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História Antichrist - Capítulo 3


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Notas do Autor


e vamos de atualização

Capítulo 3 - Olhos misteriosos


Minhyuk acordou com o som baixo do seu despertador tocando uma música clássica lenta. Abriu os olhos sem muita vontade e suspirou baixo, era hora de começar mais um dia.

Levantou-se em silêncio e caminhou até o guarda-roupa vestindo a primeira roupa limpa que encontrou lentamente por ainda estar grogue de sono. Se arrumava tão devagar que parecia como se não quisesse encarar mais um dia comum.

E talvez realmente fosse.

Tinha sido assim a pouco mais de um ano, desde que tinha se mudado de Seul para Gwangju após receber a sua emancipação.

Lee Minhyuk não se considerava a pessoa mais especial do mundo. É claro que ter vivido a maior parte de sua vida em um orfanato após a morte dos pais em um incêndio e ter sido adotado pela avó que reapareceu depois de dez anos ausente com outros dois primos também adotados por ela não é a coisa mais normal do mundo, mas ainda sim, não se considerava especial. Tinha notas na média, uma aparência relativamente bonita e era um bom amigo e só. Nada além disso.

Apesar de considerar isso, seus primos com quem dividia um apartamento médio no centro da cidadezinha pareciam discordar. Hyunwoo, o mais velho, tratava-o como se fosse uma boneca de porcelana prestes a se quebrar, sempre perguntando se estava tudo bem e o impedindo de fazer coisas banais como ir em festas tarde da noite ou sair sozinho nem que fosse para o mercado se passasse das seis da tarde. Minhyuk odiava a forma que o Son parecia tentar imitar uma figura paterna, mas não podia fazer nada a respeito considerando que era ele quem praticamente o bancava.

Já Hoseok, o outro, era mais suave nessa questão. É claro que por eles serem quase da mesma idade e estudarem juntos no Gwangju High já lhe dava pontos como poderem sair juntos para as festas ou algo assim, porém não era lá muita liberdade.

E Minhyuk queria entender o porquê disso sendo que era apenas uma pessoa comum.

— Minhyuk, você vai se atrasar se não descer agora! — Ouviu a voz grossa de Hoseok o chamar e soltou um suspiro demorado. Pegou a mochila ao lado da cama e olhou-se no espelho da cômoda pela última vez, ajeitando alguns fios rebeldes do seu recém pintado cabelo loiro. Foi inevitável não acabar olhando para o porta-retrato pequeno que havia na cômoda onde três figuras sorriam enquanto aproveitavam um majestoso domingo no parque. A foto estava gasta e quase estragada, mas ainda sim era o seu tesouro, sua relíquia preciosa que queria proteger a todo custo. A única foto que tinha de seus pais.

— Minhyuk sua cobra oxigenada, sai logo desse quarto! — Ouviu seu melhor amigo Kihyun exclamar e sorriu balançando a cabeça. O Yoo era o único que conseguia o fazer rir mesmo quando não queria.

Tinham se conhecido logo que se mudaram para Gwangju. Kihyun era um famoso garoto prodígio corrompido pelo ensino médio que vivia com a cara entre um livro de álgebra e outro quando não estava por aí fazendo jus ao seu título de boca suja. O baixinho de cabelo rosado e o loiro alto eram uma dupla inseparável desde o dia em que Minhyuk acabou derrubando um livro na cabeça do Yoo e ele o xingou de todos os nomes feios possíveis. Ao invés de se sentir ofendido, Minhyuk apenas riu da forma agressiva do CDF e acabou por se tornar seu melhor amigo depois daquele dia.

— Ah, finalmente a madame resolveu dar as caras — revirou os olhos quando entrou na cozinha com o semblante mais entediante possível. Ao colocar os olho em Kihyun, porém, sua expressão tediosa mudou completamente para surpresa. O rosado que antes vivia de calças de moletom e blusas grandes demais para o seu tamanho agora estava com uma jaqueta de couro por cima de uma regata e uma calça jeans rasgada nos joelhos. O cabelo, que antes era marcado pela franjinha cortada torta, estava puxado para trás e aparado de forma mais reta. Minhyuk pode notar também que o outro até mesmo usava um pouco de maquiagem.

— Ok, quem é o garoto? — Perguntou para o amigo que corou e desviou o olhar para seus all stars prateados. — Eu sei que é um garoto Yoo Kihyun, você não me engana.

— S-só porque eu me arrumei diferente você acha que eu estou querendo impressionar alguém!. — Ele diz gaguejando e Minhyuk sorriu.

— Você gaguejou.

— Vai pro inferno, Lee — resmungou praguejando e o amigo apenas deu uma risada nasal. — É um novato, vi ele dando uma volta pelos arredores da escola ontem quando fui levar meus livros pro armário. Ele é uma perdição, tem tatuagens pra todo lado e só usa roupas de punk.

— Céus Kihyun, você nem ao menos sabe se é um aluno, poderia muito bem ser apenas um maconheiro qualquer.

— Eu tenho certeza que era um aluno, você vai ver.

Minhyuk balançou a cabeça.

— Está bem, você quem sabe né.

— Qual é o assunto da vez? Mais um dos crushes impossíveis do Kihyun? — Hoseok perguntou sentando a mesa com um sorriso maléfico.

— Fala baixo, se o Hyunwoo ouvir ele me mata! — Kihyun ralhou com o mais velho que arqueou a sobrancelha em deboche. Kihyun e Hyunwoo mantinham um relacionamento aberto um com outro há poucos meses, mas nenhum mantia fidelidade. Eram apenas momentos cheios de luxúria entre uma noite e outra. Kihyun era o garoto assumido e Hyunwoo um hetero curioso, nada podia ser além disso.

— Não é como se ele fosse seu namorado — Minhyuk disse e Kihyun deu de ombros concordando.

— É, mas eu não quero que ele pense que nosso acordo terminou. Ainda temos muitas coisas para explorar.

— Ugh, nojento — o Lee mais novo tampou os olhos e Hoseok apenas riu alto da maneira que Kihyun falava. Imaginar Hyunwoo e Kihyun juntos em momentos íntimos era o maior trauma da vida de Minhyuk. — Vamos sair logo, por favor.

Os outros dois concordaram e juntos os três se levantaram da mesa da sala de estar e se puseram a caminhar até a escola que não ficava mais do que três quadras de distância do bloco de apartamentos em que os Lee moravam.

Não demorou muito para que já estivessem próximos aos portões da Gwangju High. O sinal já havia tocado quando chegaram e Minhyuk nem ao menos tinha pegado seus livros ainda, por isso despediu-se dos dois amigos e foi rumo ao corredor do seu armário, passando por diversas pessoas que lhe davam um bom dia quase sem ânimo pelo fato de serem volta às aulas, mas que foram respondidos com um sorriso de dentes.

Ao chegar próximo do seu armário, porém,sequer teve tempo de rodar a combinação de dígitos que nunca fugia de sua mente pois um empurrão forte o fez bater com força a cabeça no mesmo. Reclamou com um palavrão murmurado e quando se virou para ver quem havia sido deu de cara com o trio dinâmico que tanto torceu para evitar.

Os três eram de sua sala no ano anterior mas ao contrário de Kihyun e si, eles não eram alunos na média e por isso, a professora pediu que os dois amigos ensinassem-os para que não perdessem o ano letivo. No começo não foi uma tarefa difícil apesar do constante deboche que os três emanavam a cada palavra mencionada por eles. Porém, depois de um tempo, Kihyun acabou se estressando com um deles e isso gerou uma rixa ridícula entre eles e seus amigos.

— Ora, ora, se não é Lee Minhyuk. — Bufou, não estava nem um pouco afim de discutir com aqueles babacas. — O veadinho está atrasado para aula?

— Vai pro inferno Hajoon — Murmurou conferindo seus livros e exclamando em surpresa quando teve sua mochila puxada a força e todos seu material jogado e pisoteado no chão.

— Ops, escorregou. — Um deles disse e Minhyuk chegou ao seu limite. Se levantou em um pulo e partiu para uma briga, sem muito sucesso já que além de ser magro, estava em desvantagem numérica. Por isso, logo foi empurrado com força pelos três ao mesmo tempo e caiu com tudo ao chão antes de ser puxado para cima mais uma vez e prensado contra os armários. Fechou os olhos imaginando que a dor viria, mas nada aconteceu. Quando abriu os olhos novamente, os três estavam imobilizados com os punhos presos no ar, sem conseguirem se mexer. — M-mas que porra é essa?

— Não consigo me mexer — um deles disse e o outro apenas concordou.

Minhyuk não conseguia controlar sua surpresa. Aquilo parecia magia de tão surreal.

Logo os movimentos dos três voltaram, entretanto, eles estavam assustados demais para querer brigar e por isso apenas correram como cães amedrontados.

Minhyuk sorriu satisfeito, mas logo esse sorriso morreu quando lembrou dos materiais derrubados no chão. Com um suspiro, se abaixou para pegá-los um a um.

— Você está bem? — Ouvi uma voz rouca se pronunciar e uma mão se juntou a sua no trabalho de juntar tantos cadernos, livros e outros apetrechos.

— N-Não muito, mas eu vou ficar — Disse com a voz baixa, finalmente encarando quem estava lhe ajudando. Tinha cabelo preto, olhos pequenos, uma boca rosada e covinhas tão intensas quanto as reviravoltas que seu estômago dava naquele momento. O garoto era dono de uma beleza inexplicável entre a dualidade da aparência fofa mas o ar de mistério que emanava. Ele era lindo, e ficava ainda mais lindo encarando-lhe daquele jeito tão surpreso. 

Percebendo que passou tempo demais analisando seu ajudante, Minhyuk resolveu dizer alguma coisa:

— Bom obrigado pela ajuda...

— Lee Jooheon, pode me chamar de Jooheon.

— É um prazer conhecê-lo Jooheon, meu nome é Lee Minhyuk.

E a forma que os olhos pequenos de Jooheon se arregalaram ainda mais quando disse seu nome só fizeram Minhyuk ter ainda mais curiosidade sobre si.


Notas Finais


joohyuk >tudo pra mim<


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