1. Spirit Fanfics >
  2. Antes de você chegar >
  3. Xícara de café.

História Antes de você chegar - Capítulo 34


Escrita por: romana_66

Capítulo 34 - Xícara de café.


Fanfic / Fanfiction Antes de você chegar - Capítulo 34 - Xícara de café.

A xícara de café sobre a bancada de madeira estava quase vazia novamente, aliás ela vivia nesse estado todas as horas do dia de Atena, a cafeína era seu combustível, de manhã quando abria os olhos sua vontade era voltar a dormir novamente, o líquido escuro e amargo era a única coisa capaz de mantê-la de pé, dormia no máximo quatro horas por dia, se alimentava de maneira desregulada às vezes chegava a almoçar no escritório enquanto estava em reunião por vídeo chamada. Para Atena esse sacrifício não era nada demais, tudo valia a pena a partir do momento em que ela se lembrava dos motivos desse esforço, teria muito tempo para descansar depois de prender Alexandre, não seria o sono e muito menos o cansaço que iria lhe fazer diminuir o ritmo, estava disposta a testar seus limites sem pensar duas vezes.

Arthur que acabava de chegar na sala de audiência do tribunal de justiça fazia malabarismos com três xícaras de café quente nas mãos.

— Atena, só tinha café sem açúcar -  Colocou a xícara em cima da mesa dela, entregou a outra ao escrivão que estava sentado do lado direito de Atena.

— Não tem problema, eu já nem sinto mais a diferença.

— Suas olheiras estão chegando perto do nariz - Riu.

— Sério? - Ela deu um gole no café em seguida abriu a câmera frontal do celular para olhar melhor as olheiras — Nada que uma maquiagem não resolva, eu saí as pressas de casa nem deu tempo de passar.

Com mais de oito audiências marcadas para o mesmo dia, Atena ainda teria que comparecer a uma reunião com o governador, estava extremamente ansiosa pois sabia que a conversa seria para dar início a invasão no complexo. A sensação é que a qualquer momento ela iria enlouquecer.

— Bom, hoje temos uma audiência de mediação para reconhecimento de paternidade, um caso de violência doméstica, processo de cassação de CNH... - Arthur folheava alguns papéis que estavam sobre a mesa.

Arthur hoje iria trabalhar junto com Atena em forma de agradecimento por ela ter lhe substituindo no interrogatório com os jornalistas da globo.

— Então vamos começar logo, quem é o primeiro? - Atena deu uma última arrumada na toga e se ajeitou na cadeira.

— Violência doméstica, parece que a vítima quer retirar a acusação, o agressor já está preso há cerca de seis meses.

Atena e Arthur ficaram trocando olhares de incredulidade.

— Peça para a Senhora Bruna Letícia dos Santos Assunção entrar - Disse Atena.

Não demorou muito e uma mulher franzina de estatura média entrou na sala, de cabeça baixa ela caminhou até a frente da mesa de Atena, parecia estar envergonhada, tinha olheiras profundas e cicatrizes espalhadas pelos braços e pescoço, nos papéis constava que ela tinha apenas quarenta e dois anos, mas sua aparência estava tão sobrecarregada que aparentava ter muito mais do que isso.

— Senhora, sente-se lá - Atena apontou para a cadeira.

— Me desculpa - Ela falou baixinho.

— Sem problema.

Atena sentiu seu coração ficar apertado no peito, sabia que tinha algo de muito errado acontecendo na vida daquela mulher.

— Meu nome é Atena de Morais Paiva, sou juíza, esse é o meu parceiro Doutor Arthur de Medeiros, nós estamos aqui para te ajudar.

A mulher bateu as pernas uma na outra, encarou os pés e em seguida começou a falar baixinho, Atena teve que se esforçar para ouvir.

— Eu gostaria de retirar a denúncia que eu fiz contra meu marido.

— Por que? - Atena perguntou.

— Ele está sofrendo muito na cadeia...

Atena suspirou fundo, não sabia se o coração daquela mulher era bondoso demais ou faltava algum apoio familiar ou sabe-se lá Deus o que leva uma pessoa a defender o agressor.

— Senhora Bruna, não é possível retirar a denúncia, porque o caso já foi julgado e houve provas suficientes para a condenação.

— Excelência, eu estou arrependida, deve haver um jeito - Ela quase implorou.

Aquele situação era muito constrangedora, Atena tinha o coração em pedaços no peito, como alguém poderia defender tanto uma pessoa que lhe fez tanta ruindade? Precisava ser firme na sua decisão, talvez ela fosse o choque de realidade que a mulher tanto precisava.

— Não, não tem um jeito e mesmo se tivesse eu não iria entrar com pedido de anulação — Atena leu algumas linhas do processo — Agora me responda o que leva a Senhora defender um homem que lhe batia com fio de arame todos os dias?

Ela encarou os pés, tinha o rosto vermelho, foi pega de surpresa com a pergunta da doutora.

— Eu já disse, ele está sofrendo muito, me liga todos os dias chorando me prometeu que vai mudar.

— Perdão? Ele te liga de dentro do presídio? - Arthur perguntou.

A mulher assentiu com a cabeça.

— Senhora Bruna, vou te contar uma coisa, a violência doméstica ela é como um ciclo, o agressor bate depois chora, promete que vai mudar, a vítima perdoa, ele passa alguns meses dizendo que mudou e depois agride novamente, mais uma vez pede perdão, a vítima acredita que dessa vez ele vai melhorar... A diferença é que cada vez mais as agressões vão ficando mais violentas e acabam em tragédias.

A mulher ficou em silêncio ainda encarava os pés.

— Sempre que ele te ligar, olhe para as cicatrizes do seu braço.

— A senhora faz o quê da vida? - Arthur perguntou.

— Sou professora.

— A vida é nosso bem mais valioso para desperdiçar com quem não merece, cuide de você, se ame e deixe que alguém que realmente te mereça lhe faça feliz, vai por mim sempre há uma nova chance de recomeçar, não desperdice seu tempo tentando voltar para algo que te faz infeliz. - Atena bateu o martelo.

A mulher assentiu com a cabeça e em seguida se retirou da sala.

— O que foi isso, Arthur? - Disse Atena indignada tinha a mão no peito.

— Já vi muito disso... - Arthur suspirou fundo.

— Alguém avisa sobre as falhas no sistema carcerário no presídio que ele está.

— Vou pedir para o ministério público investigar - Disse Arthur.

A próxima audiência era a mediação de reconhecimento de paternidade, junto as folhas do processo havia um envelope, era um teste de DNA, o resultado era positivo.

— Mande a Senhora Juliana Ferreira da Silva e o Senhor Pablo Nelvo dos Santos entrar - Disse Atena.

A mulher entrou primeiro, segurava uma menina que aparentava ter mais ou menos uns dois anos de idade nos braços, o homem logo em seguida, estava acompanhado de um advogado.

— Então o senhor Pablo disse que só vai assumir a paternidade se o exame de DNA comprovar? - Perguntou  Atena.

— Sim, senhora - O advogado respondeu.

— Aqui nos registros consta que o senhor não compareceu à dois exames marcados pela justiça, o que aconteceu?

— Meu cliente estava trabalhando e não pode comparecer - Respondeu o advogado novamente.

— O senhor Pablo tem uma boca pelo o que eu estou vendo daqui, acho que ele pode responder por si próprio - Disse Atena com uma nítida irritação na voz.

— Vossa excelência como advogado é o meu papel representá-lo.

— Eu sei muito bem qual é o papel de um advogado — Atena se virou para o homem mais uma vez — Então, senhor Pablo me responda.

O homem olhou apreensivo para o advogado em seguida respondeu.

— Eu estava ocupado, excelência.

Atena sabia que ele não compareceu porque não quis, afinal não tinha nenhuma justificativa da ausência dele no processo.

Atena se voltou para a mulher.

— Senhora Juliana, há quanto tempo vem tentando fazê-lo reconhecer a paternidade?

— Dois anos, eu propus fazer um exame particular, mas ele também se recusou, disse que não ia gastar com algo que daria negativo.

— Como tem tanta certeza que o resultado daria negativo, senhor Pablo?

— Porque na época ela andava com os homens do bairro inteiro e depois vem falar que o filho é meu? Conta outra - Respondeu Pablo com irritação.

— Como é difícil ser mulher - Disse Atena com um riso cínico rosto — Não há um dia de paz e respeito, que coisa horrível meu Deus — Atena olhou para alguns policiais militares que estavam perto da porta — Se vocês tiverem filha, cuidem, dêem muito amor e carinho porque o mundo lá fora é tenebroso.

— Eu não tenho tempo para ficar vindo em audiência pública, preciso cuidar do meu comércio, já tenho dois filhos, por que ela não foi atrás dos outros homens que dormiu? Ela é interesseira - Esbravejou Pablo.

Atena e Arthur se entreolham.

— Se eu jogar esse martelo na cabeça dele eu posso ser suspensa? - Atena cochichou no ouvido de Arthur

— Talvez o governador te defenda - Arthur riu.

— Senhor Pablo, acredito que uma pensão de trezentos reais não é capaz de deixar ninguém milionário, abaixa a bola, quem faz as perguntas aqui sou eu, caso contrário curse cinco anos de Direito, passe em um concurso e espere a sua vez de perguntar... Agora venha até aqui.

O homem fez o que ela pediu.

— Leia a última linha em alto em bom som - Atena lhe entregou o exame de DNA.

Ele ficou em silêncio lendo o papel em seguida olhou para seu advogado.

— Vamos leia - Disse Atena.

Ele engoliu seco e começou a ler.

— Portanto, conclui-se, diante das evidências (Presença dos alelos paternos) que Pablo Nelvo dos Santos é o pai biológico de Helena Ferreira da Silva.

— Meus parabéns papai, vou te dar uma semana para resolver a questão da pensão atrasada - Bateu o martelo.

Depois de uma manhã conturbada Atena achou que era mais que justo ter um almoço tranquilo, ligou para Isabela e lhe convidou para almoçar em um restaurante italiano no leblon, a prima disse que chegaria em torno de meia hora. Atena estava tão agitada e ansiosa com os pensamentos na operação que nem sequer viu uma mulher vindo em sua direção e acabou esbarrando nela.

— Me desculpa - Atena disse imediatamente.

Seu coração quase saltou para fora do peito, quando olhou no rosto dela, primeiro pensou que fosse Renata, mas em fração de segundos reconheceu que era Lanza.

— Tudo bem, não foi nada - Sorriu.

— Que surpresa te encontrar outra vez - Atena Retribuiu o sorriso.

— Pois é, diria que é o destino gritando para eu te convidar para sentar comigo, se não tiver companhia é claro.

Lanza já foi direto ao ponto, Atena ficou com vontade de rir do jeito atrapalhado dela, mas segurou.

— Eu estou aguardando a minha prima, mas ela ainda vai demorar eu te faço campainha durante esse tempo.

Claro que aceitaria sem pensar duas vezes.

— Ótimo!

Enquanto ela olhava o cardápio de bebidas, Atena reparou na semelhanças e diferenças que ela tinha com a irmã, Lanza era mais agitada, sorridente e muito extrovertida, tinha um estilo bem autêntico, seu sotaque era bem mais puxado, ela tinha mania de ficar massageando os ombros enquanto lia ou mexia no celular, diferente de Renata ela não possuía sardas no peito e pescoço, mas em compensação jogava o cabelo para trás exatamente igual a irmã.

— Eu quero uma taça de vinho - Disse Lanza ao garçom.

— Um suco de laranja.

— Não bebe?

— Adoraria, mas daqui uma hora tenho uma reunião muito importante.

— Entendo... Fiquei sabendo que você é juíza e quase infartou a Renata.

Atena riu.

— Bom, eu sou juíza sim, mas a respeito de fazer sua irmã passar mal, eu não fiquei sabendo.

— Pois é, quando ela te viu por trás daquela mesa só não desmaiou porque as forças divinas não permitiram.

Atena riu outra vez, Lanza falava de um jeito que deixava tudo mais engraçado.

— Me desculpa, não foi minha intenção.

— Eu te segui no instagram há três dias - Disse Lanza animada.

— Eu vi, segui de volta... Posso saber o motivo que te levou a isso?

— Ouvir a Renata falar de você por três horas seguidas já me parece um motivo bom o suficiente.

O garçom voltou trazendo os pedidos, Lanza deu um gole generoso na taça de vinho.

— Deixa eu adivinhar, me chamou para almoçar a pedido de Renata? - Arqueou as sobrancelhas.

— Não, aliás se ela souber vai me matar, te chamei porque achei que você seria uma boa companhia.

— Você mente muito bem Lanza - Riu e em seguida tomou um pouco do suco.

— Não complica as coisas, Atena - Riu.

— Como a Renata está?

— Bem e com saudades de você - Ela sorriu maliciosamente.

— Incrível como essa saudade só bateu depois de dois anos.

— Agora você já sabe o que aconteceu... - Lanza suspirou fundo.

— Sei sim senhorita Lanza, e mesmo assim continuo não concordando.

— Atena, você se tornou uma mulher linda e muito inteligente, deve saber que todos nós temos defeitos e erramos, com a minha irmã não é diferente, a questão é que sempre cobramos demais daqueles que amamos pois esperamos uma certa perfeição que não existe.

— Olha, primeiramente muito obrigada pelos elogios e segundo, você tem uma lábia muito boa - Atena se levantou ao ver Isabela chegando.

— Onde você vai?

— Minha prima chegou - Apontou para Isabela.

— Achei que ela iria demorar tempo suficiente para eu te raptar e levar para Renata - Revirou os olhos.

Atena riu.

— Adorei te encontrar Lanza, o tempo só fez bem para você também - Lhe deu um beijo no rosto.

— Obrigada, muitas aplicação de ácido hialurônico no rosto - Disse orgulhosa

— Você é engraçada, me convide mais vezes para sair.

— Convido sim cunhada - piscou para Atena.

Após o almoço com Isabela, Atena recebeu uma ligação para ir urgente até a sede do BOPE, Pardal tinha entregado alguns pontos importantes e implorava por proteção, o governador logo iria dar a permissão para a operação começar.


Notas Finais


👀🔥 @aantoniamachado me mandou essa capa na dm ❤❤

Proxima att: Amanhã ou segunda.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...