estadunidense permite a pose de arma para qualquer cidadão, é comum que muitos deles, principalmente os apoiadores do partido democrata, tenham armas em casa, seja contra qualquer projeto de lei que impeça restrinja a venda de armas ou frequentem estandes de tiro, o que é o caso do ex-namorado americano de Dee.

***

Se você quiser conhecer toda a história da Dee, você pode ler direto no fórum oficial do AD clicando no link:
https://www.amordoce.com/s2/forum/t31179,1-gl-iris-você-é-meu-amor-doce-parte-2-por-realdoido.htm#p6591739

Deixa um comentário. Diga o que achou. Gostou? Não gostou? ficou em dúvida de algo? Adoro saber o que você está achando da história. Faz muito bem pra mim. Não demora nem um minutinho!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...