1. Spirit Fanfics >
  2. Anything Could Happen >
  3. CAPÍTULO 5: Descobertas, Desavenças e Chegadas

História Anything Could Happen - Capítulo 15


Escrita por:


Capítulo 15 - CAPÍTULO 5: Descobertas, Desavenças e Chegadas


Maxwell estava relativamente feliz. Depois de procurar a semana toda o moreno havia encontrado um emprego trabalhando de garçom onde ele ganharia cinquenta dólares por dia das dezenove horas até meia noite. Além de ganhar uma grana decente, não iria interferir em seus estudos e muito menos no colégio, fora que dessa maneira ele já estaria livre para procurar um local para morar e sair do alojamento do Instituto.

Jesse havia ficado muito feliz pelo amigo, embora chateada por ele querer sair do alojamento, porém ainda assim Maxwell garantiu à amiga que ela poderia visitá-lo sempre que quisesse.

Demorou um pouco, porém Tyler percebera que Maxwell era realmente apenas amigo de sua namorada, onde ele parara de implicar tanto com o moreno, tendo uma convivência decente.

Maxwell e Jesse estavam no bar que o garoto trabalhava e enquanto este estava no balcão atendendo pedidos, os dois amigos estavam numa mesa comemorando o novo emprego do mais velho.

― Eu não acredito que você conseguiu Max. Parabéns. ― Jesse falou empolgada enquanto dava um gole em seu refrigerante.

― Nem me diga. Isso é incrível. ― O garoto respondeu com a mesma empolgação.

― Incrível é alguém em sua plena faculdade mental te contratar. ― A morena provocou, recebendo a língua do amigo em retorno.

― Cala a sua boca. Agora que eu já consegui esse trabalho, eu vou finalmente poder procurar um lugar pra morar. ― Maxwell comentou pensativo.

― Eu ainda acho besteira você querer sair do alojamento. Fica lá até o final do ano e guarda o dinheiro do aluguel para você, seu idiota. ― Jesse suspirou frustrada por conta do assunto.

― Eu quero ter meu próprio lugar Jess... Eu quero poder levar gente em casa, sair quando eu quiser, fazer minhas próprias regras e mandar em mim mesmo, e eu não posso fazer isso lá no alojamento. ― Max explicou complacente.

― Você é um chato, isso sim. ― A garota deu de ombros.

― Posso me sentar com vocês? ― Tyler perguntou puxando uma cadeira. ― Eu tenho quinze minutos de pausa. ― Explicou em seguida.

― E aí amor. ― Jesse disse beijando o loiro.

― Fica à vontade cara. ― Maxwell acenou positivamente para o pedido do namorado da amiga.

― Sobre o que estão conversando? ― Tyler perguntou curioso.

― O Max que só porque tem um emprego, agora quer sair do alojamento. ― Jesse falou emburrada.

― Eu estava explicando pra ela que eu quero ter minha privacidade, sem as regras do colégio e um pouco de paz. ― Maxwell ressaltou.

― Sei como é isso. ― Tyler comentou pensativo.

― Amor, você não colocou aquele seu quarto para alugar? ― Jesse saltou na cadeira se lembrando de tal fato com empolgação.

― É verdade. Eu queria dividir as despesas, já que assim seria muito melhor bancar as contas e guardar uma grana. ― Tyler respondeu dando de ombros.

― Por que você não aluga para o Max então? ― Jesse apontou para o amigo que arregalou os olhos ficando empolgado com a notícia.

― Eu pensei que você não pagasse o aluguel e que o local era seu e do seu irmão. ― Maxwell disse confuso.

― E é, mas tem as despesas com a alimentação, luz, água, internet e outras chatices. Não tem nada haver com as despesas do bar, mas o lucro e tudo mais é do meu irmão. Ele que lutou e suou para conquistar isso aqui. Eu sou apenas o balconista. Não quero o dinheiro e nem a ajuda dele. Eu mesmo vou conquistar as minhas coisas. ― Tyler explicou num tom sério.

― Que legal cara. Parabéns pelo pensamento. ― Maxwell elogiou.

― Enfim, o que você acha de alugar o seu quarto para o Max, amor. Ele te ajudaria com as despesas e agora que vocês estão se dando bem vai ser muito melhor alguém morar com alguém que você conheça do que um estranho qualquer. ― Jesse pediu ansiosa.

― Tudo bem. ― Tyler suspirou concordando.

― Sério?! ― Maxwell comemorou empolgado. ― Amanhã mesmo eu trago as minhas coisas então. É bom que aqui não fica nem longe do colégio e nem longe do meu trabalho.

― Você quem sabe. Eu vou voltar ao trabalho. Até mais cara. Beijos amor, até amanhã. ― O loiro acenou positivamente para Maxwell, beijando Jesse em seguida para então voltar ao seu trabalho.

― Falando em trabalho, quando você vai começar? ― Jesse perguntou curiosa.

― Segunda feira que vem. Esse final de semana eu estou livre. ― Maxwell respondeu tranquilo.

― O Tyler vai pegar uma folga amanhã. Está afim de sair com a gente? ― Ela perguntou interessada.

― Pode ser. Amanhã cedo eu vou fazer minha mudança e depois eu vou procurar uma academia. Preciso malhar regularmente para manter meu corpo. ― O moreno explicou preocupado.

― Sei... Se você diz. ― Jesse revirou os olhos, porém sorriu em seguida para o mais velho.

~//~

Após todos os alunos terem ido embora e a reunião diária dos professores com o diretor Dante ter terminado, Stanley finalmente pode relaxar um pouco. Não esperava que dar aula fosse ser algo que demandasse tanta energia.

Enquanto ia em direção ao dormitório, que ficava na ala oeste do terreno da escola, não conseguiu tirar da cabeça alguns acontecimentos daquele dia. Primeiramente, Irick e sua apresentação no mínimo intrigante e preocupante. Roberth e sua ambiguidade musical, que talvez escondesse algo ainda mais profundo do que apenas um grande talento. E é claro, a relação muito suspeita de Wendy e aquele garoto Nathan, que deixou o professor com um certo desconforto na boca do estômago.

E para espanto de Stanley, quando entrou nas instalações do dormitório, que mais se assemelhava a uma enorme mansão, com direito a uma cozinha ampla e diversas mesas e utensílios domésticos, uma sala de estudos ao fundo, a sala de TV a esquerda e no segundo e terceiro andar os quartos propriamente ditos divididos em ala masculina e feminina. Lá estava sua irmãzinha jogada no sofá juntamente com Nathan, gargalhando de seja lá o que estivessem conversando.

— Wendy! — Chamou o rapaz, fazendo a garota saltar do sofá e olha-lo com espanto. — Venha comigo, agora.

E então começou a subir as escadas. Wendy olhou sem entender para Nathan que apenas encolheu os ombros e sibilou para que ela se apressasse e seguisse o irmão.

Chegando ao quarto do irmão, a garota encostou a porta e apoiou-se contra ela, as mãos atrás das costas, cabisbaixa e com as pernas cruzadas. Stanley encarou-a com ceticismo, ela usava essa tática desde os cinco anos de idade, pois sabia que o irmão não conseguia gritar com ela se ela já demonstrasse estar arrependida.

Bufando o garoto cruzou os braços.

— Quem é aquele garoto e porque vocês estão agindo como se fossem conhecidos de anos?

— Não diria anos, só alguns meses. — Disse a garota com um sorriso vacilante.

— Wendy você conheceu esse guri na internet? — Stanley perguntou abismado, e chocou-se quando ela assentiu. — Você perdeu a sua cabeça garota? E se ele fosse...

— Um psicopata, estuprador de indefesas, sequestrador, ou traficante de órgãos, blá blá blá... Stanley, não tente falar como a mamãe, não combina com você. — Wendy revirou os olhos cinzentos.

— Imagina só o que ela vai falar ao descobrir isso.

— Ela não precisa saber. Qual é, você foi passar um mês com aquela boyband sem nem saber se eles eram tudo isso que a mídia dizia. — A garota retrucou cruzando os braços.

— Eles eram figuras públicas!

— E quem disse que o Nathan não é? Você acha que não stalkeei a vida toda dele antes de começarmos a conversar? Meu querido, eu sei até a conta bancária dele, e até mesmo sei da avó dele que vive no Kansas. — Wendy disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— Você me assusta as vezes.

— Porque? Por ser parecida com você? Eu não sou mais uma criança, irmãozinho. Não me trate como uma pirralha. — Censurou a garota e Stanley bufou descrente. Ela era tão enérgica quanto sua mãe.

— Chame ele aqui, quero dar uma olhada nele mais de perto. Se o meu sexto sentido detectar qualquer resquício de mal caráter, você vai se afastar dele, ou eu juro que deporto você pra Londres.

A garota bufou e mandou uma rápida mensagem para o amigo, que alguns segundos depois bateu a porta e entrou no quarto, olhando com aquele mesmo olhar insolente para Stanley, que semicerrou os olhos para o garoto.

— Nathan, não é mesmo?

— Ou Nath para os mais íntimos, mas esse não é caso, certo senhor? — Ele tentou soar educado, mas Stanley sacou de longe o deboche na voz do garoto.

— Não me chame de senhor, eu não sou tão velho assim.

— Pelo jeito que a Wendy disse que você reagiria, e provavelmente reagiu, ao saber da nossa amizade, começo a me perguntar se não é tão velho mesmo. — Nathan argumentou, recebendo um tapa no ombro de Wendy, e Stanley forçou-se a se levantar e ficar cara a cara com ele.

— Certo, Nath, eu vou ficar com um olho em você...

— Fique com os dois se quiser, será melhor. Assim não perde nada. ㅡ O sorriso no rosto de Nathan fez o professor ficar enrubescido.

— A conversa acabou aqui, saiam os dois do meu quarto. E Wendy, acho bom você se explicar com a mamãe. ㅡ Wendy revirou os olhos e puxou Nathan para fora do quarto, não antes do rapaz acenar com divertimento para o professor que bufou e jogou-se em sua cama.

Adolescentes, sinceramente, quem é que aguenta?

~//~

Depois de mais uma briga que ele teve com seu filho, por motivos bobos, além de ser humilhado pelo mais novo com palavras duras e ácidas, Charlie não conseguiu se controlar. Nolan havia quebrado todas as garrafas de bebida na casa no processo, e Charlie se sentia tão amargurado que a única coisa que ele pensou em fazer foi pegar o seu carro e sair.

Não demorou muito para encontrar o lugar ideal para fazer aquilo que fora um dos motivos da briga com seu filho, mas era mais forte do que ele e seu atual estado só ajudava a piorar as coisas.

Ele estacionou seu carro na frente de um pub chamado Scandal’s, e ele se lembrava daquele lugar em sua adolescência ali em Marchendon, embora o local estava com uma fachada diferente e mais moderna para os novos jovens da década.

A casa estava lotada por ser sexta-feira noite e eles haviam contratado alguém para cantar àquela noite, mas a pessoa ainda não estava se apresentando por ser relativamente cedo. Mas isso nem importava para Charlie, já que depois de alguns copos se desligava completamente de tudo ao seu redor.

― Um copo de Whisky, por favor. ― Ele pediu ao balconista, enquanto se acomodava na cadeira do bar.

Não demorou muito para que o rapaz que atendia o balcão colocasse o copo com o líquido na sua frente, e tão acostumado quanto estava, entornou em poucos goles, esticando o item em direção ao balconista que arregalou os olhos.

― Mas um por favor. ― Charlie pediu fazendo uma careta, sentindo o efeito do álcool em seu sangue.

― Vai com calma senhor. ― O jovem rapaz sugeriu com educação, porém este foi ignorado por Charlie que repetiu.

― Mais um por favor. ― Ele frisou o pedido em um tom mais sério,  sendo acatado pelo mais novo que engoliu seco por conta da maneira fria e autoritária.

E assim a noite foi passando. Charlie foi bebendo um copo atrás do outro e ele já havia perdido a noção do tempo e de quantos copos ele já havia bebido.

O cantor contratado na noite subiu ao palco e se apresentou antes de iniciar sua performance. Seus olhos percorreram por todo o seu público que aguardava ansioso sua performance e ele se surpreendeu ao ver Charlie debruçado no balcão sem ânimo algum e com um copo de bebida em mãos.

Ele não poderia fazer nada naquele momento, afinal tinha que se apresentar aos clientes que pagaram por aquilo, porém não deixava de se preocupar com o rapaz.

Já eram quase onze da noite e Charlie se sentia um lixo. Seu corpo estava todo dormente, sua cabeça doía, sua noção de sentido estava prejudicada por conta do álcool e ele ainda teria que lidar com o filho ao chegar em casa, onde provavelmente brigariam novamente.

Ele sabia que não estava sóbrio, longe disso, pois sua visão estava turva, ele estava com vertigem, sentia náusea e sua cabeça doía.

Acho que passei da conta novamente, mais quem liga? Charlie suspirou pensando consigo próprio.

 O garçom já havia se acostumado com a situação e o servia sem nem o questionar. O rapaz estava com sono, cansado e amanhã ele teria que enfrentar uma enorme ressaca, além de planejar as aulas para a semana seguinte, isso se não voltar àquele local para beber de noite.

― Dia difícil? ― O cantor da noite perguntou se aproximando de Charlie que o olhou confuso.

― Eu conheço você... ― Charlie disse com a língua enrolada, forçando a memória para se lembrar do rapaz à sua frente.

― Sou Stanley. Eu leciono com você no Marchendon High. Você é o Charlie, o professor de Geografia que se mudou para cá a pouco tempo. ― Stanley comentou, fazendo o outro dar de ombros. ― Eu estou me apresentando aqui essa noite, além de estar ajudando uma velha amiga, também aproveito para ganhar um dinheiro extra. ― Explicou.

― Legal. ― Charlie devolveu sem muito ânimo.

― Não acha melhor ir mais devagar? ― Stanley se referiu à bebida.

― Sinceramente, eu estou quase parando. ― O mais velho riu com o próprio comentário.

― Estou vendo. ― Stanley disse preocupado.

― Enfim Stanley, eu vou indo para casa. Meu filho está me esperando pra gente brigar. ― Charlie sorriu com tristeza, cambaleando levemente ao ficar de pé.

― Wow... Você não está bem. Quer que eu chame um táxi para você ir pra casa?

― Nah... Eu estou ótimo. Não moro longe daqui e estou de carro. ― Charlie deu de ombros.

O rapaz pagou a conta sem nem prestar atenção no tanto de gorjeta que ele deixou para o cara que lhe serviu e depois começou a caminhar em passos lentos e descoordenados até o lado de fora onde ele estacionou o carro, enquanto Stanley o chamava preocupado, mas o outro não respondia.

Por mais que quisesse, não podia correr atrás de Charlie e tentar pará-lo, pois por maior que fosse sua preocupação, ele ainda tinha que terminar suas apresentações.

Charlie adentrou no veículo e deu a partida engatando a ré logo em seguida, e pisando no acelerador até que sentiu um solavanco e uma batida brusca fazendo-o bater a testa no volante, por não ter colocado o cinto de segurança.

― Droga ― Uma voz longínqua gritou, mas isso não o preocupou muito.

O carro que Charlie batera estava chegando no pub naquele momento e antes mesmo que ele terminasse de estacionar a pancada ocorreu fazendo-o praguejar.

O motorista esperou alguns segundos e o outro carro permaneceu imóvel, o vidro era escuro, não dava para ver direito quem estava no volante.

Ele passou a mão furtivamente pelo cabelo e caminhou até o outro carro, batendo no vidro, porém não obtendo resposta alguma.

Depois de revirar os olhos e abrir a porta, ele se deparou com o rapaz com a testa apoiada sobre o volante e um cheiro de forte de álcool impregnado na roupa e em seu hálito.

― E essa agora, só para melhor minha noite. ― Ralhou nervoso ao constatar que se tratava de Charlie.

Vamos analisar minhas opções, eu poderia muito bem deixá-lo aqui para apodrecer de tão bêbado que está. Ou eu poderia chamar uma ajuda, vai que ele entrou em coma alcoólico? Seria possível certo? Ou posso tentar acordá-lo, é acho que vou fazer isso. Caine pensou não tendo muita certeza de que sua escolha fosse a mais sensata.

― Charlie, acorda. ― Começou a chamar balançando o ombro do rapaz que resmungava algumas coisas que ele não entendia. ― Acorda! ― Insistiu.

Charlie nem se mexeu, deixando Caine um pouco apreensivo. O moreno voltou ao seu carro e abriu o porta-luvas, pois sabia que tinha uma garrafa de água lá.

Voltou ao carro de Charlie e despejou todo o líquido sobre sua cabeça, que fez com que o rapaz saltasse no banco imediatamente, balançando-se desesperado devido a temperatura da água, e então ele se virou para Caine e semicerrou os olhos.

― Qual o seu problema seu idiota! ― Ele berrou se sentindo um pouco desnorteado.

― Qual o meu problema? Qual o seu problema, você bateu no meu carro seu imbecil. E desde quando você bebe? ― Caine devolveu irritado.

― E isso te dá o direito de me jogar água? Além do mais eu não me lembro de alguma coisa sobre a minha vida ser da sua conta. ― Charlie ralhou exasperado.

― Falou o cara que bateu no meu carro. Com que direito você fez isso? E eu estou pouco me fodendo para a sua vida, desde que ela não interfira na minha.

― Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Bati no seu carro sem querer e você me jogou água querendo. ― Charlie disse olhando-o com extrema raiva.

― Eu não te joguei água por você ter batido no meu carro, e sim porque eu sou um idiota que ficou preocupado com um bêbado filho da mãe. Eu poderia muito bem ter deixado você aí e sair andando, mas não fiz. ― Caine respondeu descontando toda sua fúria nele.

― Mas não fez, afinal como perderia a chance de infernizar a minha vida, não é mesmo? Ou é por causa do carro? Se foi pode deixar que eu pago. ― Ele disse irônico.

― Não. Eu não ligo para o carro, afinal ele eu conserto, mas sua vida não tem conserto e se eu te deixasse aqui e acontecesse algo com você eu me culparia depois, afinal foi no meu carro que você bateu. ― Caine explicou exasperado e logo após suspirando.

― Eu estou bem está legal? Tirando o fato de um idiota ter me molhado eu estou ótimo. Se melhorar estraga. ―  Charlie falou saindo para fora do carro.

― Que bom. Então eu vou indo. Muito obrigado por acabar com a minha noite perfeita. ― Caine falou acidamente e saiu andando deixando o outro para trás.

Antes que Charlie pudesse dizer algo, o rapaz já havia entrado no Pub. Ele então deu de ombros e novamente deu partida no carro e saiu dirigindo em zig-zag pelas ruas escuras da cidade. Ele estava irritado. Frustrado. Mas não ia se dar ao luxo de dar essa moral para Caine... Não novamente... Não quando seu filho estava sentado no quintal de sua casa, com os braços cruzados e uma expressão de ódio no olhar.

                                                                 ~//~

Irick havia saído para dar uma volta. O clima na sua casa conseguia estar muito pior do que ele havia imaginado. Seu irmão não parava de lhe intimidar e principalmente humilhar. O pior era que o mais velho fazia isso furtivamente, longe dos olhos da mãe ou dos empregados, o que dificultava para Irick uma prova para acusar Erick.

O clima de sexta-feira à noite não estava tão agradável para uma caminhada quanto ele desejava, não dando ânimo ao loiro para ficar fora de casa por muito tempo. O garoto apenas fora para uma lanchonete que havia perto de sua casa e ficou lá matando o tempo por alguns minutos, quase uma hora, enquanto comia um salgado. Ele nem estava com tanta fome, mas aquilo ao menos lhe distraia.

Não tendo muito o que fazer, o loiro voltou para sua casa. O mesmo suspirou lentamente antes de colocar o pé para dentro da sala, onde encontrou a mãe sentada em frente à televisão assistindo à um programa qualquer, coisa que ele não tinha interesse em saber.

Irick foi em direção ao seu quarto, porém parou abruptamente no batente da porta, que estava aberta, ao ver seu irmão dentro de seu santuário.

― O que você está fazendo aqui? ― O mais novo perguntou nervoso.

Erick olhou para o irmão com desdém, analisando suas vestes de cima a baixo e revirando os olhos em seguida. O mais velho pegou a mala que estava em suas mãos e jogou-a sobre a cama apontando para a mesma enquanto direcionava uma expressão fria para o irmão.

― Pegue suas tralhas e saia desse quarto. Eu o quero de volta. ― Erick usou um tom de voz autoritário, fazendo que cada palavra fizesse o irmão se encolher no lugar.

― Esse é meu quarto. O seu é o que a mamãe preparou. ― Irick tentou soar firme, porém sua voz vacilou no meio da sentença.

― E eu te perguntei alguma coisa, seu inútil? ― Erick estreitou o olhar para o irmão com fúria. ― Eu estou mandando você pegar suas coisas e sumir daqui. Aproveite que eu estou sendo generoso a ponto de não as jogar fora e ter colocado suas roupas numa mala e não no lixo. ― O mais velho deu de ombros.

― Eu não vou sair do meu quarto. Se o seu quarto não está bom pra você, saia da casa. ― Irick tentou, em nome de sua dignidade, se manter o mais firme possível diante do irmão.

Erick ficou um pouco surpreso com a atitude do mais novo, esboçando um pequeno sorriso de canto para o mesmo. Em passos lentos ele caminhou em direção ao irmão e o surpreendeu levando sua mão ao pescoço de Irick, colocando-o entre a parede e apertando o local com força, tirando todo o fôlego do mais novo.

― Escuta aqui seu viadinho inútil, desprezível e descartável. Eu vou dar um último aviso simplesmente porque eu estou de bom humor e não quero esquentar minha cabeça. ― Enquanto suas duras palavras saiam, Erick mantinha o sorriso debochado brincando nos lábios enquanto os olhos de Irick marejaram e seu rosto ficava vermelho por conta da falta de ar dada ao sufocamento. ― Eu quero que você pegue todas as suas tralhas e tire elas do meu quarto imediatamente. Não ouse brincar comigo ou eu acabo com a sua vidinha miserável, se é que isso pode ser chamado de vida. ― O mais velho ameaçou soltando o pescoço de Irick que começou a tossir e recobrar a respiração.

Erick caminhou pelo quarto, rasgando o enorme pôster da Adele que o mesmo tinha na porta do guarda-roupas e jogando o mesmo no chão, pisando em cima em seguida. Na sequência, ele caminhou para a saída de seu quarto, porém antes de finalmente sair ele parou, mantendo-se de costas para o irmão.

― Você tem cinco minutos para tirar todas essas merdas do meu quarto. E a próxima vez que você resolver me enfrentar, pense bem pois poderá ser sua última. ― Alertou por fim saindo do quarto.

~//~

— Muito bem senhores, parece que a documentação está toda em dia e não vejo razão para adiar mais ainda a matrícula de vocês. ― Comentou Dante folheando os três formulários em sua mesa, referente aos três irmãos que estavam à sua frente.

— Espero que vocês, Argentinos, não sejam como os Brasileiros que recebemos dois anos atrás. Aquilo foi uma catástrofe. Transformaram os corredores dessa escola num tremendo puteiro. ― Sidney disse séria, posicionada ao lado da mesa do diretor, fazendo os irmãos se entreolharem.

Dante olhou de lado para Sidney e conteve o risinho debochado. Lembrava-se muito bem da mulher caindo de bêbada ao experimentar a famosa ‘caipirinha’ brasileira. Porém, retomou a atenção aos rapazes a sua frente, e ele não podia negar, possuíam uma genética impressionante.

Christopher, que estava em pé atrás dos dois irmãos mais novos, possuía uma postura séria e um rosto másculo e bem estruturado. Os cabelos loiros penteados num topete que caia para o lado, um corpo bem definido, compatível com o seu histórico de aptidão esportiva da antiga escola.

Luke, o irmão do meio, era o que mais preocupava o diretor, sua postura era arrogante e algo em seu olhar não passava muita confiança para Dante. Porém, em termos de aparência, era como o irmão, apesar de seu rosto ser um pouco mais quadrado e seus cabelos serem castanhos claros e não loiros, mas o porte físico era ainda mais robusto que o do mais velho.

E então havia Liam, o mais novo. À primeira vista, aparentava ser um garoto sossegado e focado. Seus olhos cor de chocolate possuíam um charme e certa doçura, mas seu sorriso transpassava que havia algo mais ali que ele não estava expondo. E diferenciando-se dos outros dois irmãos, seu cabelo era totalmente castanho escuro, mas o físico não o deixava tão atrás dos irmãos, apesar de não haver nada em seu histórico que explicasse os braços e peito definido.

— Bom, Sidney aqui irá mostrar o caminho para vocês até o dormitório e designar cada um para seu respectivo quarto, seus horários estão aqui... ― Disse passando três folhetos ao irmão mais velho. — E suas aulas começam na segunda sem falta. Apenas uma semana se passou, mas a maioria dos clubes estão aceitando membros ainda e eu avisarei os demais coordenadores a razão do seu atraso, não se preocupem.

— Aproveitarei e frisarei bem as regras da instituição, para que não tenhamos nenhum problema durante o decorrer do ano. ― Disse Sidney fazendo menção de sair da sala, sendo seguida pelos novos alunos. — Não saiam de perto de mim, ou visitarão a minha sala mais rápido do que possam dizer ‘deportação’.

Dante suspirou assim que a ex-mulher fechou a porta da sua sala. Ela era inacreditável, sinceramente.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...