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História Anteros - Capítulo 21


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Notas do Autor


Escrevi essa songfic pra interação do Grupo Fanfics Amor Doce/Eldarya, mostrando um pouco da vida da Violette pós High School Life, baseada na música Little Me do grupo Little Mix.

Violette é uma das maiores estilistas de moda e faz sucesso nas passarelas, expondo suas coleções em diversos países. Contudo, há algo que ela sempre quis e nunca conseguiu, independente do seu dinheiro e fama.

Mais tempo.

Contudo, alguma coisa irá mudar após a visita do velho amigo Dylan O'Connel. Ela terá a chance de mudar seu passado e conseguir um futuro onde ela em tudo o que deseja. Fama, fortuna e a pessoa que mais ama. Só que para isso, ela precisa da ajuda de alguém especial: sua Pequena Eu.

Capítulo 21 - Songfic - Little Me


Fanfic / Fanfiction Anteros - Capítulo 21 - Songfic - Little Me

Milão, Itália, 2050…

O som dos sapatos de salto alto fazendo clák clák clák pelo corredor do estúdio fazia com que todos os funcionários do local ficassem apreensivos e dobrassem o ritmo de seu trabalho. Máquinas de costura cosiam em alta velocidade, gente carregava peças de roupa e sapatos, arraras cheias de cabides  passavam de um lado para o outro em alta velocidade. Tudo para atender as demandas da exigente chefe. Alguém que não aceitava nada menos do que a perfeição.

– Como estamos indo com os prazos? – a elegante mulher de cabelos curtos, de cor roxa com mechas cinzas observava seus colaboradores com atenção, inspecionando cada detalhe e fazendo sinais de positivo com a cabeça quando via algo correto, e pontuando o que encontrava de errado. – Estamos prestes a apresentar a nova coleção as revistas especializadas.

– Tudo indo bem… conforme o cronograma! – uma assistente, tão bem-vestida e elegante quanto sua chefe andava apressada e anotando tudo o que a estilista dizia. – O stande estará montado amanhã pela manhã.

– Vamos terminar isso hoje. Amanhã pela manhã faremos um ensaio. – a estilista pegou um tecido e sentiu o material. Era exatamente o que ela queria. – Quem confirmou?

– A V, a ELLE, a W, a Flaunt e a Vogue… – respondeu a assistente. – Disseram que mandaram um fotografo para o preview da coleção desse ano.

– Diga que mandem os repórteres… – a estilista foi em direção ao escritório. – Diga que irão se arrepender se não mandarem os jornalistas aqui. É a última chance deles.

– Quantos repórteres eles devem mandar? – a assistente preparou-se para anotar o número.

– Quantos eles têm?

A estilista sorriu e fechou a porta do corredor dos escritórios e foi em direção ao seu atelier privado. Onde se inspirava para desenhar e criar suas roupas. Faz alguns anos que ela e uma amiga (muito mais ligada ao mundo fashion do que ela) começaram seu empreendimento. Uma costuraria o que a outra desenhava. Elas conseguiram sucesso e lançaram-se ao mundo das passarelas, ganhando destaque em pouco tempo. Porém, uma delas decidiu que aquilo não era o que queria para sua vida.

A sociedade foi desfeita e agora Violette Hesler tornou-se uma das mais respeitadas e conceituadas estilistas de Paris e sua amiga, Rosalya, foi estudar psicologia e criar uma família. Claro, ela mesma já teve esse sonho, mas, agora com sua carreira em rápida ascensão, deixou isso de lado e se tornou alguém muito diferente. Quase irreconhecível.

“Fale alto. Grite. Seja quem você quer ser e não deixe que te digam o contrário. Não tenha vergonha de si e nem de correr atrás dos seus sonhos. Tenha orgulho de si mesma.”

É claro. Essa foi uma lição que ela demorou a aprender. E se pudesse, diria isso a si mesma.

– S-senhorita Hesler… senhorita… – Violette foi trazida de volta de seus pensamentos pela secretária. – A senhorita tem visitas…

– Visitas? Quem? – ela olhou em volta e os sofás da recepção estavam vazios. – E onde está essa visita?

– No seu escritório… – a moça sabia que tomaria uma bronca. Deixar alguém entrar no escritório da chefe era um erro terrível, mas… – É a polícia.

– Polícia? – Violette olhou da garota para a porta e depois para ela novamente. – O que a polícia quer… ah, esqueça. Vou ver o que é! Não estou pra ninguém!

Apresada, Violette seguiu para seu escritório, pensando no que poderia ter feito para atrair a atenção da polícia. Não havia motivo para a polícia estar lá, exceto que…

– Aff… mas que droga… Você não poderia tentar assustar menos a minha secretária?

Era Dean. Dylan O’Connel. O amigo da época da escola e ex-namorado. Dean riu da cara de preocupação de Violette e foi até ela de braços abertos. Violette, feliz, mas com raiva, deu um soco no braço rapaz e logo depois um abraço apertado.

– Se eu contasse que era só um velho amigo, ela me deixaria entrar? – Dean manteve as mãos nos ombros de Violette e sorriu para ela. – Você tá ótima. O que é esse corre-corre todo?

– Semana de lançamento de coleção. E então ao que devo a visita da polícia? – Violette olhou para o rapaz de baixo a cima. – Aliás, vendo você com essa barba e esse cabelo eu é que quero fazer uma denúncia para a polícia da moda!

– Essa polícia não existe!

– Deveria!

– E esse atelier aqui? – Dean olhou em volta do escritório de Violette e o viu cercado de flores e plantas Eu sinto que estou no Clube de Jardinagem da Sweety Amoris… Daqui a pouco acho o Jade aqui.

– Eu tentei contratá-lo pra cuidar das minhas plantas, mas o Lysandre paga melhor! – Violette deu de ombros. – Mas, então a que devo a visita?

– Vim te trazer isso… – ele retirou um envelope do bolso do paletó. – E fazer um convite…

Violette pegou o envelope e viu o conteúdo. Um convite de casamento. Ela tapou a boca com a mão para evitar de dar um “gritinho” de empolgação.

– Meu deus, que fofa!! – Violette ficou olhando a foto com um sorriso no rosto. – Meu joelhinho gorducho vai se casar! Ela é tão linda, Dean!

– E eu quero que você seja a madrinha dela!

Violette parou de encarar a foto e passou a olhar para Dean com surpresa.

– Eu não posso… quer dizer… o que a Lety acha de você chamar a sua ex-namorada para ser a madrinha da sua filha?

– Ela adorou! – Dean deu de ombros. – Imagina ela chegando no trabalho e dizendo quem é a madrinha dela? “Minha madrinha de casamento é a maior estilista do país! Minhas roupas são feitas em Milão!”

– Ah… é pra isso, então? – Violette riu. – Bom, melhor começar a trabalhar numa coleção de noivas. Aí vou querer minha afilhada na passarela pra desfilar a coleção! Agora, por que não a Dee? Por que não escolheu ela?

– Ela já tia! Não pode ficar acumulando função! – Dean respondeu com cinismo. – Além disso, ela seria um mau exemplo pra Vic… vai que ela resolve fazer outra faculdade e dessa vez de humanas!

– Então, você se ferrou, porque eu também sou de Humanas! – Violette bateu na mesa. – Aliás, é verdade que a Didra está de volta ao país?

– É sim… Ela já está por aqui desde o começo do ano. Um novo curso aí na área de História da Arte… – Dean sentou-se na cadeira a frente da mesa de trabalho dela. – Eu achava que era algo que era você quem faria! Artes, pintura, sempre foi sua área…

– Estou nela ainda. Desenhando vestidos e não quadros ou paisagens! – Violette ficou olhando suas criações em fotos nas capas de revistas e em quadros na parede. – Eu gosto disso, me dá um prazer estranho ver minhas criações andando por aí. É claro… Talvez as coisas fossem diferentes se eu percebesse isso antes.

– Você acha que deveria ter feito as coisas diferentes antes?

– Eu queria ser diferente… Acho que não aproveitei muita coisa tendo sido tão tímida e tão fechada. Talvez eu deveria ter curtido mais a minha adolescência. Ter outra chance…

– Está falando como se tivesse 80 anos! – Dean riu da situação e Violette encarou ele seriamente. – Fala sério… Muita coisa poderia ter mudado e muita coisa poderia não ser a mesma. Nós, por exemplo. Você se arrepende de algo que fez?

– Talvez me arrependa de algo que eu “não fiz”… se é que me entende! – Vio deu uma piscadinha. – Apenas queria dizer a mim mesma o que digo a todas as garotas hoje. Se pegasse o que sei hoje e colocasse no meu corpo de 30 anos atrás.

– Eu acho que isso pode ser ajeitado…

– Como gostaria que pudesse mesmo. – Violette fechou os olhos, pensando naqueles dias. – Talvez eu não ficasse tanto tempo pensando em quadros e paisagens. Talvez eu simplesmente me dedicasse ao mundo da moda antes e pudesse ter salv…

Quando abriu os olhos, Dean não estava lá. Ela olhou em volta e nada. Foi até as plantas, checar se ele não estava escondido ali e nada. Então pegou o telefone, para perguntar a sua secretária se Dean não tinha saído sem ela ver. A linha estava muda. Nada funcionava. Irritada, Violette foi até a porta pronta para dar uma bronca na funcionária que não atendia o telefone…

…a luz do sol cegou seus olhos por um momento. Ela não estava esperando tanta luz, cheiro da grama cortada e a sensação fofa sob os pés da terra molhada do jardim. O jardim da Sweety Amoris. Ela olhou para trás e não tinha mais a porta do seu escritório. Só a do depósito que Jade usava para guardar as ferramentas de trabalho.

– Senhora… – alguém aproximou-se dela. – …o que você está fazendo aqui?

Para ela, o que ela estava vendo era impossível, mas ali estava Jade. O colega da escola, trabalhando no jardim com suas roupas sujas de terra. Violette não conseguia entender o que estava acontecendo e achava que tinha enlouquecido. Era a única explicação provável!

– Você não é aquela que se esconde por ai vestida de fada, não é? – Jade olhava para a mulher no Jardim com cautela. – Ela é mais nova do que você. Quem é você, senhora? Se não me falar, eu vou ter que chamar o segurança…

– Eu sou… é… a minha tia… digo… eu sou a tia da Violette. – Violette respondeu. – Eu vim ver a minha sobrinha! Me disseram que ela está por aqui…

– Ah sim… agora eu entendi. – Jade respondeu mais tranquilo. – Realmente, vocês se parecem! Por isso eu estava achando que te conhecia. Ela tá logo ali, no jardim de trás. Ela fica ali bastante.

Violette apenas agradeceu com um aceno e foi em direção ao jardim. É claro que ela sabia onde ela ficava. Ela passou boa parte de sua adolescência ali. Então foi até lá e, por mais impossível que pudesse ser, lá estava ela. Sua versão mais jovem. Com uns 15 anos, talvez? Desenhando alguma flor ou planta com sua pasta de desenhos. Havia ali tanta cor e tantas formas que ela mesma queria parar e desenhar. Sua pequena eu.

– Violette? – tinha um pouco de medo na voz dela. – Violette Hesler?

Violette olhou para a senhora e sorriu. – Sim?

– Oi, Violette… Eu acho que você não me conhece, mas… eu vim te ver!

– Me ver? Eu acho que conheço você! Você me parece familiar… – Viole colocou a pasta de lado e levantou-se para ir ver a mulher mais de perto. – Mas, eu não me lembro…

– E-eu sou… é… sua tia! Meu nome é Aster.

– Não me lembro do papai ter uma irmã… – Violette colocou o dedo no queixo, tentando lembrar-se de suas tias e tios. – Quer dizer, eu não me lembro dos meus tios… eu provavelmente estava distraída quando os conheci.

– Eu sou irmã da sua mãe… Nós nos afastamos por muitos anos. Eu e ela brigamos. – a Violette do futuro sentiu um aperto no peito ao inventar aquela história mas, conhecendo a si mesma, ela certamente acreditaria. – Ela nunca falou de mim?

Aquilo claramente deixou a Violette jovem triste.

– Eu não me lembro… – a jovem Violette respondeu. – …ela morreu quando eu era muito pequena.

Elas se abraçaram. Tanta gente tentou consolá-la quanto a isso. Tanta gente tentou fazê-la superar a morte da mãe. Mas, aquele abraço nela mesma foi algo que mudou um pouco sua vida. Era como se ela tivesse subido um degrau em direção a cura daquela ferida. E também fez a Violette do futuro perceber que ela mesma nunca tinha superado completamente aquela dor.

– Eu quero passar um tempo com você. Conhecê-la melhor! – Violette “Aster” disse para sua versão mais jovem. – O que você acha? Pode passar um tempo comigo?

– Mas, eu estou em horário de aula e…

– Que aula? Você tem talento! Você vai ser famosa! – “Aster” respondeu empolgada. – Matar aula um dia não vai fazer mal! Vem, vamos fazer umas compras!!

– Mas, eu…

Aster pegou Violette pela mão e deixou para trás todo o material escolar e a pasta de desenhos. Para sorte dela, o dinheiro aparentemente não tinha mudado nos últimos anos. Elas pegaram um táxi e foram para o shopping. Aster passou em todas as lojas das grifes mais caras e fez Violette experimentar dúzias de roupas, sapatos, lingeries além de levá-la ao cabeleireiro e até mesmo em um spa. Elas terminaram o passeio na praça de alimentação do shopping para o jantar.

– Tia… não posso aceitar todos esses presentes… – Violette levava tantas sacolas que nem sabia o que fazer com elas depois. – Eu gostei de tudo, mas…

– Olha ali… Vio. – Aster apontou com o olhar uma outra mesa. – Aqueles rapazes ali estão olhando bastante pra você.

– T-tia… eu… eu tenho namorado…

– Eu sei. Só estou dizendo! – Aster sorriu e deu uma piscadinha para ela. – Você é muito tímida, tem que sair dessa casca. Vocês via a festas?

– A-a Melody fez uma festa do pijama uma vez… foi legal!

– E em outras festas? Com rapazes e bebidas?

– Eu não gosto de beber… Prefiro suco de frutas e chá…

– Chá? Violette, a idosa aqui sou eu! – Aster respondeu. – Você tem que se divertir! Tem que começar a viver! Você tem roupas lindas, onde você vai usar?

– E-eu não sei… Eu acho que vou usar para ir a escola, talvez…

– Não! Você tem que sair para se divertir!! – Aster falou em um tom um pouco mais alto. – Eu quero que você seja uma nova pessoa, Violette. Não sei quantos tempo temos, então, vamos aproveitar e transformá-la!

– Eu não quero ser uma nova pessoa… E-eu gosto de quem sou.

– Violette, você tem que mudar. – Aster parou para olhá-la e pegar algumas das sacolas de roupas. – Vamos começar com essa timidez! Temos que mudar isso!

– N-não é algo que posso desligar… – Violette respondeu. – E-eu.. eu… sou assim…

– Ouça bem, Violette! – Aster sentou-se em uma das cadeiras na praça de alimentação do shopping. – “Fale alto. Grite. Seja quem você quer ser e não deixe que te digam o contrário. Não tenha vergonha de si e nem de correr atrás dos seus sonhos. Tenha orgulho de si mesma.” Entendeu?

– Hã?

– Violette? Você me ouviu?

– E-e-eu me distraí… estava vendo aquele bonequinho do Ezarel ali na loja de brinquedos em frente a Vingir…

– Violette, me escute… – Aster respirou fundo. Não imaginava que as pessoas sentiam-se assim ao falar com ela. – O que você acha do mundo da moda? Eu sou estilista e desenho minhas coleções todos os anos. Sou muito famosa!

– A Rosalya gosta disso. Ela me pede para desenhar algumas roupas, mas não gosto disso…

– Violette, você tem talento, você precisa investir nisso! – Aster disse com empolgação. – Você tem que investir nisso. Precisa ganhar dinheiro, porque você tem pouco tempo! Não tenha medo de correr atrás do que quer e faça isso!

– Mas, você está falando pra eu fazer algo que eu não quero! – Violette estava um pouco assustada. – Diz pra que eu siga meus sonhos, mas me fala pra fazer o que não gosto…

– Pare de ser boba! – Aster bateu na mesa. – Entenda que você precisa mudar. Precisa ser melhor! Pare de bobagem!

Violette abraço a bolsa e encolheu-se na cadeira. – Tia… eu…

– Me dá isso! – Aster pegou a bolsa e o ursinho de pelúcia dela. – Você precisa mudar e crescer! Chega de bichinho de pelúcia! Vamos começar a agir como adultas!

– EU NÃO QUERO! Me devolve!!

– CHEGA DISSO! VOCÊ TEM QUE CRESCER!!

– Violette?

Ambas olharam para trás e disseram ao mesmo tempo: – Pai?

Era o senhor Armando. Ele ficou olhando para a filha e para a senhora junto dela. Ele parecia ter visto um fantasma na frente dele, mas, depois deu um sorriso simpático para ela.

– Violette? Me falaram que você tinha matado aula na escola? – Armando foi até a filha e passou o braço em volta dos ombros. – Me contaram que você saiu acompanhada.

– Eu-eu… eu vim no shopping com a tia Aster… Desculpe pai…

– A tia Aster? Ahh…  sem problemas. Faz tempo que não vejo a tia Aster. – Armando respondeu. – Querida, porque você não leva as coisas pro carro e eu vou conversar com a tia Aster.

Violette juntou as sacolas e pegou sua bolsa das mãos de Aster, mas antes de ir, ela deu um último abraço e despediu-se da sua nova tia. A Violette do futuro ficou ali alguns minutos em silêncio, enquanto Armando observava sua jovem filha afastando-se.

– Senhor Armando, eu… sinto muito e…

Armando levantou a mão para que ela parasse de falar.

– Eu não sei como e nem porque você está aqui… – Armando disse calmamente. – …mas eu vejo que você está muito bem, não é, Vio?

– Hã… o-oque?

– Eu reconheceria a minha filha mesmo que ela estivesse com cem anos! – Armando abriu os braços e abraçou Violette. – Você está tão linda. E eu que não achava que ia te ver assim…

– Pai…

Violette não aguentou e chorou ali mesmo. Abraçando o pai que não via há mais de 20 anos na linha do tempo dela. Armando continuava sussurrando no ouvido dela o quão linda ela estava enquanto acariciava o cabelo dela. Por uns minutos, Violette contou sobre sua vida e sobre o que tinha feito. Armando sentia o orgulho crescendo no peito.

– Você não está com medo? Quer dizer… eu tô aqui e…

– Você e o seu namorado têm muita imaginação com essa coisa de viagem no tempo e universos paralelos… – Armando deu de ombros. – Você me falou tanto disso que eu nem estranho mais.

– Pai… eu… eu tentei de tudo, mas não deu tempo… – Violette enxugou as lágrimas. – Eu vim pra me fazer uma pessoa melhor e conseguir mais tempo pra você e…

– Violette… Não tem como você ser melhor do que é! – Armando passou a mão pelo rosto dela. – Você é a melhor filha que eu poderia ter e… seja lá o que acontecer, mesmo que eu não me lembro aqui… – ele apontou para a cabeça. – …eu sempre me lembrarei aqui. – e apontou pro coração.

– Você já sabe?

– O médico me deu mais uns 10 anos antes de que eu esqueça tudo… mas tudo bem. – Armando puxou a filha para mais perto e a abraçou. – Mas tudo bem… Isso acontece.

– Pai… eu só queria ter você comigo por mais uns anos e… – Violette abraçou o pai com força e deitou a cabeça no ombro dele. – …me perdoe por não conseguir.

– Você é a melhor filha do mundo e… – ele segurou as mãos dela e apertou com força, quando percebeu que elas estavam cada vez mais translúcidas. – …e eu sempre vou te amar. Acho que tá na hora de você ir, não é?

– Ah… eu… vou desaparecer? – Violette ficou assustada ao ver suas mãos desaparecendo. – Eu vou… o que aconteceu?

– Bom, se eu me lembro, você mudou o seu passado, não? Então, isso mudou o seu futuro.

– Mas… mas… eu sou bem-sucedida… sou famosa e… e se eu estraguei tudo? E se eu errei? – ela começou a ficar assustada. – O que eu faço? O que eu farei se eu estraguei tudo… O que vão dizer?

– Seja quem você quer ser e não deixe que te digam o contrário. – Armando segurou Violette pelo rosto e lhe deu um beijo na testa. – Não tenha vergonha de si e nem de correr atrás dos seus sonhos. Tenha orgulho de si mesma. Como eu tenho de você.

                                                                                                   ***
Paris, França, 2023…

– Violette… senhorita… – Violette foi trazida de volta de seus pensamentos pela secretária. – A senhorita tem visitas…

– Visitas? Quem? – ela olhou em volta e os sofás da recepção estavam vazios. – E onde está essa visita?

– No seu escritório… – a moça sabia que tomaria uma bronca. Deixar alguém entrar no escritório da estilista chefe era um erro terrível, mas… – É a polícia.

– Polícia? – Violette olhou da garota para a porta e depois para ela novamente. – O que a polícia quer… ah, esqueça. Vou ver o que é! Não estou pra ninguém!

Apresada, Violette seguiu para seu escritório, pensando no que poderia ter feito para atrair a atenção da polícia. Não havia motivo para a polícia estar lá, exceto que…

– Aff… mas que droga… Você não poderia tentar assustar menos a minha secretária?

Era Dean. Dylan O’Connel. O amigo da época da escola e ex-namorado. Dean riu da cara de preocupação de Violette e foi até ela de braços abertos. Violette, feliz, mas com raiva, deu um soco no braço rapaz e logo depois um abraço apertado.

– Se eu contasse que era só um velho amigo, ela me deixaria entrar? – Dean manteve as mãos nos ombros de Violette e sorriu para ela. – Você tá ótima. O que é esse corre-corre todo?

– Semana de lançamento de coleção. E então ao que devo a visita da polícia? – Violette olhou para o rapaz de baixo a cima. – Aliás, vendo você com essa barba e esse cabelo eu é que quero fazer uma denúncia para a polícia da moda!

– Essa polícia não existe!

– Deveria!

– E esse atelier aqui? – Dean olhou em volta do escritório de Violette e o viu cercado de flores e plantas Eu sinto que estou no Clube de Jardinagem da Sweety Amoris… Daqui a pouco acho o Jade aqui.

– Eu tentei contratá-lo pra cuidar das minhas plantas, mas o Lysandre paga melhor! – Violette deu de ombros. – Mas, então a que devo a visita?

– Vim te trazer isso… – ele retirou um envelope do bolso do paletó. – E fazer um convite…

Ele tirou um convite de batismo e uma foto de sua filha recém nascida, Victória.

– Meu Deus! – Violette olhou para a foto com ternura. – É o joelhinho mais fofo que eu já vi!

– E eu quero que você seja a madrinha dela.

Violette parou de encarar a foto e passou a olhar para Dean com surpresa.

– Eu não posso… quer dizer… o que a Lety acha de você chamar a sua ex-namorada para ser a madrinha da sua filha?

– Ela adorou! – Dean deu de ombros. – Imagina ela chegando na escola e dizendo quem é a madrinha dela? “Minha madrinha é a maior pintora do país! Com quadros expostos no Louvre!”

Violette estranhou aquilo.

– Pintora? Eu… trabalho com moda!

– Sim, por enquanto! – Dean respondeu. – Não é o que você disse? Que está no ramo da moda só temporário? Que a sua vida é a pintura?

Ela não sabia o que dizer. Ao mesmo tempo que sua mente dizia “sim”, algo dentro dela estava dizendo “não”. Ela olhou em volta e percebeu que seu escritório era muito mais humilde do que se lembrava. Não haviam as fotos de coleções, revistas e prêmios. No lugar delas, em seu modesto escritório, estavam apenas quadros e mais quadros que ela, inconscientemente, sabia que pintou.

– Vio? O que houve?

– Nada! Acho que é o trabalho… – Violette respondeu sorrindo. – Eu apenas… acho que estou cansada de trabalhar. Não tenho mais a energia de 20 anos, sabe?

– Caramba… com 26 anos você já não tem mais energia? – Dean ficou surpreso. – O ramo da moda suga mesmo a vida das pessoas!

– 26 anos? Do que você está…

Foi quando ela percebeu que Aquele Dean de fios grisalhos não estava mais lá. Era um Dean jovem, com a lateral da cabeça raspada e uma barba bem cuidada. Ela sacou o celular (que estava na bolsa, embaixo de seu urso de pelúcia, algo que ela não lembrava que estava lá), abriu a câmera frontal e ficou surpresa ao se ver jovem. Ela esticou a pele do rosto, procurando os sinais de idade que não estavam mais lá. Olhou para fora do escritório pela janela e percebeu que não estava mais em Milão.

– Violette, você tá bem mesmo?

– D-Dean… eu preciso ir e… – Violette pegou a bolsa e foi correndo em direção a porta, mas parou e voltou a olhar para o rapaz. – …espera… eu tenho carro? Você sabe se eu tenho… Não importa. Pode me dar uma carona?

– Claro… – Dean levantou-se. – Pra onde?

***
Eles viajaram por algumas horas, com Dean seguindo as orientações de Violette. Foram para o interior do país, em direção a uma grande chácara. Era um local com muito verde, árvores e flores. Violette conhecia aquele lugar, embora não se lembrava de nunca ter ido pessoalmente. Ela só sabia que era lá que ela tinha de estar.

Quando chegaram, ela desceu do carro, com Dean logo atrás dela, sem entender nada. Ela passou pela recepção sem falar com ninguém, então, para que o segurança não a barrasse, Dean rapidamente mostrou o distintivo pedindo que abrissem passagem. Funcionou. A recepcionista pensou que alguém, em algum momento, explicaria para ela o que estava acontecendo.

Ela saiu em um grande gramado, um grande número de bancos e cadeiras de metal branco ao estilo rococó, alguns em locais cobertos pela sombra agravável das árvores, outros expostos ao sol e alguns próximos a uma fonte de água com carpas nadando tranquilamente. Haviam também vários idosos caminhando ao lado de cuidadores e enfermeiros.

Alguns faziam exercícios, outros estavam sentados conversando, outros liam livros e alguns dedicavam-se a um emocionando jogo de xadrez. Era um lugar muito tranquilo e calmo. Perfeito para que alguém pudesse descansar e se recuperar. Violette sorriu ao ver que aquele ambiente parecia perfeito.

Ela caminhou pelo gramado, sorrindo e acenando aos senhores e senhoras que encontrava pelo caminho, até um canto mais afastado, onde crescia um jardim de hortaliças e legumes que os próprios idosos cuidavam. E ali estava exatamente o que ela estava procurando. Usando um chapéu de palha de aba larga, com luvas sujas de terra, cuidando das pequenas flores roxas que cresciam ali. Violette aproximou-se dele, tocou o ombro de leve no ombro do senhor e sorriu.

– Oi, pai… Eu consegui exatamente o que eu sonhei!

Fim


Notas Finais


Se você quiser conhecer toda a história da Dee, você pode ler direto no fórum oficial do AD clicando no link:
https://www.amordoce.com/s2/forum/t31179,1-gl-iris-você-é-meu-amor-doce-parte-2-por-realdoido.htm#p6591739

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