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História Antes de você - Capítulo 1


Escrita por: e KacchakoPjct


Notas do Autor


Postando no dia do meu aniversário yey! 💖

Capítulo 1 - Xícaras de chá;


Um metro e setenta e dois de pura beleza. Gostava de viver cada dia como se fosse o último. Os cabelos loiros e espetados chamavam a atenção de todas as garotas, mas ele gostava de uma em especial: Ashido Mina.

Durante uma missão em um dia chuvoso, sofreu um acidente e, após esse trágico dia, sua vida mudou completamente.

****

Ochako Uraraka voltava para casa cabisbaixa, acabara de perder o emprego que a ajudava a sustentar a família que nunca estava bem financeiramente. "A vida é injusta", ela pensava. Com que cara ela iria chegar em casa e dar a infeliz notícia aos pais?.

- Você trabalhou tão duro naquele café. - resmungou o pai.

- Ela não tinha escolha, o lugar fechou. - disse a mãe, dando um sorriso para reconfortar a filha.

- E o que ela vai fazer agora? Nossa firma não recebe serviço há meses!

- Ela vai arrumar outro emprego, não é filha?

Sorrindo em resposta, sabia que na verdade não seria tão fácil assim. Ela gostava do calor abafado com aroma doce que havia no café onde trabalhava, do murmúrio das conversas e principalmente dos clientes. 

****

Ele estava na academia de ginástica, como Ochako sabia que estaria. Todos os dias, pontualmente, Izuku ficava lá se exercitando ou dando voltas na pista bem iluminada.

- Venha correr comigo! - disse ele ofegante ao se aproximar da garota - Faltam três voltas.

Ela relutou por um instante e então começou a correr ao lado do namorado. Era o único jeito de ter qualquer conversa com ele. 

- Não estava esperando por você.

- Eu me cansei de ficar em casa. Pensei que talvez pudéssemos fazer alguma coisa.

Ele a olhou de soslaio. 

- Quanto antes você arrumar outro emprego, querida, melhor. Ura, perder o emprego pode mudar a vida de uma pessoa.

- É mesmo?

A garota detestava correr, estava suando, com o sutiã errado e, de repente, perdeu o fôlego. Desacelerou, baixando as mãos e as apoiando sobre os joelhos. Izuku notou que ela havia ficado pra trás e se virou para retornar.

- Ponha uma roupa bonita e vá ao Centro de Trabalho. Ou posso treinar você para trabalhar comigo, se quiser.

Ela sorriu e o beijou na bochecha em resposta. Ela iria seguir o conselho.

****

Já era sua segunda semana a procura de emprego. A cada opção que o homem sua frente ditava, mais ela sentia falta de seu antigo trabalho. Não imaginava que, além dos medos óbvios sobre dinheiro e o futuro, perder o emprego a fez se sentir inadequada e um pouco inútil. 

A voz do homem interrompeu seu devaneio:

- Ah, isto aqui pode dar certo.

Ela esticou um pouco o pescoço e tentou dar uma olhada na tela do computador a sua frente. 

- Acabou de aparecer neste minuto: Uma oferta de emprego como cuidadora assistente. 

- Eu não-

- Uma vaga confidencial. Para ajudar na casa de alguém e o endereço fica a menos de três quilômetros de onde você mora. "Cuidados e companhia para deficiente físico". Você sabe dirigir?

A garota assentiu que sim com a cabeça, e o homem examinou a tela novamente até de voltar a encará- la.

- Ele é… Tetraplégico. Precisa de alguém de dia para ajudá-lo a se alimentar e assisti-lo. Geralmente nesse tipo de emprego é preciso acompanhar a pessoa quando ela quer ir a algum lugar, ajudar com coisas simples que ela não possa fazer. Ah! Paga muito bem. - ele fez uma pausa e continuou - Você aceita fazer uma entrevista?

Ele perguntou como se fosse uma dúvida, mas os dois já sabiam a resposta.

A garota sorriu animada e pegou sua bolsa, pronta para voltar para casa.

****

Ochako tinha um modo peculiar de se vestir. Não combinava suas roupas, apenas usava o que gostava e o que se sentia confortável. Mas para aquela entrevista de emprego, foi obrigada por sua mãe a usar seu antigo tailleur. A roupa esteve na moda no final dos anos 80 e Ochako sentia que estava um pouquinho apertada para ela, deixando a saia muito justa e a blusa muito colada.

Chegando no endereço do emprego, vislumbrou uma casa grande e bonita. Ao se aproximar da entrada, foi recebida na porta por uma mulher de meia-idade, com os cabelos loiros num corte mais curto:

- Você deve ser a Srta. Uraraka.

- Ochako - disse estendendo a mão sorridente.

- Certo, pois não. Entre, por favor.

Ela retirou a mão da de Ochako tão rápido quanto era humanamente possível, e a morena pôde sentir os olhos da mulher sobre ela, como se já estivesse a avaliando.

- Conversaremos na sala. Meu nome é Mitsuki Bakugou. - ela parecia exausta, como se já tivesse dito as mesmas palavras várias vezes no mesmo dia.

Seguindo a senhora loira  até uma sala grande, reparou que tudo cheirava a lustra-móveis e mobília antiga, e haviam mesinhas de canto por todos os lados.

- Então você veio porque viu o anúncio do Centro de Trabalho, certo? Sente-se, por favor.

Enquanto a Sra. Bakugou folheava os papéis em sua pasta, Ochako examinou disfarçadamente o ambiente. Pensou que a casa talvez devesse ser parecida com uma Casa de Repouso, tudo colocado no alto e com as superfícies muito limpas. Notavam-se fotos em porta-retratos de prata em uma das mesinhas próximas, mas estavam longe demais para a garota conseguisse ver os rostos. Ela se ajeitou na cadeira para tentar enxergar melhor, e foi então que ela ouviu aquilo:

O som inconfundível de pano se rasgando. Ochako olhou para baixo e viu as duas partes de tecido que se juntavam na lateral de perna direita separadas violentamente. Imediatamente sentiu seu rosto queimar.

- Então, Srta. Uraraka… Tem alguma experiência no cuidado de pessoas tetraplégicas?

A castanha virou-se para olhar a senhora a sua frente e se retorceu de modo que o paletó cobrisse o máximo possível da saia.

- Não.

- Trabalha há muito tempo como cuidadora?

- Hum… Na verdade, nunca trabalhei - respondeu - Mas tenho certeza de que posso aprender.

- Sabe em que consiste a tetraplegia?

- É quando… A pessoa fica presa numa cadeira de rodas? - tentou com um sorriso sem graça.

- Acredito que essa é uma forma de descrever. Há diversos graus, mas neste caso, estamos falando da perda completa do uso das pernas e uso bastante limitado das mãos e braços. Isso incomoda a você?

- Bom, não tanto quanto deve incomodar a ele, é claro. - Ochako esboçou um sorriso, mas o rosto da Sra. Bakugou estava inexpressivo.

- Desculpe… Não quis...

- Sabe dirigir, Srta. Uraraka?

- Sim.

O rasgo foi aumentando e Ochako podia vê-lo subindo lentamente e inexorávelmente por sua coxa. A essa altura, no momento em que ela decidisse levantar, a saia iria com certeza rasgaria até o topo.

- Você está se sentindo bem? - A Sra. Bakugou olhava para ela.

- Só estou com um pouco de calor. - antes que a mulher pudesse responder qualquer coisa, Ochako arrancou o paletó num movimento gracioso e o amarrou na cintura, tapando o rasgo na saia. - Bem quente. - disse ela,sorrindo - O calor está vindo lá de fora. A senhora não está sentindo?

Houve uma breve pausa e então a anfitriã voltou-se novamente para sua pasta.

- Qual é a sua idade?

- Vinte e seis.

Ochako sentiu-se mais uma vez sendo avaliada, e não necessariamente de um jeito bom. Ela só desejava não ter vestido aquele 'tailleur e, sim, sua confortável e segura calça jeans.

- O que pretende fazer da sua vida?

- Desculpe?

- Pretende ter uma carreira? Isso é um primeiro passo para algo mais? Tem algum sonho profissional que deseja realizar?

Ochako olhou para ela, confusa. Seriam essas perguntas algum tipo de armadilha?

- Eu...

- Então, Srta. Uraraka, por que acha que devo selecioná-la em vez de do candidato anterior, que tem vários anos de experiência com pacientes tetraplégicos?

Ochako olhou para ela e gaguejou algo como "Hum, é..."

- Você não pode me dar uma única razão para contratá-la?

De repente, o rosto dos pais de Ochako surgiram em sua mente. A ideia de voltar para casa com um 'tailleur destruído e outra entrevista fracassada era demais para ela. E aquele emprego pagava muito bem.

Ochako se sentou ereta por um instante e começou a argumentar freneticamente:

- Bom… Eu aprendo rápido, moro perto e sou bem mais forte do que pareço… E, e eu sei fazer chá! - tagarelou sorridente - Como diz minha mãe, não há nada que não se resolva com uma boa xícara de chá! - parou por um instante - N-n-não que eu esteja falando mal do seu marido tetraplégico e-

- Marido? - perguntou a Sra. Bakugou exclamou, aparentemente impaciente - É o meu filho.

- Seu filho? - ela perguntou em resposta, relaxando as costas na cadeira.

- Katsuki sofreu um acidente há dois anos.

- Ah… E-eu sinto muito. - Disse baixando a cabeça.

A Sra. Bakugou se levantou dando um sorriso fraco e disse:

- Vem, vamos conhecê-lo.

Ochako se levantou meio dura, tentando esconder a todo custo o rasgo na saia e foi seguindo a senhora pela casa enquanto a mesma ditava as regras do emprego. Num momento, Mitsuki notou o rasgo na saia e reeprendeu a garota sobre usar algo muito revelador, como já se era esperado. Ochako apenas sorriu tímida e assentiu com a cabeça.

Ouviu também falou algo sobre a castanha e o filho terem uma boa convivência e, quem sabe, se tornarem amigos. Ochako respirou fundo e jurou a si mesma que não iria decepcioná-la.

Finalmente chegara a hora de conhecer Katsuki Bakugou. A senhora a guiou até uma imensa porta de madeira e bateu na mesma.

- Quero que conheça alguém. - disse olhando para Ochako enquanto ainda batia na porta.

Alguém do outro lado murmurou um "Entre." e a Sra. Bakugou abriu a porta, revelando um garoto muito bonito sentado numa cadeira de rodas, vestindo uma espécie de terno não muito formal. Os cabelos eram loiros e espetados, e seus olhos cor de rubi. Aquele só podia ser o Katsuki. Junto com ele, havia um garoto muito alto; o mesmo continha uma cicatriz do lado esquerdo do olho que fez Ochako ficar se perguntando o que diabos havia acontecido ali.

- Esta é a Ochako Uraraka. - disse a mãe do rapaz, entrando no cômodo seguida pela garota.

- Olá! - disse sorridente enquanto o loiro a encarava no fundo dos olhos. 

- Tsc... - ele murmurou revirando os olhos e fazendo uma careta de desgosto. - Problemas com a saia?.

Ochako corou e sorriu tímida enquanto tentava desajeitadamente cobrir mais o rasgo na peça de roupa. Enquanto isso, o outro rapaz se aproximou dela e a cumprimentou com um aperto de mão.

- Shouto, ou Todoroki se preferir - disse se afastando.

- Vou deixar que se conheçam. Shouto vai orientá-la sobre os procedimentos com o Katsuki. - disse Mitsuki direcionado o olhar rapaz com a cicatriz no olho.

- Não fale como se eu não estivesse aqui. - resmungou Katsuki - Eu não morri… ainda - concluiu seriamente.

A Sra. Bakugou bufou e saiu do cômodo, deixando Ochako e os garotos a sós. A castanha logo percebeu que aquele rapaz daria trabalho, e como. 

Um silêncio constrangedor tomou conta do lugar.

- Olá! Você é o Katsuki! - disse Ochako sorridente e apontando para o loiro.

- E você é irritante - resmungou revirando os olhos.

Sim, ele iria dar trabalho. Mas ela estava determinada a continuar naquele emprego por um bom tempo e conseguir ajudar seus pais. Ochako daria conta. A felicidade estampada nos rostos de sua família ao saber que a filha havia alcançado seu objetivo, era imensa.

****

Não iria ser fácil. A primeira semana de trabalho foi muito complicada para Ochako. Mesmo com a ajuda de Shouto, ela se confundia ao mexer com os remédios e horários que deveriam ser tomados. O garoto da cicatriz já havia lhe dito que ela não estava lá para fazer esforço físico, mas sim para animá-lo, o que para a mesma era impossível por ter a impressão de que Katsuki a odiava.

A verdade era que Katsuki apenas sentia que sua única função na terra era existir. Passava o dia sentado naquela cadeira, contemplando as outras pessoas correndo e… vivendo suas vidas.

Até que em uma tarde, Ochako tentou uma proximação:

- Katsuki… Por que não saímos um pouco hoje a tarde? - perguntou ela.

- Por que você não cala a boca quando fica perto de mim?

A garota fez uma breve careta e saiu dali. Não, não, ela não iria desistir.

****

A semana seguinte foi um desafio para Ochako, sempre que tentava alguma inteiração com Katsuki, era completamente ignorada. Quando ela chegava, o loiro revirava os olhos e se trancava em seu quarto. A castanha às vezes levava flores coloridas, dava sugestões de passeios, oferecia chá e etc, porém, nada o agradava. 

Uma vez, Ochako se distraiu com as belíssimas orbes rubis de Katsuki enquanto o alimentava e acabou sujando sua roupa. O garoto ficou mais irritado do que o de costume, a xingou e a fez pagar pelo estrago: lavando, passando e secando a roupa.

Enquanto guardava a roupa na gaveta, junto com outras, Ochako reparou numa fotografia que estava em cima da cômoda. Era uma foto de escola, onde aparentemente Katsuki e provavelmente um grupo de amigos jogavam futebol numa quadra.

- Larga essa merda aí agora - disse o loiro, surgindo ao lado da garota em sua cadeira motorizada, fazendo-a dar um leve pulo para trás e arregalar os olhos pelo susto.

- D-desculpa, eu 'tava só...- Gaguejou, pondo a foto em seu devido lugar.

- Deve estar pensando como deve ser um inferno viver uma vida desse jeito e acabar assim. - disse sem mudar a expressão mau humorada de sempre. - Vá em frente se quiser xeretar mais. - concluiu, se afastando.

E mais uma semana entediante começava novamente. Ochako não estava mais tão empolgada com o emprego como antigamente. Tinha vontade de esmagar o despertador quando ele tocava, anunciando que deveria acordar e ir para a casa dos Bakugou. Sem falar que Katsuki debochava de todas as suas roupas preferidas, que eram chamativas. O garoto falava que era algo muito infantil para sua idade e também comentava sobre o guarda-chuva de brilhinhos que ela trazia em dias chuvosos.

- Grr! - grunhiu Ochako - Toda vez que eu abro a boca, ele me olha como se eu fosse uma boba desastrada!

Falando isso para si, já que não tinha ninguém para desabafar sobre o assunto. E sim, ela era meio atrapalhada às vezes, mas isso não era da conta dele.

****

Em outro dia, chegando no trabalho, ao invés de encontrar com Katsuki, como sempre, Ochako deu de cara com a Sra. Bakugou. Ela lhe disse que o filho receberia alguns amigos e pediu para que a garota fizesse um chá para as visitas. Ela lhe pareceu bem cabisbaixa ao falar aquilo, mas resolveu não perguntar para não ser inconveniente.

- Então… A que devo o prazer desta visita? - perguntou Katsuki encarando Ejiro Kirishima, seu melhor amigo e Ashido Mina, sua ex namorada.

Ochako já havia acabado de fazer o chá e adentrou a sala para serví-los, no mesmo momento em que Ashido contou algo sobre ela e Ejiro estarem juntos.

- Meus parabéns - comentou o loiro com um sorriso nada sincero.

- Nós não esperávamos nos apaixonar. Foi tudo muito complicado e...- a garota fazia gestos incompreensíveis enquanto gaguejada.

Ejiro apenas olhou para Katsuki e disse:

- É melhor a gente ir embora. - pegou seu casaco, deu um leve aperto no ombro do amigo e concluiu - A gente sente muito e esperamos que as coisas melhorem para você.

Ochako manteve-se quietinha num canto com a bandeja de chá em suas mãos, observando o casal ir embora. Ela os acompanhou até a porta e, ao ouvir um barulho alto de vidro se quebrando, voltou correndo para a sala.

Katsuki estava ao lado de uma mesinha, no chão. Haviam cacos de vidro por toda parte e, não muito longe, um porta retrato quebrado. Aquele que ela tentou ver melhor no dia da entrevista de emprego, mas não conseguiu por causa de sua saia. Agora, ela podia ver perfeitamente o rosto de Katsuki, Ashido e Ejiro.

- N-não se mexa até eu limpar isso! Porque eu não faço a mínima idéia de onde posso arrumar um macaco se o pneu dessa coisa furar - disse a castanha num tom nervoso.

Katsuki fez uma careta de desgosto e Ochako saiu correndo a procura de material para limpar aquilo.

****

- Deku, foi horrível! - comentou Ochako, enquanto fazia uma careta para o namorado - A ex namorada do cara, com o melhor amigo dele!

- Não pode culpá-la. Vai me dizer que continuaria comigo se eu ficasse daquele jeito?

- É claro que eu ia! - gritou inflando as grandes bochechas rosadas.

- Seria por pena. Imagina só: nada de corrida, nada de treinamento e… nada de fazer sexo. - disse o garoto dando um sorrisinho para Ochako.

- Ah! Mas é claro que dá! - disse entre risadas - Mas a mulher tem que ficar por cima!

Izuku também riu. Após as risadas cessarem, ele a envolveu com seu braço esquerdo e disse:

- Você disse que gostaria de passar um tempo comigo, apenas nós dois. Por que não vem comigo numa viagem para Tóquio?

- Tóquio? Sério?! - questionou sorridente.

- Sim, eu vou participar de uma corrida lá. - o sorriso no rosto da garota desapareceu - Não é incrível?

Ela lhe deu um sorriso amarelo. Não, não era incrível. Eles não iam ficar juntos em momento algum, pois, conhecendo bem Izuku, ele iria passar o dia treinando. Mas, ela não disse nada.

****

Ochako estava mais uma vez na casa dos Bakugou. As meias cor-de-rosa juntamente com os saltos do sapato de oncinha da mesma cor, batucavam o chão de madeira. Sentou-se na mesa da cozinha, juntando e colando tudo o que ainda podia servir daquela moldura quebrada, a transformando numa nova, para devolver-lhe a tal fotografia.

- Olha, acho que deu pra consertar - disse sorridente a Katsuki, acabara de chegar ao seu lado.

- Eu destruí essa porra, não foi um acidente.

- Desculpa. - murmurou largando a cola na mesa - Eu pensei que...

- Eu não quero essa foto me encarando toda vez que eu estiver na sala, esperando alguém para me ajudar. - disse de modo grosseiro como sempre - Por que você não vai saquear o guarda-roupa da sua vó ou sei lá o quê caralhos você faz quanto não está fazendo chá. - concluiu, se retirando.

- Sabe, você não tem que ser um babaca! - gritou batendo os saltos com força - Eu apenas estou fazendo o meu trabalho do melhor jeito que posso! Seria legal se você não tentasse tornar a minha vida tão miserável, como parece que faz com todo mundo!

- E se eu dissesse que não queria você aqui?

- Não fui contratada por você, fui contratada pela sua mãe e, a menos que ela não me queira mais aqui, EU VOU FICAR! - gritou irritada - Não por que eu me importe com você, ou goste muito da sua companhia, mas porque preciso do dinheiro! - Ochako suspirou. Havia falado tudo o que estava guardando durante semanas - Preciso muito do dinheiro.

Katsuki não disse nada, apenas se retirou.

****

- Você quer alguma coisa? - perguntou Ochako ao entrar mais tarde, naquele mesmo dia, no quarto de Katsuki.

Ele parecia estar bastante concentrado num filme. A garota se aproximou mais da TV e após encará-la, se virou para o loiro e perguntou:

- Romance com homens?

- É. Um pornô gay francês. -  a castanha levantou as sobrancelhas - Você não aprecia o sarcasmo, não é?

- Sarcasmo tá beleza. Eu não gosto de arrogância.

- Então você deve me odiar.

- Eu nunca odiei ninguém. - disse retorcendo a boca. - Me chama se… precisar de alguma coisa.

- Você já assistiu? - perguntou antes que ela saísse.

- Ah, eu… Não gosto desse tipo de filme.

- Desse tipo de filme? - perguntou confuso.

- Filme legendado.

- Por que? Não aprendeu a ler na escolinha? - Katsuki sorriu sarcasticamente enquanto Ochako inflava as bochechas rosadas - Senta aí. Assiste comigo.

E assim ela fez. Não desviando os olhos da tela nem por um segundo.

- Eles podiam ter fugido! - gritou com o cenho franzido após o filme acabar.

- Você gostou do filme?

- Eu adorei. - respondeu sorrindo. Katsuki murmurou um "heh". - Olha, se estiver rindo de mim, eu juro que te derrubo dessa cadeira!

- Não estou rindo de você. Vamos tomar um ar?.

****

E lá estavam eles passeando pelo jardim que havia no quintal da enorme mansão Bakugou. Inicialmente os dois conversaram sobre filmes que gostavam, séries e artistas. Depois, a conversa passou mais para o lado pessoal.

Ochako contou sobre Deku, sobre a paixão do mesmo por esportes e sobre o fato dela não ser boa em corridas. Comentou também da sua rotina pacata: trabalhar, ir para casa e só. Katsuki achou a vida dela ainda mais chata do que a dele, pois, pra ele, a garota deveria estar vivendo seu sonho: estudar moda — algo meio irônico em relação ao seu jeito peculiar de combinar roupas. Disse a ela que deveria aproveitar mais, em vez de se prender àquela mesma rotininha. Não era ela que estava presa numa cadeira de rodas, afinal. Então, segundo o loiro, podia fazer o que quisesse, aproveitando ao máximo, correndo atrás de seu sonho antes que fosse tarde demais.

Mais tarde, Ochako ficou sabendo por Shouto, que fazia muito tempo que o Bakugou não ria de nada.

- Vejam só as coisas melhorando. - murmurou para si mesma, alegremente enquanto lavava a louça.

****

A cada seis meses, Katsuki fazia check ups médicos. Os exercícios que Shouto fazia com ele eram apenas para impedir que os músculos se atrofiacem, afinal, seu corpo não funcionava mais do pescoço para baixo. Ele havia se empenhado bastante na fisioterapia no primeiro ano mas, só o que conseguiu foi um leve movimento do polegar com o indicador, nas mãos. Em seguida, vieram as crises de pneumonia e disreflexia autonômica. Ele era vulnerável a infecções. Apesar da medicina avançar o tempo todo, a medula espinhal ainda não tinha concerto.

Ochako se sentiu mal pelo garoto. Não por pena, mas sim porque tinha certeza de que ele iria melhorar. Se sentiu uma tapada por ter pensado aquilo.

****

Em um certo dia de muita neve, Ochako teria que cuidar sozinha de Katsuki por algumas horas até que o garoto da cicatriz chegasse para ajudá-la. O loiro não estava muito bem. Por causa da baixa temperatura, sentia com calafrios.

- Katsuki, o que eu posso fazer por você? - perguntou o encarando deitado em sua cama.

- Nada. O meu pulmão já era. - sussurrou.

- Não fale assim! - disse se virando para trás.- Eu vou buscar um remédio pra você - concluiu saindo do quarto.

Ochako voltou ao cômodo três minutos depois com um copo de água e um comprimido. Katsuki estava de olhos fechados, então poderia estar dormindo. A garota se aproximou gentilmente e inclinou o rosto na direção do mesmo.

- Katsuki? - chamou. A respiração dele estava devagar. - K-katsuki? S-sou eu! A Ochako - agora quem estava tendo calafrios era ela, só de pensar que ele poderia ter desmaiado ou coisa do tipo.

- Eu sei. - respondeu alguns segundos depois. 

A garota suspirou aliviada.

- E-eu deveria te dar algum remédio específico? E-eu tô ficando muito preocupada com você. - não houve resposta.

Ochako se afastou e pegou seu telefone. Discou o número de Shouto três vezes, mas ele não atendeu. Já estava prestes a ligar para a Sra. Bakugou quando escutou um sussurro baixo vindo da cama:

- Não liga pra minha mãe. Eu vou ficar bem, Uraraka.

A morena apertou seu celular contra o peito. Ela queria fazer algo para ajudá-lo, mas sem a colaboração do mesmo, a única coisa que lhe restava era esperar.

Katsuki só dormia e acordava durante as cinco horas anteriores. Parecendo estranhamente grogue, e não respondendo mais a nenhum chamado. Shouto chegou umas duas horas depois por causa do mau tempo, as pressas: 

- Está tudo na pasta de cuidados, Ochako! - Disse Shouto, erguendo Katsuki da cama com cuidado e retirando sua camisa apressadamente - O Katsuki não transpira como a gente. Qualquer coisinha, a temperatura sobe demais.

Ela ordenou que fosse providenciar itens para resfria-lo, ela correu para apanhar um ventilador e uma toalha úmida. Durante o socorro que auxiliava, a garota não pode deixar de reparar numa cicatriz média que Bakugou tinha no pulso esquerdo.

- Se concentra! - ralhou Shouto - Ochako, presta atenção no que eu tô fazendo!

- Desculpa.

Katsuki ia ficar bem.


Notas Finais


Por onde eu começo? Hehe
Bem...primeiramente agradeço a toda a equipe do @KacchakoPjct pelo apoio 💖
Agradeço imensamente a @cotveerde pela betagem 💖
Agradecemos muito ao @chaotic__ pela capa maravilinda 💖

Espero cumprir todas as expectativas que criei para mim mesma nessa fic. Me diverti e até mesmo me emocionei muito escrevendo. Espero de verdade que gostem 💕


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