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História Antimoral - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Recomeço


Eu era um novo homem. Tinha uma vida inteira pela frente. Por onde começar? Lembro que essa foi a pergunta que mais me ocorreu, e os nervos ficavam à flor da pele. Não tinha pra quê tanto drama. A vida é apenas como um muro em eterna construção. Você apenas coloca o próximo tijolo - e torce para o muro não desabar.

Todo aquele papo de organização e planejamento foi para o espaço. Essa é uma das virtudes do ser humano, admitir que está errado, corrigir-se e crescer com os seus erros. Concordo que esses dois pilares são fundamentais. Mas nem tudo devemos levar à sério. Às vezes é preciso ligar o foda-se.

E foi o que fiz certa noite. Não lembro ao certo se era uma noite de verão, primavera ou qualquer merda do tipo. Apenas lembro que era noite. Eu ainda tinha uma grana da poupança dos meus pais. Peguei parte do dinheiro e fui torrar num bar. Estava tomando gosto pela bebida. Via na TV como pareciam todos elegantes fazendo aquelas merdas. E de fato, tinha uma magia naquilo. A vida ficava um pouco mais engraçada. O ruim, era que aquilo me deixava mais retardado, como se estivesse andando embaixo d`água. Descuidado também, e isso é muito perigoso.

Lembro que voltando para casa, talvez um pouco embriago, um velho, bem mais bêbado do que eu, cambaleava com uma garrafa de cachaça em mãos por aquelas ruas desoladas, cantava uma música, da qual nunca havia escutado. A voz dele era rouca, aposto que seria um pirata em outros tempos.

– Ei, rapaz – ele falou para mim –, como faço para pegar o metrô?

– Não há metrô aqui por perto – respondi. – Está muito longe.

– Não, não. Eu estou onde eu deveria estar.

Então lembro que ele gargalhou e eu também.

– Muito bem – eu disse.

Logo ele voltou a me importunar com essa merda de metrô. Seguindo-me por onde quer que eu fosse.

– Quer saber – falei mais uma vez. – Estou indo para o metrô agora. É por aqui. Entrei por um beco e ele foi dizendo às minhas costas: "Eu sabia que tinha um metrô por aqui!"

Ele me seguiu de maneira trôpega, e até eu mesmo às vezes buscava apoio nas paredes para que me mantivesse de pé. Entramos num beco sem saída e apontei, é logo ali. Ele continuou sua caminhada e deu de cara com o paredão de cimento. Ele dava murros e gritava "Me deixem entrar".

Havia uma lixeira ali, e várias garrafas de vidro. Peguei uma delas e me dirigi ao velho. Ele se virou, e eu pude ver meu reflexo em seus olhos remelentos prestes a lhe arremeter uma bela de uma garrafada.

Com o impacto, ele bateu com a cabeça na parede de cimento antes de cair no chão. O golpe foi tão forte que nem eu mesmo consegui me manter de pé. O interessante foi que a garrafa continuou inteira, mas um corte abriu na têmpora do velho, um fio de sangue escorreu por sua cabeça. Ele mal viu o que lhe atingiu. Tentava se levantar desajeitadamente como uma tartaruga de cabeça para baixo. A cena era cômica. Patética. Eu bati outra vez.

Aquela foi uma das noites mais divertidas da minha vida. No outro dia, acordei na minha cama, a ressaca era grande, e eu mal lembrava onde tinha deixado o corpo dele.



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