História Antes que a vida acabe. - Capítulo 16


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Categorias Once Upon a Time, Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Elsa, Emma Swan, Ingrid / Rainha da Neve / Sarah Fisher, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Piper Chapman, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Emma Swan, Homossexualidade, Once Upon A Time, Regina Mills, Romance, Serie, Swanqueen
Visualizações 402
Palavras 4.732
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Dois capítulo em um dia, é isso mesmo produção? kkkkk É isso mesmo. Eu estou tão envolvida na história das duas que escrevi compulsivamente ontem. Pude ficar um tempo em casa e me dediquei um pouquinho mais. Assim como no capítulo anterior, os títulos fazem parte de uma playlist que logo eu vou disponibilizar no Spotify, pra vocês ouvirem enquanto leem, elas fazem todo sentido. Gostaria muito que vocês ouvissem essa música do título, em especial, porque ela é bastante importante no enredo da história. Se for possível, escutem no youtube mesmo. É Let It All Go - Birdy and Rhodes. Esse capítulo eu escrevi e chorei. Espero que sintam toda a emoção que senti. Adoro os comentários de vocês, bjinhoss!!

Capítulo 16 - Let it All Go.


Tchau Fiona, até amanhã. — Emma havia terminado mais um turno. Estava com o humor nas alturas. O dia tinha passado rápido e a cada bip que o celular dava notificando mensagem de Regina, era um sorriso diferente que ela dava.

Não tinha anoitecido ainda, ela adorava fim de tarde no Central Park.

Estacionou o carro lá, sentou na grama e ficou olhando o movimento de pessoas. Algumas correndo com fones no ouvido, outras passeando com seus cachorros, outras andando de mãos dadas. Sorriu ao ver um casal abraçados na grama, foi inevitável não lembrar de seu momento com Regina que, na sua visão parecia ter sido cena de filme. 

Saiu dali e foi a uma floricultura, comprou um arranjo de lírios para dar a Regina. Estava tão empolgada que parecia andar em nuvens com a descoberta de novos sentimentos. Pediu para o motoboy entregar as flores no endereço respectivo ao da casa de Mills, junto com um cartão.

No cartão dizia o seguinte:

"Às vezes não estamos preparados para quedas bruscas, onde damos com corpo e alma no chão. E talvez não possamos evitar esse tipo de queda, ela acontece. Assim como todas as outras coisas, boas ou ruins, que vão existir ainda para acontecer com cada uma de nós. 
Em uma próxima queda sua, não te prometo segurar antes de cair, mas prometo estar ao teu lado, se me permitir, cuidando de cada ferida nova que te machucou. Eu acredito que não te conheci por acaso, assim como acho que o acaso não  existe. Você é linda e forte. Lembre-se sempre disso.

-Emma Swan"

Emma dirigiu  até a casa de sua mãe, estava com saudades do colo dela, eram bastante apegadas, também pelo fato de Ingrid ser sempre muito presente na vida de Emma. Quando casou e foi morar em outro país, foi bem difícil para as duas.

-Emma, minha filha. — Ingrid abriu a porta e encontrou a menina que era a sua cara no lado de fora, esboçando um sorriso enorme.

-Que saudade mãe. — Emma entrava abraçando sua genitora.

-Você sempre vem de surpresa, deveria me avisar antes pra eu poder preparar algo gostoso pra comermos.

-Desculpe, na próxima eu aviso.

Emma e Ingrid engataram em uma conversa no quarto. Emma queria dormir agarrada com a mãe e não ia dispensar os carinhos.

-Mas me conta filha, como estão indo as coisas, como está esse coração? e o serviço?

-Ah mamãe. — Emma deu um longo suspiro. — Está tudo ótimo, parece até mentira... tirando as complicações com Elsa que vem surgindo, tudo anda de vento em popa.

-Eu fico feliz que a minha menina está feliz. Vai me contar o motivo desses suspiros ai ou terei que adivinhar?

-Já te falei de Regina?

-Falou sim.

-Então... — Emma falava com as mãos cruzadas em cima do peito, olhando para o teto. - A gente se aproximou muito mais e... eu estou gostando dela. — Era sempre uma sensação diferente quando afirmava alto que gostava de Regina.

-Mas Emma, isso já era visível minha filha. Desde a primeira vez que me falou dela eu já senti. Mas, e ela, como é em relação a isso?

-Acredito que seja recíproco, ontem dormimos juntas.. não rolou nada. — Emma riu virando-se para enxergar a mãe. - Você acredita que eu dormi? não fizemos nada. — Colocou as mãos no rosto. - Admito que eu estava querendo ir com calma, apesar de já nos conhecermos bem... Não queria ultrapassar nenhum limite.

-É... você gosta dela mesmo. A Emma Swan que eu conheço não é insegura. — Ingrid dizia, estava com o óculos na ponta do nariz lendo um livro.

-Não é insegurança, é cuidado. — Emma bufou.

-Cuidados excessivos, típico de Emma. — Ingrid fechava o livro e virava sua atenção para a filha. - Escolheu a profissão certa mesmo.

-Mandei flores pra ela hoje.

-Romântico.

-Você acha? será que ela vai gostar? Mandei um cartão junto.

-Quais foram as flores?

-Lírios? — Emma dizia, coçando a nuca e torcendo a boca. Sabia bem o significado.

-Lírios, minha filha... Tenha dó.

-O que? Foi as primeiras flores que vi, nem me apeguei a significados.

-Mas e se ela se apegar? — Ingrid desligava o seu abajur que ficava na cômoda ao lado de sua cama.

Emma não respondeu, apenas fechou os olhos. Não ia falar pra mãe que escolheu as flores a dedo, ia se entregar e não queria. Mas dona Ingrid conhecia a filha como a palma de sua mão.

-Boa noite mamãe. — Emma se virava agarrando um travesseiro.

-Boa noite Emm.

Ingrid era esperta. Mas não ia ficar interrogando a filha, sabia que com o tempo, ela iria se abrir ainda mais. Talvez esse novo sentimento em sua pequena, esteja sendo algo intenso e ainda muito recente, mas foi como ela mesma já disse para Emma: Intensidade e conexão acontecem de um dia para o outro. 

                                                               xxx

  

-Irmã, comprei minhas passagens e embarco amanhã, vai ir junto? — Zelena dizia enrolada em uma toalha passando pelo quarto de Regina.

-É o que? você não esperou para eu comprar junto, Zelena Mills, volta aqui. — Regina gritava.

-Eu comprei a sua também. Mas se quiser pode adiar.

-Por que você não me avisou? Que horas é a decolagem? por que não disse mais cedo olha o horário..

-É as 11hs da manhã, te ajudo a arrumar as coisas.

-Não sei se vou. — Disse visivelmente brava.

-Você que sabe, depois não reclame quando papai estiver no hospi..

-Cala boca pelo amor de deus. — Interrompeu.

-Desculpa. — Zelena disse e logo o interfone tocou. - Vou atender.

Zelena atendeu, pediram para alguém descer até a recepção pois tinha chego uma entrega para Regina. Eram as flores que Emma havia comprado. Pegou as flores e subiu aproveitando para ler o cartão dentro do elevador. - Meu deus a loira está apaixonada. 

-REGINA REGINA CORRE AQUI VIADO. — Zelena entrava em casa gritando.

-O que houve? — Regina correu para ver, estava assustada com o coração na boca.

-Olha, você recebeu flores.

-Será que você poderia não me matar de susto da próxima vez, achei que alguém tinha morrido. — Regina caminhava até a irmã pegando o lindo arranjo de lírios nas mãos.

-Tem um cartão. — Se fez de desentendida olhando para o lado, como se já não tivesse lido.

Regina encheu seu peito de ar e foi inevitável não sorrir ao ver as Iniciais de Emma no envelope.

Leu o cartão, seus olhos marejaram, ainda estava com o buquê nas mãos. Zelena observava cada detalhe das reações, que as palavras causavam em sua irmã. Era realmente tudo muito profundo. Emma, sem perceber, se instalava cada vez mais em Regina. Ela cheirou as flores, o cheiro era de Emma, impregnou. Lembrou-se da noite com a loira, do quanto era cuidadosa e amável. 

-Oh Emma... — Sorriu olhando mais uma vez para o cartão.

-Posso ler? — Zelena dizia pegando as flores e colocando em um vaso.

-Tenho certeza que você já leu. — Regina se jogava no sofá.

-Sis, que mulher é essa, eu quero uma assim pra mim, de onde ela veio tem mais? — Zelena ficava de joelhos no chão ao lado de Regina.

-Eu não sei, não sei. — Estava em êxtase. Se a intenção de Emma foi deixá-la assim, conseguiu. - Nunca ninguém me coisou tanto.

-Coisou?

-Sim. Por acaso já teve miniterremotos dentro de você? Porque é isso que está acontecendo no meu estômago agora.

-Borboletas, sis.

-Borboletas são leves. Terremotos não, eles chegam devastando tudo, limpando tudo. São pesados, densos. Emma não me devastou, mas ela me tirou de um limbo onde eu não conseguia nem mais me enxergar... mas foi como um terremoto. Ah sis... estou perdida. — Colocava as mãos no rosto.

-Ai Regina, eu não sei nem o que te dizer, só sei que eu estou feliz por você. Não imagina o quanto. — Abraçou a irmã com um braço, ainda estava de joelhos no chão.

-Vem, me ajuda a arrumar as roupas, vou ir com você amanhã. —  Regina dizia levantando. Com seu estado de espírito totalmente mais leve.

Ela queria ir para o Brasil, a falta que os pais faziam em sua vida era latente, mas aprendeu desde muito cedo viver sem eles por perto. Descartaria a preocupação que sentia, ao ver o pai e sua saúde em dia. Tinha certeza que Zelena e Cora aumentavam muito. Depois de verificar de perto as condições de sua família e matar a saudade, ela voltaria ainda mais leve.

Visto que Emma já era presente demais em seus pensamentos, ou em qualquer devaneio simples, decidiu que voltaria o mais rápido ainda. Se estar longe por minutos de Swan, já estava sendo "estranho", longe por horas, seria muito mais.

Estranho no sentido de que, não ter um contato diário e físico com a moça já estava lhe causando um desconforto real. Ter Emma por perto estava sendo um afago no coração.

"Lírios deveriam ter cheiro de lírios, esses tinham o teu cheiro. Impregnado. Sorri quando senti o teu beijo na minha bochecha ao aproximar meu rosto das flores. Eu me sinto segura sabendo que você existe, que está disposta a cuidar dos meus machucados futuros, assim como está cuidando de um machucado passado. Sabe, nem sinto mais doer. Espero que saiba que me tirou de um limbo psicológico. Você se torna cada dia mais especial, Emma."

—Regina enviou a mensagem para Emma e logo mais uma.

"Amanhã estarei viajando para o Brasil, ficarei uma semana, no máximo. Já sinto saudades." 

Emma já estava dormindo quando Regina enviou as mensagens.

As Mills acordaram cedo para irem ao aeroporto. Fizeram todos os procedimentos para o embarque e decolaram.

Horas dentro de um avião. Regina conseguiu dormir um pouco, leu alguns capítulos de um livro que tinha levado, escutou música... E pensou muito em Emma, porque era inevitável. A ida até o Brasil era muito cansativa, mas esse sacrifício não era feito com frequência. 

-Regina, estamos quase aterrizando. — Zelena chamava a atenção da irmã que estava ao seu lado.

-Eu vi sis, eu vi. — Regina olhava para baixo, o céu estava limpo, ela gostava muito da imagem do Cristo Redentor, nunca foi religiosa, mas a figura e a história de Jesus, muito lhe chamava atenção.

-Dios Mio, solo, solo brasileiro eu cheguei. — Zelena dizia descendo as escadas do avião.

A ruiva ligou para o motorista que ficava a sua disposição em casa e pediu para busca-las. Cora e Henry estavam esperando as filhas, ansiosos. Nunca ficaram tão longe de Zelena, como estavam habituados a ficarem de Regina. A caçula era o amuleto da sorte, como Henry costumava dizer. O espírito alegre de Zelena não deixava ninguém desfalecer naquela casa gigante.

O motorista as buscou, Regina estava quietinha, não falava muito, apenas o essencial. Entraram no carro, a mais velha se acomodou e colocou a cabeça para fora da janela. Sentia o vento tropical invadir seus poros, o calor se fazia presente e ela gostava. Nova York era fria, mas outras coisas a esquentavam por dentro. A sensação de plenitude, como a muito tempo não sentia, não sabe nem se já chegou a sentir antes, estava lhe invadindo.

Chegaram em casa, os pais estavam no jardim as esperando. Zelena correu para os abraçar, deixando Regina para trás, ela caminhava não muito rápido.

-Minha filha. — Cora abraçava Regina que tinha chegado até ela. - Eu senti tanto a tua falta, meu amor. — Beijava o rosto todo de Regina. - Olha isso — Pegou nos braços da filha. - Como está linda, olha a pele Henry, essa menina puxou a mim.

-Nina, minha filha. — Henry abraçava Regina. Ela sentia muita falta do pai, assim como sentia da mãe também. Permitiu soltar as lágrimas que prendeu durante algum tempo e chorou, chorou e chorou.

-Vamos entrar, venha. — Henry e Cora pegaram nas mãos de Regina, ela ainda chorava muito.

Estar se demonstrando tão sensível era difícil, mas ela já não estava mais se importando com pose, ela ia ser quem era, sentir tudo, chorar tudo. Queria evacuar apenas. 

-Miguel — Cora chamava um dos funcionários. — Leve as malas das meninas para seus quartos, por favor.

-Sim senhora. — Assentia pegando as malas.  

Família Mills reunida, no sofá da sala principal, era realmente algo muito raro de se ver.

Regina já estava mais calma, sua mãe e seu pai sentaram um de cada lado da filha lhe dando um carinho que nem ela esperava.

-Vocês não vão me notar, não? — Zelena se pronunciava no sofá a frente.

-Oh, meu bem, venha cá. — Cora chamava Zelena para sentar em seu colo. - Nós vemos você muito mais do que sua irmã, não temos tempo pra ciúme.

-Estou brincando mama, deem toda atenção e carinho que essa gay merece.

-Mas como você está minha filha? — Henry perguntava a Regina.

-Estou muito bem e o senhor? Fiquei sabendo que esteve muito mau no hospital. — Olhava de canto para Zelena.

-Você sabe, sua irmã e sua mãe aumentam muito as coisas. Eu passei mau, mas logo eu já estava bom, tinha sido apenas uma queda de pressão. Cora fez um escândalo.

-Eu sei. — Regina riu. - Vocês se importam de eu ir deitar um pouco? Me sinto cansada.

-Claro que não, minha querida. Vá, teremos a noite e o resto da semana para conversarmos... Assim espero. — Cora dizia passando as mãos nos cabelos de Regina.

Regina subiu, tinha um quarto para ela, a casa era cheia de quartos na verdade. Deitou e nem olhou seu celular, apenas se atirou em sua cama e dormiu quase que de imediato.

                            
                                                                                          xxx

 

-Ruby, eu já te falei quantas vezes pra você desistir da Bell mesmo? — Emma estava na casa de Ruby, como havia prometido contaria tudo o que tinha acontecido e estava acontecendo com ela e Regina.

-Eu nem sei mais, perdi as contas das vezes em que fui trouxa. — Segurava uma taça de vinho numa mão e na outra, um cigarro. Estavam na sacada.

-Não gosto quando você fuma.

-Você não pode falar nada, sei que fuma quando não está bem.

-Só estou tentando cuidar de você.

-Eu sei, me desculpa. Mas é que não me conformo, ela foi pro Canadá ficar com o Graham, eu adoro aquele cabeça oca, mas jamais imaginava.. — Dizia prendendo a fumaça e tragando um choro.

-Acho que você tem que começar a encontrar alguma possibilidade de desistir real de Belle. Você se desgasta tanto emocionalmente, e merece alguém que te queira e que te ame. Que seja recíproco. Não existe só ela no mundo, você é nova... Sei que não é fácil, e desistir de um amor é muito difícil, mas a partir do momento em que ele começa a afetar a tua saúde mental, deixe partir.

-Você tem razão.. — Ela limpava algumas lágrimas que começaram a escorrer. - Obrigada por me ouvir e me ajudar, quem sabe eu não encontro uma Regina pra mim, hein?! — Abraçava Emma.

-Quem sabe... — Disse limpando as lágrimas que ainda banhavam o rosto de Ruby.

-Mas agora mudando totalmente de assunto. Você não sabe quem eu encontrei. — Ruby dizia mudando o estado de espírito em um passe de mágica. Como conseguia?

-Não imagino, quem?

-Gisele. Ela me viu e perguntou de você, disse que sentia saudades.. Até hoje você nunca me contou como que conseguiu ficar com aquela mulher e fazer ela se apaixonar.

-Entenda, qualquer mulher se apaixona por mim. — Beijava o próprio ombro.

-Esse teu convencimento ele passa dos limites, Emma Swan. — Ruby batia no braço da amiga.

-Estou brincando. Conheci ela em um desfile, te contei isso.

-Sim, mas quero detalhes.

-Bom... melhor sentarmos então. — Ruby e Emma sentaram no sofazinho que tinha na sacada. - Ela era uma das modelos. Eu estava sentada bem na frente, e tinha uma visão privilegiada da passarela. Gisele entrou e nossos olhares se chocaram. Da minha parte foi algo totalmente físico. Ela desfilou e eu tinha certeza que me procuraria no final. E foi isso que aconteceu.

Tomamos alguns drinks e conversamos bastante, ela é muito bem dotada, em todos os sentidos... Enfim, convidei ela pra ir na minha casa, era nítida a atração que estávamos sentindo uma pela outra. Ela é uma mulher muito bonita. Transamos no banheiro do local onde era o desfile, depois no carro e quando chegamos em casa. Falei desde o início que gostei, mas que da minha parte não rolaria nada mais do que algo físico entre nós. Ela concordou, ficamos bastante tempo transando, mas ela se apaixonou...

-Pobre moça.

-Infelizmente tive que romper até o laço sexual que tínhamos.

-Você é uma pessoa muito ruim.

-Não Ruby, eu só não queria e não estava disposta a me envolver com alguém na época. Se eu não estivesse transando com ela, seria com outra. Você sabe pelo que passei com Elsa. Eu jamais colocaria em risco as minhas emoções por alguém de novo.

-Eu sei, mas e Regina? E tudo que me falou a pouco sobre ela e vocês?

-Eu não estava, o verbo está no passado, a me envolver e me arriscar emocionalmente por alguém. Mas agora eu estou, posso afirmar isso porque é algo que não controlo mais.

-Regina é especial né? Você tem que me agradecer, se eu não tivesse te arrastado até aquela boate você não conheceria ela e não a salvaria naquele banheiro.

-Ô que drama. — Emma gargalhou. - Se eu sentisse que não valeria a pena me fazer presente na vida de Regina, eu fugiria. No início acho que tentei fugir até, mas é difícil quando se quer ajudar... Eu vi ela de dentro pra fora. Senti o que ela sentia, a empatia foi muito maior do que minha fuga. 

                                                                        xxx

 

-Nina, vamos jantar. — Henry sentava ao lado da filha que dormia ainda. Estava realmente exausta.

-Ham? — Regina abria os olhos devagar, espreguiçando-se. — Papa. — Colocava a cabeça no colo de seu pai.

-Filha, queria conversar com você uma coisa. — Henry tomava coragem para o que queria perguntar, sabia que era delicado, mas precisava saber.

-Fale. — Ela permanecia deitada nas pernas do pai com os olhos fechados.

-Por que se separou? — A pergunta veio como uma punhalada a fazendo arregalar os olhos e levantar de supetão.

-Por que você quer saber, pai?

-Justamente por isso, porque sou teu pai e me preocupo com teu bem-estar.

-Se preocupa tanto e me deixou sozinha em outro país? — Regina não queria entrar no assunto de Robin, ela ia expor qualquer outro assunto guardado, menos esse.

-Não fale assim, você queria ficar, eu precisava vir. Conversamos diversas vezes sobre isso.

-Eu me separei a tanto tempo, por que o senhor quer saber agora sobre o que aconteceu? — Levantava da cama e levantava um pouco o tom de voz.

-Por que nunca tive a chance de te perguntar pessoalmente?

-Não quero entrar nesse assunto Papa, por favor. — Tinha o semblante decepcionado.

-Ele esteve aqui.

-O que? quem? — O coração de Regina acelerava em estado de nervos.

-Robin. Esteve aqui ontem e falou o que aconteceu. — Nessa hora, se não tivesse uma poltrona atrás de Regina, ela cairia no chão. A expressão estava perdida.

-O que ele veio fazer aqui? O que ele disse? — Regina estava branca. Parecia que o buraco que tinha se fechado no peito, abriu novamente.

-Ele está em uma conferência aqui no Brasil. Conversamos ontem e ele disse que você quem quis se separar, não teve nenhum motivo para você ter pedido a separação, apenas rompeu. Mas eu queria saber de você se isso é verdade, minha filha.

-Como é que é, que desgraçado, eu nao.. eu — Regina chorava não contendo mais o peso que se acumulou automaticamente em suas costas. - Pai, eu não quero,  eu não.. — Henry levantou pegando a filha nos braços a abraçando.

-Eu imagino que tenha sido difícil, meu bem. Tente ficar calma, vamos descer, você tomar uma água..

-Não. — Ela respirava com dificuldade. Flashes sendo empurrada por Robin e sangue, se fizeram presente em sua mente a deixando amedrontada. - Só me diz que ele não está aqui.

-Está. Chegou a pouco tempo. — Regina ficou tão apavorada e com medo, que só conseguiu parar de tremer porque Emma, que estava ali no seu subconsciente, apareceu em um raio de segundos com seu sorriso e com sua afetuosidade.  Regina precisava de sentir segura sozinha.

-Eu lhe peço por tudo o que é mais sagrado. Diz que passei mal, não posso descer, estou fraca. Eu te imploro pai. — Regina tinha o olhar doído. - Não deixa ninguém entrar aqui, eu vou travar a porta. Quando ele for embora você me avisa. Pode ser?

-Claro que pode, por deus minha filha fique calma, ninguém sobe aqui. Fique tranquila. — Henry beijava o topo da cabeça de Regina.  O homem ficou tão preocupado, sentia que a filha estava traumatizada e por hora não poderia fazer nada, o nervosismo era grande.

-Pai, não fale pra ele que estou nesse estado, nem toque no meu nome.

-Pode deixar. — Assentiu com o olhar preocupado, saindo do quarto. Regina trancou e travou todas as fechaduras. Apagou a luz e se encolheu debaixo do edredom naquela cama gigante.

'Emma, eu não vou aguentar se eu ver esse homem, não sei o que fazer, qual reação ter.. Eu queria você aqui comigo. — Regina pensava com os olhos fechados e banhados com lágrimas grossas.' 

                                                                          xxx

 

-AAI. — Emma sentiu uma pontada no peito e um arrepio tenebroso passar em seu corpo.

-O que foi isso? — Ruby perguntou preocupada, vendo que Emma tinha colocado a mão no peito. 

-Não sei, uma sensação horrível, chegou a me dar ânsia. — Se arrepiou mais uma vez e a imagem de Regina veio em sua mente. 

-Regi. — Proferiu alto.

-O que houve?

-Tem alguma coisa errada. — Pegou o telefone. A conexão era quase espiritual, ou era totalmente, não se sabia ao certo.

Emma ligou para Regina, Nova York tinha o fuso horário uma hora atrasado apenas. 
 

-Emma.. — Regina atendeu com a voz assustada.

-Regi, o que houve? Está tudo bem? — Emma tinha uma intuição e um sexto sentido muito bom ou não sabemos ainda se era só conexão.

-Emma.. Ele, ele.. — Regina começou a chorar. - Ele está aqui.

-Oh, meu deus, Regina, como assim? — Emma se alterava. - Aonde você está?

-Estou no quarto, ele está no andar debaixo, acho que jantando. Emma, eu to com medo... — Soluçava.

-Nada vai acontecer com você.

-Eu não consigo me mexer, minhas pernas paralisaram.

-Calma. Respira comigo. — Emma caminhava de um lado para o outro com os olhos vermelhos, contendo algumas lágrimas que estavam afim de cair, mas passaria segurança para Regina e seria forte.

Ruby mantinha o semblante apavorado.

-O medo nos paralisa até fisicamente, mas você é mais forte que isso.. Regina você está me ouvindo.

-Sim. — Falava com a voz trêmula.

-Coloca a mão na testa e vê se está com febre. — O medo e a ansiedade poderiam atacar o sistema nervoso de Regina, e tudo o que Emma queria era que ela se acalmasse. -  Olha tudo o que você já passou, tudo o que já superou. Você não vai regredir. Eu não vou deixar.

-Mas Emm...

-Você é forte, é corajosa. Você está viva. Repete comigo. Eu sou forte e corajosa... — Regina não conseguia falar. - Vamos Regi, por favor.

-Eu sou forte e corajosa. — Dizia baixinho.

-Não fala pra mim, fala pra você, e fala mais alto EU SOU FORTE E CORAJOSA. - Regina repetia com Emma.

-EU SOU FORTE E CORAJOSA. - Falavam em uníssono. Até Ruby, assustada, mas imaginando o que poderia estar acontecendo, falava junto.

A respiração de Regina começou a se acalmar.

Podemos perceber o tanto que uma pessoa pode prejudicar mentalmente e psicologicamente alguém, vendo o estado que Regina tinha ficado. Só de saber que estava no mesmo lugar que aquele homem que quase lhe tirou a vida, ela entrou em pânico.

-Está conseguindo mexer as pernas, Regi?

-Ainda não, Emma. O que está acontecendo?

-Seu corpo entrou em choque mas você vai ficar boa, ok? vai passar daqui um pouco.

-Ele falou pro meu pai que foi eu quem quis a separação, Emma, ele contou uma história totalmente mentirosa..

-Ei, não fala disso agora, não fala dele, tenta esquecer que esse ser humano está aí. — Emma havia se sentado no sofá, mais calma percebendo que a respiração de Regina já não estava mais irregular.

-Esta bem.. — Regina fechou os olhos, ouvindo apenas a respiração de Emma do outro lado da linha. Era uma sensação que trazia um certo tipo de tranquilizante e paz.

Emma soltava alguns suspiros, Regina também. O que acontecia dentro de ambas era algo novo. Nada parecido aconteceu antes. 

Nos entremeios entre alma e espírito, alguém está. — Emma começou a falar. - Você muda, as pessoas mudam, os gostos por comida e música mudam... Mas a essência de quem você é, permanece sempre aí dento, ela não muda. Ela nasceu com você, assim como vai morrer com você.

Sentir medo é um estado de espírito e não um sentimento. A nossa essência humana carrega isso, temos que aprender a lidar sozinhos. Podemos passar por coisas difícil ou, nem tanto, comparado com outras pessoas e suas dificuldades, mas continua sendo igual, a dor, o peso. A essência de quem somos carrega toda a nossa verdade, o medo acontece porque ele precisa ser revelado em nossa vida. Ele mostra coisas que não vemos, nos torna mais fortes e determinados a vencê-lo. — Emma dizia tudo devagar.  - Olha aí dentro, você enxerga alguém morto?

-Não. — Lágrimas ainda escorriam como se estivessem acumulas nos olhos de Regina.

-Você está viva. Eu posso te sentir, você pode?

-Eu posso. — Regina mexia a perna direita com um pouco de dificuldade, e logo a esquerda também. - Estou conseguindo mexer as pernas. — Dizia sorrindo.

-Viu como você é forte.

-Não conseguira me acalmar sem você. Não agora.

-Eu te acalmei?

-Sim.

-Meu objetivo era esse, mas você fez tudo sozinha. Entende o quanto é importante um controle emocional?

-Sim.. — Realmente, Regina tinha se acalmado.

-Você está com sono? — Emma perguntava.

-Um pouco. Mas não quero parar de escutar a tua voz.

-Fecha os olhos. 
                "I met you in the dark 
             — Emma começava a cantar.

        You lit me up
                  You made me feel as though
                    I was enough
                    We danced the night away
                      We drank too much
                I held your hair back when
                      You were throwing up
                      Then you smiled over your shoulder
                  For a minute, I was stone cold sober
                     I pulled you closer to my chest
                     And you asked me to stay over
                       I said, I already told ya                                                                                                                                                                                       I think that you should get some rest."

Depois de Emma ter terminado a segunda estrofe da música, ouviu a respiração de Regina pesar. Ela tinha dormido. 
 

-Emma? — Ruby que chamava.

-Eu.

-O que foi isso? — Dizia se aproximando, Emma estava deitada no sofá.

-Eu não sei. — Fechava os olhos deixando escorrer algumas lágrimas teimosas.

-Vem, vamos pro quarto. — Ruby pegava a amiga pela mão. 

Emma deitou na cama de Ruby, tombou forte com a cabeça no travesseiro.

-Ela podia ter morrido. Ela podia ter se suicidado. O medo a paralisou, a voz dela, o pavor... — Emma agora chorava. 

Segurou sua emoção durante todo o tempo em que esteve com Regina no celular, mas não se conteve quando relaxou seu corpo na cama.

-Ruby, eu acho que estou encrencada. — Emma virava para olhar a amiga que estava deitada ao seu lado.

-Eu também acho. — Sorriu. - Mas não precisamos falar disso agora. Dorme minha amiga.

Antes de Emma dormir, mandou mais uma mensagem para Regina.

"Achei que a gravidade da terra ia despencar na minha cabeça quando ouvi tua voz assustada. É assustadora a sensação, nunca tinha a sentido antes.  Acho que mesmo se eu não quisesse, você já entrou em mim, percebi no segundo em que ouvi o tom, antes não conhecido, da tua voz trêmula e cheia de medo. Eu estou aqui, não evite em me chamar ou me ligar se algo estiver acontecendo. Longe ou perto, eu vou estar com você."

— Emma enviou a mensagem e dormiu, ainda com o peito apertado, mas dormiu. A preocupação sobre aquele cara estar no mesmo ambiente que Regina, estava fazendo com que ela acordasse algumas vezes durante a noite, com o pensamento de que ele poderia fazer alguma maldade com a mulher. Desistiu de pensar e foi tentar dormir novamente.
 

O dia amanheceu chovendo, dentro delas chovia também. Assim que Emma abriu os olhos, viu uma notificação de mensagem. Era Regina ás 7h30:

"Estou indo pra casa." 
 


Notas Finais


ai genteee, o que acharam?? eu particularmente amei esse cap, chorei quando escrevi.


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