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História Anti-Amor - Capítulo 29


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Notas do Autor


Olá meus queridos leitores! O que uma quarentena não faz, não é mesmo?
Estou de volta e agora, juro, que vou terminar essa história. É questão de horna!
Boa leitura.

Capítulo 29 - Superar



Lydia Martin – USA - Nova Iorque.
No fim da gravidez, me lembro da sensação esquisita que sentia toda vez que o bebê se movia em meu ventre, havia algo com vida própria ali dentro, algo que foi fruto do amor que Mitch e eu compartilhávamos... Era tão estranho e apavorante de um modo que jamais pensei que algo pudesse me amedrontar. 
Lembro-me de quando ouvi os batimentos do bebê pela primeira vez, eu chorei de antecipação, quando descobri o sexo dele, eu chorei de emoção, quando senti as primeiras contrações eu chorei de ansiedade e dor. Eu estava tão sozinha e apavorada, tive que lidar com meus próprios demônios sem ajuda, e quando o olhei pela primeira vez, o pequeno bebê pálido e quieto em meus braços eu senti ainda mais medo, um pavor absurdo, porque sabia que em algum momento eu iria estragar mais uma das coisas que eu amava, porque estava acostumada a fazer, porque eu tinha medo de perde-lo. E então ele falou mamãe pela primeira vez e eu me senti nas nuvens, porque ele era puro e tão diferente de toda a merda que o mundo me ofereceu. Eu entendia Mitch e por isso me arrependia das escolhas que havia feito.
Meus olhos estavam fixos num ponto no alto da cômoda, para a minha fotografia com Mitch, ele tinha razão, não éramos mais os mesmos, a chama juvenil que havia no olhar daqueles idiotas ali havia obscurecido dois ou três tons depois de tudo o que aconteceu, eu conheci o inferno uma vez, Mitch conheceu duas.
Três batidas na porta.
- Stiles me perguntou porque a mamãe não veio ajudar com a decoração de natal. – Kira se recostou no batente da porta mordendo o lábio numa expressão preocupada. 
- Mitch não veio busca-lo? – perguntei me sentando na cama preocupada, nos últimos dias me considerava um fantasma e tentava ao máximo que o pequeno Stiles não percebesse, mas a ausência de uma mãe presente aos poucos era notada pelo garotinho. 
- Acabaram de sair. – ela suspirou – Você está péssima.
- Obrigado Kira, o espirito natalino realmente te pegou... – disse irônica me jogando sob os travesseiros novamente e puxando o cobertor acima da minha cabeça. 
- Chega! – o cobertor foi puxado sem piedade de cima de mim – Chega de autopiedade, você voltou tem um mês, sua perna já está ótima e você se nega a levantar da cama, até seu filho percebeu, pelo amor de Deus, Marie! – Kira era do tipo passiva agressiva, ela tentava ser doce, mas se você se negasse a escutar, cenas como essa ficavam comuns – Vá tomar um banho, arrumar esse quarto, ver o sol lá fora... Sei lá, nunca pensei que você ficaria assim por levar um pé na bunda.
- Não foi um pé na bunda. – ela arqueou a sobrancelha para mim – Não um pé na bunda qualquer pelo menos.
- Noite das garotas, hoje, oito horas, esteja pronta, vou avisar o Isaac. – Isaac era o novo namorado dela, eles haviam ficado juntos por cerca de três meses antes de oficializarem. 
- Não quero sair... Amanhã é véspera de natal e devo te lembrar que estou desempregada? 
- Mas tem uma ótima poupança que eu sei. – ela riu quando gemi da cama – Vamos lá Marie... 
- Certo. – suspirei me sentando novamente e olhando a minha volta, realmente, meu quarto estava um lixo e olhando para o meu reflexo no espelho gigante em frente a cama, eu também estava um lixo.
Quando Stiles nasceu eu fiz os três R:
Repensar.
Reorganizar.
Refazer.
Repensei minhas escolhas.
Reorganizei minha vida e a refiz baseada no bem estar do meu pequeno.
E agora estava adicionando a letra “E” também: excluir.
Estava na hora de seguir em frente afinal, Lydia Martin estava oficialmente morta agora, ela havia morrido anos atrás, ou melhor, morreu há pouco tempo, quando finalmente terminou sua lista, quando finalmente matou o diabo de seus pesadelos: F.P Jones.
Fiz um coque no cabelo e comecei a organizar o quarto, abri meu guarda-roupas e tirei a caixa de recordações de lá: ali estavam a lista das pessoas que Lydia Martin matou, roupas velhas que remetiam ao passado, ali havia também fotos da época do colégio, viagens que fez com sua família, todos indo para o lixo naquele exato momento.
Uma lágrima solitária escorreu por minha bochecha quando me reuni no banheiro em frente a lata de metal com um isqueiro metálico na mão, a música que tocava ao fundo era tão melancólica quanto a situação, e sem dizer mais uma palavra tudo se transformou em chamas que espalhavam fumaça pelo cômodo de ladrilhos brancos e pelo meu próprio quarto saindo vagarosamente pelas janelas abertas. Sentada no chão, encostada na porta assisti tudo virar cinzas, os meus melhores e piores momentos, tudo reduzido a pequenas partículas brancas e pretas.
- Que cheiro horrível é esse... – Kira entrou no quarto e me viu parada com um coque solto no alto da cabeça, vestida apenas com o shorts de pijama velho e um top de academia – Uau Marie Lane, você foi mais rápida do que imaginei... Se eu soubesse que bastava um esporro eu teria feito isso dias atrás...
- Dá um tempo Kira. – suspirei – Onde você vai toda arrumada assim?
- Onde nós vamos você quer dizer... – tinha me esquecido totalmente da noite das garotas – Você está muito atrasada, Phoebe e Alice vão ficar furiosas com você. – ela jogou uma toalha branca em minha direção e gritou enquanto retornava pelo corredor - Banho, agora! E da próxima vez, vê se queima seu lixo do lado de fora da sacada.
Revirei meus olhos soltando um risinho enquanto entrava no banheiro e cerca de uma hora e meia depois, estava arrumada e decente pela primeira vez em dias.
- Marie! – um vulto loiro praticamente se jogou encima de mim quase me derrubando no chão do bar de índole duvidosa – Senti tanto sua falta...
- Oi Alice, também senti a sua. – sorri grandemente para ela - Bar de rock, hum?
- Bar de motoqueiros. – corrigiu uma Phoebe trajada com roupas pretas e um laço vermelho no alto da cabeça, como se fosse a capa de um disco do nirvana – Eu finalmente sai com o carinha...
- Já estava na hora. – sorri para ela enquanto a puxava para um abraço, Phoebe era como uma mãe para mim, talvez por ser cerca de uma década mais velha que eu – Achei que seu tipo fosse caras com ternos, não jaquetas de couro. 
- Sempre é bom dar uma variada. – ela piscou para mim enquanto ria e nos sentávamos numa mesinha rodeada pela decoração de discos de vinis e uma moto contornada com luzinhas de led brancas. 
- Como vai o pequenino? – perguntou Alice simpática, chegava a ser cômico o quão desencaixada a garota mais nova era naquele lugar, os tons ali eram obscuros e pesados, enquanto a loira era um ponto rosa claro e sorridente. 
- Está ótimo, tão bagunceiro quanto estava da última vez que o viram. – eu ri enquanto Phoebe fazia sinal para o garçom barbudo e com cara de poucos amigos que estava próximo ao bar. A morena com alguns fios grisalhos tinha muita experiência de vida e em casamentos, já que havia se casado três vezes e ficado viúva em uma delas, foi em seu primeiro casamento, quando ela teve seu filho mais velho, o famigerado Jonny boy, em seu segundo casamento ela teve Klaus e o cara fugiu com uma mulher muito mais nova que ela, e na terceira vez, bom, apenas não deu certo. A vida tornou Phoebe uma pessoa racional e indelicada em certos assuntos, então se ela soubesse que eu estava deprimida na minha cama hoje de manhã, talvez tivesse ido ao meu apartamento e me atirado pela janela com a seguinte frase “Acorda para a vida gatinha Marie!”, pois era assim que ela me chamava quando comecei a trabalhar no café.
- Com que ele está? – questionou Alice enquanto Phoebe pedia drinks para nós.
- O pai de Stiles ter voltado para a vida dela, trouxe alguns benefícios meninas... – as duas mulheres ficaram de boca aberta e eu quis esganar Kira.
- O bonitão do café? Ele é o pai do menino? – perguntou Alice com interesse. 
- Achamos que era só mais uma trepada... – disse Phoebe com um sorriso chocado.
- Se eu vou precisar contar essa história, vou precisar de uma bebida, das fortes. – suspirei observando o homem se aproximar com várias doses de bebidas multicoloridas e pelas próximas horas contei minha história com Mitch, claro que ocultando a existência de seu irmão gêmeo Stiles, a CIA e a minha falsa morte e então elas puderam opinar como se fossem minhas psicólogas particulares. 
Alice, romântica como era, achou que minha história parecia com as que ela assistia no cinema e por isso eu não poderia desistir de ter um final feliz.
Já Phoebe, bem, ela esperou Alice terminar de falar, revirou os olhos e depois me observou por intermináveis minutos enquanto mordia o interior da bochecha e franzia os lábios, eu sabia que estava contrariada e que provavelmente o que aconteceu lembrava algo de seu passado.
 - Dê um tempo a ele. – ela disse num tom baixo o suficiente para que eu tivesse que me arquear na mesa para poder ouvir com clareza – Vocês têm um filho afinal, precisam ser amigos, pelo menos ele tem interesse na criança. – eu sabia que sua mente havia a levado até seu segundo marido, que sumiu sem interesse algum no filho mais novo. – Mas o mundo é cheio de gostosões mau encarados Marie Lane, um dia você irá superar essa história com Mitch, se ela realmente tiver chegado ao fim. 
A mesa ficou estranhamente silenciosa depois deste comentário, Kira havia falado muito pouco durante a noite, apenas complementando comentários e me olhando com um risinho irônico nos lábios, ela sabia que Mitch e eu nos amávamos, mas também sabia que aquilo não bastava para que no fim ficássemos juntos.
- Meu Deus já são uma da manhã. – disse Alice conferindo seu celular – O tempo passou voando...
- Apesar de tudo nos divertimos. – quando notei minha voz aguda demais e um sorriso fácil nos lábios, percebi que havia bebido demais, talvez eu tenha feito sinais demais para o garçom mal encarado. 
Antes de irmos para a casa, Phoebe acabou nos apresentando para Peter, seu novo namorado. Ele não tinha barba como pensei e seus cabelos eram negros como carvão, os olhos dele eram verdes e era um coroa conservado, percebi porque ela havia se arriscado com ele, parecia valer a pena e ela sorria a cada 10 segundos ao seu lado. Sentia falta disso.
- Ly- Marie. – levei um susto ao ouvir a voz atrás de mim, me virei e encarei o peito de alguém, ao levantar os olhos me deparei com olhos verdes característicos.
- Derek? – apesar de estar completamente chocada meus lábios se abriram num sutil sorriso – O que está fazendo aqui?
- Meu tio é dono daqui. – olhei para o homem ao lado de Alice e depois olhei para Derek, me aproximando dele para sussurrar.
- Achei que você fosse órfão. – disse perto de seu ouvido, seu peito vibrou com uma risada.
- Eu não tenho pais, mas tenho um tio, ele é um pouco doido. – sussurrou de volta para mim. – Estou de mudança, bem, tenho novas coisas para fazer em Nova Iorque. – o leve arquear de sua sobrancelha foi bastante esclarecedor, mesmo que eu estivesse bêbada. 
- Hum, bem, feliz natal! – minha voz saiu aguda demais, estou culpando as várias doses a essa altura. 
- O natal é só amanhã. – ele riu se recostando no balcão com um olhar malicioso – Você está bêbada? 
- Um pouquinho. – fiz sinal com o dedo, mas a forma com que falei não demonstrava que era realmente um pouquinho. Alguém limpou a garganta atrás de mim e fez que eu me virasse, todos nos olhavam e Kira tinha um risinho diabólico nos lábios, sabia que depois teria de inventar alguma história sobre como conhecia Derek Hale. E de preferência quando eu estiver sóbria.
- Esse é meu sobrinho Derek, mas aparentemente Marie já sabia disso. – ele riu e senti minhas bochechas esquentarem.
- Bem, acho que era hora de irmos, Stiles estará em casa ao amanhecer. – disse Kira ainda com o sorrisinho nos lábios.
- Certo, foi um prazer te rever Derek, nos esbarramos por aí. – disse para ele que abriu um sorriso torto.
- Espero te ver mais vezes por aqui.
- Você realmente acha que faz meu estilo? – de forma idiota dei uma voltinha no mesmo lugar fazendo meu vestido escarlate girar entorno de mim. Meu equilíbrio não estava 100% então Derek precisou me apoiar, o que só piorou os olhares dos quatro observadores. 
- Acho que faz. – ele sussurrou para mim provavelmente me associando a mulher que atirou em um mafioso não muito tempo atrás. Eu sorri para ele e depois de me despedir de todo mundo segui com Kira para a casa.
- Derek Hale, hum? – Kira disse com um risinho malicioso quando paramos no primeiro sinal a caminho de casa.
- Juro que amanhã te conto. – murmurei me recostando no banco do carro de Kira sentindo os olhos pesados, o quanto eu havia bebido mesmo?
- E eu acho bom, não é todo dia que eu descubro que minha melhor amiga conhece um cara alto, gostoso e de olhos verdes. – ela riu enquanto eu murmurava algo incoerente.
Nota mental: não beber tanto da próxima vez.


Notas Finais


Até breve!


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