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História Anteros - Capítulo 20


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Notas do Autor


Esta é uma sequência da fic Você é meu Amor Doce ao mesmo tempo que é um reboot!

Exatamente como o jogo Amor Doce – University Life.

Você leu a temporada anterior? Legal! Você estará bem mais inteirado dos acontecimentos da história!
Você não leu? Beleza também! Não será uma sequência direta e imediata dos acontecimentos anteriores, nem amarrado com eles e tudo que for necessário será explicado de forma rápida.

Exatamente como no jogo. Quem jogou o HSL sabe tudo o que acontece no UL, mas quem não jogou pode aproveitar a história do mesmo jeito!

Vai ser legal pra todo mundo, prometo!!

Capítulo 20 - Feliz Natal, Dee



Segunda-feira, 15 horas…

Mais uma vez, caixa postal. Iris não atendia o telefone desde ontem, quando descobriu através de Kim e Ambre que ela não tinha deixado os negócios de Nathaniel, como disse que faria. Bom, não era totalmente incompreensível, já que o problema com o Sr. Le Sante e a doença da mãe não haviam desaparecido! Ela ainda precisava de dinheiro e de tratamento. Se a forma mais fácil era com Nathaniel, então, não é de se surpreender que ela continuasse naqueles negócios.

O que não impedia Didra de odiar ela por isso!

Talvez se Dee tivesse proposto mais cedo… assim que descobriu… Não. Não adiantava pensar nisso agora! Agora o jeito era encontrar Iris e… o que fazer?

Didra parou no meio do caminho para a Anteros e ficou pensando no que poderia fazer efetivamente. Ela já havia falado com Iris, explicado a situação e não resolveu. Talvez fosse realmente a hora de abrir o jogo com ela e acabar com aquilo. Mas, para isso, precisava primeiro falar com ela. Sem muita escolha, ela correu até o campus da Anteros em direção ao prédio 2, onde eram realizadas as aulas de enfermagem.

Caminhou um pouco e encontrou algumas alunas usando os mesmos jalecos brancos da turma de Iris. Uma com longas mechas pretas e a outra de cabelo curto e castanho. Elas pararam de conversar ao ver Dee aproximando-se e olharam de canto de olho para ela.

– Hi… excuse me… – as moças deram atenção a Dee. – Vocês saber dizer-me qual é o número do quarto da Iris Sterling no dormitório?

– Da Iris? – respondeu uma das moças. – É… não sabemos… E também não sei se posso falar. Por quê?

– Eu preciso falar com ela urgente. – Didra respondeu. – Is very important…

– Ela é a aquela amiga da Iris do curso de história da Arte! Aquela que fez aquele teatrinho antidrogas! – a outra garota bateu de leve no ombro da amiga, – A Iris não mora aqui no dormitório da Anteros!

– No? Ela me dizer que precisar de um job extra para pagar o quarto.

– É verdade! Ela arrumou um emprego em um pub… um perto daqui e dorme lá, em um quarto alugado pra ela pelo dono do lugar. – a moça de cabelo mais escuro falou. – Eu acho que ela comentou que trabalhava lá quando era adolescente. Ela precisava do dinheiro para alugar um quarto aqui no campus.

– Ela está em um pub irlandês no centro, então? Thanks!

Didra saiu da conversa e foi em direção a entrada do prédio, só que antes de poder sair, ela pensou em algo que talvez pudesse ajudar. Correu até o prédio próximo aos dormitórios e foi a enfermaria onde falaria com Raphael, o enfermeiro da faculdade e noivo de Iris, que talvez pudesse ter alguma informação sobre a ruiva.

– Excuse me… – Dee bateu à porta e entrou. – Ter alguém aqui?

Raphael saiu de trás da mesa onde estavam três caixas de papelão, do tamanho de caixas de sapato, que ele empilhava e organizava. O rapaz sorriu ao ver Dee e foi até ela, colocando o jaleco e um estetoscópio em volta do pescoço.

– É Didra, não é? Oi… – Raphael estendeu a mão para ela e apertou. – Como está se sentindo hoje? Tudo bem? Sou o Raphael…

– E o cara que me costurou depois de eu quase ser sequestrada! – Dee respondeu rindo. – Eu saber quem ser você, Raphael. I just want to ask…

– Antes de mais nada, você viu a Iris por aí? – Raphael adiantou-se em falar. – Ela foi embora da festa sem falar comigo direito, eu acho que tem algo errado. Não consigo falar com ela desde ontem a noite!

– Eu ia te perguntar o mesmo! Também não tenho falado com ela. – Didra respondeu ainda mais assustada do que antes. – Oh god… Preciso encontrá-la!

– Se não me engano, ela tem um plantão noturno hoje… – Raphael respondeu. – Talvez ela esteja em casa dormindo. Ela não pode ficar faltando assim, mas, eu acho que vou ir lá procurá-la!

– Eu posso ir com você? Eu precisar falar com ela very urgent…

– Sinto muito, eu acho que isso é algo que tenho que falar com ela a sós. – Raphael ficou um pouco mais sério. – Eu sei que vocês foram próximas no passado, mas talvez seja bom você se afastar dela. Iris tem estado muito confusa com isso, então, seria bom que vocês se afastassem…

– Oh… i’m sorry… Eu sentir muito…

– Tudo bem, eu só gostaria que ela…

– No! Eu sentir muito que você ser um idiota que não perceber o que acontecer com a pessoa que você diz gostar tanto! Você não perceber o problema que ela está e ainda quer me afastar dela!! – ela começou a bater com a ponta do dedo no peito de Raphael. – Você não sabe de nada! Não sabe o mal que está fazendo pra ela e eu não vou me afastar! Agora sair do meu frente!

Dee empurrou o rapaz e passou por ele em direção a saída. Raphael cambaleou e acertou com o cotovelo uma das caixas que caiu e espalhou vários frascos laranjas sem rótulo pelo chão e sobre a mesa. Um deles rolou até próximo aos pés de Dee enquanto Raphael recolhia os remédios e os frascos.

– Onde você achar isso? – Didra mostrou o frasco. – Isso tem morphine, you know?

– Sim, é claro que eu sei! – Raphael pegou o frasco da mão dela. – Você estava tomando isso, não é? Quando você veio aqui, tinha tido uma overdose desse remédio.

– Como você conseguiu tudo isso?

– Não tenho que lhe dar satisfações de nada, Didra! Mas, também não tenho nada a esconder… – Raphael sentou-se em sua mesa novamente. – …eu não sei como isso veio parar aqui! Não sei porque tantas e não sei oque faço com isso!

– Isso tudo estava aqui no seu escritório, dentro da faculdade e você não sabe como?

– Não. Realmente não sei!

– Mas talvez eu saiba! – Dee virou em direção a porta e saiu da enfermaria. – Obrigada!

Se Raphael falou alguma coisa, Dee ignorou. Ela tirou o celular (maldita tela quebrada que a atrapalhava de digitar) e pediu um táxi para levá-la até o Pub irlandês onde Iris trabalhava. Não demorou muito para que ela chegasse a seu destino e ela quase esqueceu de pagar ao taxista quando chegou ao endereço. Ela chegou até a porta do pub e ela estava trancada.

– Estamos fechados… – o homem de quase 60 anos com um farto bigode vermelho e cabeça careca falou sem olhar para ela. – … volte mais tarde, por favor.

– I need to talk with Iris!! – Dee bateu a porta novamente. – Por favor… preciso falar com Iris!!

O homem então foi até a porta e apontou para a placa de fechado pendurado no vidro, mas Dee ignorou ele e continuou batendo na porta.

– Please!! Is urgent!! – Dee deu uns socos um pouco mais fortes na parte de madeira da porta. – Por favor!! Open the door!!

Irritado o homem abriu a porta com força, como se tentasse proteger a sua propriedade de mais um soco. Dee deu um passo para trás ao ver o tamanho do senhor que era o dono do lugar.

– Eu te conheço? – o homem ficou encarando a garota. – Eu acho que já vi você por aqui… eu me lembro de você?

– Depende… quantas clientes bêbadas fizeram pole dance acompanhadas de outra bêbada que tocava piano?

– Não são muitas mesmo… Você é aquela garota que namorou com a Iris? – o homem parecia mais calmo. – Ela não está aqui agora. Ela vem só três dias da semana…

– Cut the bullshit! Eu saber que ela estar vivendo aqui! – Dee respondeu. – Você está ajudando ela and i thank you! Mas, eu preciso falar com ela, eu posso?

– Ela realmente não está aqui! Aliás, ela não voltou pra cá essa noite. Saiu daqui ontem, por volta três horas da tarde e não voltou até agora. Eu também achei isso estranho.

– Oh god… – Didra começou a respirar fundo. – …você tentar falar com ela?

– Eu não. – ele deu de ombros. – Estranhei um pouco, mas não é a primeira vez que ela sai em um dia e só volta aqui para trabalhar. Ela tem um namorado agora, eu imagino que ela esteja com ele.

– Eu posso ver o quarto dela? Is very urgent…

– Eu não posso deixar você entrar no quarto dela! – ele estranhou o pedido. – Quer dizer, ela me paga… pouco, mas paga! Não posso deixar qualquer um entrar no quarto dos outros!

– Eu achar que ela estar com problemas! Talvez no quarto dela eu possa achar algum pista!

– Nesse caso, não é melhor chamar a polícia? Se ela estiver com algum problema, a polícia pode vir e investigar!

– Se ela estiver com problemas mesmo, a gente pode não ter tempo para acionar a polícia!

Aquilo acertou o homem com força. Tanto tempo convivendo com a garota e vendo ela nos piores momentos de sua vida, como quando ela chegou com um adolescente e um bebê na sua porta precisando de um lugar para ficar, o velho irlandês não podia deixar de pensar em Iris como uma filha que não teve. Se realmente aquela garota estava certa, não dava pra arriscar.

– Ok, entra… – o homem deu passagem para Dee. – Mas, eu vou com você pra garantir que você não mexa em nada.

Didra seguiu o homem pelo bar fechado, desviando de mesas e poças de água com sabão que cobriam alguns pontos o chão. O lugar havia mudado um pouco em relação ao que ela lembrava, em especial a falta do palco que Iris tocava e usava os ganhos como um complemento da renda de garçonete. Eles subiram uma escada e o senhor pegou uma chave de dentro do bolso e abriu uma porta no fim do corredor.

Dee entrou e ele acendeu a luz. Parecia uma versão do quarto de Iris quando ela era adolescente resumido em um cômodo com banheiro. A cama ficava no alto de uma escada e a mesa de trabalho dela logo em baixo. Com livros e notebook (um modelo bem antigo). A iluminação daquele canto era com lâmpadas de led coloridas e a parede estava enfeita com fotos.

Viagens com o Raphael, momentos felizes com Castiel e o resto do Crowstorm, amigas do curso de enfermagem, paisagens que ela visitou em seus dois anos de viagens pela Europa, algumas lembranças da época da escola, a senhora Isabelle, Thomas (que havia se tornado um adolescente muito charmoso) e um menininho ruivo de uns 3 anos que ela deduziu ser o filho do Kevin.

Mas, nada delas. Nem fotos antigas ou recentes. Aquilo deu um aperto no peito de Dee, mas ela também passou quatro anos evitando fotos e lembranças. O resto do quarto tinha uma mesinha com duas cadeiras, um fogão de duas bocas com um pequeno botijão de gás acoplado a ele e um micro-ondas, além de uma pequena geladeira, um saco de pão de forma pela metade em cima da mesa e uma caixa de cereais ao lado. Nada de relevante ali naquela área.

O guarda-roupas não tinha portas então era possível ver as roupas de Iris penduradas em cabides e alguns sapatos e botas, as gavetas provavelmente guardavam a roupa íntima dela e o cesto de roupas sujas perto da porta do banheiro indicavam que estava perto do dia de ir a lavanderia (“aliás, eu também preciso passar lá”, pensou) e os sacos de lixo também precisariam ser jogados fora.

Dentro do banheiro, um pequeno varal retrátil tinha algumas camisetas, calcinhas e meias que tentavam secar ao fraco sol que entrava pela minúscula janela. Frascos de shampoo (“meu Deus, ela ainda usa esse mesmo shampoo…”) e condicionador, escova e pasta de dentes, frascos de anticoncepcional, fio dental, escovas e pentes, um espelho pequeno e uma toalha úmida completava o lugar. Didra até deu uma olhada em direção ao cesto de papéis, mas não havia nada lá.

– Já olhou? – o dono do pub parado na porta chamou Dee e a fez voltar a realidade. – Achou alguma coisa?

– No… i don’t… – Dee foi em direção a porta. – Se ela aparecer, pode pedir pra ela ligar para a Didra, por favor?

– Claro eu…

O som de uma das músicas do Crowstorm chamou a atenção deles e Dee correu até a cama para investigar. Ela encontrou o celular de Iris sob o travesseiro e viu o rosto de Raphael. Ele provavelmente estava tentando falar com ela. O visor indicava que ela tinha várias chamadas perdidas, tanto de Raphael quanto dela mesma. O senhor do pub não gostou de ver Dee mexendo no telefone de Iris, mas não falou nada. Dee esperou que a chamada caísse para poder mexer no telefone que, por sorte, foi esquecido desbloqueado.

– I need a charger!! – Didra olhou de um lado para o outro. – Você está vendo um charger por aí?

– Um o quê?

– Oh f*ck!! Um carregador!! Caramba! Eu preciso da po*ra de um carregador antes que a bateria acabe!!

O homem ficou até assustado com a reação de Dee e ela pediu desculpas logo em seguida. Eles saíram do quarto e foram até o bar, onde o dono do pub lhe deu um carregador e ela o plugou rapidamente no aparelho. Com o problema da bateria resolvido, ela começou a navegar por entre as janelas abertas. Fechou as notificações de chamadas perdidas e foi no aplicativo de mensagens. Haviam mensagens do Raphael perguntando onde ela estava, algumas dela mesma, amigas da faculdade enviando fotos da matéria da aula anterior, mensagens sobre propostas de trabalho freelance que ela poderia fazer para conseguir algum dinheiro extra e outras sobre bandas que precisavam de uma baterista para cobrir um ou dois shows. Iris estava fazendo bem mais do que só dar plantão no hospital e servir no pub.

A conversa com um número que não estava salvo na agenda com um nome foi o que chamou a atenção de Dee no final. As mensagens do número estranho haviam sido apagadas da conversa, mas as respostas de Iris ainda eram visíveis. Dee pegou seu próprio telefone e abriu os SMS que recebeu alertando sobre o ataque na praça e no hospital. O número era o mesmo. O número era de Nathaniel.

Sem todas as mensagens era difícil saber exatamente do que estavam falando, mas era possível deduzir que Iris tinha que fazer alguma coisa pra Nathaniel naquela noite. “Plantão”, sozinha”, “portão de trás”, “carregamento”, aquilo tudo não fazia sentido para Dee e também não explicava a caixas na sala da enfermaria da Anteros.

– Se não me engano, ela tem um plantão noturno hoje…

As palavras de Raphael surgiram na mente de Dee e tudo passou a fazer sentido.

– Thank you! I should go! – Didra bloqueou o telefone de Iris e o deixou na mesa. – eu acho que já sei onde está a Iris!

– Eu devo chamar a polícia? Ela está bem?

– Eu ser da polícia!! Digo… meu irmão é, mas eu ajudar ele!! – Didra abriu a porta. – Obrigada de novo! – e saiu.

O que ela viu no celular de Iris deu a ela um novo ânimo para encontrar a garota. Não era a mensagem, mas sim, a foto do papel de parede do telefone. Uma que não estava com as outras na parede do quarto junto de outros momentos felizes. Era uma que ela levava com ela o tempo todo. Uma foto delas no Natal de 2015. Ela sabia que Iris não tinha esquecido. E ela não esqueceria também.

Didra pegou o primeiro táxi que viu e pediu que ele o levasse em direção ao hospital da cidade. Já passava das 17 horas e, naquela hora, ela não chegaria lá antes das 22 horas por causa do trânsito. Só esperava que isso fosse o suficiente para ela.

Hospital da cidade, 22:30 horas…

O caminhão aproximou-se da guarita da porta dos fundos do hospital, desacelerando enquanto o porteiro noturno acendia uma lanterna e direcionava o faixo de luz para o rosto do motorista. Um rapaz loiro e seu colega de cabeça raspada sob o boné esportivo. O porteiro começou a acenar para que o caminhão desacelerasse.

– Meio tarde para uma entrega, não? – o porteiro direcionou a luz da lanterna para dentro do caminhão e deu uma boa olhada no condutor e em seu passageiro. – Não tem nada programado pra hoje. O que vocês querem?

– Temos uma retirada para hoje… – o Tipo Suspeito entregou ao porteiro um papel. – Olha aqui, eu só cumpro ordens!

O homem pegou o papel e virou-se para conferir com os papéis dele dentro da portaria e, sem perceber, foi atingido nas costas por um tiro de uma arma com silenciador. Ele caiu no chão e os dois rapazes saíram do caminhão e o arrastaram para dentro da guarita, aproveitando a oportunidade para abrir o portão e entrar na área de carga/descarga do hospital.

Eles entraram e fecharam o portão da área de entregas, dirigindo até um grande portão de aço e encostando com a parte de trás, emparelhando a porta de aço com a traseira do caminhão. Eles olharam para um lado e para o outro, para ter certeza que estavam sozinhos, então ele buzinou duas vezes e a porta de trás do caminhão abriu para dar passagem para alguns homens que armados e uns que correram em direção uma caixa de luz na parede.

– Câmeras desligadas! – um dos rapazes acenou para os dois homens dentro do caminhão. – Agora vamos pegar a carga!

Dentro do hospital…

– Eles acham que desligaram as câmeras, Iris! – uma voz eletrônica falou no ponto no ouvido dela e escondido no entre os cabelos de Iris. – Fique calma e faça como combinamos. Deixem que carreguem tudo no caminhão, não fique no caminho deles, evite encarar eles! Quando eles saírem, nós entramos!

– Tem certeza que ele tá bem? Eu tô me sentindo culpada… – Iris respondeu para as pessoas no ponto eletrônico. – Ele tem família e…

– Relaxa, Iris! O segurança está bem! – outra voz eletrônica falou no ouvido dela. – Como a gente previu, eles atiraram no colete. Ele só terá uma dor nas costas. Nada que um fim de semana de folga não resolva! Concentre-se agora!

Como previsto, Iris estava sozinha naquela noite e naquele horário. Claro, ninguém deixaria um prédio de 11 andares com várias pessoas doentes em diversos estágios para uma única enfermeira residente, mas, a equipe estava bem reduzida. Os quatro primeiros andares estavam com Iris, outra enfermeira e um médico. O resto do prédio dividia mais 3 médicos e 4 enfermeiras que muito raramente desciam até o térreo antes da hora de irem embora. Com os colegas em horário de refeição e descanso, sobrou pra Iris fazer uma ronda entre os quartos e checar a recepção quando necessário.

Então, sem ninguém no prédio, ela pode ir até o depósito, abrir a porta da área de descarga e deixar os caras pegarem o que eles quiserem. Ela só tinha que ficar fora do caminho, se proteger e quando eles estivessem prontos pra sair, dar um sinal que foi combinado entre eles, para que os policiais escondidos saíssem e prendessem a quadrilha.

– Tem alguém no prédio! Tem alguém no prédio! – uma das vozes falou e Iris congelou no lugar. – Quem deixou essa pessoa entrar?

– O que eu faço? – Iris congelou no lugar. – Gente… o que eu faço? E… AAAhhh…

Iris pulou para trás quando alguém pegou seu braço.

– What fuc*ing you doing? – Dee puxou Iris para mais perto. – Are you insane??

– Dee?? Como você chegou aqui? – Iris afastou-se. – Sai daqui agora!! Sai daqui imediatamente!!

– Eu só saio daqui com você!! Você tá maluca de ajudar em um assalto?? – Didra falava entre dentes com bastante raiva. – Quer ir pro fuc*ing cadeia??

– Dee, você realmente tem que sair daqui agora e…

O barulho da porta de aço abrindo fez com que Iris desesperadamente empurrasse Dee para um canto escuro entre os armários de medicamento. Ela só teve tempo de olhar feio e fazer um sinal rápido para que Dee ficasse acalada, antes de virar para frente e olhar para o Tipo Suspeito e o Cara Não-Net que acabaram de entrar no depósito.

– Falando com alguém? – o Tipo Suspeito passou os olhos pelo local. Estava escuro, mas a iluminação dos faróis do caminhão providenciaram uma melhor visão de tudo. – Algum problema?

– Problema nenhum… Nenhum prolema… – Iris abriu os braços. – Tá vendo algum problema por aqui? Viu? Nada!

– E por que gritou então?

– Ééé… uma barata! Passou aqui! – ela apontou o caminho com o dedo. – Bicho nojento!

– Barata? Ok… – o Tipo Suspeito deu passagem para os colegas que pularam do caminhão para o depósito. – Você tem uma visão muito boa pra ver uma barata nesse escuro todo. Vem cá, amiga do Nathaniel… cadê as caixas?

Sem responder, Iris apenas apontou para um canto onde estavam separadas as caixas do remédio que eles vieram buscar. O Tipo Suspeito acenou com a cabeça para que eles começassem a carregar o caminhão. Sem questionar os três foram em direção as caixas. O Cara Não-Net ficou na porta do caminhão, enquanto os dois rapazes passavam as caixas de um pro outro.

– As caixas estão todas separadas, é? – o Tipo Suspeito aproximou-se de Iris. – Tá com pressa da gente ir embora?

– Eu não… eu… sei lá! Vocês podem ir quando quiserem…

– Foi você que arrumou tudo?

– É… foi quando a barata passou na minha mão! – Iris mostrou a mão para ilustrar. – Ai eu… gritei… ela me assustou!

– Você noiva, é? – o Tipo Suspeito segurou a mão dela. – Parabéns noivinha… eu vou levar isso de lembrança, ok?

– Não reaja, Iris! Deixa! – a voz no ponto eletrônico foi quase um sussurro. – Não chame a atenção!

– Embora, eu não imagine como uma baranga como você achou um noivo…

Essa foi outra instrução que ela recebeu. Usar roupas largas e o cabelo preso de forma a se tornar o menos atraente e chamativa possível. E apesar disso, o Tipo Suspeito estava olhando muito pra Iris. Mais do que o que ela achava necessário. A ruiva tentava desviar o olhar dele e, por um instante, ela mirou o canto onde tinha jogado Dee.

– Ah…

– O que foi amiga do Nathaniel? – o rapaz olhou no mesmo canto e foi até lá checar. – Viu uma barata outra vez?

Não tinha nada naquele canto. Nem barata, nem rato e nem Dee. Iris passou os olhos rapidamente pelo ambiente em geral, tentando ver a garota, mas não viu nada. Aquilo deixou o Tipo Suspeito bem irritado.

– Ei… – o Cara Não-Net bateu no ombro do outro. – Ajuda aqui, caramba! Essas caixas pesam! Vamos terminar isso logo!

– Tá legal. Ajuda a gente, amiga do Nathaniel! – o Tipo Suspeito apontou pras caixas. – Você consegue levantar algumas, né? Tava até organizando elas pra gente!

Iris ficou alguns segundos congelada no lugar, como se esperasse a ordem vindo pelo ponto no ouvido, mas nada foi dito. Então ela caminhou até as caixas e pegou uma. Ainda não tinha visto nem sinal de Dee e estava rezando silenciosamente para que ela tivesse ido embora. Mas é claro, ela sabia que não. Iris subiu no caminhão e levou a caixa até o fundo e…

– Atchin...

O Tipo Suspeito e seus colegas pararam olhando uns para os outros. Iris congelou no lugar de medo. Ela teve de segurar a vontade de tirar o ponto da orelha que doía absurdos após um espirro alto deixá-la com o ouvido zunindo.

– Quem foi? – o Tipo Suspeito apontou para Iris. – O que foi isso?

– Eu espirrei… a caixa… Poeira… – Iris tremia. – Só isso… Atchim… só isso.

– Você espirra que nem um robô, sua filha da put*? – ele foi em direção a garota com a arma apontada para ela. – Levanta essa blusa, agora!!

– Ei… não é hora pra isso! A gente tem que ir logo! – o Cara Não-Net olhou bem para Iris e até imaginou que algo de bom poderia se esconder embaixo de toda aquela roupa de vovó, mas, outra hora. – Vamos levar essas caixas daqui de uma vez!

– Ela tá grampeada, você não percebeu??

– Eu? Grampeada? – Iris soltou a caixa no chão da van e levantou as mãos. – Nem pensar… dói pra caramba! Uma vez eu grampeei meu dedo e sangrou até…

– CALA A BOCA!! – o Tipo Suspeito berrou. – Levanta a blusa ou eu te mato aí mesmo!!

                                                                                               BLAM!!

Demorou um pouco para que o Tipo Suspeito percebesse que alguém derrubou um armário de ferro carregado de produtos em cima dos colegas deles e depois pulou em cima do Cara Não-Net como uma louca, brigando pela arma dele. A briga foi curta e rápida, porque ela conseguiu acertar uma cabeçada no nariz dele e fazê-lo cambalear pra trás.

Nesse momento, ela levantou a perna e deu um chute no peito do rapaz, que o fez tropeçar e cair em cima do armário de metal, derrubando uma enorme quantidade de caixas e remédios em cima dele. Agora só faltava ela conseguir pegar o…

*Pá*

– AAAhhhh…

Dee caiu no chão com a mão segurando a coxa e apertando o ferimento que manchava a mão dela de sangue. A vista turva pela dor, as lágrimas e a perna sangrando não a deixou afastar-se o bastante do Tipo Suspeito que a pegou pelo cabelo curto e encostar a arma na testa dela. Nesse meio tempo, os dois comparsas conseguiram sair de baixo do armário de metal e recolheram suas armas.

– Olha só… parece que eu achei a sua barata, amiga do Nathaniel!! – ele puxou o cão da arma e preparou-se para atirar. – É hora da dedetização disso aqui!

– Espera!! – Iris foi correndo até ele e entrou na frente do Tipo Suspeito. – Você não quer fazer isso! Vai ser muito ruim pra você! Ela é polícia!!

– O quê? – o Tipo Suspeito olhou pra ela e dela pra Dee. – Ela falou que era o irmão dela que era policial! Não ela!

– Matar um policial pra você vai ser muito ruim. – Iris foi buscando um jeito de entrar na frente dele e afastá-lo de Dee. – Na cadeia, isso vai te deixar muito mau. Você sabe o que fazem com quem mata policial na cadeia, né?

O Tipo Suspeito soltou o cabelo de Dee e Iris entrou na frente dele. Aquilo mudava as coisas. Realmente, se ele fosse preso com um policial morto na ficha não seria nada bom pra ele. Era quase como ter sido preso como um estuprador. Aquilo não era nada bom.

– Me leva. Deixa ela viva e me leva com você! – Iris disse. – Se eu estiver com você, ela não vai fazer nada…

– IRIS, VOCÊ TÁ MALUCA?? – Dee segurou a barra da blusa dela e Iris afastou-se. – Não vou deixar você ir com…

– Leva os remédios e me leva junto… – Iris tentava manter a calma e andar para longe de Dee, afastando o Tipo Suspeito dela. – Ela não vai nos perseguir, ela não vai fazer nada! Só por favor, não mata ela! Eu sou a sua garantia!

O Tipo Suspeito olhou de Iris para o colega e depois para ela novamente, então pegou Iris pelo casaco com raiva e a encaminhou pra dentro do caminhão, eles jogaram mais algumas caixas do remédio e outras coisas que tinham de valor ali. Dee tentou se arrastar em direção ao caminhão, mas Iris estendeu a mão para que ela não se mexesse.

– Iris… don’t do that!! – Didra agora estava chorando, não pela dor, mas pelo que estava acontecendo. – Iris, please, come here! IRIS!!

– Dee… não faz nada!! Não se mexe! Segura esse machucado, por favor!

– Não leva ela!! Kill me, mas deixa a Iris em paz!! – Didra tentou se arrastarem direção ao caminhão. – Não leve a Iris!! Please!!

– Dee, não faz nada! Fica quieta aí! – o caminhão ligou e antes que eles fechassem a porta da caçamba. – Eu te amo! Feliz natal!

– IIIIIRRRRISSSS!!!

O caminhão arrancou e saiu do pátio em alta velocidade, levando o portão fechado com ele, deixando Dee sozinha no escuro. Ela socou o chão, manchando ainda mais o lugar com o sangue dela. A visão começou a turvar pela dor e a perda de sangue. Até que o barulho de uma porta de metal abrindo com violência chamou a atenção dela.

– MAS QUE DROGA VOCÊ VEIO FAZER AQUI!!

Dean, um médico e alguns policiais armados vieram correndo até ela. E pela cara deles, nenhum estava muito feliz com a situação. Os médicos chegaram e começaram a examinar o ferimento. Desta vez, não tinha sido de raspão e ela precisava de atendimento urgente. Dean, frustrado, chutou as caixas de remédio caídas no chão e evitou olhar para a irmã. Ele não sabia se estava com raiva da operação ter falhado ou do fato da irmã ter se machucado.

– A culpa foi minha, Dean! – alguém atrás do irmão furioso dela disse. – A Dee não sabia de nada! Ela não tem culpa.

– ELES AGORA TEM UMA REFÉM!! – Dean berrou com o colega policial. – QUANDO ENCONTRAREM O RÁDIO, ELES MATAM ELA!!

Dee não conseguiu ver com quem Dean estava berrando, mas ouvir aquilo a deixou ainda mais nervosa e fez o ferimento sangrar mais rápido, então, para conter isso, o médico deu uma injeção nela que a apagou. Era tudo o que ela não queria, dormir e sonhar com a possibilidade de Iris estar nas mãos de criminosos. Mas era exatamente o que ela ia ter.

Continua…


Notas Finais


Se você quiser conhecer toda a história da Dee, você pode ler direto no fórum oficial do AD clicando no link:
https://www.amordoce.com/s2/forum/t31179,1-gl-iris-você-é-meu-amor-doce-parte-2-por-realdoido.htm#p6591739

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