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História Anteros - Capítulo 25


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Notas do Autor


Esta é uma sequência da fic Você é meu Amor Doce ao mesmo tempo que é um reboot!

Exatamente como o jogo Amor Doce – University Life.

Você leu a temporada anterior? Legal! Você estará bem mais inteirado dos acontecimentos da história!
Você não leu? Beleza também! Não será uma sequência direta e imediata dos acontecimentos anteriores, nem amarrado com eles e tudo que for necessário será explicado de forma rápida.

Exatamente como no jogo. Quem jogou o HSL sabe tudo o que acontece no UL, mas quem não jogou pode aproveitar a história do mesmo jeito!

Vai ser legal pra todo mundo, prometo!!

Capítulo 25 - Não Tão Diferentes


Seis Meses depois…

Dee passou um bom tempo na fisioterapia. Foram muitas horas de treino (tortura na opinião dela) com Kim até que ela estivesse 100% recuperada de todos os ferimentos a bala e contusões que sofreu. Estava quase próximo ao aniversário dela quando ela finalmente terminou todos os procedimentos médicos. A parte burocrática e jurídica envolvendo todo o problema com os criminosos ocupou uma boa parte do resto do tempo dela. A terceira e menor parte foi ocupada principalmente pela faculdade e trabalho no Cozy Bear.

– Vai atender o cliente lá na mesa, mocinha! – Clemence, a gerente do Cozy Bear, uma senhora de cerca de 40 anos com cabelos loiros, maquiagem carregada e usando roupas apertadas demais com uma estampa de onça, cutucou Dee e apontou para o lado de fora. – Vai logo… vai!

Dee pegou um bloquinho de anotações de pedidos, colocou o boné da lanchonete e foi atender o homem que estava sentado em uma das mesinhas. Dee respirou fundo, já fazia um tempo que estava afastada do trabalho (sem receber) então havia perdido a prática do atendimento, mas com um sorriso confiante, foi até o cliente.

– Bem-vindo ao Cozy Bear, gostaria de uma sugestão do cardápio?

– Claro… – o homem tirou os óculos escuros e encarou Dee. Ela não demorou para reconhecer Rayan Zaidi apesar de estar sem sua barba e com os cabelos bem curtos e pintados de loiro. – …talvez um copo de café para viagem. Não posso me demorar aqui, como você deve imaginar.

– A polícia está te procurando! E se eu gritar agora…

– eu sei que você não vai fazer isso. – Rayan continuou sentado tranquilamente em sua cadeira. – Você ouviu que tudo o que eu fiz foi pela minha esposa. Eu só queria pegar o desgraçado que tirou ela de mim. Me diga: o que você faria no meu lugar?

– Eu não sei…

– Sabe. Você sabe o que faria. Você sabe o que fez. – Rayan riu. – Você arriscou a sua vida e, talvez de forma indireta, matou muita gente pra salvar a Iris. Talvez você não se sinta culpada, talvez você pense que aqueles caras que mexiam com drogas mereciam morrer, mas no fim, você e eu… não foi tão diferente.

– Talvez, mas eu não destruí a vida das pessoas vendendo aquela porcaria… Acha que a Chloe ia gostar disso?

– A Chloe e eu estávamos quase nos separando… tentávamos conversar, mas, tudo estava ruindo cada vez mais rápido… eu achei que tinha acabado tudo. – Rayan pegou o celular e abriu a imagem de uma bela jovem de cabelos loiros e grandes olhos verdes. – Eu só soube do bebê quando a saiu o laudo médico do legista. Ela ia me contar no dia que aconteceu o crime… um bando de jovens, cheios daquela coisa na cabeça, atirando a esmo… Sabe quem me ajudou a superar tudo isso?

Didra não respondeu.

– Quem diria… você é a sobrinha da Agatha. Ela era nossa melhor amiga. – Rayan deu um sorriso melancólico. – Chloe adorava e admirava ela. E o Renan… ele nunca amou ninguém mais do que ele amou a Agatha. Ela era realmente uma fada. E hoje, vendo você, eu acho que ela fez bem em escolher cuidar de você em vez de se casar…

– E o que acontece agora?

– Agora, é você quem decide… – Rayan voltou a colocar os óculos. – Eu tive meu tempo para acertar as coisas após tudo o que aconteceu naquele galpão. Fui até Chloe e disse que ela pode descansar em paz afinal. Eu cometi muitos erros e estou pronto pra pagar por eles. Cumpri minha missão e estou tranquilo…

Dee encarou Rayan por alguns segundos e foi pra dentro do Cozy Bear. Rayan suspirou fundo e massageou a testa. Ele sabia. Mas, estava tudo bem. Ele sabia que o caminho que escolheu anos atrás o levaria, de uma forma ou de outra, para a cadeia ou para o túmulo. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde enfrentaria a lei e  agora, com Chloe vingada, ele estava em paz.

– São $2,50… – Dee colocou o copo de café para viagem na mesa em frente a ele.

Rayan ficou olhando para ela e para o copo sem entender.

– Também fiz muita coisa errada por quem eu amo e, no seu lugar, talvez eu fizesse o mesmo. – ela falou com um tom sério. – Acho que não somos realmente tão diferentes assim no fim. E talvez seja essa a pior coisa que possa me acontecer. Eu, você e a Debrah… talvez sejamos iguais mesmo. Um dia eu acho que minha punição por tudo isso chegará e a sua também. Mas não sou eu quem vai te julgar. Não sou eu quem deve fazer isso.

– Eu não sei quem é Debrah, mas… dado ao contexto da conversa, eu posso imaginar. – Rayan pegou o café e deixou o valor. – Então, eu posso ir?

– Eu não sou juiz. Não vou te julgar.

– Mande lembranças minhas para a Agatha.

Rayan virou-se e foi embora. Dee ficou olhando pra ele afastando-se, até virar a esquina. Hyun saiu do Cozy Bear e parou ao lado de Dee, sem entender bem o que havia acontecido.

– Aquele cara não era o Rayan? O que tá foragido?

– Não. Não é não! – Dee mentiu. – Aquele era só um cliente…

– Ele parecia o Rayan… – ele coçou a nuca confuso, mas no fim, deu de ombros. – a Clemence perguntou se você não viu o comprimido de laxante dela que estava em cima do balcão perto da cafeteira.

– Não… eu realmente não vi esse comprido. – ela deu um sorriso cínico pra ele. – E acho que nunca mais vou ver.

Hyun não entendeu bem o que aconteceu, mas era melhor deixar pra lá. O resto do dia passou sem maiores incidentes e os clientes que apareceram consumiram alguns cafés e cupcakes. Clemence conversou com um homem de terno e cabelo cheio de gel (ela teve a impressão que a gerente o chamou de Gustavo), falando sobre finanças do café. Quando o homem foi embora, ela chamou Dee até a porta da loja.

– Didra… – Clemence tirou uma chave do meio do decote dela e colocou na mão de Dee, antes mesmo dela conseguir reagir. – Já sabe, né? Feche a loja e não esquece de ligar o alarme! Hora do rodeio, querido!!

Então, Patrick, o assistente administrativo da Anteros, abriu a porta e segurou ela para que Clemence saísse. Ele olhou para Dee e disse em um tom de cumplicidade “hora do rodeio” e deu uma piscadinha. Então fechou a porta, deixando Dee no Cozy Bear. Quando ela finalmente voltou a si, deixou a chave cair no chão e pegou o frasco de álcool em gel, jogou uma quantidade generosa do produto na mão e esfregou.

– Eu não sei o que é pior. Ela ir em um rodeio com o assistente ou o que se passa na minha mente quando ela fala em “rodeio”!

– Bom, se estamos na França e não há lugares onde acontecem rodeios por aqui… – Huyn saiu da cozinha carregando uma bandeja de cupcakes e colocou sobre o balcão. – …só sobra a segunda opção.

– Ééééeccccaaaa…

Dee encarou Huyn com uma careta e jogou mais álcool em gel na mão e esfregou com mais força. Ela queria jogar álcool em gel na imaginação e limpar aquela imagem que se formou em sua mente, mas não dava. Hyun riu da cara dela. O sininho da porta tocou e Chani entrou no Cozy Bear, acompanhada de Melody, Ambre e Rosalya (com uma considerável barriga de grávida). Melody correu até Hyun e lhe deu um beijo leve. Eles estavam juntos desde o fim do incidente com os traficantes. Dee não pode deixar de notar o olhar triste de Ambre.

– Ele não fez contato com você, Ambre? – ela pensou um pouco que talvez pudesse ter perguntado a respeito do relacionamento com Ambre, mas, naquela hora, ela não pensou naquilo. – Não te ligou?

– Ele me usou para chegar no Nath. Ele colocou pessoas que estavam prontas para me atacar caso ele não colaborasse… – Ambre respondeu. – Não acho que tenha havido sequer um dia que ele realmente gostou de mim…

– Posso fazer uma simpatia que manterá esse tipo de gente longe de você, Ambre! – Chani sentou-se em uma das mesas do café e as outras garotas a seguiram. – Envolve florais, alguns óleos e pedras…

– A última vez que ela vez que ela me deu uma pedra da sorte foi muito útil, ein! – Didra acrescentou. – Mas depende um pouco da sua mira também…

– Se for como essa aí, acho que vou aceitar. – Ambre riu e pegou o cardápio. – Acho que vou tomar um café expresso. E talvez um desses cupcakes que estão tão cheirosos!

– E agora, estamos quase no fim do ano… Você pretende voltar pros Estados Unidos, Dee? – Rosalya também examinava o cardápio. – Ou o que você vai fazer?

– Não tenho interesse em voltar pra lá. Embora, às vezes, eu sinta falta dos amigos que fiz em Yale. – Dee tirou o avental e sentou-se com as meninas. – Acho que agora minha vida está toda aqui e não sei se conseguiria ficar longe da minha puguinha!

– Gostei de ouvir isso! – Rosalya respondeu sorrindo enquanto acariciava a barriga. – A Thia não vai poder ficar sem a titia dela!

– Todo mundo feliz, mas eu perdi o meu emprego que estava me ajudando a manter minhas mensalidades! – Melody sentou-se ao lado de Chani. – Quem diria que o professor estaria envolvido em tudo isso! Sem contar o reitor da Anteros! Isso foi um choque bem forte para a nossa faculdade.

– Porém com o professor Lebarde assumindo a reitoria tivemos um salto bem considerável na qualidade da escola. – Chani pegou seu suco e seu cupcake trazidos por Hyun para a mesa. – Nosso diploma ganhou um novo patamar agora. Talvez, tão bom quanto o de Yale!

– Fala isso pro meu pai! – Dee respondeu rindo, mas, de repente, ficou séria. – É sério, fala pra ele isso… Ele ficou o ano todo no meu pé. Fala mesmo!

O sino da porta tocou mais uma vez e Dean, carregando Victória no colo, Lety, Nathaniel, Kentin e Cookie, Armin, Castiel e Lysandre entraram. Pouco tempo depois Alexy e Morgan chegaram também. Dee não esperava aquela visita, mas adorou a coincidência de ver todas aquelas pessoas queridas ali reunidas. Ela correu e pegou Vic dos braços de Dean e a bebê logo se tornou a atração principal do café.

Tímida, ela se encolhia e escondia o rosto no ombro da tia. Alexy tirou de uma sacola uma blusinha escrita “amo meu titio” e deu uma pra Lety e uma pra Rosalya. Ele já estava se candidatando a vaga de padrinho pra qualquer uma das crianças que estivessem precisando de um. Com todo aquele pessoal ali reunido, Huyn foi até a porta e virou a placa de “aberta” pra “fechada”.

– Acho que tá todo mundo aqui, não? – Huyn virou-se para todos ali na sala. – Quer dizer, faltou a moça que disse que estaria de plantão hoje e não poderia vir.

– O que tá acontecendo? – Dee finalmente percebeu que todo mundo ali não era pura coincidência. – Huyn, o que você tá fazendo… Aliás, agora que eu me ligue. Lysandre, não era pra você estar na sua fazenda, não? Kentin! Não pode entrar com o Cookie e… Minha nossa, se a Clemence chegar aqui…

– Dee, calma! – respondeu Rosalya. – A gente está aqui pra comemorar a nossa formatura… Que em breve, cada um seguirá aí uma carreira e eu espero que continuemos juntos, em reuniões como essa, por vários anos!

– Também temos que comemorar a condicional do Nath! – Ambre abraçou o irmão e ele passou o braço pelo ombro dele. – Não sei como você fez, mas muito obrigada!

– Vou ter que ficar mais um tempo na faculdade e consegui arrumar um jeito de dividir um quarto com alguém lá. – Nathaniel disse. – Mas, é melhor dividir o quarto com um nerd do curso de História da Arte do que com um presidiário!

– E por último… – Dean acenou e Huyn e Melody vieram da cozinha com um bolo confeitado e com velas acessas. – Nós vamos adiantar o seu aniversário! Não sabemos o que mais pode acontecer nesse mês, é melhor a gente comemorar as coisas antes que você tome outro tiro e… ai… – Lety deu um cutucão nas costelas de Dean com o cotovelo.

– Gente… nem sei o que dizer, exceto… quem vai pagar por todo esse refrigerante que tiramos da dispensa?

– Já tá tudo certo, deixa comigo… – Castiel respondeu rindo. – Fica sendo o meu presente!

– É a primeira vez que ganho celulite e estria de presente! As outras eram todas eu mesmo que arrumava!

– Nem fala nisso… – Lety acariciou a própria coxa. – Eu estou parecendo o mapa das estradas do país! Não acho que me livrarei disso aqui nunca!

– Não sei o que dizer, gente. – Dee foi até o bolo e pegou a faca. – Obrigada por isso… Eu não sei o que falar, só agradecer a todo mundo que tá aqui… Meus antigos amigos… – ela acenou para o pessoal da Sweety Amoris. – …e os novos… – e então acenou para os amigos da Anteros. – …e também, os meus mais novíssimos amigos de todo o mundo… – ela pegou Vic e deu um beijo na bochecha dela e depois abaixou para que ela pudesse estender a mãozinha e pegar a orelha de Cookie, que só ficou olhando para aquela coisinha tão pequena. – …que me ajudaram e me apoiaram. E também é claro…

Sem aviso, o sininho da porta do Cozy Bear tocou e todos olharam para a porta, um pouco assustados, Dee e Hyun tremeram achando que poderia ser a dona do lugar de volta, mas, com um olhar de surpresa era Yeleen!

– Nossa, que surpresa… Não achei que vocês iam chamar ela… – Dee, confusa, mas aliviada por não ser a Clemence olhou para os amigos. – …e pela cara de vocês, vocês não chamaram, né?

– Eu vim por mim mesma! – Yeleen respondeu com sua usual atitude. Contudo, isso era a úncia coisa que estava usual nela, mas todo resto estava bem diferente. – Eu vim por eles dois! Castiel e Lysandre! Quando soube que estavam aqui, precisei vir vê-los pessoalmente!!

Yeleen estava mais magra, com as maças do rosto bem marcadas e a pele pálida. O cabelo, antes volumosos e brilhante, estava bem bagunçado e desleixado. As roupas estavam amarrotadas e sujas. Além disso, ela estava cheirando mal. Algo que Castiel e Lysandre, as pessoas que ela veio ver, perceberam bem rápido.

– Desculpe, mas estamos fechados… – Hyun tentou uma abordagem mais diplomática. – Terá que voltar outra hora se…

– Eu não quero nada daqui! Eu vim ver eles! – Yeleen respondeu. – Castiel e Lysandre. Membros originais do Crownstorm! Eu amo suas músicas. Vocês são os maiores são…

– Menina, você tá fedendo! – Castiel berrou. – Eu achei que era a fralda da bebê, mas é você mesmo!

O sorriso de fã de Yeleen morreu na hora. Castiel afastou-se dela abanando o nariz. Lysandre, um pouco mais discreto, apenas deu um passo pra trás. Letty, discretamente, chegou a fralda de Vic. Estava ok. Era Yeleen mesmo. A garota não sabia nem o que responder, então, antes que ela abrisse a boca e o mal hálito dela atingisse as narinas do ruivo, ele continuou.

– Você é uma daquelas drogadinhas da faculdade, né? Pelo amor de Deus, os quartos têm chuveiro! Vai tomar um banho e para com essa porcaria!

– Desculpe, mas já atendi fãs suados depois de 12 horas de show que estavam mais apresentáveis que você. – Lysandre comentou. – Por favor, se realmente admita o nosso trabalho, nos faça um favor e retire-se.

– E de boca fechada que é pra não estragar o papel de parede! – Castiel virou as costas. – Argh… eu vou enfiar o meu nariz na bunda do cachorro pra ver se paro de sentir esse fedor.

– Hum? – Cookie levantou as orelhas e inclinou de leve a cabeça.

– Desculpa! – Castiel respondeu pra ele. – Não foi por mal!

Yeleen continuava parada, sem reação. Ela olhou para o lado esquerdo e deu de cara com um espelho pendurado na parede do Cozy Bear e viu que Castiel tinha razão. Ela estava um lixo. E era um lixo na frente de seu maior ídolo. Como ela poderia censurar Castiel por dizer aquelas coisas para ela. Era tudo verdade. Segurando a vontade de chorar, Yeleen virou-se e foi em direção a porta do Cozy Bear murmurando um pedido de desculpas a todos.

Ela atravessou a rua rapidamente e foi em direção a lanchonete da passagem, encostou-se na parede onde estavam os sacos de lixo esperando para serem recolhidos. Se ficasse ali, provavelmente seria levada junto, então ela voltou a caminhar em direção a Anteros.

– Yeleen!

Ela parou, sem se virar. Sem olhar para trás.

– Veio dar risada de mim? Meus ídolos me acham uma porca! Está feliz? – Yeleen disse. – Cadê o seu sotaque americano? Vai agora mostrar o quão boa você é em que língua? Minha mãe adora quem fala russo também!

– Yeleen eu nunca quis competir em nada com você! – Dee aproximou-se dela, mas o cheiro forte a fez dar um passo pra trás. – E muito menos que eu queria roubar a atenção da sua mãe… E se aconteceu, me desculpa!

– Você não queria competir, mas, mesmo assim, ganhou! Melhores notas, mesmo sem frequentar as aulas direito! Conhece o Castiel e o Lysandre. Tem uma namorada que gosta de você! Acabou com um cartel de drogas, ganhou uma medalha do prefeito da cidade! E seus pais devem gostar de você também, aposto…

– No momento, minha mãe está mais apegada a neta dela, mas… é! Ela gosta.

– Bom, a minha não! A minha só soube projetar em mim todas as expectativas dela e dizer o quanto eu sou fracassada cada vez que não atendo essas expectativas! Ela me faz sentir-me… um lixo…

– Você não é…

– Agora eu sou! Ela conseguiu! – Yeleen abriu os braços de forma teatral e olhou para cima. – Eu sou um lixo! Ela conseguiu fazer o que ela queria! Ou me transformar numa versão menor dela ou em um lixo que não serve para nada pois apenas o modo de vida escolhido a dedo por Sybelle Richeleu servia para mim…

– Yeleen…

– Desde de pequena! “Mamãe… quero fazer natação!” – ela colocou as mãos na cintura e engrossou a voz. – “Nada disso. Você deverá fazer balé!”. E depois… “Mamãe, quero estudar música!” e ela me dizia “Claro. Matricularei você na aula de piano clássico! O quê? Achou que tocaria essas guitarras elétricas? Nem sobre meu cadáver!” e aí “Yeleen, não pode faltar nas aulas de etiqueta apenas por causa de uma festa de meninas. Pene no seu futuro!” Bom, esse é o meu futuro! Aqui estou eu! Com todo o piano, etiqueta e balé…

– Então… agora você não deve mais nada pra ela.

Ela abaixou os braços e olhou para Dee.

– Se você diz que ela conseguiu o que queria de você, então, você cumpriu seu papel. – Didra respondeu ao olhar de interrogação dela. – Agora, você pode ser você. Pode fazer o que quiser…

– Tá brincando, né? – Yeleen disse com um sorriso cínico. – Eu não sou nada sem o dinheiro dela… Eu não posso pagar pela faculdade. Ela tem todos os contatos importantes do mundo da arte. O que eu faço sem tudo isso?

– O que você quiser.

Aquelas palavras demoliram o mundo de Yeleen. Tudo o que ela construiu desde pequena. Tudo o que ela conquistou. Tudo o que ela tinha, com aquelas palavras, desmoronou e ruiu, caindo como um prédio que implodia e sobrava apenas as pedras e a poeira. Yeleen estava completamente vazia por dentro. Era uma tela em branco e… pela primeira vez em muitos anos… ela se sentiu livre.

– He… tem razão. Eu posso fazer tudo isso por mim… – ela se sentia livre e leve. Via um mundo diferente, mais brilhante e inexplorado. – Quem precisa dos milhares de contatos de Sybelle Richeleu? Quem precisa do dinheiro dela? Eu posso trabalhar! Eu posso fazer o que eu quiser! Posso ir pra onde eu quiser…

– Pode parar de usar aquela porcaria?

– Claro… até porque você mandou o meu vendedor pra cadeia e acabou com toda a fábrica dela. – Yeleen disse. – Eu acho que agora vou ter que parar. Aliás, obrigada por isso também…

– Você não conta pra sua mãe que eu acabei com uma operação de tráfico de drogas e tá tudo certo. – Dee deu de ombros. – Se não, ela vai começar a te cobrar que você desbanque alguma máfia por aí.

– Verdade. – ela colocou as mãos nos bolsos do casaco. – Bom, eu vou pra Anteros… Tomar um banho e trazer as minhas roupas pra lavar – ela olhou para a lavanderia que tinha naquela passagem. – Ver qual está menos suja… O quarto tá bem mais vazio do que o que eu achava que ia ficar… sem você e… sem as coisas que eu vendi pra comprar drogas… Se você quiser, uma hora, aparece por lá… pra um café. Acho que ainda não vendi a minha cafeteira instantânea…

– Na verdade aquela cafeteira era minha, eu que levei pro nosso quarto, mas… – Dee respondeu. – …você pode usar! E… se quiser… você pode aparecer lá no Cozy Bear e comer bolo! Estão comemorando o meu aniversario, sabe?

– É o seu aniversário?

– Daqui uns dias, mas sei lá… Estão apostando que eu talvez tome mais uns tiros e não sobreviva até o dia certo, então, resolveram adiantar a comemoração!

– Entendi… Acho que vou passar. Não tô a fim de ver o Castiel me julgando. Foi bem… cruel, sabe?

– Não sei o Castiel, mas tenho certeza que consigo convencer o Lysandre a ter dar um autógrafo! – Didra respondeu. – Mas, só por precaução, leve o seu próprio papel e caneta, porque se depender do bloco de notas dele… aliás, olha ele aqui! – Didra abaixou-se e pegou um caderninho com capa de couro que estava caído no chão. – Velhos hábitos não mudam!

Yeleen acenou positivamente com a cabeça e sorriu. Ela abriu os braços para abraçar Dee, mas ela se afastou um pouco com as mãos na frente do corpo, na defensiva. Yeleen entendeu o recado e recuou um pouco envergonhada, indo em direção a Anteros. Algum tempo depois, ela estava junto com todos no Cozy Bear, conversando e rindo com seus ídolos e novos amigos.

– Peraí… eu tenho mais uma surpresa aqui. – Armin tirou da mochila um notebook e abriu sobre a mesa. – …foi mais difícil entender eles do que conseguir encontrá-los, mas, Dee… olha quem eu chamei pro seu aniversário.

Ele apertou um botão e a tela do computador acendeu revelando suas amigas de Yale. As moças americanas estavam segurando copos de bebida e usando chapeuzinhos de festa. Elas berraram um “hi french people...” e acenaram freneticamente. Dee colocou-se em frente as câmeras e acenou para todos responderem um “bonjour le filles américain” com o sotaque mais carregado que eles poderiam fazer.

Dee apresentou cada um dos amigos pela webcam e, para a surpresa de todos, algumas delas conheciam Castiel e pediram que ele cantasse alguma coisa. A conversa continuou animada, até que o ex-namorado de Dee, Rickie, apareceu em outra janela. Dee passou as mãos pelos cabelos e acenou para o rapaz.

– Hi, french girl! – Rickie disse com aquele sorriso cínico que lembrava bastante o de Dake. – Happy birthday!!

– You know is not my birthday! Is just a party! – Dee revirou os olhos. Ele nunca lembrava. – But, where is my gift anyway?

– Oh… you want your gift? – ele levantou-se da sua cadeira e afastou-se um pouco da câmera, para que pudesse ser visto da cintura pra baixo. – I have your gift right where…

– W-wait… Rickie… i not alone here… – Dee começou a mexer no notebook, tentando fechar a janela, minimizá-la ou tapar a tela dele de qualquer forma, mas não estava conseguindo. – Rickie… no… wait… NO…

– AAAAAAAARRRRRGGGGGGGGHHHHHHHHHHHHHHHHHH…

O quarteirão do Cozy Bear escutou os gritos vindos da cafeteira. E quando todos pararam de berrar, Chani finalmente conseguiu dizer alguma coisa.

– Dee, você namorava um judeu?

***

O dia da cerimônia de formatura chegou e foi bastante emocionante para todos. Lúcia ficou com Victória no colo a maior parte do tempo, quase deixando Lety com ciúmes, mas, ficava aliviada de não ter que manter a menina nos braços o tempo todo, pois ela crescia rápido e estava ficando cada vez mais pesada. Uma noite de folga foi bem reconfortante.

Phillipe teve a oportunidade de conversar com o reitor Lebarde e mudou um pouco sua opinião sobre a Anteros, passando a dar mais crédito a faculdade. Dean pensou que estava na hora de destrancar sua matrícula e voltar a estudar para terminar o seu curso de direito. Lety também aprovou a ideia e, com o apoio de Lúcia e Phillipe, ela mesma poderia voltar a estudar e concluir sua graduação em cinema.

Ambre terminou seu curso e, a parte da carreira, resolveu que ficaria mais um tempo na cidade, para acompanhar Nathaniel e garantir que ele não se envolvesse mais em nenhum problema. Com a ajuda de Dean e Armin, ele se inscreveu em um programa de treinamento da polícia para, no futuro, ingressar na carreira de detetive. Ambre não gostou muito, mas, dessa vez, pelo menos, ele estava do “lado certo.”

Chani conseguiu um emprego como assistente do reitor Lebarde e adorou a possibilidade de trabalhar com a sua tão amada História da Arte Medieval. Castiel, sua formatura foi um show a parte, pois as fãs do Crowstorm invadiram o campus da Anteros para assistir a entrega do diploma do cantor. Hyun foi o próximo a subir no palco e receber seu diploma. Ele acenou para sua família e suas várias irmãs que estavam lá, junto de Melody, que recebeu o diploma e honrarias da faculdade por suas notas perfeitas.

Alexy e Morgan subiram ao palco de mãos dadas e receberam seus diplomas e festejaram com um beijo apaixonado na frente de toda a faculdade. Yeleen também conquistou seu diploma, em Arqueologia. Ela conseguiu mudar a matrícula e aproveitar disciplinas e ficou orgulhosa de si mesma por isso. Sua mãe, claro, não aprovou aquilo e não compareceu a formatura.

Lysandre, Armin e Kentin também estavam presentes, apoiando os amigos e assistindo a tudo. Até Leigh fechou a loja mais cedo para acompanhar Rosa.

Quando tudo parecia bem e que a noite terminaria em uma grande festa no Snake Room onde os alunos esgotariam o estoque de tequila deles ao som de Crownstorm… uma microfonia ensurdecedora tomou conta do lugar e, sem nenhum aviso, uma senhora de longas mechas rosadas vestida como fada entrou no palco e foi até o centro.

– Nossa… Que festa linda aqui! – A tia Agatha olhou para os alunos. – O que é? Fez a fantasia? Mas, tá todo mundo vestido igual?

Os professores da faculdade trocaram olhares confusos, sem entender oque estava acontecendo. Aquilo era programado? Como aquela mulher chegou ali. Alguns alunos riram e outros ficaram irritados, pois não acharam graça na “piada” da faculdade. Lúcia viu a irmã no palco e entregou abebê para Lety, discretamente tentando chegar até lá, antes que alguma coisa ruim acontecesse.

– Aquela não é a sua tia, Dee? – Melody espremeu os olhos para enxergar no palco e ter certeza. – É… ela mesma, não?

– Ai minha nossa… – Didra escondeu o rosto entre as mãos. – …bom, pelo menos eu vou ganhar alguma coisa…

– Gente, com licença… eu preciso falar com a minha sobrinha… ela tá aí? – Agatha continuou procurando em meio a multidão. – Ahhh… olha ela ali. Didra!! Dee, querida! Eu precisava falar urgentemente com você!! É sobre a Iris…

Aquilo chamou a atenção de Dee e do resto dos colegas da Sweety Amoris. Alguma coisa tinha acontecido com Iris? É verdade que faz um tempo que elas não se viam direito, pois ela estava sempre ocupada com os plantões e… finalmente Dee entendeu que aquilo devia ser alguma forma de despistá-la. Didra levantou-se e tentou chegar até o palco, mas Agatha acenou para que ela parasse ali mesmo.

– Querida, você tem que correr. Levaram ela! – Agatha falou ao microfone e o coração de Dee parou de bater por um segundo com o susto. – Ela vai se casar em uma hora! Se você não correr não vai conseguir alcançá-la!!

Dee não sabia o que fazer. Ela precisava chegar a algum lugar em duas horas. Mas onde? E como? Depois de tudo o que aconteceu, ela não tinha conseguido resolver o problema da senhora Isabella. Na verdade, ela tinha esquecido daquilo.

– Tia? Me diz que você tem um presente que ai me ajudar a resolver isso! – Didra respondeu. – Me diz que você tem alguma coisa aí que vai me ajudar… Suas asas, sei lá!!

– Eu não sei se posso ajudá-la, mas acho que seus amigos podem… – Agatha deu um sorriso confiante para ela. – Acho que você só precisa saber a quem pedir.

– Didra… – Armin chegou com seu notebook aberto enquanto ele teclava alguma coisa. – Ela está em Paris. Consegui rastrear o telefone dela! Ela vai se casar na Place des Vosges… Qualquer caminho que tomarmos daqui vai demorar cerca de três horas para chegarmos lá…

Dee pegou o telefone e discou rapidamente.

– Oi… obrigada, mas a minha formatura não é importante agora! – Didra falava com alguém no telefone. – Eu preciso de um último favor! Um helicóptero ou um jatinho que me leve a Paris o mais rápido possível! Tem um??? No aeroporto? Decolando em 20 minutos?? Ai minha nossa! Vai ter que servir!! Obrigada!

– Não vai conseguir chegar no aeroporto em 20 minutos, filha… – Lúcia disse. Ela queria pedir para a filha desistir, mas por outro lado. – Será que depois vocês não…

Vrrruuummmm…. Rrrrrr….Blam!!

– Chegamos sim!! – Chani colocou a cabeça para fora da porta do motorista de um carro preto da polícia após atropelar umas cadeiras que estavam no campus. Por sorte, a confusão causada por Agatha fez com que todos se levantassem e se dispersassem. – Peguei seu carro emprestado, Dean!!

– CARAMBA, CHANI!! – Dean correu até o carro e abriu a porta do motorista para ela sair. – que ideia excelente!! – Dean ligou a sirene e o barulho e as luzes tomaram conta do lugar. – Vamos logo!! Temos um helicóptero para pegar!!

– Precisamos de mais tempo!! Precisamos atrasar a cerimônia! – Didra correu até o carro da polícia. – O que podemos…

– Deixa comigo. – Castiel foi até ela e tirou o celular do bolso, abriu seu Instagram e ligou a câmera. – Atenção todas as fãs do Crownstorm em Paris… Em 30 minutos estarei ao vivo na Place des Vosges e quero ver todo mundo lá!! Show relâmpago e surpresa!! Hoje a noite, em 30 minutos, na Place des Vosges! QUERO VER TODO MUNDO LÁ!! – ele desligou o telefone e entrou no carro. – O que estão esperando? Não posso decepcionar minhas fãs!

– Espera senhorita… – do alto do palco, o professor Lebarde gritou. – …o seu diploma! Você não pode ir sem ele!!

Agatha pegou o diploma da mão de Lebarde e jogou para Dee. Ela pegou o canudo no ar e entrou no carro, com Chani, Dean, Lysandre e Castiel que saíram em disparada com as luzes do giroflex piscando insanamente. Armin, Kentin, Nathaniel e Alexy correram para o carro de Rosalya que saiu correndo logo atrás da viatura. Hyun, Melody, Ambre e Yeleen foram no último carro junto com Morgan e Lety, que deixou a bebê com a senhora Lúcia.

Os formandos do grupo de Didra jogaram seus chapéus para fora pelas janelas dos carros e os outros alunos da Anteros, aqueles que haviam ou não pego seus canudos, imitaram o gesto e a festa terminou com uma chuva de chapéus no ar enquanto os carros corriam atrás de uma viatura que abria o caminho para eles com suas luzes piscantes e o barulho de sua sirene.

Dee só esperava que tudo isso não fosse em vão.

Continua…


Notas Finais


Se você quiser conhecer toda a história da Dee, você pode ler direto no fórum oficial do AD clicando no link:
https://www.amordoce.com/s2/forum/t31179,1-gl-iris-você-é-meu-amor-doce-parte-2-por-realdoido.htm#p6591739

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