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História Anteros - Capítulo 9


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Notas do Autor


Notas do Autor

Esta é uma sequência da fic Você é meu Amor Doce ao mesmo tempo que é um reboot!

Exatamente como o jogo Amor Doce – University Life.

Você leu a temporada anterior? Legal! Você estará bem mais inteirado dos acontecimentos da história!
Você não leu? Beleza também! Não será uma sequência direta e imediata dos acontecimentos anteriores, nem amarrado com eles e tudo que for necessário será explicado de forma rápida.

Exatamente como no jogo. Quem jogou o HSL sabe tudo o que acontece no UL, mas quem não jogou pode aproveitar a história do mesmo jeito!

Vai ser legal pra todo mundo, prometo!!

Capítulo 9 - Frango, Cream Cheese e Ódio


 

Iris acabou sua aula com relativa tranquilidade. A noite tinha um grande compromisso e por isso teve que recusar o tentador convite para uma noite de muita paz, Netflix e talvez um vinhozinho tinto com uma massa caseira. Depois da semana de estudos e trabalho no hospital, era tudo oque mais queria, porém, o dever a chamava.

Quando o professor dispensou a turma, ela pegou a mão do rapaz de cabelos loiros até a altura do ombro e desceu as escadas do auditório em direção a porta. Ele tinha o seu trabalho a fazer e não poderia ficar com ela por mais tempo. Na entrada do auditório, antes de se despedirem, ela o puxou para mais perto e lhe deu um beijo que terminou em uma mordida no lábio inferior.

Depois separaram-se e ela retirou seu jaleco branco de estudos, dobrou e o colocou sobre a bolsa, caminhando tranquilamente em direção a seu armário. Passou por algumas colegas de sala que lhe deram risinhos e soltaram piadinhas. Iris riu e as chamou de invejosas. Então, abriu o armário e organizou tudo dentro dele. Estava tudo bem e enquanto fechava a porta com calma…

*BLÁM*

– Puta que pariu!! Que susto!! – Iris pulou para trás e colocou a mão no peito. – Você tá maluca??

– Who’s that? – Dee ainda mantinha a mão na porta do armário, como se tentasse barrar a passagem de Iris. – Who’s that guy?

– Oi?

– Quem ser aquele cara?

– Ah… é o Raphael!

– Ele não parecer um tartaruga ninja to me!

– Quê? Ah… entendi! Ele não é uma tartaruga! É o enfermeiro aqui da Anteros! Ele que cuidou de você após a sua… – ela desenhou aspas no ar. – …“encenação contra as drogas”!

– E ele é dentist too? Estava fazendo algum tipo de exame com a língua?

– Você está sendo infantil… – Iris passou por ela e foi andando em direção a saída do prédio. – Não tenho que responder isso para você! Com licença.

– Quem é ele para você? – Didra cruzou os braços e seguiu a ruiva. – Não me diga “classmate”, porque eu não me lembro de nenhum momento em que você beijava os colegas desse jeito.

– Desculpa… mas eu me lembro que a gente não tem mais nada faz uns quatro anos, então, acho que não tenho que dar satisfações aqui! – Iris virou-se para encarar Dee que continuava um pouco mais alta do que ela, apesar de tanto tempo. – Ou eu ficava te perguntando sobre caras ou garotas com quem você dormia nos Estados Unidos!

– Oh… is that? Então, já sei que você dormir com ele! Por quê? Estava na enfermaria e ele precisar de uma banho também?

Iris não pensou antes de dar um tapa no rosto de Dee que fez os óculos dela ir parar do outro lado do corredor. Se Iris estava chorando ou só com muita raiva, Dee não conseguiu ver por causa de sua miopia. O corredor todo parou para olhar o que estava acontecendo ali.

– Se é mesmo que você quer saber… Ele é o meu noivo! – Iris respondeu. – E se você quer mesmo saber, eu contei para ele sobre você, sobre aquela tarde no hospital e sobre tudo. E ele não se importa com isso, porque ele sabe o quão você já foi especial para mim… Agora, isso não te dá direito de exigir nada, tá legal?

– Y-you has a fiance…? – Didra estava mais chocada com a revelação do que com o tapa. – Você ter um noivo?

– Sim! Eu tenho um noivo! – Iris rebateu. – E sabe o motivo? Porque um dia eu tinha que crescer e parar de achar que o mundo mudaria só porque eu quero. Estávamos na escola, seguras, com professores que cuidavam de nós… Agora, o que vamos fazer nesse mundo aqui fora? Esperar que algum maluco bata na gente na rua? Não posso mais ficar me arriscando assim, não dá mais…

– Sempre falamos que enfrentaríamos isso…

– Você quase morreu outro dia! Você não é a prova de balas, percebeu? Tenho certeza que não é a prova de socos ou de garrafadas também! – Iris levantou a voz um tom, um misto de raiva e choro. – Vai enfrentar o que e como? Acha que eu quero te ver naquele hospital? Ou que eu quero parar em um hospital porque algum babaca achou que nós duas juntas era um desperdício?

– Sempre ficamos juntas e nothing happening… nada acontecer. – Didra respondeu também já com a voz abalada. – Tudo o que você me falar então… ser mentiras?

– Eu só tenho que fazer isso, Dee. – Iris respondeu, limpando o rosto com as mãos e respirando fundo. – No fundo, meu pai tava certo. Eu preciso… sei lá… construir uma família e olha… o Raphael é um cara muito legal… ele é respeitoso e a família dele é bem estruturada.

– Is this? Money?

– Dee… Não é só dinheiro. Mas, eu arrumei um monte de dívidas. E ele vai me ajudar a sair dessa. Além disso, ele me ajudou a conseguir essa residência no hospital. Eu preciso disso pra pagar um quarto aqui no campus. Você não entenderia…

– B-but… that day… no hospital…

– Didra… ele é “ace”…

– Saúde!

– Não! Eu quis dizer… – Iris olhou para os lados, como se procurasse alguém que estivesse perto para ouvir a conversa indevidamente. – …ele é assexual. Quer dizer, eu e ele… a gente não… você sabe…

– And i look like a toy? – Didra ficou um pouco chocada com a revelação. – Eu só fui um… “alívio”?

– Dee… eu gosto muito de você, mas não dá mais… – Iris não sabia se tocava o ombro dela ou se mantinha distância. – Olha… eu tenho que ir, porque tenho que fazer algo importante hoje a noite… Se você ainda quiser conversar, talvez hoje a gente possa se ver lá no Snake Room.

– I think i'm not in the mood…

– Oi? O que?

– E-eu achar que não estar a fim…

– Hoje é o show do Crowstorm. Se mudar de ideia, seu nome estará na lista, ok? – Iris tentou dar um sorriso para animá-la. – Além disso, tem algumas pessoas que vão querer ver você depois de tanto tempo. Até mais…

Iris foi embora. Deixou Dee no corredor encarando as costas da garota. A visão embaçada começou a dar dor de cabeça a ela, então, olhou para os lados e começou a procurar seus óculos. Então, alguém bateu no ombro dela e ela virou-se para ver quem era. Era uma menina desconhecida, de beleza mediana, com cabelos pretos encaracolados e olhos castanhos.

– Oi! Eu acho que isso é seu…

Dee pegou os óculos e checou se não estavam quebrados. Colocou eles no rosto, estavam tortos e a lente parecia ter saído do lugar. Ela teria de levá-los a uma loja para consertar. Então, sem saída, agradeceu a moça, mas, antes de ir, ela tocou o ombro de Dee e a encarou com um olhar malicioso enquanto mordia o lábio inferior.

– Eu sou vizinha da Melody e eu ouvi vocês… – então ela entregou um papel para Dee. – …me liga quando puder, tá?

Ela deu uma piscadinha para Didra e saiu andando. Dee olhou para a moça e para o papel, pensou em falar algo, mas, deixou para lá. Era melhor ela ir de volta para o quarto dela. Enquanto isso, Iris desceu correndo as escadas que ligavam o prédio com o campus e correu para trás de uma lixeira de recicláveis e ficou escondida, esperando ver Didra sair e ir embora. Então suas pernas bambearam e ela caiu sentada, deslizando as costas no plástico endurecido e cobriu o rosto com as mãos.

Após o show, teria de terminar com isso de uma vez.

***


O segundo período de aulas, com o Professor Rayan, arrastou-se por horas. Apesar da aula excelente, Dee não estava com cabeça para a “poesia que havia nos quadros renascentistas” e tudo mais. Ela só queria sair da aula e tentar espairecer um pouco. Precisava refletir o que havia acabado de acontecer. Chani ainda tentou animá-la para prestar mais atenção na aula, mas sem sucesso.

– Senhorita O’Connel… – Rayan olhou para o fundo do auditório e sentou-se na mesa. – Espero que a aula não esteja tão tediosa que os óculos escuros sejam uma artimanha para dormir na aula…

Dee revirou rapidamente a bolsa e levantou os óculos de grau para que o professor os visse.

– My glasses are broken… – ela os colou de volta na bolsa. – Esses são os únicos com grau certo que tenho para usar enquanto não conserto eles.

– Entendi. Vou começar a apresentação de slides então. – Rayan riu um pouco da situação. – E aos que dormirem, boa noite. Mas, vou cobrar um relatório depois.

Após a apresentação dos slides de Rayan, Didra colocou os livros rapidamente na bolsa e a jogou sobre os ombros e foi em direção a saída, passando rapidamente por entre os colegas e foi para o corredor, mas, antes de sair, foi barrada por Rosalya. Dee não parecia feliz ao ver a garota e Rosa percebeu.

– E-ei… espera! O que aconteceu?

– Eu achar que você saber muito bem o que acontecer.

– Se é pelo Sebastian, desculpe! Foi ideia do Alexy e eu falei para ele não fazer!

– Mas você mandar Melody or not?

– Ouvi dizer que vocês duas se deram muito bem no final da noite. – Rosa riu um pouco, mas ao ver que Dee manteve-se séria, parou com a tentativa de ser simpática. – Olha, isso é tudo porque a gente se preocupa com você…

– What’s happening? O que acontecer? If you really care about me… se realmente preocupar, então me dizer: Por que vocês afastar-se de Iris?

– Ela já te falou sobre o Raphael?

– I see for myself… – Dee ficou um pouco constrangida. – Eu ver eles. Por que não me contar isso antes?

– Você acreditaria?

– Maybe not… I just… eu vou até a academia de Kim… i need…

– Minha nossa! Eu não acredito!! – uma voz alegre as interrompeu. – Eu já tinha ouvido, mas eu não acredito…

Uma garota de longos cabelos loiros e olhos verdes usando roupas brancas com detalhes em vermelho aproximou-se de Dee e Rosa com os braços bem abertos. Didra estranhou um pouco o quão magra era a moça e, um tempo depois, ela reconheceu a moça.

– Ambre? Is that you? – Dee recebeu o abraço da garota e retribuiu o afeto. – Você… estar aqui na cidade também?

Ao contrário do que muita gente imaginava, Didra e Ambre se tornaram boas amigas no último ano da escola. Não que elas não tivessem suas desavenças no começo, principalmente enquanto Ambre ainda via Dee como uma potencial rival pela atenção de Castiel, mas, depois que ela começou a se relacionar com Iris, a loira percebeu que não havia porque a briga pelo bad boy ruivo.

Claro, o último ano não foi tão tranquilo como deveria, principalmente por causa das ações de Charlotte (que se aliou a Debrah em seu plano de vingança) e isso também afetou a relação de ambas. No fim de tudo, apesar das coisas terríveis feitas pela colega, Ambre perdoou Charlotte e terminaram o ano em relativa paz.

– Você tá ótima! Duvido que o Cassy te chamaria de tábua se te visse hoje! – Ambre pegou Dee pelos ombros. – Não sei pra quê a pressa em ir numa academia!

– Lot’s of cheeseburger’s… but, you… – Didra olhava para ela e algo no fundo da mente dela soava como um alarme. – You… is… great!! And…

– E aí? O que está fazendo aqui nessa cidadezinha? Achei que a essa altura você já era a presidente dos Estados Unidos!

– Me? Eu não achar que conseguir chegar a ser president…

– Só porque você não quer! – Ambre riu e olhou para Rosa. – A gente viu o que você fez na escola, principalmente por causa dessa aqui… – ela abraçou Rosalya. – …aliás, você ainda tem contato com aquela sua cabeleireira da cadeia? Preciso urgente!

– Sim… ela ainda corta o meu cabelo depois que saiu da cadeia.

Didra lembrava ainda de tudo o que fez para livrar Rosalya da armadilha feita por Debrah com a ajuda de Charlotte, numa tentativa de se vingar de todos aqueles que ajudaram Dee a destruir sua carreira na música. Em uma manobra quase suicida, Debrah se esfaqueou com uma tesoura de costura e jogou a culpa em Rosalya. Ela ficou cerca de dois meses presa, aguardando o julgamento, enquanto Dee fazia de tudo para provar sua inocência. No fim, com ajuda de vários amigos, Didra reuniu informações suficientes e ainda conseguiram uma confissão de Charlotte, o que resultou na prisão dela e na libertação de Rosalya.

– And you, Ambre? O que estar fazendo? – Didra não conseguia deixar de encarar o rosto angular da colega e estranhar o quão magro ele era. – O que contar de novidades? You hungry? Vamos comer… eu pagar!!

Rosa revirou os olhos como quem dizia “eu não acredito que ela disse isso”.

– Não. Estou bem! – Ambre riu. – E estou bem financeiramente também. Não se preocupe. Estou trabalhando como modelo, finalmente! Após um milhão de testes fracassados, eu finalmente consegui!

– Yay! This is great!! Vamos comemorar com uma pizza? – Didra respondeu já pegando a mão de Ambre para puxá-la em direção a cantina. – For God’s sake?

– Acho que alguém aqui passou a noite muito animada e esqueceu de tomar o café da manhã? – Ambre deu uma piscadinha para Dee e a deixou vermelha. – Ou será que ficou até tarde na cama?

– Did everyone at this school hear me?

– Hi hi… ou talvez todos tenham escutado a Melody. E olha… em dois anos de namoro com o meu irmão, não me lembro de ouvir ela daquele jeito. – Ambre riu um pouco. – Mas é sério, eu realmente não posso comer pizza agora! Vamos marcar para outro dia. Rosa, ainda preciso falar com você sobre os últimos detalhes para as fotos da coleção desse ano da Loja do Leigh, ok?

– Claro! A gente combina sim!

Elas ficaram em silêncio por alguns minutos, encarando os próprios pés.

– E… se é que você quer saber… – Ambre continuou. – …Charlotte está no mesmo lugar ainda e vai ficar lá por mais uns dois anos. Talvez eu vá visitá-la… Quer mandar um recado, se eu for?

– No.

– Então, bom te ver, Didra! Eu vou te cobrar essa pizza, ein?

– Por favor… eu fazer questão!

Ambre afastou-se e, quando saiu do prédio, Rosalya deu um cutucão com o cotovelo na costela de Dee.

– O que você está fazendo? Que história é essa de pizza?

– Oh my God!! Alguém dê um pão com ovo para ela!! – Didra apontou para a direção que Ambre foi com a mão espalmada. – O que estar acontecendo?

– Bom, ela está um pouco magra, é verdade! Mas, é normal no meio dela. Modelos precisam estar em forma…

– Em forma de cabide? Em forma de cabo de vassoura? – Didra respondeu e foi em direção a entrada da faculdade. – Um vento mais forte and goodbye Ambre! Oh… forget! Eu preciso ir até Kim e preciso encontrar o Nathaniel.

– Você quem sabe. Mas, Dee… deixa ela pra trás. Você estará melhor assim…

– Is not only about the fiance, is? – Didra parou no meio da caminhada e virou-se para trás. – Não é só porque ela está com um noivo, né? There’s more… And you don’t tell me…

– Não sei do que você está falando…

– Você não faria todo esse esforço to push me away from her cause… por causa de um cara. – Didra aproximou-se com calma. – You hide something…

– Talvez ela esteja feliz com o Raphael… Talvez eu só não queria atrapalhar o casal. Talvez eu queria que ela fique com esse rapaz.

– I see… Ok. Obrigada por se preocupar, but… Eu acho que vou continuar por mim mesma. – Didra respondeu com o semblante sério. – We can talk later, ok?

– Dee… eu só quero que você fique bem…

Didra não respondeu. Preferiu sair dali antes que discutisse com Rosa. Saiu do campus e foi em direção a passagem em frente a saída do campus e, no caminho, passaria na lavanderia (já que lembrou-se que também tinha muita coisa para lavar) para conhecer o estabelecimento e os preços praticados no local para lavar sua roupa. Mas, quando olhou para a esquina, parou no mesmo lugar e correu para dentro da lanchonete tipo Subway genérica e entrou em uma fila de estudantes da Anteros em busca de uma refeição mais em conta do que na cantina da faculdade que se formava para pedir os lanches.

Olhando pro cima do ombro, reparou que os dois caras estranhos, que a ficha policial descreve apenas como “Tipo Suspeito” e “Cara não Net” (o que será que querem dizer com isso?) haviam acabado de entrar na lanchonete e irem sentar-se em uma mesa no canto mais afastado. Aparentemente, eles não tinham a reconhecido (por um segundo, ela agradeceu mentalmente Iris pelo novo corte de cabelo) e nem fizeram nenhum tipo de comentário para nenhum dos frequentadores da lanchonete.

A vez de Dee pedir seu lanche chegou mas ela não havia prestado atenção nos ingredientes, pois estava muito mais preocupada com a pessoa que havia entrado na lanchonete: Nathaniel.

– Ei… vai querer o quê? – a moça do balcão foi um pouco grossa. – Tem mais gente aí atrás de você, sabia.

– Sorry… – Didra não podia deixar a moça reclamar demais ou atrairia atenção para ela. – …aquele ali… – ela apontou para um lanche qualquer. – …e uma coca.

De péssima vontade, a moça do balcão fez o esforço monumental de virar a cabeça para ver o que Didra havia escolhido e, mesmo que fosse o lanche mais caro da casa, ela ainda trataria a cliente com desdém. Ainda com muita má vontade, a balconista começou a montar o lanche e (por sorte dos clientes) a montagem era feita na hora e na frente do consumidor para que ele fosse escolhendo os ingredientes adicionais. Se não fosse, certamente haveria saliva como um adicional naquele sanduíche.

Aquela péssima atitude da balconista conseguiu atrair a atenção de Dee mais do que Nathaniel e ela começou a reparar na mulher atrás do balcão. Uma asiática de sobrancelhas pequenas de uns 20 a 25 anos, mas tão “surrada pela vida” que parecia bem mais velha, com olheiras e um rosto magro que não combinava com o “pneu” na cintura que a camiseta do uniforme fazia pouco para esconder.

Contudo, além da “bitchtude” da atendente, outra coisa que chamou a atenção de Dee foram os lábios ressecados, rachados e com pequenas marcas como se fossem cicatrizes de uma herpes mal curada. Quando a atendente percebeu que Didra olhava demais para boca, ela fechou ainda mais a cara. Uma cara fechada que era familiar demais para Dee.

– Algo mais? – “sua…” e o resto ficou implícito na frase.

– Eu conhecer você?

– Não!

– Ter alguns tipos de batom que ajudam com isso, you know? – ela apontou para o próprio lábio para indicar do que se tratava. – Is… very good…

– Eu odeio batom. – ela colocou o lanche embrulhado no balcão e pegou a Coca-Cola no refrigerador e colocou na bandeja. – Deu $15… por favor…

A atendente fuzilava Dee com o olhar e, percebendo a situação chata, ela pagou o lanche e foi-se. Ainda ouviu um “obrigada” murmurado entre dentes da atendente que parecia ter sido empurrado da garganta dela para fora pela mais pura obrigação antes de começar a atender o próximo cliente. “Lanche de frango, cream cheese e ódio”, pensou Dee, “ela deve ter sido um coelho em outra vida e eu devo ter matado ela e usado a pele como bolsa, só pode”. Então, voltando sua atenção para assuntos mais importantes, ela olhou em volta para ver se encontrava Nathaniel.

Ele foi para junto os dois sujeitos estranhos e sentou-se de frente para eles. Olharam para os lados e começaram a conversar. O que foi uma desgraça para ela. Já que, no momento em que Nathaniel entrou, a ideia de “fugir rapidamente” mudou para “ouvir o que eles estavam falando”. Ela pegou o lanche e foi direto para a mesa que ficava atrás deles.

“Olha, eu não tenho mais controle sobre ela! Vocês assumem daí!”, gritou o bom-senso de Dee enquanto ia embora e deixa o resto lá. “E aí pernas? O que eu faço? Paro ela ou deixo ir?” berrava o cérebro para os membros inferiores que respondiam em desespero “Você que tem que decidir!”

Então ela sentou-se na cadeira e abriu o embrulho do lanche e a lata do refrigerante. Esperava que os óculos escuros e o cabelo curto (que nem Nathaniel tinha visto antes) ajudassem ela a passar despercebida. Respirou fundo, deu um gole na lata de Coca e começou a prestar atenção na conversa da mesa de trás.

– Trouxe o que a gente pediu? – um dos caras começou a conversa. – Trouxe mesmo? Só tem três frascos aqui! O que espera que a gente faça com só três frascos?

– Olha… é o que deu para arrumar hoje! – Nathaniel respondeu. – Não acho que seja fácil conseguir isso assim!

– Mas, será que você não consegue outros depois? – o segundo cara, o de cabeça raspada, parecia tentar apaziguar a situação. – Precisamos de mais porque está chegando a semana de provas… e os caras precisam ficar ligados.

– Precisamos manter o fornecimento ou perdemos clientes. E ninguém quer perder cliente… – o cara loiro interrompeu. – Arranje mais! Fale com o seu contato e arrume mais…

– Vocês ainda não pagaram por esse aí. – Nathaniel tentava manter o controle da situação, agindo como se ele estivesse por cima. – Vamos falar do presente e depois vamos ao futuro, que tal?

Silêncio. E depois o barulho de algo batendo na mesa com suavidade. E então, o farfalhar de papel e novamente algo bate na mesa. Mais silêncio, murmúrios e o barulho do papel.

– E isso aí? – Nathaniel finalmente falou após alguns segundos de silêncio. – Minha parte eu só aceito em dinheiro.

– Isso não tem nada a ver com a sua parte… – respondeu um dos caras. – Isso é trabalho.

– Trabalho?

– Você tem um show pra ir essa noite…

Didra engasgou e cuspiu o refrigerante a ponto de sair pelo nariz. Aquilo chamou a atenção de todos no local e a balconista ainda mais irritada, já que ela é quem provavelmente teria de limpar a sujeira, então, antes que mais alguém falasse algo, ela pegou rapidamente um bolo de guardanapos e começou a limpar a sujeira. Os estudantes ainda deram uma risadinha da situação, mas esqueceram-se rapidamente.

*BLÁM*

– Olha aqui para mim vocês dois! – a voz de Nathaniel subiu uns tons nessa frase. – Eu não faço distribuição. Não vou arriscar entrar lá com isso! Os caras revistam na porta, sabia?

– Não é problema meu… Mandaram isso pra você e se não gostar pode ir reclamar com o chefe. – o rapaz do cabelo loiro respondeu com um ar debochado. – O cantor não era seu colega de escola? Pede pra ele te por pra dentro…

– Ainda estou te devendo um nariz quebrado, sabia? – Nathaniel replicou com ainda mais cinismo. – Então, é melhor não facilitar, ok?

Ela ouviu as cadeiras arrastando, indicando que a conversa havia acabado, então, com um tapinha, ela derrubou o celular no chão e, rapidamente, enfiou-se em baixo da mesa para buscá-lo e só saiu de lá quando ouviu a porta da frente da lanchonete fechando. Depois de mais alguns segundos, ela resolveu levantar-se para ver que os três já tinham ido embora. Junto com o lanche e a Coca dela.

– Ei… – Dee chamou a atenção da balconista mau humorada. – Eles roubar o meu lanche!

– Você já tinha mordido ele? – perguntou a asiática de cara amarrada.

– No!

– Que pena. – ela voltou a cuidar da arrumação dos ingredientes.

Didra preferiu não saber o que ela quis dizer com aquilo e foi em direção a porta da lanchonete, mas antes de sair, deu uma olhada para a tela do celular, para ver se sua ideia de jogá-lo no chão não tinha causado nenhum dano a tela e reparou que havia recebido uma mensagem. Se ela tinha alguma dúvida em ir ou não ao show hoje, toda aquela conversa havia acabado com a indecisão.

”Sei que está chateada comigo, mas por favor, venha ao show hoje. Preciso muito falar com você.
Iris”


Continua…


Notas Finais


Se você quiser conhecer toda a história da Dee, você pode ler direto no fórum oficial do AD clicando no link:
https://www.amordoce.com/s2/forum/t31179,1-gl-iris-você-é-meu-amor-doce-parte-2-por-realdoido.htm#p6591739

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