História Antes do Amanhecer (Long Fic - Jeon Jungkook) - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Loona
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), JinSoul
Tags Bts, Drama, Fanfic, Jinsoul, Jungkook, Jungsoul, Loona, Magia, Reino, Romance
Visualizações 16
Palavras 3.612
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Soldado Invernal


❝Por mais que a distância possa separar dois olhares, nunca irá separar dois corações.❞



               Eu abro os olhos. Mais uma vez em um longo período de tempo, perguntando-me instantâneamente em que época eu encontro-me dessa vez, á medida que a minha visão torna-se clara e nítida. Porém, a  verdade é a de que não possuo nenhum conhecimento sobre a quantidade exata de tempo em que estou presa nessa maldição, cuja da qual, eu fui enclausurada por Hórus em seus encantos perversos e intrigantes.

O amor é a chave para sua redenção.

Foram essas as palavras proferidas com orgulho e poder, pelo o que eu julgo ser hoje a feiticeira e a razão pela lástima que acontece em minha vida, ou a realidade paralela que aflinge-me, por assim dizer. A solução para o quebra-cabeça enredador, surgiu como uma rajada tempestuosa de uma trovoada e deu a lógica breve para os meus raciocínios, quando deparei-me com um Jungkook, em uma outra dimensão, vivendo de maneira distinta a nossa, sem lembranças de quem eu ou nós fomos um dia.

Eu devia fazê-lo apaixonar-se por mim.

Fazê-lo relembrar de toda a verdade antes do amanhecer do dia seguinte. Onde em um ciclo vicioso éramos transportados para um novo mundo, em uma nova realidade, em uma nova vida. E em minhas falhas e fracassadas tentativas, tudo resetava-se e eu encontrava-me perdida na frustação de ver o amor da minha vida, escapar novamente com os primeiros raios de sóis de uma bela manhã. Para que então a escuridão fosse capaz de dominar-me e em frações de segundos eu acordar em um lugar distinto, com resquícios - suficientes - para a minha sobrevivência a mais uma nova realidade em busca do meu eterno amor.

Quando o meu tormento irá ter um fim?

É de contragosto e involuntário a pergunta que faço-me todas as manhãs em que idealizo um destino divergente do qual eu encontro-me. A esperança que irei despertar de um terrível pesadelo, e estar de volta a Angarius e ser amparada por um abraço caloroso e amável de Jungkook, tornam-se cada vez mais escassos. E mais uma vez deparo-me, para a minha lástima e infortúnio de que estou presa pela escuridão de Hórus.

Esvazio minha mente de tais pensamentos corriqueiros e matinais, cujo dos quais eu tenho que lidar todas as manhãs. Mesmo sabendo e conformando-me em meu interior de que não há soluções suficientes à eles, ao passo que atento-me ao lugar em que encontro-me. Estou deitada sobre uma cama confortável e um ambiente limpo e arejado. Meus olhos automaticamente caem sobre a minha vestimenta, uma camisola até abaixo dos meus joelhos, em uma tonalidade clara de rosa.

Observo o ambiente a minha volta com atenção, tentando captar informações sobre como será as minhas próximas vinte e quatro horas de uma nova vida, antes mesmos que os resquícios das supostas memórias possam surgir em minha mente. Noto as tonalidades da tintura e dos móveis que decoram o quarto e que não fogem da semelhança da minha vestimenta, tons pastéis para ser mais específica.

Escuto o soar do cantar de pássaros que aparentemente voam por aquela região, ou por entre as árvores que consigo avistar da única janela do quarto. Aproximo-me, á medida que tenho a consciência que já estive a este mundo anteriormente, contudo, em outra época, onde as roupas eram extremamente coloridas e extravagantes, por assim dizer, um tanto estranhas. Desvio meus pensamentos, atentando-me ao que vejo pela fresta da cortina que abro da janela. Há um jardim, não um dos mais belos que já avistei, e envolto dele e a cerca dos perímetros da casa, há vários homens, a maioria carrega consigo armas de fogo, cujas das quais já tive a infelicidade de conhecer.

Firmo meu olhar em direção a eles, em uma tentativa de obter maiores informações sobre quem pudessem vir a serem. E então como uma trovoada estrondosa e poderosa, eu tenho os resquícios de lembranças que anseio por todas as vezes em que acordo em um novo mundo, ao mesmo instânte em que meus olhos encontram o símbolo de uma suástica preta ao fundo vermelho, cravado em uma patente em todos os braços esquerdos dos homens postos em guarda. 

Eles são soldados. O mundo vive em guerra. Eu sou alemã.

Eu tento decifrar os significados e os sentidos que denominam tais informações, mas, minha linha de raciocínio é interrompida por suaves batidas na porta amadeirada do quarto. Eu fecho a cortina, ainda em incógnita onde exatamente eu estou.

─ Entre. ─ Digo, e por um instânte, repenso sobre o meu ato, ao tomar a consciência de que ainda estou com roupas inaprópriadas.

A porta abre-se vagarosamente, e uma senhora, em média de seus quarenta anos, adentra. Suas vestimentas são todas pretas, e sua cabeça permanece baixa, ela sequer ousa erguer seu olhar a minha pessoa. Dando-me a sensação de ser algo proibido ou inadequado.

─ O Sr. Jung deseja que a senhorita desça imediatamente. Há um anúncio a ser feito. ─ Suas mãos estão em frente ao seu corpo, unidas formalmente. Contudo, é a falta de contato visual que incomoda-me.

─ Está bem. ─ Digo, buscando seu olhar que é evitado, enquanto ela gesticula brevemente um aceno de concordância, retirando-se o mais rápido possível do cômodo.

Estranho sua atitude, o que começa a fazer-me pensar o quanto mal vive o mundo em que eu estou nessas próximas vinte quatro horas. Nada bom. Meu consciente adverte, mas, sei que em momentos sombrios como esse da maldição em que eu vivo, ele não é o melhor conselheiro a ser ouvido.

Percorro meu olhar pelo ambiente, á procura de algo para vestir e logo encontro o guarda-roupas, em sua tonalidade branca amadeirada, com arabesco florais em suas portas, dando ao móvel um ar delicado e harmônico. Eu busco pelas roupas, encontrando trajes na mesma coloração que predominam por todo o cômodo, o sem graça tons de pastéis.

Claramente, não há muita vida por esse lugar.

Troco de roupa o mais rápido que consigo, sabendo que não posso dar-me o privilégio de atentar-me a coisas banais. Eu devia seguir o roteiro da minha suposta nova vida, á medida que eu tento de todas as maneiras possíveis fazer com que Jungkook relembre-se de quem ele foi um dia.

De quem nós fomos.

Saio apressada pelo corredor, sabendo em meu inconsciente qual o caminho certeiro que devo prosseguir. Avisto a escadaria, observando alguns, do que meus pensamentos subjulgam soldados aliados, postos de guarda a entrada da casa. Ao passar por eles, acenam respeitosos um breve balançar de cabeça em educação ao dia que inicia-se.

Continuo meu caminhar em direção a sala de jantar, onde agora ocorre o café da manhã, o que minha mente indica ser algo corriqueiro. As portas estão escorradas, e eu as abro delicadamente, adentrando ao local. Não é necessário palavras ou gestos para compreender o clima fúnebre e malévolo que domina o cômodo. Todos os olhares voltam-se a mim e eu sinto o amendontramento abater-me.

Primeiramente, meu olhar paira sobre os funcionários da casa. Todos estão cabisbaixos, com o medo emanando de suas próprias respirações. Algo ocorreu, algo grave. E por uma fração de segundos ao observá-los atentamente eu tenho a consciência de que reconheço essa reação. A angústia e o horror que percorrem por eles, evidênciando suas fraquezas e apavoramento, com o temor do que serão de suas próprias vidas.

Antes da maldição de Hórus aflingir-me, há alguns anos atrás, o meu mundo também vivia em guerra. Liderado pelo tirano e perverso, Darvus, que desejava e almejava conquistar todos os reinos a seu alcance, incluindo Angarius. E dentre os inúmeros confrontos que foram travados entre ambos os reinos, o povo de Angarius viu o seu querido e aclamado rei, o meu amado Jungkook, sair gravemente ferido dos campos de batalha. Os médicos suspeitavam de sua completa recuperação e como solução eu fui posta a liderança de Angarius.

Tudo caminhava em direção ao abismo, e em cada batalha mais bravos e corajosos soldados angarianos perdiam suas vidas, levando consigo a esperança de mantermos nosso reino unido e próspero. A resposta para o desfecho da lástima que nos assombrava, veio quando a família de Darvus foi captura em meio a floresta, enquanto faziam um deslocamento estratégico.

Sua esposa com um filho no ventre, as duas princesas, e seu primogênito e herdeiro foram pegos de surpresa pelas nossas tropas, e como consequência foram trazidos até a mim. Os olhares de pavor e amendontramento daquela nobre familia foram irreversíveis quando a minha sentença foi dada a eles.

A morte para os seguidores de Darvus.

Alguns monarcas foram contra a minha postura, e pelos corredores burbulharam sobre a minha suposta tirania. Porém, eu buscava a paz ao meu povo, e só havia um modo de fazê-lo. Eliminando com tudo aquilo que Darvus amou um dia. E assim eu o fiz.

─ Que bom que já acordou, minha querida. ─ Um esguio e robusto homem refere-se à mim, e percebo sua soberaniedade sobre todos ao ambiente. Representando em sua tonalidade de voz, o controle em não querer transmitir a raiva e a cólera que o domina nesse momento.

Meus pensamentos são dispersos, ao notar um par de olhos cor de mel a encarar-me. Eu observo o corpo pequeno e ligeiro de Baek tentar sobressair-se na busca em querer chamar por minha atenção. E ao capta-lá, o seu olhar direciona-se a mesa, indicando para que eu tome a cadeira a sua frente. Sigo suas instruções, um tanto pasma com a postura enfraquecida e desnordeada dos funcionários. Ao mesmo instânte que Baek acena negativamente um gesto de cabeça para que eu evite de os encarar, e assim eu o faço novamente.

Eu gosto de pensar sobre Baek ser o meu suposto anjo da guarda, e esse contraditório raciocínio, faz com a sua figura de uma criança na faixa de seus onze de idade, torne-se menos desprezível ao passar do tempo. Pois, na verdade, ele é muito pior. Uma criação de Hórus para atormentar-me e relembrar-me da maldição que acerca-me. Porém, em alguns momentos - raros, na verdade - a sua companhia ajudava-me em minhas fracassadas reflexões e soluções de por um fim a essa maldição.

─ General Jung. ─ O senhor sentado a mesa juntamente a nós é chamado, fazendo com que a xícara de café volte a repousar sobre o pequeno pires.

Vejo os corpos dos funcionários tremurarem, e o desespero tomar contar das indefesas pessoas a nossa frente. Baek abaixa a cabeça, e pronuncia algumas palavras indecifráveis, o ambiente o incomoda e sei que ele permanece aqui a contragosto. Ele faz parte de tudo isso, e não pode simplesmente fugir, assim como eu.

O corpo esguio de Jungkook adentra ao cômodo, e eu o olho incerta do que ele possa significar nesse mundo. As vestes escuras, com patentes distribuidas em seu peitoral, enfatizam ainda mais o símbolo suástica posto ao seu braço esquerdo. Ele retira o chapéu que assim como sua postura esbanja a sua superioridade á todos.

─ Major Jeon, estava-me perguntando quando você chegaria. ─ O tom irônico e prepotente é evidente a voz do senhor, que aos poucos eu tenho a consciência de que trata-se de meu pai. ─ Creio que ficou sabendo da lástima que nos afligiu durante a madrugada.

Meus olhos firmam-se sobre Jungkook, buscando de alguma maneira encontrar nessa nova versão, algo que remeta-me ao grande e próspero rei que governa não somente o meu coração, mas o destino de muitas outras pessoas. Seus olhos de jabuticaba percorrem rapidamente por mim, sem dar-me muita atenção, pairando em seguida sobre os funcionários ainda cabisbaixos, enquanto algumas mulheres tentam controlar e conter o choro.

─ Aqueles vermes, parasitas! ─ A voz de meu pai toma uma proporção drástica, e sua mão bate ferozmente contra a mesa, fazendo com que todos assustem-se. ─ Quero que você descubra o desgraçado que ousou a nos desafiar e que os libertaram.

─ Eu e meus homens faremos o impossível para encontrar os refúgiados. ─ Jungkook diz confiante e seguro de si, fazendo com que um sorriso malévolo ressalte do rosto de meu pai.

─ Faça o seu melhor, Major Jeon. ─ Sinto uma ponta de desafio vinda do senhor, e Jungkook consente com um breve aceno de cabeça, á medida que seu olhar falha e encontra os meus, fazendo toda a sua interpretação fraquejar.

Jungkook havia os libertado!

***

Após os acontecimentos fatídicos e calamitosos presenciados ao café da manhã, eu obtive maiores e infortúnias memórias sobre o mundo em que partilho nesse momento. Há ódio e rancor, a escuridão prevalece sobre os corações, provocando mortes e guerras em busca de um objetivo do qual não existe. Não há superioridade, há loucura, insanidade de uma mente alucinada, que todos seguem como uma doutrina abençoada.

E nesse meio tempo eu havia procurado pela presença de Jungkook desde então. De fato, eu sabia que ele estava por trás da libertação do campo de concentração. E a verdade é  que o meu coração alegrava-se por isso, pois ele manteve sua mais pura essência, apesar da obscuriedade que nos assola. Baek, ao contrário de mim, havia desistido de ajudar-me a procurar por Jungkook, e voltado a afundar sua atenção aos seus livros de astronomia. Algo que desde o princípio o intriga, ele dizia que nossas almas são como as estrelas, refletem o nosso próprio brilho, mas que são incapazes de serem alcançadas ou capturadas.

Por vezes, deixe-me enganar pelas representações físicas de Baek, sempre na forma de um garoto na faixa etária de seus onze anos, esbanjando alegria e doçura. Porém, enganado é o indivíduo que acredita apenas em sua aparência física. Baek nada mais é do que uma criação da mente sombria e perturbada de Hórus. Que busca na imagem do garoto, a clareza das minhas fraquezas e questionamentos, afim de atribuí-las a cada novo mundo em que éramos postos para eu ser testada.

Em um ciclo vicioso de desespero e frustações.

Avisto o pôr-do-sol, que em sua mais esplêndida plenitude esbanja o céu em colorações rosadas e alaranjadas. Entretanto, a sua beleza já não encanta-me da mesma maneira que fazia antes. Agora a reação que tenho é a de saber que o meu tempo está acabando, assim como uma ampulheta, vendo a areia escorrer indicando a aproximação do final de mais um período.

Eu encontro-me estática, encarando o estábulo a minha frente, e deparo-me com a idéia de que talvez esse fosse o único lugar que aparentemente eu não havia procurado por Jungkook. Consigo ouvir os relinchados dos cavalos que dentro daquele ambiente permanecem e não contenho os meus pensamentos em fazer uma analogia ao campo de concentração que avistei brevemente, antes que um dos soldados alemãos, levasse-me de volta para casa a contragosto.

Esse mundo está envolto e perdido na escuridão.

Respiro fundo, percebendo que os ultimos resquícios de raios de sóis ocultam-se ao horizonte em sentido ao oeste, onde o início da noite vangloria-se. Caminho, decidida e esperançosa de que irei encontrar Jungkook naquele lugar. E empurro a porta da entrada, ouvindo a ranger e recebendo um olhar amarronzado e intrigado a analisar-me, ao mesmo instânte que passo pela fresta da porta.

─ O General Jung não irá gostar de saber que esteve por aqui. ─ Sua voz expressa a indiferença diante á mim, enquanto ele alimenta um dos cavalos.

─ Há muitas coisas que acontecem por aqui que atrairá o descontentamento do General. ─ Afirmo, buscando o olhar de Jungkook, que ergue-se até a mim, curioso e de certa maneira amedontrado.

─ Do que você refere-se? ─ Ele desiste de dar atenção ao animal, levando suas mãos para atrás de suas costas, e caminhando em minha direção, enquanto firma o seu olhar sobre mim.

─ Eu sei o que você fez... ─ Deixo que a conclusão de minhas palavras percam-se ao silêncio que estabelece-se entre nós.

─ Você poderia ser mais específica, não acha? ─ Conheço o ar dissimulado de Jungkook, mesmo que não compartilhamos as mesmas memórias nesse momento.

─ Foi você quem os libertou. ─ Não deixo que minhas palavras soem como pergunta, enfatizando a veracidade sobre elas, á medida que Jungkook esquadrinha meu rosto em busca de alguma falha em que ele possa prender-se.

─ E o que a faz pensar dessa forma? ─ Sua sobrancelha ergue-se, instigando os meus sentidos, e eu sinto meu coração acelerar-se.

Eu desejo o envolver em um beijo ardente e livrar-me de toda armagura, angústia e frustação que essa maldição está enclausurado-me. Entretanto, eu sei em meu interior, que eu devo ir contra os meus primeiros instintos de desejos e tentações. Eu tenho que o conquistar, fazer com que de alguma forma resquícios de quem ele realmente é, volte em sua memória.

─ Deixe-me ajudá-lo.

─ Como sei que posso confiar em você? ─ Seus olhos escuros, encaram duvidosos os meus, e eu sei que nesse momento, ele busca uma certeza para acreditar em minhas palavras.

─ Eu estou aqui. ─ Aproximo-me, ao passo que ele afasta-se, receoso, de mim. ─ Eu poderia ter contado ao General, mas eu não o fiz. Deixe-me ajudar, Jungkook

Ele suspira, sem saber ao certo dos quais serão os seus próximos passos, buscando refletir sobre o que o convém-lhe da melhor maneira. Ao final, o moreno menea a cabeça, enquanto parece entrar em um consentimento sobre a minha participação em seus planos.

─ Encontre-me no jardim ao badalar da meia noite. ─ O moreno restringe suas informações, e eu sei que no fundo ele ainda dúvida das minhas boas intenções. Em resposta eu sorrio, contente por ganhar, mesmo que brevemente, a sua confiança. E isso parece o alegrar. ─ Eu estou contando com a sua ajuda, Jinsoul.

Todo o meu corpo estremesse, e sinto os meus sentidos congelarem, mesmo que por um instânte, ao ouvir-lo proferir o meu nome. Fazendo com que eu deixe uma ponta de esperança ressurgir em mim, talvez, acreditando que pudesse haver um significado para além do que a pronuncia do meu nome. Talvez, eu desejasse acreditar que um resquício da verdade relâmpiou em sua mente. Ou talvez, eu estou a tanto tempo presa a essas ilusões que os meus pensamentos já não saibam mais discernir entre o que é sã e a insanidade.

***


Eu não esperei que os ponteiros unissem-se a meia-noite para deixar os meus aposentos em direção ao jardim. A última vez que olhei para o objeto em meu criado mudo, o mesmo completava a contagem regressiva de cinco minutos para as meia-noite. Hora da qual, julguei mais que certeira, para partir em busca do meu único amor. Ele precisa saber que estou ao seu lado e que eu o ajudarei. O plano consistia em levar os refugiados do campo de concentração até uma área específica da floresta, onde outros soldados alemãos, apoiadores da mesma causa de Jungkook, estariam em seu aguardo, para os levarem a um local seguro.

Mas, tudo foi por água a baixo quando eu cheguei ao jardim.

Ao lado do General Jung havia dois soldados empunhados de seus fuzis, enquanto outros dois seguravam um de seus comparças. O seu rosto é familiar, e não demora para que vestígios de memórias contribuam para a minha conclusão. O soldado Park. O encaro atentamente observando os hematomas que intensificam a gravidade que seu rosto encontra-se.

Os olhares voltam-se em minha direção. E o General sorri ironicamente, deixando evidente o deboche e desapontamento da sua opinião sobre mim. Ele caminha alguns passos para trás, dando-me a  clareza da visão que antes eu era desprovida. Jungkook está de joelhos, com as mãos amarradas para trás, enquanto é contido por mais dois soldados. Seu olhar paira sobre mim, e eu nego, em um balançar de cabeça, que eu tenha sido a delatora de seu plano. Entretanto, o seu breve abanar de cabeça deixa claro que essa consciência ele já possui.

─ Você também faz parte desse complô miserável? ─ O General avança em minha direção, e eu recuo alguns passos, sentindo o pavor dominar sobre o meu ser.

Ele é desprezível.

─ O seu problema é comigo, desgraçado! ─ Jungkook esbraveja. Fazendo um sorriso tentador e depravado suprir a cólera momentânea do General.

─ Vocês realmente acharam que podiam ajudar aqueles vermes? ─ Ele ri, malévolo e cruel, enquanto trilha os seus passos de volta em direção a Jungkook.

─ O que vocês fazem aqui está errado! É desumano! ─ O moreno opina ferozmente, antes de ser calado por um soco em seu maxilar.

─ O que você sabe sobre isso? ─ O General debocha, agachando na mesma altura em que Jungkook encontra-se.

─ Nós não somos superiores a ninguém, você também não é! ─ Jungkook vocifera com toda a raiva que esvai de seu corpo, e em um gesto para ver-se livre de sua indignação e revolta, ele gospe ao rosto do General, como sua única forma de protesto.

─ Muito bem. ─ O senhor levanta-se com um sorriso audacioso, enquanto passa a mão por seu rosto, limpando os vestígios. ─ Você acredita que somos todos iguais, não é mesmo, Major Jeon?

Eu tento caminhar, e alcançar Jungkook de alguma forma, mas, eu estou estática, sem reação. Olho para o meu lado, ao perceber a pequena mão de Baek envolver-se a minha. Ele é a razão pela qual eu estou presa. Seus olhos encaram-me em uma tentativa de confortar o meu coração, com a tristeza de que o fim está próximo e mais uma vez eu havia falhado.

─ Não, Baek... ─ Minha voz falha ao embargar e meus olhos encherem-se de lágrimas. Talvez, eu nunca devesse ter proposto ajudá-lo. Jungkook havia sido descoberto pois aguardava por mim ao jardim. Eu havia sido, mais uma vez, a nossa ruína.

─ Já que deseja tamanha igualdade, eu irei o tratar como um deles, Major Jeon. ─ O General debocha, e sem hesitar, saca o seu revólver, dando ao peito de Jungkook três tiros, antes de finalizá-lo com um tiro certeiro na cabeça.

E essa foi a primeira vez, dentre as inúmeras dessa maldição, que eu via o amor da minha vida morrer.


Notas Finais


Escrita por: barwless (Wattpad)

Adaptada por: BTSFLAWLESS (Spirit e Wattpad)


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