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História Antimoral - Capítulo 16


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Capítulo 16 - Ódio


Naquele dia, eu saí determinado a me sentir melhor. Mas evitei os bares. Aquilo não era saudável; nem para mim, nem para os outros. Mas na vida você tem que ter um refúgio, caso o contrário, você enlouquece. E eu me sentia no limite de perder a sanidade. Estava entediado dentro daquele idiota apartamento. Não haviam pessoas interessantes no bairro. Talvez se eu me mudasse... recomeçasse mais uma vez a minha vida... era algo a se pensar.

Passava do meio dia quando me sentei no banco da praça. Observei cada pessoa ali, tentando imaginar mortes legais para elas. Um casal de idoso passeava de braços dados. Imaginei o velho escorregando no banheiro de casa, batendo com a cabeça no vaso e caindo com ela dentro da privada, se afogando no próprio mijo. A sua esposa morreria semanas depois de tristeza.

Três adolescentes caminhavam aos risos. Como se o mundo fosse uma gigante piada e nada de ruim acontecesse. Eles precisavam ver as verdades cruéis disso. Eu amarraria a garota, e mataria os seus dois amigos bem na sua frente, para que ela ficasse bem traumatizada, e por fim, "bingo!", uma tacada bem firme em sua cabeça também. Mortes legais.

Coloquei minha mente para trabalhar em muitas outras possibilidades a cada pessoa que eu via. Mas mesmo assim, não funcionava. Eu não estava me sentindo divinamente bem. Nem ao menos bem. Era como se eu tivesse voltando aos poucos ao reformatório, o mundo aos poucos fosse perdendo a cor. Será que eu deveria voltar para lá? Digo, um presídio. Lembro de ter me perguntado isso naquela tarde. Mas aí, foi quando a minha vida mudou.

Eu vi uma garota. Ela era ruiva, tinha os cabelos curtinhos e repicados. Fazia calor, mas ela vestia-se toda de preto. Pulseiras, batom, blusa, coturnos. A garota jogava milho para os pombos, e as criaturinhas corriam pela trilha deixada pela garota.

Estranho que nem todos os pombos chegavam tão perto, mas então houve um que chegou perto o suficiente e baixou a cabeça, dando bicadas no milho espalhado no chão da praça. Foi nesse momento que ela levantou a perna, e desceu pesadamente em cima da ave. Pude escutar um último "pruuu", antes de ver as penas saltarem desordenadamente sob seu coturno. Meus olhos sobressaltaram quando ela olhou para mim. Senti algo esquisito dentro do meu peito. Algo que nunca senti antes. Eu estava amando.



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